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História Laços - Juliantina - Capítulo 27


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Notas do Autor


Galerinha, tive um problema de saúde mas consegui a ajuda de uma pessoa pra me ajudar a revisar isso aqui antes das postagens.
Espero que curtam.

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Capítulo 27 - Capítulo 27


Um mês havia se passado após Valentina ter uma experiência nada desejável em sua jovem vida. Contudo, o universo parecia conspirar para que sua felicidade enfim chegasse. Ela e Juliana oficializaram o namoro, pelo menos para pessoas próximas (mesmo Eva). Vale não frequentava a faculdade havia algum tempo e também não saia de casa pois a exposição que sofrera na clínica repercutiu por dias a fio, irritando ainda mais os acionistas da empresa da família, além de envergonhá-la profundamente.

Os médicos aconselharam Valentina a fazer um tratamento psicoterapeuta, o que foi apoiado por Juliana. Vale marcou uma sessão de terapia com Alicia Camacho, uma pessoa de sua confiança e conhecida da família.

No dia marcado, Jacobo ficou responsável por acompanhar Valentina até o consultório. Estavam todos apreensivos com uma possível perseguição da imprensa, mas, felizmente, não aconteceu.

 

- Jacobo, você já fez terapia? - Valentina tentou puxar algum assunto para quebrar o silêncio da viagem.

-Nunca! Sempre resolvi meus problemas afogando-os numa profunda garrafa de mescal! - Ele olhou para a cara de Valentina e percebeu que não tinha dado um bom conselho. - Quer dizer, eu faço isso mas deveria, com certeza, fazer um desses lances… embora não saiba bem como é isso.. O que eu quero dizer, Valentina, é… - todo embananado. - Eu não estou na sua pele e não posso dizer essas idiotices que estou dizendo. Desculpa!

- Não precisa se desculpar! Eu até estou rindo da sua tentativa de me dar um conselho válido! - Valentina apontou para o próprio rosto exibindo um sorriso para confortar o amigo motorista. - Pelo menos você ainda fala comigo.

-Quero que você faça tudo o que os médicos pediram. Continue de repouso, comendo bem, SEM BEBER!! - alertou Jacobo, franzindo a testa. - Eu acho que essa conversa com a Alicia será muito produtiva. Pelo menos ela tem licença e comprovação científica para dar os conselhos que eu não sei dar!

 

Os dois riram com a conversa descontraída. Valentina finalmente chegou ao consultório de Alícia, que a esperava numa sala bem aconchegante. Havia ali um divã, típico daquelas cenas de filmes com psicólogos e terapeutas. Mas havia também um enorme aquário que deixava o ambiente azulado, dando uma sensação de paz.

 

- Olá, Valentina! - disse Alícia, abraçando Vale fortemente. - Fico feliz que tenha me procurado. Quero muito poder te ajudar e espero que confie em mim para isso!

- Que bom te ver, Alícia! Você é a pessoa ideal para me ajudar. Eu e minha família confiamos em seu trabalho!

- Quanta responsabilidade!! Sente-se e vamos começar.

 

Alicia deixou Vale livre para falar somente aquilo que fosse confortável. Valentina contou algumas coisas que Alícia já sabia, mas dava detalhes de como se sentiu em cada um dos momentos que passou nos últimos meses.

 

- E como você está agora, Valentina? O que você carrega aí dentro de você depois de todo esse relato?

- Às vezes acordo no meio da madrugada após um pesadelo no qual revejo todas essas cenas malditas. Acordo abalada... mas os calmantes têm sido meus companheiros.

- Imagino. Continue com o tratamento psiquiátrico até que se sinta melhor para não mais tomar esses remédios. Mas isso deve ser feito aos poucos.

- Tem uma coisa que me incomodou muito esses dias…

- Diga! Pode falar do que você quiser, Valentina. - Alicia era muito compreensiva.

- Eu não estou muito em paz com meu corpo. Depois do estupro, das mudanças hormonais, tem bebê, não tem mais bebê… tudo isso me fez ter uma certa aversão ao meu corpo. Eu mal encaro o espelho. E também fico estranha quando eu e Juliana estamos juntas e o clima esquenta – Valentina olha um pouco envergonhada pra Alícia, mas continua falando o que sente. - Meu corpo e minha mente parecem querer coisas distintas, sei lá. Às vezes até um abraço me incomoda. Coitada da Juls...

- O quanto isso te afeta?

- Eu não sei… Mas, tenho medo que isso afete minha relação com Juliana. Ela é muito compreensiva, nunca forçou a barra comigo durante todo esse tempo. Mas sinto que estou em débito com ela…. Sabe, ela é tão, tão carinhosa e eu só tenho me esquivado.

 

Valentina ficou um tempo em silêncio, encarando o aquário e os peixes ali confinados. Estava fazendo bem tirar de dentro de si aqueles sentimentos e dúvidas, mas, obviamente as respostas não viriam de forma fácil.

 

- Eu compreendo seu medo. Isso é muito comum em pacientes que foram vítimas de violência sexual. Atendi pacientes que passaram anos sem qualquer tipo de envolvimento ou relação sexual após traumas dessa natureza.

-Acha que eu vou ficar assim pra sempre?

-Embora seja cedo e até irresponsável da minha parte responder essa pergunta, enquanto sua amiga, acho que não. - diz Alicia, olhando fixamente para Valentina. - Eu acho você uma mulher muito forte, que já consegue distinguir o que te faz mal e o que é apenas uma fase. Claro, não pense que esse tipo de situação não define o que é ser forte ou quem é fraco. Algumas pessoas passam por tudo isso sozinhas, por escolha ou não. Mas, você e Juliana têm uma relação capaz de servir como ponte para que atravessem essa fase. Bom... pode não ser uma fase, pode durar semanas, meses até anos para sabermos a resposta certa.

 

Valentina abaixou a cabeça e deixou as lágrimas rolarem por seu rosto. Embora houvesse medo e preocupação, também havia um pouco de alívio pelo que tinha acabado de ouvir.

 

Eu fui convidada para uma festa de um pessoal lá da faculdade. Apesar do medo de ficar em público, dos olhares e comentários, eu me senti tentada a ir. Acha que devo?

- Eu acho que você precisa fazer coisas que lhe façam bem, que lhe deem a sensação de estar viva e aproveitando a sua vida. Respeite o seu tempo mas, sempre que possível, tente dar um passo à frente, se permitir, se desafiar. Se está tentada a ir, é porque algo aí na sua cabeça diz que será uma oportunidade para se divertir e fugir da clausura. Você irá com Juliana, certo? - Perguntou a psicóloga.

 

- Eu ainda não falei com Juliana sobre isso. Ainda não aparecemos juntas em um evento como esse. Sabe, Alice... – Valentina faz uma pausa antes de falar de outro de seus medos. - … eu ainda não sei como é estar fora do armário, como me portar na frente de outras pessoas e essas pessoas me vendo com outra mulher. Tenho medo do preconceito, dos risos e dos olhares…

- Valentina, vejo que está muito insegura. Mas, se olhar bem, verá que você mesma está criando situações que podem ou não acontecer, e que só dependerão da sua vivência para que se confirmem. Sobre a sua sexualidade, você não pode ter medo de ser quem você é e também não pode se dar ao luxo de se importar com o que outros dirão. Desculpa falar de uma forma um pouco dura, mas é que, conhecendo você, sei do seu potencial para enfrentar as pessoas.

 

- Você enxerga uma Valentina que eu mesma nunca enxerguei, Alícia…

 

Alícia continuou aconselhando Valentina sobre sua relação com Juliana, sobre a sua sexualidade e tudo o que vivera no passado recente. A terapia tinha ares de que daria certo e faria Valentina se erguer logo. Assim que a sessão terminou, Alícia e Vale se abraçaram e se despediram.

Jacobo estava no local combinado, esperando para que voltassem para casa. Vale tinha que falar com Juliana a respeito da festa que fora convidada. Alícia disse que seria uma ótima distração, mas o medo falava mais alto. Talvez com Juls dando força, ela se preocuparia menos. Assim que entrou no carro, pegou o celular e ligou pra namorada.

 

- Mi amor!! Como foi a sessão com a Alícia? - Juls atendeu o telefone com a empolgação de sempre.

- Amor!! Nossa, que explosão é essa atendendo o telefone!?!

- Estou ansiosa para saber como foi lá, ué! Não tenho esse direito? - perguntou Juliana afoita.

- A sessão será um segredo meu e da Alícia!!

- Nãããããooooooooooo!! Eu quero que você me conte, Vale!

- Não posso contar. E você vai entender isso, que eu sei que sua compreensão é maior que a sua curiosidade!

- Eu me odeio por ter escolhido o papel de namorada compreensiva! Droga! - brincou com Vale. - Mas então, por qual motivo me ligou?

- Bom, um dos assuntos que tratei com a Alícia foi sobre uma festa hoje… Vai ser algo mais reservado, só o pessoal da faculdade, alguns conhecidos…

- Mas você está pronta pra esse tipo de evento, Valentina? Você vai se sentir bem indo a um lugar cheio de gente?- perguntou Juliana, assustada com a informação. - Não quero te assustar ou te desanimar, só me preocupo com você e com sua saúde mental e física.

- Acho que estou pronta sim. Sei lá, Juls... preciso tentar. Preciso viver!

 

Juliana pensou um pouco antes de dar uma resposta final. Ela era superprotetora e não queria expor a namorada a nenhuma situação desnecessária. Mas era nítida a vontade de Valentina de sair um pouco, respirar um ar menos carregado que o dos próprios pensamentos.

 

- Ok, dona Valentina! Te encontro às vinte horas na sua casa. Espero não me arrepender dessa decisão. – Juliana falou em tom de brincadeira, mas com um fundinho de preocupação.

- Vou ficar bem bonita pra você. Assim evitamos que você se sinta arrependida!

 

Juliana ficou sem graça do outro lado da linha. Apenas deu uma risadinha sem jeito no telefone e desligou a ligação.

 

- Parece que ela concordou com a senhora, hein! – brincou Jacobo.

- Meus poderes ainda funcionam, Jacobo!

 

Valentina colocou altas expectativas na festa, principalmente porque queria ficar a sós com Juls num clima mais solto em vez da calmaria de sua casa. Elas poderiam dançar e curtir. Beber não era uma opção visto que passara a tomar psicotrópicos. Juliana também precisava ficar atenta pra não deixar sua vontade falar mais alto que a necessidade de não se drogar. No fim das contas, seria um teste para o casal.



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