História Laços de Amor - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Convivência em Família - Parte I


Fazia muito tempo que os dois sannins não tinham uma rotina tão regrada como aquela, a experiência de acordar cedo, ir trabalhar, e cuidar de uma casa e mais uma criança, estava sendo algo muito novo para eles.

Orochimaru vinha trazendo Sakura nas costas e Tsunade estava abrindo a porta, quando os mesmos genins que trouxeram as coisas de Sakura dias antes, apareceram por ali, carregando as sacolas de compras da família.

O que deixara o casal com uma gota de indignação na cabeça, já que em seu tempo as missões deles, como genins eram bem mais perigosas e sangrentas.

— Tenho que guardar tudo isto, e ainda preparar o jantar... – Tsunade falou espichando o beiço, de um jeito que Orochimaru, a achou momentaneamente parecida com Sakura.

— Podemos guardar e depois sair para jantar fora... – Orochimaru sugeriu casualmente, e aquilo pôs um arquear de sobrancelha no rosto de Tsunade que o encarou com incredulidade.

— Quanto mais nos verem com a pirralha, melhor... – O homem insistiu querendo ser prático, mas houve algo em suas palavras que desagradou a mulher, que ainda assim acabara concordando com sua sugestão.

— Mas, já te aviso... Sem gracinhas! – Ela disse empinando o nariz, sendo a vez de Orochimaru arquear a sobrancelha com incredulidade.

— É você que está pensando nisso, não eu... – O sannin disse dando uma risadinha que deu vontade na loira de lhe dar um soco nem que fosse dos mais fraquinhos, ela só não fez porque percebeu que Sakura estava os observando com curiosidade.

— Venha, Sakura... Vamos tomar banho... – Sakura franziu o cenho. E, Orochimaru fechou a cara, porque sua adorável esposa, deixou todas as compras para ele guardar, depois ela ia ficar lhe aporrinhando, porque ele deixou tudo fora de lugar.

— Já sei tomar banho, sozinha. – Ela falou com uma pontinha de orgulho, mas depois do incidente do primeiro dia, Tsunade não botava mais fé, nisso.

Tsunade nada disse, apenas fez um gesto para que Sakura a seguisse, a loira subiu com agilidade a escada, mas Sakura demorara mais tempo do que o necessário para subir, os vinte e dois degraus.

A médica-nin, voltara seus olhos para a menina que vinha andando, um tanto trôpega. Mas, ela firmou o passo quando percebeu que Tsunade a estava encarando e a loira acabou ficando na dúvida, se era só mais um tique nervoso, ou se ela realmente estava com alguma dificuldade motora.

— Mamãe... Papai! – Tsunade foi pega de surpresa, ao ver Sakura correr toda desajeitada em direção aos ursos, e abraça-los com tanta vontade, que a Kunoichi não conseguiu deixar de observar a cena.

— Como foi o dia de vocês? O meu foi difícil... Yesu-sensei continua me brigando... – A garotinha começou a tagarelar com os dois ursos indiferente a presença da médica-nin ali, e aquilo foi desagradável para a princesa das lesmas, que não gostava de ser ignorada.

— Brigando comigo, Sakura. – Tsunade disse distraidamente, enquanto procurava algo decente para colocar a na menina, para que eles pudessem ir a um restaurante.

— Quem brigou com você? – Sakura perguntou abraçada a um dos ursos.

— Ninguém. – Tsunade disse com uma gota na cabeça.

— Então, por que você falou brigando comigo? – A menina perguntou fazendo uma careta, e a loira não acreditava que estava perdendo seu tempo, com aquele tipo de diálogo.

— Você falou “Yesu-sensei continua me brigando”, mas o correto é “Yesu-sensei continua brigando comigo”. – Tsunade falou pausadamente, ainda descrente com o teor daquela conversa.

— Ah, tá... – Sakura disse grudada no urso e dando um beijo no focinho dele.

Haviam vindo quatro araras de roupa, da antiga casa de Sakura, duas com roupas de inverno, uma com roupa de meia estação e outra de roupa mais de verão. Mas, o impressionante é que tudo estava desbotado, com aspecto de velho. E, alguns pareciam muito pequenos para servirem na menina.

Tsunade só se agradara de um vestido vermelho, mas este tinha o emblema do clã Haruno, e havia um outro, mas este se quer passou pelos ombros de Sakura, o que fez com que Tsunade soltasse um suspiro de aborrecimento.

— Hm. Algum problema? – Sakura perguntou inocentemente.

Tsunade olhara para o céu, e pensara que ainda dava tempo de dar uma corridinha no centro da cidade e achar, algo que servisse em Sakura.

...

Orochimaru mal tinha acabado de guardar as compras e já foi incumbido de mais uma tarefa: dar banho em Sakura.

Enquanto isto, Tsunade iria atrás de uma roupa descente para colocar na criança. Não queria sair com ela, toda maltrapilha. Pensando bem, sua vontade era se desfazer de todas aquelas araras, mas ela precisaria ir com mais tempo as compras.

— Você não pode me dar banho, porque você é homem. – Sakura disse cruzando os braços, ao que Orochimaru ficou indignado, porque para ele era indiferente ver aquela pirralha com roupa, sem roupa ou do avesso.

— Não seja por isto! – O homem disse fazendo alguns selamentos, e Sakura literalmente caiu sentada para trás, quando a figura de Orochimaru tornara-se mais feminina. – Que tal? Agora sou uma mulher! – Ele disse com uma voz nasalada que o deixara ainda mais aos olhos da garotinha, que o encarara com seus grandes olhos verdes, arregalados, antes de seus olhos se marejarem, e ela recomeçar a chorar. Para a infelicidade de Orochimaru que não sabia o que tinha feito de errado.

...

Tsunade tivera um prejuízo quadruplo, porque ela chegou numa loja de roupas infantis, e esta estava fechando e “sem querer querendo”, ela acabou usando sua força em demasia, e acabou quebrando a porta da mesma, o que não deixou a gerente nada feliz.

Isto, até ela ir as compras: três vestidos, três pares de sapatos, um casaco meia estação, uns dez enfeites de cabelo, meia calça e roupa de baixo... Tsunade descobriu que roupa infantil, custava caro, mas ela quase sorria ao pensar no quanto sua garotinha ficaria uma graça naquelas roupas.

Então, ela percebeu a direção na qual seus pensamentos estavam indo, e se culpou mentalmente por isto.

“Espero que aqueles dois estejam bem”. – Tsunade perguntou apressando o passo, para ir para casa, só esperava que Sakura não desse mais um de seus ataques de choro.

...

— Vamos esperar a diabinha loirinha... – Sakura disse esperneando, em vão enquanto a versão feminina de Orochimaru, a segurava enquanto ele abria o chuveiro.

— Sakura querida é só tirar a roupa, e entrar dentro do chuveiro querida... – O sannin dissera dando uma risadinha de nervoso, ele estava no sufoco ali, com aquela pirracenta esperneando como se ele fosse coloca-la no forno ou coisa pior.

— Mamãe... – Ela espichou o beiço e começou a chorar, enquanto esperneava, deixando Orochimaru com um formigamento esquisito no peito.

— Porque você não chama pelo papai, só para variar? – O homem perguntou enquanto empurrava Sakura com roupa mesmo para baixo do chuveiro, e despejava mais shampoo do que o necessário em sua cabeça, aquilo a fez chorar ainda mais, enquanto ele tomava um banho involuntário, junto a ela.

E tudo foi pior quando o shampoo caiu no seu olho, ai mesmo que ela abriu o berreiro, para total desalento de Orochimaru que descobriu que não nasceu para aquilo.

...

Quando Tsunade chegou na porta da sua casa, havia duas vizinhas bisbilhotando sua porta, isso porque dava para escutar a manha da Sakura, lá da rua.

“Céus, devem estarem espancando essa criancinha”. – Uma senhora gorducha, de cabelos negros e espeço, e com rosto todo rebocado, dissera levando a mão a boca.

“Não me importa que estejam espancando, amordaçando, ou o que for... Façam essa pirralha parar de chorar, estou na hora e meu sono de beleza...” – A mais velha da dupla dissera ajeitando seus óculos fundo de garrafa e erguendo ameaçadoramente sua bengala, na direção da janela do banheiro.

“Com essas rugas, nem dormindo pela eternidade, você dá jeito nessa cara de buldogue murcho...” – As duas voltaram-se com os olhos crispando, para a sannin, mas a aura mortífera que havia em torno da kunoichi, as espantou rapidinho da soleira de sua porta.

Mas, Tsunade não teve nem tempo de ter o prazer de ver aquelas duas alcoviteiras sair correndo, com o rabinho entre as pernas.

A mulher largara as sacolas, e apressara o passo na direção do banheiro.

Mas, assim que ela chegou a porta, vira Sakura sendo carregada que nem um saco de batata, por uma figura muito esguia, peituda de longos cabelos negros.

Tsunade nem pensou duas vezes, enfiou o punho na cara daquela atrevida que tinha a ousadia de entrar em sua casa e dar banho na sua filha, enquanto seu marido, fazia o que? Ela nem pensou direito nessa questão.

Orochimaru que já estava aturdido por todo berreiro da Sakura, literalmente viu estrelas quando foi brindado com um saco que doeu até na rosada que vinha esperneando no colo de seu pai.

— Hm. Diabinha, ele é meu papai postito... – Tsunade ficou com uma veia na cabeça.

— Do que me chamou? – A sannin perguntou fechando o punho e a garotinha soltou um guincho e se agarrou com força no pescoço de Orochimaru começando a escala-lo, de um jeito que ele teve dificuldades de segurá-la.

— Papai... – Ela gemeu chorosa, e o homem rolou os olhos.

— Agora você chama pelo papai, é? – O sannin retorquiu amuado, ao que Tsunade arqueou a sobrancelha.

— Orochimaru é você? – A médica-nin, viu seu queixo cair ao ver a riqueza dos atributos que seu marido havia escolhido, para realizar a técnica de transformação.

— Está perdendo sua sagacidade, mulher? Não reconhece mais um simples Henge no Jutsu? – Orochimaru disse segurando com força seu nariz, e fazendo malabarismo com Sakura no outro braço, satisfeito por pelo menos seu nariz estar no seu lugar.

Tsunade tivera a decência de ficar envergonhada, na opinião do ex nukenin.

— E, você Sakura qual é o drama da vez? E que história é essa de diabinha? – A sannin fez uma expressão sinistra no rosto, e Sakura grudou-se ainda mais em Orochimaru que havia voltado a sua forma normal ao menos, já Tsunade faltava apenas o rabinho e os chifres na opinião do mestre das cobras. – E, o que seria postito? – A médica perguntou, sendo recompensada com um bico e um par de olhos marejados.

— Seu cabelo está todo ensaboado e você está com a roupa ainda, quem é que dá banho em uma criança de roupa e deixa o cabelo dela todo ensaboado?  - A loira perguntou observando o cabelo de Sakura cheio de espuma.

— Por Deus Tsunade, menos perguntas e mais ação... – Orochimaru só queria acabar com aquilo de uma vez, já nem estava mais com vontade de sair para jantar fora.

Por isso, ele não se intimidou tanto assim, quando a loira lhe dirigiu um olhar sinistro para sua pessoa.

— Sakura, venha... – A loira fez menção de puxar a menina do colo de Orochimaru, mas ela se grudou nos cabelos dele, que foram puxados impiedosamente, quando Tsunade tentou tirá-la a força do colo do mesmo.

A menina espichou o beiço, e o homem e a mulher ficaram ainda mais perdidos. Eles não tinham muito experiencia com crianças, mas aquela choradeira dela, não era algo muito normal.

...

No fim, a loira conseguiu conduzir Sakura de novo para o banheiro e com muito mais tranquilidade, ela conseguira dar banho em Sakura que saíra dali toda enrolada no roupão de cobrinhas vermelhas de seu pai, que viu com desgosto seu roupão ser usado por aquela coisinha ranheta que não parava de fungar perto do tecido fino, para seu desespero.

Tsunade teve de pegar de novo aquela pirralha no colo, já que até Fiorentina andava mais rápido do que ela.

Ficara agradecida, por Orochimaru ter tido a iniciativa de levar no quarto, as coisas que a mulher havia comprado.

As sacolas chamaram atenção de Sakura, que não resistiu a curiosidade e bisbilhotou dentro delas.

— Eu não estava passeando, sai para comprar roupas novas para você... Poderia ter sido boazinha, com seu pai e ter deixado ele lhe dar banho.

Tsunade disse controlando o máximo seu tom de voz, embora fosse um pouco difícil se conter, mas era isso ou Sakura iria continuar chorando sem parar em seus ouvidos, e ela se sentia mal em vê-la chorando.

— Roupas novas? – A menina arregalou os olhos parecendo surpresa com aquilo.

— Sim. – Tsunade disse puxando um vestido amarelo de alcinhas, com algumas flores bordadas na barra do vestido. Tinha um outro vestido com as alças mais largas, e esse era roxo e havia o mais bonito de todos, um vestido de seda rosa, todo bordado com algumas madrepérolas enfeitando o tecido que fazia conjunto com um bolero da mesma cor do vestido.

Os olhos da garotinha se marejaram, e ela pareceu emocionada.

— Que foi? Não gostou? – Tsunade se viu aturdida por suas reações, a cada instante que passava, ela se via mais e mais desesperada por um manual para lidar com aquela criança.

— Eu adorei. – Ela disse deslizando as mãos pelo tecido, encantada com a sensação. – Nunca ganhei um vestido novo. Mamãe e papai, hum. Mebuki-chan, e Kizashi-kun, diziam que crianças não precisam nada novo, porque vão crescer e... – Foi a vez de Tsunade sentir um sentimento muito ruim contorcer-se em suas entranhas.

— Esses vestidos são seus. – Tsunade disse com simplicidade, sendo surpreendida pelo esboço de um sorriso no rostinho de Sakura, e era algo muito bonito de se ver.

...

Orochimaru já havia tomado banho, e se trajado com um quimono preto, com um grande dragão vermelho cuspindo o fogo que lembrava uma serpente, com olhos dourados. Esse era o emblema do seu clã. O obi era vermelho também.

Seu cabelo estava preso, e ele usava um brinco de prata na orelha esquerda, a única coisa que estragava, era o roxão em seu nariz, cortesia da truculência de Tsunade que tinha a mania de bater primeiro, para depois perguntar. Então ele vira Sakura descer as escadas, dentro de um vestido rosa, meia calça, sapatinhos e um arranjo que ficara muito bonito em sua cabeça. Ele não havia reparado, no quanto ela estava sempre desgrenhada, com aquelas roupas batidas... Mas, Tsunade havia feito um bom trabalho.

Por falar, em Tsunade ela usava um quimono dourado com um obi marrom, que combinava com seus olhos. Estava com o cabelo preso, com um pente delicado de prata, e usava um sapato de salto muito simples. Orochimaru ficou embasbacado pela beleza da mulher que lhe sorrira.

— Espero, não ter exagerado... – Tsunade disse, ajeitando o cabelo. – Foi Sakura quem escolheu, a garotinha fez uma careta, já que ela não tinha escolhido coisa nenhuma, sua mãe a vestiu e a deixou em seu quarto esperando por ela, e depois apareceu todo “pomposa” no quarto.

— Você está linda, minha senhora... – Ele disse puxando a mão da loira e depositando um beijo na mão da médica-nin, que sentiu uma corrente elétrica se propagar por seu braço, ainda mais quando os olhos do seu marido caíram sobre os seus.

Percebendo que estava sendo traída pelas sensações de seu corpo, Tsunade apressou-se em tirar a mão do alcance de Orochimaru, e Sakura ficou ali paradinha segurando uma boneca de pano, dentro daquele vestido cor de rosa que combinava perfeitamente bem com o seu cabelo, os encarando com curiosidade.

— Vamos? – Tsunade disse espichando a mão para Sakura, que ficou encarando o rosto de seu pai, por algum tempo, antes de timidamente ficar na ponta do pé.

— Vem aqui, seu moço... – Sakura pediu desajeitadamente, mas o ex nukenin não conseguiu resistir aquele apelo, e se agachou na altura da menina, que ficou ainda mais na ponta do pé, segurando com força nos ombros do homem.

Ela estava incomodada com o nariz roxo de Orochimaru, e ela tinha consciência que parte daquilo era culpa sua, então sem aviso ela depositara um beijo na ponta do nariz dele para a surpresa dos dois sannins.

— Pronto, agora vai sarar... – Sakura disse com sua ingenuidade infantil, sem perceber o embaraço de emoção que ela causou em seu pai, que ficou tocado com a experiencia de receber o primeiro beijinho de sua filha.

— Porque você não dá um beijinho, na ponta do nariz dele? – Sakura perguntou inocentemente o que fez com que Tsunade sentisse que suas pernas iriam virar gelatina a qualquer momento.

Mas, não aguentando mais o olhar de expectativa de Sakura, a mulher acabou aceitando sua sugestão e colara demoradamente seus lábios no nariz de Orochimaru, que sentiu o pequeno ferimento sarando quase que instantaneamente, o que o deixou admirado, por Tsunade usar um ninjutsu, sem o uso de selos, através dos lábios. Não era a toa que ela era tida como a melhor kunoichi-médica do mundo.

Sakura fez uma expressão tão engraçada, quando vira que o “beijinho” de sua mãe havia curado o nariz de seu pai, que o casal teve de rir da expressão que ela fazia, e aquilo quebrou um pouco do gelo.

— Vamos? – A mulher ofereceu sua mão pela segunda vez, para a criança que a pegou um pouco hesitante.

Orochimaru vinha do outro lado, e Sakura estava carregando sua boneca de pano, com o outro bracinho. Ela queria levar o urso extragrande, e Tsunade teve de negociar.

Sem aviso, Sakura empurrara a boneca na direção do homem que a pegou todo desajeitado aquele objeto sem utilidade na concepção do homem.

— Cuida da minha filha? – Sakura pediu educadamente, e o homem tentou se acostumar rapidamente com a ideia de que a boneca era filha de Sakura e portanto, sua neta.

Mas, ele a segurou cuidadosamente, e isto pareceu tranquilizar Sakura que lhe ofereceu sua mão agora livre, então de mãos dadas a pequena família saiu para seu primeiro jantar juntos.



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