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História Laços de Sangue - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oiw galera, trouxe um cap bem ameno para vocês se divertirem um pouco.

Capítulo 5 - Capítulo 5


Akemi não era a pessoa com mais conhecimento sobre os piratas novatos, na verdade, sabia bem pouco, não possuía muito o costume de ler os jornais, por mais que Barba Branca a dizia sempre que é bom estar informado sobre os diversos acontecimentos. E ele tinha razão, não saber sobre determinado algo era desanimador, mas isso não significa que tinha deixado Portgas D. Ace passar batido, até reservava alguns minutos de seu precioso tempo para ler as notícias que continham seu nome.

O famigerado novato portador de uma fruta logia, e com um sobrenome estranho, estranho no sentido que ao ver o “D” em letras garrafais, arregalou os olhos e se lembrou imediatamente de uma pessoa extremamente famosa que também o tinha.

Gol D. Roger, o falecido rei dos piratas.

Foi engraçado pelo que se lembrava, o corpo arrepiou por inteiro e quase gritou: ele é filho de Roger, eu sabia que o rei dos piratas deixou de herança um filho vagando por aí!

Ainda bem que não cometera essa gafe no meio do refeitório lotado do navio. Era um pensamento tolo e paranoico, pois no mesmo segundo recordou que o amigo, Teach, também o possuía. Então os dois são filhos de Roger?

Por deus, não seja cérebro de ervilha, Akemi. Sobrenomes não querem dizer nada, mas arqueou a sobrancelha para o diálogo que teve no dia com o amigo.

- Vocês são parentes, Teach? – Questionou em espanto pela possibilidade de sua tese ser verdade, segurando o jornal como se estivesse com um baú cheio de tesouros.

O pirata achou graça daquilo, assim como Izo e Haruta que interromperam a refeição para poderem rir, contidos.

- Quem sabe?! – Respondeu Teach, mastigando uma de suas tortas de cereja.

Aquilo ficou em sua cabeça por um bom tempo, até esquecer e lembrar do assunto pela manhã, após a chegada de Portgas e tripulação ao Moby Dick na noite anterior. Não costumava acordar cedo devido a mania de ficar a noite em claro perambulando pelo navio, mas aquele dia em específico apareceu quase no final da primeira refeição, e conseguiu capturar alguns pães e bolos antes de sair para o convés com uma animação incomum.

- Thatch-san, bom dia. – Cumprimentou o comandante parado próximo a um pilar, segurava um jornal aberto, mas não parecia lê-lo.

- Bom dia, Akemi-chan, acordou cedo hoje. – Ele sorriu. – Devo me surpreender?

- Hoje não, só não queria perder os avanços de Portgas D. Ace para se juntar a nossa tripulação.

- Ah, Ace ainda não acordou. – Thatch fechou o jornal e aproximou da garota, capturando o colarinho aberto e o abotoando, o pequeno início da marca que ela tinha na clavícula era visível pela abertura de botões. – Me pergunto se isso vai mesmo acontecer, ele parecia um cachorro raivoso antes do pai o apagar, mas Ace tem apenas duas opções no momento, se juntar a nós ou recomeçar do zero.

Compartilhava do mesmo pensamento, se juntar a tripulação daquele cujo desejava matar seria no mínimo estranho, muito estranho, e Ace não parecia que iria fazer isso. Bom, Akemi não poderia concluir nada enquanto o novato não acordasse e desse a própria palavra, eram apenas especulações.

- Vamos esperar. – E então subiu as escadas para a parte traseira do grandioso navio, onde com certeza encontraria a pessoa que procurava e tinha razão.

Teach estava enroscado na borda, os braços atrás da cabeça, tirando mais uma de suas longas sonecas. E nada como acordá-lo para bombardeá-lo com suas paranoias fora de hora, se tinha algo que gostava de fazer, sem dúvidas é dar voz a seus pensamentos malucos, Haruta sempre dizia que estava lendo muita ficção e se ficasse perto demais de si, acabaria igualmente doido das ideias.

- D é um sobrenome famoso pelo simples fato do rei dos piratas possuí-lo, Akemi-chan. – Discorreu o pirata, sentado com as pernas cruzadas, deixando escapar um longo bocejo. – Muitos por aí devem tê-lo também, e não possuem vínculo sanguíneo de certa forma, eu nunca tinha ouvido falar de Ace antes de ele aparecer nos jornais.

- Sim, mas você já pensou se Roger tivesse deixado um filho? – Se virou de supetão, apoiando um braço na murada do navio e inclinando o corpo para trás. – A herança do rei dos piratas, rá, em manchete principal no jornal, e todo mundo se surpreende que o legado do maior pirata que existiu continua!

Teach riu alto, Akemi tinha uma mente muito fértil.

- Eu gostaria de ver uma coisa como essa, mas é impossível. – Negou com a cabeça. – A marinha procurou todos que tinham dado até mesmo bom dia para ele e mandou executar, se Roger tivesse uma mulher, ela não teria nem chances de dar à luz a uma criança.

- A marinha é horrível. – Estremeceu, imaginando uma perseguição por motivos fúteis como esse dito por Teach. – Como podem mandar executar tantas pessoas só por besteira? Roger era alguém tão terrível assim para eles?

A risada do mais velho morreu, aparentando leve seriedade ao tocar naquele assunto.

- Não posso responder isso, Akemi-chan. Mas você sabe como são as opiniões dos outros, certo? Elas são divididas, alguns dizem que ele foi um homem espetacular, outros o odeiam. – O pirata encarou as mãos pequenas cobertas por luvas brancas da outra. - O que você acha do oyaji?

Os olhinhos dela brilharam e a adolescente empertigou os ombros, como se fosse dar um imenso e importante discurso para a nação.

- O pai é o melhor, será o próximo rei dos piratas, é um homem admirável e de bom coração. – Akemi pendeu a cabeça para o lado, sorrindo. - Na verdade, o pai é muitas coisas que se eu fosse listar, ficaria o dia inteiro falando.

- Pois bem, nem todos tem essa mesma visão. Por esses mares você vai achar pessoas que o odeiam, que o idolatram, que o querem matar por muitos motivos, como Ace.

Akemi ponderou aquilo, saindo de perto da murada e sentando no piso polido.

- Mesmo assim, sabe, se o Roger tivesse um filho, não é certo que matem a criança por apenas ser filho dele. – De repente sentiu uma pontada de tristeza, e não entendeu o porquê, parecia incomodo falar sobre isso. – Não é certo culpar o filho pelos erros de seus genitores, não é?

- A marinha e o governo mundial eliminam aqueles que acham inconvenientes e que os ameaçam de certa forma. – Teach descruzou as pernas. – Já tivemos muitos exemplos desse poderio devastador.

- Exemplos? – O fitou, curiosa. – Quais?

Sua ignorância era desoladora, e Akemi odiava isso. Ficar no escuro é a pior derrota e não saber sequer um pingo dos fatos que aconteciam ou aconteceram pelos mares lhe entristecia, por isso estava sempre em busca de conhecimento, mesmo que não desse atenção devida aos jornais. O que mais gostava é ouvir do pai as histórias de quando era jovem, a nostalgia presente nos olhos castanhos e cada detalhe narrado das aventuras pelos mares apenas aumentava a admiração para com aquele homem.

- O Governo Mundial mandou destruir uma ilha inteira por acharem estar conspirando contra eles. – Teach torceu a boca. – Ohara foi uma ilha do West Blue, vítima de um Bustercall, teve apenas uma sobrevivente. Vamos ver o que mais...

Ohara?

Esse nome não lhe era estranho, e recordou que Marco comentara uma vez sobre, mencionando algo relacionado com Poneglyphs e o século perdido.

- Eles estudavam os Poneglyphs e coisas relacionados aos anos em branco, né? – Indagou.

- Ho sim, por isso que foram aniquilados, o Governo Mundial proíbe esse tipo de coisa, é considerado crime. – Teach fitou os límpidos olhos verdes da jovem, a cicatriz que ela tinha no rosto ficava mais visível contra o sol. - Tem uma ilha bem antiga, você nem estava nascida na época, o nome dela era Tori...

Akemi trincou o maxilar de repente, uma pontada aguda foi sentida na cabeça, a fazendo levar os dedos até as têmporas e massageá-las para que aquilo passasse, a visão deu uma leve turvada.

 

Um livro jazia aberto em sua frente, dedos finos viravam as folhas que continham desenhos infantis. Uma voz suave era ouvida, Akemi adorava aquela voz, mas a quem pertencia?

- Onee-chan, eu ouvi a mamãe falando da nossa casa de novo.

- Hm, eu já disse para parar com essa mania de ouvir conversa alheia. – Repreendeu, não parecendo realmente irritada. – E nossa casa é aqui, nenhum lugar a mais.

- E a ilh...

- Nossa casa é aqui, Akemi, aqui.

 

- A ilha dos infames Fleurs, eles foram as piores vítimas do Governo, um massacre incomparável, Zehahah. Bom, não acho que devo chamá-los de vítimas, não eram pessoas inocentes e tampouco mereciam compaixão.

Fleurs.

A pontada dolorosa veio duas vezes mais forte, e desta vez um gemido escapou dos lábios quando se curvou, as mãos apoiadas nas laterais do rosto, a pulsação aumentava. O que diabos estava acontecendo?

 

- Nós temos que ir embora, agora! Corremos perigo se ficarmos aqui.

- Mas mãe, e toda a plantação?

- Não questione... Apenas vá atrás da sua irmã!

 

Trincou os dentes pela dor lancinante, parecia perfurar o crânio e espalhar para cada nervo do corpo. Não se lembrava de sentir isso antes, e ficava mais confusa e embaralhada com as imagens lhe torrando a mente, surgindo e apagando, vozes conhecidas e rostos borrados, alguém gritava e pedia ajuda, quem?

- Akemi-chan, você está bem? – Teach chacoalhou seu corpo. – Akemi-chan!

 

- Carregamos nas veias aquilo que ditará nossos destinos, pessoas como nós não possuem direito a felicidade, entenda de uma vez.

 

As vistas escureceram de uma hora para outra, os sons a volta foram sumindo até que se tornasse tudo silencioso, a imagem de Teach se tornou um vulto indistinguível até que tudo se apagou em um estalo. Havia perdido os sentidos.

.

 

Doía, maior que qualquer dor física, tivera o suficiente da maldade humana marcada na pele e mesmo assim não se comparava ao que sentia. Um vazio alastrando pelo corpo, usurpando da calmaria e incitando sentimentos ruins que não cultivava desde que desenvolveu laços com Barba Branca e tripulação. Por que de repente afundou-se em uma escuridão sem fim? Um buraco sem fundo, no qual caía, caía e gritava, mas som nenhum era ouvido, o frio preenchia o estômago, trazendo a sensação desgostosa da ânsia e então tudo desaparecia em um estalar de dedos.

Uma fazenda. Três pessoas, duas pessoas, uma pessoa, e então o vazio. Gritos desesperados, alguém lhe segurou o braço, disse que ficaria tudo bem, e a levou, chorava, não queria ir. A pessoa que amava ficou para trás, quem?

São imagens sem distinção, as vezes vinham acompanhadas de vozes que de alguma forma soavam aconchegantes e familiares, e conseguia ouvir a sua própria responde-los de forma alegre, como se se conhecessem há tempos. Seus olhos captavam flashes rápidos de locais a qual não lembrava, mas sentia que já tinha pisado naquele solo, apenas não sabia quando o ocorreu e se realmente aconteceu.

Akemi tinha se acostumado com o imenso branco que carregava referente a alguns anos de sua vida, especialmente nos anos que passou sob a visão do rei Bortin. Quando chegara a bordo do navio, Irna lhe impôs algumas questões, cujo não soube responder, e mesmo que ela fizesse de novo as mesmas perguntas, ainda ficaria sem resposta. São coisas que estavam além de suas memórias, da capacidade de retirar ações do passado. Se as lembranças se encontravam ali, guardadas bem no fundo, jaziam presas a sete chaves, e talvez nunca se libertariam.

Depois de ingressar no Moby Dick e ter alguém a quem chamar de pai e família, nunca se preocupou em investigar a própria vida ou questionar como algumas coisas faziam sentido sem mesmo saber o porquê. Para quê? Barba Branca mesmo disse que não é viável o fazê-lo, fuçar algo que apenas lhe traria dor. Não, isso não.

Pois então... quem são essas pessoas que tanto lhe atormentam a cabeça? Seriam sua antiga família?

Ergueu-se com calma, como se para estabilizar o corpo e visão, prevendo que movimentos bruscos lhe trariam vertigem. Olhou ao redor, constatando estar em seu quarto no dormitório feminino, não era o melhor e nem o mais arrumado, uma cama de solteiro, criado mudo, o guarda roupa que tinha suas poucas peças e a escrivaninha, as duas únicas cadeiras jaziam abarrotadas de livros não lidos, inclusive os dois exemplares que ganhara do homem desconhecido na ilha de Konran.

Tocou os pés descalços no chão, a madeira trazendo aconchego ao solado, ainda sentia leves pontadas na cabeça, mas nada que não pudesse suportar. A dúvida ainda era aquelas... lembranças? Ou apenas alucinações?

Não havia tomado nem café.

Respirou fundo, buscando manter a calma e pensar com mais clareza.

- Hm, acho que preciso estabelecer meus horários de dormir. – Disse a si mesma, encarando a cadeira mais próxima.

Por fim, concluiu que teve um mal estar súbito devido a sua mania nenhum pouco saudável de madrugar e como resultado, teve vislumbres de algo sem lógica nenhuma. Mesmo que sejam lembranças, deixaria para lá, o passado está no passado e a única coisa que lhe interessa é o futuro ao lado de seu pai e irmãos.

Suspirou, divagando levemente sobre quem a trouxera ao quarto e que deve ter preocupado o amigo. Esticou o braço até a cadeira e capturou o livro de capa negra e título em dourado.

Histórias de Oceanos não Explorados.

Confessava que desde a chegada, não tivera curiosidade de abrir o exemplar, ao contrário dos livros vendidos por Lis, a moça loira que a atendeu, partiria para o segundo sem mesmo pestanejar. Talvez pela má impressão que teve do homem, a impedia de se interessar pelos “presentes” dele.

Abriu o livro na primeira página e leu o nome do autor.

 Shiro Aburaya.

Entretanto, quando ia virar a folha, leves toques na porta foi ouvido, até esta se abrir e alguém colocar a cabeça para dentro. Era Irna.

- Akemi, pensei que ainda estava desacordada. – A enfermeira chefe entrou com uma pequena bandeja em mãos, fechando a porta. – Trouxe chá e um comprimido para cabeça, você teve uma dor forte demais que lhe arrancou os sentidos.

A pirata fechou o livro e o depositou na cama, espreguiçando o corpo.

- Sim, mas estou melhor, não sei o que houve.

- Tudo bem, vou deixar a bandeja aqui, o almoço vai ser servido daqui a pouco, vá para cima, certo? – Irna sorriu.

Como nunca antes lhe acontecera tal coisa, logo descartou as próprias preocupações e saiu do dormitório feminino, subindo as escadas em direção ao convés, o refeitório ficava do outro lado. O sol lhe presenteou com seu calor matinal e sentiu-se imensamente bem, apenas com fome, e com base no horário que se levantou até o momento, questionou se o pirata intruso tinha se levantado.

- Vejo que está melhor, Akemi. – Marco descia as escadas do deck superior junto a Thatch. – Seu desmaio repentino assustou os outros, o oyaji parecia preocupado.

Coçou a nuca, envergonhada.

- Não sei o que aconteceu, mas estou bem agora. – Soltou uma risadinha sem graça. – Desculpa o transtorno.

- Você pode levar o almoço para o nosso convidado, Akemi-chan? – Questionou Thatch, puxando-a rumo ao refeitório, local que os outros tripulantes se dirigiam.

- Convidado? Ah, o Portgas, ele já acordou?

- Sim, e está com um bico enorme.

Marco riu.

- Não sei o que esperar desse garoto.

- Não seja tão rude, Marco. – Falou Thatch, achando igual graça na situação. – Vá vê-lo mais tarde, Akemi-chan. Ele está no corredor externo, perto do lavatório, talvez vocês consigam se entender, jovens falam a língua dos jovens.

Os três riram, mas a pirata não tinha tanta certeza assim que poderia desenvolver uma amizade com aquela pessoa, iria tentar, pelo menos.

Portgas D. Ace não se juntou para o almoço, ao contrário de alguns de sua tripulação que deram as caras e foram bem recebidos. Akemi acreditava que ele não apareceria por ali até que as nuvens escuras acima de sua cabeça sumissem, e com o pensamento de construir um diálogo amigável, foi treinando palavras na cabeça até o deck superior, onde encostou-se na murada, e pendeu o corpo para frente, vendo a figura no mesmo local apontado por Thatch.

- Olá! – Exclamou, e o garoto sentado levantou a cabeça com as feições endurecidas, contudo, os olhos negros arregalaram ao fitar o rosto da adolescente.

- LISE?! – O nome escapou de sua boca sem permissão, ele não conseguiu se refrear, e foi tarde demais para uma careta aparecer na pessoa desconhecida.

Não era ela. Nunca seria.

- Meu nome é Akemi, prazer em conhece-lo, senhor Portgas. – Encostou o rosto na palma da mão enquanto sentia os olhos do pirata escanearem seu rosto minunciosamente. – A sua tripulação almoçou conosco.

- Tch. – Virou a face, emburrado.

- Acredito que também esteja com fome. – Em um pulo ágil, saltou a murada e aterrissou com graciosidade ao lado de Ace, que não se moveu um centímetro, parecendo estar mais irritado. – Eu trouxe algo para você.

Era uma vasilha com variados alimentos, Akemi não sabia o gosto dele, e não queria arriscar, então pegou de tudo um pouco.

- Vá embora, não quero isso, não estou com fome. – E abaixou a cabeça nos joelhos, mas as palavras não fizeram jus a situação, e o aroma fez a barriga roncar.

- Não tenha cerimônias, por favor, senhor Portgas. – Akemi depositou a vasilha com um garfo ao lado dele, que encarou de canto de olho para a comida que estava com uma ótima aparência.

- Eu disse que não estou com fome. – Tentou novamente, na defensiva, ele não confiava nela e queria mais que tudo que fosse embora.

Akemi soltou um suspiro resignado, não era de seu feitio insistir em alguém, na verdade, nunca tinha passado por tal coisa e pensava que nunca passaria. Entendia Ace, ter a tripulação tomada, perder para o alvo que desejava matar e ter que permanecer no navio dele, talvez esteja sendo muita coisa para ele processar em um dia, é melhor que fique um pouco sozinho.

- Como desejar. – Foi a última coisa que disse antes de se retirar, deixando a vasilha de comida para trás.

Em outro momento tentaria uma aproximação mais amena.

O dia passou relativamente rápido, ou era si que esteve entretida em uma leitura para prestar atenção na pequena janela da biblioteca, e bocejou, constatando o cair da noite e mais uma vez, estar alimentando a mania exaustiva de perambular pelo navio. Tinha aquilo desde pequena, era um reflexo do lugar onde viera, e que ainda não conseguiu se livrar por completo.

Desde que saíra das garras do rei Bortin, Akemi trazia na bagagem comportamentos que mascaravam traumas, e o de praticamente trocar o dia pela noite, é apenas um deles. Com uma olhadela antipática para a lua no céu estrelado, abandonou a zona de livros direto para o convés, fazia um leve frio, não pela noite, mas sim denunciando o fato de que o clima irá mudar em mais um de seus estados passageiros, como sempre. O Novo Mundo é tão estranho.

Vestia uma das características blusas de linho, as mangas longas tremulando com o vento, percorrendo a pele e lavando a alma com as abençoadas mãos de nuvens. Gostava daquela temperatura, nem quente, nem tão frio.

Parecia que estava de volta a fazenda.

Arregalou os olhos com o pensamento repentino. O que diabos foi isso? Fazenda? Que fazenda? Não tinha fazenda e muito menos lembrava de ter pisado em uma.

Estou ficando paranoica.”

Balançou a cabeça afastando os pensamentos que aos poucos insistiam em se mesclar e virar uma bola de neve, não queria perder horas alimentando coisas sem sentido, precisava ocupar a mente e para isso... leria o livro que recebeu de presente.

O grandioso navio estava em completo silêncio a não ser pelos sons das ondas que se chocavam com o casco, todos pareciam muito bem acomodados para quem gosta de arranjar o mais variado motivo para festejar, porém, ninguém parecia estar apto e animado para encher a cara nessa noite. Os poucos tripulantes que encontrou pelo caminho a deram boa noite antes de descer as escadas para a ala feminina, se afundando em seu quarto como se dependesse disso para viver.

Em dado momento antes de sentar na cama macia, questionou o que Portgas D. Ace estava fazendo, e o que ele fizera o resto do dia. Ele agia como um cachorrinho raivoso que acaba de machucar a patinha, estava na defensiva, e mais uma vez não o culpava por isso.

Abriu o livro nas folhas iniciais, que apresentavam o autor e algumas palavras dele mesmo na folha referente a dedicatória, cujo não nutria vontade de ler e pulou para o primeiro capítulo, uma imagem adornava a folha amarelada. Era uma majestosa ave, grande e de penas volumosas, uma fênix.

Conto de primavera.

Akemi gostava de livros com imagens, estes sendo poucos, quanto mais fotografias, mais a imaginação era estimulada, fechou o livro novamente, só então para reabri-lo e folheá-lo primeiro, porém antes mesmo de passar a primeira folha, um estrondo a fez pular de susto, o coração quase saindo pela boca, deu uma guinada tão forte que chocou a cabeça na parede de madeira.

- Mas o quê...?

Voltando outra vez ao convés em passos largos, e indo atrás daquele que roubou sua concentração, encontrou o novato promissor enroscado na muralha com as mãos no nariz, sangue escorrendo pelos dedos, ele encarava o buraco feito na parede, e alguns tripulantes reclamavam do estrondo naquela hora de noite.

Olhando para a destruição na madeira, alcançou o pai dormindo serenamente na cama com os equipamentos que garantiam sua saúde, e entendeu perfeitamente o porquê de o pirata estar todo largado e ensanguentado no chão.

Ace dava início a chulas tentativas de matar Barba Branca, e Akemi não estava surpresa por isso.

- Você não vai conseguir matar o pai. – Cruzou os braços, quase rindo dos olhos estupefatos dele.

- Cale a boca.

Definitivamente um cachorrinho raivoso.


Notas Finais


Como vocês estão? Cheguei bem cedo para trazer algo calminho para vocês.
KKKKKKKKK Isso Teach, estimule mais a mente da Akemi, vem, vem, lembranças apagadas!!! KKKKKKKKK Nesse cap teve muitas coisas importantes que terão muita, mais muita relevância para frente, vocês não perdem por esperar.
Bom, obrigada pelos comentários, não preciso dizer que me estimula muito, né? Amo vocês <3
Ps: MEOOOO DEUSSSS, GALERA CHOREI DEMAIS, MDS. Barba Branca morreu, Ace morreu, o que eu faço? Tem um buracão no meu peito aqui, maldito Akainu, maldito Barba Negra, nossa, vou deitar esse maluco na porrada, eu juro pra vocês. Sinceramente, eu não consigo pensar na morte do Ace, eu não consigo aceitar cara, why, why, whyyyyy
Ps/2: A morte do Ace gerou e ainda gera bastante discussão entre as pessoas, hoje em um grupo de OP estavam discutindo isso. Qual a opinião de vocês sobre a atitude do Ace que o levou consequentemente a morte? (o ato de ele ceder a provocação de Akainu (eu odeio esse cara) e desobedecendo a ordem do nosso oyaji.)
Eu revisei bem cansada, então posso ter deixado algo passar batido, me informem se tiver algum erro feio por aí. Vejo vocês no próximo <3


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