História Lados Opostos - Capítulo 27


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Categorias Amor Doce
Personagens Castiel, Debrah, Nathaniel
Tags Castiel, Debrah, Romance, Traição
Visualizações 191
Palavras 4.056
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Luta, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem. E eu estou sem tempo para responder todos os comentários de vocês, mas eu vou responder eles em breve. Não parem de comentar porque me incentiva ainda mais a escrever, obrigada por não desistirem de mim <3
Boa Leitura!

Capítulo 27 - Capítulo 2.10


CAPÍTULO 2.10

Castiel

Abri a geladeira e fiquei pensando sobre o que fazer para o almoço. Hoje era meu dia de folga e tinha o tempo inteiro para ficar com Debrah em casa, mas ela ainda não estava me dando ideia.

Não sabia ao certo se era por conta da briga que tivemos no meu trabalho ou por conta dos humores dela mudarem devido a gravidez.

Depois de Christian ser transferido para Los Angeles tudo seguiu normal, eu acabei pegando uns casos e desde então se passaram exatamente quatro meses.

E nesses meses Debrah passava mal quase o tempo inteiro. Era enjoo e mais enjoos durante o dia, e tudo que ela comia ia para fora quase no mesmo instante.

Sua barriga já começava a aparecer, por sorte e por bom senso Debrah começou a usar roupas muito mais comportadas fazendo com que sua barriga não aparecesse tanto. Suspeitava que ela não queria que ninguém soubesse que ela estava grávida ainda.

Apenas eu, Clarisse, Steve e a própria Debrah sabíamos sobre a gravidez. Deixei que ela decidisse se queria contar ou não para sua mãe, não era minha escolha. Ela evitava ir para casa da sua mãe sempre que podia.

 - Não sei se você sabe, mas eu quem pago a conta de luz nessa casa. – Virei a cabeça e vi Clarisse encostada no portal da cozinha me olhando de braços cruzados. – Se não vai pegar nada na geladeira, feche a porta.

Respirei fundo e retirei alguns ingredientes para poder preparar um pouco de macarrão. Era a coisa mais fácil e rápido e única que Debrah conseguia comer sem colocar tudo para fora.

- Eu tento te ajudar, mas você não quer. – Comentei enquanto lavava as mãos. – Debrah já acordou?

- Você tem muito o que comprar para seu filho. Então deixa isso por minha conta. Por enquanto! – Clarisse lavou as mãos e os tomates para começar a picar. – Eu não vi Debrah hoje.

Terminei de picar os outros ingredientes e joguei na panela para começar a fazer o molho. Clarisse colocou os tomates, puxou a cadeira para sentar e começou a olhar em seu celular.

- Eu ainda não me acostumei com a ideia de ser pai. – Comentei enquanto mexia na panela. – Debrah está feliz, mas eu acho estranho porque ela nunca gostou de crianças.

- A maternidade muda as pessoas, Castiel. Uns vem cedo e outros mais tarde. – Olhei para ela. – Depois que seu filho nascer vai ver como é bom ter alguém para amar mais do que a si mesmo.

Clarisse sorriu e nessa hora Steve entrou na cozinha esfregando os olhos com cara de sono. Mesmo de olhos fechados ele conseguia encontrar sua mãe. Ela o abraçou e colocou sentado em seu colo.

Talvez eu acostumasse a ser pai, a ter esse tipo de carinho e atenção. Mas no momento não pensava em nada disso. Eu ainda ficava assustado quando Debrah pegava minha mão e colocava em sua barriga e sentia ela se mexendo. O sorriso dela era largo demais para que eu pudesse me sentir à vontade.

Escutei passos na escada e não demorou para que Debrah entrasse na cozinha e me abraçasse por trás e murmurar um “bom dia” antes de pegar um copo e beber água. Coloquei o macarrão na panela com molho e finalizei jogando um pouco de queijo por cima.

- Mamãe, quero ver a Tessa. – Steve disse enquanto abraçava o pescoço de sua mãe.

Debrah revirou os olhos e pegou um prato. Retirou um pouco do macarrão e pegou o garfo para começar a comer.

- Não sei o que esse menino vê na Theresa. É tão chato quanto ela. – Comentou levando uma garfada a boca.

- Ela com certeza não reclama tanto quanto você. – Clarisse rebateu Debrah. Ela olhou para Steve e sorriu docemente. – No final de semana você poderá ver ela, meu amor. Vamos ligar para ela e combinar, tudo bem?

Steve assentiu com um sorriso enorme. E continuou comendo com sua mãe.

- Meu filho não vai ser chato assim. – Debrah mostrou a língua para Steve que devolveu o gesto.

Meu coração gelou quando escutei a voz parecida de Tessa dizendo: “Filho?”. Olhamos para a entrada da cozinha e vimos Agnes parada com um misto de susto e surpresa.

- Como você entrou? – Debrah disse rapidamente tropeçando nas palavras. Parecia estar muito mais nervosa. Como se a sua gravidez fosse algo com que sua mãe não pudesse lidar.

- A porta estava aberta. Eu chamei e bati, mas ninguém atendeu. – Ela se aproximou devagar e colocou sua bolsa pendurada na cadeira antes de se sentar. – Você está grávida? – Debrah assentiu. – Porque... Porque não me disse, Debrah? Eu estava preocupada por você ter sumido esse tempo todo e só estar se comunicando por ligações.

- Eu só estava com...

- Medo? Medo do que Debrah? Você nunca foi de ter medo de nada. Porque teria medo de mostrar que está gravida? É tão lindo. – Agnes sorriu para a filha com os olhos brilhando. – Meu primeiro neto.

- Ainda não sabemos se é menino ou menina. – Clarisse disse. – Ela vai ter uma consulta esta tarde.

- Eu vou! – Agnes disse rapidamente. Ela me olhou seriamente. – Quero saber sobre tudo o que está acontecendo. Teremos que adiar o casamento.

- Eles ainda podem casar... – Clarisse disse distante. – Não faz mal casar gravida.

- Não! Eu não vou casar com essa barriga grande. Já estou uma bola. – Debrah reclamou.

- Vemos isso depois. – Disse por fim para cortar o assunto. – Vamos terminar de comer.

***

Estacionei o carro no largo estacionamento do hospital clínico. Saímos do carro e subimos o elevador para o quinto andar.

Respirei fundo quando entramos no corredor que levava para a secretaria onde esperaríamos pelo chamado do médico. Agnes a todo momento me olhava de soslaio querendo dizer algo, mas eu não conseguia identificar o que exatamente.

Não demorou para que o doutor chamasse Debrah para poder fazer a ultrassonografia. Entramos na sala e Debrah deitou na maca para poder se preparar para o exame.

Toda vez que eu escutava o coraçãozinho dele batendo meu peito se enchia de alegria. Mesmo que eu falasse que não queria ser pai agora e não estivesse preparado... era um sentimento difícil de explicar.

Quando olhava Tessa e Steve juntos me imaginava sendo pai de um filho dela, mas rapidamente eu tirava essa imagem projetada em minha mente. Eu não teria paciência e nem maturidade para cuidar de um ser tão pequeno e indefeso.

Mas com Debrah, nunca passou em minha cabeça ser pai, e quando descobri pensava a todo momento em como poderia tirar a criança. Eu havia sido um covarde por pensar desse modo. Hoje vejo o quanto fui idiota, mesmo com medo eu ainda queria ser pai e tinha a certeza de que quando essa criança nascesse eu iria me tornar melhor por ela.

- Vocês gostariam de saber o sexo do bebê? – O doutor perguntou e antes que eu ou Debrah respondêssemos, Agnes tomou a frente.

- Sim, por favor! – Ela respondeu toda animada.

O médico deslizou o instrumento de ultrassom pela barriga de Debrah enquanto todos olhavam atentos para a televisão que transmitia a imagem do nosso bebê.

Não entendia quase nada do que se passava, mas dava para ver perfeitamente as perninhas e os bracinhos se formando perfeitamente.

- Parabéns, é uma menina! – O doutor disse e vi Debrah suspirar de felicidades junto com Agnes.

Fiquei surpreso com a revelação do sexo. No fundo eu esperava que fosse um menino, mas não importava eu aprenderia a amar do mesmo jeito independente de ser menino ou menina.

Depois de vermos o sexo do bebê, Debrah aferiu a pressão e se queixou com o doutor sobre algumas dores e possíveis mudanças em seu corpo.

Não era nada demais estar um pouco acima do peso, porque com certeza ela ganharia uns pesos a mais por conta de estar carregando um ser em seu ventre, mas suas pernas e pés estavam muito inchados e descansar não resolvia muita coisa.

No fim, o médico receitou uma refeição balanceada e um longo descanso. Sem contar que não podia se estressar muito pois sua pressão estava alta.

Debrah descansou o restante do dia, enquanto eu fiquei assistindo séries policias na TV da sala com a companhia de Tyler que não desgrudava do meu pé. Clarisse havia saído e deixado ele comigo até que ela voltasse.

Ela deixou bem claro para que eu não o matasse e nem fizesse nenhum mal ao seu filho ou eu iria ver o que era bom. Sua ameaça foi bastante convincente porque até Tyler resolveu não me atentar o resto da noite.

A semana passou rapidamente. Debrah descansava e dormia quase o dia inteiro, levantava apenas para comer, tomar banho e conversar um pouco quando eu estava em casa.

Meu trabalho estava exigindo bastante de mim. Não podia ficar o tempo inteiro com ela então pedi para que Clarisse fizesse o trabalho de deixar Debrah o mais confortável possível.

Havia pegado um caso na polícia e estava investigando um homicídio no sul da cidade. Com um parceiro novo tudo estava indo como planejado e não tinha o que reclamar de Lysandre. Com certeza ele era bem melhor que Christian.

Durante a semana que passou, havíamos seguido um suspeito do caso por bastante tempo. Acabamos descobrindo que ele era chefe e estava ligado a um crime organizado contra uma facção do lado norte.

Estacionei o carro em frente à delegacia e esperei por Lysandre dentro do mesmo.

Escutei batidas no vidro e olhei vendo-o fazer sinal para que abaixasse a janela.

- Sinto muito, mas não vou poder ir para o sul com você.

- Porque não? – Perguntei preocupado.

- Acabei de receber uma ligação de minha mãe dizendo que meu pai passou mal e está no hospital. – Ele falou preocupado. – Eles já são bem velhinhos e preciso a todo momento estar por perto. Sinto muito parceiro.

- Tudo bem, eu faço a ronda sozinho. – Liguei o carro e vi Lysandre bater na janela como uma despedida. – Até breve.

Vi Lysandre se afastar e parti para o sul da cidade com o pensamento de finalizar essa investigação o mais rápido possível.

Theresa Young

Ainda estava digerindo o que Steve me disse no final de semana que passou em minha casa.

Eu nunca imaginaria que Debrah fosse ficar grávida de Castiel. Ela seria a última pessoa no mundo em quem eu daria certeza que não ficaria gravida nunca. Debrah nunca gostou de crianças e pensar que ela estava gravida de Castiel me deixava muito mal.

Saí do elevador da garagem e esbarrei com Lynn e Armin de mãos dadas rindo enquanto caminhavam em minha direção. Sorri levemente e os cumprimentei antes de ir para meu carro.

- Mas um pernoite, senhorita Young? – Armin disse com um sorriso nos lábios.

- Infelizmente alguém tem que cuidar dessa cidade. – Disse piscando para ele. – E esse alguém sou eu.

Lynn riu e me desejou boa sorte antes de entrar no elevador. A ida até o prédio do FBI foi bem longa. Por mais que eu conhecesse de cor o caminho e não demorasse tanto assim até lá, parecia que quanto mais eu pensava em Debrah com Castiel a chegada no FBI ficava cada vez mais longe.

Estacionei o carro, peguei meu boné preto no banco do carona e fechei a porta do carro acionando a trava. Caminhando até a entrada vi Nathaniel parado enquanto falava ao telefone.

Ver ele feliz depois de tudo que aconteceu me dava um certo alivio. Querendo ou não eu acabei brincando com seus sentimentos e me sentia muito culpada por isso. Ele me olhou e sorriu desligando o telefone.

- Posso saber o motivo dessa felicidade toda a essa hora? – Perguntei empurrando a porta e passando por ela. – Viu o passarinho verde? – Sorri.

- As pessoas tem o direito de ficarem felizes a qualquer momento. – Ele respondeu entrando logo atrás de mim. – Como você está? Não parece bem.

Olhei por cima do ombro para Nathaniel e xinguei mentalmente. Como ele ainda podia saber tanto sobre mim?

Suspirei antes de falar: - Eu estou bem, só não estou em uns dos meus dias bons. – Sorri. – E você? Está indo ao médico?

- Sim, Melody está me acompanhando nos exames. – Ele abriu um largo sorriso. - Sabe eu tinha uma visão dela totalmente diferente de agora.

- Que bom! – Segurei em seu ombro e sorri de verdade. – Fico feliz que vocês estejam se entendendo.

Atravessamos o corredor e Margot se aproximou de Nathaniel com uma prancheta em mãos e vi minha deixa para sair e saber o que faria hoje em mais um dia de trabalho.

Na semana passada havia concluído um caso com Pedro e Klaus havia deixado nos dois de molho por um tempo e nessa nova semana estava certa de que teria um caso novo.

Entrei abruptamente na sala de Klaus sem bater. Klaus pulos da cadeira assustado enquanto olhava com raiva para mim. Desligou o telefone e me olhou seriamente.

- Senhorita Young! – Ele disse com a raiva contida. – Pensei que a porta servia para se bater antes de entrar.

- É, mas entrar assim da mais ânimo no assunto que vamos tratar. – Sorri. – O que tem para mim hoje?

Ele conteve para não ter que me xingar ou me repreender e eu me segurei para não ter que rir. No fundo mesmo Klaus sendo meu chefe eu gostava de irrita-lo.

- Recentemente temos investigado de longe um chefe de tráfico. Ele é o principal suspeito de um homicídio que aconteceu a mais ou menos uma semana. A polícia está com alguns de seus policias investigando o caso também. – Ele pegou alguns papeis me mostrando algumas fotos do suspeito. – Quero que você vá até esse lugar e apenas fique de tocaia, não quero que se envolva, apenas observe. Tem outra pessoa envolvida, mas ainda não sabemos quem é. Eles irão se encontrar para uma reunião hoje e então seu trabalho será me informar sobre o outro suspeito.

- Quem está dando essas informações? – Perguntei olhando as fotos.

- Tem um dos nossos infiltrado. Ele também não sabe quem é a outra pessoa, então seu trabalho vai ser descobrir isso. – Arqueei a sobrancelha para Klaus. Sério que eu iria ficar apenas sentada no carro observando? Cadê a diversão nisso? Precisava de uma distração hoje. – Pedro não te fará companhia hoje, ele está ocupado resolvendo um outro caso. Então está por sua conta. Pode se retirar.

Peguei os papeis em cima da mesa e saí da sala de Klaus. Ajeitei em uma pasta e segui para o carro. Vi Ingrid e Nathaniel quando passei em frente a sala de análise e apenas acenei para eles antes de seguir meu caminho.

Esperava chegar antes mesmo de essa tal reunião começar, Klaus me disse que era ao sul, mas o transito estava realmente caótico antes mesmo de o dia começar. Coloquei uma música para me distrair e não ficar pensando em nada que me atrapalhasse a focar no caso.

***

Estacionei o carro nem próximo demais nem longe demais do local que Klaus me informou. O galpão parecia abandonado com a tintura bem velha. Observei as tentativas de fugir caso precisasse e vi que havia muitas ruas em volta.

Esperei quase duas horas, já estava ficando com sono quando vi uma movimentação de carros e algumas pessoas passarem e entrarem no galpão. Me ajeitei no carro e coloquei a Glock na cintura com o casaco cobrindo-a antes de abrir a porta do carro.

Fechei o casaco quando o vento me atingiu tão forte me fazendo arrepiar. Coloquei o boné preto e encostei no carro esperando a hora certa para agir. Vi outro carro encostado no outro lado da rua e me aproximei devagar olhando para dentro dele.

Me assustei quando escutei barulho de tiros. Dois para ser exata. Tirei a arma da cintura e aproximei do galpão devagar e ouvi vozes. Olhei para o outro lado do galpão vendo Castiel falando no rádio e tudo indicava que ele estava pedindo reforços.

Será que meu karma era tão ruim comigo para me fazer encontrar com ele justo agora? Atravessei a calçada correndo e parei ao lado dele que se assustou mirando a arma para mim.

- Ei, calma! – Disse olhando para ele. – Creio que você não quer me matar.

- Vontade não falta. – Castiel resmungou me olhando.

- Deveria matar, Debrah. Foi ela quem começou com tudo isso. – Disse o encarando. – Ah, esqueci, agora você não pode. Aliás, ela está esperando um filho seu.

- Como você sabe? – Castiel perguntou surpreso.

Olhei para a porta do galpão e escutei passos rápidos se aproximando. Quando a porta abriu saiu um grupo correndo, fugindo pelas ruas próximas, no máximo dez pessoas. Não tinha como eu e Castiel dar conta deles sozinhos. Encostamos na parede ao lado do galpão nos escondendo para que não fossemos vistos.

O rádio de Castiel tocou e seu chefe disse para ele voltar e abandonar a missão, que não fizesse nada sozinho sem o consentimento dele. Castiel insistiu, mas seu chefe disse não firme e desligou.

Mas Castiel não obedeceu prontamente. Ele me deixou sozinha e entrou no galpão.

Para não deixar ele sozinha entrei atrás dele e me escondi atrás de uma pilha de caixas que guardavam alguma coisa que não cheirava nada bem. Olhei para os lados em busca dele, mas a luz fraca do galpão não deixava ver muita coisa.

Escutei barulho do meu lado esquerdo e me aproximei pensando que era Castiel, mas me surpreendi quando um dos suspeitos me agarrou pelo pescoço me fazendo gritar assustada.

Minha respiração começou a ficar ofegante e esqueci tudo quando ele apontou a arma na minha cabeça e começou a me arrastar mais para o centro do galpão onde um outro já esperava com o rosto encapuzado. Mesmo assustada olhava para todos os lados em busca de Castiel, mas não o encontrava com tantas caixas pelo local.

- Então, talvez pegando você seu amiguinho apareça. – Comentou um deles alto o suficiente para que Castiel pudesse ouvir. – Não é? Apareça!

Olhei para o final do corredor um pouco escuro e vi Castiel fazendo sinal para que eu pegasse a minha arma. Mas ela estava na minha cintura na parte de trás, e com o cara me segurando ficaria meio difícil fazer um movimento rápido sem que o outro suspeito veja e atire em mim. Eu poderia morrer em segundos, principalmente com a arma que estava apontada para minha cabeça.

- Você não vai querer fazer isso. – Castiel disse sem sair de seu esconderijo. – Você vai soltá-la quando eu contar até três.

- Não estamos negociando, parceiro. – A voz do homem em meu ouvido me dava nojo. – Ou você aparece ou ela morre.

O homem me apertou ainda mais quando ouviu de longe o barulho da sirene da polícia. Assim que o reforço que Castiel havia pedido entrou ele me soltou e pegou os papeis que estavam sobre a mesa e saiu correndo.

Tirei a arma da minha cintura e tentei atirar em um deles, mas o que me segurava a poucos minutos foi mais rápido e atirou em minha direção fazendo com que eu caísse no chão.

- Tessa! – Escutei a voz de Castiel e seus passos rápidos se aproximando. – Ei, ei.

Me virei e franzi o nariz com a dor que senti no braço. A bala tinha passado de raspão, mas ainda sangrava bastante.

- Eu não disse para você abortar a missão e voltar que eu assumiria? – Um homem rechonchudo e de cabelos grisalhos gritava com Castiel. Presumi que fosse seu chefe.

- Estava tudo sobre controle. – Castiel gritou de volta. – Não podia esperar, eu daria conta.

- Assim? – O seu chefe apontou para mim. – Você é moleque burro e inconsequente. Tão inútil que não pensou nos seus atos. Ela poderia ter morrido.

Castiel bufou e encarou seu feche pronto para dizer muitas coisas, mas levantei do chão colocando a mão sobre meu ferimento e entrei na frente dos dois.

- Você não precisa falar com ele desse jeito só porque ele não fez do jeito que você queria. – O encarei. – Ele é competente e maduro o suficiente para saber lidar com as consequências de seus atos. Não aconteceu nada demais comigo, e se tivesse acontecido não seria culpa dele. Assim como vocês eu escolhi essa profissão. Corro perigo tanto quanto. Então não vem querer me diminuir por ser uma mulher ou diminuir Castiel por não conseguir parar uma bala. Ele não é um super-herói.

O chefe de Castiel ficou sem palavras e apenas murmurou uma desculpa tão baixo que quase não ouvi. Peguei minha arma no chão e saí caminhando para onde os suspeitos tinham fugido.

- Onde você vai? – Castiel perguntou.

- Tentar encontra-los. Se ainda estiver afim de concluir esse caso e dar a esse homem o seu devido respeito vem comigo.

Castiel guardou a arma em sua cintura e caminhou em minha direção sem olhar para seu chefe que estava parado sem falar absolutamente nada. Ao menos não havia o impedido depois de ouvir o que precisava ser dito.

Saí pela porta dos fundos do galpão e diminui a velocidade dos meus passos esperando que Castiel me alcançasse. Nem sabia exatamente o porque estávamos indo atrás dos suspeitos porque nesse momento eles já haviam fugido a muito tempo.

- Você sabe que não vamos conseguir alcança-los nessa altura, né? – Castiel me olhou de lado e passou as mãos pelos cabelos quando eu fiquei quieta. – Obrigado.

- Pelo quê?

- Por ter me defendido lá dentro. – Olhei para ele, Castiel me encarou por um tempo e desviou o olhar.

- Não foi nada demais. – Dei de ombros. – Vamos por ali. – Apontei para a rua na nossa esquerda. – Está quase amanhecendo, eles não devem ter ido muito longe.

Passei por ele comecei a andar rápido pela rua procurando em todos os lugares. Atrás de muros, baldes de lixos e afins. Mas já sabia que estava procurando em vão. Eles com certeza já tinham escapado.

Já estávamos longe de onde eu havia estacionado meu carro. Ficar de vigia tomou todo o meu tempo e energia, por mais que eu só estivesse ficado sentada no carro eu me sentia cansada.

- Vamos voltar, não tem nada aqui. – Castiel disse já virando as costas e andando de volta.

Suspirei e segui atrás dele. Ambos quietos e vendo o dia clarear rapidamente.

Chegando na rua em que estacionamos vimos que os carros de policia não estavam mais lá e então sem falar nada com Castiel atravessei a rua e fui diretamente para meu carro, mas ele segurou meu braço antes que eu pudesse abrir a porta.

- Ai! – Reclamei quando Castiel puxou meu braço machucado pela bala. – O que você quer?

- Desculpa. – Ele olhou para meu braço e fez uma careta. Eu já sabia que estava feio, além do sangue ter secado, minha pele começou a ficar roxa em volta. – Você tem que ir no hospital. Eu vou te levar.

Olhei seriamente para ele e apenas puxou meu braço reprimindo a dor que senti ao fazer o movimento brusco. Abri a porta do carro e sentei.

- Olha, eu tenho certeza que a Debrah precisa de você. Então... Eu consigo me virar sozinha, não preciso da sua ajuda.

- Qual é, Tessa! – Olhei para ele com as sobrancelhas erguidas. Tessa? Desde quando ele resolveu voltar a me chamar de Tessa? Era sempre Theresa. – Vamos no seu carro, te deixo no hospital e depois venho buscar o meu carro.

Abri a boca para reclamar e bater o pé dizendo que não. Que não precisava da sua ajuda, mas Castiel simplesmente me puxou para fora do banco e sentou fechando a porta logo em seguida já ligando o carro. Bufei e dei a volta para sentar do outro lado contra minha vontade.

- Só para você saber, isso não quer dizer nada. – Comentei colocando o cinto.

- Nada o que? – Ele sorriu sugestivo e ajeitou o retrovisor para ele. – Eu apenas estou fazendo uma boa ação para uma pobre mulher machucada.

Belisquei sua barriga o fazendo rir e fiquei quieta durante o resto da viagem até o hospital, mas meu coração não parava de bater rapidamente me lembrando como era bom estar ao seu lado.



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