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História Lágrimas de sangue - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Fears and fears


Fanfic / Fanfiction Lágrimas de sangue - Capítulo 3 - Fears and fears

Quase meia noite e Alexander terminava de assistir aos vídeos. Agora tinha noção do que ele era, e do que era capaz de fazer. Isso tudo era muito surpreendente sim, mas o vídeo que mais assistiu de todos eles, foi o que Lorena pedia para ele lhe abandonar. Então, esse era o grande motivo. Por que isso soava como uma daquelas fanfics onde algo bonitinho acontece? 

Ainda em choque, Alexander se levantou da cadeira e caminhou novamente para o quarto. Com um sorriso bobo no rosto, ele processava tudo, e se controlava para não começar a saltitar, mas se repreendia por estar feliz. Tudo o que Hero passou foi muito triste e doloroso, mas isso significa que Hero podia, talvez, sentir alguma coisa ainda. Quais são as chances? 

Só de pensar nessa possibilidade, seu coração acelerou. Alexander riu dessa bobagem e conteve a vontade de saltitar. Entrou no quarto ansioso, mas o problema era que ele não estava lá. Hero não estava deitado na cama. Assustado, olhou para um lado e para o outro, mas a única coisa que conseguia ver eram seus vultos na escuridão. Ele parou de repente. A cada passo em sua direção, Alexander se afastava mais. Até que chegou em um ponto em que não dava mais para fugir. Suas costas bateram contra parede e quando viu que não tinha escapatória, o sorriso no rosto do Yoshida dobrou de tamanho. Tão doente e amedrontador. Uma luz se iluminou em seu tórax e subiu pela garganta. Ele tossiu algumas vezes e a fumaça escapou de sua boca. A esse ponto, já podia imaginar o que viria. Alexander se recusava a morrer daquele jeito. 

 - Hero... - Chamou seu nome com esperança de que ele acordasse. - Pense bem no que vai fazer. - Mas ele pouco se importava. Alexander não tinha para onde correr. Encarou a criatura se aproximando lentamente. Ele esticou aquela enorme língua bifurcada revelando suas presas afiadas. Estava tão hipnotizado pelas íris verdes florescentes, que só voltou a si quando sentiu as pontas das presas tocarem seu pescoço. Quis se defender, mas não podia. Simplesmente não conseguia mover. Aquelas presas eram como agulhas grossas e afiadas. Apenas ao entrar em contato, já sentia dor. Como se não pudesse ficar pior, ele pressionou um pouco mais as presas e Alexander notou que não eram só em cima, mas como em baixo também. Mais um pouco de força e seria realmente perfurado. - Você não disse que Amar é proteger? - Alexander sussurrou como último recurso. Hero arregalou os olhos ao ouvir a frase e confuso, se afastou um pouco apenas para olhar em seus olhos. 

- Como sabe disso? - Perguntou confuso. Seu tom de voz era mais grave e forte. - Como?

- Eu sei de tudo, Hero. - Sorriu aliviado, mas seu corpo continuava tenso com a proximidade daquela criatura. - Sei que me protegeu de você. Vai me matar agora? - Debochou um pouco. Hero imediatamente se afastou dele. Não podia ter passado tanta coisa para acabar matando-o.

- Não... - Respondeu um tanto vago. A cada Segundo mais atordoado. Cerrou os olhos escondendo o próprio rosto, esperando que ele voltasse ao normal.

- Tudo bem, isso não é culpa sua. - Alexander se aproximou devagar tocando a mão que cobria o rosto. - Não é culpa sua. - Repetiu a frase. Hero pareceu prestar atenção nela pois seu rosto voltou ao mesmo que era antes. Exausto, ele caiu. Alexander o ajudou a levantar, deitou na cama novamente. Seu corpo estava um pouco quente, mais que o normal. Preocupado, Alexander sugeriu um banho frio. O ajudou a tirar suas roupas e tentando o máximo possível não reparar em nada, o guiou até o banheiro. Hero parecia um tanto tonto e confuso. O que esse poder havia feito com ele.

- Tudo bem? - Alexander perguntou enquantopreparava a banheira. - Parece chapado. 

- O que...? - Respondeu distraído. Alexander mordeu os lábios, procurou não rir pois a situação era séria, mas ver o tão frio e calculista Hero Yoshida se distrair com bolhas de sabão, foi impossível. Aproveitou que ele estava com um bom humor tão grande, Alexander apenas o observava com atenção. De repente se sentiu como naquele tempo em que tinham apenas 14 anos e juravam que o que sentiam era amor. Pode ser que realmente era ou talvez não, mas o lado protetor de Hero sempre o fez sentir seguro. Uma sensação tão boa quanto a tranquilização de saber que tem um alfa, mas Hero não era um. Por mais que não seja, Alexander se sentia seguro. Foi difícil se acostumar a não tê-lo. Seus pensamentos foram duramente Interrompidos pelo som do celular tocando em seu bolso. Voltando a realidade, Alex saiu do banheiro e pegou o celular. Era uma ligação e no título tinha o nome de Alarick. Alex revirou os olhos. Vendo a hora, já estava tarde realmente. Não queria uma briga ao chegar em casa, então apenas atendeu.

- Onde você tá? Sabe que horas são? - Alarick gritou no telefone. Afastou um pouco do ouvido sentindo um zumbido consumir. - Eu vou te buscar! 

- Calma, pai. Olha, lembra que eu falei do Hero? - O silêncio pairou do outro lado da linha. - Ele não está muito bem e eu estou aqui cuidando dele. 

- Pode repetir a primeira parte? - Alarick disse mais calmo. 

 - "Lembra que eu falei do Hero?"

 - Não, não. Antes disso. - Alexander riu confuso. Se esforçou para lembrar do tinha dito então falou:

 - "Calma, pai?" - Alarick deixou escapar uma risada muito contente. Na verdade, fazia muito tempo que Alex não o chamava assim. 

- Podia me chamar assim mais vezes. 

- Pode deixar que vou te chamar assim, quando precisar do seu Cartão de crédito. - Arrancou mais risadas de Alarick.

 - Você é igual a sua mãe... 

- Sabe... - Pensou um pouco. - Acho que eu pareço mais com você. Somos dois teimosos cabeças duras. 

 - Nisso eu tenho que concordar. Você deve ter puxado mesmo muito pra mim, por isso sempre ganha em nossas discussões. - Os dois sentiram um calor aquecer seus corações. Uma conversa normal entre pai e filho parecia algo impossível de acontecer com eles. A conversa estava boa, se não tivesse ouvido um som preocupante vindo do banheiro. Como se tivessem jogando água em uma panela muito quente. - O que aconteceu?

- Deve ser o Hero. Eu tenho que ir ver se ele ainda está vivo. Tchau papa! - E desligou o celular. Correu de volta para o banheiro e assim que abriu a porta, uma nuvem de vapor bateu em seu rosto. - O que você fez? - Abriu a porta e puxou a toalha para fazer o vapor baixar.

- Acho que esquentou demais. - Hero disse em voz baixa enquanto observava o banheiro nublado.

 - Chega de banho! - Lhe jogou a toalha. - Se veste e vai dormir, ou você quer que eu te vista? - Sorriu nada simpático. Outros pensamentos passavam pela cabeça poluída de Alexander.

Vestido com um pijama azul marinho muito adorável, Alexander se aproveitava da lentidão do Yoshida. Depois de passar quase 10 minutos com o secador no cabelo dele, agora se divertia fazendo vários e vários penteados diferentes. Chiquinhas, coques e até tranças. Não importa o quão feminino fosse, sempre ficava tão adorável.

- Você vai ficar? - Hero perguntou o encarando pelo reflexo do espelho. Alexander sentiu o coração disparar por alguns segundos com a pergunta. 

- Por essa noite, sim. - Sorriu desmanchando as tranças que havia feito. - Vai que você de repente se enforca com o cocobertor.

- Eu não sou tão estúpido. Acho que não estou tão ruim ao ponto de acabar me matando. 

- Então acho que vou indo. - Terminou de desfazer as tranças, mas antes que se afastasse, Hero segurou sua mão. 

- Não pode ir embora. Talvez eu me enforque com o cobertor ou algo assim. 

- E quem melhor do que eu para te acudir. - Revirou os olhos sorrindo. Parou para ver a hora e já era mais que tarde. Quase de madrugada. Alexander não é bem o exemplo de responsabilidade, mas sabia que já passava da hora de dormir. - Vamos dormir. Acho que você precisa descansar. - Puxou a mão do Yoshida para cama e o empurrou de leve. Estavam em Prada então com certeza estava frio. Alexander puxou o cobertor e o cobriu como se cuidasse de um ursinho de pelúcia. Acariciou seu rosto por alguns minutos até que Hero finalmente fechou os olhos. Seu cansaço estava nítido e é claro que não demoraria a dormir. Foi um dia muito cansativo.

[...]

- Como você está? 


- Com fome e com dor. - Hero respondeu de formacurta e fria. Yumi já imaginava isso. 

- Onde dói? 

- Aqui. - Pressionou suas mãos no coração. Seu olhar baixo e um tanto ingênuo fazia Yumi se sentir um monstro. Hero ainda não conhecia todas emoções que o rodeavam e agora, sofria pelo amor. Ela já não sabia mais o que fazer para amenizar a dor. 

- E se você fizesse uma promessa? -Sugeriu despertando finalmente o interesse dele. 

- Como assim? 

- Você gostava tanto de proteger o Alexander, então Prometa que vai aprender a se controlar e voltar para protegê - lo. - Segurou as mãos frias do rapaz. - Prometa que vai protegê-lo... Prometa!

- Sai de perto de mim! - Acordou com Alexander gritando desesperado. Abriu os olhos imediatamente e saltou da cama preparado para qualquer coisa, por isso ficou muito confuso ao ver que na verdade não tinha nada ali. Apenas um garoto em cima da cadeira com medo de alguma coisa no chão. - Ele passou por ali! Eu vi, eu vi! - Alexander gritou apontando para o chão. 

- O que exatamente? - Hero perguntou tentando permanecer calmo e sereno. - Na verdade é bom você não me dizer.

- Desculpe por ter acordado, Hero. 

- Tudo bem. Que horas são? Eu devo estar muito atrasado agora. - Procurou no armário uma roupa mais apropriada. Foi quando, pelo espelho da porta, reparou no pijama que estava vestido. Franziu o cenho se apressando mais um pouco em achar uma roupa. 

- Não, não. Hoje você tem que descansar. Lorena ligou hoje cedo e disse que você não pode se esforçar por muito tempo. - Fechou a porta do guarda roupa novamente. - Ela te mandou descansar. 

- Eu já estou melhor! 

- Não está! - Aproximou sua mão do rosto de Hero medindo seu calor e ele continuava quente. Não queria admitir para si mesmo, mas Hero gostava dos seus toques. Como se o coração aquecesse. Não só isso, mas era tão difícil ficar tão próximo e não beijá-lo. Não era apenas o Mordock que tinha uma imaginação fértil. - Hero! - Chamou seu nome e ele acordou finamente do transe que eram os lábios dele. - Você está muito estranho. Nunca te vi tão distraído! O que aconteceu?

- Não acreditaria se eu contasse. - Sorriu sem humor e lhe deu as costas. Se jogou na cama novamente e respirou fundo. O dia estava perfeito e não tinha como o momento ser melhor. Agora Alexander podia realmente tirar suas dúvidas de uma vez.

- Ei, Hero... - Sorrateiramente, Alex se aproximou e deitou na cama ao lado dele. - Por que você não me disse a verdade naquele dia?

- Que dia? - Franziu o cenho confuso. 

- No dia que me deixou. Você podia ter me dito a verdade. Eu teria me sentido melhor. 

- Tive medo de como reagiria. Não pense que foi fácil para mim nunca mais te ver. Me senti pior ainda quando soube o que aconteceu com a sua mãe. Tive vontade de ir atrás de você, mas eu não podia. Estava muito ocupado preso e faminto. 

- Eu senti sua falta. - Suspirou ao lembrar das primeiras noites. Foram dolorosas. - Sabe... - Riu um pouco agora encaixando as coisas. - Eu não consegui manter nenhum relacionamento depois de você. Meu interesse pelas pessoas passava depressa. Nunca cheguei a amar ninguém. Acho que no fundo, eu esperava que você voltasse. 

- Então você acreditou que eu voltaria? - Hero sorriu de forma que fez Alex se sentir estúpido por realmente ter esperado. - E por acaso, eu não estou aqui? 

- Eu não achei que seria possível, mas, você conseguiu ficar mais bonito do que era antes. - Sorriu sem graça. Mais envergonhado ainda quando sentiu que o olhar do Yoshida agora estava preso em si e não no teto.

- Então eu era muito bonito? 

- Muito! - Alex ficou mais sem graça ainda quando sem querer teve que encara - lo. O olhando mais de perto, teve certeza que ele era o homem mais bonito que já namorou. Um pouco hesitante, tocou o rosto de Hero com a ponta dos dedos hipnotizado por seus olhos, e o Yoshida não estava em uma situação muito diferente. Como se o mundo parasse à sua volta, Alexander parecia viver apenas este momento. O fato de estar junto com Hero Yoshida, o mesmo garoto que o protegia há alguns anos e que acabara de descobrir ser uma criatura tão perigosa, fazia sentir a adrenalina. Uma ação romântica que os outros alfas não conseguiram fazer sentir. Uma intensidade inexplicável. Quase que sem controle, ele se aproximou e Hero parecia querer tanto quanto ele. Seus olhos verdes esbanjavam o mesmo desejo que sentia neste momento e faltava tão pouco para aquele espaço que habitava entre seus lábios desaparecer de vez. Tão pouco para saciar o tão desejado beijo que há anos não veio, mas que pelo visto, teria de esperar um pouco mais pois alguém bateu na porta. Com uma dor cortante no coração, eles lamentaram enquanto quebravam o clima e se afastavam um do outro como se nada estivesse acontecendo. Furioso, Hero caminhou até a porta e a abriu. Franziu o cenho confuso ao ver que sua visita era Satatti e Lorena. Alexander sentiu que não tinha mais nada o que fazer ali, pois Hero já estava muito bem acompanhado. Dolorosamente, se despediu dele com um simples "Tchau" Satatti não pôde deixar de notar o clima que acabara de matar. 

- Como você está? - Satatti sorriu.

- Muito bem e você? - Voltou a ser como sempre era em relação aos outros, mas quem o levaria á sério com aquele pijama? 

- Você sabe que eu não gosto de segredos entre nós, não sabe? - Lorena o empurrou de leve para que se deitasse e tirou da bolsa uma outra seringa com o mesmo líquido vermelho da última vez. - É por que eu tenho que te dizer, que o acontecimento de ontem, foi previsto completamente por mim.

- Como assim? - Questionou sentido o líquido da seringa queimar suas veias. 

- Suas aulas comigo foram planejadas. - Satatti confessou sentada na cama ao seu lado. - Seu poder estava adormecido e só outra premonição podia despertar - lo. Quem melhor do que eu?

- Exatamente. Sinto muito por ontem, eu não achei que atacaria tão forte, mas que bom que o Alexander estava aqui para ajudar. Já estava na hora de ele saber a verdade sobre tudo. - Suspirou. Hero não conseguia prestar muita atenção pois sua mente estava ficando mais e mais vaga a cada instante. Como se estivesse caindo em um poço bem fundo ou se perdendo em um nevoeiro. 

[...]

Caminhando pelas ruas animado, Alexander mordia os lábios só em imaginar novamente a cena do quase beijo em sua mente. Mesmo que não tenha acontecido, foi muito especial. Queria voltar logo para casa e praticar algumas coreografias, agora que estava com os olhos brilhando, ele podia se sentir bobo novamente como há muito tempo não sentia. Falando nisso, correu em sua direção o alfa Lúpus que havia terminado há alguns dias. Sabia bem que era ele. Harry Hatter tinha um cheiro forte já que era um Lúpus. Antes isso o afetava de forma que podia ficar excitado, agora, se sentia um tanto tonto e enjoado.

- Alex, Oi! - Ele sorriu se aproximando para abraçá - lo. Tentou responder a altura mas só queria ir embora esquecer isso. - Você sumiu mesmo. 

- Terminamos, lembra? - Sorriu também se esforçando para não parecer arrogante. Foram quase dois meses com esse alfa, e a obsessão dele era às vezes descontrolada. 

- Terminamos? Não foi só um tempo? 

- Não. - Riu sem graça. - Terminamos mesmo.

- Por que? O que eu fiz? 

- Nada. É só que não vai dar certo. Você e eu somos diferentes demais e talvez nunca devêssemos ter passado daquele cio. Eu me equivoquei um pouco. - Explicou mas a cada palavra, o alfa se mostrava mais e mais irritado.

- Entendi. - Riu de forma irônica. - Você se acha bom demais pra mim, não é? 

Sim?

Pensou Alexander.

- Você se acha bom demais? - Ele repetiu furioso e Alexander apenas o olhava confuso. - Não importa nada o que diga. Eu te escolhi como meu ômega, e você vai me escolher também. - Cuspiu suas palavras e saiu andando pisando forte no chão. Ele podia ser um problema grave agora, mas Alexander tinha certeza que ele não seria capaz de fazer nada. Não chegaria a esse ponto. 

Sem dar muita importância, apenas continuou seu caminho de volta para casa. Assim que chegou, foi para seu quarto. Antes que pudesse abrir a porta, ela foi aberta por dentro por outra pessoa. Era a Lilith. Assim que o viu, ela arregalou os olhos assustada. 

- O que você tá fazendo dentro do meu quarto?! - Perguntou um tanto zangado. 

- Desculpe... É que eu estava limpando a casa e decidi aproveitar para arrumar o seu quarto também, mas eu juro que não mexi em nada. - Ela se explicou nervosa. Alexander se inclinou um pouco olhando para seu quarto e está melhor do que antes realmente. Não fazia sentido começar uma discussão com ela pelo simples fato de lhe fazer um favor. 

- Obrigado. - Sorriu e entrou no quarto. Fechou a porta com uma grande vontade de rir ao ver a expressão surpresa da mulher. Quase nunca dirigia uma palavra sequer a ela e agora estava sendo gentil. Ela não demonstrava, mas estava muito feliz. 

Entediado e pensativo, Alexander agora tentava se entreter com um esmalte vermelho. Achou que combinaria pintar as unhas de vermelho escarlate. Já que era ruivo, por que não? Acabando de pintá-las. Esticou os dedos a sua frente admirando seu bom trabalho como manicure. Foi apreciando suas unhas, que ouviu a janela do quarto ser aberta. Confuso, se aproximou dela. Achou que talvez fosse um gato ou apenas um passarinho, porém o resultado veio com Harry pulando a janela. 

- Sentiu minha falta? - Ele sorriu arrumando a própria a roupa. - Não achou que eu estivesse brincando...

- Vá embora, Harry! Eu já disse que não tem e nunca terá mais nada entre a gente. Você não pode simplesmente aceitar isso ir embora? - Se afastou dele e disse irritado. Queria que ele fosse embora. - Você é um alfa Lúpus. Deve ter um monte de ômegas ansiosas para passar uma noite com você. 

- Eu já disse! - Disse um pouco alterado. Ele estava sendo um psicopata. - Eu criei Vínculo entre nós. Por que não pode aceitar? 

- Porque não! Fica longe de mim porque eu acabei de fazer as unhas e não quero nem pensar em borrar. Saí de perto de mim! - Se afastou dele amaldiçoando apenas o pensamentos de tê-lo perto como antes. Harry não queria entender que tudo estava acabado.

- É por isso que eu te amo. - Sorriu encurralando o ômega na parede. - Você me ama também. Apenas não consegue sentir... 

- Harry, odeio te dizer isso, mas eu amo uma outra pessoa. - Essas palavras pareceram ter efeito no Hatter, mas não o efeito que queria. Furioso, seus olhos se tornaram vermelhos e com aquele segundo timbre que fazia os ouvidos de qualquer ômega doer. 

- Quem é? - Perguntou próximo ao seu ouvido. Alexander sentiu como se seus tímpanos estivessem sendo esmagados brutalmente. - Quem é? - Repetiu mais nervoso.

- Meu primeiro namorado! - Respondeu de uma vez sem aguentar mais. Sem poder para rebater ou se defender, Harry sabia bem disso. Aproveitou a fraqueza do ômega e segurou seu maxilar com força sussurrando com todo ódio essas palavras:

- Você é meu. - Deixou um rápido selinho nos lábios dele que por acaso, não foi correspondido, e saiu por onde entrou. Quando Harry desapareceu da janela, Alexander pôde finalmente respirar. Seu coração batia forte e acelerado. O medo se fez presente e por mais que uma parte dele gritava para se entregar de vez para aquele alfa, uma outra parte sussurrava para lutar um pouco mais. 

Não quis descer para jantar. Passou o resto das horas com um fone de ouvido descontando a frustração na dança. O mundo parecia tão injusto às vezes. Na ponta dos pés, ele tentava bater o recorde de piruetas, provando para si mesmo que era bom. Já estava começando a ficar enjoado, mesmo assim não queria parar. Seus pés doíam e sua mente estava começando a escurecer, ele foi obrigado a parar quando na porta do seu quarto, viu por alguns segundos no reflexo do espelho Hero Yoshida. Rapidamente parou o que estava fazendo e olhou para trás. Para sua surpresa, ele realmente estava ali, não era apenas uma imaginação. Com um coque mal feito nos cabelos e um moletom escuro, Hero estava encostado na porta com as mãos dentro do bolso da calça. Ele estava muito melhor que antes. 

- Você dança bem. - Hero sorriu vendo o garoto correr em sua direção e o abraça bem forte. Podia sentir as batidas do coração de Alexander em seu peito e a respiração desregulada. Parece que o jovem Alex estava muito ansioso para vê-lo de novo. 

- O que você tá fazendo aqui? - Se afastou um pouco apenas para olhá-lo nos olhos. Na verdade precisou se afastar mais, já que Alexander dava um pouco abaixo dos ombros do Yoshida. Adorável. - Já está melhor?

- Lorena me explicou algumas coisas e me passou alguns remédios. Apenas vim te agradecer por ter ficado comigo noite passada. - Hero tinha um leve sorriso nos lábios enquanto via as bochechas de Alexander ficarem da cor do próprio cabelo, Agora, das unhas também. - Espero não ter dado muito trabalho. 

- Na verdade, foi engraçado. Eu gostei de te ver todo bobinho como ontem. - Sorriu ao lembrar do Yoshida distraído com bolhas de sabão. - Foi engraçado. 

- Alexander, tudo bem? - Hero perguntou desconfiado. Alexander queria não saber do que ele estava falando mas sabia. Seu coração batia mais rápido a cada instante. 

- Sim, Por que? - Se afastou mais ainda tentando esconder isso. 

- Sinto que tem alguma coisa errada com você. Parecer com medo de alguma coisa. - Hero aos poucos tentava decifrar. - O que aconteceu? 

- Apenas um alfa que não sabe ouvir "Não" - Sorriu tratando o assunto como se não fosse nada de mais. Como se esse alfa não tivesse invadido seu quarto e lhe machucado.

- Ele te machucou? 

- Um pouquinho. Acho que ele não vai mais aparecer por aqui. Se bem que, não duvido mais de nada. - Suspirou lembrando que achou que a abordagem na rua seria a última também. Hero pensou um pouco e lhe veio uma ideia na cabeça. Apagou a luz do quarto e andou em direção ao Omega. Segurou sua cintura e com o olhar baixo, se transformou em Serpentário. Com um autocontrole absurdo, aproximou suas presas do pescoço do Mordock apenas as roçando. - O que vai fazer? - Alexander perguntou um pouco assustado e confuso. 

- Eu posso te marcar temporariamente. -  Sussurrou próximo ao seu ouvido. - Só vou fazer isso se você quiser. 

- Temporário? 

- Sim. - Alexander apenas inclinou sua cabeça mais para o lado deixando um livre acesso para o Serpentário. Entendendo o sim, Hero perfurou a carne do Ômega de forma devagar. Não queria que doesse tanto, mas era inevitável, e mais difícil travar uma guerra dentro de si entre matá-lo ou não matar. O sangue de Alexander era doce e por ser ômega, seu cheiro era muito mais intenso nessa região. Aquele doce cheiro de morango, Perfeito em sua opinião. Mesmo não querendo, Hero soltou o pescoço dele e passou sua longa língua bifurcada por cima do ferimento exposto. Assim, pararia de sangrar. Segurando a dor no fundo da garganta, Alexander engoliu a vontade de fazer um escândalo e forçou um sorriso. Hero se afastou dele voltando a sua forma normal enquanto observava o ômega se aproximar do espelho e analisar a marca em seu pescoço. Não era como uma marca alpina com vários dentes, era mais parecido com uma mordida de Vampiro. Dois furos medianos e um tanto profundos. Era um pouco agoniante olhá-los, mas pelo menos era uma marca bonita e visível.

- Tudo bem? - Perguntou Hero acendendo a luz novamente. 

- Parece que sim. Até que é atraente. - Sorriu se virando para ele. Sentou na cama e bateu no colchão ao seu lado chamando o Yoshida, Assim que ele se sentou, Alexander disse: - Ainda tenho algumas perguntas...

- Faça - Respirou fundo se preparando para o que vier. Não tinha o que esconder dele. Por que sustentar mentiras quando se tem a chance de viver a verdade? 

- Você já matou alguém? 

- Muitos. - Alexander se assustou um pouco. O tom de voz dele deixava claro que não se orgulhava disso. - Às vezes a fome é incontrolável. 

- Entendo... E você é uma premonição? Como consegue ter esses dois ao mesmo tempo? -Eu não faço ideia. Tento deixar a premonição escondida no fundo da minha alma. Não gosto do poder que ela me faz sentir. 

- O que ela te faz sentir, Hero? - Alexander se aproximou um pouco para olhar em seus olhos. O Yoshida fixava o chão um tanto abalado. Ele levou a mão esquerda até o coração e o pressionou. Faz com que eu me sinta uma pessoa ruim. Como se não tivesse coração. Me fazer matar as pessoas é me sentir bem com o sofrimento delas. Imaginar a dor nas pessoas e querer causar mais ainda. Me faz sentir um monstro. E o pior, é que me faz gostar do poder. Não quero que isso comece a subir na minha cabeça. - Fixou finalmente Alexander. - Como Satatti Mordock. 

- Eu vi isso no último vídeo da pasta. Parece uma História qualquer. Se eu não tivesse visto, não acreditaria agora. - Sorriu impressionado. - Eu sei que parece muito estupidez, mas você pode me mostrar? - A pergunta pegou Hero de surpresa. Alexander o olhava como uma criança que não entendia o perigo da situação. 

- Quer mesmo? 

- Por favor... - Alexander cruzou as mãos em frente ao rosto. - Só uma vez.

- Eu não quero que você veja isso...

- Só um pouquinho... - Insistiu. Por mais que Hero não quisesse ceder, os olhos do garoto brilhavam de uma certa forma que era impossível negar seu pedido. Derrotado, ele respirou fundo. Já esperando sua vitória, Alexander se animou. Com os olhos fechados e concentrado para uma transformação controlada, ele respirou fundo mais uma vez e quando abriu, não eram os mesmos. Eram como os de poucos minutos atrás, mas estes, Alex já conhecia bem. - Ah... - Ele suspirou. - Esse aí eu já vi. - Cruzou os braços enquanto se formava um biquinho insatisfeito em seus lábios. Hero sabia exatamente o que ele queria ver, mas tinha esperanças de que talvez ele se distraísse apenas com o Serpentário. Já que isso não iria acontecer, se levantou em um suspiro e encarou o Mordock sem ter escolha. Alexander continuava emburrado sem ter o que queria. Foi quando menos estava esperando, que viu em sua frente o Yoshida mudar por completo. Não se assustou apenas com a mudança física, mas por de repente sentir- se ameaçado. Era incrível, por mais que seja assustador. O medo não durou muito tempo pois se lembrou de quem estava à sua frente. Hero podia até parecer ameaçador com aqueles olhos e aquelas garras, mas por que algo o dizia para não temer? Deixando o medo completamente de lado, Alexander se levantou da cama e se aproximou dele. A cada passo em sua direção, Hero se afastava mais. Tinha medo do que podia acontecer. 

Não se sentia seguro com isso. Por mais que fosse horrível revelar essa parte, Hero não podia deixar de admitir que a forma com que Alexander o olhava agora era reconfortante. Diferente do início, agora não tinha medo ou horror. Parecia mais impressionado. Devagar, Alexander levantou sua mão e a levou até o rosto do Yoshida. Fixava os olhos completamente negros e sentia que ele o encarava de volta. Perdendo completamente o resto medo que tinha, Alexander se aproximou agora tocando o rosto de Hero com as duas mãos. As veias destacadas em seu rosto pulsavam com os toques, os dentes eram tão afiados que rasgavam a carne de uma vítima com facilidade. Era terrível, mas para Alexander, era apenas... impressionante. 

- Por que você não tem medo? - Hero perguntou. Sua voz mais grave que o normal era como o segundo timbre de um alfa Lúpus para Alexander. Diferente de muitos, essa é como música para seus ouvidos. 

- Por que eu deveria? - Disse de propósito e perdido na escuridão de seus olhos. Parecia um poço sem fim. - Passou a vida inteira me protegendo, Hero. Eu nunca vou ter medo de você. - Sussurrou a última frase. Hero deixou escapar um sorriso e apoiou sua testa na dele. Queria responder à altura, mas não tinha palavras. 

-  Está ficando tarde. - Se afastou. - Boa noite. - Foi só o que disse, e então desapareceu no ar. Mais um dos seus truques que deixava Alexander de queixo caído. Nunca viu uma premonição de perto, mas podia garantir que começou a gostar da sensação de risco.


[...]


- Não chora, Alexander. - Com doze anos de idade, Hero amarrava o pedaço de sua blusa no joelho do jovem Alexander, que soluçava pelo machucado. 

- M-Mas ele vai voltar... - Com a voz embriagada pelo choro, ele tentava falar. - E vai matar nós dois. - E começou a chorar mais ainda. Como disse, o animal realmente voltou. Não era um cão ou uma raposa, eram lobos. Da primeira vez era apenas um, agora veio a alcatéia. 

- Eles não vão te machucar de novo. - Hero disse ao ômega tentando acalmá-lo. - Eu vou te proteger a partir de agora. Eu prometo. - E foi assim que, com doze anos de idade, Hero intimidou lobos. Com uma fúria incontrolável apenas deles se aproximarem de Alexander, eles logo viram que o não estavam à altura do adversário e foram embora. Naquele dia, Alexander entendeu que podia ter medo de qualquer coisa, menos de Hero Yoshida, e continuaria assim depois de todos esses anos.




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