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História Lágrimas de um sorriso - Capítulo 12


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Notas do Autor


Milagres acontecem e só não postei antes porque meu computador está reclamando da idade e eu não consigo escrever em celular ou tablet, até tentei mas não dá, então quando ele quer ele me deixa trabalhar e hoje foi um verdadeiro milagre.

Mais um dou dois capítulos e finalmente estaremos terminando essa fic, coisa que já deveria ter acontecido.

Acho que aqui encerramos a última etapa da "cura". Boa leitura.

Capítulo 12 - Os pedaços da minha alma


 

- Encontraram ela? – Em menos de quinze minutos Byakuya fez o trajeto da empresa para casa, nem parecia que os céus desabavam do lado de fora.

- Eles estão olhando as câmeras de vigilância... – A pobre anciã estava em lagrimas sem saber o que mais poderia fazer – Ela estava no quarto e de repente sumiu...

Byakuya não respondeu, ele não tinha condições para isso e também não a culpava por nada, ele sabia que o motivo desse sumiço estava dentro daquela caixa e era lá que ele encontraria o destino de Orihime.

Quando entrou no quarto não se surpreendeu ao encontrar a caixa em cima da cama, porém parte de seu conteúdo estava espalhado pelo chão. Uma caligrafia diferente chamou sua atenção e sem cerimonias ele abriu e leu a carta que ele viu ser endereçada a Orihime.

“Se você conseguiu remexer esse baú de lembranças e chegou até aqui talvez isso queira dizer que você está pronta para essa sua última parte. Quando vendi a casa de seus pais eu não queria que tudo fosse embora, achei que um dia você pudesse se arrepender dessas escolhas então guardei essas coisas. Não faço ideia de como deve ser difícil pra você ter que seguir em frente mas você tem que seguir, você é tudo que resta do amor deles. O que está dentro desse gravador é a noite que tudo aconteceu, seu pai me ligou e sem querer tudo ficou gravado, até o final quando o pegaram o telefone de seu pai e perceberam que ainda estava ligado. Me faça um favor e não esteja só quando você tiver a coragem de ouvir isso, vai ser muito difícil, se achar melhor espere mais um tempo  já que tenho certeza que não irá sumir de suas mãos. Mesmo com tudo isso nunca se esqueça que estamos aqui pra você e que eles te amam e isso é algo que nunca irá mudar, nem com a morte.

Urahara”

 Procurando como louco Byakuya viu o gravador em cima da cama e dando play ouviu o estalo de aviso de que estava no final.

- Ela ouviu... e não leu a carta...

 Ele sentia o coração sufocado enquanto esperava a fita voltar para o inicio e quando finalmente começou a ouvir o que tinha ali ele entendeu completamente como Orihime era forte e como ela era frágil. Aquilo era demais pra qualquer um, ninguém merecia passar por isso, ela não merecia ter vivido aquilo, não era à toa que ela estava tão emocionalmente destroçada.

- E agora ela reviveu tudo outra vez. – Sem querer ele encostou a mão no travesseiro “Está molhado” – Lágrimas...

 Sua mente vagava em todas as possibilidades de onde ela poderia estar, não fazia muito tempo que ela havia sumido, trinta, quarenta minutos no máximo, ela deveria estar à pé então ela não poderia ter ido muito longe. Com a cabeça entre as mãos enquanto tentava imaginar onde Orihime estaria ele ouviu o toque do celular dela e mesmo inclinado a deixar tocar ele acabou atendendo, já passava das nove da noite então era algo importante para ela.

- Você tá maluca andando sozinha uma hora dessas com essa chuva... – A voz lhe pareceu familiar – Onde está aquele seu segurança carrancudo ou seu todo poderoso marido?

- Onde você à viu? Quem é? – O coração de Byakuya disparou, seja lá quem fosse ele tinha visto Orihime.

- Ah! Kuchiki-dono! Que diabos está acontecendo? – Ele ignorou ambas as perguntas.

- Responda. – Toda a autoridade de Byakuya ficou clara em uma única palavra.

- É Grimmjow, o repórter, e tem uns dez minutos que vi Orihime entrando no cemitério. – De repente ele se deu conta que não era brincadeira – Não liguei na hora porque estava sem telefone.

- Obrigado. – Só Kami sabia o quanto ele realmente era grato.

 Na mesma velocidade com a qual ele entrou em casa Byakuya voltou a sair entrando no carro e ignorando a chuva como se não passasse de uma garoa. Para ir até lá o emocional de Orihime estava destruído além do que ele poderia imaginar e ele tinha muito medo do que poderia acontecer.

- Espere por mim... por favor... espere por mim.

...

- Nossas esperanças e sonhos não estão mortos, eles seguem com você...

 Orihime repetiu em voz alta o que sua mente tinha lindo, a inercia dando lugar a dor. Tantas esperanças e tantos sonhos... Como não estariam perdidos? Eles não estavam mais ali... Não havia futuro... Sem segunda chance... E agora quando a dor lhe dava um pouco de lucidez uma outra lembrança se fez presente...

- Imprimiu todas as fotos outra vez papai!? – Hiroshi sorriu para sua filha.

- Claro bonequinha! – Ele riu da expressão que ela fez – Não quero deixar nada pela metade, se eu morresse hoje gostaria de acreditar que fiz o meu melhor e que deixei boas recordações para que todos que eu conheço se lembrem de mim com orgulho.

- Não fale assim papai, eu não quero que o senhor morra. – Só de imaginar Orihime se sentia triste.

- Venha aqui querida... – Ele esperou sua filha sentar ao seu lado – Eu sei que é difícil mas entenda uma coisa: Nós podemos sonhar com um futuro perfeito, milhões de planos, projetos e tudo o mais e por algum motivo nada disso acontecer, é mais importante sermos felizes hoje e não deixarmos nada para trás, se te faz feliz tomar um banho de chuva então só espere a chuva chegar e faça isso, se te faz feliz tomar um chocolate quente no calor então tome, se você quer ver um filme e ninguém que ir com você vá só pode não ser tão divertido mas não será algo que ficou inacabado. Você cumpre suas responsabilidades e vai viver, sem “se”. Nós vamos morrer um dia, todos nós, e peço aos deuses que eu vá primeiro que todos vocês, mas independente de qualquer coisa essa é a ordem natural da vida, os filhos enterram os pais. Os mais velhos primeiro. Quando esse dia chegar chore tudo que tiver que chorar mas quando você parar de chorar só um pouquinho tente lembrar que eu amo você, sempre vou amar e isso nunca irá mudar. Todos os meus sonhos seguirão vivos em você, eu estarei vivo em você.

- Seu pai não poderia estar mais certo meu amor. – Mei tinha parado ao ouvir as palavras de seu marido, esse era um assunto que ela queria participar – Não sabemos o que pode acontecer no futuro, todos estamos sujeitos a qualquer tipo de tragédia, o importante é que você nunca esqueça que sempre te amaremos e que acima de qualquer futuro que possamos sonhar nosso maior desejo é ver você bem, feliz, mesmo que não estejamos mais aqui para ver nós poderemos sentir em qualquer lugar onde estivermos, nada estará realmente perdido apenas terá encontrado um novo rumo.

- Isso vale pra mim também. – Sora sempre foi muito protetor de sua irmã, como policial ele viu tragédias demais acontecerem do nada – Você sabe que nosso trabalho é perigoso e mesmo fazendo nosso melhor tudo pode acontecer, só se lembre que você nunca irá nos perder, estamos em seu coração e você no nosso. – Ele viu que Orihime estava prestes a chorar – E ainda tem essa pilha de fotos que o papai tirou pra... como é mesmo que ele diz?

- “Vamos fazer boas memorias, elas nos darão forças quando estivermos tristes”. – Orihime tentou imitar a voz do pai o que fez todos rirem.

 - Nós fizemos boas memórias não foi papai... – Ela se ajoelhou diante da lápide, seu vestido agora molhado, rasgado e sujo de lama – Tantas boas memorias que eu queria tanto fazer novamente... mais memorias junto com vocês... – Uma de suas mãos se estendeu involuntariamente tocando o nome de seu pai – Está sendo muito difícil parar de chorar e lembrar dessas memorias me faz chorar ainda mais... o pior é que tentei tanto esquecer de tudo isso... – Seus olhos se abriram quando ela se deu conta de uma coisa que a medica dela sempre dizia – Culpa de sobrevivente... acho que finalmente entendi o que quer dizer... - Um sorriso amargo se formou em seu rosto - Eu sempre acreditei que meu nome deveria estar escrito aqui também. .. que eu deveria estar aqui também. .. - Ela sorriu para a lápide de sua família - Nunca acreditei que eu fosse o que restava  só acreditei que eu era o que sobrou... e sobras jogamos fora... acho que essa é a primeira vez que acredito que sou alguém, sempre tentei acreditar mas nunca consegui. .. - Orihime respirou fundo, depois de tanta dor essa era a primeira vez que ela tinha fé nela mesma - Obrigada a todos vocês por me derem a vida, prometo que vou dar valor a ela... - Um momento de puro desespero rasgou seu coração fazendo-a soluçar - Eu vou sorrir Sora-nii... eu prometo que vou, mas agora não tá, amanhã eu prometo que vou sorrir,hoje eu vou chorar mais um pouquinho. .. eu ainda sinto muito sua falta... de todos vocês.

Foi quando finalmente Orihime entendeu, ela sofria pela perda de sua família absurdamente, ela sofria pela imensa solidão em que vivia, ela sofria por toda uma vida que jamais poderia ter, mas seu maior sofrimento era achar que ela também deveria ter morrido, só que ela ainda estava viva, como se o destino a culpasse por tudo. O que ela não queria aceitar era que nunca foi culpa dela, agora ela via que o destino deu a sua família um raio de esperança por saber que ela viveria, ela via que sua solidão sempre foi auto imposta pelo medo de perder mais alguém a quem ela amava, Byakuya só conseguiu vencer essa barreira por ser alguém que nunca fez parte da equação, e o fato dela não ter mais a vida que sonhou quando criança não queria dizer que ela não poderia viver, ela só precisava descobrir um novo caminho, na verdade ela já tinha um novo caminho.

- Me perdoe papai, mamãe, Sora... acho que finalmente eu entendi que a culpa não é minha... – Novas lágrimas, diferentes de todas derramadas até então, rolaram por seu rosto – É que doeu demais, ainda dói não ter vocês comigo, mas eu prometo que vou ficar bem tá bom... só tenham um pouquinho mais de paciência comigo, eu preciso de um tempo para aceitar tudo isso... é menos pior agora.

Voltando a ficar de joelhos ela começou a rever seu passado enquanto conversava com os nomes de sua família, as resposta apenas seu coração ouvia, mas estava sendo libertador. A chuva caia junto com suas lagrimas, ela nunca imaginou que ainda tivesse tantas, mas estar ali pela primeira vez, diante do tumulo deles, fez algo mais que fazê-la chorar, esse passo lhe trouxe memorias enterradas que agora estavam libertando sua alma e pondo um ponto final em longos anos de sofrimento, seu coração não aguentaria muito mais tempo, não depois de reviver a morte deles outra vez. Com essa nova percepção uma outra se fez evidente, foram seu pais mais uma vez que salvaram sua vida, se não fosse as palavras escritas naquela lápide ela tinha certeza que estaria morta junto dela.

- Obrigada a todos vocês por me darem a vida.

Seu corpo cobrou o preço e tanta pressão e ela não resistiu mais desmaiando em frente ao túmulo de sua família.

...

Enquanto corria pelos corredores entre os túmulos tentando encontrar onde era o da família de Orihime Byakuya inconscientemente rogava a qualquer divindade que pudesse ouvi-lo para que nada de ruim acontecesse a mulher que amava, ele sabia que não seria capaz de se recuperar dessa perda, não inteiro, todo um futuro de sonhos perdidos haviam sido reencontrados em Orihime e nada no mundo mudaria isso.

Mesmo em seu estado completamente desequilibrado, que era como ele se sentia, sua visão periférica capitou um movimento a sua esquerda, uns quinze metros de distância, seu coração parou quando viu o corpo que ele sabia que era de Orihime cair. Por cinco segundos, míseros cinco segundos, ele se viu congelado no lugar, míseros cinco segundos e ele não tinha mais forças, míseros cinco segundos e ele sentiu que não tinha mais alma. Então ele correu, pulando túmulos e derrubando vasos, sua mente registrou que alguma parte dele se machucou no processo, mas ele não sentia dor, ele não sentia nada além de um imenso vazio.

- ... – Ele não conseguia falar, seu corpo completamente paralisado diante da imagem de Orihime sobre o túmulo, sua angustia era tamanha que levou alguns instantes para ele perceber que ela respirava, só quando isso aconteceu foi que ele sentiu seu coração voltar a bater, mas era por puro medo – O...orihi...orihime... – Sua voz não queria sair, ele não conseguia fazê-la sair – Orihime... – Quando ele finalmente a segurou em seus braços ele não sabia dizer qual corpo era o mais frio – Por favor... Orihime...

Byakuya nem percebeu que seu corpo inteiro tremia quando o juntou ao corpo de Orihime, ele só conseguia pensar que ele queria estar com ela e inconscientemente ele continuava implorando a qualquer deus que não o deixasse ficar sem ela. Em meio a esse tormento ele se deu conta de que não estava tão “curado” quanto pensava do trauma da perda de seus pais e irmã, ele se deu conta de que não tinha capacidade de perder mais ninguém, principalmente a mulher em seus braços, mas isso era algo com o qual ele poderia viver, era algo com o qual ele poderia morrer, ele não se importava em ter certeza que não existiria mais nessa terra sem Orihime ao seu lado. Só que agora tudo que ele queria era que ela abrisse os olhos para ele, que falasse com ele, essa foi a primeira vez que ele odiou o silêncio. Ele apertou o corpo de Orihime em seus braços desejando que os braços dela o envolvesse.

- Você prometeu que ficaria comigo...

...

Ela estava tão cansada, tão absurdamente cansada, tudo o que ela queria era dormir, apenas dormir, mas esse aperto em seu corpo... esse toque em sua pele... essa voz... “você prometeu que ficaria comigo...” essa voz estava tão preocupada, tinha muita dor nela e Orihime não queria isso, ele não deveria estar com dor e ‘Eu prometi não foi...’ e essa era sua promessa mais importante porque através dela ela poderia sorrir. Esse pensamento aqueceu seu coração e deu ao seu corpo esgotado a força necessária para dizer a Byakuya que ela estava bem, que tudo iria ficar bem.

- Byakuya... – Sua voz era baixa e ligeiramente rouca, mesmo ela quase não se ouviu – Byakuya... – Estendendo a mão ela segurou na blusa dele e mesmo em um estado semiconsciente ela percebeu o corpo dele enrijecer.

- Orihime... – Ele queria olhar em seus olhos mas não conseguia ter a força necessária para se desprender daquele abraço, ele precisava de um pouco mais de tempo para poder se sentir vivo mais uma vez – Você me deixou apavorado.

- Me perdoe eu ouvi meu passado... – Ela queria explicar porem sua mente não estava funcionando – Eu estou bem...

- Vamos para casa... – Era tudo que ele queria, depois, bem depois ele se preocuparia com qualquer outra coisa, agora ele queria estar deitado em sua cama com ela em seus braços por tempo suficiente para sua mente e seu coração voltarem a ter paz – Eu só quero você.

Reunindo uma força que ele julgava não ter mais em seu corpo Byakuya levantou trazendo com ele Orihime em seus braços, ele podia sentir cada músculo de seu corpo, todo ele doía como prova da quantidade de tensão que lhe havia sido imposto. Em passos lentos ele caminhou até seu carro ironicamente refletindo sobre como o caminho estava escorregadio e o fato de ele não ter percebido isso quando estava louco procurando por Orihime.

- Você está acordada?

Ele não obteve resposta mas não se preocupou com isso, ele sabia que a carga emocional pela qual ela passou foi muito alta. Abrindo a porta traseira do carro ele deitou Orihime nos bancos de trás tentando o melhor que pôde prender o sinto para que ela não caísse e assim que feito isso ele entrou no carro e dirigiu o melhor possível para casa, ele agora percebia que seu corpo ainda estrava trêmulo.

...

A única coisa que ele disse foi que ela estava bem antes de ir para seu quarto, ele não tinha capacidade para mais nada. Orihime estava semiconsciente e estava muito gelada, ambos estavam. Entrando no banheiro ele ligou o chuveiro o mais quente possível arrancando suas roupas e tirando as de Orihime enquanto esperava a agua ficar quente, o que não demorou muito.

- Vamos meu amor, você precisa esquentar seu corpo... – Ele viu que ela entendia quando acenou em concordância, um de seus medos apaziguado.

- Você também. – Ela não fez cerimonia quando envolveu os braços no peito nu de Byakuya.

- Tudo bem... tudo bem...

Embaixo do chuveiro ele permitiu a água caísse sobre eles, levando a sujeira e o frio, deixando a pele ligeiramente avermelhada. Era um calor bem vindo e necessário, muita coisa havia acontecido em pouco tempo.

- Byakuya dentro da caixa... – Orihime soluçou, sem lágrimas.

- Não precisa me contar – Ele apertou os braços em volta dela, baixando a cabeça e falando ao seu ouvido – Eu ouvi, eu sei e eu quero que você entenda que isso é parte de seu passado e que nunca irá mudar, mas também a vida deles é uma parte do seu passado, a maior parte, você precisa olhar para trás, um pouco mais para trás, e trazer as boas lembranças de vocês juntos.

- Eu sei... hoje eu descobri isso... – Ela se pressionou contra ele – Eu percebi que o ultimo momento de felicidade deles foi saber que eu não estava lá, que eu viria... – Uma lágrima atrevida rolou por seu rosto junto com a água – Minha psiquiatra sempre falava que eu carregava comigo uma culpa que não era minha, culpa de sobrevivente, só entendi isso hoje.

- Não vou dizer que me culpo por que estaria mentido – Ele respirou fundo, nunca havia sido bom em admitir suas fraquezas, na verdade ele nunca acreditou que houvesse alguma – Mas acreditava que nada nesse mundo poderia me abalar... até ver você caída daquele jeito – Mais uma vez ele respirou fundo – Nunca senti tanto medo em minha vida, nem quando perdi minha família, então descobri que tenho uma fraqueza... – Ele ergueu o rosto e Orihime olhou em seus olhos – Eu não tenho a capacidade de viver sem você e não me preocupo nem um pouco em sequer tentar mudar isso, não imagino minha vida sem você.

- E esse é o único motivo pelo qual resolvi tentar viver... – Ela tocou seu rosto com uma das mãos – Eu não posso continuar sem ter você comigo, é de você que eu tiro minha força, meu coração entrou em processo de paz com o que aconteceu mas ele não aguentaria perder você.

- Isso é tudo que eu preciso saber.

Desligando o chuveiro ambos se secaram e colocaram um roupam, no quarto uma bandeja de chá quente os aguardava junto com um pequeno lanche o qual nenhum dos dois conseguiu comer, apenas o chá foi bem vindo. Nenhuma palavra foi dita quando ambos se deitaram agarrados um no outro, o cansaço finalmente cobrando o seu preço.

...

- Kami-sama não brinque com o coração dessa velha...

Kaede havia entrado no quanto o mais silenciosamente possível para recolher a bandeja esperando poder conversar um pouco com eles e ver se precisavam de alguma coisa, mas a cena que encontrou mudou seu querer. Ela encontrou as peças de um quebra cabeças perfeitamente montado, cada pecinha em seu devido lugar, cada ranhura encaixando na outra, cada tom de cor combinando, a borda perfeitamente alinhada. Ela que foi criada a base de lendas e superstições acreditava em todas elas e ela sempre achou que faltava alguma coisa na vida de Byakuya, mesmo quando as tragédias não haviam acontecido.

Ele sempre foi muito sozinho, extremamente reservado, não namorava, não saía para as “noitadas”, por um tempo ela até pensou que ele fosse gay e preferia agir assim devido as tradições da família que sempre foram muito rígidas. O único que conseguia arrancar alguma coisa dele era seu avô e mesmo essa pequena parte se fechou quando o ele se foi. Uma vez ela sem querer ouviu se avô lhe dizendo que ele tinha uma alma gêmea e ela riu daquilo, combinava com Byakuya ter alguém especial mesmo que desse trabalho para encontrar.

Só ela sabia o tamanho da felicidade que sentiu quando o viu com aquela menina, tão delicada, tão frágil, tão cheia de marcas quanto ele. Deu medo, ela teve muito medo de que isso terminasse por quebra-lo definitivamente, o que a morte de quase toda a família deixou, o restinho que ficou, ela sabia que estava nas mãos de Orihime. E não havia mais nada que pudesse mudar essa equação:

Ele e ela foram estilhaçados além do reparo.

Ele e ela sofreram mais do que a maioria poderia aguentar sem se matar.

Ele e ela eram pedaços incompletos de uma vida.

- Ele e ela se encaixam perfeitamente, nasceram para estar um com o outro, nessa vida ou em qualquer outra... O senhor estava certo Girei-dono... – Ele teve que rir enquanto apagava as luzes da cozinha – Embora eu deva lhe dizer que a alma gêmea dele são caquinhos de colam nos caquinhos dele, bem... juntando um caquinho ali outro aqui a gente faz uma coisa inteira né! – Duas trilhas de lágrimas escorreram por seu rosto – Vamos colocar muita cola nesses caquinhos Girei-dono, muita mas muita cola mesmo... Não quero que eles se soltem nunca...

Enquanto se acomodava em sua cama suas preces mais uma vez era em favor de Byakuya e Orihime, para que esse milagre pudesse ser visto por muito tempo.

...

Mesmo sem ver o relógio Byakuya sabia que era mais tarde do que comumente costumava acordar, mesmo em fins de semana, e demorou um momento para ele entender por que sentia seu corpo rígido. O momento, porém, foi breve, a noite anterior ocupou sua mente e ele olhou para Orihime ainda dormindo em seus braços. Ao perceber que ela tinha uma respiração tranquila ele próprio tratou de se acalmar.

Sua mente se perdeu na conversa que tiveram no chuveiro, nenhuma única palavra do que dissera era mentira e para sua completa satisfação Orihime também se sentia da mesma maneira. Ironicamente ao tempo que ele amaldiçoou sua sorte hoje ele não mudaria uma única virgula do seu passado, e nem do dela embora lamentasse sua dor, já que isso significava que ela agora estava ali, em seus braços.

Ele nunca acreditou em destino, mas sempre entendeu o conceito de escolhas e consequências, e agora ambos escolheram viver. Ele entendia muito bem a dificuldade de aceitar a dor, de viver e de conviver com a dor, deus sabe o quanto ele enterrou isso em seu coração. Só que finalmente ele conseguiu dar esse passo a mais, um pequeno passo empurrado por alguém que fez isso sem nem perceber. Algo dentro dele lhe disse que se ele tivesse um amigo talvez isso tivesse acontecido diferente, mas não era seu caso, sua armadura era grossa demais até para isso e se alguém batia nele ele batia de volta, dez vezes mais forte, implacável.

Orihime curou uma parte de seu coração que ele nem percebeu que precisava de atenção, e mesmo que tivesse percebido era uma parte que ele não se importava. Mas ela fez isso mesmo assim, sem nem perceber, e ele era grato. Ele nunca viu que precisava de ajuda, de alguém com quem falar, com quem contar, até ter ela.

- Byakuya... – Orihime tinha acordado e percebeu que ele estava com a mente muito distante – Está tudo bem?

- Está sim... – Ele lhe beijou a testa – Apenas me dei conta que de não é bom estar sozinho, de que a dor ameniza e fica a saudade se permitirmos, de que podemos errar e aprender com isso. – Ele sorriu para ela – E que me dei conta de que amo você mais e mais a cada dia.

- Eu não vou deixar você sozinho... nunca. – Seus olhos eram os mais sinceros – Eu amo você e eu sempre vou amar você.

‘Sempre’... Ele viveria perfeitamente vem com isso.

 

 


Notas Finais


Perdoem os erros e até o próximo capítulo.


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