História Lágrimas de um sorriso - Capítulo 7


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Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Orihime Inoue
Tags Byahime, Byakuya Kuchiki, Orihime Inoue
Visualizações 133
Palavras 4.600
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shounen
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eita voltei!!! Nunca pensei que fosse demorar tanto para portar um capítulo, mas realmente foi difícil escrevê-lo, ainda acho realidade alternativa mais difícil de escrever.

Bom, obrigada a todos por não me abandonarem, sei que sempre peco em demorar a postar mas se tudo der certo as coisas irão mudar muito em breve. Obrigada por todos os comentários e favoritos. Esse fic não será longa como a outra o que é bom, minha mente anda dividida com essa e outras duas histórias, então sim teremos outras Byahimes, afinal eu só escrevo sobre eles, meu vício pessoal, amo de paixão!!

Boa leitura.

Capítulo 7 - E tudo o que eu preciso é você


 

 

- O que...? Eu estou... eu fiquei... um ano... casada... o que eu... – Orihime falava coisas que nem ela mesma conseguia raciocinar direito – Byakuya! Você me conheceu ontem!

- O que?! – Byakuya e Orihime se viraram para Kyouraku – Como você?... desde quando... um dia... você ficou louco!?

- Isso é contagioso. – Embora ele estivesse surpreso com a reação do advogado sua prioridade era Orihime – Me escute, por favor – Ele puxou Orihime para que sentasse com ele no sofá – Eu não quero que sua vida seja exposta pela mídia, e isso vai acontecer e seria muito pior pra você se, do nada, você surgisse em minha vida, você teria que reviver tudo outra vez, todo o seu passado, de uma única vez... A mídia sabe ser cruel e não iriam poupar nada.

- Eu já vi coisas parecidas... – Orihime lembrava vagamente do caso de um cantor famoso e de sua namorada, exibiram fotos dela bêbada e acabaram com a imagem dos dois até drogas surgiram de um momento para outro como se eles estivessem nesse mundo a muito tempo.

- Seria muito pior, minha vida não é fácil, você teria todo seu passado divulgado da forma que eles quisessem e não como de fato aconteceu... – Ele viu o entendimento em seu olhar – Kyouraku trabalha de maneira muito exclusiva, pedi a ele para mudar o seu passado.

- Como assim? – Orihime estava prestes a entender a dimensão de sua nova vida enquanto seguia o olhar de Byakuya para o advogado que parecia voltar de seu choque.

- Sua família de fato morreu, mas não da forma que aconteceu. - O olhar interrogativo de Orihime o fez seguir em frente – Pra qualquer um que buscar algo sobre sua vida encontrará uma família que trabalhava para a família de Byakuya, onde seus pais morreram de velhice e seu irmão morreu em um acidente de carro, você e Byakuya cresceram juntos e sempre mantiveram uma amizade que cresceu com o tempo, o pai de Byakuya prometeu casá-lo com você, porém você decidiu que queria ter uma vida antes de estar com ele, queria que ambos tivessem a oportunidade de conhecer o mundo e outras pessoas até mesmo para ter certeze se queriam essa vida pra vocês, você não surgiu na época da morte da família dele por que ele temeu por sua segurança e um ano atrás, quando você voltou, vocês se casaram e só agora você decidiu fazer parte da vida dele, já que ele também precisou de tempo devido ao que aconteceu com ele.

- E você está dizendo que ninguém vai conseguir descobrir a verdade? – Orihime se sentia em um filme de ficção, por um momento pareceu que a vida e a historia de fato não pertencia a ela.

- Os milagres da internet! – Kyouraku sorriu, a hacker com quem trabalhava era uma das melhores do mundo – Com os dedinhos certos podemos mudar as coisas, ninguém encontrará nada e... – Ele respirou fundo, essa parte foi particularmente complicada – Urahara e Zaraki querem falar com você.

- Eu me esqueci deles completamente! – Byakuya percebeu que Orihime ficou abalada com esse detalhe.

- Aguarde aqui. – Byakuya levantou e seguiu para a sala de Rukia, encontrando ela e Renji entrando na sala pela porta principal – Conversem com Kyouraku, ele vai colocar vocês a par de tudo.

Byakuya aguardou os dois saírem e fechou ambas as portas, o silêncio de Orihime estava o incomodando demais, ele tinha certeza que a mente dela ainda não tinha alcançado a total dimensão do que estava acontecendo, ele temeu que  tivesse dado um passo além do que ela estivesse preparada para aceitar.

- Me ouça por favor... – Ela parecia não reagir, como se sua mente estivesse longe demais – Orihime não tenha medo de mim...

A única maneira que ela encontrou pra não entrar em pânico foi se ver fora da situação, o choque de ouvir que estava casada “um ano...” despertou nela seu tão forte medo irracional de não ser capaz de lidar com a vida que se abria diante de seus olhos. Ela ouviu Byakuya chamando por ela, mas parecia tão distante. Mas quando ele pediu para não ter medo dele, tinha tanto medo em seus próprios olhos, tanto medo. Foi quando ela entendeu: essa vida não era nova apenas para ela, tudo isso não era loucura apenas para ela, a possibilidade de ambos saírem machucados era para ambos, a possibilidade de sofrimento era para ambos, ele estava tão apavorado quanto ela e do jeito dele estava tentando protege-la, foi essa realização que a fez perceber que ela não tinha mais nada a perder a não ser seu coração recém recuperado então o melhor era que ele batesse tão forte quanto pudesse e por tanto tempo quanto possível, uma curta vida cheia de amor do que nunca ter amado.

- Eu não tenho medo de você eu jamais teria, meu medo é não ser capaz... – O sonho, do nada o sonho onde sua família sorria para ela lhe veio a mente, sua chance de ser feliz, loucamente feliz, estava diante dela – Mas eu vou tentar, eu prometo, só tenha paciência comigo, por favor...

 - Eu não quero perder você... – Ele a abraçou apertado e sentiu paz quando ela devolveu o abraço sem hesitação – Meu único medo é perder você por isso fiz o que fiz, eu sei que você não suportaria ter sua vida revirada, acabaria com você, e a culpa seria minha.

Orihime sentia o corpo de Byakuya tremulo em seus braços e sentiu que o medo dele era tanto quanto o dela embora com caminhos diferentes, e que ela precisava dele tanto quanto ele precisava dela, em algum lugar na sua mente ela entendia a loucura de toda essa situação, mas nada importava, não mais. Ela viveria essa vida louca, com medo ou sem, ela entregaria totalmente seu coração mesmo com a certeza de que não teria mais volta, e sabia que morreria feliz pelo tempo que vivesse ao lado de Byakuya.

Essa conclusão fez seu coração vibrar, as sombras ainda estavam lá mas também luz e havia a possibilidade de tanta felicidade dentro dele, sua mente lhe trouxe a sensação de acordar dentro desses mesmos braços, de ter seus lábios unidos aos dele e a serenidade que sempre acompanhava sua presença. Ela queria isso, de todo seu coração.

- Você ainda vai me pedir em casamento?

Nos braços de Orihime Byakuya sorriu e riu, sentindo a vida em toda a sua força vibrar em seu ser. Ele apertou ainda mais seu abraço em torno daquela mulher linda e frágil, a promessa de uma vida feliz estava bem ali, ao seu alcance e ele sabia que havia agarrado com toda a força que possuía.

- É claro que sim, eu pretendo dar tudo a você! – Ela a apertou um pouco mais – Isso é apenas o começo e eu sei que será difícil, mas não vou desistir de você por nada, teremos nosso casamento, nossa lua de mel, nossos filhos e nosso futuro inteiro.

- Eu ainda devo estar sonhando... – Orihime se prendeu em seu abraço – Mas eu quero tudo isso com você.

Ela sabia, ela entendia que não seria simples estar com ele, mas era justamente a peculiaridade de sua personalidade que a fazia se sentir tão em paz, essa tão singela paz que envolvia todo o seu pequeno mundo que outrora era tão vazio, mas que agora estava bastante cheio, até demais para ela administrar, mas ela lidaria com isso, ela faria isso tanto por ele quanto por ela mesma.

- Eu tenho que ir a delegacia onde Urahara-san e Zaraki-san trabalham... – Ela disse se afastando um pouco do abraço para poder olhar em sues olhos – Se eu não for lá eles acabarão vindo aqui e eles são um pouco excêntricos.

- Não duvido disso – Ele se lembrava desses nomes por causa de sua chefe de segurança e as historias não eram nada agradáveis – Vamos até lá.

- Byakuya você tem uma empresa pra cuidar e seu sei que você está com trabalho acumulado – Ela tocou seu rosto gentilmente – A delegacia é perto daqui, eu vou e volto em um instante... – Como que para confirmar suas palavras o telefone tocou.

- Desculpe incomodar Kuchiki-dono – Hinamori, a secretária de Byakuya, parecia suplicar ao telefone, tudo o que ela menos queria era incomodar seu chefe, mas era uma emergência.

-Fale – Byakuya tentou não soar muito irritado, ele a conhecia muito bem e sabia que deveria ser importante, era de conhecimento geral que qualquer um que quisesse falar com ele sem hora marcada deveria passar o assunto para ela e ela avaliaria se era urgente ou não.

- O diretor da filial em Tóquio tem uma emergência... – Byakuya suspirou, o homem tinha um dom de atrair ótimas aquisições porém com muitos obstáculos.

- Me dê um minuto... – Ele afastou o telefone do ouvido e pegou o celular que foi atendido no primeiro toque – Acompanhe Orihime a delegacia, ela precisa falar com alguns de seus amigos. – Desligando ele olhou para Orihime – Yoruichi irá com você, não quero você desprotegida.

No minuto que levou Orihime a concordar com a cabeça Yoruichi entrou na sala de Byakuya que não se importou em dar um singelo beijo em sua amada antes de dedicar sua atenção ao telefone.

...

- Me perdoe por tirar você de suas funções – Orihime estava visivelmente constrangida em estar sendo escoltada – Não foi minha intenção.

Ambas caminhavam tranquilamente até a delegacia após Orihime ter achado desnecessário que fossem de carro, o que para Yoruichi foi agradável, ela gostava de uma caminhada e usou isso para avaliar melhor a “mulher de seu chefe”, afinal a informação correu pela empresa mais rápido que qualquer coisa que já tenha acontecido, mesmo que fossem poucos que conhecem o rosto dela.

- Eu avaliei você desde antes de você entrar para se candidatar a vaga de assistente – E era verdade, ela havia vasculhado completamente a vida de Orihime – E eu sabia que seu passado afetaria Byakuya de alguma forma por isso achei que o que ela fazia era por pena... até um certo ponto – Yoruichi olhou para Orihime para só então concluir seu raciocínio – Isso até ver vocês dois juntos agora a pouco, posso te dizer que em todos os meus anos trabalhando com ele eu nunca o vi ser carinhoso com ninguém.

- Eu não sei o que te dizer... – E de fato não sabia, a vida dela a morena já conhecia então que argumentos ela despunha para provar que tudo era uma linda loucura que aconteceu com os dois.

- Não precisa me dizer nada, eu não preciso ser convencida de coisa alguma, o que eu vi foi suficiente e por mais incrível que pareça vocês se amam e eu vou fazer qualquer coisa para vê-los felizes, por ele e quem sabe por você também.

- Obrigada, com certeza eu vou precisar de ajuda para lidar com tudo que vem pela frente eu... – Yoruichi viu uma sombra de tristeza cruzar o olhar de Orihime – Eu só quero que ele seja feliz, eu quero ser capaz de fazer isso por ele.

- Você já é. – Yoruichi tinha certeza – Chegamos.

...

- Vocês sabem que Byakuya não do tipo que me conta o porquê de querer alguma coisa... – Kyouraku suspirou – Ele apenas quer e pronto, e vocês dois estão me dizendo que eles realmente se conheceram ontem?

- Não brinque com isso. – Era nesses momentos que Rukia deixava as coisas com seu marido, ele tinha o dom de dizer apenas o necessário para fazer entender o que era preciso se entendido – Tenho certeza que você também vasculhou a vida dela e tenho certeza que nunca viu alguém mais limpo.

- Sim, sim, sim... – Ele havia usado todos os recursos aos quais dispunha antes de atender o pedido de Byakuya, geralmente ele não fazia isso, a vida de seus cliente pouco lhe interessavam, mas Byakuya era diferente, os pais de Byakuya o ajudaram quando todos lhe deram as costas então ele prometeu que sempre cuidaria dessa família.

- Se seu mone for associado ao meu você terá problemas Kuchiki Soujun. – Kyouraku estava comodamente sentado no chão de sua cela, ser traído por um “amigo” não era o que ele achou que um dia fosse acontecer com ele, afinal Tousen também era do mesmo ramo que ele, só não tinha o mesmo prestígio.

- Eu já estive em seu lugar... – O olhar de Kyouraku fez Soujun rir – Bem, não exatamente, e eu aprendi a nunca abandonar um amigo. Eu sei exatamente como você trabalha e tenho certeza que você não causou aquele incidente, sem contar que todos estão bem, então sim isso é uma armação.

- E você acha que pode fazer alguma coisa? – Ele sabia que Soujun era influente, só não sabia o quanto.

- Não se preocupe com isso.

Em dois dias os verdadeiros documentos sobre o atentado a bolsa de valores foram encontrados bem como o que havia ocasionado o atropelamento de uma senhora que, por azar, havia visto Tousen entrando no escritório de Kyouraku para plantar as provas falsas, ele havia roubado as chaves do carro e atropelado a pobre mulher para que ele recebesse a culpa. Tousen agora estava preso, cumprindo quinze anos por tentativa de assassinato, fraude, roubo e um sem número de acusações fiscais.

- Não tente perguntar pra nós como isso aconteceu, mas posso te garantir que foi uma surpresa para todos nós. – Renji tentou resumir os acontecimentos das ultimas vinte e quatro horas sem expor a vida intima de seu cunhado.

- Kyouraku-san nii-sama voltou pra casa. – Rukia conseguiu resumir tudo em uma frase, ela sabia que podia confiar nesse advogado excêntrico e seleto.

Qualquer argumentação que ele ainda pudesse ter acabou ali, para Byakuya voltar para a mansão Kuchiki um milagre realmente aconteceu, ele ainda lembrava quando ele o procurou exigindo que ele descobrisse a vida inteira de todos que possuíssem uma única ação que fosse das empresas Kuchiki’s e assistiu Byakuya destruir um a um, salvo alguns que realmente eram honestos, a estes Byakuya apenas comprou generosamente suas ações. Ele lembrava nitidamente da resposta que recebeu quando o questionou sobre o que ele iria fazer com a mansão “eu só retorno aquele lugar quando houver garantia de felicidade, família e futuro”. Depois de observar a vida de Byakuya por dois anos ele tinha certeza que Byakuya jamais se casaria, jamais teria uma família e jamais voltaria aquela casa.

- Orihime... – Essa jovem mulher deu ao filho de seu querido amigo tudo que lhe foi tirado, ele finalmente teria a oportunidade de agradecer a segunda chance que recebeu um dia em sua vida – Acredito que temos que proteger essa garota com tudo que temos.

Rukia e Renji riram, ambos já tinham isso como certo em suas vidas desde o momento que viram ambos juntos, no olhar deles estava um a vida repleta de tudo o que eles haviam se negado por todo o tempo, e eles viram que ambos eram perfeitos um para o outro mesmo com todas as cicatrizes que possuíam.

...

Yoruichi pulou para trás levando Orihime junto, um instante depois uma cadeira acertou a parede ao lado delas.

- TIRA ESSA CARA FEIA DE PERTO DE MIM!!! – Orihime reconheceu aquela voz imediatamente, Zaraki-san nunca foi muito discreto.

Um cara vestido de terno e gravata passou voando por elas, no rosto do pobre homem estava escrito que ele havia visto o próprio diabo e estava claramente fugindo dele. Yoruichi viu de relance Orihime rir, ela gostou disso, a garota claramente estava acostumada com loucuras.

- Mas vejam só o que o gato trouxe para casa... ou será que foi o passarinho que atraiu o gato?... – Urahara observava suas visitantes, a chegada de sua protegida era esperada mas a de sua guarda costa era surpreendente.

- Faz tempo que não te vejo Kisuki!! – Era mentira e ambos sabiam, o relacionamento dos dois estava mais para gato e rato do que para colegas de trabalho.

- Você está nos devendo uma explicação mocinha! – Com a tentativa de tom paternal de Zaraki Orihime não teve outra alternativa ao não ser rir e isso sim surpreendeu Zaraki – Mas quem diabos é você?

- Kyouraku-san falou que vocês queriam falar comigo e eu também preciso falar com vocês. – Orihime olhou entre os dois quando disse essas palavras e ambos viram um brilho em seus olhos que há anos não viam.

- Minha sala, por favor. – Mesmo Urahara se surpreendeu com o que viu, a vida naquelas piscinas cinzentas não era algo que ele esperava voltar a ver algum dia.

Yoruichi estava quieta, as expressões nos rostos de seus amigos não era algo comum de ser visto, muito pelo contrario, ela nem lembrava se alguma vez as viu nos longos anos em que sempre estiveram juntos, Zaraki estava calmo, o que já era um milagre por si só, e Urahara estava disperso ou no mundo da lua e isso dava mais medo ainda “o que essa garota fez com eles?”.

Orihime sabia que se ela estava viva agora era graças a esses dois loucos em sua frente, eles não se importaram com a opinião de ninguém e fizeram tudo o que ela pediu, Zaraki afastou seus amigos quando ela não quis mais velos, afastou os jornalistas que queriam saber como tudo tinha acontecido e jugou duras verdades em seu rosto quando ela precisou ouvir quando seu pior momento a afetou, como ela disse ela jamais se mataria mas se deixaria morrer.

“- Você ficou louca de vez!! – Zaraki segurava uma Orihime inerte pelos ombros e a sacudia – Olhe pra você e pense no que está fazendo? Quer morrer por inanição? Eles estão mortos, todos eles! E é uma piada você estar viva, mas quem disse que a vida é justa! Acorda criança, eles não vão voltar, então encontre um jeito de viver e viva o melhor que puder”.

Ele a largou no chão depois disso e ficou observando ela chorar e chorar, quando ela ergueu o rosto em seus olhos não existia mais o brilho da vida, ela viveria para honrar a vida que lhe foi dada e apenas isso, e foi o que fez até ontem, mas até ontem foram as palavras de Zaraki que lhe deram um rumo e as de Urahara que lhe deram um sentido.

“- Vai ser difícil olhar em volta e não ter mais nenhum deles para você se apoiar, pra você ter para onde voltar... – Urahara havia se abaixado até estar na altura de seus olhos quando seu choro finalmente parou – Nós não querermos substitui-los, mas vamos estar aqui e vamos cuidar de você do jeito que você quiser que cuidemos, mas a única coisa que não podemos escolher por você é a maneira que você vai encontrar para continuar vivendo, vamos internar você e não questione isso, lá você poderá trabalhar também, viver junto de pessoas que sofrem como você talvez ajude”.

E ajudou, estar junto a pessoas que não a julgavam, que não queriam que ela fosse feliz, poder chorar e se perder dentro de seu mundo vazio sem ouvir criticas ou conselhos desnecessários, ter um mundo em branco... Era tudo o que ela queria e foi tudo o que conseguiu ter, mas foi suficiente para mantê-la sã por todo o tempo, para viver até encontrar Byakuya, e foi tudo graças a esses dois.

Ela caminhou até Zaraki e o abraçou com todas as forças que tinha, se demorando o suficiente até sentir o choque inicial do mesmo passar e devolver o abraço meio sem jeito, ela se afastou um tempo depois e olhou para ele sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Depois de olhar para aquele gigante ela se voltou para Urahara e repetiu o gesto e já sabendo o que iria acontecer Urahara já esperava por esse abraço e estava sorrindo para ela quando ela se voltou para ele, por mais que todos dissessem que ele era sem sentimentos só ele sabia o que de fato se passava dentro dele, e embora ele não quisesse admitir ele esperou por muitos anos para ver aquele brilho de vida naquelas piscinas cinzentas.

Yoruichi sabia que nada nesse mundo poderia surpreendê-la mais que essa cena, os dois homens mais insensíveis e violentos que ela já conheceu pareciam um casal babando pela filha. Nunca em anos de convivência com estes homens ela os viu demonstrar quaisquer emoção, até mesmo Zaraki quando estava com a própria filha não se mostrou tão sensível. Então ela viu o que Byakuya viu, o que Kisuki e Zaraki viram, ela significava esperança, aquela pequena centelha de vida que se pensava estar perdida.

“Droga... meu trabalho acabou de triplicar, ela vai atrair pessoas ruins e se ninguém estiver lá ela vai se machucar e vai levar todos a sua volta com ela. Um dia eu vou ser capaz de entender como você consegue fazer isso Orihime, mas por hora a conta é sua Byakuya, eu quero um aumento bem gordo e pode apostar que ninguém encosta nela.”

- Eu sei que você vai cuidar dela, dá pra ver isso em seus olhos... – Urahara não se importava em falar perto dos demais, e embora Orihime não entendesse a total dimensão daquilo Zaraki entendeu – Saiba que vamos cuidar das coisas por aqui.

- Eu não me importo com as consequências, você sabe. – Zaraki sorriu para Yoruichi, deixando claro sua posição e, sabendo que ela conhecia seus ‘métodos de trabalho’, ele sabia que ela entendeu o recado.

- Eu não esperava que fosse diferente.

Yoruichi se sentiu eletrizada, ela havia aceitado trabalhar para Byakuya para poder conhecer os vilões de verdade, os que manipulam o poder e usam os demais como massa de manobra para cobrir seus podres, era o acordo e Byakuya aceitou, ele não pouparia ninguém e ela também não e, nesses anos de parceria, ela havia perdido a conta de quantos magnatas foram presos em vários lugares onde a empresa de Byakuya teve acesso.

Só que essa e era a primeira vez que ela havia encontrado alguém que valia a pena proteger sem nada em troca, simplesmente por querer manter aquele brilho que iluminava quem estava por perto, alguém que havia sofrido o suficiente e merecia ser feliz, e se esse alguém já fora capaz de alcançar três corações sem esperança então ela sabia que essa era a razão dela ter escolhido os caminhos que escolheu, esse era seu destino, e quem sabe assim ela também receberia um pouco daquele brilho.

...

Quando finalmente Byakuya terminou de falar com o representante da filial de Tóquio ele percebeu que já sentia falta de Orihime, terrivelmente, mas tentou refrear seus instintos possessivos, afinal ela só estava longe há trinta minutos. Resolvendo aceitar seus conselhos ele se pôs a tratar de alguns documentos acumulados do dia anterior, coisas que Rukia não tinha permissão para decidir sozinha e embora o lado racional de seu cérebro estivesse estranhamente dormente, seu corpo inteiro mandava ele ir para Orihime.

Mais trinta minutos se passaram e ele resolveu ser racional, pegou o telefone e ligou para Orihime, só para ter o telefone que deu para ela tocando no sofá ao seu lado, dentro de sua bolsa, uma pontada de pânico depois e ele ligou para Yoruichi mas antes mesmo do primeiro toque seu coração pareceu gritar por Orihime.

- Dane-se a razão.

...

- Então isso é tudo. – Orihime agora terminava de relatar os fatos mais loucos de suas últimas horas... dias... semanas... ela nem sabia mais.

- Isso é tudo... – Urahara estava numa clara falta de palavras – Resumindo: você foi para uma entrevista de trabalho, conheceu Byakuya Kuchiki, Kyouraku casou vocês dois, essa parte nós sabemos, vocês já estão vivendo juntos, e você e o todo-poderoso Byakuya Kuchiki estão juntos?

- E nem transaram ainda? – Zaraki não sabia se um dia conhecendo alguém com quem já era oficialmente casado contava como motivo para honrar as virtudes de alguém.

- Zaraki-san!! – Orihime estava vermelha como nunca – Sim, é isso mesmo.

Um estranho silêncio pairou sobre eles, e não por causa deles, a delegacia em si estava silenciosa e eles sabiam quem era a única pessoa que seria capaz de causar esse efeito com apenas uma frase: Por que tanto barulho? Era sempre assim.

- Acho que teremos o outro lado da historia. – Urahara ainda estava tendo uma certa dificuldade em ver esse lado amoroso e gentil partindo do homem mais frio que já conheceu.

Através das persianas Byakuya pôde ver as costas de Orihime e mesmo que sua visão também registrasse os demais ela era a única que ele realmente queria ver. Sem qualquer permissão ele seguiu para a sela onde eles estavam e entrou sem nenhuma cerimonia

- Oh! Byakuya! O que você está fazendo aqui? – Orihime pulou da cadeira e foi em direção a ele assim que ele entrou na sala – Você não deveria estar trabalhando?

- Você esqueceu seu telefone, ou melhor, a sua bolsa... – Ele estava simplesmente aliviado em vê-la – Eu liguei pra você.

- Eu saí com tanta pressa que acabei esquecendo, me desculpe. – Orihime não dedicou nem um segundo pensamento quando estendeu a mão e acariciou o rosto de Byakuya.

- Não se preocupe com isso... – Por mais insano que ele estivesse esse simples toque o desarmou totalmente.

- Acho que não existe outro lado da historia. – Urahara simplesmente elaborou o pensamento de todos, aquilo era a cena mais de outro mundo que eles já viram.

- Você já terminou? – Byakuya não estava disposto a perder mais de seu tempo compartilhando a atenção de Orihime, já havia passado da hora do almoço e ela não havia comido nada devido aos exames feitos mais cedo.

- Acredito que sim... – Ela voltou sua atenção para os outros ocupantes da sala – Nós já vamos, ou ainda precisam falar comigo.

- O que eu preciso é encher a cara, ou eu estou ficando velho e cego ou estou numa cama de hospital em coma e definitivamente estou alucinando... – Zaraki não conseguia aceitar o que via – Oooh princesinha! Estou de olho em você, se você a fizer chorar eu não vou me preocupar com quem você é.

- Se eu a fizer chorar tenha certeza que não precisar se preocupar com isso. – Naquela troca gentil de palavras e olhares um acordo foi selado, nenhum dos dois permitiria que Orihime sofresse.

- Eu vou voltar pra empresa, isso é mais do que eu posso assimilar em um dia. – Yoruichi acenou para os demais já sabendo que seria dispensada por Byakuya.

- Orihime! – Urahara prendeu a atenção de Orihime – Nós ainda estaremos aqui para o que precisar.

- Eu sempre virei até vocês... – Ela baixou seu olhar por um instante, mas voltou seu olhar com firmeza olhando de um para o outro – Obrigada... muito obrigada a vocês dois, se não fosse por vocês eu não estaria aqui... eu devo a vocês muito mais do que posso pagar então sempre que eu ver vocês eu irei agradecer.

Eles apenas acenaram com a cabeça, entendendo exatamente o que ela queria dizer, ambos lembravam como foi difícil mantê-la viva, e ambos estavam gratos por terem conseguido, gratos e orgulhosos, era bom afinal de tudo ver a esperança de volta a vida.

Quando ambos saíram da delegacia o vento jogou o cabelo de Orihime em seu rosto, cobrindo sua visão, girando para afastá-lo ela acabou esbarrando em alguém antes que Byakuya pudesse impedir.

- Me perdoe eu... - Suas desculpas sumirem em sua voz, diante dela estava a única pessoa a quem ela viu como um irmão, além de seu próprio, seu coração doeu, essa conversa seria uma das mais difíceis - Sado-kun...

 


Notas Finais


Esse é aquele famoso capítulo onde temos que unir os pontos, o que acaba sendo um pouco chato e ainda mais complicado de escrever, mas espero que tenham gostado.

Até o próximo capítulo. Bjsss.


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