História Lágrimas e festa - Capítulo 1


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Categorias Felipe Z. "Felps", Rafael "CellBit" Lange
Personagens Felps, Rafael "CellBit" Lange
Tags Cellbit, Cellps, Felps
Visualizações 152
Palavras 1.848
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa é a última One feita na fanfic 20 Contos de Amor. Irei excluir essa noite, deixando apenas as Ones.

Terá outras Oneshots que irei postar em breve.
Espero que gostem da adaptação para Cellps.

Capítulo 1 - A festa


A festa já havia começado, todos se divertiam. Música tocando, pessoas conversando, casais dançando. Já era tarde da noite, mas o dia ainda estava longe de chegar. Era uma festa importante, afinal era o aniversário de dezesseis anos de Gabriela. Tinha muitos convidados, Gabriela fez questão de convidar muitos amigos da escola, praticamente toda sua sala estava ali. 

Tudo estava perfeito. Todos rindo e felizes, porém tinha um garoto,  apenas um garoto que por dentro não estava tão bem quanto demonstrava para os amigos enquanto conversavam. Sempre rindo e com um sorriso nos lábios, entretanto algo, que ele não sabia o que era, lhe deixava aflito e com vontade de sumir daquela festa. 

Seu coração pedia para ele recolher seus conflitos internos e ir para casa, dormir e fingir que tudo estava bem. Mas sua mente dizia para ser forte e ficar, aliás a festa era da sua melhor amiga. Não poderia fazer isso com Gabriela, não, não podia. A festa havia começado a pouco tempo e não iria ser um péssimo amigo assim.

Conversou um pouco com os amigos, deu parabéns e comemorou junto com Gabriela. Mas dentro de si, aquele vazio ainda não tinha passado. 

Enquanto estavam todos distraídos, dançando ou conversando, o garoto resolveu sumir por alguns minutinhos. Tentou ficar na cozinha, no quarto da amiga, até no banheiro. Todos os cômodos daquela casa estavam ocupados com pessoas felizes. O único lugar que lhe restou foi a varanda, logo tratou de ir para lá. Passou por entre as pessoas dançando e chegou até a porta principal da casa. Andou depressa antes que alguém o chamasse para dar início a mais uma conversa engraçada ou mais uma brincadeira a qual ele não queria participar. 

A noite estava escura e fazia frio. Sua camisa branca e calça preta não estava esquentando seu corpo como deveria em meio àquela varanda com ventos frios. Mas nada importava, ele só queria ficar sozinho e acalmar sua alma. 

Ao abrir a porta percebeu que havia luzes para clarear a maior parte da varanda. As luzes pequenas envolviam aquele ambiente, igualmente às estrelas envolviam a noite escura. A varanda era bem bonita e aconchegante. Era feita de madeira escura, inspirada nas construções antigas das fazendas de interior. Tinha três pilares, também de madeira, que sustentavam o telhado. Havia uma pequena porta em frente à uma escadaria que ia para a rua, passando pelo pequeno jardim com rosas e margaridas. 

Assim que a porta fechou-se atrás de si, ele respirou fundo e se sentiu, enfim, sozinho. Um arrepio o envolveu quando o vento balançou seu cabelo. Se sentiu leve e uma vontade desesperadora de chorar se formou em seu ser. Uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto, logo aquele sorriso que sustentou lá dentro não se encontrava mais em seus lábios, simplesmente desapareceu, dando lugar à água salgada que lhe fazia bem naquele momento. 

Sua cabeça começou a rodar e seu pensamento corria, não se concentrava em uma idéia só. Ele viu toda sua vida, todos os seus problemas passarem diante seus olhos. Esses que já estava cansado demais de tentar segurar sozinho, por fim se deixou ser levado por vontades e chorou. Sua alma estava sendo lavada de uma única vez, era tão complicado chorar, era tão difícil se permitir ser "fraco" ao ponto de chorar. 

Em pouco tempo parecia que uma cachoeira transbordava das suas oculares. Pelo menos ele podia chorar em paz, sozinho, sem ninguém por perto para perguntar se estava bem ou para lhe dizer que tudo ficaria bem. De nenhuma forma queria ouvir conselhos de auto-ajuda. Apenas queria chorar sem ser incomodado.

O garoto saiu da porta e caminhou até o pilar de madeira do meio. Encostou sua testa contra a madeira e o abraçou forte como se fosse uma pessoa de verdade. Apenas chorou como nunca chorou antes. 

Em meio às lágrimas e soluços, ouviu uma voz se fazendo presente naquela imensidão de silêncio. 

-Você está bem, cara? -a voz soou carinhosa.

Ao virar-se deu de cara com um garoto que parecia está preocupado e curioso. 

Ele era alto, tinha cabelos loiros escuros e olhos azuis, vestia uma calça preta e uma camisa escrito: "Enigma". 

-Estou sim. Não precisa se preocupar. -disse passando as mãos no rosto, tentando limpar um pouco das lágrimas. 

-Desculpa, eu acho que te assustei, né?! -ele afirmou com a cabeça. -Meu nome é Rafael. Estava ali no canto, quando te vi chegar e começar a chorar. -falou apontando para a lateral da varanda, onde a luz das pequenas lâmpadas não chegava. -Eu não queria te incomodar, só... fiquei preocupado. -coçou a nuca.

-Prazer, me chamo Felipe. -falou desviando o olhar. -Eu só estava me sentindo mal. Aí do nada, comecei a chorar só para lavar a alma. Não precisava ter se preocupado comigo. Obrigado. -agradeceu fitando o chão. 

Por um breve momento houve um silêncio perturbador, até que Rafael quebrou o clima. 

-Então.. por que estava chorando? Aconteceu alguma coisa na festa? 

-Não, não aconteceu nada. Só me deu vontade de chorar mesmo. Sabe quando você se sente mal e só quer sumir por um tempo do mundo?! Pois é, estou assim hoje. 

-Ah, eu sei como é. Te entendo. 

-Então, eu não pude continuar lá dentro, com toda aquela música alta, pessoas dançando e conversando. Eu não podia estragar a festa da Gabs. -suspirou.

Rafael não falou nada, só se aproximou de Felipe e em um movimento rápido o abraçou apertado. Era bem melhor abraçar um ser humano do que um pilar de madeira. Foi assim que o moreno devolveu o abraço, se aconchegando naqueles braços em volta dos seus ombros. Envolveu seus próprios braços em volta do tronco do garoto e se sentiu bem. 

-Se quiser, pode continuar chorando. -Rafael disse perto do ouvido dele.

E foi isso que o pobre garoto fez. Em instantes estava chorando novamente.

Sabia que Rafael era um completo desconhecido, porém o abraço dele era tão bom e confortável que não se importou de está chorando e molhando o ombro dele. 

Depois de um longo abraço, de várias lágrimas e de um silêncio insuportável, eles se afastaram um do outro. Rafael levou suas mãos quentes ao rosto frio do moreno e limpou as lágrimas dele. O garoto deu um sorriso envergonhado, mas ao mesmo tempo verdadeiro. Ele retribuiu com um sorriso ainda maior e lindo. 

-Obrigado. -agradeceu, dessa vez seu sorriso era aberto. 

-De nada. Aliás, você fica bem mais bonito sorrindo assim do que chorando. 

Felipe ficou corado, parecia um tomate de tão vermelho. Rafael percebeu a vergonha dele e riu, mas preferiu mudar de assunto para ele não se sentir incomodado.

-Então... Você é amigo da Gabs?

-Melhor amigo, na verdade. E você? 

-Sou primo dela, sou novo na cidade, cheguei ontem aqui. Acho que ela nunca falou de mim para você.

-Acho que não, pelo menos não que eu lembre. 

-Pois é! -silêncio. -Bem, já que você está melhor, que tal entrarmos e comermos alguns docinhos da festa? -sugeriu.

-Acho que ainda não estou preparado para voltar e enfrentar esse monte de pessoas. Mas você pode entrar, eu vou ficar um pouco mais aqui fora. -sorriu.

-Não quero te deixar sozinho, mas também estou com fome, então vou entrar, pego alguns doces e bebidas para nós e venho te fazer companhia. 

Ele apenas assentiu com a cabeça e o loiro entrou.

Alguns minutos depois a porta abriu e o de olhos azuis estava equilibrando dois refrigerantes e dois pratinhos de plástico cheios de docinhos e salgadinhos nas mãos.

-Nossa! Tudo isso só para nós dois? -ele perguntou rindo.

-Eu te falei que estava com fome. - respondeu.

Os dois sorriem e sentam no chão da varanda, um de frente ao outro. Então começam a comer e se conhecerem. Papo vai, papo vem, os risos eram frouxos e simples. Já estavam bem a vontade em tão pouco tempo. Parecia que se conheciam há anos. 

-Rafa, você sabe porque eu estava aqui fora sozinho, mas por que você estava aqui em um canto escuro da varanda? -perguntou curioso.

-Bom, eu não gosto de festas muito barulhentas e também, como já falei, sou novo na cidade, então não conheço quase ninguém lá dentro, só a Gabriela. Como é aniversário dela, estava ocupada dando atenção aos demais convidados. Eu me senti um peixe fora do aquário, acabei vindo parar na varanda e fiquei ali no canto mexendo no celular, conversando com meus amigos que ficaram na minha antiga cidade. -deu de ombros.

-Ah, entendi. Parece que nenhum de nós dois estávamos muito bem hoje nessa festa. -Felipe riu, fazendo o outro rir também. 

-Pelo menos eu encontrei você. Eu te ajudei e você me ajudou. Agora me sinto bem.  ficou corado e olhou para o garoto sentado à sua frente. 

-Também me sinto bem depois de conversar contigo. Agora eu até quero voltar para a festa. -se levantou. -Vamos? -esticou a mão para o garoto sentado.

-Claro, vamos lá. -pegou na mão dele e levantou-se.

Se soltaram e limparam a poeira das roupas. Os dois entraram na festa, eles pareciam felizes. Felipe logo apresentou seus amigos à Rafael, que o receberam muito bem. Ficaram ali por algum tempo, conversando sobre a escola, que logo o loiro ia conhecer e estudar. Conversaram sobre a cidade e os parques, as melhores sorveterias para irem nos finais de semanas e sobre os novos amigos. 

Todos já eram amigos naquela altura da festa. Já se passava das três horas da madrugada, as músicas agitadas foram trocadas, dando lugar à músicas lentas e românticas. 

-Quer dançar? -perguntou com vergonha.

-Quero. -Felipe respondeu envergonhado com um sorriso.

O centro da sala já tinha alguns casais dançando, eles se juntaram aos demais e começaram a dançar também. 

Felipe colocou seus braços em volta do pescoço do garoto que era poucos centímetros mais alto que ele. Rafael colocou suas mãos em volta da cintura do garoto, o trazendo para perto. 

Os olhos de ambos se encaravam, sorriram um para o outro e sentiram um frio bom subindo pela garganta. 

Não era um filme da Disney, mas o jeito que os dois se olharam foi digno de ser. Em um piscar de olhos, uma fração de segundos, seus rostos se aproximaram simultaneamente e por total e livre ação. Os lábios foram de encontro um ao outro e o beijo foi formado. 

Um beijo sem nenhum planejamento ou segundas intenções. Um beijo sem malícias, apenas um beijo entre dois adolescentes que acabaram de se conhecerem, mas já se sentiam próximos. Naquele momento não importava se eles estavam em meio à sala de Gabriela, enquanto outras pessoas dançavam ao seu redor. Nada mais importava, eles só se permitiram viver aquele momento. 

Depois da festa, os dois se tornaram bons amigos e saíram diversas vezes. Foi numa manhã de segunda, quando estavam naquela mesma varanda que se conheceram, esperando Gabriela para irem à escola que Rafael o pediu em namoro, e Felipe sem pensar duas vezes, aceitou. 

Quem diria que das lágrimas e da bondade de um desconhecido iria nascer uma conexão tão boa e forte entre duas pessoas?! Quem diria que naquela noite, naquela varanda enfeitada com pequenas luzes nasceria um sentimento tão lindo e singelo como o Amor?!


Notas Finais


Espero que tenham gostado da adaptação.
Ainda essa semana trago mais Ones e capítulos novos nas fanfics!


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