História Landscape Nightmares - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.624
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Ficção, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, seja bem-vindo(a) e ótima leitura!

Capítulo 3 - Três


 “Então, desde criança eu tenho um sonho estranho que me persegue, na verdade está mais para pesadelo. Se por acaso você me ver gritando e correndo pela rua no meio da noite, não se apavore. É bem normal eu fazer este tipo de coisa!” Fiz mentalmente todos os rascunhos possíveis de formas para contar à Raquel sobre esta merda que me persegue durante dezoito anos. Tentei diversas vezes introduzir o assunto durante o jantar de domingo, mas tudo o que eu conseguia pensar era o quão estranha essa notícia soaria.

O jantar acabou. Tiramos a mesa e ajudamos Maya a lavar e guarda a louça. E nada de falar do sonho. Raquel foi tomar banho e vestir um dos pijamas que eu havia lhe emprestado (já que seus pais não deixaram ao menos que ela buscasse as próprias roupas). E nada de falar do sonho. Escovei os dentes e forrei um colchão para eu dormir, já que cedi a minha cama à minha amiga. E nada de falar do sonho. Desejamos boa noite para Maya, entramos no meu quarto. Apaguei as luzes. E nada de falar do sonho. Realmente, eu era uma covarde que não conseguia contar meu maior pesadelo (literalmente) para minha melhor amiga. Respirei fundo, e antes que a Raquel pudesse pegar no sono, falei num tom desesperado e um pouco mais alto do que eu desejava:

-Eu tenho sonambulismo. -silêncio.

-Hã… tudo bem… devo me preocupar com isso? -perguntou com a voz ainda abatida.

-N-n-não…é só que...-o nervosismo me tomou por inteira, as palavras não vinham à minha mente naquele momento. -Fica tranquila, se eu sair do quarto é só chamar a Maya… e não me acorde, posso acabar me assustando e tendo uma parada cardíaca!-acho que a assustei um pouco.

-Ok… eu com certeza vou chamar a Maya pra cuidar disso...-é, ela se assustou.

Depois do nosso curto diálogo, o silêncio se estabeleceu. Raquel estava usando poucas palavras, o que era bem atípico considerando sua personalidade. A rejeição dos pais a afetou numa intensidade maior do que eu imaginava. Fechei os olhos e desejei que tudo ficasse bem para o meu pequeno raio de sol.

Como já havia esperado, o pesadelo voltou para atrapalhar meu sono tranquilo. Tive a impressão de que o sonho estava mais realista.

Eu pude sentir melhor o frio daquela noite de inverno, o medo que invadia meu peito e formava um nó na minha garganta, os meus pés tocando o chão úmido por causa da chuva que passara por ali. E pela primeira vez, consegui discernir o tom de voz daquele homem que me perseguia. Era uma voz rouca, pesada em um tom de súplica. Espera… súplica? Será que eu poderia ajudar aquele homem? Eu deveria ajudar aquele homem? Dessa vez parei de correr. Não olhei para trás temendo que o sonho acabasse sem eu descobrir o que ele dizia. Ouvi seus passos diminuírem. O rapaz continuava ofegante e repetindo a frase que eu não conseguia entender. Como não conseguia entender sua fala? Era tão simples! Por que meu cérebro sempre embaralhava suas palavras? Com raiva da minha falta de inteligência, comecei a dar tapas na minha própria cabeça. Não era justo! Queria tanto entender. Por que não conseguia entender? POR QUE? Contra minha vontade, me virei para trás. Só conseguia enxergar seus olhos carregados de cansaço e desespero. E mesmo sem estar correndo, meu corpo caiu no chão. A escuridão invadiu meus olhos como se uma televisão se apagasse, e eu acordei.

Dessa vez, acordei esparramada no chão da rua. Droga! Meus joelhos ardiam reagindo ao impacto da queda. Meu pijama branco estava com manchas pretas que vinham do asfalto molhado e sujo. Merda!Merda! Maya estava agachada na minha frente, observando com cautela cada movimento que meu corpo fazia. A encarei por alguns segundos, até que ela me estendesse a mão para me ajudar a sair do chão. Minha cabeça doía. Passei a mão na testa para verificar se havia me machucado naquela região. Sem sinal de sangue, tudo limpo.

-Bom dia!- sorriu ironicamente. Me virei para trás e vi Raquel me observar com o rosto assustado. A rua como sempre, estava deserta. -Vem, a gente tem que ir pra casa. -Maya colocou seu braço na minha cintura e me ajudou a caminhar de volta para o apartamento. -Da próxima vez você podia usar um pijama mais escuro.

-Hã… não imaginei que isso fosse acontecer hoje…

-Eu vou falar com os nossos pais, você vai voltar a ir ao psicólogo.

-A gente pode voltar nesse assunto depois? Acho que estou atrasada para a faculdade.

-São cinco da manhã.-Raquel se pronunciou, sua fala estava baixa e ela caminhava com os braços cruzados em frente ao busto e olhando para o chão.

-Me desculpem… eu não sabia que esse pesadelo ia voltar de forma tão forte…

-Que pesadelo. -Ah não…

-As crises de sonambulismo!-Maya se apressou em me ‘’corrigir’’.

-Ah… sim…-caminhamos em silêncio até o apartamento. Maya foi apressada para a cozinha preparar o café da manhã. Troquei minhas roupas e fui à sala onde encontrei Raquel sentada no sofá com os braços ainda cruzados e os olhos cansados.

-Se quiser pode voltar a dormir. - me sentei ao seu lado.

-Ah… tudo bem. Não estou com cabeça para dormir. Acho que não vou à aula hoje.

-Hã… tudo bem. Tente fazer alguma coisa por aqui hoje. Não é muito bom ficar triste e sozinha. - acho que minha frase soou um pouco pessimista demais. -Digo… fique a vontade! Em cima do meu guarda roupas tem algumas telas limpas caso você queira pintar, e na estante da sala tem duas temporadas de The Big Bang Theory pra você dar umas risadas. Se quiser pode pegar uns livros que estão na minha escrivaninha do quarto e pode usar o meu computador também. -dei uma breve pausa esperando que Raquel me respondesse algo. Como apenas assentiu em silêncio, prossegui com minhas explicações. -E se quiser me faz uma visitinha lá no brechó. A Dona Cláudia vai amar o seu estilo.-cutuquei a dobrinha da sua barriga, arrancando uma risada baixa. -Qualquer coisa liga pra mim ou pra Maya, ok?

-Ok…

                                                          ***

O dia sem a Raquel na faculdade, foi um pouco entediante. Até deixei de pegar o ônibus até o brechó em ‘’homenagem” à minha amiga super sustentável. Ajudei a Cláudia a fazer a bainha de um vestido para a Solange, organizei na prateleira algumas bugingangas que haviam sido doadas, e usei meu tempo livre para terminar um desenho que eu havia começado a esboçar na minha agenda.

O meu projeto de arte no momento, se chamava Isabel. Era uma personagem forte, porém distraída de um livro que eu estava lendo. Um costume peculiar meu, é o de desenhar personagens dos livros que acompanho. No brechó haviam livros com algumas páginas rasgadas e mofadas, que ficavam no estoque pois não podíamos vender algo tão desgastado como aqueles livros. Eu então os lia, com muito ataque de rinite e coragem. Na maioria das vezes as histórias nem chegavam a serem interessantes, mas eu as acompanhava até o final para poder desenhar cada personagem novo que surgia com o passar dos capítulos.

Meu expediente acabou, fechei o brechó um pouco decepcionada com o fato de que a Raquel não tinha vindo me visitar. Mas eu a compreendia, e torcia para que ela estivesse melhor e tivesse aproveitado bem o dia.

Cheguei em casa quase sendo guiada pelo maravilhoso cheiro de óleo de hortelã que vinha da varanda. Raquel estava meditando sentada numa esteira na sacada. Fiz o menor barulho possível para não atrapalhar o momento. Mas não adiantou.

-Que bom que você chegou!-exibiu um sorriso ainda triste, despertando do transe.

-Como foi o dia?-perguntei lavando as minhas mãos na pia da cozinha.

-Tranquilo, digamos assim… a Dani deu uma passada por aqui, algum problema?

-Nenhum. Só espero que ela não tenha reparado na bagunça.

-Conversamos bastante. Ela me trouxe umas caixas de lasanhas veganas congelada, ainda sobraram umas duas e vou esquentá-las para você e para Maya.

-Obrigada!Mas não precisa, de verdade. Pode comer a lasanha da Maya, a bonitona tá fazendo dieta e não quer nem chegar perto de massa. Mesmo que o recheio seja vegano.

-Tem certeza?

-Absoluta. E deixa que eu esquento a comida pra gente, só espera um pouquinho até eu jogar uma água no meu corpo.

-Ok… obrigada.

-Não precisa me agradecer, anjo.

 

                                                              ***

-Eu espero que vocês não tenham nenhum compromisso para suas noites de terça e quinta.-Maya falou coma boca cheia de banana durante o café da manhã.

-Por que?-indaguei.

-Inscrevi as duas num grupo de terapia coletiva para jovens.

-Você o que?!-perguntei com espanto e um toque de raiva pelo fato de que mais uma vez Maya estava me tratando como uma criança. Raquel apenas nos observou com o olhar assustado.

-Isso mesmo. É sempre bom cuidar da saúde mental, e vocês duas precisam mais do que nunca priorizar essa área de suas vidas e exteriorizar os seus sentimentos.

-Pois bem… eu não vou. Sou maior de idade, pago minhas contas e não sou obrigada a aturar você me tratando como se eu tivesse quinze anos.

-Você está me dando motivos para te tratar assim, a partir do momento que começou a fazer birra!

-Eu não vou pra lugar nenhum! Eu estou bem e não quero ficar expondo os meus problemas para um monte de gente!

-Bem… acho que quero ir...-Raquel anunciou hesitante. A olhei com espanto. -Vai ser bom para mim… se não quiser ir, eu te entendo Lara…

-A Lara vai te acompanhar.

-Não vou pra merda de terapia nenhuma!

-Ah, você vai sim.

-Que merda cara!-deixei a mesa furiosa, mas com a noção de que eu realmente tinha sido infantil.

 


Notas Finais


Espero que tenha gostado! Obrigada pela preferência e até o próximo capítulo. :) xoxo


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