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História Lapsos Memóriais - Capítulo 14


Escrita por: Medus444

Capítulo 14 - Quero, Almejo E Eu Juro


Fanfic / Fanfiction Lapsos Memóriais - Capítulo 14 - Quero, Almejo E Eu Juro



Estava impaciente sentado naquela poltrona; esperando que Izuna, que havia chegado de viagem recentemente, lhe dissesse algo realmente importante. O mais novo ofereceu o convite à ele e para seus pais, agora que Izuna ficaria em Seattle talvez seus pais deixassem de se intrometer na sua vida e focassem apenas no caçula. Mas Madara sabia no fundo que Tajima e Midory tinham disposição o suficiente para atormentar os dois filhos. 


- Parece ansioso filho.. — sua mãe emitiu com sua doce e ácida voz, sentada a sua frente na mesa com a presença de seu pai ao lado dela — Já olhou para o relógio mais de cinco vezes desde que sentamos, o que te aflige? 


- Não há nada, mãe! — respondeu não desejando prolongar o assunto pelo mais óbvio motivo, Midory não precisava saber o por que ele queria estar bem longe dali, talvez na casa da praia.  


- Por que não vai viajar para Toronto com seu pai na próxima semana? 


- Tenho coisas para resolver aqui, não posso sair! — voltou a prestar atenção na comida que estava em seu prato, mas não foi o suficiente para fugir do olhar de reprovação de seu pai — Por que não falamos de Izuna? Tenho certeza que ainda há muito para contar, não é, irmãozinho? 


- Na verdade— Izuna iniciaria, mas foi rapidamente interrompido. 


- Quando irá contar para sua mãe, Madara? — Tajima pronunciou sem nenhuma alegria. 


Com um suspiro profundo e um revirar de olhos ele largou os talheres no prato, causando um estridente som após a atenção de todos estarem apenas nele. 


- Contar o que? — Midory perguntou, curiosa. 


- Que ele está de caso com uma paciente! 


- Primeiro, eu não estou de caso e se por acaso eu estivesse.. — retrucou, sustentando aquele olhar desafiador para o próprio pai — Ela já não é mais minha paciente! 


- Eu o conheço muito bem meu filho, não tente negar o óbvio, colocou ela dentro de sua casa! 


- Meu Deus, eu não estou ouvindo isso! — Midory exclamou — Quem é ela? Não me diga que... 


- Sim querida, é realmente aquela que eu mencionei que ele estava pagando por todo o tratamento! 


- Madara! — a mulher continuou pasma, e ele sabia que um surto estava prestes a vir caso ele não agisse logo — Você está ficando louco? Eu ainda não tive a oportunidade de dizer mas já é mais que nítido, essa menina só está usurpando você! 



Aquele era um dos grandes motivos para ele não participar dos eventos em família, qualquer mínimo efeito contrário ao esperado de Midory e Tajima eram o estopim para um grande desastre. E Madara estava longe de ter paciência para isso, ainda mais quando se tratava de um assunto tão delicado quanto aquele. 


Sakura estava se saindo extremamente diferente do esperado. As vezes não se pode explicar o que você viu naquela pessoa, talvez fosse aquela fragilidade e força que ela transmitia, ou simplesmente a maneira que a pessoa te faz se sentir o que ninguém mais consegue. Estava sempre tão focado no trabalho, preso à aquele hospital que nunca se atentou à aquelas pequenas sensações que a vida poderia proporcionar, e então as encontrou lá dentro de seu próprio ofício. 


Encontrou Sakura. 


Ou talvez ela o tenha encontrado. 


- Eu não pretendo ser indelicado mas vocês não acham que eu não tenho mais idade para que meus adoráveis pais se intrometam na minha vida? — pausou, ouvindo o pequeno e mascarado riso de Izuna ao seu lado na mesa — Como você mesmo disse pai, eu a coloquei na minha casa e estava pagando o tratamento dela com o meu dinheiro. Então qual o direito vocês tem de tentarem controlar o que eu faço ou deixo de fazer na minha vida? 


- Somos seus pais! — Tajima retrucou. 


- E é exatamente por essa razão que eu irei me retirar agora! — se levantou deixando qualquer outra coisa a não ser o restante de paciência para trás — Um excelente resto de noite para vocês! 



O quanto Madara se sentia irritado sob aquela constante pressão não estava descrito no papel, se não fosse seus pais a resposta com certeza seria curta e ainda mais grosseira. 


Eles já não detinham o direito de opinar sobre quem ou quando ele poderia ficar com alguém. Se é que poderia ficar com Sakura. Se é que ela desejava ficar com ele. Por que depois de sair daquele fiasco que não poderia ser chamado de jantar familiar, seu único e sublime pensamento, e desejo, era ir até ela e dizer o quão torturante era almejá-la em silêncio e em incertezas. Dizer que ela não sai de seus pensamentos desde o fatídico dia em que ela quase perdera a vida. 


Era um fato que Sakura precisava recomeçar uma vida nova por conta própria, teria de conquistar aquelas pequenas coisas que perdeu ; e sem motivo algum ele só queria ajudá-la e estar do lado da mulher incrível que nem ela mesma tinha ideia de que era. 

Quando ela lhe perguntou "por que você está fazendo tudo isto por mim? " pouco antes de aceitar a proposta de morar na casa da praia, ele não soube lhe responder, por que não havia motivos. Não há motivos quando se gosta de alguém, é simplesmente inexplicável o que os atos daquela pessoa terem se tornado a melhor parte do seu dia, mesmo que ela nem estivesse presente nele. 


Estacionou o carro assim que as grades do portão se abriram automaticamente, já fazia meses que não ia ali, Seattle não estava presisamente quente para se hospedar ali e ele estava longe de ter férias naquele período do ano. Seria bom ter alguém morando lá para ser mais exato, o lugar estava sozinho a muito tempo e quem melhor do que alguém que não lhe daria dor de cabeça. 


Tirou o casaco assim que passou pela porta, as luzes estavam apagadas e ele até cogitou em voltar e tocar a campainha apenas para chamar a atenção dela, mas bastou chegar à sala para ser recepcionado por um grito estridente vindo em sua direção. 


Sakura corria no escuro e por um trís ele não foi atingido pela frigideira que estava em suas mãos. Por sorte ela o reconheceu antes que aquele ato violento se concretizasse. 


- Madara! Você quase me matou de susto! — abaixou a frigideira que havia se tornado uma arma perigosa para ela naquele momento, tomou fôlego novamente antes de conseguir fixar seus olhos nele — Meu Deus... — Não sabia se estava envergonhada ou se ria de si mesma — O que você faz aqui à essa hora?


- Eu quase te matei de susto? Você quase me bateu com uma panela, Sakura! 


- Você não avisou que vinha e nem bateu na porta, queria que eu o recesse de que maneira? 


Madara encarou aquela cena e deixou que um riso escapasse depois que ela passou por ele indo em direção a cozinha, ele apenas continuou acompanhando os passos dela dali enconstado na parede sem dizer palavra alguma. 


Ela estava com as típicas meias grossas e com um pijama de lã branco cheio de listras cor de rosa, ainda que estivesse completamente desleixada aquilo era fofo no mínimo. Sakura devolveu a panela e indireitou a postura parecendo voltar a si, os olhos verdes foram de encontro ao dele novamente e dessa vez Madara encontrou um rubor naquelas bochechas que ele considerou adorável. 


- E-então.. não me respondeu.. — pareceu desconcertada — Eu sei a casa é sua mas.. —


- Só vim saber se você estava bem! — a interrompeu — Pedi a uma das empregadas da minha casa para vir aqui segunda-feira! 


- Não é necessário, Madara. É serio eu me viro muito bem.. 


- Eu sei que sim... Mas não gosto da sensação de te deixar sozinha! 


Tinha que admitir que aquela frase foi um dos atos mais impulsivos que tomou durante o dia todo, mas não mudaria nenhuma de suas palavras. 


Se aproximou em passos lentos, não esperava que o silêncio dela cessasse, queria que ela continuasse daquela mesma maneira. Quieta, com os olhos arregalados e brilhantes em sua direção, esperando qualquer ato dele. 


- Você é tão bonita, Sakura...  


Ela paralisou. Tanto com a proximidade quanto com o cheiro dele que estava entorpecendo cada neurônio que ainda funcionava. 


- A única coisa que me impede de te beijar agora é a sua aprovação.. não estamos em uma clínica, você não é mais minha paciente.. — sussurrou, suas mãos foram até a bancada prendendo o corpo da garota entre seus braços — Eu sei o que eu quero e não pretendo te precionar a nada.. — seus olhos desceram até os lábios que se encontravam entreabertos, perfeitamente rosados e cheios, podia sentir a tensão nela e se pudesse ler mentes saberia que ela estava prestes a entrar em pânico — Mas preciso que me diga o que você também quer!  


Sem querer ou por querer, ela se pegou desejando ele do modo mais inusitado possível, mas ela não podia negar o óbvio. E o óbvio era que queria sentir o gosto dele, naquele momento. E por essa razão colou sua boca à dele sem esperar mais nenhum segundo. 


As mãos dele deslizaram para a cintura dela causando aquela pressão tentadora, ainda a segurando Madara a levantou, fazendo-a sentar sob o balcão para que pudesse ficar a sua altura. Sem dar chance alguma daquela mulher escapar de seus braços. 


As bocas se encontraram afoitamente, Sakura não entendia quando foi que se tornou tão competitiva mas travava uma luta contra a língua quente dele, uma luta onde nenhum dos dois tinha a intenção de ganhar, apenas se tornarem vítimas do que poderia acontecer. Conforme as bocas deslizava uma na outra uma necessidade crescia por contato e ela levou as mãos em direção ao cabelo longo e negro que ele possuía, afundando seus dedos ali. 


Tudo era tão bom, o lábio macio, o toque misto de suave e abrupto. A forma como ele a mantinha refém sem esforço algum... 


Seu coração se agitou ao ouvi-lo dizendo aquelas palavras, sentindo aquelas palavras. 


E então ela parou. 


Impulsivamente ela o empurrou, Madara cerrou os olhos confuso com o ato, estavam indo bem, não estavam? 


Sakura começou a abanar o rosto com as próprias mãos, seu olhar estava perdido mas um sorriso bobo queria aparecer em sua boca que estava levemente avermelhada agora diferente de seu habitual rosa. 


- Meu Deus! Está calor! — tomou fôlego novamente apenas para não perder a cabeça e prosseguir naquele beijo — Você não pode fazer isso! 


- O que? Você quis! — indagou, ainda mais confuso. 


- Você não pode me disser uma coisa dessas tão repentinamente por que.. por que.. — estava trêmula, não desejava lhe passar a imagem errada — Por que eu posso reagir dessa maneira impulsiva, sem pensar em minhas consequências! Por que eu quero estar com você até nos momentos em que não podemos estar juntos, até parece que eu conseguiria te olhar e não te querer, Madara. E sabe... eu não tenho estabilidade nenhuma em toda essa minha vida, mas de você.. — pausou, se aproximando novamente devagar, agora com a respiração controlada da maneira que podia — De você eu só quero certezas.. por que você é tudo que eu tenho, e eu não quero perder! 


Madara teve que se conter para não voltar a beijá-la e fazer todas as outras coisas que sua mente poderia imaginar naquele instante. Mas não era isso que o momento exigia e ele entendia ela, entendia o fato de que ela precisava de muito mais do que ele precisava no momento. Ela precisava de alguém ao seu lado, de alguém que segurasse sua mão quando ela tremesse e a abraçasse quando seu mundo estivesse prestes a desabar. 


Alguém que apenas estivesse ali. 


 - Se é isso o que quer, eu estou aqui agora e não pretendo sair até que me mande! 


- V-você jura? 


Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer, mas está tudo bem. Eles não precisavam de muito e não queriam muito, queriam apenas mais. Mais paz. Mais saúde. Mais verdades esclarecidas e certezas. Mais harmonia entre noites bem, e mau, dormidas. 


Mais eu.


 Mais você.


 Mais sorrisos, beijos e aquela vontade de se ter. Ela queria o "nós". Eles grudados. Enrolados ou amarrados. Jogados num tapete na sala, formando nós que não atam nem desatam. Querendo apenas. Querendo domingos de manhã numa cama desarrumada, lençol, café e travesseiro.


 Seu beijo. 


Seu cheiro.


 - Eu juro, Sakura!  







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