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História Las Vegas: o assassinato - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Um antigo sonho


2 anos atrás...

Mary estava entrando em seu apartamento minúsculo em uma espelunca de dois andares suja e decadente, para não dizer caindo aos pedaços.

A jovem de pele morena largou a bolsa barata juntamente com as chaves em cima da mesa. Ouviu um miado então chamou:

— Sebastian, vem aqui meu amor. — disse mas não viu o gato se aproximar como geralmente fazia — Sebastian?

Ouviu outro miado mas nada do gato. Desconfiada, a morena pegou o celular e deixou-o preparado para ligar para a polícia, enquanto na outro mão segurava seu canivete.

Olhou pelo corredor, deu uma espiada no quarto e então se dirigiu a sala.

— Bem vinda ao lar — disse a antiga amiga sentada no sofá.

— Gabrielle! Você me assustou! Como entrou aqui?

— Janela. — respondeu a castanha de pele clara, olhos verdes e sardas — Você nunca foi de checar se estava tudo chaveado antes de sair, estamos no bairro com maior índice de criminalidade, devia tomar mais cuidado.

— Te garanto que vou, agora quer me dizer o que faz aqui? E como me achou?

— Essas coisas não são difíceis de descobrir. — falou ainda fazendo carinho no gato enquanto sua jaqueta de couro fazia barulho com o atrito do movimento do braço — Por que não senta? Preciso falar com você, uma proposta de negócio.

— E você não podia ligar e marcar um local de encontro como uma pessoa normal?! Não vai me dizer que a proposta envolve drogas, armas e crimes, vai?

— Bem...

— Eu já esperava — disse suspirando.

— Mas não é como você está pensando, estou falando sobre o nosso antigo sonho.

— Antigo sonho?

— Aquele, sobre abrir um cabaré.

— Você não pode estar falando sério... Nós tínhamos 15 anos! Você realmente considerou essa idiotice?

— Mary, escuta... Uma amiga minha de Las Vegas conhece um cara que está vendendo um antigo bar, tem palco, balcão, mesas, alguns cômodos que podemos usar de quartos... O preço está super em conta e a gente faturaria horrores!

— Você só pode estar louca... É um risco muito alto e as chances de tudo dar errado são enormes.

— Eu sei que é difícel mas eu peço que confia em mim só dessa vez, porque se isso der certo, e vai dar certo, nós vamos ficar ricas. Qual é Mary, onde está aquela garota que deu a ideia de abrir um cabaré no nono ano? E acho que você gostaria de sair dessa espelunca, parar de pegar ônibus lotado, comer bem,... Acho que Sebastian sente falta de ração de verdade, não é garoto? Você quer comer salmão no café da manhã, não quer Sebastian?

— Tá! Tudo bem! Mas com uma condição.

— Qual seria?

— Se tudo der errado quero que me recompense.

— Recompensar como?

— Paga minha viagem de volta para casa e mais uma pequena quantia.

— Eu não estou preocupada, sei que vai dar certo.

— Que os deuses te ouçam.

Passou-se uma semana até a morena receber uma ligação.

Estava com sua habitual regata, sentiu-se arrepiar com a presença do vento e vestiu seu fino casaco preto. Deu seu nome na portaria e subiu pelo elevador, este era novo, todo inoxidado com espelhos. O prédio inteiro era milhares de vezes melhor que o seu.

Apartamento 402, a porta ficava distante do elevador e não era apenas pela diferente forma de numeração, os apartamentos eram maiores permitindo um maior espaço entre as portas, ao contrário da pensão cheia de ratos onde Mary vivia.

A porta branca de madeira com o número 402 em letras de metal fora aberta após algumas batidas e atrás dela encontrava-se uma mulher jovem, mais nova que ela, com os cabelos castanho acinzentados, antigamente cacheados agora permitindo uma franja que lhe dava um ar retrô. Roupas simples que lhe davam um ar de garota: blusa branca deixando os ombros e barriga a mostra e legging preta marcando bem suas pernas e cintura finas.

— Oi, Liz — disse Mary sem jeito, fazia algum tempo que elas não se viam.

— Oi, entra aí — falou virando as costas.

A morena entrou fechando a porta atrás de si, dirigiu-se a sala elegante com sofás de couro branco e encontrou outras 4 garotas, entre elas Gabrielle com sua típica jaqueta de couro harmonizando com as tatuagens nos dedos.

— Bem vinda senhora atraso, só faltava você — disse a castanha.

— Velhos hábitos nunca morrem pelo visto — disse Yasmim, uma morena de pele clara parecida com Gabrielle, com quem já teve um caso no passado, porém seu cabelo era uma mistura de ondulado e cacheado com volume enquanto Gabi tinha os cabelos quase lisos e sem volume algum.

Outra diferença entre elas são seus olhos, Gabrielle possuía olhos verde escuros enquanto Yasmim possui um belo par de olhos castanho amendoados que ficam ainda mais belos no sol. Seus corpos também possuíam uma diferença gritante, enquanto Yasmim era mais encorpada com quadril largo, bunda e seios fartos, Gabrielle era magra em todos os sentidos além de mais alta.

— É bom ver que não mudaram nada depois de tanto tempo — comentou Isadora, uma loira com cabelos longos e uma mecha quase invisível rosa camuflando-se entre seus fios claros.

Isadora era loira mas também a menos patricinha do grupo, tinha ombros mais largos, era alta e vestia sempre uma camiseta preta ou branca. Dessa vez não fora diferente, além da camiseta preta usava um short jeans qualquer e o primeiro tênis que achou.

— Realmente, vocês continuam as mesmas... Exceto a Lizi — falou Vanessa, outra morena porém com pontas vermelhas. Essa era baixa e usava camisas de botão estampadas.

— Só fico mais gostosa — exibiu-se a de franja.

— Gente, vamos focar no que importa. Viemos aqui para falar sobre o negócio que vamos abrir — interferiu Gabrielle.

— O puteiro, você quer dizer — interrompeu Lizi acendendo um cigarro.

Agora Mary entendera de onde vinha o cheiro de cigarro que pairava no ar.

— Pode funar aqui dentro? — perguntou Isadora.

— Óbvio.

A loira tirou uma embalagem de balas feita de lata do bolso, pegou um baseado e um isqueiro.

— Alguém quer?

Gabrielle roubou o cigarro de maconha de sua mão antes que esse fosse acesso.

— Você sabe que eu estou saindo com um policial, né? — disse Lizi.

— Ei, me devolve!

— Depois da reunião você pode se drogar, por enquanto tem que ficar sóbria. Enfim... Todas já sabem sobre o que viemos tratar. Abriremos uma... "Casa noturna" em Las Vegas, do jeito que comentamos a... Alguns anos. No início seremos apenas nós, depois podemos contratar algumas garotas que cobrem baixo. Eu e Mary administraremos, enquanto estivermos abertos eu cuido dos drinks, Lizi no pole dance e quem estiver sobrando revesa para trocar os lençóis e arrumar as camas.

— Então só nós faremos o trabalho duro? — perguntou Yasmim — Você e Mary ficam no fácil, é isso?

— Claro que não, também ajudaremos... Nisso.

— Prostituição. Fale a palavra. Se vamos entrar realmente nisso precisamos estar cientes do que vamos fazer. Nós vamos nos vender, e depois que tiver começado, não vamos poder fazer nada se não continuar, desistir não é uma opção.

— Nossos corpos não são um preço alto por viver uma vida de luxo — disse Lizi em meio a fumaça.

— Exato, é nossa chance de sair desse subúrbio! Trocar os ônibus lotados por carros importados de luxo, trocar o pão com margarina por lagosta e champanhe. Ou vocês querem continuar vivendo em meio aos ratos? — motivou Gabrielle — Eu sei que não sou a única vivendo em um apartamento apertado como uma gaiola em uma espelunca barata caindo aos pedaços.

— Eu estou dentro, mas você já sabe disso — falou Lizi.

— Por que está participando disso, Elizabeth? — perguntou Yasmim — Sabemos que não precisa de dinheiro como nós.

— Ora, pela diversão, é claro. Além do mais, ganho meu dinheiro de homens ricos e geralmente velhos, não muda muita coisa. A única diferença é que meus clientes serão mais jovens, eu poderei escolher para quem quero dar, posso rejeitar clientes, não precisarei dar satisfação e passar tanto tempo com cada um deles... E posso voltar a arranjar sugar daddys por lá, dessa vez mais ricos e mais bonitos! — animou-se a menor — As aventuras da super gostosa que tira dinheiro de velhinhos ricos continua.

— Isso daria uma bom livro — Mary.

— Puta Adventure: dando do Brasil a Las Vegas — brincou Gabrielle fazendo gestos com as mãos.

— Uma profissão certamente honrada — provocou Vanessa.

— Eu não ligo para o que você pense, eu estou dentro independente do resto.

O silêncio se pôs na sala.

— Eu também estou dentro — falou Mary — É minha única chance.

— Vanessa, sua chance de ter dinheiro para fazer quantas tatuagens quiser. Isadora você vai poder ir em todos os shows dos seus ídolos. — Gabi tentava convencê-las — Yasmim... Eu sei que você precisa de dinheiro para pagar o tratamento da sua avó, ela precisa desse dinheiro e rápido, você não vai ter outra oportunidade.

— Eu cansei de viver no lixo e usar maconha barata — proclamou Isadora — Estou dentro.

— Eu não tenho escolha de qualquer forma... — disse Yasmim suspirando.

— Vanessa? — perguntou Gabrielle — Vamos lá, você sempre quis sair do Brasil, viajar o mundo, fazer tatuagens, ter carros velozes. Ou você já esqueceu daquela garota que sonhava em ganhar a vida fazendo música lá fora?

— Vocês estão fodendo a minha vida... Mas já está tudo uma merda igual, então... Foda-se, estou dentro.



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