História Last Breath - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P, EXO
Personagens Baekhyun, Bang Yongguk, Chanyeol, Chen, D.O, Daehyun, Himchan, Jongup, Kai, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin, Youngjae, Zelo
Tags Bangtan Boys, Bts, Demonios, Exo, Fallen In Love Anjos
Visualizações 6
Palavras 4.062
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá ♥ Tudo bem com vocês? Espero que sim :)

Desculpem-me pela demora para postar. Mas eu prometo que atualizarei sempre que der, okey? Não desistam de mim ♥ Eu acho que nunca vou parar de escrever, não importa o quão ocupada eu esteja com o trabalho ou com a escola :3 Ah! Eu quero agradecer a todas as pessoas que estão comentando e acompanhando, especialmente, a Downpour ♥ Sem mais delongas, vamos ao capítulo :)

Me desculpem pelos erros e Boa leitura ♥

Capítulo 3 - O pavão é a ave do Paraíso.


Fanfic / Fanfiction Last Breath - Capítulo 3 - O pavão é a ave do Paraíso.

──── ★ ────

Após terminar de arrumar as minhas coisas em meu quarto, fomos jantar todos juntos. Vovó nos contou suas aventuras na lanchonete quando ainda estava trabalhando, nos contou sobre a maravilhosa dança com um multidão de pessoas que estavam na praça da cidade, em um evento de kpop no mês passado. 

Nos contou também que, finalmente foi em um show do Seventeen antes do vovô falecer no ano passado, por causa de um câncer no figado. Sei o quanto foi difícil para ela seguir em frente e superar a perda. Lembro-me das diversas cartas que ela escreveu para mim sobre tudo que estava sentindo. Mesmo ensinando-a mexer no celular, vovó gosta de sentar na pequena e velha escrivaninha de madeira em seu quarto, e deixar os seus pensamentos transbordarem em um papel branco. Ela sentia-se melhor do que se prender em um aparelho eletrônico. Na minha opinião, é muito mais lindo ganhar cartas do que textos de mensagens. 

Mas infelizmente, hoje em dia ninguém mais escreve cartas. Elas foram apagadas com o tempo e perderem o seu brilho nos olhos da sociedade. Eu também gosto de escrever embora, só tenha escrito e enviado para um única pessoa. 

A primeira e última carta que escrevi foi para o Luhan e ficou junto com ele, em seu túmulo. Ninguém, além de nós dois, sabe o que está escrito.

Vovó também nos contou que a lanchonete Blu&Colors faliu mês passado e que sua melhor amiga comprou o local. Ela abriu um salão de beleza, onde vovó se tornou uma subgerente especial. Nunca me surpreendi com a popularidade dela, para uma mulher doce ser bastante famosa, precisa ter um bom coração. E todos sabem que ela tem. Jongup parecia estar encantado com cada detalhe que ela nos contava, com as velhas histórias da sua infância e sobre o seu relacionamento com o vovô. Eu adoro ouvir a história de como eles se conheceram. Naquela época, o vovô era seu vizinho e eles gostavam de enviar cartas um para o outro, até que tiveram coragem para se encontrarem no jardim atrás da casa, aos quinze anos de idade. Vovó teve que levar uma cadeira para poder subir e ficar com os braços cruzados em cima do muro enquanto ele, teve que subir em um galho de árvore para poder vê-la. 

Isso não é romântico?

Quando deu meia-noite e vinte, meus olhos começaram a pesar e fui obrigada a ir para cama, após dar um forte abraço na mulher da minha vida. Deixei os dois conversando na cozinha e me deitei no colchão macio que eu tanto sentia falta. As cobertas ainda estão com o mesmo cheiro de sempre, o quarto escuro está sendo iluminado pela fraca luz da lua que entra pela brecha da cortina verde clara. Eu não sei o porquê de estar com sono, para ser sincera, nunca dormi duas vezes no mesmo dia. Quando pegamos o avião para vir para a minha cidade natal, eu não adormeci nem por um segundo e agora, parece que meu corpo precisa recuperar as energias que faltam. 

Fechei os meus olhos por alguns segundos e deixei um suspiro escapar pela minha boca, fazendo uma pequena fumaça no ar. Quando um vulto negro passou rápido bem próximo ao meu rosto, me sentei rapidamente na cama com o coração acelerado no peito, e olhei para o local aonde ele havia se escondido: o canto do quarto e o lugar mais escuro. Sinto que tem alguém ali me vigiando, como todas as noites. Estiquei meu braço devagar, sentindo meus dedos tremerem e meu corpo congelar. Quando puxei a cortinha do abajur, me desesperei por ver que a lâmpada não acendia. Puxei várias vezes e deixei que o pânico tomasse conta de mim. Chutei as cobertas para longe ao ouvir uma respiração pesada vindo do escuro, corri em direção a porta e quando a abri com força, me esbarrei em Jongup no corredor.

— O que foi? — Ele perguntou segurando os meus ombros com as duas mãos. 

— Eu… — Tentei me acalmar e coloquei a mão na testa. Essa sensação nunca ficou tão forte antes. — Me deixa dormir com você? — Perguntei, com a respiração ofegante. 

— Claro que sim. — Jongup franziu as sobrancelhas e abriu a porta do seu quarto. — Parece que você viu um fantasma. 

Talvez eu tenha visto mesmo um fantasma.

— Obrigada. — Eu entrei no quarto sem olhar para trás. 

Pedi para ele ir buscar um dos meus travesseiros, pois eu estava com muito medo de voltar lá, e enquanto ele estava fora do quarto, eu me peguei ainda tremendo, sentada na cama. Desde que o Luhan morreu, sinto algumas coisas estranhas. Vultos negros passam como um raio pelos meus olhos e essa sensação de que tem alguém me seguindo, nunca me deixou fechar os olhos durante a noite. 

— Você está bem, mesmo? — Jongup perguntou, jogando o travesseiro em minha direção e fechando a porta atrás de si.

— Eu estou bem. — Menti, arrumei a cama e logo me deitei. 

O silêncio pareceu reinar por alguns segundos entre nós.

— Está ansiosa para começar as aulas? — Jongup sabia quando ignorar uma resposta e eu sempre o agradeci por isso. 

— Claro. — Respondi, virando-me para o lado quando as suas mãos tocaram o moletom preto e o puxaram para cima, tirando-o de seu corpo logo em seguida. Jongup e eu temos uma intimidade que nenhuma outra amizade entre um homem e uma mulher tem. Claro que eu não tiro a minha blusa na sua frente, mas não me sinto envergonhada perto dele. No fundo, sei que ele não gosta de mim. Está claro que Jongup sabe como separar a amizade, da paixão. E eu admiro isso nele. Jongup não mistura as coisas, somos como irmãos e sempre será assim, okey? — Estou ansiosa para conhecer os professores.

— E eu estou ansioso para conhecer as garotas. — Jongup brincou, deitando-se ao meu lado na cama. 

— Será interessante ver você envergonhado, de novo. — Brinquei também, sorrindo. 

— Eu não fico envergonhado. — Ele fez um biquinho triste e depois, se virou para ficar de costas para mim. — Boa noite, Soo Hyun. 

— Boa noite, Moon Angel. — Abracei a coberta contra o peito e mesmo sabendo que não irei conseguir dormir, fechei os olhos. 

──── ★ ────

Esperei o relógio em cima do criado mudo marcar seis horas em ponto para poder levantar da cama e tomar um bom e demorado banho quente. O suor em minha testa, deixa uma sensação agonizante por todo o meu corpo. Abri a porta do quarto devagar para não acordar o Jongup, que está dormindo feito um bebê na cama, todo encolhido e com os ombros para fora da coberta grossa. Fiquei encarando a porta do meu quarto por alguns segundos e juntando forças para conseguir entrar. Girei a maçaneta da porta e finalmente, entrei naquela escuridão. O quarto continua do mesmo jeito que ontem, mas a única diferença é que aquela sensação de que tem alguém me observando, não está mais presente. Suspirei aliviada, pequei uma roupa limpa dentro do guarda-roupa, a toalha pendurada na parede e fui para o banheiro. Tirei a minha roupa e coloquei no cesto de roupa suja, quando a água começou a esquentar, eu coloquei o meu corpo embaixo dela e fechei os olhos, na tentativa de relaxar um pouco.

Não consegui dormir direito. Para ser sincera, nem consegui piscar os olhos sem pensar naquele suspiro. Eu já tinha sentido essa sensação antes, mas nunca tinha ouvido nada parecido e muito menos visto um vulto passar tão perto do meu rosto. Talvez, eu esteja ficando louca. Se as coisas piorarem, serei obrigada a contar para alguém para não enlouquecer sozinha. Já pensei em contar para o Jongup sobre os meus pesadelos e sobre esses vultos, mas não acho que ele entenderia. Acho que a maioria das pessoas me chamariam de louca e eu não as culparia por isso. Por isso, tenho medo de contar. A minha avó acredita em espíritos e santos, Deus e que o mundo ainda se tornará um lugar melhor, mas não sei ela entenderia caso eu lhe contasse. Ouvi alguém bater na porta, três batidas de leve me fizeram desligar o chuveiro e pegar a toalha.

— Já vou sair. — Respondi um pouco baixo para não acordar a vovó. Jongup deve ter acordado cedo também. Infelizmente, essa casa só tem um banheiro e por isso, não posso demorar mais do que o necessário ou me perder em meus próprios pensamentos. Vesti a calça jeans clara, uma blusa preta de mangas cumpridas e sequei o meu cabelo com a toalha. Nem pedi meu tempo penteando os fios castanhos e vesti o meu all star escuro, que precisa urgentemente de um banho. Ouvi mais duas batidas na porta, dessa vez, mais forte. Encarei a madeira sem entender o porquê do Jongup acordar com raiva.

Ele nunca fica com raiva. Por isso que eu o chamo de Moon Angel.

Abri a porta pronta para perguntar o que houve mas me encontrei sozinha no corredor. Não havia ninguém batendo na porta. Será que ele bateu e voltou correndo para o quarto? Revirei os olhos ao pensar nessa possibilidade. Apesar de ser um ano mais velho do que eu, Jongup gosta de brincar com a minha paciência pela manhã.

— Isso não tem graça, Moon. — Digo, abrindo a porta do seu quarto com força. Para a minha surpresa, Jongup deu um pulo na cama e acabou chutando as cobertas para longe, deixando-as caírem no chão.

— O que eu fiz? — Ele perguntou, assustado. Seus cabelos loiros estão bagunçados e os seus olhos inchados, são a prova de que ele acabara de acordar. Sua bochecha está com a marca do travesseiro e ele colocou a mão no peito para poder acalmar o coração. — Você me assustou.

— Não era você que estava batendo na porta do banheiro?  — Perguntei com medo de saber a resposta.

— Não. Eu acabei de acordar.  — Jongup se levantou, pegou a camisa jogada em cima da escrivaninha e a vestiu. — Que horas são? 

— São seis e cinquenta  — Respondi, olhando para o relógio e assustando-me com os ponteiros. Por quando tempo eu viajei dentro do chuveiro? — Você dormiu bem? — Cruzei os braços e me encostei na porta enquanto ele arrumava os cabelos na frente do espelho. Eu queria acreditar que não tinha ninguém batendo na porta do banheiro. Queria acreditar que não estou ouvindo coisas ou ficando louca. Talvez seja a minha própria consciência pregando uma peça com a realidade. 

— Hum. Não dormi muito bem. — Ele respondeu, abrindo a porta do guarda-roupa e vestindo a jaqueta de couro preta. — Tive um pesadelo. 

Pesadelo. Faz tempo que não sei o que é ter uma boa noite de sono. Massageei a minha nuca com as duas mãos sentindo uma dorzinha chata me incomodando.  

— E você, Soo Hyun? — Voltei para a realidade no momento em que a sua voz chamou pelo meu nome. Jongup está parado na minha frente com a mochila preta nas costas. 

—- Desculpe, o que você perguntou? — Perguntei, um pouco sem jeito.

— Você está dormindo acordada? — Jongup sorriu de um jeito brincalhão. — Perguntei se você dormiu bem.

— Ah! Eu dormi bem sim. — Menti, saindo do quarto.

— Eu não acredito mais nessa resposta. — Ele disse entrando em meu quarto e pegando a minha bolsa marrom em cima da cadeira, perto do criado mudo. — Confessa de uma vez que você não está dormindo bem ultimamente? Isso me deixa bastante preocupado.

— Eu vou marcar um médico. — Peguei a bolsa da sua mão e joguei em meu ombro esquerdo. — Preciso tomar remédios para dormir.

— Ou você precisa começar a trabalhar em uma padaria para cansar bastante. Ou engordar. — Ele sorriu de um jeito bobo e colocou o braço ao redor do meu ombro. — Vamos comer alguma coisa?

— Não sei se vai dar tempo. — Abri a porta da frente com a chave extra que vovó fez para mim e nós dois saímos. — Precisamos pegar o ônibus das sete horas. 

— É aquele ali? — Jongup perguntou, apontando para um ônibus que acabara de passar bem em frente ao ponto em que nós precisávamos estar.

— Não acredito! Que horas são? — Tranquei a porta e joguei a chave dentro da bolsa. 

— São sete e cinco. — Ele respondeu, olhando para o relógio na tela do celular. — As horas passaram rápido ou o nosso relógio que atrasou?

— Que droga! — resmunguei baixinho. — Vamos chamar um táxi?

— É a nossa única e última opção, não é? — Ele apertou de leve as minhas bochechas. — A culpa é sua por não me acordar na hora certa.  

— Culpa minha? Você que não colocou o celular para despertar. — Revirei os olhos, tentando não rir enquanto ele procurava o número do taxista. — Vamos nos atrasar no nosso primeiro dia de aula. 

──── ★ ────

O carro estacionou bem em frente a Sungkyunkwan University. Meu coração disparou no peito de alegria e Jongup bateu a porta com mais força do que nunca ao fecha-la. O motorista nos olhou feio e deu a partida. 

Não pude deixar de soltar uma risadinha baixa.

— Eu não consigo acreditar que finalmente estamos aqui! — Jongup disse, colocando o braço ao redor do meu ombro e me puxando. 

— Parece um sonho! — Nós subimos alguns degraus para podermos entrar pela porta da frente, onde tem o símbolo da faculdade estampado em um cartaz grande e colorido. A nossa visão ao sairmos do prédio, é de um grande gramado verde, com algumas árvores enfeitando o local e alguns bancos para os alunos se sentarem na hora do intervalo, para relaxarem. Fiquei surpresa ao me deparar com um enorme corredor ao passar pela porta de vidro. 

As portas das salas são todas de vidros e estão fechadas. Algumas pessoas passam por nós, nos olhando curiosas e carregando alguns livros nas mãos. Rostos desconhecidos preenchiam todo o lugar e eu gostei disso.

— Qual é mesmo o andar da nossa sala? — Jongup perguntou baixinho. 

— As aulas de psicologia ficam no último andar. — Respondi, lembrando-me do pequeno texto na caixa de e-mail que a universidade me enviou na semana passada, para confirmar a minha presença nesse mês de julho.

— Ótimo. Vamos subir as escadas? — Jongup segurou o meu braço mas antes que ele pudesse me puxar, eu o impedi. 

— Tem um elevador, Moon. — Falei, quase entrando em pânico de tanta felicidade. 

— Eu não acredito! — Ele disse, colocando a mão na boca para tentar disfarçar a surpresa. — Vamos! Vamos! Já nos atrasamos demais. 

Sem que eu pudesse expressar a minha felicidade, nós dois corremos em direção a porta e apertamos o botão do elevador. A minha vontade é de pular, gritar ou sair correndo pelos corredores de braços abertos. Luhan provavelmente faria isso se estivesse aqui. Eu o conheço muito bem para saber que ele teria coragem para cometer uma loucura e aprontar logo no primeiro dia de aula. Meu coração se apertou no peito por sentir tanta falta dele. Onde quer que esteja, espero que ele sinta orgulho de mim. Assim que a porta se abriu, um garoto de cabelos escuros encaracolados arregalou os olhos ao me ver. Devo admitir que também me assustei pela sua atitude. Ele está usando uma blusa de gola alta branca e um sobretudo preto com um grande decote em V. Seus olhos escuros me observam dos pés a cabeça enquanto seus lábios formam uma linha reta.

— Eu estou tão nervoso. — Jongup disse, me empurrando de leve para dentro do elevador quando percebeu que eu não iria entrar. 

Pensei que esse garoto fosse sair, mas no momento em que a porta se fechou, ele deu um passo largo para o lado. Parecia estar com medo de mim ou assustado. Será que ele tem fobia social? Dei de ombros, tentando me manter calma. Fiquei encarando o nosso reflexo no espelho e me peguei o observando enquanto Jongup tagarelava sobre alguma coisa que eu não estava prestando a atenção. Eu não conseguia ouvi-lo. Não conseguia prestar mais atenção em nada, além desse garoto. Esse doce perfume… Eu já senti em algum lugar mas não me lembro onde. Seus dedos brincam com os fios tingidos de vermelhos de uma forma rápida, como se ele não conseguisse tranquilizar-se. Quando ele virou o rosto e me olhou nos olhos através do reflexo, senti um arrepio por todo o meu corpo. Uma sensação estranha invadiu o meu peito e eu senti a minha pele esquentar.

Senti como se, os meus olhos e todo o resto do meu corpo estivessem pegando fogo. Lembrei-me do pesadelo que tive, da agonia que senti e desviei o olhar com os olhos cheios de lágrimas. Aquele garoto do meu sonho, parece ser tão familiar agora. Franzi as sobrancelhas ao apertar os olhos com força.

— Soo Hyun? — A voz do Jongup me fez relaxar.

Eu não estou sozinha.

— O que foi? — Perguntei, limpando o meu rosto o mais rápido que consigo para disfarçar as lágrimas que, eu não sei o porquê de estarem escorrendo. 

— Você está bem? — Jongup perguntou de um jeito fofo. Quando a porta do elevador abriu, o garoto estranho foi o primeiro a sair. 

Seu ombro esbarrou no meu. E foi o suficiente para fazer a minha mente viajar e voltar para aquele sonho por alguns segundos, onde estou correndo sem parar por uma floresta escura e em chamas, segurando firme a mão de alguém. Em câmera lenta, observei em silêncio e com os olhos arregalados, ele virar um pouco a cabeça e fixar os olhos nos meus, antes de sumir do meu campo de visão.

Minha garganta secou e eu senti um formigamento no local aonde ele havia tocado com uma certa violência.

— Eu estou bem. — Respondi, saindo atrás dele e o seguindo em direção ao final do corredor. 

— A nossa sala é a K3, não é? — Jongup perguntou, caminhando ao meu lado.

— Disso você se lembra, não é mesmo? — O provoquei, sorrindo.

— Mas é claro que eu lembro. Tem uma garota com o mesmo nome da ex-namorada do Kris. — Jongup ajeitou a gola da blusa enquanto eu observava aquele garoto andando. De costas, ele parece um desconhecido qualquer, mas aqueles olhos…São familiares. Seus passos largos e o sobretudo voando por causa do vento fresco que entra pela grande janela no final do corredor, me deixam paralisada. A claridade refletia ao seu redor, me deixando encantada com tanta beleza. Quando ele virou-se para olhar para trás, uma claridade quase surreal o fez brilhar, quase parecia que ele tinha asas. Pisquei várias vezes, tentando entender o que realmente aconteceu quando ele deixou um leve sorrisinho malicioso escapar no canto dos lábios. — O único problema é que eu esqueci o nome dela. 

— A Yeon Joo? — Perguntei, torcendo para a minha sala ser a mesma que a dele quando o garoto misterioso abriu a porta de vidro e entrou. — Você ainda é apaixonado por ela? 

Respirei fundo, olhando a pequena placa em cima da porta e sorri satisfeita com o resultado. Estou na mesma sala que ele.

— Claro que não. — Jongup deu de ombros. Eu sabia que ele estava mentindo pelo tom da sua voz. — Eu só quero ter a certeza que é ela para ficar bem longe.

— Bom Dia. — A nossa nova professora nos cumprimentou com um enorme sorriso nos lábios quando Jongup e eu entramos na sala. — Sejam muito bem-vindos. 

— Obrigada. — Agradeci, com um sorriso tímido no rosto. 

— Estou tão feliz por estar aqui. — Jongup disse, respirando fundo. 

— Claro que está. — A professora revirou os olhos e alguns dos nossos novos colegas sorriram, achando graça do seu jeito bobo. — Me chamo Song Jae Hee. — Ela colocou um livro grosso em cima da mesa e apoiou as duas mãos na madeira. Seus cabelos são curtos, ela está usando uma jaqueta branca e um vestido azul claro. 

— Meu nome é Moon Jongup. — Meu melhor amigo respondeu, caminhando alegremente porém, de uma forma engraçada e tímida em direção a penúltima carteira na fileira perto da janela. 

— Meu nome é Oh Soo Hyun. — A cumprimentei fazendo uma referência logo em seguida.  — É um prazer conhecer todos vocês. — Abaixei a cabeça e caminhei em direção a terceira carteira vazia, também do lado da janela. 

— Bom, já que conhecemos os alunos novos, vamos voltar ao assunto? — A professora olhou para o fundo da sala com uma expressão diferente, que me deixou confusa e curiosa. Franzi as sobrancelhas e quando virei o rosto para ver quem ela estava encarando, avistei um garoto sentado com os braços cruzados e o rosto escondido entre eles na carteira, a touca preta cobre os seus cabelos e metade de seu rosto, deixando apenas os lábios á mostra.

Algo me diz que, ou ele está morrendo de sono ou está muito entediado. 

Aquele garoto ruivo está do outro lado da sala, sentado na minha reta, com os braços cruzados em cima da carteira e com os olhos fixados no caderno aberto.

— Qual era mesmo a pergunta, senhorita Choi? — A professora perguntou, chamando a minha atenção e me fazendo focar no que realmente importa.

— Por que todos dizemos que o povão é a ave do paraíso? — A garota perguntou, mexendo o lápis entre os dedos. Ela tem cabelos castanhos curtos, na altura dos ombros, está usando uma calça preta, e uma blusa vermelha. — Desculpe-me por fazer essa pergunta que foge tanto do assunto mas, eu gostaria muito de saber sobre isso.  

— Ele é a ave do paraíso pela impressionante harmonia de suas formas e pela riqueza de suas cores. — O garoto ruivo respondeu, mexendo nos cabelos e sem tirar os olhos do caderno. — O pavão é um animal associado à beleza e à perfeição. — Agora, ele levantou o olhar para me encarar.

— Essas aves também são famosas por comerem plantas e serpentes sem apresentar qualquer problema e isso faz com que, suas penas simbolizem incorruptibilidade, capacidade de regeneração e triunfo sobre a morte. — O garoto de capuz preto respondeu, erguendo a cabeça e abrindo os olhos. Ele estava dormindo esse tempo todo? Cruzei os braços em cima da mesa enquanto observava ele esfregar os olhos com as duas mãos. —  Simbolizam a imortalidade. 

— Como as almas das pessoas? — A garota sentada na minha frente perguntou. 

— O pavão também é a “ave cem olhos” — Interrompi a conversa entre eles. — Para os cristãos, o padrão de suas caudas adquiriu um significado de omnisciência. Explicando melhor, o pavão é o “Deus que tudo vê”. — Dei de ombros. — O desenho de suas caudas representam as estrelas e o universo. Sua coroa é semelhante a uma estrela de seis pontas, simboliza sua magnitude e seu poder. É um simbolo da eternidade. 

— Vocês acreditam que encontrar uma pena de pavão traz sorte? — Outro garoto perguntou, se virando para me olhar nos olhos. Parece que a pergunta que ele está fazendo, é pessoal.

— Isso é só um mito. — Fiz uma careta, sorrindo. 

— No budismo, o pavão simboliza a pureza e as suas penas são usadas em cerimônias de purificação. — O ruivo disse, respirando fundo como se estivesse juntando forças para não sair correndo.

Por que todos parecem estar surpresos ou zangados comigo?

— O pavão branco simboliza o senso da bondade. — O garoto de capuz preto disse, com uma expressão séria no rosto. — Eles eram utilizados para representarem Jesus Cristo. Representa o despertar, a espiritualidade e a luz, juntamente com a pureza de intenções de uma pessoa e sua fé…

— Isso acontece porque o pavão é considerado um símbolo da morte. — Ergui as duas sobrancelhas ao interrompe-lo.

— Uau! Estou surpresa por saberem tanto de uma…ave. — A professora brincou, sorrindo um pouco sem jeito. 

— Diga-me, senhorita Oh: — O garoto de preto respirou fundo e voltou a me encarar. — Você acredita em Deus? 

Por que ele está fazendo uma pergunta tão ... pessoal?

Seus olhos são escuros e por baixo daquele capuz preto, pude notar que seus cabelos são claros. Senti um sensação diferente. Não desconforto mas como se, eu já tivesse o conhecido antes. Mas aonde?

— Não. — Respondi, calmamente. 

— Então, quer dizer que você… não foi batizada quando nasceu? — O ruivo perguntou, com uma expressão surpresa no rosto. 

Por que ele continua me olhando desse jeito?

— Meus pais não são muito religiosos. — Dei de ombros. 

Os dois garotos se entreolharam como se estivessem conversando através de pensamentos. 

— Sobre o que estamos estudando? — Jongup perguntou, mudando de assunto. 

— Estamos nos aprofundando um pouco mais na psicopatologia. — A professora respondeu.

Me ajeitei na cadeira e tirei o meu caderno da mochila.

Pelo canto dos olhos, percebi que aquele garoto de capuz preto e o ruivo, estão me encarando como se tivessem visto um fantasma.


Notas Finais


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