História Laura - Capítulo 3


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Categorias Wolverine, X-Men
Personagens Donald Pierce, Dr. Henry "Hank" McCoy (Fera), Dr. Zander Rice, Emma Frost (Rainha Branca), Erik Lehnsherr (Magneto), Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), Jean Grey (Garota Marvel / Fênix), Laura Howlett (X-23), Logan (Wolverine), Ororo Monroe (Tempestade), Personagens Originais, Pietro Maximoff (Mercúrio), Professor Charles Xavier, Scott Summers (Ciclope)
Tags Daddy Logan, Donald Pierce, Earn Your Happy Ending, Grandpa Xavier, James Mcavoy, Laura Kinney, Laura Pain Train, Nina, Wolveroenix
Visualizações 26
Palavras 2.395
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Científica, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A fumaça tinha um odor de mentira e morte. A fumaça estava em Laura.

Capítulo 3 - We Walk Through The Fire


I try to understand how we’re here again

In the middle of the storm, in the middle of the storm

There’s no way to go, no way to go

But straight through the smoke, straight through the smoke

And the fight is all we know

 

A mente de Laura era um borrão. Há quanto tempo esperava que algo desse errado? Se preparando para o momento em que tudo fosse desmoronar novamente. A paz não era uma amiga em sua vida.

E o momento havia chegado. Com surpresa, percebeu que não estava preparada para ele:

- Eles estão muito perto, temos que correr. Agora.

- Tamara! Carrega a Ariel. – Erik gritou para a garota com super força. – Ninguém se mexe! Eu quero todos juntos!

- Mas eles estão vindo! - Jackson exclamou nervoso.

- Nós temos que correr, já!

- Correr? Correr pra onde, Laura? – Rictor retrucou, ela sentia o medo em sua voz e perguntava-se se ela tinha o mesmo tom na sua. – De volta pras tendas? Pra casa?

- Não! – Erik o respondeu. - Vai ser a primeira coisa que eles vão cercar, e Unus sabe nossas rotas de fuga.

- Por que ele nos trairia? – os olhos de Siryn estavam cheios de lágrimas.

Laura observou uma Ariel desfalecida e ensanguentada nos braços de Tamara. A garota, que era a única que poderia explicar o que aconteceu, talvez já estivesse morta.

- E se descermos pelo rio? – Rebecca propôs nervosa.

- Pode ser, talvez a correnteza se-

- Não.

- Laura?

Ela apertou os olhos olhando para o nada, ouvindo... Estavam gritando. Um pneu tinha se atolado entre uma rocha e outra.

- Estão vindo pelo rio, por isso a demora, há muitas rochas. – A mexicana respondeu a Erik. – Tem que ter outro lugar.

- Vamos subir nas árvores. – April sugeriu.

- Hello?!?! – Delilah estalou os dedos. – Eu não sei escalar!

- Podemos voltar pela trilha que viemos. – Jonah disse e todos se calaram. – Foi difícil chegarmos aqui, vai ser difícil sair também. Mas nós conhecemos a trilha, eles não.

- É! – Rictor concordou. - E o Unus não tem como saber de onde viemos, ele nem estava aqui quando chegamos.

Talvez já estivesse do lado inimigo. Laura pensou com rancor.

- Certo, faremos isso. – Erik assentiu. – Todo mundo segue o Rictor. Siryn, você também. Tamara, vai na frente com ele, a Ariel ‘tá mal.  – O homem olhou ao redor, enquanto ditava, todos faziam o que era dito. - Os mais velhos protegendo os mais novos. Erica, Stephen, vem comigo, eu tenho que pegar a Grace e a Megan.

E então todos correram. Alguns seguravam garrafinhas de água e pacotes de biscoito como se suas vidas dependessem daquilo, o que fez Laura pensar nos objetos que estava deixando para trás. Não era muita coisa, droga, era quase nada.

Mas era dela.

E seu arquivo estava sendo deixado para trás, assim como o de todos.

- HEY! 'Tá indo pra onde? - Rebecca exclamou quando a notou dar a volta.

- Eu preciso pegar uma coisa.

- Mas, Laura-

- Depois eu alcanço vocês, vai!

A garota balançou a cabeça, antes de seguir os outros, que já estavam a certa distância.

A tenda onde dormia não era longe. Na adrenalina do momento, pareceu ter chegado lá em menos de três passos. O interior da tenda tinha lençóis enormes estendidos entre as camas, como divisões, para a privacidade das garotas.

A mochila com seus pertences estava em cima da cama, sempre preparada para uma possível fuga. No momento que a pôs nas costas, Laura ouviu o enorme estrondo.

Luzes fortes fizeram as sombras refletirem na tenda. Alguns tiros começaram a serem ouvidos. Estavam em jipes e outros veículos militares. Haviam chegado, estavam gritando. O rio não os segurou por muito tempo e-

Oh.

Gritando.

Madeixas douradas brilharam em sua mente. Olhos azuis inocentes. Um sorriso alegre sem o dentinho da frente. Sete anos. Sete anos. Sete anos.

Ela não devia ter mais que sete anos.

- Bobby, as meninas e eu vamos caçar vagalumes perto do rio! Quer vir com a gente?”

- Megan. – A constatação fez Laura escorregar até o chão. – Ai não.

“- ...Erica, Stephen, vem comigo, eu tenho que pegar a Grace e a Megan.” Erik havia dito.

Erik não sabia. Laura havia esquecido. E Bobby. E as meninas que estavam com eles. Dando de cara com um exército com armas e sem empatia. O que poderia ter acontecido.

Colocou as mãos sobre a boca, as lágrimas borbulhando em seus olhos.

Ela podia tê-los salvado.

Sim, a culpa é sua, guria. Podia tê-los salvado se não tivesse paralisado de medo. Logan acusou em sua mente. Viva com isso.

E então ela os sentiu entrando.

- Encontrem, encontrem!

No mesmo instante, deslizou por baixo da cama, imóvel. Observou os pés se movendo e os grunhidos de insatisfação com o suposto local vazio.

- Olhem embaixo das camas!

Havia um lençol bem atrás da cama onde ela estava escondida. Escorregou para fora, subindo em cima da cama, escondendo-se nas sombras.

- Pensar que se esconderiam embaixo das camas, quase os faz parecer humanos.

Alguns homens riram. Laura fechou os olhos e apurou os sentidos. Doze homens. Todos carregados de armas. Não havia o familiar odor de tranquilizante, apenas pólvora.

Eles haviam vindo apenas para matar.

- Não tem ninguém aqui!

- Avise ao General Stryker.

Um dos soldados tinha se aproximado o bastante. De costas, ele não a viu.

- Ala 2 limpa. – Concluiu erroneamente.

Não tão limpa, babaca, pensou permitindo pela primeira vez em muito tempo, as garras de adamantium atravessarem sua pele. No instante seguinte tinha pulado nas costas dele, os punhos indo e vindo em movimentos calculistas e rápidos.

- GERARD! –Seus companheiros reagiram ao grito do companheiro.

A menina saltou entre os lençóis estendidos no ar, se camuflando na escuridão e atacando. Não demorou muito para que os tiros começassem a lhe acertar.

Mas como sempre, a dor não era maior que sua raiva. O fator de cura agia e X-23 urrava enquanto os soldados atiravam feito loucos.

- QUE COISA É ESSA!

O vermelho manchou o branco. Os corpos decoraram o chão. E as cápsulas das balas eram arremessadas contra as camas.

Quando tudo acabou, porém, os gritos não diminuíram. Tampouco as balas.

É porquê não vem daqui, Laura. Com o coração batendo fortemente no peito, a menina saiu da tenda, viva, porém não vitoriosa, dando de cara com um cenário que nunca esqueceria: um incêndio havia começado no casebre, um jipe tinha derrubando a tenda onde os meninos dormiam. O exército atirava, quebrava e chutava; destruía tudo.

Não havia mais Éden.

Não havia para onde voltar quando tudo acabasse.

- ARGH! – Laura caiu de lado, a mão esquerda pressionando o braço direito em instinto.

Levanta, levanta, levanta... Se ordenava. Olhou para o braço, o cartucho, que era maior do estava acostumada, lhe pegou totalmente de surpresa. No momento que o arrancou de sua pele, o inimigo que havia lhe acertado estava de frente a ela, com mais quinze homens atrás.

- Você já era, ratinha. – Engatilhou a arma, e garota se preparou.... para um tiro que não veio.

Em vez disso, dois jatos vermelhos acertaram os soldados, os arremessando pela campina. A garota girou, olhos arregalados, dando de cara com Erik.

- É, eu sei. – Ele comentou, como se dissesse “Eu também sou como você.” – Pode me chamar de Vermelho.

Um jipe atracado com uma metralhadora atravessou o fogo e veio na direção de Erik. Ele ergueu as mãos enluvadas, e uma rajada óptica que saiu de seus braços cortando o veículo ao meio, lançando motorista e atirador à metros de distância.

- Agora sai logo daqui, Laura!

- Não sem você!

- Eu preciso achar a Megan!

A mente de Laura piscou.

- Vai! Grace e os outros foram com Rictor!

- Mas Megan...

Oh. Aquilo não era a melhor hora.

Erik a encarou, assustado.

- Você sabe onde ela está?! Eu voltei pra busca-la, Grace disse que-

Subitamente, o fogo apareceu diante dos seus olhos, e a mexicana foi lançada metros a frente, na direção do casebre. O grito ficou preso em sua garganta. E jurou ter desmaiado por alguns segundos.

O cheiro de fumaça era forte quando abriu os olhos. Os poucos instantes em que tinha perdido a audição passaram, e sua mente constatou o que havia acabado de acontecer: uma granada havia explodido bem do seu lado.

Certo, pelo impacto, talvez duas.

- Erik! – chamou assustada. Onde ele estava? – ERIK!

Alguém tossiu próximo, e virando-se, a menina avistou o homem caído, entre os entulhos do casebre em chamas.

- Estou indo. Eu vou te tirar daí. – Se levantou, aproximando-se. – Calma. Eu vou-

A voz morreu em sua garganta quando percebeu o estado em que ele se encontrava.

A regeneração de Laura tinha-a curado, deixando pra trás somente a sujeira e alguns rasgos na roupa e mochila. Mas Erik, apesar de mutante, era um humano comum. Não tinha passado por experiências. Não tinha regeneração.

E ele estava acabado.

- Laura... Laura... – ele sussurrava estendendo a mão para ela... uma mão com dois dedos faltando.

Com o coração pesado no peito, ela se agachou ao seu lado, sentindo o déjà vu querer faze-la correr para longe.

- M-Megan... Me-gan... – ele dizia, os olhos arregalados e suplicantes.

- Erik...

- Megan... – Insistia, em suas últimas forças.

Como dizer à um homem que havia perdido tudo, que ele havia perdido mais um pouco?

Como dizer à um pai, que ele havia perdido a filha?

Como dizer que o pequeno raio de sol tinha se posto, e nunca mais nasceria?

- Está bem. – A mentira escapou de seus lábios com um sorriso. – Ela está salva.

Obteve como resposta algo entre uma tosse e um riso, que fez seu coração se partir.

Desviando o olhar, viu quando as mãos dele começaram a brilhar em vermelho, cada vez mais forte. Cada vez mais quente.

- MUTANTES! – Um grito imerso em ódio ecoou atrás dela.

O marido de Grace se remexeu inquieto, soltando a mão da menina.

- Fuja. – Ordenou. – Não olhe pra trás, Laura.

Ela se levantou, hesitante.

- Fuja! – ele exclamou desesperado, as mãos em tom escarlate, em combustão.

Como uma bomba.

Ela obedeceu. Atravessou pela cozinha do casebre, pulando a janela, no local onde todos costumavam tomar café da manhã, ignorando o forte cheiro de fumaça junto da fuligem que recaia sobre seu corpo.

Ela correu através da campina, desviando dos soldados, sentindo os tiros passarem de raspão em sua pele. Correu sem olhar para trás, e quando ouviu a enorme explosão atrás de si, soube que Erik tinha partido.

Demorou mais do que o normal para encontra-los.

- LAURA! – Rebecca gritou, a vendo.

As meninas colidiram num abraço desesperado e desajeitado, Laura tirando a mochila das costas e passando para a garota.

- Leva isso pra mim.

- O que? Mas-

Alguns soldados acharam seus rastros e estavam os seguindo.

- Preciso para-los. – Laura olhou pra trás, se afastando.

- Laura, não! – April exclamou, alguns de seus amigos parando de correr e olhando pra trás confusos.

- Vocês vão na frente! – A mexicana exclamou ofegante. – Eu seguro eles.

Arregalou os olhos quando o chão tremeu sob seus pés e raízes de árvores saíram do solo, ganhando vida.

- Então eu te ajudo. - Era April, ela olhou pra trás e gritou: – Continuem e não parem!

Não a esperou, apenas liberando as garras pela segunda vez e correndo em direção aos soldados.

Era loucura.

Mas era uma loucura que significava a vida dos seus amigos.

Sentia quando os tiros passavam; quando acertavam o chão. Ouvia o engatilhar de cada arma. E assim que viram-na correr até eles, tentaram acerta-la a todo custo.

Os movimentos ágeis logo a denunciaram, junto de seu grito animal, e em segundos eles gritavam seu nome.

- É A X-23!

Lançou-se sobre dois que vinham pela sua direita, arrastando-os pelo chão com suas garras. Girou pela areia e ergueu os pés a tempo de nocautear outro homem pela barriga. Viu com satisfação a carne se abrir e algum órgão atingir o solo.

Isso foi pelos meus amigos, pensou.

Um tiro foi direto no seu braço, e mais outro em seu ombro, e mais outro nas costas, fazendo-a gritar. Enquanto corria baleada, lembrou-se de quando fugia dos Carniceiros com seu avô e pai, no momento que levou a bala no braço para proteger Charles no carro. Ela estava protegendo seus amigos agora, da mesma maneira.

Quantos tiros a mais teria que levar para que sua família estivesse segura?

Sério? Que tal um chá para acompanhar essa meditação?

Laura ignorou sua consciência, assim como ignorava os xingamentos que recebia dos soldados a cada nova baixa.

Devo te lembrar do risco de vida?

Um homem vinha na traseira de um veículo militar, com uma metralhadora acoplada. Urrando, Laura saltou sobre o capô, ficando as garras instantaneamente na cabeça do motorista, através do vidro. Estilhaços lhe cortaram.

O veículo bateu contra um dos galhos manipulados de April, e ela usou as garras dos pés para não ser lançada no chão. Chega de ser arremessada por hoje, pensou. O cara com a metralhadora, entretanto, foi arremessado para frente, caindo alguns metros ao lado. Ele logo se recompôs rápido, puxando um revólver do coldre da calça e apontando-a.

- MORRE, SUA-! – Atirou, falando em um idioma desconhecido. Pelo ódio em sua voz, não deveria estar elogiando-a.

Geralmente X-23 nunca os respondia, dessa vez, o fez:

- Não vai adiantar. – Disse ofegante. – Eu me curo.

Sabe, quando eu te avisei sobre o risco de vida, não me referia a você, pirralha. A voz de Logan nunca foi tão clara em sua cabeça.

E foi olhando nos olhos do soldado, que ela percebeu que ele não falava dela.

O tiro atingiu April em cheio, que estava logo atrás dela. No momento que a garota caiu no chão, as raízes que saiam do solo caíram junto dela, sem vida.

Ela havia perdido dois amigos em menos de cinco minutos.

Laura girou, o coração acelerado batendo pesadamente contra seu peito. As garras e o olhar mortal de X-23 foram a última coisa que o soldado viu antes de ter o coração arrancado do peito por ela.

 

I wanna know is there a way out

Is there a way out?

Show me the way out


Notas Finais


Ainda temos muitos personagens, muitos mesmo... Qual a maneira mais fácil de se livrar de tantos personagens? Exatamente. Minha manopla já tá aqui preparada.


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