História Laura - Capítulo 4


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Categorias Wolverine, X-Men
Personagens Donald Pierce, Dr. Henry "Hank" McCoy (Fera), Dr. Zander Rice, Emma Frost (Rainha Branca), Erik Lehnsherr (Magneto), Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), Jean Grey (Garota Marvel / Fênix), Laura Howlett (X-23), Logan (Wolverine), Ororo Monroe (Tempestade), Personagens Originais, Pietro Maximoff (Mercúrio), Professor Charles Xavier, Scott Summers (Ciclope)
Tags Daddy Logan, Donald Pierce, Earn Your Happy Ending, Grandpa Xavier, James Mcavoy, Laura Kinney, Laura Pain Train, Nina, Wolveroenix
Visualizações 20
Palavras 1.842
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Científica, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Com a poeira abaixada, era hora de ver quantos haviam perdido no fogo. Laura esperava que houvesse lágrimas para todos.

Capítulo 4 - When the Children Cry


Little child, dry your crying eyes

How can I explain the fear you feel inside

 

Observou Logan muitas vezes no tempo em que conviveram, no fundo, sempre à procura de semelhanças entre os dois; o jeito que ele falava, olhava, se mexia.

Observou o jeito que ele sorria, e viu que era bonito.

No entanto, era o jeito que ele andava que lhe chamava atenção. Por que ele andava tão pesadamente? Como se estivesse carregando peso em suas costas... Sempre cansado, sempre tossindo, sempre doente.

“Ele está mesmo doente.” Charles havia confirmado em sua mente. “O adamantium o deixa doente.”

Adamantium... Laura tinha adamantium.

“Laura não doente.” Ela tinha contestado, franzindo o cenho.

O olhar de Charles se distanciou, triste.

“Logan, velho.”

Agora, Laura se perguntava se já estava ficando velha também.

A X-23 matou todos aqueles que tinham se posto à sua frente. Fugindo entre as árvores, se afastando do fogo; da fumaça, que percorria a floresta como névoa.

Os ouvidos atentos aos soldados 2km à sua direita se afastando, os olhos prestavam atenção no céu cada vez que um helicóptero passava. Eles haviam vindo para mata-los, mas haviam vindo em um número pequeno. Talvez não quisessem chamar atenção, ela ponderou, vendo o dia aos poucos nascer.

E Laura caminhava.

Pesadamente, assim como seu pai costumava caminhar.

Sua saúde estava ótima, e não havia hipótese de estar velha; era o sangue em suas roupas que pesava. O peso em suas costas eram as mortes que havia presenciado – que havia causado –, quantos mais iriam morrer até que todos estivessem livres? Se perguntava.

Minutos depois, deu de cara com pequenas crostas, seguida de uma depressão não natural do solo. Sinais claros de geocinese.

Rictor.

Forçou as pernas a correrem, escorregando pela areia, pulando raízes altas. Havia um barranco perto de uma árvore caída.

– Laura? – Reconheceu Gideon escondido entre os galhos da árvore. – É a Laura!

– Gideon! – correu mais rápido, encontrando o garoto com um abraço forte. – Estás bien?

Sí, pero... – ele se afastou, e de perto, a menina percebeu um corte profundo na testa dele. Levou a ponta dos dedos ao local, fazendo careta. Será que estava doendo muito? – Tudo bem. Tinha que ver como o outro cara ficou...

Os poderes de Gideon consistiam em imitar a fisiologia de um réptil. Ele tinha dentes serrilhados, olhos dourados, e garras ao invés de unhas. Certas partes de sua pele eram escamosas, ao redor dos olhos principalmente.

Sua aparência costumava causar nojo aos agentes especiais da Transigen. Mas para Laura, ele era bonito exatamente daquele jeito.

– Outro cara? – Franziu o cenho.

O garoto assentiu, cabisbaixo.

Algunos soldados llegaron hasta nosotros... Perdimos muchos...

Não, não, não, não, não... Perderam mais do que April.

Sentiu como se o chão estivesse girando, e apoiou-se em Gideon buscando apoio. Até o ar parecia difícil de se respirar.

– Laura! – Vozes a chamavam.

Levantou os olhos, vendo que Rictor, Erica e Tomás tinham saído do esconderijo para recebe-la.

Tomou coragem e perguntou finalmente:

– Quem mais perdemos?

– Fora os que você não conhece... Jackson. – Rictor olhou para o chão. – Ele tropeçou, não foi tiro. Foi rápido.

Não pediu detalhes, sua mente foi cruel o bastante enviando-a uma imagem do amigo quebrando o pescoço.

– Stephen também. – Erica disse. Seus longos cabelos loiros cobertos de fuligem e areia. – Quando achamos a Grace, Erik nos mandou correr. Ele se sacrificou por nós duas, indo por outra direção e...

– Erik está morto. – Falou de uma vez, sentindo os ombros ficarem menos pesados ao dizer. – April também.

As crianças a encararam chocadas.

– Não! Não, não... – Erica sussurrava pra si mesma, chorosa.

– Não consegui protege-los.

– Certo... Isso é um problema. – Rictor pôs as mãos sob a cabeça.

A filha de Logan o encarou. De todos, Rictor era o que mais tinha sangue frio, e não apenas isso, ele era muito esperto; confiavam nele e em seus planos mirabolantes. E assim ele os liderava. Na Transigen, sua cela era ao lado da de X-23.

Ele era como um irmão.

Mas tinha sido uma longa noite. E Laura estava irritada.

Um problema? – Perguntou incrédula. – Temos vários problemas, Rictor! O acampamento foi destruído, colocaram fogo em tudo! Perdemos amigos que conhecíamos desde as fraldas! Têm pelo menos 100 soldados espalhados por aí querendo nos matar! Não podemos nos esconder debaixo do solo pra sempre. Erik se foi na minha frente! Eu precisei mentir pra ele dizendo que Megan estava salva quando ela não está! Então cala a porr-

– Não está? – Erica arfou, seu rosto cheio de lágrimas. – Mas está sim, ela-

– Não, não está! Eles vieram pelo rio! Ela estava no rio com Bobby e-

Laura parou, a voz morrendo em sua garganta. Atrás de Erica, um menino gordinho com pele cor de café surgia, subindo o barranco com dificuldade.

– Bobby? – Se perguntou. Não, não era possível, Bobby estava morto. – Como?

– O Lance! – Bobby disse afoito, aproximando-se. – Ele apareceu do nada, desesperado, falando coisas sem sentido. Então esses soldados apareceram e nós corremos, foi uma loucura! Jamaica matou um monte deles! E então chegamos aqui e Lance abriu esse buraco enorme pra nos escondermos! Os outros chegaram depois...

A menina piscou, absorvendo a informação. Lance Alvers? Ele era um babaca.

Mas Laura seria capaz de lhe daria um abraço caloroso agora.

– Então... A Megan...

– É. – Rictor se aproximou segurando seus ombros, fazendo uma breve massagem. – Ela está com a Siryn, Grace acabou de sair com Jamaica à procura de perdidos.

Megan estava salva. Estava com a senhora Theresa.

Laura não tinha mentido para Erik. Ele morreu acreditando que sua filha estava viva e era verdade.

Muita informação, informação demais.

– Desculpa. – A mexicana sussurrou para o amigo.

– Tudo bem, estamos todos estressados... – Ele suspirou e olhou ao redor. – É melhor você entrar, deve estar cansada... E não fala nada sobre o Erik ainda.

– Sinta-se à vontade pra contar. – A mexicana ergueu as mãos, não querendo tocar no assunto novamente.

Era exatamente como uma toca onde eles estavam escondidos. Os poderes de Lance e Rictor eram exatamente iguais, e combinados com a manipulação de plantas de Erica e Jamaica, o local, apesar de um tanto claustrofóbico, cabiam todos e por enquanto, era seguro.

Se aconchegou ao lado de Rebecca, olhando em volta. A senhora Siryn mantinha o local iluminado com uma lanterna, Megan estava deitada no colo dela, dormindo.

Viu? Ela está bem, agora quer parar de se martirizar? A voz de seu pai soou irritada em sua cabeça.

– Não foram eles que colocaram fogo no acampamento. – Tomás comentou, hesitante. – Fui eu.

Laura o encarou, séria.

– Me assustei. Tentei me defender... Não consegui controlar.

Suspirando após um breve silêncio, a filha de Logan ergueu a mão e tocou no ombro do menino, em compreensão.

– Estou com a sua mochila. – Rebecca disse num fio de voz. – Voltou mesmo pelos nossos arquivos?

A menina assentiu, hesitante.

– Obrigada. – Rebecca sorriu, lhe estendendo a mochila de volta.

– Por que é tão importante? – Siryn perguntou. – Esses arquivos... por quê?

– São a única coisa que temos como identidades. – Rebecca respondeu. – Pode parecer bobo, mas... É importante.

Siryn balançou a cabeça, eles ainda são tão jovens, pensou.

– Vou te dizer uma coisa querida, uma coisa que eu já falei pra ela. – Gentilmente falou, apontando para Laura. – Você é quem faz sua própria identidade. Não um papel.

Do outro lado da toca, o garoto de cabelos grandes e pele pálida riu.

– Sem falar que esses arquivos tratam vocês como objetos do governo; ratos de laboratório.

– Que a propósito você também é, Lance. – Rebecca rebateu, com raiva.

– Era, não sou mais.

Laura rolou os olhos. Não havia tempo para refletir nas palavras da senhora Theresa ou se irritar com as de Lance.

– Deixa ela em paz, Lance. –  A voz em favor de Rebecca surgiu próxima ao rapaz, e Laura esgueirou-se para ver quem era, surpreendendo-se ao se deparar com uma Ariel acordada e viva.

Quando a viu nos braços de Tamara, ensanguentada, poderia jurar que estava morta. Mas pelo visto, o sangue não era de todo da garota.

Junto de Ariel, havia um rosto conhecido da mexicana, a menina de oito anos chorando silenciosamente.

Como se lesse seus pensamentos, Tomás a cutucou, murmurando em espanhol, hesitante em ser ouvido:

– Pietro não voltou.

Oh. Isso explicava muita coisa.

Pois não importava qual a situação, a pequena Wanda Maximoff não chorava. Nunca.

Subitamente, a areia se mexeu e pelo buraco de entrada, a americana surgiu, descabelada.

– Erik? Erik!

 Rictor surgia logo atrás.

– Grace, se acalma-!

– Laura, onde ele está? – a loira perguntou, deixando a menina sem reação. – Onde está Erik?!

– Por que a Laura saberia? – Siryn arqueou as sobrancelhas.

– Porque ela estava com ele! Rictor acabou de me contar!

– Eu também te disse o que aconteceu, Grace-

– Eu não acredito em você! – Ela respondeu histérica. – Laura viu tudo, ela estava com ele! Onde ele está, Laura? Onde? Me diga!

– Mamãe! – Megan tinha acordado assustada.

– Grace, você tem que se acalmar. – Erica tocou no ombro da mulher.

Eu estou calma!!!

– Erica, volta pra guarda, por favor. – Rictor apontou pra cima e a amiga obedeceu. – Grace-

Grace se abaixou na altura de Laura, a segurando pelos ombros. Pouco parecia a mesma mulher calma e gentil que convivera pelos últimos meses.

– Me diga onde ele está. Foi capturado?

A menina sentia todos a encararem, o clima de tensão era palpável.

Lo siento. – Falou, e respirou fundo, hesitante: - Não estavam lá... para nos capturar... – o olhar da mulher era mais assustado que o da própria filha. – Ele... Ele lutou para nos proteger... Eu... Eu sinto muito.

Lágrimas desceram pelo rosto da mulher e Laura limpou algumas, sentida.

Siryn se arrastou pela toca e segurou os ombros da amiga de longa data, puxando-a para um abraço.

– O que isso quer dizer? – A voz de Megan despertou todos do transe. – Eu... Eu não entendo...

Ariel ergueu a cabeça para responde-la. Como Grace, tivera seu coração partido naquele mesmo dia. Erik jamais voltaria... Assim como seu amado Pietro Maximoff. Ter dado aquela notícia para a irmãzinha dele tinha sido a coisa mais difícil que havia feito na vida.

Não queria Grace, ou até mesmo Siryn, tendo a mesma infelicidade.

– Significa que ele morreu, pirralha. – Lance foi mais rápido, assustando todos com seu tom.

– Lance, SEU IDIOTA! – Ariel gritou, chutando o rapaz a sua frente. – Não consegue manter a boca fechada?!

– E o que você queria que eu dissesse? Não podemos mentir pra ela-

– Ela só tem sete anos, seu animal!

– Ótimo! Assim ela vai ver que a vida não é um conto de fadas e que muitas vezes, ela te dá um soco!

– Não vai ser a vida que vai te dar um soco, vai ser eu mesma e agora! – Exclamou, pronta para avançar em cima dele, quando a própria Megan ergueu a voz:

– Chega!

Laura fitou a pequenina, surpresa em ver que ela não estava chorando. Parecia exausta.

– Chega vocês dois, só... chega.

E todos ficaram em silêncio.

Pela décima vez nas últimas cinco horas, Laura se perguntou: quantos mais iriam morrer até que todos estivessem livres?

 

When the children cry,

let them know we tried


Notas Finais


No próximo capítulo: A ruiva telepata ouve o choro das crianças. Ela só não percebeu que elas choravam desde uma outra linha temporal.


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