História Laura Garcia (Órfã) - Capítulo 5


Escrita por: e Hayme

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 12
Palavras 1.701
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Tá me olhando por quê? Quer me dar?


Era um Sábado, se não me engano. Iríamos ver uma peça de teatro que Heloisa iria participar.

-Não tá pronta ainda?! -Sara falou abrindo a porta do meu quarto.

-Que? To quase, espera. -Eu estava fazendo o de sempre. Me lotando de rímel.

-Estamos saindo agora! -Ela falou fechando a porta.

-Não vão sem mim mesmo. -Eu falei me olhando no espelho. -É... to gata.

Entramos no carro e fomos. Não lembro se era muito longe ou perto, sei lá. Sei que quando chegamos Heloisa sumiu e nós fomos nos sentar.

-To com fome, mãe. -Eu falei indo pro lado dela.

-Não comeu em casa porque não quis.

-Trouxa. -Lucas falou rindo.

-Quem tá falando com o Lucas? - Eu disse olhando pro nada.

-Cala boca, Laura!

-Ah, Lucas. Vai se foder.

-Olha a boca, Laura! -Sara segurou no meu braço.

Ela estava claramente irritada. Eu apenas puxei meu braço me livrando dela e fiquei quieta por um bom tempo, ou até a última pessoa que eu gostaria de ver naquele local aparecer, queria sumir.

-Oi, fessora. - Lucas até se levantou quando viu a professora, para cumprimentá-la.

-Oi, Lucas. Tudo bem? - E ela com aquele maldito sorriso no rosto.

-Tudo. E a senhora?

-Que? - Eu falei baixinho indignada. Desde quando o Lucas é educado?!

-Senhora não, pode me chamar de Maíra.

-Quem é essa, filho? - Sara perguntou, também se levantando.

-Maíra, professora de filosofia.

-Prazer. - Elas se cumprimentaram e depois nosso pai também a cumprimentou. Eu fui a única que fiquei sentada.

-Oi, Laura. - Maíra disse.

Meus pais me olharam e eu percebi que eu ia ter que me levantar.

-Oi, Maíra. - A cumprimentei com um aperto de mão.

-Vocês têm filhos muito bons. - Ela disse para Sara e Paulo. - Esse daqui adora uma bagunça, mas na minha aula fica quietinho. - Ela deu um puxãozinho de orelha no Lucas e eu acabei rindo. - Já a Laura... É ótima. - Ela olhou em meu olhos dizendo isso e eu não pude não estranhar.

-Nossa, que bom. - Sara disse.

Nessa hora, as luzes piscaram.

-Já vai começar a peça, tenham um bom espetáculo. - Maíra se despediu e nos sentamos.

A peça começou e logo vi Heloísa. Ela era Julieta, de "Romeu e Julieta".

Olhei para a professora e ao lado dela eu vi Melissa. Na verdade não achei estranho e taquei o foda-se para aquilo... Mentira, eu não conseguia parar de pensar na Melissa e depois de um tempo eu decidi que iria falar com ela, no meio da peça mesmo.

-Já volto, Melissa tá ali.

- Agora, Laura?! -Sara falou sussurrando.

-É, mãe. Agora. -Eu levantei e com muita dificuldade cheguei atrás do banco da Melissa.

-Romeu...Ah Romeu...Por que és tu Romeu? -Eu falei baixo.

Melissa olha pra trás e quando me vê sorri e franze o cenho.

-É... Heloísa me fez ler falas com ela. Por algum motivo eu decorei as delas também.

Melissa deu uma risada fraca.

-Você tá bem? -Eu perguntei. Nessa hora a professora olhou para nós.

-Acho que não é uma boa hora pra conversar. -Melissa falou baixinho.

-É... tá bom. -Dei um sorriso e voltei para meu lugar.

Segunda pela manhã eu estava na sala de aula e a bagunça era rotineira.

-E ae, Laurinha. -Falou Guilherme se sentando do meu lado.

-Sai fora, Guilherme.

-Já pensou no que eu pedi?

-Já sim. Não, eu não vou ficar com você.

-Para de ser chata, Laurinha.

-Para de me chamar assim, é escroto.

-Aff. -Ele se levantou e saiu.

-Ta estressada, Laurinha? -André perguntou se sentando na minha frente.

Dei um sorriso fraco.

-Vai se foder. -olhei para ele que só deu risada.

-Quer sair hoje? -Ele falou .

-Hum... -Confesso que estava fingindo pensar. -Sim.

-Ótimo.

-Todos em seus lugares! -Uma professora gritou. Aff, mais uma aula chata iria começar.

Quando foi mais tarde me encontrei com André numa sorveteria, ele que teve a ideia e na boa, sorvete é muito bom.

-Pegou de quê? - Ele apontou pro meu potinho.

-Chocolate... - Um monte que eu não lembro - Acho que só.

-Só? - Ele riu. - Cê tá doido!

-Oxe, você pegou muito mais do que eu.

-Mas olha o meu tamanho e olha o seu. - Realmente, o André era muito alto.

-Aff, eu não sou tão baixa assim. - Eu fico triste quando zoam minha altura.

-Não? Você deve ser uma pigméia. - Ele continuou rindo e eu fiz um bico. -Ah... Não faz assim. Quanto de altura você tem?

-1,60 com muito orgulho! - Ele começou a rir de novo. - Sua risada é linda, na verdade, seu sorriso é lindo.

Ele parou de rir e continuou sorrindo, consegui ver que ele estava um pouco envergonhado.

-Você é linda.

Eu me aproximei dele, e dei um selinho. Ele não parava de sorrir e nem eu. Cheguei mais perto ainda, quase colando meus lábios em seu ouvido e sussurrei:

-Eu gosto de você, André.

Quando me afastei ele continuava sorrindo.

-E eu gosto muito de você, Laura.

Voltei a tomar meu sorvete.

-Ótimo. Você que vai pagar?

-Já paguei, sua draga. - A risada dele era gostosa de se ouvir, parecia uma criança.

-Ah... Eu acho que quero mais.

-Mais sorvete? Você não tem fundo?

-Não disse que era sorvete... - Dei um sorriso malicioso para ele.

-Minha casa fica a dois quarteirões daqui. - Ele disse casualmente.

-Quero conhecer.

No outro dia, acordei com Lucas todo contente, achei um pouco estranho demais, mas né...

Estávamos indo para escola e ele não tirava o sorriso do rosto.

-Tá doente, é? - Dei um tapinha no seu ombro.

-Não, só feliz. Sabe o que é isso, Laura?

-Hum... Não, sua presença me impede de sentir. - Ele revirou os olhos.

-Você é chata, viu.

Eu ri com isso.

-Me conta, o que foi?

-Ah, meu. Acho que tô assim por causa da aula da Maíra... Que tem hoje. - Ele parecia todo bobo.

-Vejo que seu mau gosto se estende até para mulheres. - Ele franziu o cenho.

-Para de ser invejosa. A Maíra é linda.

- E é nossa professora. Você tem 14 anos e ela vinte e poucos.

-23.

-Que seja, 23. -naquele momento, eu quem revirei os olhos.

-Não posso sonhar? Ela disse que eu sou um bom aluno.

-Parabéns, mas seja realista.

-Me deixa, vai. Não estraga minha felicidade. - Ele me deu um empurrãozinho e continuou sorrindo.

Eu deixei de lado, até porque... Né?

Quando chegamos na aula, fui logo encontrando com Camila.

-Oi, Laura. - Ela sorriu ao me ver.

-E aê.

-Então, eu tava pensando, se você gostaria de sair comigo hoje mais tarde. A gente poderia comer umas coxinhas. Sei lá... - Ela se embolou umas três vezes para falar isso.

-Claro. A gente sai.

Nem ouvi sua resposta e fui caminhando para a sala. No corredor, encontrei com Melissa.

-Oi, Lala. - Ela veio me dar um abraço de urso.

-Lala seu cu. - Retribui.

-Vejo que está educada como sempre.

-Aprendi com você. - Dei uma piscadinha e ela sorriu. O sorriso dela era lindo demais.

-Porra, eu nem falo palavrão. - Ela aproximou e deu um beijinho na minha bochecha. - Vou pra sala.

-Boa aula.

-Você também. - Ela foi caminhando em direção às escadas e eu entrei na sala.

Me sentei atrás da Julia, como sempre. Deitei a cabeça na mesa e assisti à aula. A coisa mais chata, era que os meninos da minha sala eram um saco. Eles ficavam gritando na sala, colocando música, passeando... Tudo que você imaginar. Mas tudo isso parava na aula da Maíra. Eu nunca entendi, talvez ela fosse uma bruxa, porque TODO mundo ficava hipnotizado com ela. Menos eu, claro.

Durante a aula dela os meninos ficaram babando, e pra falar a verdade, as meninas também. Ela

estava falando sobre Platão, e eu fiquei com sono. Deitei a cabeça na mesa e dormi.

-Para, Laura. - Melissa se aproximou da minha cama.

-Mas você é má comigo. - Eu continuava com um bico.

-Tá bom, eu fico mais um pouco. Mas não posso dormir aqui, minha vó me mata. - Ela se sentou ao meu lado.

-Conta uma história pra eu dormir?

-Eu te conto.

Eu coloquei a cabeça no seu peito e ela começou a fazer cafuné.

-Eba.

- Tinham vários homens dentro de uma caverna escura, a única coisa que eles conseguiam ver, eram as sombras na parede. Então, para eles, aquelas sombrar eram toda a realidade existente. Um dia porém, um desses homens escapou e saiu da caverna. Quando ele saiu, a claridade queimou seu olhos, doeu, mas ele tentou olhar. E quando a dor passou, ele percebeu que o mundo era muito maior e mais abrangente do que as sombras daquela caverna.

- E aí? - Eu perguntei.

-Aí, ele voltou correndo e foi contar a novidade para os outros que estavam presos. Ele falou com eles, tentou arrasta-los pra fora, mas não adiantou de nada. Os homens acharam que ele era um lunatico. Não o escutaram e ainda o mataram. E sabe o porquê?

-Por quê?

-Porque é mais fácil viver a vida sendo ignorante do que ver o mundo do jeito que ele realmente é. Compreender é um dom que quase ninguém tem.

-Hum... Que papo mais chato.

Melissa riu.

-Platão pode ser chato as vezes. Dorme, eu não saio daqui enquanto você não dormir.

-Laura? - Abri meus olhos e Maíra estava me chamando. - Vai lavar o rosto e presta atenção na aula.

-Tá... - Me levantei e fui me lavar.

À tarde saí com Camila, a gente foi comer as coxinhas.

-Hum, tá mó bom. - Eu disse.

-Uhum, ainda mais com a sua companhia. - Ela sorriu.

-Obrigada pelas coxinhas.

-Claro, eu que convidei. Obrigada a você por ter aceitado. - Ela parecia boba.

-Me fala mais de você, Camila.

Ela começou a falar um monte de coisa que eu não me lembro mais o que foi, mas não tirou o sorriso do rosto hora nenhuma.

-Seu sorriso é lindo, sabia? - Ela ficou até vermelha.

-Ah... Obrigada. Tudo em você é lindo.

-Ah, é? - Olhei em seus olhos por um tempo e me aproximei.

Cheguei bem perto da sua boca e lhe dei um beijo.

-Uau. - Ela disse abobada.

Coloquei minha boca bem próxima ao seu ouvido e sussurrei:

-Eu gosto de você, Camila.

Voltei a olhar para ela, que parecia o curinga de tamaho era o sorriso.

- Eu gosto demais de você, Laura. - Ela me deu um abraço. E eu não gosto muito de ser tocada, mas naquela hora eu deixei.

-Quer ir lá pra casa? - perguntei.

-Claro que quero. - Como eu ia achar isso ruim?


Notas Finais


Y&H.


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