História Lavanda (Fanfic Melita) - Capítulo 3


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Categorias Melanie Martinez
Personagens Melanie Martinez
Tags Cry Baby, Elita, K-12, Melanie Martinez
Visualizações 9
Palavras 6.634
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, LGBT, Mistério, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Por questões do capítulo ter ficado muito grande, ele foi dividido em dois, a segunda parte será postada amanhã (domingo 10/11)

Capítulo 3 - 3. Escuridão Total P.1


Fanfic / Fanfiction Lavanda (Fanfic Melita) - Capítulo 3 - 3. Escuridão Total P.1

1

Primeira semana da Melanie

- Você melhorou tanta nessa primeira semana - disse Emma, enquanto a gente estendia a mangueira por mais alguns metros.

Já faz uma semana que eu tô aqui, e eu não sinto mais tanto peso. Os primeiros dias foram sufocantes, ter toda aquela pressão foi horrível. Acordei antes do despertador tocar querendo vomitar no terceiro e quarto dia, acho. Eu cheguei a chorar no meio do trabalho, por zero motivo. Estava cansada psicologicamente. Mas passou tão rápido, sério, só sei que passou uma semana porque Emma acabou de me falar.

- É mesmo? - pergunto, meu chapéu evitava que o sol batesse nos meus olhos, então não fazia mais aquela careta de "luz na cara" - Nem percebi.

- Mas melhorou - Emma diz, sorrindo de forma gentil - Fico feliz que você esteja se adaptando bem, não gostaria de te ver mal.

- Eu também não, nem você, nem ninguém do grupo.

- Sim, o nosso grupo é o que mais prezo aqui dentro. Você é uma das coisas mais importantes da minha vida no momento.

- Junto com todos os outros, né?

Emma não responde por alguns segundos e depois abre um sorriso.

- Sim, junto com todos os outros - ela diz.

Mais um dia cansativo que passa em segundos. Quando menos espero, já está escurecendo. Emma limpa a testa com um lenço e se abana com um leque que comprou com seus pontos, ela tá sendo um pouco mais rígida com isso, e fico feliz em vê-la se dedicando. Nunca a vi ligando para os pais, ela nunca me falou sobre isso, mas já me contou sobre muitas outras coisas, nada de tão longe do hotel, ela não se abriu tanto para mim. Então, a única coisa que sei da vida da Emma fora desse lugar é sobre seus pais.

- Já tá na hora de pararmos e entregarmos tudo isso - digo, recolhendo a mangueira.

O trabalho de regar era bem simples, para não prejudicar o solo, eles não fizeram um sistema de irrigação debaixo da terra, eles fizeram mangueiras com furos, nós que somos responsáveis pela tarefa temos que pegar elas e distribuí-las pelo nosso setor.

- Já? - Emma pergunta, olhando para o céu - Ainda não me acostumei como quase oito horas de trabalho passam em oito minutos.

- Se a vida fosse assim sempre - eu sonho.

- Eu já estaria com o pé na cova - Emma ri - Eu já não tenho noção de tempo, imagina sendo sempre assim?

Eu ri. Emma vem mudando um pouco nesse meio tempo, descendo todos os dias para o refeitório, mesmo nos dias que Gavin desce, o mesmo também começou a se juntar com a gente todos os dias. Ainda não sei o que Gavin e Emma conversam tanto, mas pelas semelhanças de suas personalidades, acho que não seria surpresa se fosse sobre isso, mas sinto medo de perguntar e Emma achar que estou com ciúmes. Eu não estou, estou?

Ainda não sei o que tenho que mudar. Não fui trouxa o suficiente para ligar novamente para os meus pais, não queria ouvir mais desculpas, queria respostas, não mais perguntas. Fiz o que o King pediu para eu fazer. Suposições. E quais eram elas?

• Pressão do meu trabalho: fãs, média, pessoas que querem subir em cima da minha carreira, estética.

Essa foi a única coisa que pude supor com as palavras chorosas da minha mãe.

Um dia desses vi a guarda Nathalia pelo saguão, ela me parou naquele dia.

- Desculpa se eu te deixei preocupada no dia que te trouxemos pra cá - ela disse - Eu realmente queria te acalmar e...

- Não precisa se desculpar - eu falo tranquila - suas intenções eram boas.

Não podia julgar ela, que também foi sequestrada, forçada a trabalhar e melhorar algo em sua personalidade. Não sei pelo que ela passou ou passa, mas espero que ela saia logo daqui. Ela colocou as mãos em meu rosto e beijou a minha testa.

- Obrigada, querida - ela disse e eu sorrio.

Agora sempre que eu passo por ela, ela sorri e me cumprimenta. Os seguranças tentam não ter tanto contato com os outros do hotel, para se manterem imparciais, mas nunca são desrespeitosos ou agressivos, devem pensar o mesmo que eu. Pelo que essas pessoas passaram? Não sou a melhor pessoa para julgar elas, e mesmo se fosse, não as julgaria.

Cordélia deu uma sumida na semana, aparecendo só em alguns horários específicos durante um dia inteiro, e geralmente era na parte da noite. Ainda não tive tempo de me desculpar pelo aperto de mão, sei que ela pode ter ignorado, mas eu me importava. Saber que ela já passou trinta anos de sua vida aqui foi um choque para mim, imagina se isso acontece comigo? Não, eu não posso, não posso ficar nesse lugar, só de pensar nisso quero vomitar de novo.

As gêmeas já falaram sobre o dono do hotel uma vez, mas nada tão relevante, ninguém viu ele pessoalmente, só ouviram a voz dele. Falaram que só a gerência vê ele. Dizem que ele é um mistério, por só ouvirem a sua voz, dizem que ele é deformado ou um assassino em série fugitivo, não acreditei nessas histórias, acho que ele só quer prezar a sua imagem, já que muitas pessoas devem odiar esse lugar e consequentemente, ele também.

- Último dia que estarei te ajudando - diz Emma, me tirando de minha memórias - Espero que você se vire sem mim.

- E eu espero que em algum dia fiquemos juntas no trabalho - digo, e ela abre um sorriso - Vou sentir saudades.

- São só algumas horas - Emma diz, sorrindo - Não seja dramática.

- Eu dramática? - digo, fazendo pose e depois rindo, Emma ri comigo.

- Você é tão bobinha, parece uma criança.

- E quem disse que eu não sou?

- Uma criança mórbida, que fala de mortes e tem uma cabeça super aberta.

Emma passa o dedo na minha testa e eu fico com o rosto quente.

- O ruim - eu digo, desacelerando o passo - é que eu não sei muita coisa de você fora do hotel.

Emma continua andando e fica um pouco em silêncio. A gente carregava as mangueiras até o Gael.

- Não é que eu tenha vergonha - Emma diz finalmente - Mas é que não sei como você vai reagir, e eu não quero que você se sinta de forma diferente do meu lado.

- Você acabou de me rotular como "cabeça aberta" - digo, entregando as mangueiras para Gael quando chegamos nele - e eu acredito que sou isso mesmo, então pode confiar em mim, Elita.

Emma ri, ela ama quando a chamo pelo apelido.

- Tá bom - ela diz, segurando as minhas mãos e andando de costas até o hotel - Pra comemorar o nosso último dia de ajuda, e pra eu poder te contar a minha "história de vida" - ela coloca a mão na testa de forma dramática, e eu acabo rindo - me encontre na piscina às sete. Sem falta.

- Eu nunca faltaria a um encontro com você.

- Encontro?

- Encontro que eu falo é de encontrar você - eu me embolo com as palavras, e começo e rir de nervosismo.

Emma ri.

- Ok, - ela diz - não falte ao nosso encontro.

2

Surpresa com os amigos

A tal "viagem em família" duraria um mês, mas Jackie não ficaria contente com uma semana sem mensagens minhas. Será que meus pais deram alguma desculpa? Ou será que essa é uma falha no plano deles?

Por incrível que pareça, eu sinto saudades dos meus pais e do meu irmão, sei que eles querem o meu bem, mas o que estaria me fazendo mal? Eles pelo menos deveriam falar sobre o que querem que eu mude, né?

E lá vou eu, pensar muito novamente. Deveria fazer como Emma, não pensar tanto sobre como era a minha vida lá fora, acho que devo começar a fazer isso.

Seis horas no relógio, Manuela e Isabela me chamaram para o quarto delas, junto com os outros dois para uma "surpresa".

Coloquei um vestido simples e claro, coloquei meias brancas com renda, que é literalmente a única coisa que uso por todo o hotel. Saí do meu quarto e desci de elevador para o quinto andar e bati na porta do 519. Isabela abriu e deu gritinho.

- Gente! - disse Isabela, muito animada - A Melanie chegou!

Todos dão gritinhos e eu entro no quarto.

Gavin e Manuela brincavam de luta de travesseiro enquanto Elita observava tudo de uma poltrona no canto do quarto, ela tenha um canivete em suas mãos e ficava girando ele. O quarto era igual ao meu, a pintura um pouco mais escura, os móveis eram, de certa maneira, diferentes. As gêmeas não tinham uma vitrola como eu, no lugar tinha um rádio, encima tinha dois quadros com pinturas das duas se abraçando, no rádio tocava Estelle, mas especificamente "Better". Assim que Gavin caiu no chão com o nocaute de Manuela, ele começa a ter um ataque de riso e Manuela vai ver como ele tá.

- Eu te machuquei? - Manuela pergunta.

- Não - ele diz, rindo - Foi divertido.

Manuela sorri e estende o braço para ele, que se levanta com a ajuda. Elita, que eu sempre a chamo assim quando estou com o pessoal, porque a "Emma" é o nosso segredinho, pegou o óculos de Gavin na cabeceira e o entregou para ele.

- Obrigado - ele disse, colocando os óculos.

Elita pisca para ele.

- Ele tá doidinho - Isabela diz, me guiando até uma outra poltrona, do lado oposto da Elita, que aponta para o pulso e dando uma piscada - e ele ainda não experimentou o que temos aqui.

- O que vocês têm? - pergunto, muito curiosa, mas com uma idéia na cabeça.

Isabela vai até a sua gaveta e puxa baseados de lá.

- Eu mesma bolei - disse Manuela, com pose de alguém que se orgulhava de um trabalho bem feito.

- Tá de brincadeira! - Elita diz, se levantando e indo até Isabela, que a entrega um dos baseados - Como vocês conseguiram?

- A maconha aqui é barata - disse Isabela, indo distribuir para todo mundo - Até fiquei surpresa.

Isabela me oferece e é claro que não nego, mas depois de Manuela, era a vez de Gavin pegar, ele parecia em dúvida.

- Não precisa se você não gostar - disse Isabela, balançando o baseado.

- Não - disse Gavin, com a voz falha - Eu não sei, é que eu nunca experimentei.

- E o que você já experimentou, Gavin? - diz Elita, deitando de barriga para cima na cama e olhando para Gavin - Eu sei que você não é muito ousado.

Gavin fica vermelho e sorri enquanto pega o baseado. Isabela acende o dela e o da irmã, oferece o isqueiro para mim, que acendo o meu e sinto o meu corpo flutuar e a minha mente esvaziar, fazia tempo que não fumava um e ter isso agora me deixou mil vezes mais tranquila, deveria ver quanto é para poder comprar só para eu relaxar. Puxo mais uma vez enquanto vejo Gavin acender o de Elita e ela acender o dele. Solto a fumaça e cerro os olhos, com uma cara séria, olho nos olhos de Gavin e ele puxa.

- Isso - diz Manuela, colocando a mão em seu peito - agora pra dentro... Bom... Solta.

Gavin solta e tosse algumas vezes. Acabamos rindo. Elita se aproxima de seu rosto, ele olha para ela e começa a rir.

- Eu gostei - ele diz, não conseguindo abrir os olhos de tanto rir.

- Abre os olhos - diz Manuela, rindo.

- Não... - Gavin ri - Eu não consigo.

Os três que estão na cama não param de rir, parecendo crianças que comeram muito doce. Gavin deita e puxa mais uma vez.

- Vai com calma, moleque - diz Manuela, ainda rindo porque Gavin ainda não abriu os olhos. Elita volta a se deita também e Manuela aproveita para se juntar aos amigos.

Isabela se senta em um poof ao lado da poltrona que estava sentada. Ela deixa o baseado na boca enquanto ajeita o cabelo. Isabela fez uma maquiagem leve, olho meio rosado, um batom levemente vermelho, ela parecia uma pessoa incrível só de olhar para ela. Ela mostrava tanta confiança, principalmente quando falava, suas palavras eram ditas com uma maturidade impressionante.

- Uma semana, né? - ela pergunta, tirando o baseado da boca.

- Sim - respondo, me inclinando um pouco - Nem parece, depois do terceiro dia o tempo passou voando.

- Isso também aconteceu comigo, claro que demorou um pouco mais, mas agora o tempo passa rápido.

- Você acha que está melhorando? Que tem chances de sair daqui?

- Não sei se estou melhorando, nem se vou sair desse hospício, mesmo com esforço, coisa que a minha vida toda tive que ouvir. Imagina, uma mulher negra e gorda ouvindo sempre como ela deve se comportar, ter medo de tudo e todos, com pessoas falando sobre dieta com você, falando que tem que se esforçar mais do que outros mais privilegiados que você pra ganhar metade do que eles ganham.

- Nem sei o que disser, vejo amigos falando sobre isso e... - não só consigo terminar de falar.

- Acho que não tem o que falar - ela se balança junto com a música - infelizmente.

Me balanço junto com a música, mas ainda com o que Isabela disse em mente. Depois de um minuto, o baseado de Elita acabou, ela continuou deitada e Gavin se apoiou nos cotovelos, ele ofereceu o dele para ela, que sorriu e Gavin colocou o baseado sobre seus lábios, ele admirava ela fazendo isso, que quando ela tragou, ele fez o mesmo, e soltou a fumaça para cima. Quando abaixou a cabeça, olhou para mim e sorriu, eu sorri de volta. Ele olha para Isabela e levanta as sobrancelhas junto com o baseado, uma forma de disser "obrigado", ele sorri como um idiota.

- Por nada, meu bebezinho - Isabela diz e Manuela acorda no susto, ela foi a primeira a acabar com o baseado e estava dormindo.

- O que eu perdi? - ela pergunta, limpando a baba do rosto.

- Neurônios - disse Isabela, rindo, e Manuela pega um travesseiro e taca na irmã. Elas pareciam tão felizes.

3

Piscina

Desci com o maiô debaixo da roupa. Eu ainda estava chapada, e o nervosismo não me deixava mais calma. Por que eu tô me sentindo assim?

Dessa vez a piscina estava aberta, mas só Emma estava lá, o azul da luz que ficava dentro da piscina a iluminava, deixando ela ainda mais linda. Ela estava sentada na beira da piscina, também com o maiô, cheguei silenciosa e deixei minhas coisas nas cadeiras que ficam na parede em frente a piscina e fui tirando a roupa. Emma se virou e vi o quão calma ela estava, olhava para mim com uma tranquilidade, ela deu um sorriso e voltou a olhar seus pés na água.

Assim que estou pronta, me sento ao seu lado, nossos dedos se acostam sem querer, mas Emma não os tira de lá.

- Eu gostei muito de hoje - ela disse primeiro que eu - Pena que não vamos ficar mais tão juntas.

- Estou triste com esse fato - digo, as palavras saem muito formais, que merda tá acontecendo comigo? - Eu... Queria ficar mais com você.

Elita sorri, ela mexe os pés para frente e para trás, ela os observa com um olhar calmo. É incrível como ela faz eu me sentir, só de olhar para ela, eu me arrepio toda, sinto que a qualquer momento vou pirar.

- Também queria - ela diz, depois de pensar um pouco - Podíamos vir mais aqui, né? - agora ela olha para mim e o azul da piscina combinou com o azul dos seus olhos.

- Podíamos - digo depois de alguns segundos olhando para seu rosto.

Elita coloca uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e sorri.

- Você gosta de mim? - Emma perguntar, olhando para o lado oposto ao meu.

- De... - eu travo - De que forma?

Ela vira o rosto e olha no fundo dos meus olhos, mas logo desvia e volta a olhar para o outro lado.

- Tem alguma outra forma de você gostar de mim? - ela pergunta, sua voz está mais baixa e calma.

- Não sei... - eu junto meus pés e esfrego um no outro, não sei como reagir, não sei do que ela tá dizendo - Eu fico confusa quando te vejo, fico nervosa quando você está perto. Eu realmente não sei o que sinto.

Ela esfrega o dedo em minha mão e posso ver um sorriso surgir no seu rosto, ela o vira e sorri para mim.

- Nossa - ela ri - Eu só perguntei se você gosta de mim, não precisa se declarar assim.

Ela pula na piscina e mergulha.

- Mas... - digo confusa - Eu me declarei?

Realmente não sabia, será que acabei falando muito? Deixei algo escapar que nem eu sabia o que era? Emma volta a superfície.

- Vem - Emma estende a mão para mim, e quando a seguro, ela me puxa e eu caio na piscina, quando volta para fora d'água, ela estava rindo e eu não resisto e acabo rindo também.

- Você tá de brincadeira com a minha cara? - pergunto, rindo.

- Ah, sim - ela diz, colocando o dedo no canto da boca e olhando para cima.

- Palhaça.

Emma nada para trás e mergulha, nadando do mesmo jeito que nadou junto com Isabela na semana passada. Me junto a ela, e de olhos abertos, posso vê-la sorrir enquanto nada. Vou para mais próximo dela, que ao chegar perto, ela abre os olhos e sorri mais ainda, ela segura a minha cintura para passar por cima de mim e quando olha para ela, ela sobe.

- Eu era cam girl – ela diz rápido quando subo.

- O quê? – pergunto, tirando o cabelo da frente do rosto, não sei se entendi bem.

- Sabe? Cam girl, eu fazia vídeos... sensuais – ela ri de vergonha nessa hora – em frente a uma câmera, as pessoas me viam e me davam dinheiro.

- E por que tá me contando isso?

- Porque – Elita pensa um pouco – É quem eu era fora do hotel, e foi um dos motivos pra eu vir pra cá, não te contei antes porque não sabia como você iria reagir.

- Você se envergonha disso?

- De jeito nenhum, eu amo o meu corpo, e até quando parei de fazer cam continuei mostrando ele no meu instagram, quando a gente sair daqui... eu te mostro.

- Se você não se envergonha, por que teve medo de me contar isso?

- Porque meus pais odiavam – ela diz, posso ver que ela quer chorar – Eles me achavam uma vadia, já me chamaram de prostituta, não que tenha problema, mas eu não era isso. Já aconteceu tantas brigas em casa por conta disso, eles acham que eu não saio de casa por vergonha, com medo de alguém me reconhecer como a “vadia da internet”.

- Mas você não deve ligar para o que eles falam – eu me aproximo delas – Se você gosta, então continue, se você quer mudar, mude, mas faça isso por você, não por eles.

- Eu sei – não sei se são lágrimas ou a água da piscina que corre em seu rosto – Mas por causa dessa merda eu tô aqui.

- Pense pelo lado bom – eu digo, colocando a mão em seu rosto – Sem isso, você não teria me conhecido, nem as gêmeas ou o Gavin, e nós estamos aqui pra te amar e proteger.

Emma sorri e olha para baixo.

- Você tem razão – ela diz, e ela me abraça – Pra contrariar esse clima pesado, vamos apostar corrida?

- Valendo o quê? - pergunto, saindo do abraço.

- Deixa eu pensar - ela para pouco e olha para cima - um doce?

- Pode ser. Quero só ver você pagando um doce pra mim, querida.

- Querida? - ela ri.

Nos preparamos fora da piscina e ela fala que quando o ponteiro do relógio fazer o terceiro "tic" nós pulamos. Ele fez e começamos a nadar, me esforcei ao máximo, meus braços e pernas quase travaram pelo esforço que fiz, mas Emma acabou ganhando de mim, chegou alguns segundos antes de mim.

- Vou ganhar comida! - ela diz, sorridente e levantando a braço, toda animada.

- Merda - digo rindo, mas feliz por Emma estar tão animada - Mas foi uma vitória justa, só falar o dia, que eu compro o seu doce.

- Pode deixar que eu falo.

Ouvi palmas vindas da entrada. Era Cordélia e outros seis hóspedes, que estavam de toalhas nos ombros.

- Bravo! - ela dizia, toda animada - Vocês foram incríveis!

Nadamos até ela e saímos da piscina.

- Obrigada - dissemos juntas.

- Fico feliz que vocês estejam se adaptando tão bem ao hotel e ao campo, continuem assim – Cordélia disse.

Sorrimos para ela, Emma foi pegar suas coisas, mas eu tive que parar na frente de Cordélia.

- Emma? - digo, olhando para ela - Leva as minhas coisas para o vestiário, por favor? - ela concorda e vai andando até o vestiário, eu olho para Cordélia, que sorria para mim - Posso falar com você?

- Claro que pode, meu bem - ela põe a mão nas minhas costas e me leva para longe dos outros hóspedes - O que você quer falar?

- Eu só queria me desculpar pelo que fiz no meu primeiro dia aqui - digo, olhando para ela com vergonha - Me sinto mal por ter feito isso, pensei que você era uma pessoa ruim e quando descobri mais sobre você me senti muito mal.

- Oh, minha querida - ela diz, me abraçando - tá tudo bem, você só tinha o ponto de vista de uma pessoa que foi levada para cá a força, está tudo bem em sentir medo - ela sai do abraço e aperta meus ombros de leve - mas você não pode deixar o medo te dominar.

- Não vou - digo, sorrindo.

- Quer que eu te dê uma dica? - ela fala baixinho.

- Claro - falo no mesmo tom que ela.

- Se dedique para sair daqui o quanto antes, não faça como eu. Faça tudo que conseguir, tá me ouvindo? Tudo.

Olho para ela e sorrio.

- Pode deixar, eu vou fazer isso.

Ela sorri orgulhosa e se afasta de mim, orientando sobre a piscina para os novos hóspedes.

Farei sim tudo que posso para sair daqui, e agora com Cordélia falando isso, me deu mais uma ponta de esperança.

4

Gavin não quer ficar sozinho

GAVIN

Eu me sentia tão mal, meus olhos pesavam, minha visão estava embasada, eu já vomitei na lata de lixo duas vezes, a garrafa de vodka estava vazia, jogada do outro lado do quarto. Estou de braços abertos na cama, tentando não pensar muito para não jogar tudo para fora de novo.

O gosto do álcool na minha boca estava muito forte. Não era bom, mas era a única saída que eu tinha para tudo que sentia, era a única forma de fazer eu me sentir mais leve. Eu poderia comprar mais um cigarro como o que Isabela me ofereceu nessa noite, mas não queria outro vício nas minhas costas, já bastava eu me entupir de comida até passar mal, já larguei de vez o vício no celular com todos projetos que eu planejei. Cansei do meu vício em sofrer para parecer perfeito.

Meus pais nunca iriam me perdoar se me vissem assim, mas eu que não deveria perdoar eles, porque eles são a causa disso estar acontecendo. Tudo que eles me causaram foram gatilhos para tudo que acabo fazendo comigo, sei que as escolhas eram minhas, mas eu teria pensado duas vezes se não fosse por essa pressão que eles me faziam sofrer. Não sei o que era pior, meus pais me forçando a ficar trancado em casa, ou ficar trancado aqui.

Não queria sair do meu quarto, não queria sair da minha cama, queria continuar dormindo, por doze horas se deixassem, queria fingir que morri e acordar como se fosse de um coma. Sentir meu corpo finalmente relaxar.

Não aguento ficar parado alí com aquela tontura e corro para a lata do lixo e vomito uma terceira vez, agora saiu queimando a minha garganta, aquela ardência pós vômito ficou por mais tempo. Eu deveria parar... Deveria. Como eu deveria ter mais liberdade, como deveria ter mais importância nos meus ciclos familiares e de amigos. Mas do que vale a minha opinião e presença? Eu incomodo.

Volto para a cama e pego um chiclete e o masco até ficar sem gosto, o jogo fora, quase caindo pelo caminho, tropeçando nos meus próprios pés. Volto para a cama, ligo o ar condicionado e me cubro até o pescoço com o lençol. Dormi até acordar bêbado de sono, não mais de álcool. Olho no relógio e já eram seis da manhã. Que horas eu comecei a beber ontem? Sete? Oito? Que horas eu parei? Dez?

Minha cabeça dói, principalmente quando tento me levantar pela primeira vez. Sento e tento mais uma, consigo levantar. Vou até o banheiro e tomo um banho frio, me visto com as roupas mais confortáveis que tenho, no frigobar do meu quarto eu pego uma garrafa de água e a bebo em segundos. Não é a primeira vez que faço isso comigo.

Meus passos até a porta são pequenos, mas mesmo assim tropeço mais uma vez, caio no choro, meu coração dói, não sei porque estou tão mal, não sei porque me sinto tão esgotado, inútil e insuficiente, algo falta em mim. Minhas lágrimas pesam, meu peito aperta. Fecho as mãos com muita força e acabo me machucando sem querer.

Vou até a cômodo e pego um lenço de papel e limpo as lágrimas. No espelho, treino o meu sorriso e finalmente, saio do quarto.

O elevador parece que vai cair, tudo girava ainda, mas tinha que manter a pose para a Leslie não notar, ela carregava alguns doces em um prato, provavelmente foi ela mesma que fez.

- Você tá bem, Gavin? - ela pergunta, deve ser pela minha cara de cansaço.

- Sim - minto, esfregando o dedo em um dos olhos - Só não dormi bem.

- Sei como é - ela diz, olhando para o prato que tinha em mãos - Passo muito por isso. Quer um?

Ela estende o prato para mim e eu pego um dos doces com um sorriso no rosto.

- Obrigado - eu agradeço e ela sorri - É amendoim?

- Sim, eu mesma fiz - ela reponde.

- Vou comer depois do café.

Saímos do elevador e fomos para direções opostas. Chego no refeitório, ele está cheio como sempre. Manuela levanta a mão para me localizar, pego a minha comida e foi até elas.

- Eaí, garotas? - digo, tentando não soar cansado, mas sei que Elita sabe muito bem quando eu estou mal.

- Então, Gavin - diz Manuela - estávamos pensando em fazer um piquenique no fim de semana, eaí, topa?

- Claro - respondo, bebendo um pouco de achocolatado.

Todos ficam em silêncio.

- Gavin, você tá bem? - Isabela pergunta, segurando a minha mão.

- Por que eu não estaria? - pergunto.

- Você bebeu um copo grande de achocolatado de uma só vez, talvez seja por isso.

- Ah - eu fico em tempo sem falar nada - Eu só... Não dormi direito.

- Deveria se preocupar em dormir bem - Isabela diz para mim - Você completou um mês aqui, já era pra isso ter melhorado.

- Eu sei - dou essa resposta curta.

Melanie coloca a mão entre meu braço e minhas costelas e apoia a cabeça no meu ombro.

Eu tenho vinte e dois anos, mas às vezes sinto que tenho quinze, e com Melanie aqui, é impossível não pensarmos que somos colegas do nono ano.

Quando estávamos saindo, Elita me puxou para um canto do saguão.

- Você não tá bem caralho nenhum - ela diz calma, porém sinto a raiva na sua voz.

- Desculpa - eu digo sem olhar nos seus olhos. Eu odiava quando Elita ficava com raiva ou chateada comigo.

- Quer conversar melhor depois? Eu... Também não tô bem.

- Tá bom - respondo - Depois do trabalho?

- Depois do trabalho.

Passo o dia com uma dor de cabeça enorme, quase dormi três vezes, e quase vomitei duas. Assim que o dia acabou, larguei tudo e subi até o ponto mais alto do campo e olhei para o longe. Só conseguia ver o campo, mas sabia que depois daquilo, tinha uma casa que me acolheria, braços que me esquentariam, pessoas que me entenderiam, paz e liberdade. Vejo os olhos quando o vento forte bate e sinto as lágrimas caírem. Abro meus braços e deixo o vento acariciar eles. Respiro fundo e sinto o peso do meu peito ir embora, sinto todos os meus problemas morrerem, mas assim que abro os meus olhos, eles voltam e acertam de cheio o meu peito, caio de joelhos no chão e sinto o vômito subir, mas ele não quer sair, de jeito nenhum, a minha cabeça dói muito. Coloco meus dedos guela abaixo, mas só lágrimas saíam do meu corpo, implorava para o vômito sair logo e me deixar livre, queria tirar a minha vida junto com ele, enviava os dedos o mais junto possível, mas quando finalmente senti ele subir, Elita tirou os meus dedos da garganta rápido.

- O que você tá fazendo? - Elita diz, chorando.

- Me desculpa - digo, chorando, eu queria estar morto naquele momento, abraço Elita tão forte, mas ela não se importa, pois também me aperta - me desculpa me desculpa me desculpa!

- Para! - Elita sai do abraço, seu rosto vermelho pelo choro, ela coloca a mão em meu rosto - Não se desculpe, não comigo.

Melanie se abaixa e me abraça, ela não diz nada, mas já é muito para eu chorar novamente. Elita se junta a gente.

Vejo meus olhos e imagino como seria estar morto, como seria o céu. Será que é assim? Aconchegante como estar com elas?

Elita me levanta e me leva para dentro do hotel, pedindo para Melanie cuidar das coisas que deixamos para trás. Elita abriu a porta de seu quarto e pediu para eu entrar.

Caio no chão de seu quarto e fechei meus olhos e tentei respirar e controlar o choro. Elita deitou do meu lado, mas com a cabeça virado do lado contrário da minha. Ela olhou nos meus olhos e ficou alí por muito tempo. Sempre fazíamos isso, o silêncio era a melhor forma de nos mantermos unidos.

- I don't hate you... - ela começou a cantar. Ela escreveu algumas músicas para falar o que sentia quando nos conhecemos, e por incrível que pareça, eu me identifiquei com todas. Era incrível como eu me sinto conectado com a ela.

- I just need some time alone - eu completo e sorrio quando ela sorri.

Ela pousou a mão na altura na cabeça e eu fiz o mesmo. Com a minha mão em cima da sua, ela a acariciou, ela olhava para ela e sorria.

- I'm sorry can't stay - ela cantou mais um verso.

- I'd rather be at home - eu completei.

E a gente ficou alí, cantando enquanto brincávamos com a mão um do outro. Quando ela mantinha contato visual, meu coração acelerava. Eu me sentia completo com ela. Sentia que finalmente alguém no mundo me entendia por completo. Podíamos ficar sem falar por horas e mesmo assim ela não ficava chateada. Tínhamos nossos hábitos, tínhamos nossas conversas malucas. Eu realmente amava a Emma, não do jeito que as pessoas pensam quando falo que amo alguém, as pessoas não entendem que o meu emocional é muito intenso, mas ela entende, por isso a amo, ela é a minha melhor amiga aqui, ele me compreende. Ela me ajudou deste o dia que ela chegou. Amo muito ela para vê-la longe ou me vendo com outros olhos, e eu juro, não tem olhar melhor no mundo do que o dela.

Ela se levantou quando a música acabou e foi até a cabeceira, eu continuei deitado no chão, olhando para o teto. Ela voltou acendendo um baseado, quando acendeu, ela jogou o cabelo para trás. Ela tragou, eu sentei no chão e ela estendeu a mão para que eu tragasse também, o que fiz.

- O que está te deixando mal? - ela perguntou, antes de colocar o cigarro na boca de novo.

- Eu não sei - disse, olhando para a janela e vendo a noite chegar - Sinto que eu não estou bem, só isso.

- Tem que ter um motivo pra você estar se sentindo assim.

- Tem? - eu olho para ela, que me olhava com pena - Acho que... Eu estou andando de costas de uns tempos pra cá.

- Por que acha isso?

- Eu simplesmente sinto o vazio de novo - coloco a mão no meu peito - Aquele vazio que sentia antes de chegar aqui, aquele vazio que só parou quando...

- Quando? - Elita se inclinou perguntando isso, depois de alguns minutos sem resposta.

- Quando você chegou - digo, e ela sorri quando escuta isso.

- E meu vazio também sumiu quando te conheci - ela disse e meu coração parou - Eu sinto que você me entende, a nossa amizade é uma das coisas que mais prezo aqui.

- Sinto o mesmo - eu digo sorrindo.

- Você sabe que eu te amo, né?

- Eu sei, e eu também sinto o mesmo - eu estava mais calmo agora - Eu tenho que ir, tenho que arrumar o meu quarto.

- Tá bom - ela sorri, e traga mais uma vez.

Antes de eu sair, vou até a lata de lixo para jogar fora o papel do doce da Lottie que guardei no bolso e esqueci de jogar fora, mas olhando dentro da lata, vejo vários lenços de papel jogados. Olha para Elita, que olha para mim e depois para o lixo. Vejo que ela está tentando não chorar.

- Quando você for se embebedar, - ela diz - me chame, eu também tô precisando disso no momento.

- Pode deixar que eu vou - digo, saindo do quarto.

Saindo do quarto dela, sinto meu corpo mais leve. É bom ter amigos verdadeiros aqui, é bom sentir que Emma me entende e que temos uma amizade muito forte, é isso é mais que bom, está tudo perfeito. Eu amo ela e ela me ama, assim como eu amo Manuela e Isabela, e como estou cada vez mais amando a Melanie.

Sinto todo esse amor subir pela garganta e vomito no corredor, mas ao invés de vômito, são pétalas de lavanda. Fico em tempo paralisado, tentando entender o que acabou de acontecer.

Ouço um barulho do meu lado e vejo que Melanie está parada lá, olhando para mim e para as pétalas do chão.

- Você... - ela diz, parecendo preocupada - quer conversar?

Eu me ergo e foi até ela, que coloca a mão em meu ombro e me leva até o quarto dela.

Sentei em sua cama e ela parou na minha frente, de braços cruzados, ela me olhava com um leve olhar de pena.

- Eu... – não conseguia pensar tão bem, as pétalas que saíram da minha garganta ainda estavam na minha cabeça – Eu... não tive uma infância boa, nem uma adolescência, falando a verdade.

Melanie sentou do meu lado.

- Meus pais eram pais aves, - continuo falando – eles nunca me deixaram voar, sempre me prendendo em casa, sempre me pondo medos sobre o mundo lá fora.

Olho para a janela, já estava escuro.

- Não podia descer pra a rua debaixo, onde meus amigos moravam. Não podia sair pras festas de aniversário. O mundo era perigoso, eu sei disso, mas em que lugar ele não é?

Melanie apoiou a cabeça no meu ombro.

- Percebi que tinha pânico social no ensino médio, meus amigos me chamavam pra sair e não nem perguntava pros meus pais, sabia que eles diriam não, mas no fundo, eu não queria ir. Não queria estar em um lugar cheio de pessoas desconhecidas e bêbadas, não queria enfrentar aquilo, poderia me acostumar com o desconforto, mas eu não queria, não queria passar mais uma noite chorando porque sentia um vazio no meu peito.

Eu parei por alguns segundos.

- Eu me isolei, da minha família, e também dos meus amigos, eles falavam sobre assuntos que eu não me encaixava, então eu deitava o olhava pro céu ou pegava o meu celular, muitas vezes não fiz de propósito, eu simplesmente ficava alheio, puvia a voz deles se afastar, e eu me sentia bem assim. Eu me isolando pra não ter que interagir sobre assuntos que não me importava, porque eu passava muito tempo pensando no que iria falar, e quando abria a boca ou eles ficavam me interrompendo ou me ignoravam, eu estava cansado disso.

- Mas você não falou com eles sobre isso? – Melanie perguntou.

- Já – respondo, lembrando de tudo, minha cabeça começou a doer – Uma vez me ignoraram, na outra falaram que eu deveria me “esforçar mais pra socializar”, como se eu não tentasse, na outra falaram que eu estava de drama. O pior é que eu não sei me expressar falando pessoalmente, só escrevendo antes. Eu já postei tanto nas redes sobre, mas mesmo assim eles fodiam com tudo.

Na primeira vez, uma amiga e eu andávamos de volta para casa e falávamos sobre um garoto que ela gostava que iria para outro estado, e ela falava como estava mal com isso, não julguei o sofrimento dela , porque esse era o problema que ela tinha.

- Eu também não tô... – comecei a falar, mas ela me interrompeu.

- Eu não tava aguentando mais – falei para Melanie - Queria pessoas que me entendessem, e eu tinha, mas era tão complicado pra nos encontrarmos, e quanto mais o meu pânico crescia, mas eu... falava sozinho, o meu reflexo era a única pessoa ou coisa que me ouvia e não me interrompia, que se preocupava com o que eu tinha pra falar, que se importava sobre como eu me sentia.

Melanie segurou a minha mão.

- Eu nunca dava certo com ninguém – continuo – Meus amores eram falhos e isso só piorava a situação, mas eu não me importava com isso. Eu só queria alguém que me amasse e me entendesse, que não julgasse o meu corpo, você entende?

- Entendo, - Melanie diz, olhando para mim – entendo muito bem.

- Ninguém nunca se preocupou o bastante pra conversar comigo, pra me perguntar como eu estava me sentindo, só pediam pra eu parar com isso e eu só me desculpava – eu comecei a chorar – e por causa disso eu tô aqui.

Melanie me abraçou forte.

- Eu tô aqui – ela disse, no meu ouvindo enquanto fazia carinho no meu cabelo – eu tô aqui pra você, Manu e Isa também, e a Elita, não se sinta sozinho, não queira ficar sozinho com medo de não te entenderem.

Antes de poder agradecer, todas as luzes se apagam, limpo as lágrimas e vou até a janela, viro para Melanie, que só era uma silhueta na cama, e falo:

- Houve um blecaute no hotel.



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