História Le Garde Du Corps - Capítulo 28


Escrita por: e MinBrie

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kai, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Abo, Da Série: Minimini? Sobi!, Hoseok Alfa, Hoseok!alfa, Hoseok!ativo, Jhope!alfa, Kakaw-chan, Lemon, Menção Jihope, Menção Taegi, Menção Yoonkai, Menção Yoonkook, Minbrie, Namjin, Sobi, Sope, Suga!ômega, Yoongi Ómega, Yoongi!omega, Yoongi!passivo, Yoonseok
Visualizações 115
Palavras 4.929
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mil desculpas pelas semanas sem postar e por estar postando tão tarde hoje, as semanas passadas foram cheias de provas na faculdade e eu acabei me atarefando e esquecendo de postar e hoje meu dia foi bem limitado.

É meu aniversário!!! Uhuuuuu!!! Aish, fiquei claramente mais velha... Fazer o que né rsrsrsrs o niver é meu, mas quem ganha capitulo são vocês...

POREM, PREPAREM OS CORAÇÕES PORQUE ESSE CAPITULO É DE ARRASAR!

Prepararam? Então vai lá, porem não me responsabilizo por nada...

Pourquoi Je Ne Vous Ai Pas... Ou Avez...¹: Talvez por isso eu não o tenha... Talvez tenha...

Capítulo 28 - Pourquoi Je Ne Vous Ai Pas... Ou Avez...


Jung HoSeok

Eu sabia que estava todo errado em relação a YoonGi, mas ao mesmo tempo eu simplesmente não conseguia mais parar. Também não estou dizendo que me esforcei para tal, mas não conseguia ter vontade para isso. Eu queria estar perto dele, estava feliz que estávamos mais próximos do que nunca, eu queria estar o beijando, queria também avançar mais do que isso, mas havia algum resquício de razão em mim que me lembrava que eu estava errado, que era errado e que se eu não parasse o machucaria.

Havíamos passado todo o mês juntos e eu sabia o quanto estava ferido, mas estar ao lado de YoonGi me fazia esquecer, me fazia não ligar para a dor interna, exceto quando eu o via triste ou distante. Sabia que não era por minha causa e isso de alguma forma se fazia pior. Não que eu quisesse o ômega sofrendo por mim, mas também não queria que sofresse por terceiros, mas ali estava ele dividido entre Park ChanYeol e Kim JongIn e mesmo que eu estivesse ao seu lado, eu não sabia se estava perto suficiente, não sabia se ele também pensava em mim, se estava tão confuso quanto eu ou se ele ao menos pensa no que estamos fazendo.

É uma grande tolice tudo isso.

Em menos de um segundo depois do primeiro beijo eu soube que estava perdido, dois segundos depois da minha frase eu percebi que embora tivesse falado demais minhas palavras nunca soaram com tanta verdade. Mas depois disso eu sabia que as coisas andariam para um lado torto. Tudo bem, agimos normalmente, treinamos, fomos para faculdade, voltamos, fomos para a casa do seu pai, ChanYeol voltou, ChanYeol se foi novamente, dormimos abraçados e nos beijamos a cada seis horas de acordo com os horários dos remédios, claro, nada disso necessariamente nessa ordem, mas foram coisas que aconteceram em meio essas semanas, coisas que deveriam ter sido banais, mas não foram.

Aqui estou eu então, com o carro estacionado na frente da floricultura daquela simpática ômega, lugar onde estive um mês e uma semana atrás para comprar lírios para JiMin. Mas não era por isso que eu retornara. Ainda lutava comigo mesmo sobre isso, mas me doía voltar aqui e não ser por JiMin, me doía estar aqui e saber que não eram suas flores que eu compraria, me doía saber que por mais  que eu amasse JiMin, eu estava aqui por outra pessoa.

Eu queria poder jogar tudo em esquecimento, a minha dor, os meus sentimentos, minhas perdas... Mas eu não posso, eu vou lembrar dia após dia e vou sofrer por isso, mas eu não sofria pela perda em si, eu me sentia mal de alguma forma por perceber que YoonGi estava tomando tudo em mim, até mesmo o motivo de eu estar aqui. Ainda havia aquilo, eu sentia constantemente que sabia como o ômega estava se sentindo ou o que ele estava fazendo quando não estávamos juntos, é impossível, eu sei, mas me sentia assim e por vezes sentia coisas estranhas demais, como a momentos depois de ter saído da faculdade, eu conseguia sentir como se o ômega estivesse tão longe de mim, mas me trazendo aos seus pensamentos, muito embora eu também sentisse como se ele estivesse me afastando de alguma forma.

Quando o sininho da loja tocou eu tive o olhar carismático e acolhedor da ômega na mesma hora, ela logo esboçou um sorriso grande e veio na minha direção.

— Oh, quanto tempo! Estou feliz em vê-lo meu rapaz, vou preparar os lírios.

— Não... — A interrompi antes que ela virasse em busca das flores que eu preferia não mais ver. — Não vim para levar lírios, hoje eu vou levar outra coisa.

Ela assentiu e foi em busca do meu pedido, paguei-lhe e saí de lá apenas com um botão jovem da flor, eu queria dar a YoonGi, um presente, um agradecimento, uma despedida. Eu estava decidido que seria mais seguro para ele se o mesmo estivesse longe de mim e nem ao menos me refiro aos meus sentimentos, mas sim aos últimos acontecimentos.

Duas noites atrás eu havia finalmente encontrado o paradeiro do atacante do Min, na madrugada passada eu  havia ido ao seu encontro e sua revelação foi um tanto revoltante para mim. Era a família Kim. Era por minha culpa. Mataram a JiMin por ser meu namorado e agora haviam ido atrás de YoonGi e o agredido como uma forma de aviso, para que eu me afastasse, para que eu fosse embora.

Era mais do que claro que se eu estivesse sempre ao lado de YoonGi nada o aconteceria, mas se eu me distanciasse como naquela noite eles iriam atrás do esverdeado, então não havia muito o que fazer, eu tinha que ir embora. Eu não sabia se o disfarce que eu carrego por mais de cinco anos havia sido descoberto por todos, mas sabia que alguém sabia sobre mim e isso em si já não era boa coisa, se eu tão somente soubesse quem era essa pessoa eu poderia facilmente dar um jeito nela, mas eu não sabia, então eu tinha que ir, assim YoonGi e provavelmente YoonJae também estariam protegidos. Mas claro, eu falaria com o patriarca antes, não iria embora sem lhe dizer, alem disso tinha que lhe ajudar a encontrar alguém decente que cuidasse de YoonGi enquanto eu não pudesse.

Olhei pra o meu relógio, estava quase na hora do ômega sair da faculdade, eu pedi para que almoçássemos juntos hoje, apenas eu e ele, eu queria findar tudo de maneira branda e compreensível, eu não poderia lhe contar os motivos já que ele nada sabe sobre o meu passado, mas ainda assim não queria que ele soubesse de repente que eu simplesmente fui embora. Dirigi calmo, as ruas estavam movimentadas como de costume em Seul, mas  nada que provocasse engarrafamento ou atrasos, quando cheguei em frente ao campus ele ainda não estava lá. Deixei a flor dentro do porta-luvas.

Eu saí do carro para o procurar pelo pátio do campus, não precisei de muito, o seu cheiro conseguia de alguma forma me chamar a metros de distância, era estranho, eu antes não me sentia assim, ao menos não conseguia notar, talvez estivéssemos próximos demais, de forma tão grande que eu conseguia saber onde estava, seu cheiro me chamava.

— Você está aqui. — Falei chegando por trás. — Podemos ir ou ainda tem algo pra fazer antes?  

— Não, podemos ir... 

— Ótimo. — Andamos até o meu carro e eu me sentei no motorista, embora tivesse feito a proposta do almoço eu não havia planejado onde irmos. — Onde quer almoçar? 

— Eu queria almoçar em casa deitado no meu sofá assistindo um filme, podemos? — Ele olhava pra janela mas sua voz era de quem se divertia. 

— Não, não podemos, fizemos isso a semana toda, além disso, eu tenho algo para lhe contar... Não pode ser lá, você não vai gostar muito, imagino. 

— E falar em outro lugar vai diminuir o meu não gostar? Acho que não, mas já que insiste podemos ir num restaurante perto do cinema pra se você mudar de ideia sobre o filme... Aliás você diz que a gente fez isso a semana toda mas não me lembro de ter visto você reclamar! 

— Não vai diminuir, mas acho que em um lugar público você vai pensar duas vezes antes de surtar. — Ri do que eu mesmo disse, não achava que ele fosse surtar, mas não iria gostar. — Eu não reclamei porque eu gostei, não nego, mas uma coisa diferente não mata ninguém. Bom, vamos, estou com fome. 

Ele fez um bico. 

— Eu não vou surtar... Depende do que vai dizer! Além disso você sempre ta com fome, Min HoSeok! 

— Que mentira! Está me chamando de guloso? Com que argumentos você sustenta sua tese? 

— Com os chocolates que não comi! Com as garrafas de refrigerante que eu não bebi! Com os Kg de comida que eu não preparei muito menos comi! Sem fundamentos, HoSeok?! Será mesmo?!

— Você comeu os chocolates, eu só roubei dois! E você roubou meus refrigerantes muitas vezes antes da metade, pensa que eu esqueci? Você queria que eu passasse fome? Você cozinhava no inicio, agora deixa tudo pra mim, tá tentando se livrar de mim sem me dar comida, não é? 

— Não me venha pra cá com isso!!! Ninguém mandou você saber cozinhar mais do que eu! Se não fosse tão bom eu cozinhava.... 

— Você está me escravizando naquela cozinha... — A atmosfera dentro do carro estava bem leve, me dava medo, porque eu sabia que iria destruir isso em segundos. — Vamos descer aqui, já que o bonitinho quer ir no cinema, talvez possamos falar sobre isso depois. — Estacionei o carro na rua do cinema, haviam muitos outros carros por ali então na primeira vaga que encontrei eu estacionei, mesmo sendo um pouco longe e teríamos que andar um pouquinho.

— O que vamos assistir?! Tomara que IT a coisa esteja em cartaz! Ou quem sabe invocação do mal 2! Não pera o melhor é oujija! Quero assistir todos!  

— Se animou todinho, né? Qualquer um serve, pode escolher. — Ele saiu primeiro do carro e eu logo em seguida, mas não sem antes pegar a flor. — Yoon... — O chamei, ele já estava um pouco mais na frente, ele virou-se para mim e não notou a flor até que eu estendesse em sua direção, seu olhar foi de surpresa. — É um coração hemorrágico. — Falei, era muito provável que mesmo sendo o cheiro dele ele nunca tenha visto a flor por ser rara. 

— É linda... Mas... Por que? — Perguntou se aproximando para pegar a flor de minha mão. 

— Porque... Eu lembro de sentir o seu cheiro em minha infância, não exatamente vindo de você porque não me lembro de já tê-lo visto quando pequeno, mas... O seu cheiro... Me faz bem e eu queria que você soubesse de que flor veio o seu cheiro... Além disso, é um presente.

Ele sorriu afetado, se eu não o conhecesse bem e isso não fosse tão improvável eu até diria que ele tinha algumas lágrimas que ele não deixou cair, mas ele logo voltou ao normal me fazendo achar que havia sido só minha imaginação. 

— Haha! Isso é estranho, HoSeok, mas eu também sinto que seu cheiro é familiar pra mim... Obrigada pelo presente, eu realmente nunca havia visto a flor, eu realmente não te mereço... Talvez seja por isso que eu não o tenha. — Mesmo que a última parte tenha sido um sussurro eu ainda fui capaz de ouvir.

— Talvez você tenha. — Segurei em sua cintura com a mesma leveza de sempre e me inclinei um pouco para chegar em seus lábios. Eu queria passar algo para ele, mesmo que eu não soubesse direito o que passar, minha cabeça estava um turbilhão, quando eu comprei a flor não estava nos meus planos esse contato tão... Perfeito, de nossos lábios, mas parecia o certo. Me afastei dele para olhar em seus olhos. — Eu... — Minha visão desviou de seus olhos para a movimentação atrás de si e quando percebi a situação, vi que também já era tarde demais para fazer alguma coisa racional e rápida, por isso apertei o seu corpo contra o meu e girei nossos corpos ficando em seu lugar, no momento exato que um som estridente reverberou meus ouvido e a dor do tiro inundou meu corpo. 

Quando se leva um tiro, a primeira coisa que você sente não é dor, eu ao menos não senti de imediato. Primeiro veio uma desorientação, depois uma dormência e por fim a dor. Eu caí nos braços de YoonGi com o impacto, meus joelhos encontraram o chão rapidamente e eu não conseguia distinguir nada ao meu redor, ouvia barulhos, vozes, carros, passos, mas nada me chamava mais atenção do que a voz tremida do ômega que me segurava. Eu não entendia as palavras de YoonGi, não sabia o que ele estava falando, mas sabia que estava chorando porque a única coisa que eu conseguia fazer era olhar em seus olhos.

Eu lembrava agora, como pude esquecer? Como pude não o reconhecer? Eram aqueles mesmos olhos, aquele mesmo cheiro doce e sensível.

Talvez eu precisasse encontrar um fim, ao menos eu precisava daquele momento e enquanto a dor tomava rapidamente meu corpo eu só queria continuar perdido naqueles olhos escuros. Não me importava com os barulhos ao meu redor, nem conseguia mais ouvir a voz do esverdeado, minha visão começou a desfocar-se e só então eu deixei o desespero correr dentro de mim. Eu estava morrendo, os olhos de YoonGi estavam desaparecendo da minha visão e pela primeira vez eu senti medo de morrer, não medo da morte, mas de perder a lembrança daqueles olhos pequenos e brilhantes. 


Min YoonGi

"Eu realmente não te mereço... Talvez seja por isso que eu não o tenha..."


Talvez por isso eu não o tenha...


É estranho como meu corpo não soube direito o que sentir, ao que parece, ele ficou tão confuso quanto eu.

A dor de meus joelhos ao baterem no chão não me fazia esquecer da sensação dos seus lábios nos meus e da sua mão em minha cintura. O medo que eu tinha começado a sentir com o começo de sua frase não se foi, muito embora outro medo muito maior tivesse se instalado em mim... O medo de perde-lo.


Talvez por isso eu não o tenha...


Mas mesmo que o meu corpo sentisse tudo isso algo prevalecia... A dor. Em um momento estávamos engajados em um ósculo que beirava à perfeição, em outra eu estava sendo girado e por final algo inexistente me impulsionou contra HoSeok ao mesmo tempo que ele desabava à minha frente, dor e medo nunca foram tão presentes desde a morte de minha mãe... Desde a morte...

Minhas costas doíam mas logo a dor dava espaço pra um medo frenético, um medo que me fazia chorar, um medo que me fazia chama-lo desesperadamente, um medo que não me deixava sair de perto dele, não me deixava ter reação, um medo já conhecido por mim...


Talvez por isso eu não o tenha...


Até eu entender que HoSeok havia sido baleado se passou um razoável espaço de tempo e para ter uma atitude mais ainda. Meu cérebro parecia não ter controle sobre o meu corpo, comandos como: Se mexe, pega o celular, peça ajuda, diz algo... Não eram respondidos por ele.

Mas em algum momento que eu não pude lembrar, esses comandos deixaram de ser da minha mente para mim mesmo, pra ser de mim pra HoSeok ainda obtendo os mesmo resultados... O nada.

— Acorda... Acorda, por favor acorda! Anda... Fala... Me diz algo HoSeok! Completa a sua frase! Me beija de novo... Você me prometeu... Sempre que eu quisesse... HoSeok... Hobi... Me beija... Por favor...

Eu não tinha motivo pra estar tão desesperado, mas essa não era a primeira vez que um medo assim me invadia, eu senti o mesmo na morte de minha omma.... Eu perdi ela... Mesmo não tendo sido através de um tiro, mesmo não tendo sido de maneira rápida mas sim lenta e dolorosa, mesmo assim... Eu ainda me desesperei quando a máquina começou a fazer aquele barulho idiota e assustador... Ele significava que minha omma não sorriria mais pra mim... Não me contaria estórias românticas... Não me olharia com ternura quando eu falasse mal dos romances... 

Era esse barulho que soava pelos meus ouvidos agora, um barulho inexistente, que só eu ouvia, que me fazia chorar além do necessário, me desesperar além do que deveria, mas eu não conseguia para. Eu não podia perder HoSeok...


Talvez por isso eu não o tenha...


Pessoas começaram a se aglomerar no local e vergonhosamente foram elas e não eu que chamaram uma ambulância, não eu, em algum momento inexistente na minha memória eu colocara a cabeça de HoSeok em meu colo e ainda chorava como a criança que perdeu a mãe ou o adulto que perdera o.... Guarda-costas.

Não era normal chorar tanto assim por ele, eu queria me segurar, parar de chorar, dizer pra mim mesmo que tudo ia ficar bem, que nós íamos ficar bem, mas sem ser HoSeok dizendo essas palavras tudo parecia mentira, tudo o que dissessem era duvidoso e improvável, tudo era ilusório, tudo era vazio.

— HoSeok... Hobi... Acorda... Me beija, me beija por favor... Você prometeu... Acorda... Não me deixa, você prometeu não me deixar... Não me deixa.


"— Omma... Omma acorda!!! Omma vamos pra casa! Você não precisa ficar mais aqui! Omma, appa está chorando, para de fingir!!! Omma conta uma história pra mim! Omma eu juro que ficarei quieto do começo até o fim! Eu te dou quantos abraços quiser, omma! Não me deixa... Não me deixa aqui... Não me deixa sozinho, omma... Você prometeu me ajudar a encontrar aquele garoto, omma... Como vou encontra-lo sem você? Omma... Não me deixa..."


Não me deixa...


Talvez por isso eu não o tenha...


A ambulância chegou e levou nós dois ao perceber que eu não sairia de perto do alfa de jeito algum, os pedidos haviam cessado, por mais que eles ainda fossem gritados em minha mente, mas as lágrimas se recusavam a parar, as lembranças vinham a mil e eu não conseguia prender tudo o que sentia, eu precisava do HoSeok, eu o queria acordado e bem... Ver ele desacordado só me fazia chorar mais.

— Sr. Min YoonGi, não pode acompanha-lo na cirurgia, mas não se preocupe, é rápida e com pouca margem de erro, só vamos retirar a bala, não se preocupe tanto. — A enfermeira monologava sozinha pois eu só conseguia olhar para a maca de HoSeok sendo levada e apenas balancei a cabeça e de algum modo inexplicável meu corpo agiu antes do comando e me levou para a sala de espera.

A partir dali tudo era o contrário de à poucos momentos atrás, antes estava tudo frenético e rápido de mais, agora tudo se passava em câmera lenta. Antes meu corpo não seguia os comandos de minha mente, agora meu cérebro estava vagando em algum lugar escuro enquanto meu corpo fazia a gentileza de fazer movimentos necessários, sem precisar de comandos. Antes as lembranças me inundavam, agora meus medos me faziam imaginar coisas horríveis para o amanhã.... Eu não sabia qual momento era o pior.

— YoonGi?! Filho! 

Eu havia ligado para meu pai na ambulância dizendo simplesmente para ele ir pro hospital que eu estava indo, que na verdade eu esqueci o nome assim que terminei de dizer para meu pai, desliguei sem mais explicações pois eu não tinha condições pra isso, agora ele estava aqui e eu estava mais perdido do que nunca em meus próprios pensamentos.

HoSeok não acordara nenhuma vez... Não balbuciou palavra alguma, não se movera, não fizera nada! Se não fosse por sua respiração e aquela máquina idiota eu teria me desesperado além do que já estava.

— Eu não entendo appa... Por que eu caí junto com ele?

— O que? YoonGi?! Você caiu com quem?!

— Por que dói tanto, appa? Por que dói como naquele dia? Por que eu não consigo parar? 

— YoonGi!!! — Ele sacudiu os meus ombros preocupado, sua voz raivosa me fez voltar à vida e minhas lágrimas que eu nem sabia que haviam parado voltaram.

— Eu senti também, appa, por que??? De novo não! Eu não posso... 

— YoonGi?! O que aconteceu?!


Talvez por isso eu não o tenha...
Talvez você tenha...


Narrador

Os dias que haviam se passado naquele mês poderiam ser tidos como diferentes na concepção de HoSeok, ele estava entrando em um labirinto e sabia disso. Estava brincando com seus próprios sentimentos e de certa forma com os de YoonGi também, mesmo que não fosse a intenção, a questão não eram os beijos trocados entre os dois, ou os sentimentos que cresciam sem parar, a questão era que o Jung vinha mentindo para o Min.

De manhã, de tarde e de noite ele era uma pessoa, era quem YoonGi precisava que ele fosse, seu guarda-costas, seu amigo, seu ficante, seu parceiro. Estava ali para o Min no que quer que fosse que ele precisasse. Mas nas madrugadas ele era quem ele precisava ser para si mesmo. Abandonava o quarto de YoonGi para ir até o seu, passava longas horas fazendo mais e mais pesquisas. Por dentro estava enlouquecendo por não conseguir encontrar nada concreto.

Existiam muitas coisas pairando na cabeça do Jung, frases cortadas que não saíam de sua cabeça, ou frases completas que não faziam muito sentido.

"— Não completamente, mas vai ajudar, ao menos vai tirar o meu da reta... Sim, sim, depois eu tratarei de fazer a cabeça do tio contra ele... YoonGi é a coisa mais preciosa pro tio, ele vai me ouvir... Tudo bem, eu tenho que ir..."

Foram as palavras de JongIn naquele conversa estranha que teve ao celular no hospital, tudo que HoSeok sabia era que o Kim estava armando algo contra alguém e julgava ser contra Park ChanYeol, já que este era o noivo do Min, mas a incerteza acabava por inferniza-lo, além disso, ainda havia aquela coisa que o Kim dizia tirar o dele da reta, HoSeok o odiava e esse conjunto de palavras só aumentava esse sentimento, mesmo que sem sentido.

"— Isso tudo é muito maior do que você e sua familiazinha na máfia e exportando as armas, tem haver com muito mais e francamente, sei que eles não se importarão com a minha morte tanto quanto não se importaram com a do seus pais e não vão se importar com a sua morte, eles iram atrás de qualquer um que me matar apenas por saberem que existe alguém que pode acabar com os planos deles, estão mais perto do que nunca do que eles querem."

"— E o que eles querem, Dong?"

"— Min YoonGi."

Aquele diálogo com Kim Dong-Yul também não saíra da cabeça do Jung, começava a tentar juntar algumas peças, mas tudo, exatamente tudo, pareciam ser peças de quebra-cabeças diferentes. Ainda se perguntava o que YoonGi tinha haver com a morte de seus pais, naquela época o garoto deveria ter seus sete anos, era uma criança, não fazia sentido.

Durante aquele mês o Jung trabalhava arduamente para tentar descobrir alguma relação do Min mais novo com todos aqueles acontecimentos de treze anos atrás, mas era difícil sem poder tirar nenhuma dúvida com YoonJae, não por não confiar nele como Dong-Yul insinuara, mas por não ter nada concreto e odiava o fato de estórias pela metade. Por isso suas madrugadas estavam se perdendo em segredos que ele preferia não deixar Min YoonGi ter ciência.

Além disso, as pesquisas do Jung também ainda eram sobre o atentado do Min, ele havia deixado aquela foto carregando sobre o programa de identificação e não fora nenhum problema verdadeiro o encontrar no sistema, mas o encontrar no sistema não era o mesmo que o encontrar nas ruas, ainda mais quando só poderia o procurar nas madrugadas. Desde então suas madrugadas se dividiram entre pesquisar ou sair para procurar o marginal.

Na madrugada que antecedeu a fatídica situação do tiroteio, Jung havia finalmente o encontrado e não mais do que feito uma visitinha ao atacante do Min. Era um quitinete no subúrbio onde o rapaz morava, via-se claramente a precariedade do lugar muito antes de se entrar e quando se entrava constatava-se o obvio. A porta parecia mais de enfeite do que de segurança, HoSeok não precisou força-la nem abrir a fechadura, só a empurrou e a mesma abriu-se, mas não sem derrubar algo, provavelmente uma armadilha, a única coisa que poderia alertar o dono de uma invasão, mas o idiota tinha um sono relativamente pesado e era mais fácil algum vizinho ter acordado do que ele.

Uma sala pequena que servia para abrigar um fogão sujo e uma geladeira velha também, um banheiro três vezes menor e um quarto tão pequeno quanto lata de sardinha, eram os únicos cômodos do lar do marginal, ele realmente deveria aceitar qualquer trabalho sujo, porque por pior que fosse ele ainda precisava manter aquele lixo que chamava de casa. HoSeok foi direto para o quarto, o rapaz estava lá deitado em sua cama de solteiro, dormindo até bem tranquilo para alguém que tinha grande chances de não acordar mais, porem HoSeok não tinha a intenção de mata-lo.

— Acorde, filho da puta. — Foram as palavras do Jung enquanto derrubava o rapaz da cama e lhe desferiu um chute no abdômen, com a queda o rapaz se exasperou e apenas se atrapalhou mais, tendo a dor como desfoco momentâneo.

— Mas que porra... — Sibilou até encontrar as orbes escuras do Jung, mesmo que o cômodo estivesse escuro, os olhos do Jung pareciam brilhar ali, não um brilho bom.

O rapaz apenas precisou de segundos olhando para os olhos de HoSeok para saber que ele não estava ali para brincadeiras e mais uns três segundos para saber que estaria morto se fizesse qualquer coisa errada, não era bom em cálculos mas tinha certeza que seus movimentos tinham que ser bem calculados se quisesse que o outro fosse embora o deixando com vida.

— Puta merda, quem é você e o que quer aqui? — Perguntou com raiva, achava que talvez, mesmo morrendo de medo, mostrar alguma confiança fosse sensato.

— Não é você quem faz as perguntas aqui. — HoSeok falou calmamente, a voz não condizendo com o rosto, a fúria em seus olhos era capaz de matar muitos, a calmaria de sua voz capaz de tranquilizar se o outro fosse cego ou não pudesse lhe encarar. — Min YoonGi, esse nome lhe lembra algo?

O alfa ainda tivera que pensar um pouco até lembrar-se do trabalho que pegara semanas atrás, logo tendo os olhos arregalados, porque mesmo que não soubesse quando pegou o trabalho, descobrira depois quem era aquele ômega e tivera noção de que talvez pudesse ser caçado, mas tendo passado tantos dias não imaginou que alguém ainda viria atrás de si. Estava completamente errado.

— Eu... Foi apenas um serviço, eu o deixei vivo. — Falou rápido como se aquilo justificasse tudo e limpasse sua barra, mas fora apenas o suficiente para trazer mais raiva ao Jung que não estava ali para distribuir perdão a ninguém.

Aproveitando-se que o outro não fizera esforço para se levantar desferira um chute forte na cabeça do rapaz que no mesmo instante foi ao chão sentindo a mesma latejar, seus olhos desfocarem uma segunda vez e seus ouvidos zunirem, nem teve tempo de nada até sentir mais um chute, esse em suas costas e então HoSeok se abaixou o pegando pela gola da regata que usava e o fazendo olhar em seus olhos mais uma vez.

— Não me importa se o deixou vivo ou não, me importa quem foi que te pagou pelo serviço.

— Eu não sei quem era ele.

— Resposta errada. — Um soco com a mão esquerda na face direita e depois segurou o rapaz com a mão esquerda apenas para dar um segundo soco com a mão direita. — Vamos tentar mais uma vez.

— Eu não o conhecia, um amigo me disse que estavam precisando de um trabalho e que eu daria conta.

— Você nunca encontrou com quem o contratou?

— Uma vez... Não sei o nome, só o sobrenome, Kim, se não me engano, cabelos pretos e alto.

— Alfa?

— Com certeza sim.

A descrição era uma droga, alfas altos e morenos na família Kim era o que não faltava, mas se tinha uma certeza para o Jung era que a família Kim era responsável pelo que acontecera a YoonGi e certamente YoonJae precisava saber disso. Como dito, HoSeok não estava ali para matar o marginal, ele não era ninguém com quem precisava se preocupar, ou ao menos era o que pensava. O marginal podia não ser muito, mas uma das coisas que era bom era em mentiras e embora não tivesse mentido também não tinha dado as informações completas e estava mais do que disposto a vingar-se pelos recentes machucados.

Depois de voltar para o apartamento de YoonGi, HoSeok trocara de roupa, deitara-se com o Min e ainda deixou-se abraçar sutilmente o corpo menor que o seu, mergulhou naquele aroma doce e forte que o ômega transbordava, isso o acalmava e o fazia raciocinar melhor, descobrira isso durante aqueles dias todos que passaram juntos. Foi ali, enquanto deixava-se afundar no cheiro de Coração Hemorrágico que o Jung teve uma epifania sobre o assunto, fosse o que fosse que estivesse acontecendo, o que quer que a família Kim estivesse fazendo, provavelmente só estava acontecendo porque ele estava ao lado de YoonGi, não era ao Min que queriam atingir e sim a ele.

De manhã ao acordar estava mais do que decidido, iria, depois do almoço, conversar com YoonJae, falar sobre o que sabia, sobre a vida do Min mais novo estar em risco por sua causa e que teria que partir, não sem antes ajudar a encontrar um novo guarda-costas para o Min, mas o importante era ele sumir para proteger o outro, as demais coisas ele resolveria depois.

Fora pensando no abandono ao ômega que ele comprava aquela flor que tinha o cheiro do esverdeado, foi também por isso que marcou aquele almoço e que cedeu ao pedido do outro de irem para o cinema, seria em sua cabeça o último dia que passariam juntos, por isso queria de alguma forma faze-lo ser inesquecível, só não tinha certeza se para o Min ou para si. Mas de fato aquele dia seria inesquecível, o problema era que para uma mente perdida não se tem o que lembrar, mesmo que ainda reste vida, nada garantia que as coisas vistas ali fossem permanecer em sua memória. 


Notas Finais


...
Quem tá chorando levanta a mão 🙋🏽🙋🏽
Quem não esperava isso dá cinco estrelas pro capitulo kkkkkk
Quem quer me matar depois dessa me manda uma MP desabafando que eu serei muito prestativa hahaha

Agora chegando de brincadeiras... Realmente esperavam algo assim? A partir de agora esperem muuuuuitas revelações e coisas que vocês NUNCA nem imaginaram!

QUERO VER AS TEORIAS!!!!

Um beijão pra vocês, até os comentários ou segunda que vem!!


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