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História Lealdade - Capítulo 32


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Capítulo 32 - O início da verdade


Camila observava pensativa a chuva caindo através da janela. Thomas tentou puxar algum assunto durante o caminho até a mansão dos Azablanca, mas entendeu que a namorada precisava de um tempo para conseguir assimilar o que estava acontecendo, mesmo que sentia seu peito apertado imaginando que dentro de sua mente poderia estar acontecendo algum tipo de conflito.

Praticamente tudo o que ela sabia sobre a morte do pai havia sido mentira. Ele realmente havia sido assassinado com tiros nas costas, mas não havia vindo de um inimigo, e sim de um aliado que agora assume tudo o que um dia foi de Germano Azablanca.

Muitas peças não se encaixavam naquele quebra cabeça. Mesmo que Fernando houvesse matado o pai de Camila, ele nunca conseguiria subir ao poder tão rápido sem a ajuda de alguém muito influente, nem mesmo Susana conseguiria. Susana. Ela tinha noção de tudo o que o atual marido havia feito? Lógico que tinha, mas o que conseguiria apoiando o assassinato de Germano? Como Susana seria beneficiada se até então ela continuava sendo a mulher do grande líder? O que a motivaria a aceitar uma traição tão grande?

E a principal questão que rodeava a cabeça de Camila: porque ainda não havia sido assassinada se era a sucessora do poder? As oportunidades que os dois tiveram para tirar a vidada garota foram inúmeras, incluindo durante a tortura, poderiam ter feito poucos meses após a morte de Germano, mas não. Fernando a poupou e sempre se assegurava que Camila estava saindo de casa com seguranças ou com pessoas que confiasse a sua vida. Sempre mandava que fosse cuidadosa e que estivesse atenta a qualquer situação de perigo, tanto que todas as vezes em que tentaram matá-la, Fernando se assegurou de fazer com que os autores das tentativas fossem mortos.

“Com certeza existe alguma justificativa plausível”

— Baby, você sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, não sabe? — Thomas disse irrompendo os pensamentos da garota.

— Eu sei que posso, baby, mas é que eu não vou entendo. — Respondeu sendo sincera, deixando tudo o que se passava na sua mente sair. — Mamãe e Fernando poderiam ter me matado no mesmo dia em que papai morreu, mas eles me criaram e me ensinaram tudo o que sei até hoje.

— Pessoas mentem, baby. — Justificou simples ao dar de ombros — Não é porque eles te criaram que te amam, existe um abismo entre isso que eles visivelmente não cruzaram.

— Mas baby, seria muito mais fácil me matar enquanto criança do que agora que consigo me defender. — A garota argumentou atordoada com tantas perguntas sem resposta que rondavam sua mente. — Será que eles se arrependeram e não conseguiram seguir com o plano?

— Ou talvez não tiveram a oportunidade perfeita.

— Baby, uma criança indefesa e chorona é uma vítima vulnerável e fácil. Fernando não iria esperar quase 8 anos para tentar me matar sendo que ele teve tantas oportunidades no passado, incluindo enquanto tentava me deixar mais forte, por que esperar tanto tempo?

— Baby, escute... — Holland tentou sustentar o próprio argumento, mas Camila o interrompeu convicta do que dizia.

— Não, Tom, escute você. Fernando não esperou uma segunda oportunidade para matar papai, então porque comigo foi diferente? Se isso tudo fosse uma questão de eliminar as pessoas que pudesse tomar o poder dele, eu teria sido a primeira da lista.

— Do que você desconfia então? — Ele a olhou rapidamente, tentando entender o ponto de vista da namorada. — Porque não existe outra explicação no meu ponto de vista.

— Eu não acredito que Fernando tenha feito o que fez apenas por poder, mamãe menos ainda até porque ela não se envolve nos assuntos da máfia, vez ou outra na parte burocrática. — Pensou alisando o próprio queixo. — Fernando sempre dizia que preferia perder tudo a perder alguém que ele ama, papai e Fernando eram melhores amigos, junto a Peter eles faziam um trio inabalável nas missões.

— Baby, as pessoas mascaram muito bem quem são, não se deixe enganar. — Alertou-a, mas Camila sequer pareceu ouvir.

— Se ele quisesse o poder, já teria me matado faziam anos, mas ao contrário disso porque Fernando sempre me deixa rodeada de seguranças e se assegura de que eu estou bem o tempo todo.

— Se for pensar bem, você tem um pouco de razão. — Thomas concordou ao analisar a situação pela superfície, mas o casal mal sabia que aquela era apenas a ponta do iceberg.

— Eu estou cansada de ver Fernando torturando e matando pessoas, se ele quisesse me matar por poder já teria feito.

— No que você acredita? — Thomas a questionou novamente, convencido de que talvez ela tivesse razão.

— Que a motivação dele era outra, que as razões dele iam além de simplesmente querer ser o líder da máfia. — Camila respondeu coçando a própria nuca ao analisar as possibilidades. — Só não sei o quê.

Existiam vários motivos que poderiam levar Fernando a assassinar Germano, mas nenhum deles se conectavam a deixar a próxima herdeira ao poder viva. Mesmo se Susana fosse apenas uma pequena peça para que tivesse algo para se apegar a dizer que merecia governar, não fazia sentido deixar Camila viva.

Precisa existir alguma explicação, algum motivo ou causa que justificasse tudo o que estava acontecendo, mas as coisas estavam sendo tão irreais e frescas que não se encaixavam direito na cabeça da garota.

“E aquele cara que sobreviveu?”

— Baby, nas suas anotações havia algo sobre um sobrevivente. — Foi como se uma luz tivesse sido acesa na mente de Camila que se empolgou na poltrona.

— Ele teve a memória afetada. — Thomas respondeu um pouco desanimado. — Foi espancado até perder a consciência.

“Uma testemunhada espancada ao invés de assassinada com um tiro?”

— Foi Fernando quem tentou matá-lo? — Ela perguntou deixando a cabeça tombar para o lado ao estranhar a forma como haviam tentado matar a única testemunha.

— Eu acredito que sim, ele sempre surta quando começam a falar sobre esse assunto.

— Não pode ter sido o Fernando, ele não usaria um meio tão ineficaz para matar alguém que o viu assassinar papai.

— Até onde investiguei, tudo indicava que seja ele. — Thomas disse diminuindo um pouco a velocidade ao notar que já se aproximavam da mansão. — Germano, Peter e Fernando estavam indo juntos até a sala de segurança, onde meu pai e o seu foram mortos próximos a porta.

— Sala de segurança? Que porra?

— Eles estavam invadindo uma casa. Parece que lá era um tipo de covil de prostituição de menores, se tivessem tudo êxito, descobririam qual dos outros líderes compactua com este tipo de negócio.

— Prostituição de menores e Fernando deixou um dos homens vivos? Não, não pode ter sido ele. — Aquilo foi o suficiente para convencer Camila de que aquele assunto era bem mais profundo do que o raso que estavam enxergando.

— Baby, vamos discutir sobre isso mais tarde, tudo bem? Agora já estamos chegando e se continuarmos pode trazer problemas para nós dois.

— Tudo bem, mas nada disso faz sentido na minha cabeça. — A garota cruzou os braços em frente ao peito ainda inconformada, observando o carro passar pelos portões de entrada sendo encarado pelos seguranças debaixo da cobertura para se proteger da chuva.

— Algumas coisas não precisam fazer sentido para serem verdade. — Holland justificou, encerrando o assunto para que pudessem descer do automóvel.

Thomas então estacionou o carro sob o olhar pesado de Fernando sob os dois na porta de entrada da mansão, parecia avalia-los com as mãos dentro do bolso da calça que usava.

O casal desceu do automóvel, e Holland correu para alcançar a namorada e abraçá-la de lado afim de fazê-la sentir segura, o que deu certo até determinado ponto, porque Camila se aconchegou em seus braços, abraçando-o de volta como se tentasse se esconder do que estava por vir.

A garota sabia que não tinha nenhuma escapatória, mesmo que seus amigos tivessem tentado ajudá-la, Fernando não pouparia a punição severa que estava por vir. Apenas alguns cortes não seriam suficientes para convencê-lo de que Camila não o desrespeitaria novamente, a punição seria rigorosa.

— Tiveram uma noite divertida? — O mais velho perguntou erguendo um sorriso intimador que fez a garota se encolher nos braços do namorado.

— Pai, me desculpe, mas é que... — Camila tentou se justificar, mas Fernando ergueu a mão para que ela se calasse, assim sendo feito.

— Um inocente foi morto por sua culpa, por ser seu amigo. — Iniciou em tom acusador, fazendo a garota se encolher ainda mais. — Acho que temos assuntos pendentes quanto a isso, não acha?

— Como sabe que ele foi morto por unicamente ser amigo dela? — Thomas disse fazendo Camila o encarar surpresa. — Pessoas são mortas diariamente, principalmente na máfia, o que te faz acreditar que o motivo era único e exclusivamente por ser amigo da Camila?

— Não se meta, Holland, ela já está muito encrencada por sua culpa. — Fernando o repreendeu sem tirar os olhos da garota que apertava cada vez mais o namorado.

— Minha culpa? Se eu sou o culpado, puna a mim e não a ela. — Camila engasgou quando Thomas finalizou a frase, entrando entre os dois homens que se encaravam tensos.

“Proteja o Tom”

— Não! — Ela disse antes que Fernando pudesse responder. — Vamos só acabar com isso logo, pai.

— O que foi? Você só gosta de atacar as pessoas pelas costas quando não podem se defender? — Thomas cutucou, fazendo com que o grande líder o encarasse com as sobrancelhas unidas pela confusão do que o genro poderia estar falando.

— Baby, pare com isso. — Camila pediu um pouco desorientada, vendo seus amigos adentrarem apressados no hall de entrada.

— Eu não vou te machucar, Mila. — Fernando disse tirando os olhos de Holland e desviando para a garota que o encarou surpresa. — Vamos treinar.

Ele deu as costas ao casal e rumou até a sala de treinamento, deixando os presentes surpresos pela ação, mas Camila sabia que ele daria um jeito de puni-la independente do ambiente em que estavam.

Ela não esperou uma segunda ordem para começar a segui-lo e Thomas a acompanhou assim que a namorada deu o primeiro passo. Não permitiria que Fernando a machucasse, mesmo que aquela fosse a última coisa que fizesse em toda sua vida.

Os dois foram seguidos por Killer, Micael, Brasil e Japão. Eles estavam aflitos porque veriam novamente a garota ser machucada por algo que não tinha a menor culpa.

A sala estava cheia, mas quando Fernando cruzou a porta e caminhou rumo ao ringue, todos trataram de abrir espaço e procurar por algum canto onde não interferiam no caminho do grande líder, trazendo um completo silêncio no cômodo.

“Arque com as consequências de seus atos”

Camila engoliu a seco quando o padrasto ergueu as cordas do ringue para que ela passasse. Holland tentou detê-la segurando seu pulso, mas a garota o olhou tentando passar confiança, mesmo que não sentisse nenhuma, e entrou dentro do ringue junto a Fernando que já havia jogado o paletó para um dos homens que observavam atentos a cena.

— Não podemos deixar eles fazerem isso, esse cara vai… — Thomas novamente tentou intervir, mas Brasil o segurou juntamente a Micael.

— Não faça isso, vai trazer problemas para ela. — O brasileiro disse com a voz abatida. — Quando alguém se intromete é pior.

— Mas ele vai…

— Tom, não faz nada pelo bem dela. — Micael apertou o pulso de Thomas, que suspirou sentindo o peito apertar ao ver Fernando arregaçando as mangas da blusa social que usava.

— Espero que esteja arrependida pelo fim que seu amigo teve, principalmente porque é culpa sua. — Ele acusou erguendo os punhos em frente ao rosto, tomando a mesma posição que Camila.

— A mesma culpa que você se sente pelo o que fez a quase 8 anos atrás? — Ela revidou tentando acertar o primeiro soco, mas Fernando se esquivou virando de lado e acertando o cotovelo nas costas da garota.

Thomas novamente tentou se soltar, mas Micael e Brasil seguraram ainda mais forte. Vê-la dentro daquele ringue sabendo de tudo o que o grande líder já havia feito a ela era uma tortura, queria acabar logo com aquela merda de briga e protegê-la a sete chaves, mesmo que ela arrombasse qualquer porta com um ponta pé.

Fernando esperou que Camila se recuperasse enquanto fingia limpar as unhas na blusa, por este motivo a garota se virou acertando um chute nas costas dele com toda sua força tentando emendar com uma sequência de socos, mas ele foi rápido ao se virar e segurar as duas mãos dela, dando uma cabeçada na testa de Camila logo em seguida.

“Criança idiota”

A visão da garota se tornou embaçada e turva, uma dor aguda se alastrava por sua cabeça, mas não teve tempo de se recuperar como da última vez porque Fernando emendou a uma joelhada na barriga e um chute no rosto.

Camila caiu ofegante no chão e Thomas novamente tentou intervir, sentindo todo seu sangue ferver pelo o que poderia acontecer a sua namorada. Sabia que Fernando poderia ser um monstro quando queria, mas não contra a sua enteada em frente a tantas pessoas.

— Imagine tudo o que Carlos passou por simplesmente ser seu amigo. — O grande líder agarrou a garota pelos cabelos, erguendo-a do chão e agarrando seu rosto com força com a mão livre. — Eu sempre te disse para pensar bem com quem você envolveria, mas você nunca me dá ouvidos. Olhe toda a merda que você fez.

— Não é minha culpa. — Camila retrucou com a voz falha, sentindo seu corpo doer pelos golpes que havia recebido.

— Não é sua culpa? NÃO É SUA CULPA? — Gritou arremessando a garota no chão novamente e chutando sem se importar onde acertaria. — Ele foi morto por ser seu amigo, apenas por isso.

“Você vai pagar”

Fernando parou subitamente todos seus movimentos, permitindo que um sorriso sombrio se apossasse de seus lábios. Um arrepio subiu pela espinha de Holland, que sentiu seu corpo travar quando um canivete borboleta foi tirado da parte de trás da cintura de Fernando.

— Vamos ver se você entende metade do que ele sentiu.

Os acontecimentos seguintes foram tão rápidos que ninguém conseguiu prever.

Thomas se soltou apressado dos braços dos dois amigos e correu para o ringue sem se importar com Killer logo atrás tentando detê-lo. Precisava impedir que Fernando machucasse a sua garota, jamais permitiria que ele a torturasse novamente.

Então, Holland segurou a mão que manipulava o canivete do grande líder e acertou um soco no antebraço para que ela caísse no chão, assim sendo feito. Sem esperar um contra-ataque, Thomas chutou o peito de Fernando fazendo com que ele se desequilibrasse dando alguns passos para trás.

— Você não vai tocar nela de novo. — Ameaçou ofegante entrando na frente do corpo da namorada que ainda estava no chão observando tudo estática.

— Não se intrometa, Holland, isso é entre Camila e eu. — Fernando também ameaçou com um sorriso ainda maior. — Ela precisa de uma lição.

— Dê uma lição, mas não machuque a minha garota. O traidor aqui não é ela. — Novamente Holland provocou, fazendo o grande líder encará-lo confuso.

— O que quer dizer com isso? — Perguntou rude, sentindo-se ofendido.

— Tom, para. — Camila pediu, se levantando com dificuldade. — Ele não quer dizer nada.

— Responda, Holland, o que quer dizer com isso? — Fernando ignorou o que a garota dizia e falou diretamente com Thomas, como se o confrontasse a repetir.

— Foi difícil matar seus dois amigos daquele jeito? — Fernando ergueu uma sobrancelha ao ser confrontado daquela maneira e quando todas as peças se encaixaram, um sorriso ainda mais sombrio se apossou dos seus lábios. — Responde, chefinho, foi difícil?

Ao contrário do que todos esperavam, Fernando nada respondeu. Sinalizou para que o segurança passasse seu paletó e saiu do ringue sem dizer nem uma palavra sequer deixando os presentes confusos sobre o que poderia estar acontecendo.

Killer não quis pensar muito no pequeno diálogo entre eles, precisava cuidar de sua segunda filha e logo tratou de correr em direção a Camila, que já estava sendo amparada por Thomas.

— Eu sinto muito, baby. — Ele lamentava observando os hematomas pelo corpo da namorada. — Isso nunca mais vai acontecer, eu juro que...

— Vamos levar a pequena para o quarto, eu vou cuidar dos machucados.

(...)

Killer limpava com cuidado os hematomas no abdômen da garota, que se contorcia na cama com a dor que sentia. Thomas encarava os roxos e o pequeno corte na bochecha com os olhos franzidos enquanto segurava a mão da namorada. Estava inconformado, achava um absurdo o fato de Fernando agredir a sua garota daquela forma e ninguém fazer nada.

Ele era um traidor, matou Germano e Peter a sangue frio e ainda por cima torturava Camila tanto físico quanto psicologicamente, a ponto de fazê-la perder a estabilidade mental. Fernando quem deveria pagar, ele precisava arcar com as consequências de todas as suas atitudes e Thomas já havia se cansado de se resguardar.

— Eu não acredito que você se intrometeu. — Brasil disse para Holland, chamando a atenção de todos os presentes no quarto. — Você não faz ideia do que Fernando pode fazer com a Cams agora.

— Brasil, para. — A garota pediu segurando a bolsa de gelo na costela enquanto Killer separava um chumaço de algodão.

— E você acha que eu faria o quê? Esse filho da puta iria torturar a minha namorada na minha frente. — Thomas retrucou no mesmo tom de Anderson, trazendo um estranhamento aos amigos pela postura tão agressiva. — Vocês podem estar acostumados com isso, mas eu nunca permitiria que ninguém fizesse nada a Camila.

— Mas agora ele vai fazer e bem pior do que faria a alguns minutos atrás. Por você ser a porra de um playboy mimado... — Brasil rebateu ainda mais nervoso.

— Brasil, para! — Camila se alterou tentando se levantar da cama. — Ele não fez por mal, ele...

— Para de passar a mão na cabeça dele, Camila! — O brasileiro quase gritou ao apontar para Thomas que observava a cena com o cenho franzido. — Por culpa desse porra, você vai ficar toda fodida de novo.

— Como se fosse ser a primeira vez. — Micael retrucou enquanto encarava o teto com os braços cruzados encostado no guarda roupa.

— Brasil, chega dessa porra. — Japão também retrucou suspirando ao final da frase. Todos sabiam que o brasileiro já havia tentado intervir em uma das torturas, e por causa disso havia uma tatuagem de logo no braço esquerdo da garota.

— Que seja. — Anderson revirou os olhos e saiu do quarto batendo a porta com força.

Camila suspirou cansada deixando a bolsa de gelo de lado na cama. Odiava brigar com seus amigos, mas sabia que mais cedo ou mais tarde ele voltaria como se nada tivesse acontecido.

— Vem aqui, criança, não é porque dessa vez não quebrou nada que eu não precise cuidar de você. — Killer disse mostrando a pomada e a garota obedeceu ao pedido se sentando mais próxima dele.

— Como vocês conseguem agir tão calmos quando Fernando faz o que faz? — Thomas perguntou ainda nervoso. — Ele precisa pagar!

— Ninguém aqui concorda com as coisas que Fernando faz, mas sabemos exatamente o que acontece quando alguém intervém. — Japão respondeu ainda suspirante — Não é como se tivéssemos muitas escolhas.

— Esse filho da puta traidor precisa pagar por tudo o que ele fez, precisa arcar com as consequências de ser um filho da puta. — Holland se levantou da cama de supetão sem se importar com as feições confusas voltadas para ele.

— BABY, NÃO! — Camila logo entendeu o que o namorado poderia fazer, e também se levantou da cama colocando-se em frente a porta tentando impedir a sua passagem. — Não faça isso, por favor.

— E você quer que eu faça o que, baby? Não vou assistir a glória de Fernando calado, ele precisa pagar.

— Mas você não tem certeza de tudo, e se ele for apenas uma marionete? E se ele foi usado? E se tudo isso não passar da porra de um plano para nos matar? Não seja burro.

— Que porra vocês estão falando? — Japão perguntou intervendo na conversa, não conseguindo controlar a curiosidade. — O que Fernando fez?

— Muita coisa, Japão. — Thomas respondeu um pouco rude pela emoção que sentia. — Coisas que já deviam ter tido consequências a anos e é exatamente isso o que vou fazer.

— Você não pode ir atrás de Fernando desse jeito, baby, ele vai matar você. — Camila novamente deteve o namorado que tentou passar pela porta. — Fernando dirá que você está blefando.

— E o que você pretende? Perguntar a ele?

— Podemos confrontá-los, baby, eu e você. O máximo que pode acontecer é eles negarem, mas nós temos provas então já é meio caminho andado.

— E o que você vai fazer? Eles jamais assumiriam o que fizeram. — Thomas riu descrente, Camila só poderia estar ficando maluca. Fernando e Susana jamais assumiriam tudo o que eles fizeram, e mesmo se assumissem, não se entregariam com facilidade.

— Eu estarei ao seu lado, mas Killer, Micael e Japão irão trazer todos os homens da máfia Azablanca para a mansão, onde vamos expor toda a verdade e fazer com que se rebelem contra Fernando e Susana ao nosso lado.

Thomas sorriu satisfeito quando os três homens presentes saíram do quarto apressados para acatar a ordem sem esperar uma justificativa, sabia que Camila estaria ao seu lado acima de tudo e que a partir daquele momento as coisas mudariam drasticamente.

— Vem, baby, vamos descobrir toda a verdade.

A garota entrelaçou os dedos aos do namorado e juntos caminharam até o escritório do grande líder sentindo o coração palpitar dentro do peito, independente do que acontecesse naquele escritório, o início de uma guerra estava sendo traçado. A partir daquele momento, todas as máfias se dividiriam, aliados seriam perdidos e pessoas inocentes iriam morrer para que outras se fortalecessem, mas eles precisavam ser fortes se quisessem se manter firmes aos ideais que acreditavam.

“Agora é a hora”

Camila não bateu na porta para entrar daquela vez, apenas abriu e cruzou o arco de madeira sendo seguida pelo namorado.

Como esperado, Fernando e Susana estavam dentro do escritório e se assustaram com a presença do casal que havia entrado sem avisar. A mulher mais velha correu em direção a filha, abraçando-a com ternura, enquanto Fernando encarava a cena como o mesmo sorriso sombrio que havia em seus lábios quando saiu da sala de treinamento.

— Eu fiquei tão preocupada com você, querida. — Susana disse beijando a testa de Camila, que sorriu desconfortável ao se afastar.

— Preciso falar com vocês dois. — Disse quando foi encarada pela mulher com uma expressão confusa. — Eu descobri toda a verdade sobre a morte de papai. — Não fez rodeios, queria tirar aquela história alimpo o quanto antes.

— Do que está falando, Mila? — Susana perguntou ainda com a expressão confusa, e Thomas bufou pelo cinismo.

— Eu investiguei sobre a morte de Peter e Germano, as provas levaram a Fernando que matou os dois a sangue frio na última missão. — Ele disse acusando o grande líder, que sorriu cada vez mais trazendo arrepios a Camila.

— Vocês dois estão ficando loucos? Fernando matou Germano e Peter? De onde tiraram essa teoria maluca? — A mulher se descontrolou alternando o olhar entre Fernando o casal de namorados.

— Tom investigou e ironicamente a última testemunha não foi morta, mesmo com a memória afetada, conseguiu deixar pistas sobre um traidor que ironicamente agora toma o lugar que era de papai. — Camila também acusou mantendo a voz firme.

— O quê? — Susana se voltou apenas para Fernando rangendo os dentes. — Ainda existem sobreviventes daquela missão?

— Não se faça de desentendida mamãe, você sabe de tudo. — A garota disse olhando para a mãe, que se virou surpresa. — Acha mesmo que eu vou acreditar que você não sabia de nada? Acha mesmo que eu vou acreditar que seu atual marido é o assino de papai e você não sabia?

— Mila, eu não... Mila... — Ela piscou surpresa fazendo Thomas bufar novamente.

— Chega de mentiras, Susana. — Fernando interveio com sua voz imponente, fazendo a mulher encará-lo chocada. — Sim, eu matei Germano e sua mãe sabia desde o início, porque a ideia de como deveria ser feito partiu dela.

— FERNANDO! — Susana gritou perdendo completamente o controle. Seu marido estava decretando o fim de todo um império que custaram a conseguir.

— Agora você já sabe toda a verdade. — Ele respondeu espalmando as mãos sobre a mesa e tomando uma postura mais ereta.

— Vocês dois mentiram para mim a vida toda, fingiram que me amavam, fingiram que estavam me treinando, mas... — A garota disse fingindo estar abalada, mas apenas queria puxar mais alguma informação.

— Eu amo você, Mila, mas existe uma coisa que amo ainda mais... — Susana disse finalmente admitindo seus crimes. — O poder, e Germano jamais me manteria no topo.

— Vocês fizeram tudo isso para ter poder? Mas como não tinham nenhum outro líder com o sangue dos Azablanca? — Foi Thomas quem perguntou sem despistar que queria apenas conseguir mais informações.

— Vocês não sabem de nada ainda... — Fernando fingiu se lamentar balançando negativamente a cabeça. — No atual momento tudo o que precisam saber é que somos traidores.

— Você vai ser a próxima, Milinha. — Susana ameaçou a garota, fazendo Holland dar um passo à frente tentando protege-la. — Seus dias já estão contados.

— Traidores não vivem. — Fernando continuou ignorando a fala da mulher. — O que você vai fazer, pequena?



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