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História Learning to Live (Clexa) - Capítulo 19


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Capítulo 19 - Problema dos Griffin


Fanfic / Fanfiction Learning to Live (Clexa) - Capítulo 19 - Problema dos Griffin

"Até os mais felizes, têm um passado sombrio."


**********


– Espere que nós já vamos, primeiro Finn e eu vamos pegar as coisas dele. – Avisou Lexa que pôs as mãos nos ombros do rapaz e o guiou para o segundo andar da casa.

– O que vamos fazer se esse tal cara chegar? – Perguntou Anitta que foi até suas irmãs e ficou ao lado delas.

– Perguntou tarde demais. – Murmurou Clarke assim que viu seu tio entrar na casa e a olhar de uma forma séria, mostrando que ainda estava bravo com ela, mas a garota ao menos se importava com aquilo.

Anna pôs Anitta entre ela e Anya, como se tentassem protegê-la de qualquer coisa que pudesse acontecer. Anna olhou na direção da escada, não sabendo se queria que Lexa voltasse naquele momento ou não, pois ela queria ir embora, mas também sabia que se a Woods estivesse ali, algo nada bom poderia acontecer.

– Clarke, onde está o Finn? – Ele perguntou enquanto olhava para todas as quatro garotas na sala de estar, porém seus olhos sempre arrumavam uma forma de ficar fixos apenas em Clarke e a garota já estava começando a se incomodar, principalmente depois de ouvir o que ele havia feito com Finn.

– Não sei. – Mentiu ela que olhou para as irmãs Molina que ainda olhavam para o homem como se quisessem matá-lo e Clarke achou aquilo incrível.

– Por que está mentindo para mim, sobrinha? – Perguntou enquanto se aproximava de Clarke, mas a loira se afastou e isso o irritou mais ainda. – O que está fazendo, Clarke Griffin?

– Acho melhor se acalmar. – Pediu Anya que se pôs no meio dos dois parentes e olhou fixamente para o homem mais velho, que agora a olhava como se fosse matá-la.

– Quem você acha que é, garota? – Ele se aproximou mais de Anya e ela trincou seu maxilar, demonstrando que não estava nada feliz. – Me dê licença e me deixa falar com a minha sobrinha.

– Você não vai falar com ninguém. – Disse Lexa que estava descendo as escadas com Finn logo atrás dela. Ele parecia assustado e estava muito silencioso, coisa que James estranhou bastante, pois ele só ficava em silêncio quando estavam em “seus momentos”

– Cala a sua boca, caipira. E me diga, Finn, o que você está fazendo? – James concentrou seu olhar nele que deixou seus olhos apontados para o chão. Era perceptível o medo que ele estava sentindo.

– Ele está fazendo o que deveria ter feito a muito tempo. – Explicou ela que deu as duas mochilas que estavam em suas mãos para as duas espanholas mais novas. Anya foi até suas irmãs e ficou ao lado delas. Já Clarke foi para o lado de Finn e pôs as mãos em suas costas, como se fosse protegê-lo de qualquer coisa.

– Do que você está falando? – James se aproximou de Lexa de uma forma amedrontadora, mas a morena ao menos se importou com aquilo. Ela apenas olhou nos olhos do homem mais velho e demonstrou toda a raiva que estava sentindo dele.

– Estou falando que você nunca mais vai encostar um dedo nele. – Disse a Woods entredentes. Era possível ver que sua paciência estava se esgotando quase que completamente. James trincou o maxilar assim que ouviu as palavras saírem da boca dela e fechou as mãos em forma de punho, o que não passou nada despercebido por Clarke que foi até sua namorada e ficou ao lado dela. – Eu sei tudo o que você fez com ele nesses últimos tempos e não vou deixar que você sequer se aproxime dele.

– Não se meta nisso, garota. Finn está comigo porque quer e ninguém vai tirar ele daqui. – James levantou uma de suas mãos e Clarke a empurrou para baixo, assim atraindo a atenção de seu tio. – Mande essa jeca ir embora daqui agora e deixar o Finn em paz, Clarke, ou senão eu vou fazê-la se arrepender. 

– Você não vai fazer nada, James. – Disse a loira que se mantinha séria e estava quase pulando no pescoço do seu tio para esganá-lo. – A Alexandria irá levar o Finn e você não vai fazer nada para mudar isso porque senão eu mesma vou até a delegacia e irei te denunciar, você sabe que eu sou capaz disso.

– Não, você não é capaz. – James segurou o queixo de Clarke que o estava fuzilando com seus olhares, mas não tentou se soltar, pois estava com medo do que seu tio estava demostrando ser. 

Mas tudo se passou rápido demais. Clarke foi apenas capaz de ver Lexa socar o rosto de James com toda a sua força e assistir seu tio cair ao chão. A Woods subiu em cima dele e bateu nele o máximo que pôde, mas o homem a empurrou e quando ia para cima dela, Clarke o chutou, então Anna e Anya o prenderam no chão.

– Alexandria? – Chamou Clarke que estava vendo sua namorada deitada no chão, enquanto observava o teto e regulava sua respiração. Ela se ajoelhou ao seu lado e viu seu tio se soltar das espanholas e subir as escadas, não sem antes empurrar Finn, mas Anitta o segurou. – Você está bem?

– Estou apenas tentando me acalmar. – Explicou ela que olhou para a loira e pôs uma mecha de cabelo dela para trás da orelha. – Eu tenho que ir agora, Minha Pequena. Preciso deixar o Finn a salvo.

– Tudo bem. – Disse Clarke que se levantou assim que viu a morena fazer o mesmo.

– Tem certeza de que não quer ir comigo, Clarke? Eu não consigo deixar você aqui sabendo que ele está na mesma casa. – Lexa pôs o rosto da loira entre suas mãos e observou seus belos olhos azuis.

– Eu vou ficar bem, Alexandria, e eu preciso cuidar da minha irmã. Não vou deixá-la. – Explicou Clarke que não conseguia parar de olhar para os olhos tão verdes de sua namorada. 

– Eu vou te ligar a todo o momento só para saber se você está bem e pode ter certeza que vai ter algum momento em que eu vou chegar no meio da noite só para cuidar de você. – Clarke abaixou sua cabeça para tentar esconder o tímido sorriso que apareceu em seus lábios e Lexa aproveitou para beijar os cabelos clarinhos dela. – Mais tarde eu ligo para você, certo?

– Certo. – Clarke assentiu com a cabeça e logo sentiu seu corpo sendo empurrado um pouco para longe de sua namorada.

– Opa, desculpa. As vezes meu corpo faz coisas sem que eu perceba. – Todos notaram a ironia no tom de voz de Anitta. Isso fez Clarke ficar brava e olhar de cara fechada para a adolescente que em resposta apenas revirou os olhos, mas Anna puxou sua irmã pelos ombros e a deixou ao lado de Anya.

– Lexa, leve eles para o carro e me espere. Eu preciso falar com a Josephine antes de ir. – Avisou Anna. Lexa apenas assentiu e, antes que Clarke notasse, ela plantou um selinho em seus lábios, para logo sair com Finn, Anya e Anitta para fora da casa.

Anna caminhou para o andar de cima e viu que Clarke estava indo junto com ela. A espanhola não disse nada, pois achou que a loira poderia estar com medo de ficar sozinha enquanto seu tio estivesse na casa. As duas garotas entraram no quarto da Griffin mais nova e a viram com o fone de ouvido e assistindo algo em seu celular. Clarke ficou aliviada, porque dessa forma ela não teria escutado nada do que aconteceu no andar de baixo.

– Anna? O que faz aqui? – Perguntou Josephine que tirou os fones de ouvido e desligou seu celular, assim mantendo sua atenção nas duas garotas que haviam entrado em seu quarto.

– Oi, Josephine. – Saldou Anna que observou Clarke ficar parada em um canto do quarto, então ela foi até a menina mais nova e se sentou em sua cama. – Precisamos conversar.

– Não vou falar sobre a Alicia e o Troy. – Avisou a loira que logo cruzou seus braços e fechou a cara. Anna revirou os olhos com aquilo. Ela não sabia como tinha tanta paciência para as irmãs Griffin.

– Não quero falar deles, eu quero falar sobre o Gabriel. – Clarke e Josephine deram suas atenção inteiramente para a espanhola assim que ouviram o nome do rapaz ser pronunciado. Josephine porque não o via desde seu desmaio mais cedo e Clarke porque queria juntá-lo com sua irmã e afastá-la de Murphy.

– O que tem ele? – Perguntou a menina mais nova.

Anna olhou para Clarke, pensando se deveria conversar sobre a vida amorosa de sua irmã na frente dela, mas ela apenas suspirou e resolveu falar o que tanto queria.

– Eu sei que você é apaixonada por ele. É perceptível. – Começou Anna que ficou estressada quando Josephine bufou e lhe interrompeu.

– Não vem me dizer que você o quer porque eu não vou permitir que você toque nele. – Clarke e Anna notaram como o rosto de Josephine ficou avermelhado por conta da raiva que estava começando a sentir.

– Não gosto dele dessa forma, Josephine. Ele é apenas um bom amigo e passo meu tempo com ele apenas por conta disso. Não quero transar com ele. – Explicou a espanhola que também já estava começando a ficar de cabeça quente com aquela garota que era sempre tão brava como sua irmã mais velha. – Eu só estou querendo dizer que você gosta mesmo dele e por algum motivo está com o Murphy...

– Eu estou com o John porque eu o amo e não posso ficar com o Gabriel porque isso seria quase impossível. – Disse Josephine, arrancando um bufar de Clarke.

– Josephine, eu conheço o Murphy. Sei do que ele é capaz. Ele... – Anna parou de falar assim que se lembrou que Clarke estava ouvindo toda a conversa. – Ele é capaz de fazer certas coisas apenas para beneficiar ele mesmo. Me diga, por que ele insiste tanto em ficar com você?

– Porque ele me ama. 

– Ou talvez seja porque ele é um pilantra que quer ter o nosso dinheiro. – Falou Clarke em um tom de voz mais alto do que deveria. Anna abaixou sua cabeça e respirou fundo, pois sabia que Clarke estava certa e que seria difícil fazer Josephine compreender aquilo. – Murphy não presta e você sabe disso. Ele usa as pessoas para ter o que tanto quer. Ele não é bom para você, Josy.

– Vocês não sabem de nada. John e eu vamos ficar juntos porque nos amamos e eu tenho medo de deixá-lo por conta de uma simples paixão e perder os dois. Vocês não entendem isso? – Anna notou os olhos marejados de Josephine, então ela se sentou ainda mais perto dela e pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. – O John foi a única pessoa que me quis mesmo sabendo das regras do meu pai e eu não quero perder isso. Ele é a única pessoa no mundo que se apaixonou por mim.

– Você está errada. – Disse a espanhola enquanto acariciava os cabelos da menina loira. – Eu tenho falado muito com o Gabriel desde que o conheci e ele me disse que está apaixonado por você, Josephine. Ele te beijou hoje porque não aguentava mais suportar a ideia de estar tão perto e não poder fazer isso. Ele quer tanto que o Murphy saia de campo para ele poder cuidar de você.

– Ele está mesmo apaixonado por mim? Ou isso é apenas para que eu desista do John? – Perguntou ela baixinho, deixando visível que estava com medo da resposta que poderia vir.

– Ele está mesmo apaixonado por você, Josephine. Sempre que ele fala de você para mim, é visível o quanto ele está perdido de amores. – Ambas as garotas sorriram com a fala de Anna e Josephine balançou sua cabeça.

– Eu tenho que pensar, Anna. Eu preciso de um tempo, certo? Quero espaço para pensar. – A espanhola assentiu e se levantou, pois já estava na sua hora de ir embora.

– Pensar no que, Josy? O Gabriel é obviamente o cara certo para você. Por que não deixa logo aquele traste do Murphy para trás? – Clarke quase gritou, pois ela já estava perdendo o pouco da paciência que tinha em seu corpo.

– EU O AMO, OK? – Josephine gritou. – Eu amo o John e só gosto do Gabriel, então eu tenho muito o que pensar. 

– Pense bem, certo? Agora eu tenho que ir, estão me esperando lá embaixo. - Anna caminhou até a porta e a abriu, mas parou de se mexer quando ouviu Josephine dizer algo para si.

– Você me ajudou com essa notícia, Anna, talvez eu devesse te ajudar com a Alicia também. 

– Você tentou ajudar a Alicia à me conquistar e acabou a tirando de mim, então eu prefiro ficar sem sua ajuda. Além do mais, ela está bem com o namoradinho dela. – Josephine apenas assentiu e observou Anna ir embora de seu quarto. Ela olhou para Clarke e viu que ela ainda estava brava por conta do assunto anterior.



(...)



Bellamy já havia dormido e Octavia estava olhando algumas coisas em seu notebook, enquanto estava sentada no chão de seu quarto. Ela procurava qualquer coisa relacionada a mãe de Raven. A morena queria saber sobre toda a sua vida e, principalmente, onde ela trabalhava, pois a única coisa que sabia sobre a mulher era que ela trabalhava em uma casa noturna.

Octavia anotou o nome de cinco casas noturnas que haviam pela região de Polis e estava disposta para procurar a mãe de Raven em cada uma delas no dia seguinte. Ela teria de faltar a faculdade, mas não estava se importando com aquilo. 

A Blake queria proteger Raven e estava disposta a qualquer coisa. Ela sabia que tinha algo completamente errado acontecendo na vida de sua amada e iria tirá-la daquela situação mesmo que aquilo quisesse dizer que algo de ruim pudesse acontecer consigo mesma, porque ela amava Raven e daria sua própria vida por ela sem nem ao menos pensar duas vezes.

– Eu vou acabar com você, mãe da RaeRae, e eu não vou gastar minha saliva chorando por você. – Murmurou Octavia que continuou olhando as localizações das casas noturnas em sua cidade.



(...)



– Ei, seu nome é “Tamara”? – Perguntou a garotinha que parou ao seu lado mais uma vez naquele dia e isso já estava a irritando.

– Não, O! Eu já disse que meu nome é Raven. – Respondeu ela com o tom de voz bravo.

– Seu nome é Tamara, sim, porque você TAMARAvilhosa. – Disse a pequena Octavia que correu para longe assim que notou a expressão assassina no rosto da outra menina por quem era apaixonada.

– Tá vendo, Clarke? Tá vendo como ela fica mexendo comigo? – Perguntou Raven olhando para a criança loira ao seu lado. Ela parecia tão quieta e concentrada enquanto copiava os exercícios do quadro.

– Talvez seja melhor que vocês se casem, Rae. Vocês duas tem o nome “Marie” então talvez devam se casar por isso. – Falou Clarke que deu de ombros e voltou aos seus exercícios.

Raven gargalhou baixo com a sua própria lembrança. Ela estava olhando para o teto e permitindo que todas e quaisquer lembranças pudessem vir em sua mente. Essa era uma forma de deixar o tempo passar para poder sair do quarto depois e não ver Wick em sua casa.

A Reyes se virou para o lado esquerdo e viu uma foto sua com Clarke e Octavia de quando as três eram apenas adolescente. Raven sorriu com aquela foto ao notar Clarke e ela sorrindo, já Octavia estava a admirando como se ela fosse algum tipo de deus, coisa que a morena achou super bonito, pois apenas a Blake a olhava daquela forma.

Rae, você não usa calcinha, você usa um porta-jóias. – Sussurrou a garota Octavia em seu ouvido.

As três estavam no recreio. Raven e Clarke estavam em uma mesa na parte de fora da escola almoçando, já a Blake havia acabado de chegar.

– EU VOU MATAR VOCÊ, OCTAVIA BLAKE, VOU MESMO! – A Reyes se levantou para tentar bater na outra morena, mas Clarke se levantou com mais velocidade e a segurou pela cintura, a mantendo em uma distância segura do Octavia, pois não queria que nenhuma de suas amigas morressem hoje.

– É PARA VOCÊS DUAS PARAREM. ESTÃO ME OUVINDO, SUAS BOBONAS? – Clarke gritou, demonstrando que não estava com paciência para aquelas briguinhas entre suas duas melhores amigas.

– Ok, ok. Vamos tentar algo melhor. – Ofereceu Octavia que respirou fundo e tentou pensar em algo para dizer. – Já sei, já sei. Gata, se beleza brotasse em ovo, você seria a dona da granja inteira.

– CLARKE, NÃO ME SEGURA. – Raven tentou se soltar, mas não deu tempo, pois Octavia correu para o mais longe que pôde, já que não queria apanhar mais uma vez pela garota por quem sempre fora apaixonada.

– Raven, se controla. – Clarke teve que se jogar em cima da morena e ambas caíram no chão. Assim a loira ficou em cima da outra que estava deitada no gramado e olhando na direção de Octavia que estava conversando com uma linda garota.

Raven não soube o que estava sentindo, mas não gostou nada daquela sensação.

A morena negou com a cabeça quando aquela memória veio em sua cabeça e deixou de olhar a sua foto com suas amigas. Ela pegou seu celular e começou a mexer em suas redes sociais, aproveitou para verificar se a Blake estava on-line, mas ela não estava.

Raven bateu com uma mão em sua testa e pensou se realmente estava se apaixonando por Octavia, ou pior, ela sempre foi apaixonada por Octavia. Ela parou de pensar naquilo quando ouviu sons de passos fora de seu quarto. Então, a garota se levantou e caminhou, a passos leves, até a porta. Ela a abriu e viu sua mãe sair com Wick. Raven ficou aliviada por saber que ele não estaria mais ali e que ela poderia ficar em paz, mas também estava preocupada com sua mãe como sempre esteve em toda a sua vida.



(...)



– Pronta para ir? – Perguntou Troy assim que desceu de seu carro e viu sua namorada ali parada. Ele caminhou até ela e deu um rápido beijo em seus lábios, mas notou que ela não tirava os olhos do celular por algum motivo. – Aconteceu algo, Ali?

– É só que a mãe e irmã da Anya e da Anna estão aqui. – Troy a olhou como se não entendesse e ela tratou de explicar. – É que eu as amo e não vejo a mãe delas há muito tempo. Estou com saudades e ela me convidou para um jantar amanhã a noite.

– A Anna vai estar junto, certo? – Perguntou o rapaz que recebeu um assentir da morena. Ele passou as mãos por seus cabelos demonstrando que estava frustrado com aquela notícia dela.

– Mas as outras garotas também vão, pelo o que eu entendi. E eu posso levar você, isso se você quiser claro. – Troy percebeu como Alicia estava nervosa; ele então a segurou pelos braços e acariciou o local que segurava, em uma tentativa de tranquilizá-la. 

– Eu quero ir com você, Ali. E não vou deixar aquela espanhola chegar perto de você, só se for isso que você quiser. – Explicou ele que estava sempre com um sorriso no rosto para não deixar sua namorada envergonhada ou algo do tipo.

– Você pode me levar ao apartamento das Molina depois que terminarmos nosso encontro? Eu quero muito ver a mãe dela e poder abraçá-la. – Pediu ela. Suas bochechas estavam mais coradas do que o normal, coisa que Troy achou completamente adorável.

– Sim, eu te levo até lá e depois trago você para casa, mas por agora vamos jantar, ok? – Alicia assentiu e o beijou mais uma vez, então logo o acompanhou até o carro para poderem sair.



(...)



Duas horas já haviam se passado e Anna já estava ficando irritada só de olhar para Alicia e Troy dentro daquele restaurante chique. Eles pareciam felizes lá dentro, estavam comendo, conversando e, principalmente, sorrindo. Anna já estava pensando que Lexa teve a pior ideia do mundo quando a convenceu de ir até lá para ficar olhando a pessoa, que tanto amava, feliz com uma pessoa que não era ela; nunca seria ela. Ela parou de olhar e começou a se concentrar em seu celular.

Lexa parou de prestar atenção na mensagem que estava mandando para Clarke em seu celular e olhou para o de Anna que, por algum motivo que ela desconhecia, estava procurando um emprego. Ela olhou para a espanhola e viu que, assim que ela notou que a morena estava olhando, desligou o celular na mesma hora.

– Por que estava procurando um emprego, Anna? – Perguntou ela que não havia visto Anitta olhar para sua irmã, para ver o que ela iria fazer para escapar da pergunta da Woods, já que aquele era um assunto que nem mesmo Anya estava sabendo ainda.

– Podemos conversar sobre isso depois, Alexandria? Realmente não quero falar sobre isso agora. – Disse Anna em um tom de voz totalmente cansado. Isso fez Lexa apenas assentir e puxar sua amiga para beijar sua testa. Anitta se sentiu tentada a ganhar um beijo em sua testa também, mas preferiu ficar em silêncio e olhando para Anya que estava fazendo uma careta estranha enquanto olhava para o celular da mulher que havia perdido mais cedo.

– Tive uma ideia. – Falou Anya que parou de olhar para seu celular e olhou para todos que estavam dentro do carro. Eles esperaram que ela falasse, mas ela parou de falar e continuou os olhando. – O quê?

– Qual é a ideia, criadora de porcos? – Perguntou Finn.

– Ah sim. – Anya sorriu constrangida. – É que eu achei esse celular da gatona da cafeteria, então pensei em pegar o número do celular dela e ligar.

– E como ela vai atender se você está com o celular dela, hermana? – Anitta a olhou e Anya revirou os olhos.

– É só devolver o celular ué. – Respondeu ela como se aquilo fosse totalmente óbvio. Todos reviraram os olhos e voltaram a olhar para o restaurante onde Alicia estava.

– Falando em porcos. – Anna voltou a frase que Finn havia dito. – Mi madre disse que encontrou o nosso apartamento em um verdadeiro chiqueiro por causo daquele porco maldito.

– Maldito nada, o nome dele se diz com muita facilidade ó T o i c i n h o. – Anya soletrou e fez todos que ali estavam revirarem os olhos com toda a lerdeza que ela demonstrava ter.

– Por que ela é assim? – Perguntou Finn olhando para Anna que o olhou pelo espelho retrovisor.

– Ela deve ter batido a cabeça quando nasceu. – Respondeu ela que olhou para sua irmã e tentou entendê-la como tentou toda a sua vida.

– Mas é como eu sempre digo: água mole e pedra dura, quem avisa amigo é. – Disse Anya que estava orgulhosa com sua própria frase. – E eu nunca disse isso. Foi a primeira vez.

Dios mio, eu não aguento mais ficar aqui. – Anna reclamou assim que ouviu a fala de sua irmã e viu Troy beijar os lábios de Alicia dentro do restaurante.

Antes que alguém pudesse dizer algo, a espanhola saiu do carro e começou a caminhar na direção do restaurante que estavam espiando. Mas ela não conseguiu nem ao menos chegar perto porque todos os outros saíram do carro e se jogaram em cima dela, sem se importarem de que estavam literalmente no meio da rua.

– Opa, eu caí. – Lexa falou com a voz fina, isso fez Anna bufar e gemer de dor logo em seguida. 

– Eu vou morrer sem oxigênio. – Anna resmungou e conseguiu sair de baixo de todos eles quando os mesmos se levantaram do chão.

Hermana, não podemos simplesmente sair entrando porque senão a Alicia vai perceber que estamos seguindo ela. Então vamos entrar por um lugar mais escondido. – Explicou Anitta que segurou sua irmã pelos braços.

– Tem aquele lugar. – Finn apontou para uma escotilha que estava bastante escondida e todas as garotas olharam para lá.

– Por que estamos olhando fixamente pra lugar nenhum? – Perguntou Anya que conseguiu mais um revirar de olhos de todos seus amigos.



(...)



“O que eu vou fazer?” 

Essa era a principal pergunta que se passava na cabeça de Josephine desde as últimas horas. Ela já não sabia mais o que fazer ou até mesmo o que pensar. A garota estava em dúvida se ainda deveria ficar com Murphy, pois, apesar de tudo, o amava. Ou ficar com Gabriel que estava apaixonado assim como ela.

Josephine estava pesando tudo em uma balança de prós e contras. Ela estava vendo as vantagens e desvantagens de ficar com Murphy e Gabriel. 

Ficar com Murphy significava que ela teria um relacionamento confirmado por muito tempo; já que sabia que ele também a amava, tendo seus motivos para isso ou não. Ficar com Gabriel seria algo completamente novo e ela tinha certeza de, que se desse mesmo certo, ela seria muito feliz, pois o rapaz espanhol a fazia realmente muito bem, como ninguém nunca havia feito antes. O principal das desvantagens de ficar com Murphy era que Josephine sabia que ele não era uma boa pessoa e isso a magoava, porque sabia que ele poderia ser capaz de quebrar seu coração sem pensar duas vezes. Já com Gabriel ela sabia que as chances de passar por isso eram pequenas, pois ele não era capaz de magoar ninguém, por conta de seu coração ser tão puro. Porém uma desvantagem com o espanhol era que uma relação com ele poderia nunca dar certo por conta de muitos fatores, como a classe social e a permissão de Jake para que aquilo acontecesse.

Também tinha outra situação delicada para si. Era que se ela desistisse de Murphy, Lexa também poderia desistir de Clarke e a loira não queria isso. Ela queria que sua irmã se casasse com a Woods, pois sabia que aquilo seria bom para ambas, já que ela tinha total certeza de que elas duas estavam se amando, mesmo que nunca admitissem.

Josephine chegou a uma única conclusão, que não adiantava de muito coisa. Ela observou que teria de pensar bastante no que iria fazer e vários planos e ideias começaram a girar em sua cabeça. Mas pararam quando a porta de seu quarto se abriu e ela viu Clarke entrar no quarto e se deitar ao lado dela, porém Josephine fingiu que estava dormindo, pois não queria brigar com sua irmã novamente naquele dia por conta de seus relacionamentos que nem ela mesma sabia o que fazer.



(...)



– Acho que chegamos. – Avisou Anna assim que parou de andar pelos dutos de ventilação do restaurante em que Alicia estava jantando com seu namorado. Ela olhou para baixo e viu que o homem que estava na dispensa, havia acabado de sair. Então ela tirou a tampa do duto e desceu com toda a flexibilidade que tinha.

Lexa desceu logo atrás dela e olhou ao redor para ver se tinha mais alguém ali, porque se eles fossem pegos em um lugar proibido, poderiam ser presos ou qualquer coisa do tipo. Quando enfim chegou à conclusão de que não tinha mais ninguém, ela ajudou Anitta a descer e a garota se sentiu uma verdadeira princesa aos braços de sua amada, coisa que fez Anna revirar os olhos.

– Me ajuda aqui também, Lexinha. – Pediu Finn assim que viu a Woods por Anitta no chão. Lexa tentou ignorar o pedido dele, mas o garoto voltou a chamar. – Me ajuda logo, mulher. Não seja uma sapatão maligna, ô caminhoneira.

– Eu tenho que ter muita paciência com vocês porque sinceramente... – Lexa parou de falar quando sentiu seu celular vibrar em seu bolso. Ela pegou o aparelho e viu que Clarke havia respondido sua mensagem.

Em sua mensagem dizia “sinto falta do seu perfume” e Clarke apenas respondeu com um “então compre um frasco”. Lexa não sabia se revirava os olhos ou se sorria com aquilo, mas apenas guardou seu celular e deixou para respondeu sua namorada depois, pois estava ocupada cuidando para que não acabassem sendo pegos dentro daquela dispensa.

– Vai logo, marica. – Pediu Anya que empurrou Finn com as mãos e acabou derrubando o garoto no chão, sem dar tempo de Lexa tentar ajudá-lo.

Todas ali só puderam ouvir o gemido de dor que o rapaz soltou. Anya começou a pensar em coisas inapropriadas e preferiu tapar os ouvidos para não precisar escutar aquela “pouca vergonha”. Lexa se agachou ao lado do menino e deu algumas batidinhas em seu rosto, em uma tentativa de estimulá-lo.

– Todos são bons, até o momento que tocam em seu ponto fraco e você, sapatão dissimulada, acabou de despertar o pior de mim. – Murmurou Finn que conseguiu se levantar com a ajuda de Lexa e de Anitta, já Anna estava olhando para o salão do restaurante onde Alicia parecia feliz com Troy e ela não soube como se sentir com aquilo.

– Parem de falar e me ajudem a acabar com aquele restaurante porque eu não suporto ver aquele garoto com as mãos na Ali. – Reclamou Anna que estava com os olhos um pouco avermelhados. Ela realmente queria o bem de Alicia, mas era difícil demais ver que seu “bem” não era consigo. 

Hermana, desce logo daí. – Pediu Anitta que percebeu que Anya ainda estava dentro do duto de ventilação.

No puedo salir. – Disse a espanhola mais velha com o tom de voz parecendo um pouco agoniado.

–  ¿Porque, hermana? Perguntou Anna que resolveu olhar na direção onde estava sua irmã e era visível apenas a cabeça dela.

Estoy atrapado. – Explicou que estava mesmo muito agoniada. Ela tentava puxar sua perna, mas ela estava presa em uma espécie de buraco. – Estou presa. – Traduziu ela para que Lexa e Finn pudessem entender o que ela tinha dito antes.

– Como assim presa? – Lexa perguntou enquanto olhava para Anya que não parecia estar muito bem ali em cima.

– “Presa” do verbo “minha perna está agarrada em um buraco”. – Anya quase gritou enquanto ainda tentava puxar sua perna de volta. – Por que tem um buraco aqui? ¡Dios mio! 

– Talvez isso faça parte do roteiro. – Falou Anitta que estava procurando alguma coisa que ela gostasse dentro daquela dispensa e acabou achando um pote de chocolate.

–Ok, parece que a Alicia já está indo embora com o pateta do namorado, então você, Finn... – Anna parou de falar e pegou um uniforme de garçom que havia acabado de encontrar. – Vai vestir essa roupa, pegar uma bebida e derramar todinha na roupa do Troy porque eu quero que ele vá embora para longe da Ali. Enquanto isso nós três iremos tentar tirar a Anya do duto.

– Por que eu tenho que ir lá para fora e me arriscar? – Finn fez biquinho, demonstrando que não estava satisfeito com aquilo.

– Porque você é homem e tem mais facilidade de passar despercebido como garçom. – Explicou Anna que pôs as roupas nas mãos do garoto.

– Infelizmente sou macho. – Disse Finn cabisbaixo, mas mesmo assim ele pegou as roupas e pensou que talvez fosse legal jogar líquido em alguém. Então saiu da dispensa.

– Ok, vamos tentar tirar a criadora de porcos dali. – Lexa murmurou e levantou suas mãos. – Me dê suas mãos, Anya. Vou tentar puxar você daí.

Anya esticou suas mãos até onde conseguiu, o que não foi tanta coisa, e a Woods começou a puxá-la. A espanhola esperneava de dor em seus braços, então Anna e Anitta começaram a ajudar Lexa para tirá-la logo de dentro daquele duto. Anya conseguiu se soltar e caiu em cima das outras três garotas que ficaram murmurando sons de dor.

– Vou dizer algo para nos distrair da dor. – Avisou Anya que soltou um leve bufar por conta da dor. – Pansexuais são pessoas que fazem sexo com pães.

– Cala a boca, Anya. – Sussurraram as outras três garotas juntas que ainda estavam sentindo dor por conta do impacto. – Anya, você perdeu suas calças e seus sapatos também. – Disse Lexa quando notou que a espanhola só estava usando uma calcinha e meias na parte de baixo. Ela gargalhou com aquilo, mas logo gemeu de dor.



(...)



– Boa noitchê, sinto muito por estarrrr interrompendo esse belo casarl que tá de lagarrrta arrarstando as asas. – Finn forçou uma voz grossa e tentou ser o mais convincente possível, mas talvez o pano que ele amarrou no rosto não estava ajudando muito. – Hoje porrr contãã dâã casa tragoro-lhe – Ele se confundiu com o que ia falar e acabou falando uma estranha palavra. – Ã vocêrs uma gostorsa limonarda, tchê, a mairs famosa que temos na região, guris.

– E o que a faz tão famosa? – Perguntou Troy que estava tentando ser o mais educado possível com aquele “homem estranho”, com o sotaque mais estranho ainda.

– Nãârdã, sô, eu que torrr dirzendô que é famosa pra vorrcês porrderem permitir que eu sirlva tu.– Respondeu Finn depois de pensar por alguns segundos e não achar nenhuma desculpa que prestasse. Ele balançou a jarra com o suco, esperando que eles aceitassem logo. – Berbam um gole, guris, esse lírquido aqui é trilegarrl.

– Nós iremos aceitar, senhor. – Avisou Alicia que só queria que o homem saísse logo dali, pois parecia ter algo de errado com ele; isso era o que sua intuição dizia.

– Oh, isso é farbulosô, sô. me caiu os butiá dos bolso. – Disse Finn que ficou alegre por eles aceitarem. Ele pôs a bebida no copo de Alicia e a olhou assim que terminou. – Isso é trilegarrl, bah né. Arrrlgora tu, índio velho. – Troy não entendeu o que ele estava dizendo, então preferiu ficar em silêncio, esperando que o homem começasse a por a bebida em seu copo, o que logo foi feito.

Mas Finn colocou mais suco do que deveria e derramou o líquido pela mesa inteira e logo “sem querer” jogou a bebida na roupa de Troy que se levantou em um rompante e notou toda sua roupa molhada, grudenta e até mesmo um pouco gelada.

– Cara! – Exclamou ele que estava agoniado com aquela roupa que estava usando, já Alicia apenas observava o garçom, pois tinha a impressão de que o conhecia de algum lugar.

– Ãârrlguenta o tirão aí, piá, é querrl eu tô andando pelas caronarrls hoje, tchê. – Explicou Finn que viu a expressão irritada no rosto de Troy, então ele notou que era a hora de fugir dali. – Bah né.

E então ele saiu correndo de volta para a dispensa, onde encontrou Anya sem calça e, por algum motivo, passando manteiga pelas pernas. Anitta devorando um pote de chocolate e Lexa e Anna caídas no chão atrás da porta.

– Da próxima vez abre a porta com mais cuidado. – Pediu Lexa que estava com o corpo todo dolorido.

– Que situação trilegarrl, bah né. – Todas olharam para Finn como se não tivessem entendido nada e apenas negaram com a cabeça.

– Nós temos que ir embora logo, antes que alguém apareça e nos pegue. – Anna se levantou do chão e ajudou Lexa a se levantar também. – Além do mais, nosso trabalho aqui já está feito. – Disse ela que sorriu enquanto olhava para Finn. 

– Ok, vamos lá, pessoal. Subam. – Lexa se pôs no meio da dispensa e olhou para cima onde a entrada do duto de ventilação estava. – Vem, Anitta, você primeiro. 

Claro, mi amor. – Sussurrou Anitta que sentiu Lexa levantá-la pelas pernas para lhe dar altura para subir no duto e foi isso que ela fez. – Pronto.

– Cuidado com meu corpinho em, caminhoneira. – Alertou Finn que subiu logo depois da espanhola mais nova e Anna subiu em seguida.

– Vamos, Anya, agora só falta você. – Disse a Woods que olhou para a loira que havia se levantado, pois terminou de passar manteiga nas pernas.

Anya deu seu primeiro passo na direção de Lexa, mas escorregou e caiu ajoelhada no chão. Porém ela não desistiu, então continuou caindo até chegar na morena que lhe segurou pelos cotovelos e a abraçou pelas pernas.

– Lexa, saiba que se um dia você e a Clarke se casarem e ela não quiser demitir a babá que vocês tem, mesmo que vocês não tenham filhos, é porque ela está te traindo com a babá e você pode sim ter ciúmes disso. – Lexa revirou os olhos e bufou com a fala de Anya, mas sem querer acabou derrubando ela não chão e caindo junto.

– Se você tivesse ficado quieta isso não teria acontecido. – Murmurou Lexa que pôs as mãos em sua blusa e notou que ela estava encharcada de manteiga das pernas de Anya. – Por que você passou manteiga nas pernas?

– Para ficarem macias ué. – Respondeu ela fazendo pouco caso daquilo. Lexa bufou novamente e fechou seus olhos, enquanto pensava em quantas quedas havia tido nos últimos meses por conta de suas amigas e namorada.



(...)



Anya, Anitta e Finn entraram no carro de Lexa, já a Woods e Anna pararam nas portas do veículo porque viram Alicia ali perto com Troy que estava tentando descolar um pouco a roupa de seu corpo, coisa que fez Anna sorrir.

– Ali? – Lexa chamou a atenção de sua irmã e de seu cunhado. Ambos caminharam eu sua direção e Troy logo fechou a cara quando notou a presença de Anna. – Está indo para casa? Se estiver, eu posso levar você para poupar o Troy da ir até lá.

– Eu mesmo posso levar minha namorada até lá, Lexa. – Disse o rapaz que olhou para Anna com cara de raiva.

Ela abaixou sua cabeça e olhou para dentro do carro onde Anitta também a observava com cara de raiva e ela sabia exatamente o motivo; Anitta queria que ela pedisse para Alicia ficar, mas ela não podia fazer isso; até queria, porém sentia que não devia.

– Alicia, vem com a gente, por favor. Seu namorado está todo molhado e claramente precisa trocar essa roupas. – Pediu Anitta que saiu do carro e olhou para o casal.

– Ela está certa, Troy, e eu preciso mesmo ver a mãe delas. Sinto falta dela e nós podemos nos ver amanhã. – Alicia ficou na frente de seu namorado e pôs as duas mãos em seu rosto. – Não vai acontecer nada e eu vou ficar bem, certo?

Troy olhou para Anna que abriu um sorriso irônico porque sabia que isso iria irritar o rapaz. Ele trincou o maxilar, coisa que a fez sorrir ainda mais por dentro, mas preferiu não demonstrar aquilo. A espanhola arqueou uma sobrancelha quando notou o garoto fechar suas mãos em forma de punho.

– Ok, eu não vou te levar dessa vez, mas vou te mandar mensagem quando eu chegar em casa, tudo bem? – Perguntou ele que voltou a olhar para sua namorada que abriu um sorriso e deu um beijo delicado em seus lábios. Essa foi a vez de Anna trincar o maxilar e Troy abrir um sorriso convencido.

– Tudo bem. – Respondeu ela que recebeu um beijo dele e o rapaz se despediu de todos ali, então foi embora. – E tem espaço para mim dentro desse caro, Alexandria?

– Você vai ter que ir no colo de alguém. Espero um segundinho. – Pediu Lexa que puxou Anya para o banco da frente e falou para Anitta entrar no carro. – Nossa, você vai ter que ir no colo da Anna. Só sobrou ela.

– A Anitta pode ir no meu colo. – Falou Alicia que revirou os olhos com o que sua irmã havia feito na cara dura.

– A menina já está confortável no lugar dela, coitada. E deixa de ser chata, você nem ao menos sente algo pela Anna. Você mesma disse isso, Ali. – Falou Lexa que se sentou no banco do motorista e ignorou sua irmã murmurando ofensas para ela.

– Eu vou deixar essa passar porque você está certa. Não sinto nada por ela. – Alicia mentiu para si mesma e Anna, mesmo sabendo que era mentira, sentiu algo quebrar dentro do si, mas preferiu não dizer nada sobre.

Anna se sentou no banco e sentiu Alicia se sentar em seu colo. Uma vontade enorme de beijá-la e tocá-la entrou em seu corpo, porém ela preferiu ficar estática e em silêncio porque notou como Alicia estava envergonhada e constrangida. Lexa olhou para as duas do espelho retrovisor e ambas lhe deram dedo do meio, Alicia porque não estava feliz com aquilo e Anna porque não sabia como se comportar diante de sua amada. Anna ficou olhando para a janela e tentando controlar suas vontades de ficar com Alicia ali mesmo; porque sabia que não podia fazer aquilo.



(...)



– Alicia e Finn, a Anya ou a Anna terão de levar vocês de volta para a fazenda. Eu não vou poder porque vou até a mansão dos Griffins e ver se a Clarke está bem. – Avisou Lexa que sentiu raiva só de lembrar da situação que estava acontecendo dentro daquela casa.

– Certo, a Anya vai me levar. – Disse Alicia que nem ao menos perguntou se a espanhola poderia. – Só tome cuidado lá dentro e cuida das Griffins, ok?

– Ok. – Lexa assentiu e se despediu de todos ali.

Os outros entraram no prédio onde as Molinas viviam e foram para o apartamento delas. Lá eles logo encontraram Toicinho deitado em uma poltrona com as patas para o ar e Anahy assistindo algo na televisão.

– Alicia! – Disse Anahy que ficou eufórica ao notar a garota ali no apartamento. Ela puxou a Woods e a abraçou com todas as forças, pois estava realmente com muitas saudades da garota que sempre foi tão boa com toda sua família. – Dios mio, como você está linda.

– Obrigada, Anahy. Você está linda e deslumbrante como sempre. – A mulher mais velha adorou as palavras que saíram da boca de Alicia, então beijou sua testa. 

– Oh, perdão, eu não te vi aí. – Anahy cumprimentou Finn que adorou a forma como ela se vestia.

– Que bafônico. Mulher que glamour todo é esse? Espanholas, vocês precisam aprender a se vestirem como a mãe de vocês que é elegância pura. – Falou Finn enquanto dava voltas por Anahy para verificar toda a roupa que ela usava. Anna olhou para suas próprias roupas e deu de ombros, pois gostava de seu próprio estilo.

Mi hijas, vocês fizeram amizades tão perfeitas. – Anahy se sentou com Finn e Alicia e começaram a conversar sobre roupas e sobre o namorado de Alicia, coisa que Anna não gostou nada.

A morena se sentou em um banco que ficava na bancada e ficou olhando para Alicia. Ela parecia feliz, até mesmo mais leve. Anna não sabia dizer se aquilo era impressão sua ou se sua ausência na vida dela a fazia bem. 

– Eu ainda não sei exatamente o que está acontecendo entre vocês duas, mas tenho a total certeza de que você não deveria deixá-la ir embora da sua vida, hermana. – Disse Anitta que se sentou ao lado de sua irmã, mas a espanhola não a olhou em momento algum, pois não conseguia desviar os olhos de Alicia Woods.



(...)



“Como um ser humano consegue ser tão baixo ao ponto de brincar com os sentimentos de outra pessoa?”

Clarke tentava criar teorias em cima dessa pergunta, mas nada parecia justificar aquilo. Ela não conseguia entender o motivo de Lexa estar brincando com ela daquela forma. Ela estava usando seus sentimentos apenas para conseguir dinheiro disso e, mesmo que não parecesse, estava destruindo o coração de Clarke de centenas de formas diferentes. Ela sentia que estava afundado dentro de si mesma.

A loira estava realmente pensando em ceder e se casar com Lexa, porque chegava a doer de tanto que gostava dela, mas não podia aceitar aquilo porque o que Lexa estava fazendo com ela era mais baixo do que qualquer outra coisa. Clarke não queria ser usada, não queria que seus sentimentos verdadeiros fossem usados em uma enorme mentira. E, até mesmo, não queria que Lexa atingisse seus objetivos, porque não queria que a morena se aproveitasse dela.

A Griffin já havia se dado conta de que não poderia contar com Josephine e nem com ninguém, já que todos estavam praticamente a obrigando a se casar com Alexandria Woods, mas ninguém nunca lhe perguntou o motivo para recusar tanto aquilo e isso até que a magoava um pouco, pois estava sufocante saber que Lexa não gostava dela de verdade e só estava a usando para conseguir dinheiro. Talvez ela até mesmo quisesse dar o golpe do baú em si.

Clarke sentiu sua garganta se fechar e seus olhos arderem, mas não permitiu que nada acontecesse; ela não queria chorar por Lexa, ela não merecia suas lágrimas. Merecia apenas sua indiferença, porém essa era a única coisa que Clarke não conseguia dar para a morena e isso a deixava ainda mais frustrada, pois se ela não conseguia dar nem ao menos a indiferença, então nunca iria conseguir sair de sua vida.

A universitária parou de olhar para a porta do quarto de Josephine quando ouviu um barulho vindo da janela. Ela se levantou cuidadosamente e caminhou, a passos extremamente leves, até a janela, onde encontrou Lexa pendurada e mantendo um sorriso travesso em seus lábios; esse era um dos sorrisos que Clarke mais gostava.

Ela se amaldiçoou mentalmente e abriu a janela, assim permitindo que sua namorada entrasse.

– Alguém chama a polícia porque essa loira acabou de roubar meu coração. – Essa frase foi a primeira coisa que Lexa disse e isso fez Clarke revirar os olhos. Ela já nem ao menos sabia como lidar com as coisas que a morena dizia e fazia.

– O que faz aqui, Alexandria? – Perguntou a loira que não sabia como se sentir com a presença da outra garota, mas achou melhor pensar que não estava se sentindo bem.

– Vim ver se você estava bem, Minha Pequena. Não podia dormir sem saber que você estava em segurança. – Explicou Lexa que fechou a janela do quarto e beijou a testa de sua namorada.

Clarke fechou os olhos e respirou fundo, ela estava querendo mesmo chorar naquele momento, pois todas as mentiras de Lexa pareciam tão reais e isso a quebrava completamente. Ela sentiu a morena lhe abraçar e ficar acariciando seus cabelos claros. Uma lágrima foi derramada de seu olho e ela prendeu o choro porque não queria chorar pela garota por quem estava se apaixonando.

– Por que você faz isso comigo, Alexandria? – Ela sussurrou para si mesma, porém Lexa pôde ouvir e se perguntou sobre o que a loira estava falando naquele momento.

– Porque quero cuidar de você, Minha Pequena. Você não tem ideia do quanto é importante. – Disse Lexa que começou a achar que Clarke estava perguntando sobre o motivo de ela a proteger de seu tio. A Griffin encostou sua cabeça no peito de Lexa e ficou tentando regular sua respiração que agora estava tão desregulada por conta da sua vontade de chorar.



(...)



Depois de uma pequena discussão, Anna estava levando Alicia e Finn de volta para a fazenda Woods. O caminhou inteiro foi feito em completo silêncio e isso só mudava quando Finn dizia alguma de suas gracinhas. Os três agradeceram mentalmente quando entraram nas terras da fazenda e Anna pôde, enfim, estacionar o carro na frente da casa.

–  Eu vou indo, mas você, Aliciazinha, fique aqui com a espanhola sem senso porque acho que vocês precisam conversar. – Finn saiu do carro e entrou na casa como se estivesse em um desfile de moda.

– Ali... – Anna suspirou e fechou seus olhos. Ela estava nervosa, pois essa era a primeira vez em semanas que falava diretamente com a morena por quem era apaixonada. – Uma vez as quatro e dois da manhã, você me mandou mensagem me perguntando se eu estava acordada, eu estava com um pouco de sono, mas disse que estava e que se você quisesse poderíamos conversar. Então foi isso que fizemos, mas a todo momento eu pensava que as únicas pessoas que estão acordadas as quatro da manhã são as que estão apaixonadas ou com o coração partido e eu sabia que você estava com o coração partido por minha causa. Daí as cinco e quinze da manhã você parou de responder minhas mensagens porque tinha ido dormir e eu pensei novamente em quais eram as únicas pessoas que estavam acordadas as cinco da manhã; as apaixonadas ou as de coração partido. Você que tinha o coração partido foi dormir e eu que estava apaixonada continuei acordada.

– Eu não quero saber sobre seus amores, Anna. Por favor, não faz isso. – Pediu Alicia em um sussurro cansado.

– Não, Ali, você não está entendendo. Eu estava sim apaixonada, mas era por você. Eu sou apaixonada por você desde literalmente sempre. – Explicou Anna que tirou as mãos do volante e olhou para a menina ao seu lado que estava com os olhos marejados e a cabeça encostada no banco. – Eu te amo, Alicia.

– Para com isso. – Pediu a garota novamente. – Quando eu me apaixonei por você, eu estava vazia e achava que você iria me completar, mas eu já era minha e isso bastava; sempre bastou. Só que eu nunca entendi isso, mas agora eu estou entendendo, então não faça isso comigo, por favor. – Alicia sentiu as lágrimas descerem por suas bochechas sem sua permissão, porém não estava se importando com aquilo. – Eu queria tanto você, mas a verdade é que eu só me apaixonei pelo o que eu inventei de você.

– Acima de tudo eu sempre quis te salvar de mim, mas agora eu entendo que eu passei tanto tempo fazendo isso quando na verdade poderíamos estar juntas, Ali. Podemos tentar. – Anna tocou no rosto de Alicia, mas a garota lhe afastou com um tapa e isso quebrou mais um pedaço do coração da Molina.

– Eu não quero tentar. Eu não quero ficar com você e peço que respeite isso. Não me procure mais, Anna. Se você me ama mesmo como está dizendo, então me deixe em paz. – Alicia pediu por uma última vez e saiu do carro, deixando Anna sozinha, agora, com um coração partido.



(...)



Anna dirigiu por algum tempo, ela já nem percebia mais o que estava fazendo e dirigia sem se importar com nada. Ela estacionou seu carro em frente a um prédio que lhe era tão conhecido e falou com o porteiro que, por algum motivo, rapidamente a deixou subir com a permissão de moradora pelo telefone. 

A espanhola entrou no elevador e só conseguia enxergar o rosto de Alicia; tudo era sobre ela. Ela pensava no quanto havia destruído todas as chances que tinham de ficarem juntas e no quanto quebrou seu coração e de Alicia também. Mas a morena parou de pensar nisso quando saiu do elevador e chegou a porta que estava desejando no momento.

Ela deu uma leve batida e a porta logo foi aberta por Luna. Então Anna só se lembra de tê-la beijado e tirado suas roupas.



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