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História Learning to Love - Capítulo 84


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Capítulo 84 - Extra 1 - Uchiha Sasuke


Fanfic / Fanfiction Learning to Love - Capítulo 84 - Extra 1 - Uchiha Sasuke

 

 

- Quantas vezes terei que repetir que você não passa de um estúpido Sasuke Uchiha?! 

 

- Francamente... Nenhuma vez mais, basta, eu já entendi, me desculpe...

 

Me desculpe...

 

Aquela era a pequena frase perturbadora que saía da minha boca mais vezes do que desejava, já havia perdido as contas de quantas vezes a tinha repetido nos últimos vinte e cinco minutos em que Sakura estava em meu escritório despejando seu ódio. A vida adulta era uma merda.

 

Não havia passado tanto tempo, havia? Por céus! Não, não fazia tantos anos que fui jogado na vida adulta com toda sua burocracia, mas a cada dia que recebia um novo tapa da vida eu sentia que havia se passado uma eternidade, nem mesmo a famigerada monotonia aparecia para facilitar as coisas.

 

Foram apenas dez anos, nada além disso, não foi uma vida inteira e eu ainda não sou um velho babão, mas sinto como se o peso das minhas escolhas fossem ligeiramente maiores do que eu podia carregar. Cansado era a palavra que mais me definia nos dias atuais, estava fatigado, exausto daquela vida ridiculamente perfeita a sociedade, a vida era uma merda, completamente irritante e ligeiramente filha da puta - em muitos sentidos.

 

- Me desculpe uma ova! Seu bastardo filho da p..!! - Sakura se conteve em xingar minha pobre mãe que nada tinha a ver com nossos problemas e grunhiu tamborilando freneticamente seu salto no carpete - Sasuke, eu não lhe peço muito, a única coisa que falei era para você como um pai estúpido ir a formatura da sua filha! Era uma data importante para ela, todos os pais estavam lá para gratificar os filhos e o idiota do pai dela não estava porque um ridículo jantar de negócios é mais importante que ela!! - a mulher berrou ofegante e eu só pude suspirar pressionando minhas têmporas. Sim, eu era um pai idiota.

 

Pai... Essa era uma palavra de estranheza para mim, foi um choque tão grande saber que ia ser pai aos 19 anos... E olha que avisos de dona Mikoto não faltaram, mas os hormônios são uma peste que não deveriam existir em adolescentes antes que eles entendam definitivamente o que é ter um filho.

 

Eu não diria que eu e Sakura tínhamos algo antes, eu sabia dos sentimentos da garota, mas eu era um moleque que só queria viver livremente, hoje uma ficante, amanhã outra, nada relativamente sério. Sakura foi... Um breve relacionamento sem definição, dois adolescentes com desejo, posso chamar aquilo de uma amizade colorida, mas nada profundo ou realmente sério. O problema não era a menina e sim eu com toda minha estupidez.

 

Até hoje eu não entendo como Sarada pôde vir ao mundo, pois eu tinha certeza absoluta de sempre me proteger durante minhas aventuras, com Sakura ou qualquer outra menina, eu não era besta o suficiente para transar por aí a ponto de pegar uma doença ou até mesmo engravidar uma garota irresponsavelmente. Eu não era tão filho da puta.

 

Eu até cheguei cogitar a hipótese da criança não ser minha quando Sakura veio me contar sua suspeita, mas o olhar aflito da menina junto das mãos trêmulas não me permitiram sequer tentar falar aquilo. No início eu não sabia bem como lidar com a situação e, por medo além de insegurança escondemos o fato de todos até Sakura completar os três meses - ainda claro sob minhas suspeitas de talvez estar assumindo o filho de outro homem -, mas após uma dúzia completa de testes de farmácia espalhados sobre minha cama com a confirmação de gravidez não havia mais nada para se esperar. Tínhamos que contar a todos.

 

Foi abaixo de xingamentos do meu pai e berros do pai de Sakura que entendi parcialmente a merda que havia cometido; eu agora era pai de uma criança no ventre de uma garota que eu sequer tinha um sentimento mais intenso para poder facilitar as coisas.

 

O fato de me tornar pai aos 19 anos ainda não foi tão assustador quando a exigência vinda logo em seguida da bronca, lembro claramente da afirmação dura e incisiva do pai de Sakura: "você a engravidou, destruiu o futuro brilhante da minha filha, agora você assume. Vocês dois vão casar.". Até hoje me arrepia lembrar de tudo, não teve argumento nem sinal de piedade, nossos pais tomaram a frente de tudo e em menos de um mês lá estávamos nós no cartório assinando os papéis.

 

Não teve festa, nem foto de família, parecia apenas uma cerimônia de castigo que nos foi dada, pois nem mesmo Sakura que tinha em parte sentimentos a mais por mim estava feliz ou minimamente em concordância com aquilo. Eu sei que talvez o maior culpado seja eu, mas até hoje ao falar ninguém acredita em mim, Sakura não deveria ter engravidado de mim e supostamente eu não deveria ser o pai, mas como o destino pode ser infeliz, Sarada veio uma cópia exata de mim, com traços tão idênticos que talvez se eu desejasse engravidar de fato Sakura a criança não teria tamanha semelhança.

 

Ser pai não teve muito significado para mim no fim das contas, eu nunca aprendi de fato ser um, sinto que ser pai foi como ganhar uma medalha, daquelas que você acha emocionante no momento que a pega nas mãos, mas que você esquece pouco depois até sequer lembrar que a teve.

 

A primeira vez que peguei a criança no colo eu não sabia descrever a sensação estranha, me sentia emocionado, mas contrariado. Crianças são bençãos, eu não nego que tinha afeto pela menina, mas… Eu não sabia lidar com uma criança me chamando de pai, eu não conseguia identificar a figura de um pai em mim e consequentemente não conseguia enxergar a criança como minha própria filha.

 

Faltava sentimento.

 

Sakura foi uma excelente mãe ao contrário de mim como pai, não nego momento algum que ela dá de 10 a 0 em qualquer outra garota que tenha passado pelo mesmo, mas ao mesmo tempo que foi uma ótima mãe, foi uma péssima esposa. Não culpo Sakura pelo fracasso de nosso casamento, sequer nos tocamos desde o fatídico dia que assinamos a certidão de casamento, trocas de palavras eram unicamente a respeito da gravidez e da criança que era de ambos.

 

Não tínhamos uma relação a desenvolver, chegamos nesse consenso poucas semanas depois de nos casarmos, era estranho e anormal, nem mesmo uma relação de amizade concisa tínhamos, éramos apenas pais da mesma criança e nada além disso. Me pergunto se talvez esse seja o maior problema para mim, as vezes me passa pela cabeça que me falta afeição pela criança por não nutrir sentimentos por Sakura, mas logo esse pensamento se esvai quando lembro que amor paternal é independente do amor carnal.

 

Talvez eu apenas não seja um bom pai de fato, talvez tenha me faltado razões para querer me aventurar mais por essa vida, talvez tenha me faltado amadurecimento, sinto que muita das vezes é apenas talvez, mas talvez não seja essa a resposta. É apenas a velha brincadeira do talvez.

 

A verdade é que o casamento terminou aos dois anos e meio de Sarada, foi uma decisão conjunta, nós entendemos que não havia razão real para manter aparências ou tentar nos forçar a algo que não existia, pois aquilo estava apenas atrasando a vida de ambos pela justificativa de um filho. Sakura era muito racional e isso me agradava na menina, sua independência e fugacidade também, ela era a melhor se tratando dos cuidados de Sarada, ela sabia como cuidar da criança com perfeição e pouquíssimas foram as vezes que assumi meu papel real de pai nos primeiros anos de vida da criança.

 

Não que Sakura me roubasse o papel de pai suprindo toda e qualquer necessidade da criança, mas a verdade é que eu deixava tantas brechas que Sakura não desejava, que no fim, tudo se tornou dessa forma. Eu não me lembro de Sakura me cobrar no início, lembro que ela era bem compreensiva com minha falta de capacidade, ela parecia não se importar se eu era ou não o pai da criança, pois todo sentimento que um dia teve em mim se voltou unicamente para a criança que ela ninava nos braços todas as noites. Eu não entendo bem, mas acho que tudo se resume como ser de fato mãe.

 

Antes da separação pouco eu presenciava o desenvolvimento da criança, a responsabilidade de um filho não está em apenas cuidar ou tê-lo, mas também em sustentá-lo, esse era o único papel ao qual me prestava e ainda me presto nos dias de hoje. Eu saía de madrugada e retornava no fim da noite, poucas vezes via a criança acordada, mas ainda me dava ao luxo de vê-la dormir com tranquilidade na cama com Sakura, pois ainda que distante gostava e gosto de saber que vive bem e feliz ao lado da mãe.

 

O engraçado na menina era o apego incomum a mim, pois eu era tão ausente de sua vida que esperava uma criança que sequer me chamaria pelo que eu era, um pai, mas a verdade é que Sarada divergiu disso nos primeiros anos, ela gostava de mim e sentia minha presença a noite quando ia vê-la dormindo, lembro da criança engatinhando na cama até se agarrar a minha cintura me chamando de papai. Sim, papai.

 

Eu não lhe contradizia, não podia lhe pedir para não me chamar de pai, mas… O sentimento dessa palavra não era confortável e o medo me fez recuar do papel que um dia afirmei que assumiria. Após a separação nossos encontros se tornaram distantes e todas as vezes que via a criança eu não sabia como agir, ela crescia e se tornava tagarela como a mãe em certo ponto, me chamava a todo momento de papai e me pedia coisas normais como todos os filhos fazem, mas a única coisa que eu era capaz de fazer era pedir para minha secretária a levar para tomar sorvete longe da minha vista.

 

O problema é que dinheiro não compra tudo, não o amor de um filho.

 

Os anos passaram, passaram rápido, muitas falhas cometi, não as nego, sei que errei, eu era jovem demais para ser pai e errei ridiculamente ao achar que pela eternidade a criança me chamaria com a mesma animação e fidelidade. Doce engano.

 

Hoje eu entendo que demorei demais para amadurecer, demorei demais para entender o real significado de ser um pai, demorei descobrir que mais estranho do que ser chamado de pai é justamente não ser mais chamado de pai.

 

É mais forte do que eu, isso foge do meu controle, eu quero minha filha perto de mim, mas hoje Sarada parece simplesmente negligenciar minha existência, afinal eu mesmo a fiz entender errado. A criança aos seus nove anos e meio é inteligente, astuta e extremamente madura para sua idade, ela se tornou uma menina independente e de gênio forte, uma péssima genética passada por mim.

 

Não é que hoje eu não tente consertar meus erros com a menina, mas ela já não me aceita como pai, hoje eu sou Sasuke, um mero progenitor, me sinto quase um simples doador de esperma quando a menina vem até mim chamando-me cruamente de "Sasuke-san".

 

A palavra pai já não existe em nossas breves e quase inexistentes conversas, e olha que Sakura ainda cobra duramente a menina a respeito dessa indiferença, desde que Sarada repentinamente parou de me chamar de pai eu vejo Sakura a repreender, ela até tenta lidar com o gênio da menina, mas para a criança isso parece de fato irrelevante, eu sou irrelevante.

 

Esta formatura… Eu lembro claramente de Sakura me lembrar quase todos os dias da semana a data importante para a criança, foram diversas mensagens de lembrete e até ligações para confirmar que eu estaria presente, afinal minha filha acaba de conseguir a faixa amarela no judô, era uma cerimônia que custou bons anos de dedicação da minha menina, mas o que eu poderia fazer se justo neste dia o velho Hiruzen da Co&Co produtos e serviços eletrônicos resolveu enfim me dar a oportunidade de apresentar nossa proposta?! 

 

A quase um ano eu tentava ter a oportunidade de falar com o velho, tentei de tudo e nem pelo telefone tive sucesso, o homem idoso era dono de um patrimônio que beirava 800 milhões de dólares, uma mínima parcela de investimento de sua parte nas empresas Uchiha e eu teria garantido anos de muita lucratividade, no mundo dos negócios tudo é uma questão de números e poder, nada além disso.

 

Foi com a ligação de última hora do secretário do homem que eu me vi entre a cruz e a espada, ou melhor, entre o melhor contrato assinado em meses de trabalho árduo e uma cerimônia de judô de Sarada; dentre todas as possibilidades, agora penso se valeu de fato a pena escolher o trabalho ao invés da criança que a tempos tento reconquistar. Talvez eu seja um pai pior do que o esperado.

 

- Sasuke… - Sakura deixou os ombros caírem me olhando mais uma vez com decepção e, com uma lentidão a vi se acomodar cansada na poltrona distante de minha mesa - Eu juro que eu tento, você sabe melhor do que ninguém o quanto eu tento, mas eu não faço milagres… Todos os pais estavam lá, ela viu todos os colegas comemorarem essa nova etapa com a família, mas você, por mais que ela não lhe chame como um, é o pai dela e ela o queria lá. A noite ela chorou.

 

A afirmação da mulher me causa desconforto, sei que estou tamanhamente errado e não há justificativa para meu erro, por isso suspiro, sinto o latejar na mente cansada e a única coisa que posso fazer é descontar a frustração nos fios de cabelo bem penteados.

 

Não me agrada saber que feri mais uma vez os sentimentos da minha filha, eu a amo, hoje eu tenho essa convicção comigo, eu realmente amo Sarada, ela é meu bem mais precioso e não há dinheiro no mundo que compre o amor que tenho pela criança, mas como eu bem sei, eu nunca fui um pai de verdade, nunca aprendi a ser um e nem sequer me preocupei em tentar ser no início disso tudo, mas… Aceitar meu erro não serviria de amenizador?

 

Não, a resposta da criança sempre é não.

 

Da menina de traços delicados eu já ouvi muitas coisas apesar dela acreditar que eu nem mesmo lembro da sua existência, mas eu lembro, lembro bem mais do que acredita, lembro até de coisas que ela não lembra, pois mesmo distante e parcialmente aparentando ser frio eu ainda era seu pai, um pai negligente e idiota, mas ainda era um pai vendo o filho crescer.

 

Lembrar… Eu lembro.

 

Lembro como tagarelava sobre a escolinha e sobre como queria que o Papai Noel lhe trouxesse um gatinho todo preto com grandes olhos azuis aos seus 4 anos; lembro quando reclamava que Sakura não lhe permitia comer doces a qualquer hora do dia e lembro de quando reclamava que acordar cedo era horrível assim como eu; lembro de como choramingava por ter ralado o joelho ao se aventurar em escalar uma árvore e cair, assim como lembro de não mostrar nenhum tipo de careta dolorida ao sozinha arrancar seu primeiro dente bem no meio do meu escritório me apavorando com a quantidade de sangue; lembro de sua tristeza e frustração ao tirar um 9 em uma prova que havia estudado muito, assim como lembro de sua euforia ao se vangloriar de seu primeiro 10 em matemática. Ela pode não saber, mas há muito em Sarada que eu lembro e sempre lembrarei porque é a minha criança preciosa.

 

Hoje em dia eu não a escuto tagarelar pelo escritório, quando vem - obrigada por Sakura obviamente - ela se senta na mesma poltrona que a mulher cheia de olheiras me olha inconformada e, a única coisa que faz é se embrenhar em leituras maçantes. Os livros que Sarada traz são grandes e complexos demais para crianças de sua idade, mas ela parece não se importar e simplesmente se vidra nos conteúdos a fim de ignorar completamente minha presença no meu próprio local de trabalho.

 

Quando escuto a menina dirigir-me a palavra quase sempre são futilidades, coisas como: "você poderia diminuir o ar-condicionado Sasuke-san?", "mamãe mandou avisar que não terá como me buscar então voltarei sozinha hoje Sasuke-san", "você poderia assinar a justificativa de não ir a reunião da escola Sasuke-san?", "preciso que autorize o passeio da escola Sasuke-san, mamãe disse que só posso ir se você assinar".

 

Poucas palavras, pouca interação, pouca relação. Entre mim e Sarada há muito pouco, bem menos do que gostaria.

 

- Eu não podia fazer nada… - sibilei chateado comigo mesmo - A empresa anda mal das pernas, a crise está tornando tudo uma enorme bagunça nos negócios, com a aposentadoria do meu pai e a falta de interesse de Itachi na empresa tudo está caindo sobre mim Sakura… Tente entender, não foi por mal, você sabe mais do que qualquer um que eu venho tentando a tempos me aproximar da Sarada, sabe o quanto me arrependo de ter sido um pai de merda quando ela era pequena e como eu queria que as coisas fossem diferentes, mas não depende de mim… Me desculpe.

 

- Eu entendo Sasuke, mas não sou eu quem tem que entender ou até mesmo te desculpar, Sarada está crescendo e por mais que eu tente contornar as coisas ela já não se deixa enganar com presentes caros e cartões de aniversário que nem mesmo foi você quem escreveu, ela não quer seu dinheiro, ela quer a figura de um pai de verdade, um pai amigo que a escuta quando tem problemas por menores que sejam, um pai que a protege dos males do mundo, um pai que a ensina a se superar e a crescer, ela quer um pai Sasuke, o pai dela, ela quer você - Sakura fez questão de enfatizar a pequena palavra de tantos significados - seja um pai Sasuke, conserte seus erros por si próprio e não espere que eu ou qualquer outro coloque panos quentes sobre suas falhas, se sabe que errou com sua filha vá até ela e se desculpe.

 

- Como..? - ri sem ânimo vendo Sakura manear a cabeça - Ela nem olha na minha cara Sakura, vem passar os dias comigo por mera obrigação ou quando você tem compromissos inadiáveis onde ela não pode ficar com nossos pais, ela vai no mínimo rir da minha cara quando ouvir um "me desculpe" fajuto - afirmei e Sakura suspirou imaginando que de fato a criança era capaz de fazer isso - e sabe como eu sei disso? Simples, é minha filha, saiu do meu saco sabia?! Se não bastasse ter minha cara ainda tem a porra da minha personalidade irritante! - esbravejei estapeando minha mesa.

 

- Que bom que sabe que é sua, então sabe também que é seu dever cuidar dela e dar amor - Sakura quase riu do meu desespero se erguendo da poltrona e parando rente à minha mesa onde no canto esquerdo, ao lado do monitor tinha a foto de Sakura abraçando Sarada em seu último aniversário - Sasori está tentando convencê-la de que você teve uma viagem de emergência e que não pôde ir, mas ela não me pareceu muito convencida disso…

 

- Sasori..? Sakura…

 

- Nem comece de novo - a mulher me advertiu pegando o porta retrato o analisando - já conversamos sobre isso e acho que já ouvi o suficiente, ele está tentando te ajudar.

 

- Ah claro, ele me ajuda todos os dias roubando minha filha! - franzi o cenho com desgosto de ouvir tal nome - Diga-me Sakura, se ele quer tanto um filho e vocês tem esse rolo todo a mais de cinco anos, porque você não o dá um filho para que ele pare com essa mania estúpida de roubar o filho alheio? Ele é broxa por acaso? 

 

- Pare com isso Sasuke, você sabe muito bem que Sasori é importante para Sarada, é importante para mim também. Ele praticamente a criou, ele se preocupa com ela, ele nunca quis roubar o seu lugar, você que nunca se fez colocar no seu devido lugar, não culpe os outros pela sua imaturidade - ela ralhou brava e eu bufei irritado ao me lembrar da cara de sonso do maldito homem.

 

- Eu acho engraçado você falar isso, afinal é fácil para você falar - retruquei sem pensar - é porque não é você que fica ouvindo ela chamar outra mulher de mãe no seu lugar! Sou eu que tenho que ser chamado de "Sasuke-san" enquanto aquele ruivo de meia tigela ganha todos os dias "bom dia papai", você sabe que eu nunca me envolvi com outra mulher nesses anos todos para não ter que além de ser um pai ausente ainda criar uma imagem de que eu a larguei para ficar com qualquer outra - me ergui indignado frente a Sakura - eu não coloquei outra pessoa no seu lugar, nem nunca colocaria porque eu sei o quanto você deu duro para criar ela desde o primeiro dia que chegamos da maternidade, mas droga! Porra Sakura!! - grunhi vendo a mulher me olhar com tristeza - Desde que eu me lembro aquele filho da puta se infiltra entre mim e Sarada, ele fez a cabecinha dela quando pequena e ninguém me tira isso de mente, foi ele que falou merda de mim pra ela, ela falava pelos cotovelos me chamando de papai quando vinha aqui todas as vezes, mas de um dia pro outro ela pareceu me odiar sem motivo algum!

 

- Sasori não é esse tipo de homem, ele não faria nada pra prejudicar sua relação com Sarada, pense bem no que está falando Sasuke, você realmente não fez nada para sua filha não querer mais estar na sua presença? - a mulher deitou o porta retrato com a foto da menina sem expressão no rosto mesmo sendo seu aniversário e eu vacilei o olhar entre a foto e o rosto de Sakura - Sabe o que significa essa foto Sasuke? Significa que nessa vida todo mundo um dia cansa, cansa de ter sentimentos e não ser correspondido, cansa de lutar por alguém que não muda, cansa de ser usado, simplesmente casa. Sarada cansou, cansou de ir atrás de um pai que parecia não existir mesmo estando ao lado dela, cansou de sorrir para um pai que virava o rosto para papéis, cansou de fazer coisas erradas para chamar a atenção de um pai que parecia não se importar, ela cansou de chamar você de pai e nunca ouvir ser chamada de filha. Sua filha cansou Sasuke, então pare de culpar o mundo pelos seus erros e pela sua ignorância, Sarada não foi manipulada, ela só aprendeu da pior forma que pai não é quem coloca no mundo, pai é quem cria. 

 

- Sakura…

 

- Não Sasuke - ela ergueu a mão para me impedir de prosseguir - você sabe onde está o erro, eu não tenho que repetir. Você diz que ela puxou sua personalidade ruim e eu não digo o contrário, ela as vezes parece indiferente e distante, parece que realmente não se importa quando mostra essa cara neutra, mas eu sou mãe e você é pai e como pai deve saber que tudo é apenas uma grande máscara, tome noção por si só, você está se corroendo todos os dias, se matando porque acha que perdeu o amor da própria filha, mas eu só vejo uma cara feia com mais rugas do que deveria ter - Sakura perambulou pelo escritório pegando sua bolsa esquecida no assento da poltrona - mesmo que seja cansativo aceitar, eu não posso negar que vocês dois são iguaizinhos, Sarada pode parecer não se importar mais com você Sasuke, mas mais do que qualquer um ela só quer o seu amor de pai, ela só quer ser notada e reconhecida, você é inteligente o suficiente para saber que ela não entende nem uma vírgula das minhas enciclopédias para trazer para ler aqui - Sakura afirmou o óbvio indo em direção a saída - ela quer parecer legal e inteligente para você… Ela cuida todos os dias de Uchichi, põe água e comida, sempre o leva ao veterinário e da banho uma vez por semana - Sakura riu me fazendo lembrar do gato que dei como pediu ao Papai Noel - ela esconde no fundo do guarda roupa um álbum onde cola todas as suas fotos que saem em revistas e jornais, ela prefere ficar com a sua mãe do que a minha porque dona Mikoto conta a ela todas as suas travessuras de criança… Ela gosta de você Sasuke.

 

- Sinto muito…

 

- Não sinta - Sakura riu suspirando - apenas não continue jogando fora o amor da sua filha - advertiu me olhando pensativa.

 

- Não quero e não vou, eu prometo - analisei Sakura dos pés a cabeça tendo a constatação óbvia do porque Sasori estava a tanto tempo do seu lado; Sakura havia se tornado uma linda mulher, forte e ao mesmo tempo delicada, verdadeiramente uma bela mulher.

 

- Sasuke… - a mulher me chamou antes de passar todo o corpo pela porta e não foi preciso uma resposta para que prosseguisse - Sarada até pode chamar Sasori de pai, mas saiba que ela só faz isso na sua frente porque ela sabe que te incomoda - a afirmação me deixa desnorteado e eu preciso me apoiar sobre a mesa para não deixar as pernas falharem - em casa ela apenas o chama de tio Sasori, ela nunca o chamou de pai. Ela entendeu que mesmo que você não correspondesse ao chamado dela não havia outro para entrar em seu lugar, era só você, para Sarada não importa quem seja, só você é o pai dela… Aliás ela não se refere a você como pai quando está em casa, sempre que vai falar de você ela o chama de papai e eu acho muito fofinho, então não seja mais um pai idiota Sasuke Uchiha ou eu castrarei você seu bastardo! - ouvi a ameaça da mulher que bateu a porta sem força me deixando sozinho.

 

- Papai… Ela me chama de papai… - um sorriso abobado acaba se formando em meu rosto e pela emoção que me contagia no momento tombo no acolchoado da cadeira, a alegria é imensurável e o desejo de vê-la neste exato momento para implorar seu perdão por todos os anos que venho sendo uma falha como pai quase faz meu peito explodir.

 

Me pergunto se é dessa forma que um pai de verdade se sente, se alegrando por um detalhe tão pequeno do filho, sendo feliz por saber que eu tenho uma pequena criatura que chama apenas a mim de pai e nenhum outro homem qualquer que entre furtivamente em sua vida.

 

É no ímpeto da alegria que salto da cadeira giratória e corro em direção a porta do escritório. A porta é aberta com exaspero de minha parte e surpreende as poucas pessoas que passeiam pelo andar, vasculho o lugar e meus olhos vibram com a figura feminina de cabelos róseos que parece aguardar pacientemente o elevador subir todos os seus 14 andares até chegar na cobertura. Os cochichos repercutem rápido no silêncio do lugar e as esmeraldas me encontram quase como se soubesse que eu fosse atrás de si.

 

Eu caminho apressado pelo corredor até chegar ao lado da mulher com um sorriso congelado a face e a sinceridade de meus sentimentos desabrocham no agradecimento mais verdadeiro que já pude dar a alguém. Eu realmente lhe sou grato.

 

- Obrigado Sakura! - quase berro agarrando a mulher pelos ombros vendo a surpresa e alegria desenhar seus traços de olhos felinos - Você é a melhor mulher do mundo! Eu não escolheria qualquer outra mulher para ser a mãe da minha filha, você é a única, a melhor das melhores. Muito obrigada! - a enalteço não me aguentando de felicidade ao abraçar Sakura como a anos não fazia e por fim lhe selando a bochecha com o carinho e respeito que merece como mãe da minha filha.

 

- De nada..? - o rubor sobe as bochechas de Sakura rapidamente e uma risada nervosa acompanha sua fala, mas nada disso me importa, somente minha filha me importa e acreditando nisso disparo a saída de emergência vendo a possível demora do elevador - Ei Sasuke! Onde vai? 

 

- Eu vou atrás da minha princesa! - afirmo risonho vendo a confusão tomar o rosto da mulher para só então a surpresa e emoção desenharem um sorriso terno nos lábios finos - Não vou mais a deixar em segundo plano, eu já entendi que no futuro eu posso não ter um tostão no bolso, mas pelo menos eu terei Sarada, ela é minha e ninguém pode tirá-la de mim ou mudar esse fato, nem aquele almofadinha do Sasori - brinquei vendo-a espreitar os olhos negando levemente com a cabeça - e sabe por que Sakura? - indaguei retoricamente vendo alguns funcionários me olharem como se fosse um lunático - Porque eu sou o pai da Sarada! Eu sou pai! É!! Isso aí eu sou pai! Sasuke Uchiha é pai! - berro com todo o meu fôlego gargalhando pela adrenalina que corre minhas veias antes de desaparecer pela saída de emergência.

 

Os lances de escada são bobagem para minha euforia e ansiedade, o sorriso abobado nem mesmo se desfaz causando uma leve dormência as maçãs do rosto, meu coração pulsa alegre e a consciência me avisa que não devo ser imprudente de tal forma após anos de um transplante, mas a emoção apenas me faz ignorar tudo. 

 

Nada mais importa, apenas minha filha importa.

 

14 andares se tornam banalidades para o eu sedentário, nem mesmo o formigamento e o latejar das panturrilhas me param porque sei que ao fim de tudo, fora do grandioso edifício, há uma pequena cópia de mim aguardando o retorno da mãe. Sei que a essa hora a criança já saiu da escola e que muito provavelmente Sakura a trouxe no carro, eu sei, eu sei de tudo, sempre soube, porque não importa que ela não esteja sob meus olhos, eu sempre saberei onde minha filha está porque eu a sinto.

 

No hall de entrada, sob os mesmos olhares curiosos eu caminho apressado, esbarrando em um e outro empregado atrapalhado, sequer me desculpando pelos empurrões e breve xingamentos durante o percurso. Os burburios logo surgem, vejo funcionários parando suas atividades apenas para tentar compreender o que ocorre, mas eu não ligo, nem mesmo me preocupo em repreende-los porque meu foco neste momento é outro.

 

Minha última corrida é ao passar pela catraca de entrada, com minha passagem sendo liberada de imediato, do lado de fora do edifício, a luz do início de tarde incomoda minha vista cansada, me cega alguns segundos e empertigando-me busco o Jeep branco de Sakura que quase sempre fica estacionado na minha vaga extra na entrada. Algumas figuras logo tomam forma na minha visão velha e embaçada, sorrio mais alegre com a confirmação de minhas suposições e retomo a corrida.

 

Eu preciso me desculpar.

 

Ainda não é tarde, ainda não acabou, esse pode na verdade ser o nosso começo, eu quero ser um pai melhor, um pai que até então não fui, eu realmente quero. 

 

Me encanta sua beleza delicada como a da mãe, me admira sua altivez e inteligência juvenil, me agrada a maturidade e me amolece sua inocência; Sarada é preciosa, até mesmo mais do que acreditei ser.

 

Hoje, mesmo que discreto e contido, seu sorriso ao conversar com o amigo de escola me parece o mais lindo de todos, a postura mesmo que rija demais para uma criança ainda não amedronta minha aproximação e, mesmo que distante, a mesma percepção que me faz saber que está próxima de mim a faz girar em seu eixo para me notar.

 

Sob um olhar confuso e um leve vacilar na postura eu caminho com mais vigor na sua direção, meu coração só falta saltar do peito quando leio perfeitamente seus lábios engasgarem num "papai" vacilante. A criança não parece me temer, mas simplesmente se torna ansiosa, o olhar que me lança é quase preocupado, pois sei que logo atrás de mim busca pela mãe que deveria estar falando comigo neste momento, mas é em mim que a criança se prende, observando-me com intensidade e fulgor, buscado uma resposta para suas perguntas.

 

Eu tenho as respostas que ela quer. Eu realmente as tenho.

 

-S-sa-suke-san..? Mas… O que… - a menina se engasga ao me ter diante de si, risonho como jamais estive e ofegante como não deveria.

 

Eu respiro com dificuldade, a idade mais avançada me atrapalha a manter um físico mais decente e isso me irrita levemente, mas o pequeno brilho de esperança misturado ao medo da criança me instiga simplesmente a ignorar tudo. Mesmo que coragem não me falte neste momento, ainda vacilo ao pensar como dizer e o que exatamente dizer a si, sei o que me indaga silenciosamente e sei o que precisa ouvir, mas em questões práticas sou uma grande falha de homem.

 

Eu suspiro um par de vezes, busco trazer o sentimento certo a tona para que tudo que eu venha lhe dizer não soe superficial ou frígido, olho a criança dos pés a cabeça tomando nota de como cresceu nos últimos meses em que quase não nos vimos e mergulho na lembrança de sua imagem de anos atrás, risonha e falante, uma criança repleta de ternura e com um sorriso divertido nos lábios. Eu amo essa criança, eu amo Sarada.

 

Eu não penso mais, eu caio de joelhos a sua frente, rendido ao sentimento de culpa e, num ato puramente instintivo, puxo a menina para meu enlace. Atesto-me de mantê-la o mais junto possível, pois quero sentir mais uma vez como é ter a criatura mais importante da minha vida protegida em meus braços, escondendo-a do mundo e dos perigos, resguardando-a segundo a segundo como quando a segurei pela primeira vez. 

 

O aroma doce logo empertiga meus sentidos, me traz novas lembranças e o medo de perder a criança me faz a apertar com demasiada força. Não quero perdê-la, nunca mais, eu realmente não posso mais viver sem a criança. 

 

Eu busquei palavras, busquei tantas e tantas palavras, mas agora todas me fugiram, parecem simplesmente terem evaporado me largando no vazio que só ações poderão falar por minha boca muda. 

 

Talvez a resposta seja essa ao fim, não são necessárias palavras, mas sim atitudes. Nunca fui um homem a falar pelos cotovelos e Deus sabe o quanto já ouvi por ser retraído a tal ponto, mas esse sou eu, uma pessoa sem palavras e muita das vezes sem atitudes também. Acontece que os anos me fizeram enxergar que palavras não apagam atitudes, mas atitudes podem apagar a falta de palavras, "eu sinto muito", é tudo que eu quero dizer, é o que eu preciso dizer, mas é sustentando um abraço mergulhado no medo da perda que eu vejo mais uma vez que a tolice cega o homem e um homem cego não é digno de perdão.

 

Eu já não quero ser cego.

 

A reciprocidade demora mais do que desejo, não culpo a criança por isso, ela tem toda razão em me castigar por tudo que a fiz passar, ela pode e deve fazer isso para que este homem tolo que me tornei nunca mais torne a repetir falhas tão absurdas como pai. Os braços pequenos custam a se erguer em meu entorno, eles trêmulam quase descrentes e o soluço que escuto me rasga o peito da forma mais dolorosa possível.

 

O choro da criança é baixo e contido, tão nervoso quanto o que seguro neste momento, as mãos amarrotam o terno de linho ao me puxar para mais perto para esconder a face em meu ombro, as lágrimas umedecem o tecido o deixando quente a cada respirar doloroso do choro, os burburios confusos se soltam abafados não me permitindo entende-la e, no fim, o sentimento toma a forma que deve depois de tantos anos. Hoje eu me sinto um homem de verdade.

 

- Me desculpe… Me desculpe, me desculpe, me desculpe..! - aperto a criança implorando para que minhas palavras a alcance - Eu realmente sinto muito por tudo, me desculpe pequena, eu sou o pior pai do mundo, mas eu prometo que nunca mais serei um pai babaca, eu prometo, prometo por tudo que é mais sagrado - sopro as palavras o mais baixo possível para apenas a menina ouvir minha jura lamentável - me desculpe Sarada, eu te imploro, não chore por um pai estupido como eu, por favor… - acaricio os fios negros da menina no intuito de acalmar o choro da criança que não cessa - Filha, por favor… Me desculpe…

 

Agora eu entendo, a vida de fato é uma grande caixinha de surpresas, cheia de altos e baixos, cheia de caminhos com suas bifurcações, mas a verdade é que sinto que no fim tudo acaba da mesma forma, parece que não importa o quanto desviamos por caminhos diferentes, tudo termina no mesmo lugar; no nosso lugar.

 

Eu sei que grande parte da minha vida tomei caminhos errados, as vezes por desejo próprio e as vezes por não saber o que era melhor para mim no momento, mas no fim, tudo aconteceu como tinha que acontecer, precocemente ou até mesmo tardiamente; a verdade é que eu sou pai, sou o pai de Sarada, esse era meu destino, era neste exato momento que eu deveria chegar. Ter minha filha em meus braços, rendida a minha falta de palavras e quase conformada com minha pouca atitude de pai, implorando um perdão tardio após uma confissão tardia, mesmo tendo sido um pai precoce e um estupido de primeira, as coisas são como deveriam ser.

 

Nada precisava ser forçado, nada precisava ser dolorido para ambos os lados, tudo podia ter sido natural, tudo podia ter sido mágico como nos contos de fada, mas as bifurcações me levaram a isso. A palavra que tanto foi aguardada pela menina flui de mim com naturalidade e carinho, apesar de nunca ter chamado a menina dessa forma sei completamente o que ela significa para si, sei como o sentimento de incapacidade a involucra e sei como se rende a essa força maior que nos une, eu sei. Eu sei de tudo porque assim como Sarada tem uma pequena palavra como preciosa para si, eu tenho a minha.

 

- Você é um idiota, mas eu realmente não me importo tanto com isso… 

 

- Sim, sou um idiota, um grande idiota, um bastardo como sua mãe me chama - sorri singelo sentindo a criança sorrir mesmo continuando a chorar em meu ombro - mas acima de tudo isso eu te amo, você é meu bem mais precioso no mundo, você é minha pequena criança - afasto a menina mesmo contra sua vontade para enfim poder enxugar o rosto avermelhado - você é minha filha Sarada, eu posso não ser o melhor pai do mundo e estou bem longe de estar apto para me denominar como um, mas… Eu quero ser um pai de verdade para você, eu quero cuidar de você e fazer parte da sua vida, quero me tornar um homem digno de ser chamado de pai por você…

 

Entre o choro, os olhos cintilantes pelas lágrimas que ainda escorrem e o pequeno nariz avermelhado eu vejo a criança fragilizada de tantos e anos atrás, o sorriso grandioso que a torna linda mesmo diante do caos, a veracidade em cada gesticular pequeno, o encanto que esbanja apenas por me sorrir com ternura. Não existe palavras que descrevam o quanto eu amo a pequena figura sorridente, eu realmente a amo e não me canso de dizer isso porque essa é a natureza de um pai.

 

Eu quero vê-la, quero mantê-la perto, quero protege-la, quero vê-la crescer, quero dar todo o amor do mundo a ela, simplesmente a quero. A mim já não me importa se sou um homem que acumula riquezas nem mesmo se gozarei de saúde, porque sei que quando os anos passarem e a vida continuar me levando, bastará seu sorriso e a pequena palavra que me encanta para tudo se tornar pleno e perfeito. Talvez esse seja o verdadeiro significado da palavra que me segue, ser pai está muito além dos meus limites, mas agora não há mais nada no mundo que me faça recuar, porque isso não é algo imposto a mim, isso é o que eu sou, o que eu quero ser; hoje eu entendo o que é ser pai.

 

- Você está atrasado papai..!




















































 

A vida é cheia de caminhos e incertezas, repleta de medos e açoites, com poucos floreios em alguns percursos, mas não importa o que vozes sem dono destonem por aí; a vida é bela demais para não ser apreciada, doce demais para ser temida e curta demais para não ser vivida. A vida é apenas uma ou mais uma, quem sabe alguma, é sua? É só a vida.


 

~ By: Man-Wol ~

 

 

 

 



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