1. Spirit Fanfics >
  2. Legacies >
  3. Como Éramos

História Legacies - Capítulo 20


Escrita por:


Capítulo 20 - Como Éramos


Fanfic / Fanfiction Legacies - Capítulo 20 - Como Éramos

Querida tia Sansa,

Sinto falta de tantas coisas, sinto sua falta, sinto falta dos abraços quentes no inverno temeroso de Winterfell, sinto falta dos seus cabelos cor de fogo, de como deixava que eu os trançasse mesmo que nem soubesse separar as mechas de seus longos cabelos, sinto falta da sensação maternal que a senhora sempre teve para mim.

Nunca tive minha mãe, nunca tive os braços dela, o colo dela para me consolar, mas tive o seu e pelos deuses, tanto novos como antigos, queria tanto que estivesse aqui comigo, queria deitar minha cabeça sob seu colo e sentir os afagos de suas mãos macias e ainda calejadas pelas marcas de uma vida que nem sempre foi fácil.

Minha vida não vem sendo fácil tia, já se sentiu perdida? A deriva? Com sentimentos que nem se quer sabe controlar? Sem saber o que pensar sob si mesma? Espero que a resposta seja não, jamais desejaria o que sinto para ninguém, apenas desejo que alguém me compreenda, quando eu mesma não sei como fazê-lo. O qual difícil é me achar quando me perco em mim mesma, venho jogando tantas e tantas camadas por cima de mim mesma, abafando tudo o que sinto, tudo o que sou, com medo de me sufocar e, ainda sim, me afundo mais e mais, e não vejo nenhuma mão para me levantar, para me puxar.

Sabe que detesto assumir que preciso de alguém, não gosto do sentimento de dependência, não gosto de ser um fardo para os outros e para mim mesma, sempre suportei meu próprio peso muito bem, mas agora, queria tanto que alguém me carregasse sob os seus ombros, me levasse para algum lugar, porque os meus pés andam em círculos e mais círculos, sempre me levando para o único caminho que conhecem, não posso culpa-los, é tudo o que tive, durante toda a minha vida Eddard foi tudo o que tive.

Tia o que lhe conto nessa carta, peço que não diga a ninguém, peço que não me julgue, peço que seja a mãe que me ama incondicionalmente, não lhe falaria se as palavras não me engasgassem como o mais mortal dos venenos, não deseje que eu me sinta culpada, porque é a única coisa que sinto ultimamente e é terrível viver sob essa sombra, ela me consome, me rasga de dentro para fora, me transforma em um monstro desfigurado sob a pele perfeita de uma princesa, mas eu não sou, nunca quis ser.

Eu o quero mais do que devia, quero Eddard como uma mulher quer um homem, e ao mesmo tempo que o quero tão arduamente, compreendo todo o pecado de tamanha atrocidade e só lhe peço que me dê aquele amor, o amor certo e bom, um amor de família, peço que traga algum conforto em suas cartas porque eu já não sei o que é sentir algo bom, algo certo, já nem sei o que é me sentir em paz comigo mesma quando vivo sob a máscara de uma mentira, de uma encenação, tenho medo de que meu personagem desabe antes das cortinas se fecharem. Eu só preciso de um pouco de força, porque já me sinto drenada, porque já não vejo onde posso me segurar, enquanto tudo ao meu redor desaba, então espero tia Sansa, que pela garotinha que você viu crescer, que pela menina a qual a senhora se lembra, seja meu último pilar de sustentação, por favor minha tia.

Com amor, Daenys Targaryen.


A carta foi selada com o símbolo da casa Targaryen e Daenys respirou fundo, as lágrimas não escorreram de sua face como vinham fazendo com frequência, mas ela sentia o nó em sua garganta e o aperto angustiante em seu peito, mas seu rosto se mantinha impassível, indiferente escondendo tudo. Sentia culpa, arrependimento, vergonha e raiva, raiva porque ele estava bem, porque ele parecia feliz com sua rainha perfeita e seu trono, porque ele sempre soube fingir melhor do que ela. Daenys não conseguia ser como o irmão, não conseguia ser apenas uma parte, ela sempre se entregava por inteiro, se debruçava sobre tudo o que sentia com afinco, ela não suporta como o irmão, ou ela ama ou odeia, era tão intensa em simplesmente tudo, ela era um todo, sempre.


- Quer que eu envie o corvo?- Sam olhou para ela, a mão estendida em sua direção, o sorriso gentil na face rechonchuda e, a princesa teve que sorrir, minimamente, mas o fez.

- Obrigado, envie o mais rápido deles, por favor.- A Targaryen entregou a carta e agradeceu pelos livros que Meistre Sam havia deixado sob sua mesa. Acendeu uma única vela naquele canto escuro da biblioteca, onde a luz das janelas não chegavam, sempre tapadas pelas enormes estantes de livro.


"Uma música de Gelo e Fogo" era um excelente livro, já havia lido tantas e tantas vezes, já havia até decorado algumas partes, mas as palavras pareciam se embaralhar em sua mente, enquanto ela tentava se concentrar. Sempre apreciou o silêncio daquela biblioteca, no entanto, agora, ele lhe parecia perturbador. Conseguia ouvir seus próprios pensamentos e não era aquilo que desejava, não mesmo. As mãos pressionaram as têmporas e ela deixou que a cabeça repousasse por cima do exemplar, mexia com os dedos nas pontinhas das páginas, tentando se livrar da constante sensação ruim, tão entranhada em sua alma.

Os passos de botas pesadas ecoaram na biblioteca vazia, apenas Meistre Sam sabia que ela estava ali, mas aquelas passadas não eram suas e, apenas outra pessoa conhecia aquele lugar, a pessoa que se refugiava junto a ela quando eram crianças. A figura dele era sempre tão altiva, os cabelos ouro prateados soltos, ornamentados por aquela coroa, as roupas com tons fortes e sempre tão escuras pareciam opacas diante de todo o brilhantismo do rei, o rei perfeito, Daenys teria rido em escárnio, se o pânico pela presença dele não se elevasse.

Sem uma única palavra, ela se levantou, a cadeira pesada rangeu contra o chão e ela circundou a mesa, ficando na ponta, longe dele, se ocupou em guardar os livros por sobre a mesa, daria sua atenção para eles, a manteriam ocupada, tirariam seus olhos dele, era o que ela precisava, fingir que ele não estava ali. Vinham fazendo isso há dias, não podia ser tão difícil, mas Eddard insistia em se aproximar, parando ao seu lado, mantendo uma distância considerável, observando as mãos dela tocarem os livros pesados e os guardarem com certa urgência, o vestido amarelo de mangas longas se embolavam aos livros e ela bufava, irritada, não com os livros, era com ele, era pela simples presenças dele ali, Eddard sabia, quando ousou se aproximar para ajudá-la, Daenys se afastou como um animal ferido, acuado. O rei tentou disfarçar o quanto havia lhe machucado, mas não a culparia, jamais.


- Lorde Gendry concordou em fazer a armadura, vamos precisar da sua ajuda, não é segredo para ninguém que Drogon sempre confiou mais em você.- os dedos longos tocavam a mesa, seguindo o talho da madeira escura, Daenys deixou que alguns livros caíssem e Eddard deixou que ela os pegasse por conta própria, a recusa havia lhe ressentido, não arriscaria novamente.

- Ajudarei.- a voz foi fraca, baixa, mas firme, ela não olhava para ele, sua irmã fugia dele e Eddard sentiu raiva como nunca havia sentido na sua vida, e se aproximou dela, agarrou o braço dela com força, os livros novamente caíram, e a ira iluminou ainda mais seus olhos quando ela abaixou o rosto, como nunca havia feito, uma única vez, nunca havia visto sua irmã abaixar a cabeça.

- Me bata, me enfrente, jogue suas palavras ,sua irá em mim, me dê algo Daenys, me dê algo.- ele chacoalhou o braço dela com força, estava cansado, estava cansado da indiferença dela, da insistência dela em fingir que ele nem sequer existia, quando ela não lhe respondeu, quando os olhos amendoados subiram para os seus, quando eles encontraram com o violeta de sua íris, ele sentiu como se ela o chamasse e se aproximou, correu com os olhos por toda a face dela.- Essa não é você.- era culpa sua, ele havia feito isso.

- Me solte Eddard, está machucando.- Ela recuou, mas o irmão puxou novamente seu braço, não usava mais tanta força, mas a manteve ali, seu braço tocava o peitoral dele e ela não queria olhar para ele, não queria imaginar o quão quente a pele dele poderia ser por debaixo de todo aquele tecido.

- Se lembra de quando éramos crianças?- Eddard segurou o outro braço dela, a virando de frente para si.- Costumávamos nos esconder aqui, quando brincávamos, Meistre Sam ficava com tanta raiva, porque atrapalhavámos os estudos dele...- o Targaryen olhou para a gêmea, havia um sorriso saudoso em sua face.- Eu sinto falta Daenys, de como éramos e sinto muito.

- Não parece sentir.- Daenys finalmente teve coragem para olhar nos olhos dele, para enfrentar aquela cor que tanto a assombrava e encantava.- Me deixou com toda aquela verdade, e esqueceu que eu não sou como você Eddard, eu não sei me esconder atrás de sorrisos falsos, eu odeio sentir sua falta quando deveria me afastar.- um lampejo de ira iluminou os olhos amendoados, mas a voz dela era calma, sussurrava com pesar, como se lhe doesse apenas olhar para ele.

- Não precisa se afastar, por favor.- não se importava de implorar para ela, não se importava de se humilhar para ela, a amava, amava tanto.- Eu sou seu irmão...

- Não preciso que diga isso, porque eu passo todos os minutos do meu dia me convencendo dessa verdade.- os punhos antes fechados se espalmaram sob o peitoral largo de Eddard, deveria afastá-lo, não deveria gostar de sentir o hálito quente dele se misturar ao seu, não deveria sentir nada do que sentia.

- Eu amo você.- a voz dele soou fraca, baixa, como se lhe fizesse uma confissão, suja e imoral, o que não deixava de ser.

- Deveria amá-la, amar a sua esposa, sua rainha.- Eddard não disse nada, ela estava certa, mas ele não era capaz de deixar de ser errado, suas mãos soltaram os braços dela, a deixando livre para ir, para fazer o que desejasse, e Daenys se surpreendeu quando seu coração a traiu e seu corpo guiado inconscientemente por sua cabeça influenciada pela irracionalidade de seus sentimentos confusos, a levou até ele. Seus dedos tocaram os lábios dele, um raspar suave, queria senti-lo, o queria tanto, a pele macia por debaixo de seus dedos, a suavidade deles, o queria em sua pele, queria que ele lhe marcasse com aqueles lábios, queria marca-lo, poder pensar em um único momento que ele poderia ser seu e apenas seu.- Se uma única vez eu me entregasse ao que desejo, se uma única vez eu pudesse ser uma mulher pra você...


Os lábios dele ainda pousavam sob seus dedos e um suspiro a abandonou quando ele lhe beijou os dedos, quando as mãos dele se espalmaram sob suas costas e a puxaram para ele, quando seu corpo se sustentou sob o dele, por um momento ele foi seu pilar, a força que a sustentava, mas eles desmoronariam, não duraria muito tempo ,nunca duraria.


- ...eu definharia em culpa, amaldiçoados pelo que não podemos ter, seria tão egoísta para condenar um reino inteiro por mim?- os olhos dela se voltaram para ele, as mãos dela tocaram as laterais de seu rosto, o obrigando a olhá-la nos olhos, e pelos deuses, o qual ruim era como homem quando Eddard teve a certeza de que o faria, se fosse para tê-la consigo ele o faria. Daenys quis se afastar quando viu a veracidade cruel nos olhos tão claros do irmão, sempre tão transparente, sempre tão verdadeiro para ela.- Diz que me ama, mas será que ainda pode ser chamado assim quando machuca tanto?- a princesa sabia que ele não responderia, sabia que ele também não tinha resposta para aquelas perguntas, mas ele estava a escutando, ao mesmo tempo que se agarrava a ele com afinco, sentia as mãos de Eddard a apertarem contra si, com força, quase podia ver os dedos dos nós dele brancos, tamanha a força com que a sustentava, os troncos se encostando, os seios dela pressionados contra o peitoral dele, os lábios a centímetros de distância, distância que Daenys insistia em manter e que Eddard lutava com afinco para romper.


As mãos dela lhe tocaram com carinho, seus cabelos, seu maxilar, os olhos fechados para sentir cada toque dela sob sua pele, os lábios que mais uma vez foram tocados pelos dedos gentis, os polegares se uniram sob seus lábios e por cima deles ela o beijou, onde os dedos pequenos dela não puderam cobrir, os cantos dos lábios de ambos se encontraram. Eddard não protestou, sentiu como se estivesse a beijando realmente, como se as bocas se unissem com vigor, foi tão simplório e ingênuo, tão doce e suave, mais intenso do que qualquer beijo que um dia ele já havia tido.


- Precisa entender que não é certo Eddard, pare de agir assim, como se eu fosse alguém possível, como se você não fosse casado, como se não fosse um rei, um futuro pai, como se não fosse meu irmão.- a voz baixa, serena e transbordando afeto e compreensão, as mãos dela permaneciam segurando seu rosto, os narizes raspando um contra o outro, a sede cruel por mais.

-Eu sempre vivi pelos outros Daenys, você foi a única decisão que tomei por conta própria, a única que sempre quis, realmente.- Daenys olhou para ele com pesar, tristeza e dor, as mãos dela se afastaram do seu corpo e tiraram suas mãos que seguravam o corpo dela com vigor.

- E veja só, que péssima decisão.- Daenys sorriu, mas não havia humor, não havia uma mísera fagulha de alegria nela.- Eu sinto tanta falta quanto você, eu sinto tanto quanto você, não duvide disso, mas o que há entre nós não pode existir, pense nela Eddard, pense na sua esposa, ela espera um filho seu, ela pode te dar tantas coisas que eu jamais vou poder te dar, porque não é meu dever Eddard, nunca foi, nunca vai ser.- ela estava certa, sempre estaria, quanto aquele assunto, Daenys sempre seria a sensata, a comedida, a racional, ele não, a amava tanto e tanto, quando estava com ela, não havia outra coisa que não pensava que não fosse tê-la, poder dizer que a amava. Sentia vergonha de si mesmo, era um rei, deveria honrar sua rainha, seu reino, em primeiro lugar, ele não podia ser tão mesquinho, ele não era tão mesquinho assim, jamais seria, muitas pessoas dependiam dele, Eddard não podia depender de Daenys.


- O dever é a morte do amor...


Eddard disse, não olhava para ela, era um olhar vazio, sem vida, como se ele estivesse distante dela, longe, perdido em seus próprios pensamentos. O queria, o desejava e apenas os deuses sabiam disso, porque era para eles que Daenys fazia suas preces, orando para que tirassem aquilo dela, queria voltar a ser quem era, queria não saber do sentimento que os cercava, e em seu íntimo acreditava que seu irmão seria sua salvação ,se um dia pudesse tê-lo , Eddard a salvaria, mas jamais seria assim. Não viveria sua vida para esperar por ele, por algo que nunca viria, era seu irmão, não seu homem, não devia vê-lo daquela maneira.


- ...então vamos viver assim.- e ele sorriu voltando os olhos para ela, mas era um sorriso que escondia tantas coisas, Daenys quis correr até ele quando ele sumiu por entre as estantes da biblioteca, quis abraça-lo, mas era o certo, mesmo que parecesse tão errado para seu coração.


...


Lucerys observava Daenys caminhar a sua frente no jardim, ela parecia distraída e distante, as mãos passavam pelas rosas, um toque suave e rápido, os olhos buscavam por algo que nem a própria sabia. O Velaryon caminhou até ela, com calma, quando tocou as mãos a dela, a princesa recuou assustada como se despertasse de algo, quando ela o olhou, sorriu, um sorriso pequeno, que escondia tanto.


- O que houve?- Lucerys perguntou e parou em frente a ela, segurando ambas as mãos pequenas entre as suas, levou a pele de encontro aos seus lábios e Daenys inclinou a cabeça para o lado, a doçura dela transparecendo enquanto a tempestade se agitava em seu interior. Quem os visse juraria que havia algo ali, e poderia ter, ao menos da parte de Lucerys ele tentaria.

- Não é nada.- os dedos dela se apertaram sob os seus e o hálito quente do Velaryon aqueceu a pele de sua mão.

- Não pense que acredito, sei que esconde algo de mim, Daenys.- a voz firme e grave dele a fez sorrir, gostava de Lucerys, gostava da companhia dele e, ainda sim, quando uma das mãos dele pousou sob sua nuca, os dedos se entrelaçando aos fios de seu couro cabeludo, era um toque carinhoso e desejoso, mas a Targaryen recuou e os lábios do homem de cabelos brancos platinados, rasparam sob sua bochecha. Os olhos arderam, não queria olhar para ele, não queria ver que decepcionava um dos poucos que ainda se mantinha ali por ela, unicamente por ela, alguém que lhe entregava algo tão puro e certo, não, não faria aquilo com Lucerys, não o condenaria a viver com uma amante que não o ama, não faria dele infeliz, não podia ser tão egoísta.

- Não posso...- Daenys finalmente olhou para ele, recuou alguns passos, mas Lucerys insistiu e voltou a se aproximar, o polegar dele acariciou as maçãs de seu rosto.- Não permita que eu faça isso com você.

- Não faça o quê?- Lucerys a olhava com calma e certa confusão e, ainda sim, era tão bom.

- Não me entregue algo que eu não mereço.- Daenys afastou as mãos dele de si, a segurando entre as suas.- Não posso te dar o mesmo. - a compreensão brilhou nos olhos do Velaryon e ele sorriu, o recuo de Daenys não o compeliu como ela ansiava.

- Quem é ele? - Lucerys perguntou, mas não havia raiva na voz dela, era apenas uma pergunta.- Se não quiser dizer, não precisa.- quando o silêncio pairou sob eles, o Velaryon sorriu com toda sua compreensão e selou com um beijo casto o topo da cabeça de Daenys, entre os fios castanhos.- Confesso que o invejo...- ele se afastou e sorriu para ela, que teve que o acompanhar.- ...mas não pode me negar uma chance de tentar, pode?

- Não sei se consigo.

- E nunca saberá se não permitir.

- Eu tenho medo...- ela sussurrava, e Lucerys reconheceu que era um imenso sacrifício para Daenys demonstrar que não era tão forte quanto trasnparecia.- Eu prezo muito por você Lucerys, não quero que se machuque tentando curar as minha feridas, não é justo, não quero lidar com mais essa culpa.

- Daenys eu já sou bem crescido, me responsabilizo a partir de agora por nós dois.- Lucerys segurou o rosto dela com suas mãos.- É minha escolha, me deixe tentar ser a sua também.


A princesa olhou para ele, buscou na face de traços valirianos um índicio para não continuar aquela loucura, procurou por algo que a impedisse realmente ao menos de tentar, caçou vorazmente em seus pensamentos algo que a segurasse, mas não havia, por mais que em seu íntimo desejasse, não havia, Eddard não a prendia, o ponto final para a loucura que um dia cogitaram cometer já havia sido dado. Daenys nunca foi comedida como ele, era pura emoção e espontaneidade, era sincera, nunca em sua vida esperou que lhe dessem uma liberdade que era sua por direito. Assim como todos os homens, ela tinha o direito de escolher, sempre teve, não começaria a exitar logo agora.

Não desejava magoar Lucerys, se ela se comprometesse seria dele, por completo, era um voto que seu irmão não parecia levar com afinco, não com sua esposa, com sua rainha. Daenys seria leal ,fiel e inteiramente do Velaryon enquanto seu coração permitisse, até que ela lhe amasse por completo ou o deixasse. Merecia aquilo, merecia ser amada, do jeito certo, pelo alguém certo, embora seus sentimentos persistissem no errado. Daria aquela chance a Lucerys, devia aquilo a si mesma e, no final, se não o amasse viveria com a culpa de não poder ter retribuído a um homem como ele, com o alívio de ter dado ao Velaryon o máximo de si, o que pôde entregar e, acima de tudo, feliz por ter conhecido o amor uma única vez, não o que sentia por Eddard, desejava sentir um amor que alegrava, que não lhe fazia mal, que aquecia a alma e revivia o corpo, não um que parecia matar pouco a pouco.

Com a doçura e sensibilidade que mostrava a poucos, as mãos que se ocupavam de espadas, arcos, lanças e livros, tocaram o rosto do Velaryon e ela o trouxe para perto, tocou seus lábios ao dele, com calma, comandou o ritmo do beijo, intensificando o contato conforme ansiava, as mãos rasparam sob os fios curtos da nuca dele. Lucerys abraçou seu tronco e Daenys foi obrigada a ficar na ponta dos pés, não havia o carnal entre eles, não naquele momento, quando selavam entre si uma promessa silenciosa, incerta e instável, mas promissora. Quando os lábios se afastaram, Lucerys afrouxou os braços aos redor de Daenys e subiu com as mãos para o rosto dela, o segurando entre suas mãos beijou a testa dela com carinho e a envolveu em um abraço protetor, o qual a Targaryen aproveitou com afinco, afundando o rosto no gibão sentindo o cheiro de mar no Velaryon.


- Sempre gostei do cheiro de mar.- Daenys disse, com a voz abafada em meio ao abraço e Lucerys sorriu apoiando o queixo no topo da cabeça dela.

- Sempre fui fascinado por dragões. - os risos abafados dela contra seu peitoral o alegraram e Lucerys a apertou um pouco mais em seus braços, não pretendia deixá-la tão cedo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...