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História Legally trapped! - Capítulo 4


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Notas do Autor


TW: Contém menções à situação mundial atual. Se você se encontra sem condições psicológicas/emocionais para lidar com menções diretas, ainda que com uma realidade não tão alarmante sendo divulgada aqui: não leia.
E sim, é em comemoração ao dia de ontem. Viva minha comunidade LGBTQIA+ ♡
Assistam o documentário e chorem de levinho por ser muito fofo.

Capítulo 4 - Aquele do documentário


Fanfic / Fanfiction Legally trapped! - Capítulo 4 - Aquele do documentário

Enquanto a história de Terry Donahue e Pat Henschel se desvendava diante de meus olhos, as lágrimas rolavam livres, quentes, pesadas. Elas se amaram, afinal, por quase setenta anos. Se cuidaram, se respeitaram, se desejaram. Elas escolheram uma a outra, em um tempo ainda pior e mais complicado de se existir do que agora. Elas se encontraram, depois de muitos enganos amorosos, de desastres por parte dos pretendentes de Pat, em meio ao gelo, sobre patins. Elas se encontraram jogando hóquei, e uma troca de olhares bastou.

Solucei alto, estremecendo todo o meu corpo jogado ao sofá. Céus. Minha garganta doía com todas as palavras não ditas por elas, não de forma direta, não de forma aberta e honesta a seus familiares, tampouco ao mundo. Por toda a mentira de se tratarem por melhores amigas que apenas dividiam um apartamento. Porque, é óbvio, elas não poderiam se revelar em plenos anos 40, tampouco ao fim dos anos 50 e anos 60, em que a caça às bruxas (ou eu deveria dizer aos queers?) se intensificou e... céus. Pessoas presas por amar. Assassinadas. Dispensadas. Sem empregos que os mantivessem, sem apoio que os amparassem, deixados à mercê de um sistema violento, truculento e sem qualquer humanidade. Suicidas. Depressivos. As duas tinham razão em se esconder, em nem, ao menos, frequentar bares como os demais queers faziam (até que eles fossem fechados com brutalidade, e seus frequentadores? Dilacerados aos cães e abutres da sociedade conservadora). Meu peito ardia e pesava dolorido.

Em pleno Maine, nos anos 80, eu já havia passado por um Henry Bowers, por um Patrick e Victor e... Por uma aranha espacial que se fantasiava de lobisomem. Uma Coisa. Um Palhaço homofóbico, que insistia em fazer-me ficar cada vez mais dentro do armário. Em deixar de viver o meu amor, o Secret Love, que queimava por minhas veias. Eu me odiei e me reprimi, não só pela vergonha que me fizeram sentir, mas pela forma como me rebaixaram a ponto de não parecer que eu era merecedor de viver e sentir esse amor. De ser amado de volta. De ter...

"Richie! Voltei!"

... o meu Eds.

"Apesar das proibições e todos os pedidos pelo isolamento e as multas que estão sendo distribuídas por aí, o supermercado estava cheio. Eu quase desisti e dei meia volta, mas... Como eu já tinha saído de casa..."

O amor da minha vida inteira. Como Terry era de Pat, e Pat era de Terry. Mas elas tinham sido ainda mais corajosas do que eu, que havia me declarado num rompante. Sem conseguir mais me segurar. Sem ter mais como esconder, há três anos, que ele era a Pat que me faltava.

"Richie?! O que houve?! Assistiu ao O Concunda de Notre Dame de novo? Lilo e Stich? Dumbo?" Ele quis saber ao se aproximar já despido de suas roupas usadas fora de casa, apenas com a boxer e sem me tocar (e tocar em nada mais em casa).

Sempre que tínhamos de sair em meio ao caos que os anos 2020 tinham trazido, deixávamos à porta nossos calçados, retirávamos nossas roupas na área de serviço e já a colocávamos para lavar. Não podíamos nos tocar, tampouco tocar nos móveis que mais usávamos sem antes tomarmos uma ducha. E ele se encaminhava para essa segunda parte quando percebeu minhas lágrimas. Quando notou que eu estava quieto demais no sofá.

"Richie...?" Sua voz preocupada fazia meu coração pulsar forte no peito. "Aconteceu algo de grave? Algum dos Losers...?"

"N-não..." Cortei sua ansiedade, me colocando de pé. Eu estava com minha boxer da noite passada ainda, já que eu havia acordado há pouco menos de duas horas com Eddie dizendo que precisávamos nos reabastecer. "Eu estava vendo aquele documentário que você tinha dito..."

"Oh..." Ele suspirou aliviado ao saber que era apenas aquilo. Eu me sentia um idiota por chorar por algo assim, mas o que eu poderia fazer? Desde que tínhamos derrotado a Coisa, eu não conseguia mais conter muito bem todas as emoções que sentia. Meu superpoder havia sido perdido.

"Elas eram tão adoráveis..." Comecei, mas nem consegui terminar o raciocínio por causa do choro que obstruía minha garganta.

"Vem... vamos tomar uma ducha juntos..."

Que lágrimas resistiam a esse chamado?! Se algum dia eu dissesse não a ele e a qualquer oportunidade de ver seu corpo escultural, por favor, quem estivesse por perto poderia mandar me internar em um centro psiquiátrico, porque eu claramente não estaria em condições mentais normais. Segui-o pelo corredor de nosso apartamento, indo até nosso quarto e, então, nosso banheiro.

"Arrume um banho de banheira para nós enquanto eu me livro do vírus na ducha, sim?" Ele pediu com a voz tão doce e carinhosa que era impossível não notar seu esforço por me consolar. E Eds sabia como fazer isso, como ninguém mais nunca soube. Então, por ele, pus-me a fazer conforme havia pedido.

A água quente enchia a banheira conforme eu adicionava os sais de banho que ele gostava tanto, os quais tingiam de um tom arroxeado a mistura perfumada que subia e se alastrava pelo banheiro. Pelo canto dos óculos, quase no ponto cego da armação, via seu corpo úmido pela ducha que limpava o sabonete de sua tez sempre macia e bicolor (tomar sol de maneira igual no corpo inteiro ainda não é aceitável socialmente, em especial, quando estamos em uma pandemia. Infelizmente, não era sempre que ele podia ir à sacada saciar sua "carência de vitamina D"). Puta merda. Ele era tão gostoso. Eu era tão sortudo.

Mas, se fôssemos um casal nos anos 50, talvez... Eu não fosse tão sortudo assim. Talvez, ele pudesse ser preso. Pudesse ser assassinado. Talvez, ele não tivesse sequer se separado de sua esposa. Estaria com ela, fingindo uma vida que não seria jamais a dele. E eu... Não estaria nem um pouco diferente. Provavelmente, jamais casado, ou divorciado muitas vezes.

Afinal, a quem eu enganaria? Nem a mim mesmo consegui enganar por muito tempo. Aos treze anos eu já entendia, sim, o que era ter sentimentos por outro rapaz. Por alguém que não era adequado o bastante. Alguém que, talvez, meus pais não aprovassem, na época. Mas que, agora, tinham muito mais amor a ele que a mim (e isso era muito compreensível. Eu sou suspeito para dizer, mas Eds é apaixonante).

"Tome uma ducha antes de entrar comigo na banheira, também." Tão mandão. Sempre tão dono de si, fingindo não ser e conter e superar toda ansiedade insegurança com a forma mais incisiva de se pronunciar. E como não seguir suas ordens, quando seus enormes olhos achocolatados brilhavam daquela forma doce, por mais que suas marcas do rosto se mostrassem inflexíveis? "Vou aproveitar e pegar um vinho que comprei para o jantar de hoje. É um dia especial, afinal..."

Fuck.

Oh. Holy. Fucking. Shit.

Jesus. Fucking. Christ.

Era nosso aniversário de primeiro beijo. Porra. Segundo ano que eu esqueço isso. Minha sorte era que Eds não trocava presentes, efetivamente, nessas datas, mas preparava pequenas e íntimas comemorações. Porque ele era assim. Perfeito. Ideal para mim. E paciente com minha falta de memória.

"Eu já volto." Céus. Ele aproximou-se. Nu. E tomou meus lábios em um selar demorado. Úmido. Com seu corpo ainda molhado da ducha a tocar o meu. Com seu peitoral a apoiar-se no meu conforme se equilibrava nas pontas dos pés para selar minha boca. Para aprisionar meu lábio inferior entre seus dentes, os quais se arrastaram lentamente sobre ele até que fosse solto.

E saiu andando pela casa. Nu. Ainda molhado.


Notas Finais


Vocês gostariam de uma continuação dessa mesma cena ou... posso passar para um novo salto temporal no próximo capítulo?


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