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História Lei Da Atração (Atualizada) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Pra quem já leu a história antes: sim, várias coisas mudaram, principalmente a cena final. Achei necessário atualizar a escrita e um pouco do plot depois de dois anos, por isso, mesmo que você já tenha lido, meu conselho é: leia novamente.

Vai por mim.
Playlist nas notas finais.

Capítulo 1 - Capítulo Único


A lei da atração diz que os pensamentos das pessoas - tanto conscientes quanto inconscientes - ditam a realidade de suas vidas. Essencialmente, se realmente quer alguma coisa, vai consegui-la. Porém, colocar muita atenção e pensamento em algo que não queira significa que também vai recebe-la.

 

{x}

 

Bakugou se espremeu por entre um grupo de pessoas, tentando manter a bebida dentro do copo enquanto procurava por seus amigos em meio as luzes piscantes e os corpos dançando ao ritmo do grave. A pista parecia areia movediça, quanto mais ele entrava, menos ele conseguia se mexer, o que era, em parte, impressionante – considerando que a festa javia sido organizada por calouras e a casa de república era gigantesca. Por outro lado, era sufocante e estressante e ele não era conhecido por sua paciência.  

Ele normalmente não costumava reclamar de festas, tanto porque estava acostumado com bares de rock, onde bebia, ouvia uma boa música e ia embora, mas, nesse caso, era um inferno. Bakugou podia fazer uma lista gigantesca de todos os pontos negativos de uma festa de faculdade. 

Suor, gente gritando, gente bêbada, gente caindo no chão, empurração, sem contar a idiotice de seus amigos que tem uma capacidade natural de fazer merda. Eles já tinham uma reputação a esse ponto e era um milagre que Kaminari tinha convencido as novas garotas a convidá-los para a festa, na verdade. 

Bakugou se arrependia de ter concordado com a ideia. Numa hora dessas, ele podia estar dormindo, feliz e contente, mas não, estava aqui, procurando pelos idiotas que haviam se separado em meio ao muvuco e bebedeira. 

Após várias cotoveladas que serviram apenas para quadruplicar seu estresse, ele avistou uma cabeleira ruiva inconfundível e roupas mais que chamativas perto das caixas de som. Da última vez que o tinha visto, Kirishima já apresentava sinais de estar alterado, agora então, depois de quatro horas bebendo, Bakugou não conseguia entender como ainda estava em pé.  

Bakugou se aproximou, revirando os olhos ao notar que o ruivo estava sem a camisa, como sempre acontecia quando saiam para festas. Kirishima sempre dava a desculpa de ficar com muito calor, mas Bakugou tinha uma teoria muito convincente que era apenas para mostrar os músculos. 

“Bakugou!” Kirishima chamou assim que o viu, seu usual sorriso brilhante no rosto. 

Kaminari estava ao seu lado conversando com uma das garotas da república, que só podia ser uma das calouras se ainda estava dando atenção para ele. Bakugou a olhou de cima a baixo, desde o cabelo preto curto, os olhos cansados – talvez pela brisa –, o sorriso irônico no rosto e as roupas largas e rasgadas. Ele já estava acostumado com o jeito de Kaminari de dar em cima de qualquer pessoa que estivesse respirando, mas a garota mal tinha chegado e o idiota já estava caindo em cima, era impressionante e divertido o desespero do garoto. 

A música quase estourou seus tímpanos pela proximidade com a caixa de som, a batida retumbando em seu peito fazendo seu corpo inteiro tremer. Suas roupas já estavam suadas e seu copo vazio após horas procurando pela pista, então desculpem a falta de educação, mas no momento era necessário. 

“Enfiou o celular no cu, caralho?! Tô te procurando há cota!” 

“Ah, eu perdi ele em algum lugar!” Ele gritou para ser ouvido sobre a música, “Deve tá em algum canto!” 

“Relaxa que aqui só tem gente boa, depois eu te devolvo se acharem.” A garota se intrometeu na conversa, seus olhos então caindo em Bakugou antes de voltar para o ruivo. “Ele é da sua república também?” 

“Valeu, Jirou!” Kirishima agradeceu e passou um braço – suado – em volta dos ombros de Bakugou. “Fica de boa, ele tá com a gente.” 

“Suave.” Jirou sorriu, colocando as mãos no bolso da calça de moletom. Ela parecia bem relaxada pra um ambiente agitado como esse, como se já estivesse acostumada. 

“Jirou! Onde você disse que ficava o som mesmo?” Kaminari perguntou, mexendo na tela do celular. 

Suas sobrancelhas de arquearam. “Já vai consertar o bagulho? Que prestativo.” 

“Eu gosto de ajudar garotas bonitas como você.” O loiro piscou animadamente, passando uma mão pelo cabelo de uma forma que deveria ser sedutora. 

Bakugou sentiu uma leve ânsia de vômito. 

Jirou soltou uma risada nasalada. “Eu tenho namorada. Mas vem comigo, eu te mostro o lugar.” 

“Ah.” Seus olhos pararam de brilhar na hora e Bakugou não conseguiu segurar a risada, mesmo com Kirishima lhe dando cotoveladas para parar. 

 Apesar da vermelhidão no rosto, Kaminari ainda parecia intento a ajudar e seguiu a garota após dar um dedo do meio para os dois. Kirishima revirou os olhos de forma carinhosa, puxando Bakugou para longe das caixas, já que havia percebido seu leve desconforto. “Tá gostando da festa?” 

“Muito lotada.” 

“Ah, se anima! Vai que você encontra alguém legal aqui.” Kirishima disse, sempre otimista. 

Do jeito que ele falava, parecia que Bakugou nunca tinha ficado com alguém na vida, mas apesar de alguns peguetes e noitadas, ninguém o atraía de verdade, aquela essência que tirava o ar. Ele simplesmente não conseguia se impressionar, o que fazia Kaminari dizer que era muito exigente, mas Bakugou discordava. Ele só tinha um gosto elevado. 

Kirishima o levou até a cozinha para pegar um ar, onde para sua não surpresa Sero e Iida estavam vasculhando o lugar. Ele provavelmente não deveria estar acostumado com situações assim, mas, considerando suas amizades, já era de se esperar. Sero, no caso completamente desesperado, ia de um lado para o outro abrindo todas as portas dos armários, enquanto Iida estava quase se jogando dentro da geladeira pela falta de equilíbrio. 

“Que porra cês tão fazendo?” 

Sero pulou com um susto, batendo uma das portas do armário na sua testa com um estrondo. “Porra, Bakugou, não fode! Quase me deu um ataque.” 

“Pensei que tinham dito pra não pegar nada da cozinha.” Kirishima disse confuso. 

“E não é, mas o Iida tá passando muito mal.” 

“Não estou tão mal assim, só um pouco enjoado.” O mais alto disse, puxando uma travessa de doces da geladeira. Apesar do que ele dizia, seu rosto estava pálido e os lábios secos. Se fosse festa a fantasia ao invés de putaria, poderiam chamá-lo de zumbi. “Eu bebi um mix que uma caloura fez e eu juro que ela estava tentando me matar com aquilo.” 

Bakugou bruscamente tirou a travessa de suas mãos antes que ele pudesse pegar um pedaço. “Não come essa porra, cê vai passar mal.” 

“Mais?” Kirishima perguntou brincando, mas ajudou Iida a se apoiar na bancada da cozinha. 

“Esse filha da puta me inventa de tomar um porre justo hoje, inteligência do caralho.” O loiro murmurou, jogando a travessa em cima da bancada da cozinha. Ele e se virou para Sero. “Comer qualquer coisa que foda com ele amanhã é uma péssima ideia. Acha uma bolacha salgada pra ele.” 

“Biscoito.” Ele o corrigiu. 

“Não começa, inferno.” 

“Vocês viram o Midoriya?” Iida questionou, agradecendo Kirishima pela ajuda com um acenar de mão. “Ele bebeu o mix comigo e vocês sabem como fica quando tá bêbado.” 

Entenda-se: carente e manhoso. 

“Da última vez que eu vi ele tava com o Todoroki.” Kirishima respondeu. 

“Com o... Todoroki... Onde?” Iida perguntou devagar, seu rosto ficando ainda mais branco, se é que isso era possível. 

“Subindo as escadas. Por quê?” 

Bakugou entreolhou os outros dois, sabendo muito bem o que significava ir para o segundo andar, algo que Kirishima não parecia captar, e então passou a mão pelo rosto. Por que ele sempre tinha que cuidar pra esses idiotas não fazerem uma burrada? 

“Kirishima, acha o Kaminari. Sero, fica aqui e cuida dele. Eu vou ir atrás dos dois imbecis.” Bakugou se virou, se preparando mentalmente para encarar a sala lotada mais uma vez. 

“Não sei se vai querer atrapalhar eles.” 

“Prefiro arrancar o Deku de cima do Todoroki à força do que ser expulso das próximas festas.” 

Eles realmente estavam ficando sem opções, considerando que foram expulsos de mais de metade das repúblicas do campus e Kirishima e Kaminari não conseguiam parar quietos sem uma festa, o que levava Bakugou a ser incomodado diariamente. Ele não podia, de jeito nenhum, deixar isso acontecer, ou cometeria um crime de ódio. 

Kirishima deu um soquinho no ar. “Nosso héroi!” 

Ele encheu seu copo com o que sobrava em uma garrafa de gin qualquer deixada em cima da pia, apenas para ter algo pra tomar e não perder a cabeça. Assim que se preparou mentalmente, voltou para o campo de batalha. 

Após três anos indo em festas, ele já sabia o protocolo, e manteve o copo o mais próximo possível de seu peito, usando seu outro braço para tirar as pessoas do seu caminho, espremendo-se por entre os corpos. Ele era um mestre nesse jogo e já podia ver as escadas que levavam ao segundo andar – uma luz no fim do túnel. 

Talvez por sua impaciência, ele bobeou e, de repente, uma pessoa esbarrou de costas nele, surgindo do nada e derrubando seu copo. O líquido pulou para fora da borda e molhou sua camiseta, do peito ao estômago. Ótimo, além de suando agora ele tinha álcool no corpo e não era nem pra fazer um body shot. 

“Olha por onde anda – !” As palavras morreram em sua boca quando uma morena de cabelos curtos se virou, seus olhos grandes e castanhos arregalados e preocupados. 

“Meu Deus, me desculpa! Não era minha intenção.” Suas mãos pairaram sobre a camiseta molhada, insegura sobre o que fazer. “E- Eu... Posso lavar isso pra você, se quiser?” 

Ele puxou o tecido entre os dedos, torcendo o lábio em desprazer quando algodão desgrudou de sua pele com dificuldade. Ele se lembrou do motivo de estar ali em primeiro lugar e soltou um suspiro irritado. “Não precisa. Dá licença.” 

“Não, eu insisto, por favor.” Suas bochechas ficaram vermelhas. “É o mínimo que posso fazer.”  

Bom, até mesmo Bakugou tinha seu limite de responsabilidade e oportunidades assim não se deixavam passar por nada – muito menos quando se encontrava a caminho de empatar uma foda. 

“Se insiste.”  

Ela o puxou pelo pulso em meio à multidão dançante e o guiou por alguns curtos corredores lotados de pessoas e cheirando a bebida até a lavanderia, fechando a porta atrás de si e acendendo as luzes. 

A luz piscou algumas vezes, mas por fim funcionou, iluminando as partículas de poeira que dançavam pelo ar. O cômodo era pequeno e tinha apenas um par de máquinas antigas e uma estante com alguns poucos produtos de limpeza. O chão era de cimento e as paredes desgastadas, mas faziam o serviço de se manter de pé. Não era de se surpreender que elas não perderam tempo limpando o lugar em particular. 

“Você pode...” Ela apontou para sua camiseta preta, desviando o olhar.  

Ele tinha que admitir que ela era... Fofa, do seu próprio jeito, com o rosto redondo e as bochechas vermelhas. 

Bakugou puxou a camiseta por sobre a cabeça, dobrando-a para que a parte molhada ficasse escondida. Ele a entregou para a garota, que se recusava a olhar para ele. 

“Qual seu nome?” 

“Uraraka Ochako.” Ela respondeu, colocando a blusa dentro da máquina e pegando alguns produtos da estante próxima. Seus movimentos eram inquietos, mas ela tinha certa leveza nos pés que lhe dava uma graça especial. “E o seu?” 

“Bakugou Katsuki.” 

“Você não é do primeiro ano, é?” Ela adicionou o sabão em pó ao pequeno compartimento e fechou a máquina, apertando o botão de ligar. “Nunca te vi antes.” 

“Não, eu to no terceiro ano já.” 

A máquina vibrava ao seu lado, fazendo barulhos estranhos e altos por conta da idade. Uraraka sentou na secadora ao lado, assentindo com a cabeça. Suas pernas cobertas por uma meia-calça que beirava a transparência balançavam no ar, o cenho levemente franzido enquanto ela parecia procurar por algo a dizer, suas mãos se ocupando com os fiapos de seu shorts. O cabelo curto caia em mechas ao redor de seu rosto, moldando-o e lançando uma sombra sobre suas feições. 

Bakugou mordeu o lábio e decidiu quebrar o gelo. “Qual curso você faz?” 

Ela se virou em sua direção, ajustando a franja depois do movimento brusco. “Administração.” 

“Sério? Cê não tem muita cara.” Bakugou se apoiou na parede, cruzando os braços sobre o peito. “Eu chutaria artes ou alguma porra do tipo.” 

“Artes?” 

Ele deu de ombros. “Tem jeito de avoada.” 

Ela riu, balançando a cabeça. “Besta. Mas não posso discordar quando fui eu que trombei em ti, né?” 

“Viu? Eu sei do que tô falando. Mas, e aí, por que administração?” 

“Eu... Tenho meus motivos.” Ela sorriu, mas o loiro sabia quando não era para forçar um assunto. “E você? Aposto que tá no curso de educação física.” 

Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso convencido abrindo caminho em seus lábios. “Por que?” 

Uraraka voltou a ficar vermelha, o rubor lhe subindo até a ponta das orelhas. “Bem, você... É...” Ela apontou em sua direção geral e cobriu o rosto com uma mão, trazendo os joelhos para perto do corpo. “Você entendeu.” 

Bakugou, agora com seu ego extremamente inflado, diga-se de passagem, passou uma mão pelo cabelo, bagunçando-o um pouco, e se aproximou em passos lentos da garota, apoiando as mãos uma em cada lado de seu quadril, mas ainda deixando um bom espaço caso ela quisesse empurrá-lo para longe. 

“Que foi? Vergonhinha?” 

Uraraka empurrou seu peito levemente, sem real força, seu sorriso branco voltando ao rosto e algo brilhando em seus olhos. “Não fique arrogante. Foi só um comentário.” 

Bakugou tombou a cabeça para o lado, um sentimento remexendo dentro de si. Então a novata sabia retrucar? Interessante. 

“Respondendo sua pergunta...” Ele começou. “Faço engenharia química.” 

Ela arqueou as sobrancelhas. “Então além de tudo é inteligente? Estou surpresa.” 

“Surpresa?” Ele perguntou franzindo as sobrancelhas. 

“Pensei que fosse só mais um cara de república com o ego maior que o corpo.” Ela sorriu para ele, uma de suas mãos encontrando a curva de sua nuca, acariciando de leve aquela área. 

A resposta arrancou uma risada de seu peito, seus rostos se aproximando naturalmente. A respiração da garota quente contra sua pele, apenas o mínimo cheiro de álcool entre eles, o clima pesando para um território que Bakugou honestamente não se importava de adentrar com ela. Sua mão encontrou a coxa de Uraraka, apertando, e subiu até sua cintura. 

Seus lábios se tocaram, quentes e úmidos, movendo-se lentamente um contra o outro. Uraraka passou os braços por seu pescoço, entrelaçando as pernas em sua cintura e o puxando para mais perto, encaixando seus corpos. 

Ao contrário do que muitos pensavam, Bakugou era o completo oposto de sua personalidade quando se tratava de momentos assim. Ele não era brusco e agressivo, pelo menos não na maior parte das vezes e não sem permissão. Ele ia devagar, aproveitando cada segundo, cada toque, estudando reações e sentindo maior prazer em fazer ela se desmanchar em suas mãos. Uma sensação de vitória tomando posse de seu corpo sempre que a garota suspirava contra seus lábios. 

O ritmo entre eles veio naturalmente, suas línguas se encontrando, dentes roçando lábios, mãos explorando a pele exposta e agarrando-se ao tecido em seu caminho. O calor em seu peito crescia, consumia o resto de seu corpo e descia, subindo em ondas de arrepio quando Uraraka passava calmamente as unhas pela linha de suas costas. 

Bakugou se afastou, descendo uma trilha de beijos até seu pescoço, acariciando com o polegar a curva de seu maxilar. As coxas em volta de sua cintura tencionaram quando ele mordiscou um ponto acima de sua clavícula e um pequeno gemido quase inaudível deixou aqueles lábios rosados de beijos. 

Ele apertou sua cintura, descendo-a pelas costas da garota até sentir o volume de sua bunda e apertou com motivação, apenas para testar sua reação. Todo seu corpo procurando por sinais, dos mais minuciosos.  

“Bakugou...” Ela sussurrou em seu ouvido, agarrando algumas mechas de seu cabelo e puxando ao mesmo tempo em que rebolou contra ele. 

Um gemido escapou de seus próprios lábios quando seus quadris prensaram juntos, calor transmitindo de pele para pele, mesmo através das roupas. Seu tesão maior que os próprios limites de seu corpo, consumindo-o de dentro para fora e crescendo ainda mais quando ele viu o mesmo desejo nos olhos de Uraraka. 

O loiro estava prestes a passar a mão por debaixo da barra de seu shorts quando a porta se abriu de súbito com um rangido alto, batendo com força contra a parede. 

“Bakugou!” Kaminari e Kirishima gritaram ao mesmo tempo, entrando com tudo na lavanderia. Uraraka soltou um grito, assustada, e se afastou dele, cobrindo a boca com as mãos. 

Ele nunca tinha usado violência contra os dois, mas agora ele bem que poderia. 

“Cara, você não vai acredi – “ Kaminari parou sua frase pela metade, os olhos arregalando conforme ele absorvia a cena diante de si, o que não era nada difícil de entender. “Mas que porra?!” 

Kirishima, quase tão vermelho quanto seu cabelo, pelo menos teve a decência de parar de encarar igual um peixe morto. “Desculpa, desculpa! Mas a gente precisa mesmo ir! Tipo, agora!” 

“Mas que merda?! Vão vocês, caralho, não tá vendo que eu tô ocupado?!” Ele disse, apontando para seu estado. 

“Claramente,” Kaminari zoou, mas o puxou pelo pulso mesmo assim, ignorando o perigo eminente. “Mas a gente realmente precisa ir.” Nisso, ele olhou rapidamente para Uraraka antes de focar sua atenção novamente no mais alto. “Agora.” 

Bakugou não era burro e percebeu a gravidade da situação, seja lá qual for. Ele se virou para Uraraka para se desculpar pela filha da putagem de seus amigos e também pegar seu número, mas ela foi mais rápida. 

“Não tem problema, pode ir. Eu...” Ela retorceu uma mecha de cabelo em volta do dedo indicador, suas bochechas vermelhas e os lábios umedecidos, uma alça da blusa caindo de seu ombro. Bakugou quase voltou para seus braços. “Levo sua camiseta pro seu quarto depois.” 

Garota esperta. 

“República Ground Zero, não tem como confundir.” Ele disse, lutando contra as puxadas de Kaminari. 

“Pode deixar.” Ela piscou. 

Bakugou a olhou de cima a baixo mais uma vez, chegando à rápida conclusão de que batom borrado e marcas avermelhadas ficavam ótimos nela. Ele seguiu seus amigos para fora da lavanderia e fechou a porta atrás de si para lhe dar privacidade. 

“O que vocês fizeram nessa merda agora?” 

“Foi sem querer!” Kaminari começou, “Mas eu posso, talvez, com uma grande probabilidade, ter feito uma merda muito forte no equipamento de som e ele vai falhar daqui alguns minutos então a gente precisa meter o pé agora.” 

Bakugou respirou fundo, fechou os olhos, passou as mãos pelo rosto e soltou um longo suspiro de raiva interna. “Cadê. A porra. Do Sero e do Iida.” 

“O Iida já tá esperando lá fora, o Sero entrou com a gente pra te procurar, mas acho que ele subiu pro segundo andar.” Kirishima respondeu, olhando em volta preocupado. 

“Tá, bora atrás desse merda e depois a gente já acha os dois outros merdas e cai fora.” Bakugou se virou, mas então voltou-se para os dois com o olhar mais mortal que conseguia dar e rosnou. “E vocês vão limpar a república pela próxima semana.” 

“Só porque a gente empatou tua foda?” Kaminari perguntou. 

O loiro jogou as mãos pra cima. “Sim, filha da puta!” 

Uma das poucas vezes que ele se interessa por alguém de verdade e olha a merda que dá. Impressionante. 

Bakugou passou apressado pelas pessoas, não se importando em não empurrar com força dessa vez, seguido de perto pelos outros dois, enquanto Kirishima se desculpava pelos seus modos com cada pessoa que eles passavam. 

Na metade das escadas ele já conseguia ouvir vozes familiares, então apressou o passo, subindo os degraus de dois em dois. Após olhar para os dois lados do corredor, escolheu seguir pela esquerda, onde as vozes pareciam estar mais próximas. 

No final do corredor ele conseguia avistar Sero, agachado no chão próximo à uma mesinha de canto, com Deku ao seu lado, enquanto Todoroki segurava lençóis brancos nos braços, claramente desconfortável. 

“Que merda tá acontecendo aqui?” Bakugou perguntou ao se aproximar. 

“Eu quebrei um vaso que custa mais que todos os meus órgãos vendidos no mercado negro!” Sero disse rapidamente, seus olhos marejados por lágrimas e as mãos passando rapidamente pelo seu cabelo negro em desespero. 

“Como você fez essa merda?!” Bakugou o levantou do chão, chacoalhando-o pelos ombros. 

“Eu vi uma cena que nunca mais vai sair dos meus olhos, aí eu assustei e cai pra trás e deu nisso! Eu não tenho dinheiro pra pagar essa porra!” 

Considerando os cabelos extremamente bagunçados de Todoroki e os chupões pelo pescoço de Deku, além da vermelhidão excessiva em suas bochechas, Baugou não precisou fazer muito esforço pra juntar dois mais dois. No entanto, ele tinha problemas maiores do que dar bronca num bando de marmanjo de vinte e quatro anos, já que Sero realmente começou a chorar. 

“Não se preocupa, Sero. Kaminari provavelmente destruiu um equipamento de música mais caro que a vida dele.” Kirishima disse tentando consolá-lo. 

“Nossa, muito obrigado!” Kaminari disse, indignado. 

“E por que você tá carregando a porra de um lençol, filha da puta?!” Bakugou perguntou para Todoroki. 

O bicolor suspirou, e explicou a situação como se estivesse falando com uma criança burra. “Porque está sujo e eu vou lavar na lavanderia.” 

Bakugou decidiu que era melhor não se aprofundar no assunto, mas, ao mesmo tempo, sirenes vermelhas explodiram em sua cabeça. 

“Ah, não vai mesmo!” 

“Por que não?” Ele perguntou, franzindo as sobrancelhas. 

“A Uraraka tá lá ainda e vai dar mais merda do que já deu.” Bakugou respondeu, já pensando em todo o problema que daria se Todoroki aparecesse lá com os lençóis de alguém da casa em seus braços. “E outra, imbecil, como você ia levar isso pra lá sem chamar atenção, porra?!” 

“Quem?” Todoroki questionou, ignorando todo o restante da frase. 

“Namorada do Bakugou.” Kirishima respondeu. 

“Não é minha namorada, inferno!” 

“Dá pra parar de gritar e me ajudar a pegar isso aqui?!” Deku gritou em uma mistura de desespero, vergonha e raiva, ainda coletando os cacos de vidro. 

“O que a gente faz então?” Todoroki disse, sem saber onde colocar os lençóis. 

Uma ideia brilhou nos olhos de Kaminari e ele estalou os dedos, o que quase sempre não significava algo bom. “Já sei!” 

O loiro pegou os lençóis das mãos de Todoroki, inverteu seu lado para que a parte mais ou menos limpa ficasse por cima e o jogou de volta na cama, então, satisfeito com seu serviço de porco, abriu a janela, recolheu os cacos da mão de Deku e, sem cerimônias, jogou-os pra fora. 

Um silêncio se estendeu por alguns segundos antes dos demais gritarem em uníssono, “Ficou louco?!” 

“Mas que merda, Kaminari?!” 

“Cê é idiota, mano?!” 

“Ninguém vai saber que foi a gente! Só precisamos sair daqui antes que a porra do som pare de funcionar e a Jirou venha atrás do meu cu!” 

Assim que terminou de falar, ele se virou em direção as escadas e correu, seguido não muito depois pelo resto do grupo, que tentava ao máximo fingir que não tinham feito merda e que estavam, na verdade, atrasados para um compromisso importante. 

Um compromisso às quatro da manhã. Claro. 

Eles encontraram Iida do lado de fora, sentado no chão de madeira da varanda na frente da casa com uma mão cobrindo a boca enquanto ele respirava devagar e de forma controlada. 

“Iida, levanta, a gente tem que ir!” Bakugou ordenou. 

“Perdão, mas, eu não estou me sentindo muito – “ Ele engasgou no meio da frase, fechando os olhos com força. 

“Não.” Bakugou disse. 

“Iida...” Todoroki alertou. 

“Por favor, não.” Deku completou. 

“Só espera a gente chegar em casa.” Kaminari pediu. 

Mas ele dobrou o corpo pra frente e vomitou. 

Sero olhou para o céu da noite e fechou os olhos. “Bem no meu tênis novo.” 

Kirishima se agachou ao seu lado, fazendo movimentos em círculos com a mão em suas costas. “Pode vomitar, vai se sentir melhor depois.” 

Iida vomitou mais uma vez. 

“Kirishima!” Bakugou lhe deu um tapa atrás da cabeça. 

“Eu prefiro ele vomitando aqui do que dentro do carro!” 

“Tá, mas... O que a gente faz com o vômito agora?” Deku perguntou, cobrindo o nariz. 

Todoroki pegou uma lata de cerveja ao lado da porta, chacoalhou algumas vezes para ter certeza de que estava relativamente cheia e então despejou o resto do conteúdo sobre o vômito, que escorreu pelas tábuas de madeira, caindo na grama abaixo. 

“Resolvido.” 

Bakugou levantou um dedo para começar a discutir com o bicolor, chegou até mesmo a abrir a boca, mas decidiu que já estava de muito saco cheio pra essa merda e, por fim, apenas disse, “Foda-se.” 

Então pegou as chaves no bolso de Deku, que era pra ser o responsável da noite, mas olha só no que deu, e caminhou até o carro. 

Seria mais fácil pra sua vida se Bakugou parasse de andar com eles, mas, no fundo, eram seus únicos amigos naquele lugar, então tinha certo apego. Ele jogou as chaves para Sero, presumindo que se fosse dirigir agora ia bater em algum lugar ou por raiva ou pela bebida. 

Assim que fechou a porta atrás de si, segurando a cabeça de Iida pra fora da janela e deixando Kirishima se ajeitar em seu colo, as luzes da casa se apagaram e o som morreu, o que foi seguido de vários gritos de reclamação. 

Os sete suspiraram e Sero deu partida no carro. 

 

{x} 

 

Havia passado uma semana desde a festa e até hoje Bakugou não tinha sinal nem de Uraraka nem de sua camiseta. Kaminari comentou que ele e Jirou tinham aula no mesmo prédio e que ela parecia estar tratando-o normalmente. Kirishima ainda estava sem o celular, mas ele apostava que tinha sido roubado. 

Apesar do alívio dos demais, ele não sabia em que conclusão chegar. Todoroki, querido como sempre, tinha sugerido que Uraraka apenas tinha mentido para o loiro e que na verdade não queria nada com ele, sendo mais fácil acreditar nas ações de Jirou. Bakugou obviamente xingou a ele e toda sua família. 

No entanto, enquanto estava deitado em sua cama, havia pensado nessa possibilidade. Só que uma coisa não parecia juntar com a outra. A garota havia demonstrado interesse, então por que agora estava lhe dando o tratamento de gelo? 

Ele suspirou, decidido a parar de pensar nisso e rolou pra fora da cama. Bakugou tinha apenas cinco minutos da sua manhã reservados para pensamentos depreciativos e paranoias e eles haviam se esgotado. 

Estava prestes a pegar uma toalha para poder tomar banho, quando escutou um grito vindo do lado de fora do seu quarto, seguido por um barulho abafado, como se alguém tivesse caído no chão. Bakugou apenas deu os ombros, jogando a toalha sobre um deles. Apenas mais uma manhã comum. 

“Kaminari, você tá –” Ele ouviu Deku dizer do corredor, o que foi logo seguido por seu próprio grito e mais um tombo. 

Ok, agora ele estava preocupado. 

Bakugou abriu a porta do quarto, uma pergunta agressiva na ponta da língua que morreu assim que seus pés tocaram a madeira do corredor. Ele deslizou pra frente, o chão desaparecendo debaixo dos seus pés, que bateram na parede oposta após o tombo. Suas costas arderam com a queda, os músculos protestando quando ele tentou se levantar sem muito sucesso. 

Deku gemeu ao seu lado, segurando o ombro machucado enquanto o loiro esfregava a cabeça dolorida. 

“Deku, que porra é essa?” 

“Como é que eu vou saber, Kacchan?!” 

Kaminari, a primeira vítima do incidente, tentou se levantar, mas suas mãos deslizaram pelo chão e ele bateu o queixo na madeira. “Filha da puta!” 

“Izuku? Aconteceu alguma –“ Todoroki saiu de seu quarto e a taxa de mortalidade da república subiu. 

Ele deslizou pelo chão, buscando se apoiar nas paredes antes que caísse, mas, por infelicidade e muito azar, acabou se desequilibrando, escorregando no degrau da escada e rolando até atingir o primeiro andar da casa com um grunhido de dor. 

“Que merda é essa?!” Todoroki gritou. 

Sero e Kirishima saíram apressados de seus quartos por causa do barulho, ainda usando pijamas e com os cabelos completamente bagunçados. Os dois bateram com a cabeça na mesma hora, seus membros se entrelaçando quando atingiram o chão com tudo, não sabendo se seguravam as testas ou os joelhos doloridos pela queda. 

“O que está acontecendo?” Iida disse, abrindo a porta do quarto. 

“Iida não!” Deku girou cento e oitenta graus no chão deslizante e segurou os pés de Iida com força para que ficassem dentro do quarto. “O chão tem alguma coisa!” 

Iida franziu as sobrancelhas e se agachou, passando o dedo pela superfície de madeira e o trazendo para perto do nariz. “Mas... É manteiga.” 

“É o que?” Deku perguntou confuso e então cheirou o piso, antes de voltar seus olhos verdes para Bakugou. “Ele tá certo.” 

“Tá de zoação com a minha cara né, seus porras?!” Mas então ele cheirou sua mão e realmente... Era manteiga. O inconfundível e horrível cheiro de manteiga espalhado por todo o seu chão e por todo o seu corpo. 

Era hoje que alguém saia pela porta na porra de um caixão. 

Bakugou se apoiou na parede, levantando com cuidado e dificuldade para não escorregar mais uma vez e retirou suas meias, jogando-as pra dentro do quarto e limpou suas mãos na toalha antes de jogá-la no ombro novamente. Pelas reações de seus colegas de república, não tinha sido obra de nenhum deles, o que restava, então, era alguma república vizinha pregando uma peça. 

Acontece que... Nenhuma que ele pensava fazia sentido. Eles já tinham resolvido a maioria de suas tretas passadas e não havia motivos para isso. Na verdade, mesmo quando estavam no seu segundo ano e arrumaram confusão com uma galera do último, que se consideravam os mais fodas da universidade, eles não tinham chegado nem perto de fazerem algo parecido – Bakugou suspeitava que foi por medo, já que ele era do tipo que nunca se rendia. 

Mas então, quem eram os loucos por uma sentença de morte que resolveram bagunçar sua casa? 

Bakugou ajudou Deku a se levantar e o empurrou pra dentro do quarto de Iida, então caminhou lentamente, ainda usando as paredes de apoio. Kirishima fez o mesmo, sem querer pisando em Sero no processo, e se encontrou com ele no topo da escada. 

“Será que foi a república do Monoma?” O ruivo sugeriu. “Você meio que quebrou o nariz dele no treino semana passada.” 

“Ah, pronto a culpa é minha agora! Ele não é louco o suficiente de vir fazer a porra de um trote aqui.” 

“Então a manteiga espalhada no chão é mágica?” 

Bakugou o encarou por alguns segundos. “Enfia a petulância no cu e ajuda os idiotas a descerem pro primeiro andar sem se matar.” 

Kirishima bateu continência, quase deslizando novamente. “Sim, senhor!” 

 O loiro então subiu no corrimão da escada e desceu tranquilamente até o primeiro andar, mantendo o equilíbrio ao tocar o chão. 

Todoroki já tinha conseguido se sentar no primeiro degrau da escada, usando a manga da blusa para parar o sangramento em seu nariz. “Se for na cozinha, pega gelo pra mim, por favor.” 

“Vou pensar no seu caso.” 

O bicolor chutou sua canela, o derrubando no chão. 

“Oh, filha da puta!” Bakugou o chutou de volta. “Demora pra ficar de pé, capeta!” 

Todoroki sorriu de canto. “Eu sei. A propósito... O que é essa coisa no chão?” 

“Merda de manteiga.” 

“Manteiga não caga, Bakugou.” 

Bakugou decidiu ignorar o último comentário e recomeçou seu processo de ficar em pé, sentindo-se um bebê que não fazia a menor ideia de como andar. Era desnecessário dizer que sua raiva aumentava a cada segundo e que ele só queria meter um soco na cara de alguém logo. 

Prioridades, Bakugou, prioridades. 

“Vou pegar a merda do seu gelo.” Bakugou bateu com a toalha na coxa de Todoroki em aviso antes que ele pudesse fazer outro comentário estúpido. 

A cozinha não ficava muito longe da sala por se tratar de uma república relativamente pequena, então, felizmente, não demorou muito pra ele conseguir alcançá-la. A partir daí o processo foi fácil, ele só precisou ficar perto das bancadas para alcançar a geladeira e usou sua toalha para segurar o gelo. 

O que adiantou de grande bosta porque assim que ele voltou pra sala alguém lhe passou uma rasteira e o gelo deslizou pelo chão até o outro lado. 

“Mas quem é o filha da puta que –” O grito morreu na sua boca assim que ele olhou para cima, se deparando com Uraraka em pessoa, o prensando no chão com um pé em suas costas. 

“Bom te ver de novo, Bakugou.” Ela disse com um sorriso simpático, sua camiseta preta jogada sobre o ombro e uma arma de mentira em suas mãos. 

Bakugou olhou em volta pela sala sem entender porra nenhuma. Uma morena de cabelos longos presos em um rabo de cavalo estava ao lado de Todoroki com os braços cruzados. Outra de cabelos verdes subia as escadas correndo. Correndo. 

Sapatos antiderrapantes. Elas... 

Filhas da puta. 

Jirou estava encostada na porta de entrada, girando um de seus fones de ouvido com um sorriso, no mínimo, sádico no rosto. Ao seu lado estava uma garota com cabelo black power pintado de rosa, segurando em suas mãos um celular que Bakugou reconhecia muito bem. 

Capa vermelha com um ‘CR’ em preto? Claramente Kirishima. 

“Eu não sei o que sentir.” Todoroki disse. 

Bakugou lhe lançou um olhar que era uma mistura de ódio e indignação, antes de virá-lo na direção de Uraraka o máximo que conseguia. 

“Que porra é essa, garota?!” 

Uraraka encolheu os ombros, fingindo inocência. “Vingança.” 

“Vocês não são tem uma reputação atraente, sabiam? Fofocas correm rápido e não foi difícil chegar a uma conclusão tão óbvia.” A morena disse com um ar de educada superioridade.  

“Só uma dica: não deveriam deixar uma chave reserva num lugar tão óbvio quanto abaixo do tapete de entrada.” Jirou comentou, pegando duas armas próximas ao chão da entrada e caminhando tranquilamente até o meio da sala.  

“E, fala sério, quem coloca como senha o próprio ‘C’ que tem na capa do celular?” A garota com o celular do Kirishima disse, desbloqueando a tela. 

Bakugou ia matar Kirishima e sua obsessão pelo super-herói Crimson Riot. Na verdade, risca isso, ele ia matar todos os seus amigos. E as garotas também. Sabe como é um saco limpar qualquer coisa com manteiga? 

A garota de cabelo verde voltou acompanhada do resto de seus amigos, parando no início da escada do segundo andar, a arma de mentira apontada para seus pés. “Comecem a descer. Cuidado pra não escorregar.” 

“Olha, não tem pra que fazer tudo isso.” Kaminari disse com as mãos ao alto em rendição. 

“Claro que tem.” A garota olhou por cima do ombro de Kirishima. “Tá gravando já, Ashido?” 

Ela acenou com a cabeça, posicionando melhor o celular. 

A morena ao lado de Todoroki pegou com facilidade a pistola que Jirou lhe jogou e apontou a arma direto na cabeça do garoto, puxando o gatilho. Um líquido amarelo atingiu em cheio seu cabelo e escorreu pelo rosto do bicolor, se misturando um pouco com o sangue já coagulado em cima do seu lábio superior. Ele grunhiu com nojo, sua expressão se contorcendo.  

“Shoto!” Deku chamou preocupado. 

“Por favor.” Sero começou. “Me diz que isso não é o que eu tô pensando.” 

“É manteiga!” Todoroki disse com repulsa, afastando o cabelo do rosto.  

Ela mirou na direção de Deku, que cobriu o rosto com os braços, mas caiu pra trás com o movimento brusco e escorregou o restante dos degraus, chutando as costas de Todoroki, que não teve tempo de reação para desviar e caiu com tudo no piso de madeira, batendo o nariz mais uma vez. 

“Isso foi por usar meu quarto, sendo que o segundo andar estava estritamente proibido, e ainda por cima sujar meu lençol!” 

“Você deitou nele?” Kaminari perguntou. 

A garota de cabelo verde atrás dele deu um tiro em seu pé e ele escorregou pela escada, tão suave como uma pedra, batendo com tudo no chão e ainda deslizando para perto de Bakugou. 

“Cara...” Ele grunhiu. “Elas são loucas.” Kaminari concluiu com dor. Bakugou não sabia dizer se era física ou emocional. 

“Essa foi por ser escroto mesmo.” 

Jirou, não satisfeita, apontou a arma para Kaminari e atirou três vezes. “Isso foi pelo sistema som e energia, seu merda.” 

“Não podemos simplesmente ter uma conversa civilizada e resolver isso?!” Iida tentou ser racional. 

“Pelo vômito na varanda que fedeu por dias até a gente descobrir.” Uraraka deu dois tiros consecutivos, um mirado nos pés de Sero e o outro nos de Iida. 

Os dois deslizaram juntos, um se enrolando com o outro como uma bola de neve até o primeiro andar. Sero grunhiu assim que Iida caiu em cima dele, tirando um pouco do seu ar. 

Kirishima arregalou os olhos, percebendo que era o único que restava e parou de descer a escada, posicionando as mãos na frente do corpo para tentar se proteger. “Espera, espera, a gente paga pelos danos!” 

“Tarde demais!” Uraraka disse e as quatro garotas apontaram a arma na direção do menor, descarregando o que sobrava de manteiga, o que não era pouco. 

O ruivo, que já estava quase na metade da escada, conseguiu se segurar no corrimão, mas até aquilo estava coberto por manteiga, e ele escorregou o resto do caminho, batendo o quadril em cada degrau. 

“Isso foi por ser cúmplice.” Ashido disse. 

Bakugou tentou se levantar, mas Uraraka apoiou seu peso sobre ele, colocando o cano da arma em sua nuca. Ele não sabia se ficava apaixonado ou com muita raiva. 

“Eu disse que vinha trazer sua blusa, não disse?” Sua voz era doce demais para a situação. 

“Isso não vai ficar assim.” Ele ameaçou com um rosnado. 

Uraraka arqueou as sobrancelhas e saiu de cima dele, jogando a blusa preta sobre suas costas. “Vou esperar ansiosa.” 

Então ela atirou mais uma vez, o líquido molhando seu cabelo e escorregando por debaixo da blusa, algumas gotas pingando dos fios loiros direto no seu rosto e escorrendo até sua boca. 

Raiva, definitivamente raiva. 

Ashido digitou animadamente no celular de Kirishima. “Vídeo postado em todas as redes sociais com sucesso!” 

Kirishima empalideceu na hora. “Você não fez isso!” 

“Ser popular tem seus custos.” A morena disse, soltando seu cabelo do rabo de cavalo e se juntando as outras na porta. 

Fantástico, agora todo mundo da porra da faculdade veria essa humilhação. 

“Bom trabalho, pessoal!” Jirou disse, girando a arma em um de seus dedos pelo gatilho. 

Ashido deixou o celular no lado de fora da porta.  

“Vem pegar... Se conseguir.” 

“Tsuyu, bora!” Uraraka chamou e a menina de cabelos verdes desceu a escada pulando animadamente. 

“Vemos vocês por aí!” 

Bakugou rangeu os dentes e tentou se levantar, mas sua mão escorregou na manteiga e no gelo derretido e ele meteu o queixo com tudo no chão. 

“Bem-vindo ao meu mundo.” Kaminari disse sem ânimo ao seu lado. 

 

{x} 

 

Kirishima se jogou ao seu lado no sofá da sala, suspirando cansado. Eles tinham acabado de limpar a casa depois de horas, revezando entre as aulas que cada um tinha. O processo consistiu em muita esfregação, deslizamentos acidentais e o constante xingamento, seja direcionado a outra pessoa ou ao próprio chão. 

Eles também tiveram que lavar suas roupas e os pedaços de parede que ficaram manchados quando foram usados de apoio, além de fazerem uma geral na casa pra ter certeza de que tudo estava em seu devido lugar. Deku escondeu a chave extra num pote de planta que, com relutância, retirou da janela de seu quarto. 

Kirishima tirou o vídeo de suas redes sociais, mas já era tarde demais, praticamente metade da faculdade já havia visualizado e alguns filhas da puta sem nada pra fazer da vida tinham salvado e postado novamente. 

A raiva de Bakugou não passou por um segundo sequer. 

“Eu não sinto mais meus braços.” Kirishima comentou. 

O celular de Kaminari apitou na mesa, mas o loiro, jogado de barriga no outro sofá, não fez nem questão de se mexer. Deku estendeu a mão e desbloqueou o celular, acompanhado de alguns gemidos de reprovação de Todoroki, que estava confortavelmente deitado em seu colo. 

“É da Jirou. Ela acabou de mandar uma foto dos cacos do vaso que o Sero quebrou...” 

Os sete suspiraram exasperados ao mesmo tempo. 

“Ela falou mais alguma coisa?” Sero perguntou, agarrando uma almofada próxima contra seu corpo. 

“Sério? Mais essa merda? Vocês são ridículos.” Deku leu a mensagem e jogou o celular ao seu lado. 

“Dessa vez vocês se superaram na merda.” Bakugou disse. 

Kaminari se levantou bruscamente. “Ei, você não tá muito melhor não, cara. Sua namorada te atirou manteiga!” 

“Ela não é minha namorada, desgraça!” Bakugou gritou de volta. “E se não fosse por vocês nada disso teria acontecido!” 

Iida, que até agora estava sentado num canto do sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos, segurando sua cabeça nas mãos, finalmente se pronunciou. “Eu não devia ter comido aqueles doces.” 

Bakugou tombou a cabeça contra o sofá pra não surtar. “Eu avisei!” 

“Nós não achamos nenhuma bolacha que não era doce! Eu preferi comer brigadeiro.” 

“Biscoito.” Sero corrigiu. 

“O que foi que você fez com o sistema de som, Kaminari?” Todoroki perguntou curioso, abraçando a perna do namorado para ficar confortável e ao mesmo tempo encarar o loiro no sofá oposto. 

“A Jirou disse que eles estavam tendo problemas com a eletricidade da casa e que isso afetava em seus estudos já que ela trabalha com música e edição e ela vivia perdendo progresso por conta disso, aí – “ 

“Como ele é idiota pra caralho.” Bakugou adicionou, mas foi ignorado pelo loiro energético. 

“ – Eu me ofereci pra ajudar, já que eu estudo isso, mas... Eu não tava acostumado com aquele tipo de fiação e...  Deu merda.” 

“Genial.” Todoroki passou uma mão pelo rosto. 

“Shoto, acho que a gente não tem muita moral pra julgar ninguém agora.” Deku o avisou, suas bochechas ficando quase tão vermelhas quanto o cabelo de Kirishima. 

“Não podia segurar o pau dentro da calça por duas horas né, caralho?!” 

“Bakugou eles te acharam com a Uraraka na lavanderia... Menos.” Sero disse sem paciência pra aturar os surtos de humor do loiro. 

“Tá, mas... O que a gente faz agora?” Kirishima perguntou. “Elas ainda estão pistola com a gente.” 

“A gente revida, é óbvio!” Bakugou disse com convicção, como se realmente fosse óbvio. 

Kirishima o encarou, piscou e arqueou as sobrancelhas. “Não?!” 

“Cê quer fazer o que então, porra?!” 

“Uh, pedir desculpas como uma pessoa normal?” Ele respondeu indignado. 

“Eu devo concordar com Kirishima.” Iida se levantou. “Pedir desculpas seria a coisa mais certa a se fazer e o jeito mais rápido de acabar com esse conflito que causamos.” 

“Eu quero revidar.” Kaminari disse e todos se viraram para ele. “Elas me jogaram da escada, mano! Da escada! Sabe o tanto que isso dói?!” 

“Sim!” Eles responderam, raivosos. 

“Eu não acho que seja uma boa provocar elas.” Deku deu seu ponto, sua pele e cabelo ainda exalando o cheiro de manteiga apesar do longo banho que havia tomado. 

Iida levantou a mão. “Façamos uma votação então, para deixar as coisas mais democráticas, já que se começarmos uma guerra, todos serão afetados.” 

“Nesse caso não é mais fácil só pedir desculpas?” Deku disse. “O que é que a gente perderia com isso?” 

“Nossa dignidade.” Bakugou respondeu. 

Deku revirou os olhos e Iida se levantou, recebendo a atenção de todos. “Bom, temos sete pessoas no total. Deku, Kirishima e eu votamos contra, enquanto Bakugou e Kaminari votam a favor. Sero?” 

Todos se viraram para o moreno. 

Ele apertou a almofada desgastada contra o peito, depois olhou entre Bakugou e Kaminari, que possuíam um fogo nos olhos, sedentos por vingança, e engoliu em seco. “Desculpa galera, mas eu voto a favor... Eu aceitava o trote, mas postar na internet foi demais.” 

Iida assentiu e se virou para o bicolor. “Todoroki, está em suas mãos.” 

Todoroki saiu do colo de Deku, encarou a todos e, após alguns minutos em silêncio, disse com determinação, “Eles jogaram manteiga. Na minha cara. E eu podia ter quebrado o nariz e arruinado minha carreira como modelo. Isso já ficou pessoal.” 

Bakugou sorriu de forma sádica, apoiando a decisão do bicolor. “Guerra?” 

Todoroki o encarou fundo nos olhos e assentiu com a cabeça. 

“Guerra.” 

 

{x} 

 

Bakugou jogou o vigésimo pacote de fita adesiva dentro do carrinho de compras e Todoroki riscou o item da lista. Eles ficaram encarregados de fazer essas pequenas preparações para o plano enquanto os outros cuidavam de certos detalhes, como a rotina delas e uma brecha de entrada. 

“Acho que é só isso que temos que pegar.” O bicolor disse, guardando a lista no bolso. “Você pegou o dinheiro com todos?” 

“Claro que peguei, porra.” Bakugou respondeu, arrastando o carrinho de compras pelo corredor. “Tem certeza de que o Deku consegue hackear a porra da conta?” 

“Se tem uma pessoa que entende dessas coisas, essa pessoa é ele.” Todoroki disse com confiança. “O que faremos se Kaminari não achar uma boa entrada?” 

“Ele vai achar.” 

“Como pode confiar tanto assim?” 

“Da mesma forma que você, idiota.” Bakugou revirou os olhos. “Kaminari pode parecer um completo idiota as vezes, mas ele é bom com as coisas mais aleatórias. Ele vai dar um jeito.” 

“Certo.” Todoroki pegou um kit de canetas da estante mais próxima e jogou dentro do carrinho. Ao perceber que Bakugou ia reclamar, ele já foi logo explicando. “Eu pago essa sozinho.” 

“Acho bom mesmo, meio-à-meio.” 

“Já passou pela sua cabeça que você é estressado demais?” 

“Já passou pela sua cabeça que você é arrogante pra caralho?” 

“Ótimo argumento, mas já pensou em ir se foder hoje?” Todoroki retrucou com um meio sorriso. 

Bakugou parou o carrinho e se virou para ele. “Eu vou meter um soco na sua cara.” 

“Você não alcançaria.” 

Bakugou rangeu os dentes e pisou com força no pé do bicolor, adorando ver aquele sorriso convencido desaparecer de seu rosto. 

“É por isso que você não tem namorada.” 

“Primeiro que eu trato vocês assim porque são idiotas pra caralho, não quer dizer que eu faria isso com uma namorada.” Ele disse, pondo o carrinho em movimento e jogando um sorriso por cima do ombro. “Segundo que são elas que não tem bom gosto.” 

Todoroki revirou os olhos dramaticamente. “Depois eu que sou arrogante.” 

 

{x} 

 

Bakugou olhou por cima do carro rapidamente antes de voltar a se agachar. Há cinco minutos atrás Kaminari tinha saído de seu esconderijo para olhar em volta da casa e garantir que todas tinham saído. 

O sol pairava no meio do céu, deixando a tarde especialmente quente, do tipo de fazer suor escorrer facilmente por sua têmpora e o horizonte da rua se distorcer com o calor. Eles estavam perdendo o horário de almoço, mas claramente isso era mais importante. 

“Tem certeza de ser uma boa ideia?” Iida perguntou enquanto remexia na caixa lotada com fita adesiva. 

“Agora já estamos aqui. Isso tem que funcionar.” Todoroki disse enquanto contava quantas tinha em sua mochila. Assim que se deu por satisfeito, virou-se para Sero. “Você tem absoluta certeza de que isso vai dar certo?” 

“Quem é o artista aqui mesmo?” 

Todoroki levantou uma sobrancelha. 

“Sim, eu tenho absoluta certeza!” Sero adicionou. 

“Midoriya, conseguiu a conta?” Kirishima perguntou, apoiando-se nos ombros do menor. 

“Calma.” Deku mordeu o lábio inferior enquanto digitava rapidamente no celular de Kirishima, seu cenho franzido em concentração. Depois de alguns minutos ele deu um pequeno sorriso. “Entrei, mas lembra que assim que a gente terminar isso eu preciso devolver.” 

“A gente vai, senão eu mesmo arrasto os quatro pra pedir desculpas.” Kirishima disse um pouco mais alto para que os outros escutassem, pegando seu celular de volta, agora aberto na conta de Uraraka. 

As vezes ter um semi-stalker e principiante a hacker no grupo tinha suas vantagens. 

Kaminari deslizou pelo capô do carro e se juntou aos outros. “A barra tá limpa.” 

“Certeza?” Bakugou fez questão de perguntar. 

“Agora tá, mas se vocês ficarem enrolando aí eu não sei.” Ele disse em tom sarcástico. 

Bakugou estava prestes a bater a cabeça dele na porta do carro, mas Todoroki o puxou pela gola da camisa. 

“Anda logo.” 

Eles correram até a porta de entrada, Bakugou e Iida carregando a caixa de papelão e os outros lombando as mochilas. Kaminari ficou perto do carro, a porta de motorista aberta caso acontecesse um imprevisto e alguma delas voltasse mais cedo. 

 Assim que Deku conseguisse destrancar a porta, deixariam Sero dar uma olhada em volta pra demarcar os lugares onde as fitas fariam uma boa armadilha, já que ele tinha mais experiências com elas por ter feito uma obra de arte no seu segundo ano que era esculpida inteiramente com o material. 

E então a diversão ia começar. 

“Sabe mesmo o que tá fazendo, né nerd?” Bakugou questionou depois de alguns vários minutos esperando enquanto Deku remexia o grampo para lá e para cá na fechadura. 

“Sou praticamente formado nisso, Kacchan.” 

“Por que tá demorando tanto então?” 

“Se você parar de me distrair, demoro menos.” 

Bakugou rosnou, mas voltou sua atenção para a calçada, olhando em volta. 

Kirishima bateu um ombro contra o de Todoroki. “Por acaso seu namorado é agente secreto?” 

“Não.” Todoroki respondeu. “Ele só aprendeu a fazer isso pra me tirar de casa à noite. Meu pai era mais rígido que militar, então a gente dava nossos pulos.” 

Kaminari chamou a atenção de Bakugou e gesticulou com as mãos em forma de questionamento antes de bater um dedo contra o pulso. Eles tavam demorando demais. 

“Deku.” 

“Não me apressa, Kacchan.” 

“Hipoteticamente,” Iida começou, “Sem querer duvidar das habilidades do Midoriya, mas o que a gente faz se essa porta não abrir?” 

“Vai abrir.” Deku disse, confiante. 

“Então abre, caralho!” 

“Não grita, idiota.” Todoroki retrucou, todo protetor. 

Antes que eles começassem a discutir, a porta da frente se abriu e Deku fez uma reverência exagerada. 

“Bom trabalho.” Todoroki sorriu, jogando a mochila por cima do ombro e entrando na casa.  

Iida pegou a caixa do chão. “Vamos ser rápidos, por favor.” 

Sero estralou o pescoço. “Deixa comigo.” 

Eles se dividiram em grupos e passaram a trabalhar em cômodos separados pra acelerar o processo. Sero ia e vinha pelas salas, dando dicas de onde prender as pontas das fitas para que ficasse difícil de desviar e de retirar depois sem estragar algum outro objeto no processo. 

Depois de algumas horas, eles finalmente terminaram e a casa tinha virado uma verdadeira armadilha grudenta. Bakugou sorria só de pensar no estrago que isso faria. 

“E pronto!” Kirishima disse, grudando a última fita na frente da porta. 

Kaminari se juntos a eles na entrada, saltitante. “Acabou?” 

“Espero que sim porque as fitas acabaram.” Deku respondeu, fechando a mochila vazia de Todoroki. A caixa de papelão havia sido deixada dentro da casa pra liberar espaço no carro. 

“Agora é só esperar e –“ 

“Que porra é essa?!” 

Eles se viraram com um pulo, dando de cara com Jirou e as outras garotas, que no momento mais pareciam dragões enfurecidos do que qualquer coisa, bloqueando o caminho de volta pro carro. 

“A gente devia correr, né?” Kirishima perguntou. 

Ashido jogou a bolsa no chão e Uraraka estralou os dedos. 

“Deve!” Kaminari respondeu, passando por baixo da fita na porta e correndo pra dentro da casa. 

A pior ideia que eles podiam ter tido, mas era a única opção no momento. 

Bakugou havia ajudado Iida a montar a sala, então pelo menos naquele cômodo ele conhecia a posição das fitas e foi relativamente fácil de desviar, mesmo com garotas raivosas atrás dele. Ele se escondeu atrás de um dos sofás, ficando prensado contra a parede, mas era o local ideal para observar a cena enquanto procurava por uma saída.  

Seus amigos não tiveram tanta sorte quanto ele. Kirishima tropeçou na caixa de papelão e se entrelaçou em várias fitas ao mesmo tempo, ficando completamente preso quando caiu no chão. 

Deku conseguiu desviar de algumas enquanto fazia seu percurso até o corredor, mas Tsuyu pulou em cima dele na velocidade da luz como se a garota fizesse parkour, derrubando uma chuva de fitas no processo.  

Uma delas se estendeu e fez Ashido tropeçar, que segurou a perna de Sero, mas, felizmente, ele conseguiu se levantar, correndo para a cozinha com a intenção de sair pela porta dos fundos. 

Todoroki havia desviado das fitas e subiu até o segundo andar, onde tinha trabalhado, para ganhar uma vantagem sobre Yaoyorozu que estava logo na sua cola. Enquanto Iida tentava desviar de Jirou correndo em volta da mesa da sala de estar, mas a garota puxou uma das fitas do chão e, assim que ele caiu, a grudou em volta de seu corpo. 

O barulho não era nada agradável por sinal. Chegava a arrepiar com aflição. Bakugou levantou a cabeça um pouco por sobre as costas do sofá, espiando com cuidando. Uraraka estava perto da parede de entrada, passando cuidadosamente entre as fitas enquanto procurava por ele. Porque é claro que ela tinha que mirar justo nele. Jogar manteiga na sua cara não tinha sido o suficiente. 

Subitamente, uma mão tapou a sua boca e Bakugou entrou em um leve desespero, quase dando uma cabeçada na pessoa atrás de si, até perceber que era Kaminari. 

“Eu tenho um plano.” Ele disse, soltando o loiro e se posicionando melhor no espaço minúsculo que tinham. 

 “Desembucha rápido então.” Ele sussurrou e gritou ao mesmo tempo. Um de seus muitos talentos. 

“Cria uma distração correndo pra algum lugar. Eu só preciso que a Jirou e a Uraraka saiam daqui pra eu conseguir chegar na despensa e desligar a chave-geral. Aí a gente pega a galera e mete o pé.” 

“Você vai cortar a energia?” 

Ele deu de ombros. “Não é como se já não tenha feito isso antes. E outra, se a gente for feito de trouxa por calouras mais uma vez, nossa reputação cai pra inexistência. Adeus pegação, olá zoação eterna.” 

Bakugou mediu suas opções e por fim assentiu com a cabeça. “Só uma coisa.” 

“Que foi?” 

“Não fode, porra.” 

Kaminari lhe deu um joinha e Bakugou se levantou, fazendo o máximo de barulho que conseguia, o que não era difícil quando ao puxar apenas uma fita criava um barulho direto do inferno. 

Uraraka foi a primeira a avistá-lo, um sorriso confiante formando em seu rosto quando ela deslizou pelo chão, desviando de um par de fitas. “Não achei que tivesse coragem pra revidar.” 

Bakugou sorriu de canto. “Você não sabe com quem tá lidando.” 

Antes que ela pudesse retrucar, o loiro viu um objeto se aproximar de canto de olho e desviou. Uma almofada bateu na parede ao seu lado e Jirou pulou por sobre a mesa, se aproximando numa velocidade impressionante. 

Hora de correr. 

Bakugou piscou para Uraraka e se virou, adentrando o corredor que levava para a lavanderia. As garotas o perseguiram sem nem pensar duas vezes, mas ele sabia que não tinha como ele despistar as duas ao mesmo tempo num espaço fechado quando a energia fosse pro saco. 

Ele virou à direita em um ponto e arrancou uma fita da parede, esperando próximo a curva e aproveitando o momento pra recuperar o fôlego. Os passos ficaram mais próximos e intensos e, assim que ele captou movimento no canto do olho, se virou com tudo, estendendo a fita em suas mãos. 

Jirou bateu com tudo contra seu peito, a fita indo ao redor de seus olhos e prendendo na parte de trás da cabeça. A garota o empurrou pra longe, os olhos fechados enquanto ela tentava arrancar a fita com as mãos. 

“Filho da puta!” 

Bakugou não teve nem tempo de se sentir orgulhoso antes de voltar a correr, já que Uraraka veio logo atrás, parando apenas por alguns segundos para confirmar que a amiga estava bem. 

Bakugou abriu a porta da lavanderia e esperou a morena no meio do cômodo, torcendo com todas as forças para Kaminari não enrolar demais. Uraraka bateu com o ombro no batente ao entrar e ele se forçou a empurrar qualquer preocupação para o canto mais profundo de sua mente.  

“Você...” Sua respiração estava ofegante e Bakugou tinha que admitir que não estava muito melhor que ela. “É um cuzão.” 

“Eu sou um cuzão?!” Ele gritou indignado. “Vocês espalharam manteiga na merda da minha casa!” 

“Vocês quebraram um monte de coisa aqui também!” Ela jogou as mãos pra cima. “Olho por olho, dente por dente.” 

“Vocês passaram da porra do limite!” 

“Ah, e vocês não?!” Ela soltou uma risada nervosa. “Eu sei que estavam bêbados, mas, sério, nem se deram ao trabalho de se desculpar por qualquer coisa e nem arcar com os custos. Você acha o que? Que dinheiro nasce em árvore?” 

Durante a discussão eles tinham se aproximado sem perceber, a garota levantando o queixo para parecer mais ameaçadora. Seus olhos castanhos estavam marejados de lágrimas, apesar de tentar parecer durona, e Bakugou, naquele momento, realmente se sentiu um cuzão. 

Mas, acima de tudo, ele era cabeça-dura. Podia pensar nas consequências de suas ações quando não estivesse tentando pregar um trote vingativo. Bakugou soltou a respiração, “Eu nunca saio por baixo, cara de lua. Empates não funcionam comigo.” 

Uraraka bufou, suas mãos se tornando punhos em seus lados. Bakugou podia sentir sua decepção no ar, como se ela esperasse mais dele do que trivial arrogância. Ele se viu dividido em sentimentos, por um lado queria provar que ela estava errada, que ele era melhor do que aquilo, mas por outro sabia que palavras vazias não significavam nada quando não tinha uma prova sequer para bancar seu argumento. 

 “Pelo menos me dê uma boa luta quando eu revidar.” Ela disse, por fim. Seus olhos determinados e sua postura firme. “Porque isso não vai ficar assim.” 

“Se você revidar.” 

“Acha que eu não aguento?” 

“Você não sabe com quem tá mexendo.” 

Uraraka segurou seus ombros e o empurrou contra a parede. “Eu vou ganhar de você. Isso é uma promessa.” 

“Vou esperar ansioso.” Ele jogou suas palavras de volta para ela. 

No mesmo segundo, tudo escureceu e gritos de surpresa surgiram pela casa. Bakugou aproveitou a distração para se soltar da garota, invertendo suas posições e correndo pra fora da lavanderia. Ele fechou a porta atrás de si, arrancou uma fita próxima da parede e a enrolou na maçaneta, prendendo a outra ponta no batente. 

Se a escuridão não fosse suficiente, pelo menos isso a ocuparia um pouco, mesmo que apenas por alguns segundos. 

Assim que terminou ele correu de volta pra sala, passando pelos corredores escuros e desviando das fitas que brilhavam com a luz da lanterna do celular. Acabou se encontrando com Todoroki no caminho, que descia as escadas apressado, também com sua lanterna ligada. 

“Cadê o resto dos idiotas?” 

“Não faço ideia.” Ele respondeu, seguido de uma buzina alta. “Lá fora, pelo jeito.” 

Os dois correram para fora da casa e pularam as escadas da varanda, piscando pela mudança de iluminação. Sem nem sequer olhar pra trás, se jogaram para dentro do carro lotado e repleto de gritaria. Enquanto Sero ligava o motor, Deku puxou Todoroki pela janela aberta. 

“Anda logo, rápido, rápido!” 

 Bakugou pulou por cima do capô e fechou a porta do carro atrás de si, ignorando os grunhidos de dor de Kirishima por ter lhe dado uma cotovelada na barriga sem querer.  

“Vai! Vai! Vai!” 

Sero acelerou com tudo. 

Depois de alguns segundos de alívio e silêncio, Kaminari soltou uma risada, que cresceu e cresceu até ele quase ficar sem ar e puxou todos para a mesma situação de euforia. 

“Meu Deus... Essa foi a coisa mais radical que já fiz na vida.” Deku disse, puxando Todoroki para mais perto. 

Iida tirou os óculos para limpar as lágrimas de riso embaixo dos seus olhos. “Foi deveras divertido, mas espero não ter que repetir a situação.” 

Kaminari se virou no banco da frente para encará-lo, “Cara, ficou louco?! Eu quero ir de novo!” 

Bakugou abafou a risada com a mão e olhou pelo retrovisor, observando a casa se afastando enquanto as palavras de Uraraka retumbavam em sua mente. Ela ia bater de frente com ele, disso não tinha dúvidas. 

Bakugou estaria esperando. 

 

{x} 

 

No final das contas, o trote serviu para porra nenhuma, já que Kirishima não conseguiu gravar absolutamente nada. Apesar das garotas terem postado alguns vídeos, como elas tentando retirar a fita da cabeça de Jirou ou Uraraka com uma vassoura em cima dos ombros de Tsuyu para alcançar o teto. 

Mesmo assim, todo o esforço e dedicação foi direto pro ralo, já que eles não tiveram direito autoral no trote. Bakugou ajeitou a alça da mochila sobre o ombro. 

Se apenas isso fosse seu único problema. 

Uraraka não saia de sua cabeça ultimamente. Se fosse só pela questão de se perguntar quando o próximo trote aconteceria ou o que ela estava tramando, não teria problemas com isso, mas era algo além. Ele ficava repassando a conversa que tiveram na lavanderia, suas palavras embargadas de frustração e os olhos marejados. Conseguia entender ela ter ficado chateada, mas não havia esperado aquele nível tão intenso de reação. 

Para melhorar, ainda tinha respondido de forma imatura e insensível e mesmo assim ela havia se levantado perante o desafio, sem vacilar. Era o tipo de determinação que Bakugou reconhecia de igual para igual e que claramente dizia: não me subestime, você não sabe nada sobre mim. 

O problema era que ele queria saber. Queria saber seus gostos, suas decepções, sua motivação por trás de fazer administração e o que exatamente havia passado para se tornar tão marrenta apesar da aparência fofa e personalidade empática. Também se perguntava, de tempos em tempos, se eles tinham gostos parecidos para outras coisas que não trotes bem arquitetados, como se gostaria de seu barzinho favorito. 

Bakugou sacudiu a cabeça para espantar esses tipos de pensamentos. Ele não tinha tempo pra ficar envolvido com essas coisas agora e nem devia. Afinal, ela era sua rival e você não ficava todo simpático de rivais. 

Por isso, pode-se dizer que ele ficou no mínimo surpreso ao ver Deku sentado ao lado de Uraraka num banco próximo à casa, conversando calmamente com um sorriso no rosto e mostrando algo em seu celular enquanto a garota concordava com a cabeça. 

Bakugou parou de andar para encarar a cena e ter certeza de que ele não estava imaginando coisas. 

Uraraka pareceu agradecer por algo e então se levantou, acenando para o esverdeado com aquele sorriso estúpido que ela sempre tinha que deixava sua cara ainda mais redonda, mas que colocava um brilho estrelado nos olhos. Ela deve ter percebido sua aproximação, pois deu um passo para trás em surpresa. 

Ele se aproximou com passos largos. “Que merda é essa?!” 

“Ah, Kacchan!” Deku se assustou, colocando a mão por cima do peito, já que sua atenção havia estado completamente na garota. “Eu tava ensinando a Uraraka a pegar sua conta de volta... Também dei uma melhorada em seu sistema de segurança.” 

“Deku é realmente muito prestativo. 

Bakugou levantou uma sobrancelha, “Só isso?” 

“E...Eu pedi desculpas pelo que fizemos na festa.” Ele parecia ao menos um pouco apologético por trair a irmandade entre eles, mas Bakugou sabia que no fundo ele estava convencido de que fez a coisa certa. 

“Cê tá de zoeira, né?!” 

Ele encolheu os ombros. “Não?” 

Uraraka tombou a cabeça para o lado. “Algumas pessoas conseguem admitir o erro. Eu também já pedi desculpa pelo trote, então agora somos parças. Né?” 

“Com certeza. Águas passadas.” 

Bakugou sentiu o queixo cair, não acreditando no que estava vendo. Uraraka soltou uma risada - não, correção: uma risadinha – e, com uma mão delicada abaixo de seu queixo, fechou sua boca. Ele fingiu não se incomodar com a forma que seus dentes rasparam um no outro. 

“Mais um ponto pra mim.” Ela se virou e deu um soquinho no ombro de Deku antes de se afastar. “Preciso ir, mas obrigada de novo, Deku!” 

“Tchau! Tchau! Te vejo por aí.” 

“Tchauzinho!” 

Bakugou a encarou por um momento, os passos saltitantes e a postura perfeita, toda cheia de si depois de sua pequena, mas significativa vitória.  

“Para de encarar.” 

Ele voltou sua atenção para o recipiente de sua insatisfação e, após um longo segundo em silêncio, no qual se encararam com indignação e convicção, Bakugou lhe deu um peteleco bem dado na testa. 

“Kacchan?!” Deku reclamou, passando uma mão na área afetada.  

“Porra, Deku! Já não bastava pedir desculpa cê ainda me vira amigo do inimigo?! Cadê sua lealdade?!” 

Deku revirou os olhos, se levantando para encará-lo de frente. “Pelo amor de Deus, Kacchan, era a coisa certa a se fazer desde o começo.” 

Bakugou colocou um dedo no peito do esverdeado, tentando passar sua raiva por aquele pequeno contato. “Não sei se a sua cabeça de bosta se lembra, mas a gente votou que não pediria desculpas!” 

Deku afastou sua mão. “Eu me lembro muito bem, obrigado! Eu não pedi desculpas em nome de todo mundo, apenas do meu. Se quiser continuar com isso, vai em frente, mas eu to fora.” 

“Não pode abandonar a causa assim!” 

“Bom, eu acabei de abandonar.” Deku pegou sua mochila do banco e jogou sobre os ombros. “Lide com isso.” 

Bakugou abriu e fechou a boca algumas vezes sem saber o que dizer antes de seguir o menor pra dentro da casa. “Lide com isso, sério? Você sabe que elas vão vir aqui foder com a gente mais uma vez e você tá incluso nisso, né?” 

“Uraraka disse que aprecia minhas desculpas e entende que passou dos limites também.” Deku tirou os sapatos na entrada. “Combinamos de deixar isso de lado. Como eu disse, águas passadas.” 

“E você acreditou?! É idiota ou o que?!” 

“Posso ser idiota, mas minha consciência está limpa.” 

Eles subiram as escadas, Bakugou longe de desistir de esfregar na cara do menor o quão errado ele estava. Sem contar que se Deku havia pedido desculpas, não demoraria muito para Kirishima e Iida fazerem o mesmo. 

“Deku, você vai mesmo ficar da porra do lado delas?!” 

Finalmente, ele se virou para o loiro, as mãos unidas como se estivesse se controlando para não surtar. “Não existe essa de ‘lado’, Kacchan! Elas fizeram uma brincadeira com a gente e nós fizemos uma com elas. Já estamos quites e já estava passando da hora de nos desculparmos. Agora se me dá licença, eu preciso estudar.” 

Antes que Bakugou pudesse gritar mais um pouco com ele, Deku fechou a porta na sua cara, colocando um fim a discussão. 

“Tá, foda-se, não é como se a gente precisasse de você de qualquer jeito!” Bakugou disse para a porta e não recebeu uma resposta, virando-se estressado para seu próprio quarto. 

Ele não ia desistir tão fácil assim. Era questão de orgulho ganhar essa guerra e esfregar na cara de Uraraka sua vitória. Qualquer pessoa que passava o mínimo de tempo com ele já sabia que ele não era fácil de derrubar. 

Uraraka não chegaria nem perto de conseguir, ele próprio se certificaria disso. Essa guerra iria até o fim. 
 

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Bakugou acordou no meio da noite com um barulho muito parecido com um canhão explodindo – que, após certa consideração, na verdade era apenas a porta de seu quarto abrindo bruscamente. Na sua pressa de se levantar, suas pernas enroscaram no lençol e ele deu de cara com o carpete, tateando na escuridão para tentar se pôr de pé. 

As luzes continuavam apagadas e sua mente ainda sonolenta apesar do susto, mas ele sentiu alguém passando por cima dele e sua primeira reação foi esticar o braço, agarrando o que parecia ser muito com uma perna. A pessoa caiu no chão e Bakugou subiu em cima dela, colocando as pernas em cada lado do que era pra ser sua cintura. 

Seu punho se levantou no ar, porque um ladrão era a última coisa que ele precisava no momento. 

“Bakugou, sou eu!” Uraraka gritou e ele paralisou na hora. 

Se ela estava aqui, então... 

Merda. 

“O que você fez?!” 

“Nada.” Seu tom de voz era de uma inocência pura, mas ele não era idiota de cair nas suas táticas. 

“Ah, não!” Ele ouviu Kaminari gritar de seu quarto, seguido por passos apressados descendo as escadas. “Dessa vez vocês foram longe demais!” 

Bakugou se levantou com pressa e se jogou em cima do interruptor. Assim que seus olhos se acostumaram com a luz repentina, ele piscou algumas vezes só para ter certeza de que o que ele estava vendo era real. 

Seu quarto inteiro estava coberto em glitter. Sua escrivaninha e seus livros da faculdade, seu guarda-roupa que ele tinha largado com a porta aberta, os lençóis de sua cama e o seu chão. Seu chão de carpete. Coberto por minúsculos pedacinhos de plástico brilhante. 

No centro do quarto estava Uraraka, agora de pé, com o sorriso mais satisfeito no rosto que ele já tinha visto, uma das mãos em sua cintura em uma pose triunfante enquanto a outra segurava uma fronha de travesseiro vazia. 

“Pensa pelo lado, positivo, Bakugou...” Ela mordeu o lábio inferior. “Pelo menos é biodegradável.” 

“Eu vou. Te matar.” 

“Só se conseguir me pegar.” 

Com isso ela correu na sua direção, desviando dos braços que tentaram agarrá-la e passando pela porta. 

“Nem fodendo!” 

Bakugou a seguiu, ignorando todo o tumulto acontecendo, como Yaoyorozu saindo apressada do quarto de Todoroki, que veio logo atrás coberto em glitter dos pés à cabeça. Kirishima estava sentado na frente da sua porta, segurando uma de suas diversas edições de quadrinhos nas mãos, agora completamente brilhante. 

Uraraka estava a uns bons passos na sua frente, mas o loiro sabia que que conseguiria sua vantagem na escada. Ele desceu os degraus de três em três, acostumado, já que fazia isso toda manhã, e alcançou a garota, agarrando seu braço. 

Aí é que estava o erro. 

Pela brusca mudança de movimento, os dois perderam o equilíbrio e o chão desapareceu debaixo dos seus pés. Bakugou puxou Uraraka para perto de si, a prensando contra seu corpo. Ele conseguiu girar durante a queda para que caísse com as costas no chão, tomando a maior parte do impacto, mas, ainda assim, Uraraka conseguiu bater o queixo em seu ombro. 

Quando ela se apoiou em seus cotovelos, seus olhos se encontraram mesmo na leve escuridão e compreensão brilhou naquela imensidão castanha. Bakugou percebeu que ainda tinha os braços em volta de seu corpo e os soltou um pouco, suas mãos parando na cintura da garota. Ela soltou a respiração. 

Uraraka ia falar alguma coisa, o loiro tinha certeza disso, mas então Ashido desceu as escadas correndo e segurou a morena pela blusa, puxando-a para cima. 

“Anda logo, Uraraka!” 

Bakugou teve tempo suficiente de virar de barriga para ver elas saindo pela porta com Kaminari e Sero logo atrás. Elas rapidamente pegaram duas bicicletas que estavam jogadas na grama e pedalaram para longe bem na hora que os outros dois as alcançaram. 

Kaminari jogou os braços pra cima estressado. Sero se jogou de costas na grama. 

“Elas são boas.” Todoroki admitiu ao seu lado, passando as mãos pelo cabelo para tentar tirar pelo menos um pouco do glitter. 

Bakugou concordou com a cabeça. “As filhas da puta são inteligentes. Por onde entraram?” 

“Janela da cozinha. Quebraram a trava.” 

“Reunião de emergência!” Kaminari anunciou assim que botou o pé pra dentro da casa, acendendo todas as luzes. “Cadê o Midoriya e o Iida? Eles não acordaram com tudo isso?” 

No mesmo instante, Midoriya surgiu da cozinha, carregando uma caneca de leite, seu cabelo mais bagunçado que o normal e o rosto com marcas de lençol. “Eu acordei, infelizmente.” 

“Por que você tá tomando leite?” Todoroki perguntou. 

Deku o olhou como se fosse idiota, seus olhos cobertos com estresse. “Porque eu quero dormir!” 

Sero entreolhou os outros três antes de voltar sua atenção ao esverdeado, “Sem querer estragar sua vibe, Midoriya, mas como você vai conseguir dormir num quarto coberto de glitter?” 

Deku arqueou as sobrancelhas, “Meu quarto não tá coberto de glitter.” 

“Que?!” Sero e Kaminari gritaram ao mesmo tempo, mas Bakugou não estava surpreso. 

“Ele pediu desculpas pra porra da Uraraka hoje cedo.” Ele explicou aos demais. 

“Midoriya.” Bakugou não sabia dizer se o tom de Todoroki era de indignação ou reprovação. 

“Eu não vou ter essa discussão de novo. Boa noite.” 

Kaminari passou as mãos pelo rosto. “Tá, mas e o Iida?” 

Kirishima desceu as escadas, completamente vestido e com o cabelo amarrado em um pequeno meio rabo, sua expressão tão determinada como um homem em uma missão secreta. 

“Onde você vai?” Sero perguntou. 

“Comprar um aspirador de pó.” Ele disse, parando na frente de Sero. “Chaves do carro, por favor.” 

“A gente ia ter uma reunião agora, na verdade.” Kaminari disse. “Só falta o Iida.” 

Kirishima se virou para ele. “O quarto do Iida tá limpo. As garotas devem ter tido um pouco de pena dele porque afinal tudo que o coitado fez foi passar mal e ele tem aulas com a Yaoyorozu, então eles devem ter conversado.” 

“Olha a audácia desse filho da puta.” 

“Eu não sei quanto a vocês, mas eu quero meu quarto limpo o mais rápido possível pra gente poder discutir como revidar essa.” Kirishima estendeu a mão para Sero, ainda esperando a chave. 

“Espera, você vai querer revidar?” Todoroki questionou. 

“Elas estragaram minha edição limitada do primeiro quadrinho do Crimson Riot versão capa dourada, cara. Tem algumas coisas de um homem que não devem ser tocadas, essa era uma delas.” Ele fez seu discurso de forma estranhamente emotiva. 

Sero lhe entregou a chave do carro. “Compra sabão e detergente também, por favor.” 

O ruivo sorriu, girando a chave no dedo indicador enquanto se deslocava para a porta. “Pode deixar.” 

Alguns raios de sol entraram pelas janelas, banhando o chão de dourado e indicando o começo do amanhecer. Seus corpos soltaram um leve brilho caleidoscópico por conta da purpurina, principalmente Todoroki, que estava tão coberto pelos pedaços de plástico que nem dava mais pra ver sua pele direito. A casa no geral também não estava lá essas coisas, alguns pedaços de glitter espalhados aqui e ali, por terem se desprendido de alguma peça de roupa, se faziam presentes. 

Eles esperaram por algumas horas até Kirishima voltar, mas precisavam seguir sua rotina. Todoroki e Bakugou prepararam o café da manhã no meio tempo enquanto Sero pesquisava formas de retirar glitter de praticamente tudo e Kaminari, debruçado sobre a mesa, conseguia mais algumas horas de sono antes de suas aulas matinais. 

Bakugou virou seus ovos mexidos num prato, inspirando o odor de uma comida bem temperada, apesar de comer mais rápido do que o paladar conseguia acompanhar. Depois de jogar o prato na pia, ele retirou a camisa suja de glitter e se direcionou para o andar de cima. 

“Vai aonde?” Sero perguntou quando subia a escada. 

“Tenho aula em algumas horas e preciso passar no banco antes.” 

Ele franziu. “Pra que?” 

“Não é da tua conta.” 

 

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Bakugou nunca tinha entrado no prédio de administração e se viu completamente perdido logo na primeira curva. Ele se recusou a pedir ajuda, mas depois de alguns vários minutos andando pelos corredores sem nem sinal de Uraraka, ele voltou para a entrada e esperou sentado, coberto de insegurança, nas escadas que levavam a rua. 

Ele sabia que estava fazendo a coisa certa, mas a vergonha de estar ali ainda pinicava sua nuca, principalmente quando sua mente decidia repassar seu plano em loop. Se houvesse achado a sala da morena não teria que fazer isso tão abertamente, mas, bem, já estava ali. 

“Bakugou?”  

A voz que bagunçava sua cabeça chamou e ele quase pulou em sua pressa de se levantar. Quando se virou, Uraraka estava no topo da escada, descendo os degraus calmamente, mas com o cenho franzido. 

“E aí?” 

“Tá fazendo o que aqui?” 

Ele engoliu em seco. “Procurando você.” 

Ela parou, uma mão na cintura e um sorriso maroto se abrindo nos lábios. “Veio se render?” 

Estalando a língua, Bakugou subiu o resto dos degraus ao seu encontro, parando logo um abaixo dela, o que deixava seus olhos na mesma altura dos dela. “Toma uma cerveja comigo?” 

Após a surpresa, Uraraka mordeu o lábio inferior, impedindo-se de sorrir sem muito sucesso. Bakugou segurou a alça da mochila com mais força, forçando seu olhar de volta para os olhos da garota. 

“Tudo bem. Tem algum lugar em mente?” 

“Claro que sim, quem você pensa que eu sou?” 

Ela riu e Bakugou escondeu seu próprio sorriso ao se virar para descer as escadas. O seu barzinho favorito era a algumas quadras dali, mas, apesar de ser perto do campus, era bem escondido do muvuco e tinha o preço super em conta. Ele esperava que Uraraka gostasse. 

“Obrigada, por sinal.” Ela disse, quebrando o silêncio. 

“Pelo que?” 

“Pela escada. Você não se machucou, né?” 

Bakugou soltou ar pelo nariz, achando graça da situação. “Precisa mais do que um tombinho pra isso, mas, porra, seu queixo é duro.” 

“Seu ombro também não é um travesseiro.” 

“Já ouvi o oposto.” 

“Aham.” 

“Tá duvidando?” 

Ela arqueou as sobrancelhas. “De você ser pegador? Não. Duvido de você ser carinhoso o suficiente pra não sair antes de amanhecer.” 

“Você não me conhece bem o suficiente pra duvidar de qualquer coisa.” 

“Não é como se você deixasse ser fácil te conhecer.” 

Bakugou a puxou pelo cotovelo ao virar uma esquina. “Ah, tranquilo. Porque você é um livro aberto, né?” 

Ela levantou um ombro. “Curioso?” 

“Interessado.” 

A resposta lhe colocou um pequeno sorriso no rosto. “Vamos fazer assim então: pergunta por pergunta. Eu começo.” 

“Quem decidiu isso?” 

“Eu porque dei a ideia.” Ela trombou o braço com o dele quando estalou a língua. “Hm, deixa eu pensar...” 

“Pensa bem. É aqui.” Ele abriu a porta amarela do estabelecimento, segurando depois de entrar para que Uraraka passasse. “Escolhe uma mesa.” 

Bakugou foi pegar duas cervejas no bar enquanto Uraraka se deixava confortável. Ele ganhou uma por conta da casa, como sempre, e deixou uma gorda gorjeta antes de ir ao encontro da garota. A mesa escolhida foi uma perto da janela, que deixava o sol entrar. 

Ele colocou as cervejas na mesa e deslizou a de Uraraka em sua direção. 

“Por que não falou comigo na festa?” Ela perguntou, finalmente. “Sobre o que tinha acontecido?” 

Bakugou, pela primeira vez na vida, mediu suas palavras antes de responder. “Eu não sabia como você ia reagir. Pensei que fosse ficar puta e nunca mais querer me ver na tua frente.” 

Ela franziu. “Mas não foi sua culpa, até certo ponto.” 

“Eu sempre pego as tretas deles pra mim e eles pegam as minhas. É assim que funciona.” 

“Então foi só imaturidade de não achar que a gente ia resolver aquilo numa boa. Admite.” 

Admitir aquilo seria o mesmo que se render e ela sabia. Bakugou mudou de assunto. “Minha vez. Por que decidiu prestar administração?” 

“Direto ao ponto.” Uraraka deu um longo gole de cerveja e se encostou nas costas da cadeira. “Meus pais têm problemas financeiros. Eu queria uma carreira que me deixasse ganhar dinheiro, mas que também servisse pra ajudar meus pais a administrar a firma de construção. Foi o que fez mais sentido.” 

Bakugou apoiou o rosto em uma mão, torcendo para a admiração em seus olhos não ficar aparente. “Por que não me contou isso aquele dia?” 

“Eu mal te conhecia e, normalmente, as pessoas têm uma reação negativa quando descobrem que tenho dinheiro como motivação.” 

“Não tem nada de errado com isso. Sendo uma motivação forte o suficiente pra não te deixar cair.” Ele deu de ombros. 

“Bom, lutei durante dois anos de cursinho e agora pago meu próprio material. Então acho que escolhi o certo.” 

Bakugou sorriu, entendendo um pouco melhor os motivos de Uraraka não gostar de ser subestimada. Ela já teve que se provar vezes demais e seguia firme, ambiciosa. Era uma qualidade que Bakugou respeitava, acima de tudo. 

“Por que isso?” Ela apontou entre os dois, trazendo à tona o que deveria estar se questionando desde o começo. “Assim do nada.” 

Bakugou puxou um maço de dinheiro de dentro da mochila. Não era muito, mas pensava ser suficiente para cobrir grande parte dos gastos da festa. Ele colocou o dinheiro no meio da mesa. “Não gosto de dever nada pra ninguém.” 

Sua mão pairou sobre o dinheiro e ela franziu. “E isso não é um pedido de desculpas?” 

“Não. Você tá na minha frente, eu preciso revidar.” 

Ela sorriu e pegou o dinheiro. “Dois a um.” 

“Dois a dois.” Seu próprio sorriso se afiou de forma convencida quando ela torceu o lábio em confusão. “A próxima vitória é certa.” 

“Convencido.” 

“Marrenta.” 

“Olha quem fala.” 

“Por sinal, vocês conseguiram emputecer o Kirishima. Tão de parabéns.” 

“Ele mereceu.” 

Ele franziu, seu lábio superior puxado em um rosnado. “Como é?” 

“Você sabe que eu tenho treino com ele, né?” 

“Cê joga futebol?” 

“Faço parte do time de torcida. Gosto de ginástica.” Ela piscou e, por Deus, Bakugou quis beijá-la ali mesmo. “Enfim, ele teve várias oportunidades de vir se desculpar comigo, mas não fez.” 

“Ele queria se desculpar, mas é mais leal que o Deku.” 

“Eu diria que o que o Deku é, é esperto.” 

Bakugou revirou os olhos. “Você vai tá no jogo esse final de semana, então.” 

“Vou sim. Vai me ver?” 

“Talvez. Só pra ter certeza se você é boa mesmo ou se tá inflando ego à toa.” 

“Aham, sei.” Ela virou o resto de seu copo de cerveja. “Você também joga, certo?” 

“Tá fazendo pesquisa de campo a meu respeito?” 

“Responde a minha pergunta que eu respondo a sua.” 

Ele apoiou os cotovelos na mesa. “Treino boxe chinês.” 

“Isso explica muita coisa.” Ela disse e Bakugou culpou o calor que lhe subiu até as bochechas no álcool.  

“Agora responde, cê tá interessada, ta não?” 

Ela sorriu, o sorriso que lhe trazia borboletas no estômago e parecia lhe puxar, como a força da gravidade. “Óleo de coco.” 

“Que?” 

“Pra tirar glitter da pele,” Ela se curvou sobre a mesa, passando o dedo delicadamente por sua sobrancelha e, então, passando uma mão tão carinhosa por sua bochecha ao se afastar que Bakugou quase se inclinou ao toque. “É só usar óleo de coco. E azeite pro cabelo. Todoroki pode precisar.” 

Bakugou tomou um longo gole de cerveja, ganhando tempo para acalmar seu coração que mais parecia uma bomba em seu peito. “Traindo a sororidade?” 

“Digamos que é um ato de piedade.” Com isso, ela se levantou. “Adoraria ficar mais, mas tenho mais uma aula hoje e...” 

“Deixa eu adivinhar: tá atrasada.” 

“Aham.” 

Bakugou riu da forma como suas bochechas ficaram vermelhas. Ele se levantou também, jogando a mochila por sobre os ombros. “Vamo, eu te acompanho.” Quando ela levantou as sobrancelhas, ele completou, “É caminho pro meu prédio.” 

Bakugou chegou atrasado pra sua aula, já que teve que dar a volta no campus, mas a leveza em seu corpo era prova o suficiente que havia valido a pena. E outra, aquela aula era um porre mesmo. 

 

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Era uma daquelas típicas tardes quentes de verão que marcavam a estação, onde o Sol parecia estar em todo e qualquer lugar, o clima ficava pesado e a humanidade era deixada com apenas duas opções: ou tira a roupa ou entra no freezer. De resto, ia passar calor. 

Não melhorava nada o fato deles estarem na primeira fileira da arquibancada do campo, que ficava muito mal coberta pelo toldo, torcendo por Kirishima, que, diga-se de passagem, era um dos melhores jogadores do time da faculdade. 

A U.A. prezava por todo tipo de educação e oportunidade e era famosa pela diversidade de cursos e clubes extracurriculares que oferecia. Por exemplo, Bakugou estava no clube de boxe chinês, Deku estava no de programação, Kaminari no de teatro e Kirishima no clube de esportes, em especial no time de futebol. 

E, como havia dito, Uraraka estava no clube de líderes de torcida. 

A morena estava ao lado do campo junto com outras meninas de diversos cursos e anos. Seu cabelo estava preso em um coque mal feito, fazendo várias mechas caírem aqui e ali. Bakugou sabia que ela era forte, mas ficou surpreso com a definição dos músculos tanto em suas coxas quanto seus ombros. 

Não era que ele estava encarando, ok? A saia só... chamava atenção. E também ela estava dando várias piruetas e rodopios complicados, então era impossível não notar. 

“Kacchan.” Deku o chamou ao seu lado. 

“Que foi, nerd?” Ele disse sem tirar os olhos da morena, que agora estava se alongando, puxando a ponta do pé com a mão até a curva da bunda. 

“Para de encarar.” 

Bakugou lhe deu um tapa atrás da cabeça. “Eu não tava encarando!” 

“Aquela olhada de cima a baixo era o que, então?” Todoroki zombou, roubando uma batata frita do namorado. 

“Bakugou, não é certo ficar olhando uma dama dessa forma. Deve lembrar também que estamos aqui pelo nosso amigo Kirishima e nada mais.” Iida, o puritano, se intrometeu da fileira de trás. 

“E eu pensei que a gente ainda tava puto com elas.” Sero comentou. 

“Depois eu que sou o pervertido.” Kaminari murmurou. 

“Caralho, seus porras, eu já falei que não tava encarando!” 

“Encarando quem?” uma voz feminina muito bem conhecida perguntou. 

“Ah!” Os seis gritaram em surpresa, virando-se para Uraraka, que estava bem na frente deles, com as mãos na cintura, rindo baixinho da reação. 

“Não aparece assim sem avisar, demônio.” O loiro reclamou, chutando uma pedrinha próxima. 

“Foi mal.” Ela se desculpou, mas não parecia nem um pouco arrependida. “É que vocês são os únicos que conheço bem daqui, então...” 

Antes que Bakugou pudesse provocá-la, Deku interferiu. “Não sabia que era líder de torcida.” 

“Bakugou não mencionou?” 

Ele sentiu os olhos calculistas de Bakugou na nuca. “Você sabia?” 

Ele deu de ombros, murmurando um, “Sabia e daí?” 

“Acho que combina muito com você.” Kaminari disse, arqueando uma sobrancelha e lhe lançando um olhar que todos seus amigos conheciam muito bem. 

Bakugou grunhiu e empurrou o rosto dele pra longe. 

Uraraka soltou uma risada sincera. “Obrigada.” 

Kaminari arqueou as sobrancelhas para o loiro estressado ao seu lado. 

Inacreditável. 

“Você não tinha que estar junto com seu time fazendo sei lá que porra?” Bakugou disse. 

Ela se inclinou para frente. “Por que? Estou incomodando?” 

“Tá tapando meu sol.” 

Uraraka tombou a cabeça para o lado sorrindo. “Você não cansa de ser rabugento?” 

“Eu vivo dizendo isso.” Todoroki murmurou. 

Bakugou rangeu os dentes. “Eu não sou rabugento.” 

Uraraka deu de ombros. “Se isso alivia sua consciência, tudo bem, mas eu acho que lhe falta espírito esportivo.” 

“Eu não preciso de espírito esportivo porque sempre saio ganhando, anjo.” Ele ficou surpreso com as próprias palavras, mas conseguiu esconder por trás de seu cenho franzido, diferente de seus amigos, que arregalaram tanto os olhos que Bakugou pensou que eles iam saltar pra fora. 

A morena, no entanto, pareceu indiferente e apenas tocou seu nariz com o dedo indicador, aproximando seus rostos. “Só tem um probleminha com essa sua convicção, amor.” 

Ele respirou fundo. 

“Que é?” 

“Que você nunca jogou contra alguém como eu.” 

O apito do primeiro tempo soou e tão rapidamente como apareceu, ela se afastou, piscando por cima do ombro enquanto caminhava rebolando de volta para seu time e seus afazeres de clube. 

Todoroki levantou as sobrancelhas, compartilhando de um rápido olhar com Deku, que deu de ombros, mas o pequeno sorriso em seus lábios não mentia. Kaminari se apoiou na cadeira de Sero, que apoiou os cotovelos nos joelhos pra se aproximar. 

“Nenhuma palavra.” Bakugou avisou. 

“Alguém tá laçado.” Kaminari sussurrou um pouco alto demais. 

Sua sorte foi que Bakugou não ouviu, já que sua atenção, no momento, estava em Kirishima, enquanto as palavras de Uraraka giravam em volta de sua mente. Um de seus colegas de time lhe ofereceu uma bolsa de gelo, que o ruivo colocou sobre o lábio machucado, ignorando o pouco de sangue que insistia em escorrer pelo queixo. 

Uma lâmpada se acendeu acima de sua cabeça. 

“Ei, seus porras, presta atenção!” Todos se viraram para ele. “A gente tem que atacar antes que elas ataquem –” 

“Certo, mas a gente tá pensando num plano há dias já e não concordamos com nada.” Sero o lembrou. 

“Eu sei, caralho, mas eu acabei de ter uma ideia.” 

Kaminari, Sero e Todoroki se aproximaram para ouvir melhor. Dessa vez, eles iam ganhar de uma vez por todas. 
 

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Todoroki usou as últimas balas para carregar sua arma de paintball e jogou a caixa, agora vazia, de volta no porta-malas, fechando a porta com cuidado para não fazer muito barulho, apesar da escuridão da noite ajudar na camuflagem. 

A casa de república das garotas estava com apenas as luzes da sala acesas e, de acordo com Kirishima, que tinha ido conferir, todas elas estavam juntas no cômodo, tendo uma festa do pijama ou noite das garotas ou seja lá o que você quiser chamar. 

“Tudo pronto?” Sero perguntou, apoiando a arma no ombro. 

Bakugou conferiu a mira e assentiu satisfeito. “Vamo botar pra foder. Kaminari?” 

O loiro saiu do carro, ajeitando a blusa listrada e subindo as calças brancas em seu quadril. A fantasia não era uma das melhores, mas foi a única que conseguiram alugar em tão pouco tempo de preparo. 

“Tem certeza que isso vai enganar alguém?” Ele perguntou enquanto prendia o cabelo em um coque. 

“Você tá perfeito!” Kirishima disse sem pensar duas vezes, incentivando o loiro. 

O restante apenas concordou com a cabeça, torcendo para as habilidades de atuação de Kaminari serem realmente boas. 

“Se você diz.” Ele colocou o boné, escondeu a sua arma na parte de trás das calças. Por fim, pegou a caixa de pizza no banco de trás. “Tudo pronto!” 

O plano era levemente mais complicado pelo fato de que dessa vez eles não tinham ninguém que conseguia se infiltrar facilmente na casa, então precisaram ser um pouco mais criativos e talvez um pouco mais ousados. 

Kaminari, disfarçado de entregar de pizza, subiu os degraus da varanda e apertou a campainha, enquanto os outros se esconderam nos arbustos próximos, se espremendo para não aparecerem da janela. 

A conversa que vinha de dentro da casa parou por alguns segundos e a música foi desligada. 

“Vocês convidaram mais alguém?” Ele ouviu Ashido perguntar. 

“Pode ser engano.” Jirou sugeriu e passos se aproximaram da porta. “Pois não?” 

Kaminari engrossou a voz. “Uh, é a entrega de pizza, moça.” 

“Mas... Não pedimos nenhuma pizza?” 

“Não? Que estranho, o endereço que me deram foi esse, moça.” 

Kirishima e Sero seguraram a risada ao seu lado, se batendo para tentar controlar um ao outro. Bakugou se colocou em posição, pronto para saltar por cima do corrimão da varanda. 

“Ah, bem... A pizza é do que?” 

“Calabresa e portuguesa.” Kaminari mentiu. 

Jirou abriu a porta e eles nem tiveram que pensar duas vezes. Kaminari sorriu para a garota, que tentou fechar a porta na sua cara, mas ele a segurou com o pé na mesma hora em que Bakugou e os outros subiram para a varanda. 

O loiro abriu a porta com um empurrão e eles entraram atirando tinta para todo lado. As garotas gritaram, cobrindo o rosto com os braços e fazendo seu máximo para desviar dos tiros. 

Cinco contra cinco. Tava no papo. 

Pelo menos era isso que ele pensava até Ashido atingir Sero no rosto com chantilly. O moreno cambaleou para trás, cobrindo os olhos, e a rosada aproveitou a oportunidade para lhe roubar a arma. 

Se Bakugou pudesse, ele ficaria de joelhos e teria uma conversa direta com Deus do porquê essas merdas continuavam acontecendo com ele, mas ele estava ocupado demais desviando de tiros. 

Tsuyu apareceu da cozinha carregando uma das armas falsas que elas tinham usado no primeiro trote, dessa vez cheia de água e entrou em um combate direto com Kirishima, que pegou uma almofada do sofá para se defender. 

Bakugou se abaixou para atrair menos atenção e localizou Todoroki, deslizando para trás de uma mesa ao seu lado, apoiando sua arma nela para dar maior estabilidade. A sala já estava uma completa bagunça, as paredes e o chão salpicados de tinta e comida derrubada pelos cantos. 

“Não está indo exatamente como pretendíamos, né?” Todoroki comentou sem tirar os olhos da mira. 

“Novidade, meio-à-meio.” Bakugou rangeu os dentes, acobertando Sero e acertando alguns tiros em Ashido. 

Todoroki puxou o gatilho, acertando as costas de Tsuyu. “Precisamos achar um esconderijo, isso sim.” 

Kaminari tentou ir atrás de Jirou, que pulou por cima do sofá onde Yaoyorozu estava. Ela rapidamente abriu um pacote de maria-mole e derrubou tudo no chão, fazendo o loiro perder o equilíbrio e cair de costas. 

A morena foi rápida em roubar sua arma e a jogou por cima do ombro para Jirou, que abriu um sorriso sádico no rosto e acertou Kaminari em cheio no peito. 

“Caralho, mano, minha blusa nova!” 

“Você que começou, otário!” 

Foi então que Bakugou percebeu o esconderijo perfeito: um forte de travesseiros encostado contra o sofá. Ele poderia passar o cano por uma das fendas e atirar sem ser visto. Com a decisão tomada, ele se jogou no chão logo atrás de Kirishima para pegar cobertura, rolou até o forte e engatinhou para dentro dele. 

Mas o que ganhou no fim foi um belo chute no peito. 

“Mas que merda?!” 

“Cai fora, Bakugou!” Uraraka disse, pegando uma das almofadas e batendo com tudo na cara dele. 

“Cai fora você, caralho!” Ele retrucou, empurrando o rosto da morena com uma das mãos para afastá-la de si. 

“É o meu forte seu invasor sem ética!” Uraraka empurrou seu pulso e desviou o rosto. 

Por não ter mais um ponto de equilíbrio, Bakugou caiu pra frente em cima da garota, batendo os cotovelos nos lençóis que cobriam o chão, mas, mesmo com o apoio que eles lhe proporcionaram, ele conseguiu chocar o queixo contra alguma coisa. Os dois arfaram pela perda de ar e o loiro deixou escapar um gemido por conta da dor. 

“Merda, bati em alguma coisa.” 

“É, na minha clavícula, babaca.” 

“Ah.” Bakugou respirou contra a curva de seu pescoço, sentindo pequenos arrepios percorrerem a pele. Ele levantou o rosto para encarar a morena, as sobrancelhas juntando em confusão. 

“Temos que parar de cair um em cima do outro.” 

Ela retribuiu seu olhar por alguns segundos antes de seus olhos abaixarem para sua boca. Uraraka passou a língua pelos lábios, umedecendo-os, e suas mãos encontraram um bom lugar para ficar nos ombros do loiro. Seu rosto salpicado com diversas cores de tinta. 

“Sério? Eu jurava que era parte do seu plano.” 

“Que plano?” 

Ela sorriu, seus olhos salpicados de estrelas. “Fazer eu me apaixonar pra te perdoar sem um pedido de desculpa.” 

Ele riu, sua cabeça tonta. “Se esse fosse meu plano, teria dado muito errado.” 

“Por que?” 

Bakugou nunca conseguiu e nunca vai conseguir explicar o que exatamente o possuiu naquele momento, mas as palavras saíram de seu peito como se propulsionadas por uma explosão. O calor em seu estômago revirando-se e subindo até a ponta de suas orelhas. 

“Porque quem se apaixonou foi eu.” 

E, assim, ele fechou a distância entre seus lábios. 

Bakugou pode ter lutado internamente contra os sentimentos que passou a ter pela garota, mas, nessas horas, qualquer resistência era jogada pra fora da janela e tudo simplesmente fazia sentido. Seus lábios se encaixavam perfeitamente, algo muito mais doce e simples que era puxado do fundo da alma, seus dedos feitos pra acariciar a pele macia de seu rosto, o coração clamando por mais, mais, mais... 

Bakugou queria se render aos seus pedidos, se render aos braços que o envolviam, mas, no fundo, esse sentimento era o que temia.  

Não era uma simples rivalidade que o deixava tão distante, não eram os trotes idiotas que o faziam querer revidar, mas sim o fato de talvez não ser correspondido no mesmo nível, de que talvez assim que parassem de se provocar, ela simplesmente o deixaria de lado, o fato de que quanto mais ele tentava afastá-la, mais ela parecia estar ali, na sua casa, no seu quarto, num pequeno forte de almofadas. 

Ele se afastou do beijo. 

Uraraka se inclinou, segurando ambos os lados do rosto do loiro e o puxou para perto novamente. Os lábios macios e úmidos encontrando os seus em um leve selinho. “Eu acho que deu mais que certo.” 

“Hm?” 

Ela apontou entre eles. “Um a um.” 

O sorriso que se abriu em seu rosto era tão grande que fez seus músculos doerem. “Eu disse que tava interessada.” 

Uraraka riu, uma mão cobrindo a boca para abafar a risada.  

Era impressionante como eles conseguiam ser os mais completos opostos e se juntar tão bem em algo tão certo, duas faces de uma mesma moeda. Bakugou sentiu-se relaxar, o ar a sua volta ficando mais leve, e sua risada vindo com a mesma facilidade que o deslizar de suas línguas. 

Por um singelo e estúpido momento, ele esqueceu de tudo a sua volta, acreditando que apenas aquele forte de almofadas e Uraraka existiam. Ledo engano. 

Começou com um grito distante que se aproximou numa velocidade absurda e, antes mesmo que qualquer um dos dois pudesse reagir, o forte despencou em cima deles, derrubado pelo peso de Kirishima. 

“Opa, desculpa, galera!” Kirishima se levantou, mas, ao olhar a posição em que se encontravam, deve ter notado o óbvio. “Bakugou, o que cê tá fazendo?” 

Uraraka se escondeu contra seu peito, completamente vermelha. Não que Bakugou não estivesse em uma situação muito diferente, mas ele não tinha onde se esconder. 

“Não te interessa.” 

“Interessa e muito!” Kaminari disse, completamente coberto em tinta. “Porque esse plano aqui foi seu e você tá...” Seu queixo caiu e ele deu três voltas ao redor de si mesmo antes de apontar o dedo para Bakugou. “Você montou tudo isso pra ficar com ela!” 

Bakugou quase se engasgou na própria saliva. “Que?! Ficou louco, filha da puta?!” 

“É a única explicação!” 

“Eu não – Como é que eu ia...Mas que porra, Kaminari?!” Erro: Bakugou Katsuki.exe parou de funcionar. 

“Uraraka?” Jirou chamou desanimada. 

A morena saiu de seu pequeno esconderijo nada eficiente. “Sim?” 

“O que aconteceu com o ‘eu nunca ficaria com ele depois disso tudo’?” 

“Não era...Minha intenção?” 

“Foi você que deu a ideia de fazer os trotes e agora é a primeira a cair fora?” Ashido perguntou, ainda segurando Sero no chão com a arma. 

“Mas eu não cai fora.” Uraraka disse. 

“Espera, que?” Bakugou voltou sua atenção para a morena. 

“Eu só dei uma trégua.” Ela disse com um sorriso, esticando o braço atrás de si. 

“Bakugou!” Todoroki tentou avisar, mas era tarde demais. 

Uraraka quebrou uma bolinha de tinta na têmpora do loiro e saiu de baixo dele. As outras meninas seguraram a risada, mas Kaminari e Sero foram bem abertos com as suas. 

Bakugou passou a mão pela sobrancelha direita para impedir que a tinta escorresse para seu olho. “Você não fez isso.” 

“Você devia ter visto sua cara.” Uraraka mordeu o lábio. 

O loiro assentiu com a cabeça e pegou sua arma ao seu lado, levantando-se do chão. “Uraraka?” 

“Sim, amor?” Ela disse em um tom zombeteiro. 

Bakugou puxou o gatilho, acertando bem na coxa da garota. “Agora você vai ver.” 

Uraraka arregalou os olhos, e, quando viu Bakugou prestes a atacar sua primeira reação foi correr para as escadas, pulando os degraus de dois em dois. Mas ele estava bem na sua cola. Não era necessário dizer que após seu tiro inicial, o lugar virou um inferno, com nenhum dos lados poupando o outro de sair sem manchas de tinta. 

A morena entrou em um dos quartos e Bakugou segurou a porta a tempo, conseguindo entrar antes de fechá-la atrás de si. 

Uraraka estava em pé em cima da cama e foi rápida ao jogar um travesseiro na sua direção. O loiro desviou de último segundo e apertou o gatilho em reflexo... 

Mas nenhuma bala saiu. 

Uraraka sorriu vitoriosa. “Ora, ora, alguém esqueceu de recarregar?” 

Bakugou arqueou uma sobrancelha e jogou a arma no chão. “Quem disse que eu preciso dessa merda?” 

“Ah, é?” Ela debochou, “Vai me derrotar como, então?” 

 “Assim.” 

Ele se jogou em cima da cama em uma velocidade impressionante, agarrando a garota pela cintura. O colchão balançou algumas vezes sob seu peso antes dele conseguir se pôr em cima de Uraraka, suas mãos forçando o caminho entre seus braços e chegando aonde queria. 

Uraraka gargalhava ao mesmo tempo em que tentava empurrar ele e suas mãos para longe, mas era em vão. 

“Bakugou, para!” Ela disse, mas sua risada era muito mais agradável que suas súplicas, então ele continuou. 

“O que foi?! Não escutei direito.” Ele zombou, tirando uma mão de sua axila para conseguir fazer cócegas na sola do pé que tentava empurrar seu peito. 

“Bandeira branca, bandeira branca!” Ela disse com falta de ar e Bakugou parou, sentando-se orgulhoso em cima de seus joelhos. 

“Como eu disse, cara de lua,” Ele sorriu confiante, “Eu nunca saio por baixo.” 

Uraraka recuperou o fôlego e o olhou de cima abaixo. Uma mordida no lábio segurando um sorriso travesso foi mais do que o suficiente para o loiro baixar a guarda, mesmo sem perceber. 

Antes mesmo que se desse conta, ele estava de costas na cama debaixo de Uraraka, que sentou em sua cintura. Seus lábios rosados encontraram os seus e toda sua convicção e determinação iniciais vacilaram. 

Não que ele iria reclamar. Longe disso. Ele estava viciado demais em seus suspiros e carinhos para falar qualquer coisa no momento. 

“Eu ainda quero uma compensação aos danos feitos a minha casa.” Ela disse contra seu beijo. 

“Pode deixar.” Ele mordiscou seu lábio. “Mas acho que você também me deve um pedido de desculpas.” 

“Sua sorte é que também não gosto de dever nada a ninguém.” 

O beijo que se seguiu, apesar de ter começado vagaroso, logo tomou uma forma muito diferente das últimas vezes. Seus dedos se entrelaçaram entre as mechas da garota, a segurando perto de si. Uraraka passou a mão por debaixo de sua blusa, arranhando seu abdômen de leve. Bakugou arqueou as costas contra seu toque e, quando seus lábios se econtraram novamente, era algo necessitado e agressivo. 

Bakugou desceu sua atenção ao pescoço da garota, seus dentes roçando a pele quente e a respiração pesada de Uraraka incentivando um arrepio a percorrer sua espinha. Uraraka o afastou apenas por tempo o suficiente para puxar sua blusa por sobre a cabeça, deixando à mostra o sutiã rosa de renda e os seios fartos.  

Bakugou deslizou as mãos por suas coxas, seus lábios colando entre seus peitos e subindo até o maxilar de Uraraka. Ela se contorceu em seu colo, rebolando contra seu pau. 

“Por acaso isso era a porra de um plano seu?” Ele perguntou contra seu ouvido. 

“O que? Te trazer pro meu quarto?” Uraraka desviou os olhos. “Não faço ideia do que você tá falando.” 

Bakugou sorriu de canto malicioso. 

Uraraka semicerrou os olhos. "No que você tá pensando?" 

Bakugou mordeu o lábio inferior, "Em todas as formas que posso fazer cê gemer meu nome." 

Ela desviou os olhos, suas bochechas levemente mais rosadas que o normal. “Tá esperando o que?” 

Saiu como uma pergunta, mas parecia muito mais uma ordem. E essa ele não iria questionar. Bakugou inverteu suas posições e a colocou sobre os lençóis, descendo uma trilha de beijos até sua clavícula, suas mãos subindo das coxas para envolverem um seio. Uraraka arfou, e seu rosto se acendeu como uma luz de trânsito vermelha, suas pernas fechando defensivamente. Foi então que o loiro juntou dois mais dois e se tocou de um simples fato que havia passado despercebido pela sua cabeça. 

"Você já fez isso antes?" Ele perguntou, honestamente preocupado. 

Uraraka cobriu a boca com o dorso da mão. "Já." Mas Bakugou conseguia ver o brilho de ansiedade em seus olhos. 

Ele segurou seu pulso e afastou sua mão. "Não mente." 

A morena desviou o olhar e soltou um suspiro meio nervoso, "Que diferença faz?" 

Bakugou deu seu melhor sorriso para tentar lhe acalmar os nervos, "Por que tá com vergonha?" 

"Não to com vergonha!" Ela inflou as bochechas com raiva. 

O loiro beliscou uma, porque não dava pra resistir. "Tá sim, tá mais vermelha que pimenta." 

"Você veio aqui pra me foder ou pra ficar me zoando?" Uraraka disse, afastando suas mãos. 

"Um pouco dos dois." Bakugou piscou e lhe deu selinho rápido. "Ainda quer que sua primeira vez seja comigo?" 

"Você disse que era do tipo carinhoso. Quero ver cê tava falando a verdade.” 

Bakugou sorriu de canto, com todas as intenções de não fazê-la se arrepender. "Tem camisinha?" 

"Na gaveta." Uraraka apontou para a cômoda ao lado da cama. 

Bakugou se levantou e vasculhou pela gaveta até achar a caixa de camisinhas, escondida embaixo de alguns livros, completamente fechada. Ele agradeceu a deus por ser o tamanho certo e jogou a embalagem na cama, junto com um lubrificante de bônus. Depois retornou a Uraraka, ficando no meio de suas pernas. 

Ok, sem pressão, ele sabia fazer isso. 

Bakugou voltou a beijá-la com calma, acariciando sua bochecha com o polegar. Quando eles se separaram para respirar, ele passou a deixar selinhos pelo seu maxilar, descendo até a base da orelha, mordiscando seu lóbulo. 

Ele rebolou contra ela, buscando fricção, e sorriu quando a garota retribuiu o gesto. Uraraka arqueou as costas da cama o suficiente para destravar seu sutiã, deslizando as alças pelos ombros antes de jogá-lo para algum canto do quarto.  

Bakugou deixou uma leve mordida em sua clavícula antes de descer seus beijos até um seio, uma mão acariciando sua cintura enquanto a outra apertava seu outro seio. Ele circulou o mamilo com a língua, chupando com avidez. Os pequenos gemidos que Uraraka deixava escapar e o modo como seus quadris mexiam involuntariamente sendo um ótimo incentivo. 

"Bakugou" Uraraka suspirou, puxando a camisa do loiro e ele entendeu o recado, deixando que ela a retirasse. 

A morena passou as mãos por seus ombros, seguiu a linha de sua clavícula e acariciou seus ombros. Naquele momento ele percebeu a insegurança que enfeitava suas feições. Uma insegurança que nunca tinha visto na garota, que era sempre animada, sempre assertiva e determinada mesmo quando parecia levemente incerta.  

Bakugou entrelaçou seus dedos em seu cabelo castanho, acariciando sua nuca. 

"Ei." Ele chamou sua atenção, encarando no fundo de seus olhos. "Tem certeza absoluta disso, né?" 

Ela assentiu. 

"Uraraka. Fala, porra." 

Ela colocou as mãos em cada lado de seu rosto, tão próxima que seus lábios quase tocaram. "Porra." 

Bakugou soltou uma risada nasalada. "Que idiota." 

Ela riu, se escondendo na curva de seu pescoço. "Você riu mesmo assim." 

"Óbvio caralho, olha a merda que cê fala." Ele zombou, envolvendo seus ombros e a abraçando. 

“Eu só...Não sei o que devia tá fazendo.” 

O loiro se sentou sobre as próprias pernas, e, com uma mão em suas costas, puxou Uraraka para seu colo. Ele tomou seu tempo para aproveitar o contato de seus lados antes de se afastar e encostar a testa na sua.  

“O que é que você quer fazer?” 

A vermelhidão de seu rosto se espalhou até o peito. “Bakugou.” 

“Beleza, pergunta por pergunta.” 

Ela soltou uma risada, passando os braços em volta de seu pescoço. Uraraka se aproximou, seus lábios colando-se aos seus. Bakugou não protestou nem a pressionou, apenas se rendeu ao seu toque, acariciando a curva de suas costas. 

Então ela respondeu, quase em um sussurro, “Eu quero te tocar, te deixar louco ao ponto de perder o controle.” Com um sorriso maroto, adicionou, “E quero saber todas as coisas pervertidas que sei que tá pensando.” 

Bakugou apertou sua cintura, se segurando para não se contorcer de tesão. Ele pegou o pulso de Uraraka e trouxe uma de suas mãos até seu peito. A garota entendeu e beliscou um de seus mamilos entre os dedos, arranhando o lado de seu corpo com a outra mão. Bakugou mordeu a curva de seu pescoço, abafando o próprio gemido, mas a arfada de Uraraka lhe veio em alto e bom som aos ouvidos. 

Ele se deixou levar, as palavras saindo sem pensar. “Eu quero você sentada na minha cara pra eu te chupar até sufocar, até cê derreter na minha mão. Vou morder e apertar seu corpo inteiro, te provocando até você implorar pra eu botar meu pau em você. Tá bom pra você, gostosa?” 

Uraraka roçou contra ele, soltando um gemido tão manhoso que o fez arrepiar. “Caralho, Bakugou.” 

“Tá bom ou não?” 

“Vai ficar bom quando eu tiver em cima de você.” 

Ele a puxou pra um beijo, mesmo quando seu sorriso não conseguia o deixar em paz, e a deitou de volta na cama. Com um último beijo em sua bochecha, ele se levantou para tirar a calça; Uraraka fez o mesmo com seu shorts, chutando-o para fora da cama. 

Bakugou engatinhou de volta para o meio de suas pernas, afastando os joelhos de Uraraka para se posicionar melhor. Ele a olhou de cima a baixo, desde as coxas grossas marcadas por linhas de estrias, até as pintas espalhadas pelo seu corpo, os mamilos eriçados até o brilho de seus olhos cheios de desejo. Seus lábios estavam úmidos e vermelhos, levemente inchados, e sua mente o traiu com imagens daqueles mesmos lábios em volta de seu pau, mas isso teria que ficar pra próxima. Respirado fundo, tentou ignorar sua ereção por agora. 

“Vai ficar só encarando?” Uraraka zombou. 

“Tá com pressa, anjo?” 

Ela bateu um dedo contra o pulso e Bakugou deu risada, colocando uma coxa por sobre seu ombro. Os selinhos viraram lambidas e as lambidas mordidas, incentivadas pela mão carinhosa de Uraraka em sua coxa, fazendo movimentos com o polegar e apertando de leve quando seus dentes raspavam a pele avermelhada.  

Bakugou se curvou sobre ela, construindo estrategicamente sua trilha até a curva onde o interior de coxa encontrava o quadril. Uraraka arqueou as costas quando a respiração quente bateu contra sua calcinha, mas Bakugou dirigiu sua atenção para a outra coxa, sua mão segurando o quadril da morena no lugar. 

Ela jogou a cabeça para trás e Bakugou sorriu de forma sádica com o grunhido de desespero. Ele tentou dar o mesmo tratamento lento para a outra coxa, mas os barulhos que Uraraka soltava reviravam o calor em seu estômago e ele acabou se apressando, seus beijos se tornando mais molhados. 

Após deixar um chupão perfeito sobre o osso de seu quadril, Bakugou finalmente tomou piedade do sofrimento de Uraraka, notando que se não fosse pela mão a segurando, ela já estaria praticamente rebolando na sua cara. Sem dar o menor aviso prévio, ele prensou a língua por sobre a calcinha e soltou de leve o quadril de Uraraka. 

Dito e feito, a garota roçou contra sua boca, a mão que se agarrava desesperadamente aos lençóis passando a agarrar seu cabelo, tentando puxá-lo para mais perto. Bakugou poderia ter dado risada se não estivesse com a língua ocupada. 

Ele afastou a calcinha com os dedos, segurando uma das coxas de Uraraka para manter suas pernas abertas, e chupou de leve seu clitóris, os lábios massageando a área e revezando com os movimentos de sua língua. Os gemidos de Uraraka aumentaram de intensidade, arrepios percorrendo suas pernas. 

“Bakugou...” Ela gemeu arrastado. 

“Sensível?” Ele zombou e olhou para cima. 

Ele se deparou com Uraraka mordendo o próprio dedo para segurar seus gemidos, seus olhos marejados de tesão, o peito subindo e descendo com a respiração pesada. Bakugou pensou em tudo que podia para não gozar ali mesmo. 

“Senta na minha cara.” A ordem simplesmente saiu. 

Uraraka desviou o olhar, sua mão passando a cobrir as bochechas. “Certeza?” 

 “Relaxa, eu aguento." 

"Tá, mas e se - " 

"Mas nada. Olha pra mim." Ele se afastou de entre suas pernas e pegou o queixo da garota. "Tá de boa?” 

“E se eu sufocar?” 

“Vou morrer feliz.” 

“Bakugou!” 

Ele a beijou, lentamente, suas línguas se arrastando uma sobre a outra. “Três tapinhas na sua coxa. Esse é o sinal. Fechou?” 

Uraraka concordou. “Fechou.” 

“Então vem, mulher.”  

Uraraka abriu espaço na cama ao se sentar para tirar a calcinha e Bakugou deitou-se ao seu lado, tirando a própria cueca do caminho já que não aguentava mais o tecido roçando contra o seu pau. Ele notou o olhar de Uraraka deslizando pelo seu corpo e o sorriso convencido em seu rosto apenas aumentou. 

“Como você prefere?” Ela perguntou.  

“Fica de costas pra mim.” 

Ele segurou sua mão para dar apoio e segurou sua perna enquanto Uraraka jogava a outra por sobre sua cabeça. Assim que tinha uma privilegiada visão de sua bunda e dos lábios rosados de sua buceta, Bakugou a puxou com calma contra seu rosto. 

Uraraka apoiou a mão em seu peitoral, abaixando o quadril devagar. Seus olhos fecharam e um gemido silencioso escapou seus lábios assim que Bakugou passou a língua por entre seus lábios, apertando sua bunda com as suas mãos. 

O loiro fechou os olhos, saboreando a sensação e os barulhos que Uraraka soltava enquanto ele a chupava, sentindo seu gosto e a forma como seus músculos tencionavam embaixo de seu toque. Respirando fundo quando ela rebolava levemente acima de si. 

Então uma mão quente e molhada de saliva se fechou em volta de seu pau e Bakugou sentiu suas pernas tensionarem em reflexo, o alívio tão grande que um gemido arrastado escapou de seus lábios.  

“Posso?” Ela perguntou. 

“Segura mais firme.” 

Os movimentos de Uraraka no começo eram desajeitados, mas conforme ela se acostumava e testava formas diferentes em busca das reações desejadas, ela foi acelerando. Ele não devia estar lhe dando dicas quando estava tentando não gozar antes da hora, mas o desejo o alucinava demais pra ter um pingo de racionalidade. 

“Assim?” 

Bakugou deixou a cabeça cair para trás contra o travesseiro, arfando pesado. “Assim mesmo, puta que pariu.” 

E então Uraraka se curvou para frente, segurando a base de seu pau, e prensou a língua contra a cabeça, circulando em volta antes de trazê-la para dentro de seus lábios. O reflexo de Bakugou foi natural e, na mesma hora que sentiu a fisgada de tesão, ele mordeu com força a polpa da bunda diante de si. 

Uraraka gemeu alto, suas costas formando um arco perfeito.  

“Muito forte?” 

Ela chacoalhou a cabeça, sua voz saindo com dificuldade. “Não. Só, puta merda.” 

Como forma de se desculpar, ele passou uma mão para seu peito e a puxou de volta para si. “Vem cá.” 

Uraraka puxou a mão de Bakugou para um de seus seios, e ele apertou, ao mesmo tempo que voltava a dar atenção para sua buceta praticamente pingando. Ele não perdeu tempo ao se lambuzar, descendo a língua até sua entrada e prensando-se adentro.As mãos de Uraraka revezavam entre arranhar seu abdômen e apertar seu peitoral. Ela rebolcava contra sua língua, seus movimentos ficando mais frenéticos assim como seus gemidos, que passavam a soar quebrados e descontrolados.  

Então, após uma chupada bem dada, ela tensionou, sua cabeça tombando para trás e o quadril se levantando levemente pela sensibilidade. Uraraka segurou sua mão, o gemido manhoso finalmente retumbando pelo quarto. Bakugou lambeu os lábios e deu um leve tapa em sua bunda, chacoalhando-a.  

“De boa, princesa?” 

“Bakugou?” Ela chamou, olhando por sobre o ombro. 

“Hm?” 

“Me fode.” 

Ele sorriu de canto para ela, seus próprios olhos brilhando. “Pega o lubrificante.” 

Uraraka saiu de cima dele e procurou pela pequena garrafa por entre a bagunça que haviam feito nos lençóis. Bakugou se sentou, observando as curvas do corpo de Uraraka e passando uma mão carinhoso pela curva de suas costas. Ele preferia foder de quatro, mas queria ver a expressão de prazer em seu rosto quando ela gozasse.  

Escolhas, escolhas... 

Ela se virou para ele com a garrafa em mão. Bakugou colocou uma mecha macia de cabelo atrás de sua orelha e a beijou. Uraraka se aproximou, jogando as pernas em volta de sua cintura e o puxando de volta para a cama. 

Quando ele se afastou para colocar uma quantidade razoável de lubrificante nos dedos, Uraraka afastou uma mecha loira de seu rosto com carinho. Seu coração parecia bater asas em seu peito. Deus, ele era muito apaixonado, puta que lhe pariu. 

“Quantos já chegou a colocar?” 

“Dois.” 

Ele desceu sua mão até seus lábios, partindo-os até encontrar sua entrada e colocando o primeiro dedo com certa facilidade. Ela estava relaxada e uma faísca de orgulho incendiou seu ego. Bakugou a encarou nos olhos, a intimidade da situação fisgando algo em seu peito. 

“Já se masturbou pensando em mim? Em tudo que eu poderia fazer com você?” Ele acrescentou o segundo dedo, usando o polegar para massagear seu clitóris. “Em todas as formas e todos os lugares diferentes que eu poderia te foder?” 

Ela prensou os lábios, segurando um gemido e um pequeno sorriso. “Naquela noite da festa, depois que você saiu.” 

Bakugou estava entrando em combustão. Ele adicionou o terceiro dedo, encontrando uma leve resistência, e deixou seu corpo se acostumar antes de voltar a movimentar os dedos em vai e vêm, procurando pelo ponto que lhe daria mais prazer. “Continua falando.” 

Uraraka mordeu o lábio, uma mão segurando seu braço e a outra segurando o travesseiro, seu quadril rebolando para acompanhar os movimentos de seus dedos. “Eu só conseguia pensar no que teria acontecido se não tivessem nos interrompido. Fiquei pensando se ia deixar você me foder ali mesmo em cima da máquina ou se ia aguentar te arrastar pro quarto. Foi só um beijo, mas eu não conseguia parar de pensar em você, no jeito que você me apertava.” 

“Puta merda, Uraraka, sua gostosa.” Bakugou curvou os dedos da forma certa e Uraraka se arqueou para ele. “Se toca pra mim.” 

Uraraka levou a mão até seu clitóris e Bakugou reajustou seus dedos para poder meter com mais velocidade e ritmo sem se cansar. Ele se curvou para beijá-la, suas respirações se misturando, quentes, apesar da pele fervente.  

“Como você imaginava que eu te foder?” Ele perguntou entre beijos. “Devagar? Te quebrando aos poucos até cê desmanchar? Ou com força, te prendendo na cama até cê ficar sem voz?” 

Uraraka gemeu, suas coxas dando leves espasmos e sua mão perdendo ritmo, não dando conta de acompanhar o próprio prazer. “Os dois. Cê me provocava até eu implorar, até eu não aguentar mais implorar e aí – “ 

Ela parou de falar, a boca aberta em um gemido quando percebeu que ele estava seguindo sua instrução, seus dedos diminuindo a velocidade, mas mantendo um ritmo constante para fazê-la se contorcer de tesão. 

Bakugou deu um beijo em seu queixo e sorriu, sádico. “E aí?”  

“Porra.” Uraraka fechou os olhos, tombando a cabeça para trás. “Me fode, por favor, me fode.” 

“Tá impaciente por que?” Ele zombou, deixando mordidas pelo pescoço exposto. 

“Katsuki, por favor.” 

Bakugou mordeu com mais força. “Por favor o que, Ochako?” 

“Eu te quero. Quero seu pau dentro de mim.” Ela abriu os olhos, marejados, aquele castanho salpicado de estrelas e afundando em desejo. Suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas que já estavam. “Quero você me fodendo até gozar.” 

Ele gemeu, de forma patética e necessitada, mas nesse ponto não se importava mais. Seu pau estava praticamente pulsando, sua cabeça embriagada de tesão e o calor em seu peito era forte o suficiente para lhe queimar de dentro pra fora.  

Mas, antes de qualquer coisa, ele acelerou o movimento de seus dedos e Uraraka praticamente se curvou junto com eles, uma série de gemidos acompanhando a tensão de seus músculos, pequenos espasmos fazendo seu quadril deixar o colchão. Bakugou sentiu ela tensionando em volta de seus dedos e ele mal podia esperar pra ter aquela mesma sensação em volta de seu pau. 

Quando Uraraka voltou de seu orgasmo, piscando lentamente, ele já estava colocando a camisinha. Ele colocou mais lubrificante em volta, apesar de duvidar ser necessário considerando o quanto Uraraka estava relaxada e molhada, mas era melhor prevenir. 

Ele se alinhou à entrada de sua buceta e penetrou aos poucos, dando um tempo para Uraraka se acostumar com a sensação. Bakugou segurou seu quadril com uma mão e, com a outra, entrelaçou seus dedos aos de Uraraka, apertando de leve. 

Uraraka o puxou pela nuca para um beijo molhado, acariciando seu maxilar com o polegar. Ela entrelaçou as pernas com mais força contra sua cintura e rebolou contra ele, arrastando um grunhido de Bakugou. 

Ele sabia o que tinha que fazer, Uraraka havia lhe dado o passo a passo na mão, só tinha que seguir as instruções. Bakugou deslizou seu pau para fora, deixando apenas a cabecinha, e então meteu com força, mantendo o ritmo. 

Uraraka gemeu contra seus lábios e Bakugou engoliu cada som. A pressão que sentia depois tanta provocação fazia sua cabeça girar. Agarrando os lençóis, Uraraka passou a rebolar contra ele no mesmo ritmo, fazendo seus quadris se encontraram com cada metida. 

“Não para.” Ela implorou. 

Bakugou manteve o ritmo, ficando de cotovelos na cama para aguentar. Por alguns minutos, tudo que se ouvia no quarto eram os barulhos de suas respirações e gemidos, a pele contra pele, o cheiro de sexo e suor. A atmosfera era pesada com desejo. 

“Quer mais forte?” 

“Mais rápido. Eu tô quase gozando.” 

Bakugou pegou os joelhos da garota e os jogou sobre os ombros. Ele agradeceu a flexibilidade de Uraraka, pois praticamente a dobrou ao meio. Suas pernas já davam espasmos espontâneos e ele mesmo sabia que não aguentaria mais por muito tempo, ainda menos com Uraraka sussurrando uma chuva de elogios em seus ouvidos. 

“Puta que – Katsuki. Cê é melhor do que eu podia ter imagino, meu deus.” Ela se segurou aos seus ombros, arranhando suas costas. “Seu pau é tão gostoso.” 

Bakugou tinha os olhos semiabertos, lutando para não fechá-los e perder qualquer expressão no rosto da garota. Suor escorria por sua têmpora e fazia sua pele brilhar, a franja grudando na testa.  

“Eu teria te fodido na lavanderia.” Ele admitiu, vendo as pupilas de Uraraka dilatarem. “Teria passado horas ali te provocando, só pra escutar esses gemidos no meu ouvido. Eu ia mar te pegar no colo e te foder sem dó, só pra depois te lamber limpa. Mas – “ 

Bakugou não segurou o gemido quando Uraraka tensionou em volta de si, arrastando seu orgasmo de si a força. A expressão que tomou conta do rosto da garota – sua boca vermelha aberta em um gemido e os olhos fechados no mais puro êxtase - era uma que ele sabia que não esqueceria tão cedo.   

O calor percorreu seu corpo em ondas de arrepio. Bakugou apoiou a cabeça em seu ombro, respirando com dificuldade, seus braços tremendo pelo esforço. Eles apenas se seguraram ali, se recuperando. 

Eventualmente, Uraraka afastou seu cabelo de seu rosto e encostou suas testas. “Mas?” 

Ele olhou no fundo de seus olhos, o sorriso malandro no rosto. “Amei muito mais te foder assim.” 

Ela deu uma risada fraca, cansada depois de tudo. Bakugou soltou suas pernas, lhe deu um último selinho e saiu de dentro dela. Ele olhou em volta do quarto, achando o lixo do outro lado, perto de uma escrivaninha.  

Assim que voltou para cama, puxou Uraraka para se aninhar contra seu peito. Ela deu um beijo entre suas clavículas ajeitou a cabeça contra seu ombro. Bakugou passou a mão pelo seu cabelo, brincando com as mechas.  

“É ou não é um bom travesseiro?” 

Uraraka soltou um suspiro satisfeito. “Tenho que admitir que sim.” 

O loiro soltou uma risada e a puxou para mais perto. 

Após alguns minutos, ela beijou seu maxilar e confessou sorrindo, "Eu comecei a guerra em parte porque estava puta, em parte porque queria me aproximar de você." 

Bakugou se apoiou em um cotovelo para conseguir olhar em seus olhos, "Tá me zoando." 

"Não tô." 

Ela realmente não estava. 

"Puta que pariu, Uraraka." Ele riu. "Valeu a pena?" 

"Não sei, valeu?" 

Bakugou a beijou. "Pra caralho." 

Uraraka soltou uma risada e o puxou para um abraço. "Acho que já deu de trotes por enquanto, né?" 

"Não sei você, mas eu não aguento mais limpar aquela merda de casa." 

Dessa vez ela gargalhou. “Ainda vai tem que nos ajudar a limpar essa bagunça amanhã.” 

“Ah, desde quando?” 

“Desde agora.” 

“Só porque você quer, né?” 

“É.” 

Bakugou não podia argumentar. Kaminari, estava, no final das contas, cem porcento certo. “Tá, mas só porque você é uma grande gostosa.” 

"Acho que te devo desculpas." Uraraka disse entre risadas, seu sorriso tão grande que formou covinhas em seu rosto. “Por ter exagerado um pouquinho.” 

"Eu também. Você sabe," Ele balançou as mãos no ar, "pelo lençol, vaso quebrado, sistema de som, doces e seja lá o que outra porra a gente quebrou." 

Ela arqueou uma sobrancelha. 

Bakugou soltou um suspiro exasperado. “E por ter sido imaturo e não ter ido falar com você.” 

"Estamos quites então?" Ela perguntou. 

"Só se você me deixar te levar pra beber. Sabe, a merda de um encontro de verdade e não um trote onde a gente se mata?" 

“Ah, tipo aquele que a gente teve?” Uraraka entrelaçou seu dedo mindinho com o dele. "Feito." 

Bakugou sorriu e apoiou sua cabeça na dela, só então, no silêncio da noite, reparando em uma coisa. "Não tá quieto demais lá fora não?" 

"Tá sim." Ela concordou. "Quer ir ver?" 

Bakugou grunhiu, escondendo seu rosto no emaranhado de cabelo castanho. "Sem saco pra isso agora. Amanhã a gente descobre o que aqueles idiotas fizeram." 

Uraraka se aninhou, respirando leve contra seu pescoço. "A melhor ideia que você já teve.” 

 

{x} 

 

No dia seguinte, Bakugou acordou com o rosto coberto em mechas castanhas, com uma pele macia contra a sua e com um pouco de baba em seu braço. Seus lábios tocaram a curva de um pescoço, deixando ali um pequeno beijo e ele suspirou fundo. Só mais cinco minutos, depois ele iria se levantar. 

Uraraka o acordou duas horas depois com um sorriso pequeno no rosto e um brilho em seus olhos que fez as borboletas no estômago de Bakugou retornarem. Talvez se tivessem sido lhe dados mais alguns minutos ele teria puxado Uraraka para uma foda matinal, afinal, não se cansaria tão cedo daquelas irises ou do calor de sua voz, mas eles estavam com fome e precisando urgentemente de um banho. 

Após revezarem o chuveiro e se trocarem – Bakugou infelizmente tento que usar a mesma roupa coberta de tinta da noite anterior – eles desceram as escadas de mãos dadas. A cena que descobriram era boa demais para não tiraram fotos para chantagens futuras. Todos estavam deitados nos sofás, em um emaranhado de pessoas pintadas de tinta dos pés à cabeça, com potes de pipoca espalhados pelo chão. A televisão ligada em um menu de filme.  

Midoriya e Iida chegaram preocupados enquanto Bakugou preparava o café da manhã e Uraraka o observava sentada na bancada, mas logo toda a situação foi explicada e eles se acalmaram. Deku colocou a cafeteira para funcionar, sorrindo ao olhar para a sala de estar. 

Aos poucos, o resto de seus amigos foram acordando e se juntando no cômodo. Yaoyorozu foi uma das primeiras a se levantar, cumprimentando a todos com educação e juntando os ingredientes – que não eram muitos – para fazer uma quantidade razoável de chá, ensinando Midoriya no processo. Todoroki entrou na cozinha não muito depois, guiado pelo aroma do líquido. Seus cabelos bagunçados e cobertos de tinta retiraram um riso do namorado. 

Jirou cumprimentou a todos com um grunhido sonolento, sentando-se preguiçosamente em uma das cadeiras, os olhos ainda semifechados, e apenas se levantou com o apito da cafeteira. Yaoyorozu passou a mão pelos cabelos roxos, retirando um pedaço de pipoca. 

Kaminari e Kirishima mostraram sua presença com risadas e palavras altas, aliviando a atmosfera e animando todos na cozinha enquanto contavam como o ruivo havia parado no meio da batalha da noite anterior apenas para assistir a estreia de um filme que passava na televisão. Mina e Jirou comentaram, entre risos, como Sero parecia vestido para uma parada gay com a quantidade de cores em sua camiseta. O moreno bagunçou ainda mais seus cabelos em revanche, chamando-as de novatas, o que foi, impressionantemente, bem aceito. 

 Kirishima, Mina e Tsuyu se puseram a limpar a bagunça da sala enquanto esperavam, conversando e preenchendo a casa com barulhos confortáveis. Bakugou teve que fazer mais torradas que o normal, mas valeu a pena. 

Bakugou, também, foi massacrado pelos amigos por ter sido enganado por Uraraka, que não deixou de sorrir por um minuto sequer e o puxou pela cintura para um abraço, se desculpando baixinho em seu ouvido. Bakugou sabia que ela não sentia um pingo de remorso pela forma como seus olhos brilhavam na luz da manhã. 

Aparentemente, tudo que eles precisavam pra se entender eram alguns trotes, uma noite de filme iniciada por Kirishima, já que ele era o único que podia parar uma guerra com sua boa e velha animação, e um alvo em comum - Bakugou - para zoarem por ter cedido tão facilmente perante a morena. 

No final do semestre, enquanto ele observava Uraraka conversando com o pai ao telefone, andando pelo quarto usando apenas sua camiseta preta – que era grande demais para ela – e girando um anel em seu dedo com um sorriso no rosto, o loiro tinha aprendido mais um coisa em seus anos de faculdade: ele, na verdade, não se importava de sair por baixo se fosse por baixo de Uraraka Ochako.


Notas Finais




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