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História Lei seca - Capítulo 4


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Notas do Autor


quem é vivo sempre aparece, né?

Capítulo 4 - Promessas e ameaças


Visualize essa imagem: Baekhyun está usando apenas uma sunga, com gotículas de água viajando pelo peitoral e os fios loiros grudados na nuca. Está encostado na pia da cozinha, com os braços cruzados, o lábio entre os dentes, um Chanyeol há poucos centímetros de si e uma vontade absurda de pular em cima do capitão.

Agora, entre mais um pouco na fantasia e descubra que estão na cozinha dos pais de Baekhyun e se lembre que Chanyeol devia parar de ser tão gostoso perto do detetive.

Era só uma manhã de sábado e lá estava o capitão, quase agarrando o filho do inspetor Byun no meio da própria casa dele, depois de passar mais de uma hora numa reunião em seu escritório. A verdade é que o inspetor aproveitava de qualquer desculpa pra ter uma reunião com Park e aquilo não costumava ser um problema, porque Baekhyun não costumava desfilar pela casa do pai só de sunga. Acontece que, depois da fatalidade envolvendo aranhas e armas e muitos gritos de um Baekhyun coberto apenas por uma cuequinha, sua casa estava completamente interditada pra dedetização e o Byun estava passando seus dias na casa da família. Essa estadia, por sua vez, rendia momentos como esse, em que Chanyeol jogava tudo pro alto e tinha as mãos agarradas aos quadris de Baekhyun e a boca colada na sua.

A reunião daquele dia, em especial, acabou rendendo mais que esperava.

Chanyeol já estava cansado de ouvir o monólogo do inspetor Byun quando desviou o olhar pra janela e encontrou Baekhyun no quintal do próprio pai, deitado sobre uma espreguiçadeira com nada além de uma sunga branca no corpo e óculos escuros pendendo sobre os cabelos. Os olhinhos descobertos estavam fechados sob o sol, as pernas cruzadas e ambas as mãos atrás de sua cabeça. Chanyeol suspirou, sua consciência perdida em algum canto entre as pernas de Baekhyun.

"Capitão?" O Inspetor chamou a atenção de trás da mesa de seu escritório, após pigarrear. Chanyeol levou um susto, quase saltando da cadeira em que estava quando enfim se virou e parou de olhar pra janela como um cachorro de rua olha pra um forno cheio de frangos.

"Me perdoe." Ele se remexeu na cadeira, desconfortável e com medo de ter sido pego. "Tô um pouco aéreo ultimamente."

"Algum problema envolvendo a delegacia, meu filho?" O Byun debruçou os braços sobre a mesa, verdadeiramente preocupado com ele. Chanyeol, que hoje é capitão na Soho99, já foi sargento e detetive na mesma delegacia, sob o comando do Inspetor que, na época, era seu capitão, então o senhor Byun tinha um respeito e carinho quase fraterno com Chanyeol. Era, inclusive, o motivo pelo qual ficou tão feliz ao descobrir que seu filho estaria no mesmo departamento que o Park, uma vez que confiava tanto nele.

"Não exatamente, algumas questões pessoais." Não mentiu, no fim. "Mas nada com o que se deva preocupar, senhor."

E é claro que ele se preocupou. O senhor Byun, tão decidido quanto o próprio filho, só sossegou quando Chanyeol abriu a boca.

"Tem essa pessoa..." Ele começou, sabendo que ia se arrepender no fim. "Com todo o respeito, senhor Byun, mas ela tá fodendo com a minha cabeça."

O mais velho soltou uma risada rouca do outro lado da mesa, se debruçando sobre ela enquanto encorajava Chanyeol a contar mais sobre isso.

"É perfeito estar com ela, sabe? É tudo perfeito. Nossa dinâmica, nosso... sexo. Mas não é nada sério, se trata justamente de não conseguirmos nos segurar quando estamos juntos. É basicamente carnal, sabe? Mas tem alguma coisa nela que me faz querer ir além... Quer dizer, tem muitas coisas. Ela é provavelmente uma das pessoas que eu mais admiro, e tem aquilo sobre o jeito dela que eu nunca vi em ninguém. Ela é forte pra caramba e, mesmo assim, eu tenho que me controlar pra não querer proteger ela de tudo quando ela sorri. E quando ela não quer, mas mesmo assim sorri pra mim... Eu fico maluco, inspetor. Eu estou maluco." Se remexeu um pouco na cadeira e coçou a sobrancelha, envergonhado por estar falando aquilo sobre o próprio filho dele. "Mas eu tenho quase certeza que ela tá recuando e é compreensível, sabe? Você conhece o meu jeito, Inspetor, sabe que pareço ser duro demais."

"Só parece..." O senhor Byun completou e fez Chanyeol rir e se levantar, inquieto.

Sem motivo aparente pra quem o olhava, caminhou até a janela, como quem o faz casualmente. Ele olhou pra baixo. Lá estava Baekhyun, impecável como sempre, com um sorriso quase que vulnerável no rosto, enquanto parecia perdido em seus pensamentos.

"E talvez ela esteja bem com como as coisas estão indo, talvez eu realmente não seja o tipo de homem que ela quer do lado dela. Eu também nem sei se quero ser isso ou se só tô confuso. A única verdade é que eu não sei se aguento muito tempo desse jeito, mas também não sei se vai ser fácil aguentar ficar longe dela. Eu continuo repetindo que tenho que deixar as coisas acontecerem, mas toda vez que eu olho pra ela..." E Baekhyun, lá debaixo, mordeu a pontinha de seu polegar, cada vez mais entretido com o que se passava naquela cabecinha linda. Chanyeol precisou pressionar os olhos antes de continuar: "Eu só quero mais que tudo que ela seja minha." 

"Meu filho..." Senhor Byun se levantou de sua cadeira e caminhou até Chanyeol, que precisou se virar e fingir que não estava com os olhos presos em Baekhyun durante toda aquela conversa. O inspetor tocou seu ombro e, antes de continuar, olhou pra baixo, encontrando o filho a beira da piscina. "Você precisa respeitar o tempo dela, mas não pode deixar que ela acredite que você não a quer. Se ela te parecer confortável, invista. Essas são as palavras de um homem que já viveu muito e que sabe a diferença de um amor na vida. Eu trabalho com você há muitos anos e nunca te vi apaixonado. Não joga isso fora, Chanyeol. Ela acha que você só quer sexo? Então a leve pra jantar, compre flores..." Ele se aproximou de Chanyeol pra dar a próxima dica, mais baixo: "Olhe nos olhos dela enquanto vocês..."

"Certo, senhor Byun!" Chanyeol o interrompeu numa risada nervosa e o mais velho gargalhou, entendendo os limites.

"Mas eu estou falando sério, filho, não pense demais, se ocupe fazendo. Se ela gostar de você, o resto não importa."

No dia seguinte, não era possível dizer quem havia arranjado uma desculpa pra Chanyeol estar na casa dos Byun de novo, mas lá estava ele caminhando pelos corredores. Antes mesmo de chegar no escritório do inspetor, esbarrou com um Baekhyun vestindo shortinhos e quase caiu pra trás - tinha que admitir o impacto que estava causando em si ver Baekhyun todo casual, um dia usando roupa de banho e outro dia shortinhos e camisetas gigantes, com os cabelos loiros bagunçados e os pés descalços. Ele estava na porta do seu quarto e, aparentemente, só abriu porque ouviu os passos no corredor e correu pra se certificar de que era o Park. Baekhyun dobrou o indicador algumas vezes, num jeito doce até demais de chamar o capitão, que desviou de seu destino na mesma hora e se deixou ser puxado pra dentro do quarto do detetive.

"Assuntos de trabalho, capitão." Baekhyun avisou com uma expressão bem séria mesmo, enquanto empurrava Chanyeol contra a porta e ficava na pontinha dos pés pra tentar alinhar esses olhos bem sérios aos de Park.

Baekhyun contou até três e respirou fundo, tirando de algum canto auto controle suficiente pra não agarrar aquele homem ali e saiu andando pelo quarto, até se sentar à sua escrivaninha. Chanyeol aproveitou o espaço pra olhar em volta e se surpreender com o cômodo em que estava. Achava que ia ser só um quarto como de hotel, com alguma decoração fina e cores claras, mas era o total contrário: era um quarto de um adolescente do início da década, cheio de pôsteres de filmes e bandas, e livros perdidos por todo canto.

Ele caminhou até onde Baekhyun estava. Por um pequeno espelho redondo sobre a mesa, o rapaz podia ver o reflexo do capitão atrás de si, com uma mão apoiada nas costas de sua cadeira. A postura enrijeceu, a presença dele lhe deixando um tanto nervoso, como de habitual. Tentou ignorar o fato de que parecia ser um moleque na puberdade e abriu um vídeo no notebook.

Chanyeol se curvou pra ver melhor e Baekhyun prendeu a respiração assim que sentiu o cheiro dele invadir sem respeito algum toda sua zona de conforto.

"Filho da puta..." Baekhyun fechou os olhos. Nada demais mesmo, só os pressionou com bastante força enquanto Chanyeol xingava com aquela voz coladinha na sua orelha.

Mas embora estivesse todo rendido pelo capitão, esse era o menor de seus problemas - e isso é um péssimo sinal, já que tudo que tem lhe feito xingar e suspirar ultimamente tem sido aqueles dois metros de homem. Na tela do notebook, passava o exato momento em que um homem de capuz jogava as horrendas aranhas no jardim de Baekhyun. O cara ainda tropeçou ao sair e, caso tivesse o feito alguns minutos antes, teria caído com a cara numa caixa cheia de aranhas - e o detetive jurava ser um bom samaritano, mas desejava tanto que isso tivesse acontecido...

"É um bandido trapalhão, mas um filho da puta." Chanyeol precisou dar uma risadinha e Baekhyun precisou dar um soco nele (mas não deu, pelo amor à profissão). "E algo me diz que é o mesmo que ferrou com os seus pneus, né?"

Baekhyun só voltou a respirar adequadamente quando o capitão finalmente se ergueu e começou a andar de um lado pro outro do quarto, todo bonito e pensativo.

"É um terrorista." Ele cruzou os braços, ainda mais sério que estava antes.

"Preciso acionar urgentemente o programa de proteção à vítima!" Chanyeol apontou, ainda mais sério que Baekhyun, enquanto chegava pertinho dele. Levou os dedos até suas pernas - descobertas e irresistíveis. Força, Chanyeol! - e os subiu por elas, como se fossem as patas de uma aranha. "Imagina se uma aranha picasse você! Ia precisar até de um band-aid da Hello Kitty." Baekhyun agarrou suas mãos quando chegaram em sua barriga e amaldiçoou os céus por estar desarmado: não era hoje que daria um fim naquele homem.

"Não sei por que contei pra você." Ele empurrou Chanyeol e então se levantou, batendo seu ombro no dele antes de ir pra longe. "Tem alguém me sabotando e você tá fazendo piada. Que tipo de..." Ele virou e viu no rosto de Chanyeol - na sobrancelha levantada e a língua entre os dentres - a expectativa dele pra próxima palavra. "Que tipo de capitão você é?" Baekhyun reformulou a pergunta inteira e Chanyeol pode relaxar os ombros.

"Isso é porque você coloca um cara desses atrás das grades de olhos fechados, Baekhyun." Chanyeol precisou se explicar e não foi um problema ser sincero, enquanto se aproximava de fininho com um sorriso cafajeste. "Mas eu vou te ajudar nisso, mesmo sabendo que você não precisa."

Baekhyun não queria, mas sorriu, como se não tivesse controle algum do próprio rosto. A culpa era de Chanyeol, que sabia exatamente o que dizer e o que fazer. As pessoas não costumam ser assim. Ou elas te consideram forte o suficiente pra não se preocupar em te ajudar ou fraco o suficiente pra te velar como um bebê, Chanyeol é completamente diferente. Ele deixa claro o quanto Baekhyun é capaz e forte e como pode se proteger sozinho muito bem, mas, ao mesmo tempo, sempre está lá quando pode assumir esse papel. E a relação deles, mesmo quando era baseada em puro ódio e tensão sexual mal resolvida, não falhava em seguir essa ideia. Chanyeol sempre confiou em Baekhyun, mas sempre cuidou de suas costas. 

"É... Seu pai deve estar me esperando." Chanyeol não só desviou o olhar do de Baekhyun quanto levou a mão à nuca, completamente nervoso e desarmado. Baekhyun, tentando ardilosamente, nunca conseguia deixar ele assim, mas com um simples sorriso grudento conseguiu. Sentiu vontade de jogar isso na cara dele, mas preferiu fazer isso em silêncio ao sorrir mais e abrir espaço pra que ele passasse.

"Me avisa se mais alguma coisa acontecer, tá bom? E não sai muito daqui." Chanyeol pediu assim que saiu do quarto, tentando não se perder muito no pecado que era Baekhyun vestido daquele jeitinho, encostado na porta, com os olhos brilhando na direção dos seus.

"Papai tá te esperando, Chanyeol..." Baekhyun provocou, porque tinha clara noção de como ele estava ali paralisado lhe admirando e com uma pena tremenda de sair sem lhe dar um beijo. Ele também estava doido por pensar em deixar o capitão ir sem tirar uma casquinha antes.

Chanyeol deu de ombros. Queria tirar aquele sorriso convencido do rosto do Byun na marra, mas não ia dar esse gostinho pra ele. Sorriu de volta e olhou pros lados, só pra chegar perto de Baekhyun, até ele sentir sua respiração roçar sua bochecha. Até entreabrir os lábios e quase fechar o olhos. Chanyeol empurrou uma mercha do cabelo dele pra trás da orelha e deslizou os dedos pela lateral de seu rosto, até segura-lo com delicadeza.

"Se cuida, docinho." E sussurrou, não deixando mais que um encostar completamente involuntário dos lábios acontecer.

Foi Baekhyun que, puto da vida, seguiu Chanyeol depois que ele deu dois passos pra longe de si, entrou em sua frente e lhe puxou pela gravata, pra finalmente ter um beijo. O capitão estava sorrindo quando os lábios finalmente se tocaram. Precisou de alguns segundos pra, no meio de sua satisfação, agarrar a cintura dele com sua mão direita e levar a esquerda até seu pescoço, apertando só com um pouco de força enquanto o encostava na parede. Invadiu sua boca e dominou sua língua, enquanto sua destra descia até conseguir erguer a perna de Baekhyun, porque não conseguia beija-lo sem deixar suas digitais nas coxas dele - não podia ser diferente quando elas estavam tão expostas.

Baekhyun tinha as duas mãos nos ombros dele, sem força alguma nas pernas e completamente derretido por aquele inferno de homem. É óbvio que sua dignidade escorreu por entre os dedos e, quando Chanyeol desgrudou a boca da sua, depois de bagunçá-lo completamente, fez, num sussurro, um pedido infame: "Vamos voltar pra dentro."

Chanyeol riu, enquanto enfiava a cabeça no pescoço de Baekhyun. Lambeu e beijou, subindo os lábios até a orelha dele.

"Se a gente entrar nesse quarto, Baekhyun, eu vou acabar te fodendo naquela cama." O Byun arrepiou da cabeça aos pés quando ele plantou um beijo atrás de sua orelha. "E eu vou fazer isso, mas não vai ser hoje." Ele precisou rir mais uma vez da forma como Baekhyun resmungou. Soltou sua perna e, depois de mais um murmúrio completamente infeliz do mais novo, voltou a olhar em seus olhos, quase sendo queimado vivo por eles. Segurou seu rosto com uma ternura que nunca falhava em assustar Baekhyun e lhe deu um selinho demorado antes de, sem falar nada, sair e lhe deixar completamente mole no meio do corredor.

[...]

Baekhyun estava completamente imerso no próprio mundo, enquanto cutucava um pudim no refeitório da delegacia. Ele precisou ser empurrado por Sehun umas três vezes pra voltar pro mundo real, ainda mais emburrado que já estava antes.

"Olha pro Chanyeol, cara. Mas não pareça que tá olhando." Sehun orientou baixinho em seu ouvido e Baekhyun poupou o tempo de xingar o amigo, porque tinha pressa de descobrir o que quer que fosse. O capitão, que estava encostado do lado do balcão, esperando sua cápsula de café terminar de render um copo, notou o olhar na hora - e o respondeu com um sorriso discreto. "Você completamente parece que tá olhando!" Sehun precisou empurrar Baekhyun, porque lá estava ele começando a se perder naquele sorriso. Quis se bater: quando é que ficou daquele jeito por Park Chanyeol e quando iria parar de estar?

"Por que caralhos você quer que eu olhe pra ele?" Resmungou, murchando de volta pra posição de cutucar o pudim, e Sehun lhe seguiu na próxima frase, porque sabia exatamente o que ele ia dizer: "Me deixa em paz."

"Você só pode estar fingindo ser lento assim, Baekhyun. Não percebeu que Chanyeol tá razoavelmente gentil, sorrindo pelos cantos e existem até boatos de que ele andou assobiando por aí?"

"E o que eu tenho a ver com os assobios do Chanyeol?"

"Não foi ele que há pouquíssimo tempo te deixou de castigo na sala de arquivos? Não é um alívio ele estar de bom humor? E além de tudo, eu tô te contando pelo bem da fofoca institucional. Chega aqui!" Baekhyun só revirou os olhos e então foi Sehun que precisou chegar perto dele, pra segredar em seu ouvido: "O capitão tá transando e muito."

"Sehun!" Baekhyun só então deixou pra lá toda a atenção que estava prestando no pudim remexido sobre a mesa, estava sentindo seu rosto esquentar e queria morrer por isso. Ele abriu a boca uma e duas vezes, procurando a melhor forma de responder aquilo e de mascarar o nervosismo que lhe atingiu, mas foi atrapalhado justamente pelo motivo de toda sua reação exagerada.

"Detetives!" Chanyeol chamou do outro lado do cômodo. "Os dois na minha sala. Cinco minutos."

E pelo jeito que Sehun arregalou os olhos e jogou a cabeça na mesa assim que Chanyeol saiu de vista, dizia que sua teoria havia acabado de ser detonada pelo tom que o capitão acabara de empregar.

[...]

"Detetive Byun." Baekhyun parou no meio do caminho, quase atravessando a porta pra fora da sala de Chanyeol, quando o mesmo o chamou, depois de uma conversa sem muita relevância com ele e Sehun, que só serviu pra fazer o parceiro lhe cutucar não uma mas três vezes, cada vez que Chanyeol dizia algo minimamente gentil ou educado, ou quando sorria e até quando julgou que a pele dele estava melhor que antes.

Sehun olhou pra trás mas, só dessa vez, não se preocupou muito com o amigo, dada a onda de bom humor do superior deles. Apenas deu uma risadinha e seguiu pra fora da sala, enquanto Baekhyun fazia todo o caminho de volta.

"Tranca a porta, por favor." Chanyeol pediu, sério, e Baekhyun pôde ouvir o som das rodinhas da cadeira quando o capitão a afastou de sua mesa. Quando se virou, encontrou o olhar dele colado em si. "O que foi isso?"

"Isso o quê?" Baekhyun riu baixinho, enquanto se aproximava dele. Estiveram tão próximos que não se lembrava exatamente como era ter o capitão falando tão sério com ele. Ao mesmo tempo que sentia vontade de rir, sentia um nervosismo e uma ansiedade vibrarem bem sob sua barriga.

"Sehun e os dedinhos dele em você." Baekhyun ergueu uma das sobrancelhas, sorrindo tão convencido que fez Chanyeol querer dar uns tapas nele.

"Ele tava me chamando atenção, capitão. Tava me mostrando as provas." Explicou, de maneira alguma omitindo a verdade, mesmo que naquele tom de quem estava se divertindo mais que deveria. Caminhou até a mesa de Chanyeol e se encostou nela, de frente pra ele. Na verdade, numa pequena distância de sua cadeira.

"Provas?"

"É, Chanyeol. Ele tem uma teoria." Um brilho parecido com adoração atravessou o olhar de Chanyeol e quase lhe desestabilizou por inteiro. Parecia hipnotizado por Baekhyun quando ele empurrou as papeladas sobre sua mesa pro chão, as folhas soltas voando enquanto o detetive se sentava sobre a superfície de madeira. Teve facilidade em arrancar os sapatos, apoiando os pés cobertos apenas por meias escuras sobre as pernas de Chanyeol, que fez empurrar a cadeira pra mais perto. Só não chegou ainda mais, porque um dos pés de Baekhyun se esfregaram em seu abdômen até chegar no peito, onde o parou. "Ele me contou que tem certeza que você tá de bom humor porque tá transando." Foi difícil pro detetive manter a postura quando Chanyeol enfiou a mão debaixo da sua calça e, com delicadeza, esfregou os dedos em torno de seu tornozelo. Enquanto isso, deixou escapar uma risadela gostosa, pensando sobre o bom detetive que Sehun era.

Ao que Baekhyun amolecia, sua perna caia e não tinha mais barreira alguma contra a aproximação de Chanyeol, que veio depressa. Com um simplesmente movimento da cadeira, passava a estar perto da mesa o suficiente pra apoiar as mãos nas coxas de Baekhyun.

"Sabe por que eu tô de bom humor?" Ele perguntou, quando Baekhyun abaixou o rosto, na esperança de um beijo que não veio. Enquanto a mão direita subia pelas coxas, a esquerda subia por seu torso até chegar no pescoço, onde gostava de pegar pra colocar ele em seu lugar. O detetive gritou - em surpresa e em deleite - quando recebeu um tapa na lateral de sua coxa. Chanyeol riu, enquanto trazia o rosto dele pra perto. "As pessoas descobririam se vissem sua bunda, garoto. É onde eu tenho descontado todo meu mau humor."

Baekhyun deu uma risada alta e gostosa, que contagiou Chanyeol. Não devia estar sendo tão barulhento, mas tinha algo que não o estava deixando ser discreto hoje.

"Você é um filho da puta, Chanyeol." Ele acusou, no meio de uma risadinha divertida, enquanto puxava o rosto dele pro seu pra finalmente lhe beijar. Era tudo que precisava. O capitão, entretanto, parou no meio do caminho, mesmo com seus sorrisos quase se tocando.

"Você gosta quando eu sou filho da puta."

"Eu amo."

E Baekhyun não pôde esperar mais um segundo sequer pra atacar os lábios de Chanyeol e se perder entre milhares de beijos. Beijos curtos, beijos longos, beijos confidentes e convidativos, beijos quentes e beijos só carinhosos, todos eles ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Porque tinha tanto acontecendo entre os dois, tinham tantos beijos que davam e que ainda queriam dar, que todo tempo era pouco pra trocar eles. E, se antes a tensão sexual era tudo, se antes se tratava de polos opostos que se atraiam a todo tempo, se eram apenas incêndio, não havia mais água capaz de apagar. O desejo não acabou: ele dobrou, ele tomou novas formas e ele recebeu atenção. Se antes era quente transar no trabalho, se antes era quente encontrar Chanyeol na mesa dele, agora nada disso importava. Agora, faziam porque precisavam e não conseguiam que fosse diferente. Porque estavam muito perto e porque quando começavam, não podiam parar.

Chanyeol sabia que não podia, Baekhyun tinha plena noção que o tempo não permitiria, mas mesmo assim se arrastou pro colo do capitão. Mesmo assim, ele puxou as calças pra baixo e liberou uma ereção que se fez só de beijar e sentir o calor de Baekhyun ali, perto dele e entregue a ele. E o Byun, que não se lembrava mais onde estava ou qual era seu nome, agarrou os ombros de Chanyeol e afundou o rosto em seu pescoço quando sentiu que ele estava dentro de si. Ele beijou, cheirou, mordeu, choramingou e foi verdadeiro. Depois poderia se arrepender, mas foi verdadeiro:

"Eu não quero que isso acabe nunca."

Chanyeol gemeu, com os quadris ardendo de quanto que se esforçava pra foder Baekhyun, pra fazer valer o desejo dos dois. Não queria que aquele momento acabasse, não queria que qualquer momento com Baekhyun acabasse. Nada daquilo pretendia ser sério - e não era sério, ou era? Ou a respiração baixinha de Baekhyun no seu ouvido fazia aquilo ser sério? Ou se preocupar com ele o dia inteiro fazia ser sério? Ou gozar sozinho tarde da noite, pensando na boca dele e em como ele lhe apertava tanto quanto estava fazendo agora fazia ser sério?

E, mesmo que nenhum dos dois quisesse que acabasse, o que deveria ser um fim se fez em companhia. Chanyeol deixou a marca de seus dedos nas pernas de Baekhyun enquanto vinha forte dentro dele, sentindo o Byun se contrair completamente em torno de si ao mesmo tempo. E, sinceramente, saber que estavam chegando ali juntos, fazia daquele o melhor orgasmo que tiveram. Ele agarrou Baekhyun com força, com cuidado e com uma possessão que não podia demonstrar - porque no fim não tinha direitos - e não se preocupou com nada. O mundo parecia silencioso, porque tudo que ouvia era o resmungar baixinho de um Baekhyun exausto e deleitoso, com uma respiração leve atingindo seu pescoço já completamente arrepiado.

Baekhyun, mesmo que não quisesse que nada acabasse, mesmo que estivesse completamente mole, reconheceu o fim, como sempre era o primeiro a reconhecer. Era sempre ele que se levantava da cama, que se desencostava de uma prateleira, que soltava os braços de Chanyeol e que ia pra longe, nem que fosse só pra tomar um banho e depois se deitar do lado dele. Dessa vez, não foi o que aconteceu. Estava se erguendo quando Chanyeol segurou seus quadris e lhe forçou pra baixo, lhe obrigando a soltar um gemido perdido. Um prazer que, não sabia raciocinar por que, mas mexia com tudo de tantos jeitos.

"Aonde você vai?" Chanyeol perguntou, baixo como quem pede por um segredo e Baekhyun agarrou a camisa que ele ainda vestia. Agarrou como agarrava seus lençóis ao acordar de um pesadelo. O Park enfiou os dedos entre os fios loiros e, quando seu carinho desceu doce até a nuca, Baekhyun soluçou, deixando sair um choro que prendia há mais tempo que se lembrava.

"Baekhyun..." Ele chamou, sua voz falhando. Havia um conforto tão grande como um desespero em estar daquela forma, não apenas perto mas dentro dele, enquanto ele não tentava esconder nada de si, como se nem mesmo fosse capaz. "Baekhyun, eu te machuquei?"

Baekhyun balançou a cabeça mais vezes que era preciso. Não tinha coragem de abrir a boca pra falar qualquer coisa, mas se desesperava em pensar em Chanyeol se culpando por algo.

"Isso não vai acabar." Chanyeol não sabia se devia, mas começou. "Se você não quer que acabe, não vai. Mesmo depois que eu sair de dentro de você e mesmo depois que você sair dessa sala. Não vai acabar, Baekhyun." Ele, com delicadeza, levou as mãos até o rosto de Baekhyun e o ergueu até que pudesse olha-lo. Sentiu seu coração ser estraçalhado em milhares de pedaços ao ver as lágrimas lavando o rosto do Byun, mas sabia que não devia seca-las. Queria saber tudo que aconteceu com Baekhyun, cada detalhe em sua vida, tudo que o levou a ser quem era, tudo que fez com que ele chorasse em seu colo, depois de anos fingindo nem ao menos ter um coração.

"Por favor, não promete..." Baekhyun choramingou, em coreano. Não tinha certeza se Chanyeol entenderia, mas também não tinha certeza se queria que ele entendesse.

Muito havia sido dito sem palavras. Muito havia mudado, sem nenhuma discussão sobre antes. Talvez os dois quisessem falar, mas ao mesmo tempo quisessem a segurança de demonstrar sem palavras - sem compromissos e sem promessas.

Chanyeol achou que estivesse fazendo o que Baekhyun pediu, mas estava fazendo o contrário. Quando resolveu juntar sua boca a dele, não precisou de palavras pra explicar que entendeu o que Baekhyun disse. Deixou claro que entendeu, e que não gostou. Porque os dois sabiam que, no final, sem palavras em qualquer idioma, uma promessa foi feita. 


Notas Finais


uma música pra essa última cena, pra quem é desses (eu sou): touch me - the doors

fiquem em casa, lavem as mãozinhas e não abracem muito seus vovós. aproveitem que não tem muita coisa pra fazer e deixem um comentáriozinho aqui riririri

espero que cês estejam gostando e prometo que talvez demore, mas volto


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