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História Leiloado - Capítulo 14


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Notas do Autor


Eu de novo!!

Capítulo 14 - Capítulo Treze


Anos depois…

Jimin puxou a gravatinha borboleta do seu uniforme escolar ao se sentir desconfortável demais com ela, convivendo com Jungkook aprendeu a puxar a peça e agora, realmente se sentia sufocado quando passava tempo demais com aquela tira de pano envolta de seu pescoço. 

 

Seus pés batiam ansiosamente contra o assoalho da pequena sala de espera da diretoria da HyunSun, algo como uma alcova, já tinha meia hora desde que havia saído do colégio, por ordens de Jungkook, ele fora levado para a empresa. 

 

Com os anos, Jimin aprendeu a se socializar melhor com sua turma, um laço bonito de amizade fora estabelecido entre Momo e ele, e isso causou efeitos notáveis diretamente em todo tipo de relacionamento que o jovem de quatorze anos tinha.

 

É claro que Jungkook e Yoongi perceberam isso, Jimin já era capaz de sorrir mais, já conversava bastante com Jungkook e tinha feito de Jin e Hoseok seus maiores confidentes. Contudo havia uma coisa que não tinha mudado quanto à relação do diretor e do ômega: Jimin nunca conseguia chamar o alfa de Jungkook em todas as vezes em que o chamava. E é claro que isso deixava o alfa emburrado. 

 

O garoto suspirou já um pouco impaciente, não tinha ninguém ali para atendê-lo, sequer Haneyul estava ali. Pensou que talvez o alfa estivesse em reunião, mas segundo seu tio Taehyung, Jungkook não teria reuniões naquela tarde. 

 

Ergueu a face quando que um barulho estranho adentrou seus ouvidos, receoso levantou-se do lugar, adentrou o corredor que o levaria até a sala de Jungkook e quando seus olhos encontraram as figuras há alguns metros, teve que parar de andar. 

 

— Por favor, saia de minha sala. 

 

— Senhor, eu só te beijei porque pensei que o oppa queria. Você pareceu estar me colocando investidas e-

 

— Haneyul, eu sempre soube sobre sua atração, ou seja lá o que sente por mim, todavia nunca alimentei isso porque não sou do tipo que dá esperanças quando não existe a possibilidade. — Jimin apertou as mãos em frente o corpo, tentou se mover do lugar, mas estava estagnado e totalmente chocado com a discussão. 

 

O alfa Jungkook parecia realmente estar se controlando para não ser grosso e Jimin sabia disso porque ele estava falando de olhos fechados, como se tentasse ser o mais paciente possível. 

 

— Desculpe, senhor. Mesmo. — a garota se curvou várias vezes antes de girar o corpo e sair apressadamente, passando por Jimin como se ele não fosse ninguém ali. 

 

Entretanto, Jimin não fora invisível para os olhos surpresos de Jungkook e assim que o diretor encarou a figura do ômega, puxou a gravata totalmente sem jeito. 

 

— Jimin! 

 

— Oi, alfa. — Jungkook ajeitou a própria postura e abriu mais a porta para que o ômega entrasse e depois de mais alguns minutos sem se movimentar, Jimin o fez. 

 

Jungkook estava xingando-se mentalmente, não sabia como sua secretária havia chegado a aquele ponto, não sabia como havia deixado a mulher se aproximar com a desculpa de consertar sua gravata, não sabia como não tinha notado a presença de Jimin ali. 

 

Quando o silêncio dominou o espaço, Jungkook apoiou uma mão no quadril e a outra na boca, estava pensando sobre como explicaria aquilo para o garoto sentado no sofá de sua sala empresarial. 

 

Por Buda! Ele é só uma criança, não sabe dessas maldades… Porra! 

 

— Jimin, o que você ouviu, bom, é que-

 

— A Hane te beijou porque pensou que você estava interessado nela, alfa. — explicou com a face tranquila e quase que alheia. Tateou uma das revistas do pequeno cesto ao lado do sofá e começou a folheá-la. 

 

— O que? Digo, você sabe o que é beijar? Digo, como sabe dessas coisas? — encarou o ômega, os olhos quase saltando para fora. 

 

— Sei. Eu assisto alguns filmes de romance com o Seok, e na escola falam sobre, e nas ruas, nas músicas. Tem beijo para todo lado, inclusive na escola. — sorriu pequeno, ainda mantendo o foco no que lia. Jungkook estava perplexo. 

 

— Você só tem quatorze anos, Buda! Você… você por acaso… não que seja uma coisa ruim, é que, bom você não precisa me dizer se não quiser, eu só acho que- — cessou as falas quando o olhar do ômega caiu sobre a face do alfa. 

 

Caramba, essa criança continua parecendo saber todos os meus pecados. 

 

— Ah… não. — falou baixinho, então desviou o olhar quando suas bochechinhas queimaram. 

 

Jungkook assentiu mais para si, aquele assunto era desconfortável para si, ao mesmo tempo que aprendia, parecia ficar mais introvertido com Jimin. 

 

— Certo, vamos começar o seu treinamento. Trouxe seu notebook? 

 

— Trouxe. 

 

— Certo, paramos em diretórios. Vamos montar mais alguns e organizar algumas pastas. — Jungkook sentou-se atrás de sua mesa, enquanto Jimin ajeitava o seu aparelho sobre o colo. 

 

O diretor fechou todo o trabalho anterior para deixar a tela livre para ajudar Jimin. 

 

Desde que o garoto completou seus quatorze anos, Jungkook decidiu que o ômega já era esperto suficiente para aprender algumas coisas do sistema operacional da empresa, e não estava nem um pouco errado quanto a sua conclusão. Jimin era esperto, captava tudo com pressa e não tinha tanta dificuldade com o teclado. 

 

Todavia, não o faria se Jimin não aceitasse, e o ômega se mostrou muito animado quando a proposta fora posta, é claro que Jungkook não daria trabalho real, Jimin não tinha idade para trabalhar, seria algo leve, o ajudaria até mesmo com as aulas de informática e Jimin estava mais do que feliz. Se sentia um real funcionário da HyunSun, se sentia responsável e grande. 

 

— Hoje tivemos aula de biologia. — Jimin comentou de maneira alheia, olhando para sua tela enquanto o sistema abria. 

 

— Mesmo? Você parece sempre bem interessado por elas. — comentou sem erguer o olhar, suas mãos trabalhando tranquilamente na pilha de folhas sobre a mesa. 

 

— Eu gosto muito, é interessante saber sobre a vida, inclusive… — ponderou antes de continuar: — Estamos falando sobre reprodução híbrida, desde os feromônios, os cios e as suas dores, necessidades, fecundação, aos nós e bebês… 

 

Jungkook engasgou-se com a própria saliva, começando a tossir descontroladamente, assustando o ômega pelo barulho alto. Jimin levantou-se com pressa e encheu um copo com água, a face do alfa estava vermelha e por mais que tentasse parar de tossir, parecia difícil demais. 

 

— Alfa! Aqui, beba. — Jungkook aceitou a água e a tomou como se estivesse à deriva há dias. — Está melhor? 

 

— Estou, eu só… Cio? — indagou perplexo. Jimin deu de ombros e voltou para seu lugar.  

 

— Não é a primeira vez que falam sobre e eu já li em um livro também sobre eles. — Jimin colocou o notebook sobre o colo e começou a abrir seus últimos trabalhos feitos. — Eu percebi uma coisa, alfa… 

 

— O que percebeu? — apertou as mãos sobre o colo. Jimin sorriu minimamente e volveu a face para o amigo. 

 

— Você não tem cios, se tem, consegue esconder bem. — Jungkook escutou as palavras, demorou um pouco para processá-las. 

 

Sabia que um momento ou outro aquela conversa viria à tona, Taehyung já havia o avisado. Encheu o peito de ar, precisava ser cauteloso para explicar aquilo para Jimin, não queria confundi-lo, por mais que fosse pouco provável de acontecer, visto que Jimin parecia entender tudo com muita facilidade. 

 

— Eu sou estéril, acho que te falei sobre quando você chegou. A contagem de espermatozóides em… em minha ejaculação não existe, ao contrário de alguns homens que podem ter contagem baixa. Eu não sou capaz de fecundar alguém. 

 

Ao contrário do Jimin pensou, Jungkook não parecia tão desconfortável quanto ao assunto, talvez isso sequer o afetasse. 

 

— Por isso me comprou. 

 

— É, mas não precisamos nos lembrar disso. Continuando: se eu não posso reproduzir, meu organismo não vê necessidade em ativar o cio. 

 

— Como sei que não sou estéril? Preciso ir em um médico? 

 

— Bom, meu falecido appa sempre me disse que eu era estéril, eu nunca quis me casar ou me envolver com ninguém, então isso nunca me foi um problema, só aceitei. Mas se quiser, podemos marcar uma consulta para você, se você tiver preocupado. 

 

— Ah, eu não penso em ter bebês. — ditou esboçando uma leve caretinha, algo totalmente compreensível para sua idade, contudo o alfa não deixou de rir. 

 

— Um dia você vai ter sua família, Jimin. Um alfa, ou uma alfa, ou um ou uma ômega. E filhotes. — completou — Não siga o meu exemplo. 

 

— Não? — iluminou o cenho, surpreso. — Achei que gostasse de ser solteiro. 

 

Jungkook sustentou o olhar de Jimin por alguns segundos até desviar a atenção para o seu notebook em sua frente. Jungkook gostava da liberdade, bom, ao menos fora isso que se fez acreditar. O diretor não queria ter que pesquisar mais a fundo sobre essa sua crença, porque intimamente tinha medo de que sua solidão amorosa não fosse confortável para si, temia ter que assumir que tudo aquilo não passava de um trauma familiar. 

 

E Jungkook não estava agindo como um covarde para falar a verdade — ainda que se julgasse digno do adjetivo —, o diretor só viu a morte acontecer precocemente demais, só viu de seus maiores exemplos o que as decepções amorosas poderiam causar. Jungkook não queria ser traído e muito menos, um assassino. 

 

— Eu gosto, mas isso é um assunto muito chato para uma criança de quatorze anos. — desconversou abrindo um sorriso brincalhão e riu ainda mais quando viu de relance o ômega revirando os olhinhos discretamente. 

 

— Eu sou um adolescente e eu nem uso mais o banquinho para usar a pia, lembra? 

 

— Você não me chama de Jungkook, então eu irei te chamar de criança. — jogou o corpo contra o encosto da cadeira e fechou os lábios em uma linha, sorrindo infantilmente para o ômega que sequer o deu atenção.  

 

Anos haviam se passado desde a morte de Jeon Hechul, anos haviam se passado desde que Jimin entendeu ser parte da família Jeon e agora as coisas pareciam se desenrolar com mais facilidade, as coisas pareciam decorrer com mais naturalidade e carente de receios. 

 

Jungkook tinha encontrado mais uma amizade leal, e estava sendo leal para Jimin também, por isso, em todo esse tempo nunca deixou de tentar descobrir mais sobre os pesadelos do garoto, estes que aconteciam com frequência rara. 

 

Jimin já não tinha medo de chuva, ainda que sempre se sentisse um pouco mais sensível nos primeiros dias de chuva da estação chuvosa, contudo a chuva já não o fazia chorar ou ter pesadelos. 

 

O ômega havia feito amizades no colégio e tinha melhorado no âmbito da comunicação, tanto com os alfas de sua família quanto os alfas de sua escola. Não gostava de ficar sozinho, isso era um fato e por isso, Hoseok ou Momo nunca saíam de perto, assim como Jungkook e Jin tentavam ao máximo não deixá-lo sem companhia. 

 

As sessões de terapia foram concluídas com sucesso e tudo isso graças ao contato direto com professores e outras crianças de sua idade. Todavia, Jimin ainda era submetido à duas consultas por mês, porque por mais que tivesse melhorado muito, Jimin ainda não era capaz de contar sobre o que sonhava, sobre o que o assustava. 

 

Quando Jungkook e Jimin chegaram em casa, o alfa estava exausto, ao contrário da figura mais nova ao seu lado que parecia bem disposta a estudar um pouco mais. 

 

— O que quer comer hoje? A cozinheira pediu o dia de folga para cuidar da omma que está doente. 

 

Jimin retirou os sapatos, iria dar de ombros, mas tinha prometido a si mesmo que seria mais objetivo, afinal de contas, a ideia de querer ser um bom herdeiro ainda o percorria e era aceita de bom grado, visto que o ômega gostava das atividades que Jungkook o passava. 

 

Kimchi? — o alfa avaliou a sugestão e então assentiu. 

 

— Tudo bem, mas eu não sei fazer. Eu posso ser seu ajudante. — retirou a gravata de seu pescoço e em seguida, livrou-se do terno quente. 

 

— Eu também não sei cozinhar. — falou quase que pausadamente, erguendo as mãos para retirar sua própria gravata. Franziu o cenho em certa dúvida. — E se eu ligar para o tio Tae? 

 

— Não, não vamos ligar para ele toda vez que precisarmos cozinhar. — descartou a possibilidade, os braços cruzados sobre o peito. — Não quero ter que comprar comida toda vez que precisarmos cozinhar também. — completou antes de continuar: — Vamos cozinhar! — soltou decidido. 

 

Jimin avaliou a expressão do alfa, realmente não era a mais confiável, mas tinha que admitir que não os restavam tantas opções, uma hora ou outra teriam que cozinhar. 

 

— Eu… vou tomar banho e depois pesquisarei a receita. — o ômega sibilou baixinho enquanto dobrava cuidadosamente a gravata em sua palma esquerda. 

 

•☆•

 

— Tudo bem, segundo esse site, precisamos de arroz cozido para acompanhar. — o bochechudinho pontuou segurando seu celular, já de banho tomado e vestido um avental. 

 

— Arroz é muito bom. — Jungkook que estava com outro avental, um braço cruzado e mordendo o canto da unha do indicador, soltou pensativo. — Mas como que eu cozinho arroz? 

 

— Vou pesquisar, só um minuto. — antes que Jungkook pudesse responder, certa movimentação o chamou atenção e quando fez menção de perguntar a Jimin se ele estava esperando alguém,  a governanta adentrou o espaço da cozinha certamente afobada. 

 

 — Senhores, o senho- 

 

— Eu! Fui eu quem cheguei para jantar. — Seokjin adentrou a cozinha segurando uma pequena mochila; os cabelos úmidos, pantufas e pijama. 

 

— O que é tudo… isso? — Jungkook ponderou apontando para o beta todo. 

 

— Ah, eu vim dormir aqui. — Jin falou levemente alheio, indo diretamente para o ômega que sorria grande. — Que saudade de você, Minnie! 

 

— Você me levou para a escola hoje, hyung. 

 

— E já é noite, garoto! Já deu tempo suficiente para eu sentir saudades. Você sequer me visita. 

 

— Como se fosse preciso, você mora mais em minha casa do que na sua. — Jungkook retrucou revirando os olhos infantilmente, algo que foi totalmente ignorado por Seokjin. 

 

— O que estão fazendo? — Jimin se soltou do beta apenas para erguer a tela do celular para este. 

 

— Estamos cozinhando. Tentando, na verdade. 

 

— Besteira! Eu vou pedir pizzas. — tomou o celular das mãos do mais novo, digitando o número de alguma pizzaria, enquanto isso, timidamente o ômega aproximou-se do alfa e juntou as mãos em frente o corpo. 

 

— Está chateado? — Jungkook encarou o adolescente por alguns segundos e depois cerrou o olhar, começando a abrir as fitas do avental. 

 

— Não estou. Nos poupamos de provavelmente causar um incêndio. — Jimin sorriu sem mostrar os dentes, assentindo rapidamente. 

 

Contudo seu sorriso foi se desmanchando gradativamente à medida em que se recordava de algo. 

 

— Alfa? — o citado o olhou como se pedisse para continuar. — Amanhã… Preciso fazer um trabalho em trio sobre cios. 

 

— Precisa de algum material? Seu notebook está velho? Podemos comprar outro logo amanhã de amanhã  e-

 

— Não! Não é isso. 

 

— Não? — pestanejou, o corpo voltando-se para a figura de Jimin. — O que é então? 

 

— Vou fazer com dois amigos e gostaria de sua permissão para trazê-los aqui. — o alfa não teve tempo de responder, Jin se aproximou mais uma vez, estendendo o celular alheio. 

 

— Obrigado, Jiminnie e Jungkook, o valor total foi quinhentos wons. 

 

— Eu tenho que pagar? Eu? — apontou para o próprio peito sucumbido de ceticismo. 

 

— A casa é sua e estamos com fome. — explicou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, em seguida, abraçou Jimin pelos ombros e saiu arrastando o garoto para fora da cozinha. 

 

•☆• 

 

Depois da refeição, sentaram-se na sala com a lareira acesa, não estavam perto do inverno, mas ainda assim fazia frio durante a noite e ômegas costumam ser menos quente que os alfas e betas, por isso, Jungkook sempre se preocupava em deixar a casa aquecida. 

 

— Já escolheu o que vai pedir? — Jin perguntou, a mão nos cabelos do garotinho que estava com cabeça em seu colo — um feito motivado pela insistência do beta. 

 

— Pedir? — Jimin perguntou sonolento pelos afagos alheios. 

 

— Sim. Daqui três dias você completa quinze anos. Pede o Jungkook um carro, ou um celular muito caro. — o alfa se atentou ao assunto, completamente indisposto para refutar as ideias absurdas do amigo. 

 

— Uh… Não posso dirigir e já tenho um celular bom. 

 

— Então peça algo, mas algo caro. Suga até o último won desse alfa. — especificou decidido. Jungkook não queria se juntar na conversa, mas isso não o impedia de observar os detalhes, como tom rosado que Jimin aderiu nas bochechas cheinhas.

 

— Não quero nada. Já tenho muita coisa, hyung. — notando que o ômega não diria mais nada, Jin encarou Jungkook mortalmente e o alfa lerdo como era, franziu o cenho. 

 

— Eu acho que você deveria fazer uma festa e pintar o cabelo. — sugeriu, enviando um olhar ainda mais letal ao amigo. 

 

— Ah! — Jungkook finalmente pareceu entender. — Uma festa vai ser bom e você pode chamar seus amigos. A propósito, você pode trazer seus amigos amanhã.  — cruzou os braços. Jimin moveu a cabeça um pouco mais para cima e observou Jungkook, desse modo corou fraquinho e assentiu. 

 

— Obrigado, alfa. 

 

— Hm… Então amanhã você vai trazer amigos para cá? — o tom de Jin era quase que lascivo. 

 

— Sim, a Momo e o Baekhyun. — respondeu genuinamente. 

 

— E qual deles você já deu alguns beijinhos? — no mesmo instante, Jimin se levantou com pressa do colo alheio, não devido à timidez e sim por causa das tosses altas do alfa no outro sofá. 

 

Jimin arregalou os olhos e não teve tempo de pensar muito, apenas correu até a cozinha e encheu um copo com água. Jungkook sempre o dava água quando se engasgava e por isso Jimin fazia o mesmo. 

 

— Jungkook, respira! — quando Jimin entrou na sala de novo, Jin dava tapas estalados nas costas do alfa que ainda tossia sem freios. 

 

— Beba água, alfa. — estendeu o copo, este que foi bem aceito. Jungkook engoliu todo o líquido e por fim pode respirar normalmente. 

 

— Obrigado, Jimin. 

 

— E eu? Eu ajudei! — Jin sentiu um arrepio o percorrer por toda espinha apenas por sentir o olhar mortal do diretor o cortar em pedacinhos. Se o olhar do alfa fosse uma faca, realmente estaria em pedacinhos. — Tá! Mas… o que aconteceu?

 

— O que aconteceu? Você está perguntando sobre beijos para uma criança de quatorze anos! 

 

— E estou errado? Ele vai beijar um dia sabia? 

 

— Gente… — Jimin murmurou. 

 

— Eu sei que vai, mas não precisa perguntar para ele diretamente. Ele pode se sentir tímido. — era uma hipocrisia de fato, já que Jungkook havia feito a pergunta horas atrás. 

 

— Hyungs eu estou aqui… 

 

— Mas você tem que acostumar com os anos para ele. Ele vai crescer e vai fazer coisas da idade dele. Eu com doze anos já tinha beijado dois alfas e uma ômega. — Jin cruzou os braços, o rosto já vermelho. 

 

— Mas o Jimin não precisa que você fique falando sobre isso, se ele quiser beijar ele vai beijar e a gente não precisa saber a menos que ele tome a iniciativa de nos falar.  

 

— Jungkookie… — no mesmo instante os dois amigos viraram a face para o ômega de bochechas coradas. 

 

— Você me chamou… você me chamou de Jungkookie? 

 

— Sim, ele realmente te chamou de Jungkookie. Isso é tão novo… — ambos adultos pareciam estar olhando para um ser de outro planeta, um ser belo e surpreendente. 

 

— Eu só queria dizer que eu estou ouvindo tudo e que o alfa me perguntou hoje se eu já tinha beijado, então não seja hipócrita, alfa.  

 

Soltou rápido, o peito subindo e descendo com pressa. Jungkook desviou o olhar mordendo o inferior e Jin cruzou os braços como quem queria dizer: É mesmo? Pego no flagra! 

 

— Você falou sobre cio. — acusou, representando uma idade inferior a sua. 

 

— Mas tudo começou porque a Hane te beijou e você quis se justificar para mim. — alegou cruzando os braços igualmente a Jin. 

 

— Esperem! A víbora beijou o Jungkook? — Seokjin perguntou perplexo. 

 

— Jimin! Traidorzinho. — praguejou baixinho, os dentes travados. — Eu não estava me justificando, eu só achei impróprio. 

 

— Eu não acredito que você beijou aquela menina. — a expressão do beta era mordaz, tal como o timbre irritadiço. 

 

Seokjin tinha plena consciência que não deveria intervir na vida das pessoas e que cada um traçava o seu caminho à sua maneira, contudo aquela vida não era a do seu vizinho, ou da sua tia, ou do padeiro, aquela vida era de seu melhor amigo, logo o laço afetivo era a porta perfeita para entrar sem bater. 

 

— Eu não beijei ela, ela me beijou. — ainda que falasse a verdade, nada parecia justificável para Kim Seokjin. 

 

Enquanto ambos entravam numa segunda discussão, o único ômega presente esboçava um sorrisinho pequeno e tímido, mas ainda assim se divertia sempre que os dois iniciavam brigas bobas, porque não eram brigas que o causava medo, eram brigas calorosas do tipo família perfeita e o conceito de família perfeita para Jimin, havia se configurado em algo menos superficial do que as ideias pregavam, para Jimin, família era daquele jeitinho, um momento sorrindo por coisas bobas, outro brigando por coisas fulas, outro momento tentando cozinhar para não morrer de fome… Família tinha um significado mais realista para o garoto, nela se cabia momentos bons e ruins, sendo a união um dos pilares fundamentais. 

 

Morando tanto tempo com pessoas que um dia foram desconhecidas, agora Jimin já podia dizer sem hesitar: 

 

Eu tenho a melhor família do mundo e nenhum deles tem o sangue um do outro. 

 

Jeon Jimin já era capaz de entender bem quando os adultos diziam que para ser família, não precisavam compartilhar o mesmo sangue, porque se encaixava perfeitamente dentro de um exemplo. 

 

— Jiminnie? — ergueu a face de súbito, corando por ser pego rindo sozinho. 

 

— Sim, hyung. 

 

— Estou indo embora, não sei como você aguenta viver com esse bobão. — Jimin franziu o cenho, repassou a visão entre o beta e o alfa, vendo que Jungkook estava rindo, aparentemente relaxado, ficou ainda mais confuso. — Eu sei que disse que dormiria aqui, mas decidi refazer meus planos. Jungkook me estressou demais, preciso sair para aproveitar a noite. 

 

— Jimin, não pergunte o que ele quer dizer com isso e se despeça. — Jungkook alertou, o tom maioritariamente brincalhão. Seokjin riu soprado, enquanto abaixava-se para abraçar o corpo do garoto. 

 

Então Jimin soube que tudo estava bem e aquela era uma das melhores partes, eles nunca brigavam de verdade, nunca saíam com mágoas. 

 

Jin pegou suas coisas, desferiu um tapa da nuca do diretor como um amigável adeus e se foi. Jimin e Jungkook limparam a bagunça em silêncio, mas aquele silêncio não era mais cômodo, não era mais cômodo havia um tempo. 

 

Jungkook já não usava tanto o seu escritório como antes, isso porque descobriu que desde Jimin teve as aulas particulares cessadas, o garoto continuava a resolver suas lições na sala, usando a mesinha de centro. O alfa então decidiu trabalhar no mesmo ambiente e sempre perguntava se o ômega tinha alguma dúvida, porque sabia que Jimin não pediria por timidez. 

 

— Eu terminei. — anunciou baixo, seus materiais já organizados contra seu peito. Jungkook empurrou a armação de lentes redondas para cima quando elevou o olhar para o garoto de pijama. 

 

— Eu logo subo, você pode ir dormir se quiser. — a verdade é que Jungkook ainda tinha muito relatório para ler. Todos os relatórios da semana do departamento de produção estavam empilhados ao seu lado, estavam trabalhando no novo modelo da linha de automóveis que iriam lançar daqui três meses, então tudo estava um pouco mais exorbitante que o normal. 

 

Jimin era um observador nato, entretanto não precisava ser muito esperto para saber que o diretor estava cada vez se esforçando mais em tudo o que fazia e por isso, era evidente o declínio de sua saúde. 

 

Durante esse tempo, Jungkook vem tendo noites curtas, dores de cabeça fortes, dores musculares e problemas na visão, coisas que não eram comuns nos alfas por conta de seus sistemas mais resistentes e autocurativo. 

 

Desse modo, Jimin não era capaz de ir descansar quando um amigo tão importante se esforçava tanto e assim, deixou seus cadernos e livros sobre a mesinha de vidro e cuidadosamente sentou-se ao lado de Jungkook, ganhando rapidamente a atenção deste. 

 

— Como posso te ajudar? — deixou as mãos sobre o colo, os olhos complexos esperando por uma resposta do diretor. Jungkook sorriu sem mostrar os dentes, mas ainda assim totalmente sincero. 

 

— Você precisa dormir, tudo bem? Caso não o faça, como poderá fazer um bom trabalho amanhã com seus amigos? — perguntou genuinamente e em seguida recebeu um olhar incisivo do mais novo, porque aquela pergunta era um tanto hipócrita sem que Jungkook notasse. 

 

— Eu vou te ajudar, assim você vai poder descansar mais cedo. — explicou categórico e Jungkook não ousou insistir, porque aos poucos estava compreendendo que Jimin não costumava desistir de seus objetivos. 

 

Ser um bom herdeiro era um deles. 

 

Jungkook retirou o notebook do colo e passou para Jimin, que imediatamente reconheceu a planilha geral da HyunSun. Aqueles eram arquivos estritamente importantes e cautelosos, contudo, Jungkook confiava absolutamente tudo nas mãos do ômega de quatorze anos. 

 

— Eu te falo os números e as datas, você preenche de acordo com as datas, tudo bem? — Jimin assentiu, esperando pela primeira sequência. 

 

Não passava das duas quando Jungkook leu o último relatório e Jimin digitou a última sequência. 

 

— E com isso, acabamos. — Jungkook sorriu orgulhoso, os olhos cansados assim como suas costas. 

 

Jungkook tinha apenas vinte e oito, mas às vezes se sentia como um velho de oitenta. Juntaram todos os materiais e por fim, caminharam juntos para o corredor dos quartos, o alfa aquecendo as mãos dentro dos bolsos e o ômega de braços cruzados. 

 

Agora parados cada um de frente sua porta, olharam-se familiarizados. 

 

— Boa noite, alfa. — sorriu simples. 

 

— Durma bem e obrigado por me ajudar. — Jimin ficou feliz verdadeiramente, porque gostava de ajudar sua família. 

 

Cada um entrou para seu quarto e então estavam prontos para finalmente descansar. 

 

Jimin fez suas higienes, agora já não precisava mais do banquinho para alcançar a pia do seu banheiro. Hidratou a pele como Hoseok o tinha ensinado e deitou-se em sua cama — agora de casal. Não verificou suas mensagens, faria isso quando fosse para a escola, agora precisava dormir. 

 

Fechou os olhos, sentiu suas costelas desapertar seus pulmões e por fim, relaxou. 

 

•☆•

 

Assustado, abriu os olhos rapidamente, sentando-se sobre a cama macia e espaçosa. Não havia tido um pesadelo, também não estava chovendo lá fora, mas algo, um barulho abafado tinha sucumbido sua adição sensível, e algo em seu instinto o fez acordar. 

 

Jimin encarou todo o seu quarto, seu relógio marcava quatro e cinco da manhã. O barulho ficou um pouco mais alto, levantou-se minuciosamente então seus olhos quase saltaram para fora quando finalmente identificou os murmúrios, estes não eram comuns, eram gemidos de dor. 

 

Jimin abriu sua porta com pressa e deixou que sua audição o guiasse e quando seus pés pararam, estava de frente para a porta de Jungkook, onde o barulho parecia fluir. 

 

— Alfa? — sussurrou. Não obtendo resposta, suspirou. — Alfa? Está bem? — questionou mais uma vez, o barulho não parecia diminuir, Jimin estava ficando preocupado. 

 

Todavia estava receoso sobre abrir a porta. E se Jungkook estivesse com alguma companhia? Não poderia simplesmente entrar. 

 

— A-appa! — Jimin encostou o ouvido na porta. Não parecia estar com alguma companhia, Jungkook parecia estar…

 

Alfa… 

 

Abriu a porta por fim, sua visão foi certeira sobre a figura que parecia estar sendo atormentada em pesadelos. Jimin fechou a porta, correu até a cama e sentiu o coração martelar forte contra seu peito. Estava apavorado, nunca tinha visto Jungkook gemer e suar tanto, parecia realmente sentir dor. 

 

— Alfa? Acorde! — chamou baixo, aterrorizado com o comportamento discrepante do alfa. 

 

Jimin não deixou de pensar em como Jungkook poderia se sentir quando tinha que enfrentar os seus pesadelos, concluiu que deveria ser pavoroso, porque era assim que estava sendo ao ver Jungkook agonizar sobre a cama. 

 

Tímido, tocou o ombro do alfa e o sacudiu, não foi preciso muito, em consonância, assustou-se quando Jungkook segurou o pulso do ômega rapidamente, exercendo uma força que Jimin nunca havia recebido do alfa. Seus olhos cresceram e as lágrimas acumularam em seus olhos. 

 

Pela primeira vez em muito tempo, Jimin sentiu medo e assim, seu consciente o trouxe de volta a informação de que Jungkook sempre seria um alfa. 

 

— A-alfa… — quando Jungkook reconheceu a face do garoto, soltou o pulso rapidamente e se sentou na cama. Agora seu coração estava ainda mais acelerado e seu pesadelo sinistro não era motivo de seu pavor. 

 

— Me perdoe! Jimin, me perdoe, me desculpe, eu não sabia, eu- — tentou explicar que sentiu medo ao ser tocado, por estava sendo amarrado em seu pesadelo, mas a face estagnada de Jimin era tão angustiante, que não foi capaz. — Eu não quis te machucar, Jimin eu não vou te machucar, eu não sei o que aconteceu, eu-

 

Jungkook sempre seria um alfa, mas Jimin conhecia aquele alfa. 

 

Jungkook parecia procurar as palavras certas, o seu desespero era evidente, temia regredir quando tudo estava indo tão bem. Quando finalmente tomou consciência de onde estava e com quem estava, Jimin fungou e desviou o olhar. Sentia os joelhos tremendo assim como suas mãos, tocou seu pulsos e acolheu a mão contra seu peito. 

 

— Me perdoe, Jimin, por favor, eu não sou… Eu não sou aquela pessoa. Eu sou-

 

— Alfa. — Jungkook engoliu a seco e cortante. Por um segundo, odiou ser alfa. — O alfa Jungkook. — murmurou, mas aquela afirmação invadiu os ouvidos do alfa com propriedade. 

 

Jimin deu alguns passos para trás, Jungkook pensou em impedir, porém concluiu que poderia ser pior e por isso, deixou que Jimin fosse embora de seu quarto com pressa. 

 

O diretor apertou os olhos, deixou que o ar quente saísse de seu peito, não conseguiria mais dormir pensando em como tudo havia sido inconveniente. Tudo estava indo tão bem, então isso acontece. Jungkook queria entender porquê mais uma vez teve um sonho desconexo, queria saber porquê mais uma vez, citaram um doutor que ele nunca conseguia ouvir o nome e dessa vez queria saber porquê seu pai estava o forçando a ficar parado. 

 

Jogou as costas contra os travesseiros e cobriu a face pouco úmida com as palmas, que agora estavam geladas demais, assim como seus pés, mas em contrapartida, seu corpo parecia febril. 

 

Retirou as mãos da face e endireitou a coluna assim que sua porta fora aberta de novo e surpreendeu-se ao ver a figura de Jimin segurando um copo cheio de água. 

 

Jimin entrou sem saber, caminhou até a cama e estendeu o copo para seu amigo. 

 

— Beba um pouco, ajuda a ficar mais calmo. —  a fala não era trêmula, mas não era a mais confiante. Jungkook segurou o copo, a sensação de alívio não poderia ser ignorada, e então levou até os lábios, ingerindo todo o líquido. 

 

— Obrigado, Jimin. — deixou o copo sobre o móvel na lateral da cabeceira e então abaixou o olhar para seu próprio colo. — Eu não queria machucar você e te fazer se lembrar… Eu estava assustado e inconsciente, eu simplesmente fiz. 

 

— Estava tendo pesadelo. — murmurou ignorando as falas de Jungkook. —  Se quiser, você pode me contar. — Jungkook desejava muito aquilo, desejava contar, mas Jimin não tinha que se preocupar com mais pesadelos. 

 

— Obrigado, mas eu prefiro não dizer por agora. Quero tentar entender eles primeiramente. Ainda não sei se são sonhos não pertencentes, ou memórias ocultas. — não era uma mentira, Jungkook realmente queria descobrir mais sobre aquilo. 

 

Jimin assentiu ainda em pé e próximo à cama. 

 

— Tente dormir, logo vai amanhecer. — deu de costas para se retirar. Jungkook pensou em pedir para que o garoto ficasse para o fazer companhia, duvidava muito de que conseguiria voltar a dormir, todavia, era improvável que Jimin se sentisse cem por cento confortável na presença do diretor, isso depois do ocorrido. 

 

Mas ainda assim, o chamou:

 

— Jimin! — o garoto parou de andar e virou-se em direção ao chamado. Jungkook encheu o peito de ar, vagou o olhar pelos cantos enquanto tomava coragem e por fim, encarou o ômega. — Não tenha medo de mim, eu não quero que nossa amizade fique distante. 

 

Jimin escutou as palavras e o peso na voz do alfa, mas sabia que Jungkook realmente estava sendo honesto, por isso, sorriu numa linha fina, segurando as mãos em frente o corpo, sua eterna mania. 

 

— Não se preocupe, Alfa, tente dormir. — Jungkook não estava totalmente satisfeito com a resposta, mas era entendível, e daria o tempo que Jimin precisasse, desde que não perdesse a confiança que o garoto depositava em si. 

 

Jimin deixou seu quarto depois do conselho para dormir, contudo, a última coisa que Jungkook poderia ter feito era dormir e ainda assim, não conseguiu. 

 

E não conseguiria descansar enquanto Jimin não o dissesse com todas as palavras que não o temia, porque Jungkook, ainda que nunca tivesse dito, durante todos esses anos pensou muito sobre o que sentia pelo garoto que comprou, mas no fundo de seus confins admitia com veemência que sim, havia aprendido a amar aquele menino bochechudinho, havia aprendido a amar a amizade do garoto assim como amava a amizade que tinha com Taehyung, Jin e Yoongi e Jungkook morria de medo em ser renegado por alguém que tinha aprendido a amar. 

 


Notas Finais


Meu Twitter: @FullMoonvalent


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