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História Lembrete Mortal - Capítulo 8


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Notas do Autor


Esse capitulo vai ser bem calminho, preparando terreno para o que está por vir.

Capítulo 8 - Fios de sombras



Kayn, fora da mente alheia e com expressão indiferente, observava de pé o homem se contorcendo pela escuridão presa em seu corpo, tendo convulsões, sua boca borbulhando de saliva. Seus ouvidos sangravam e seu semblante estava tomado de terror, os olhos arregalados fora de órbita. Uma vítima das sombras.
Ele suspirou olhando para cima e passando as mãos pelo pescoço, o prazer da chacina o invadindo. Matar lhe dava satisfação como nunca, principalmente por acabar com as vidas de quem não eram dignos delas.
Foi então que notou pelo canto do olho uma figura se rastejando que pressionava o nariz sangrento entre os dedos. Ele se aproximou do homem com os braços cruzados, flexionando os músculos dos membros.
“Pode ir.” Ele disse, olhando-o pateticamente.
“Me-mesmo?” Falou o homem, anasalado. Kayn lançou um olhar tenebroso a ele enquanto dava de ombros.
“Sim, não estou afim de te matar. Mas fale para seus outros amiguinhos que se voltarem aqui, não terão a mesma sorte.”
Kayn sorriu cruelmente, se virando para a porta, enquanto retirava as cadeiras do lugar para ir em direção da saída. Ele ouviu o homem agradecer veementemente do chão. Porém, a voz do homem parou no meio da fala, um som de carne sendo cortada preenchendo o ar, seguido de algo pesado caindo no chão. Kayn se virou para encontrar Zed com sua lâmina fincada nas costas do homem.
“Não brinque com comida, Kayn.” Disse Zed, tirando sua arma do corpo morto, o sangue espirrando. Kayn estava espantado de vê-lo tão cedo. Ele respondeu, revirando os olhos.
“Eu já ia matá-lo, Mestre Zed.”
“Você disse: ‘Pode ir’.” Zed retrucou enquanto andava na direção da porta.
“É óbvio que eu estava mentindo.” Afirmou, o ninja passando por ele, encarando-o por alguns instantes antes de sair da casa.
Kayn realmente não estava esperando esse encontro. Na sua cabeça, ele já estava planejando o que fazer. Iria voltar para o templo, conversa com seu mestre, pedir desculpas e aceitar sua punição. Mas estava querendo entender a presença do mesmo.
“Por que está aqui?”
Zed andava pela clareira com pesar nos olhos. Era repugnante o que os que não entendiam o poder da magia podiam fazer. Ele não era o melhor exemplo de protetor da natureza, mas pelo menos respeitava de forma básica a vida primitiva da floresta, sem abusar de seus elementos. Ele ajoelhou-se perto do animal imóvel, cuja as amarras ainda estavam em cima dele.
“Um chamado.” Zed passava a mão no amimal morto para fechar-lhe os olhos. “Para investigarmos um santuário.”
Ele falou algumas palavras em um dialeto antigo enquanto mantinha os olhos fechados. Kayn não entendeu todas as linhas, mas percebeu que era um ritual de passagem para o mundo dos espíritos. Ao terminar, viu a grama em volta do animal subir e envolvê-lo lentamente, cobrindo toda a área em um verde vivo. Era como se a floresta estivesse aceitando de volta o que lhe fora tirado. Zed olhou para Kayn.
“Achei que gostaria de vir junto.”
Uma missão com ele e o Mestre? Não teria como dizer não a tal privilégio. Os lábios do rapaz formaram um bendito sorriso.
“Não tem como eu negar depois de me fazer um convite tão agradável.”
Zed ergueu uma sobrancelha pelo comentário, mas preferiu ignorá-lo.
“Certo. Vamos, então.”
Seu mestre seguiu caminho, Kayn se colocando em seu rastro. Mas parou logo em seguida. Essa era sua chance de falar com Zed. O que quer que tenha passado pela cabeça do outro, se resolveria aqui. Não esperaria mais alguns dias de tortura com um clima desagradável no ar.
“Mestre...” Kayn apressou-se para aproximar-se de Zed e puxar seu braço, fazendo-o olhar para ele. “Podemos conversar?”
Zed deu um longo suspiro, tirando o braço do aperto do mais novo.
“Não temos o que falar, Kayn.”
Seu mestre parecia estar desviando do assunto. Ele não lembra?
“Claro que temos! Sobre aquela noite...” Ele começou para logo ser interrompido.
“Não temos nada para falar. Você sabe os erros que cometeu e espero” Zed virou o rosto para Kayn enquanto semicerrava os olhos “que não se repitam.”
“O assunto se encerra aqui.” Zed virou-se, fazendo com que Kayn não percebesse o pequeno sorriso em seu rosto ao ouvir o bufo de indignação do rapaz.
Primeiramente, Kayn não entendeu. Olhou a figura de Zed se distanciando, que gesticulou com as mãos para o aluno segui-lo. O rapaz não sabia se ele estava brincando ou não se lembrava. Queria poder gritar com ele mesmo sendo inapropriado. Mas se conteve ao entender que isso era exatamente o que Zed queria.
Seu mestre queria tê-lo em suas mãos. Queria brincar com a mente do garoto a ponto de ter o orgulho esmagado e começasse a andar na linha. Tinha uma chance perfeita para testar seu aluno, ver o quão longe ele conseguia ir sem antes de definhar por completo. Ele não ia se submeter tão facilmente.
Foi então que Kayn finalmente percebeu o que poderia fazer. Iria jogar o jogo do seu mestre. Ele não tinha mais como fugir, teria que encará-lo e enfrentar as consequências e os pensamentos insanos. Mas ele decidiu sair por cima. Ele usaria com eloquência os acontecimentos para provocar Zed ao máximo, querendo ver até onde o ninja conseguiria aguentá-lo. Iria seduzi-lo e tentaria levá-lo a loucura do jeito mais improvável possível.
Kayn seria o ser mais insuportável que Zed poderia imaginar, e esse não seria um jogo que pretendia perder.


Os assassinos andavam com passos lentos entre as árvores, não seguindo a trilha da estrada. Zed preferiu que prosseguissem de forma silenciosa na floresta, já que acabaram de sair de uma área de caçadores.
O Mestre das Sombras seguia com passos firmes, o barulho da mata reverberando suavemente. Kayn teve que apertar o passo para chegar ao lado de Zed.
“Qual a localização do santuário?”
“Não muito longe daqui. Fica em uma estrada onde os mercadores passam. Os moradores locais que cuidam do lugar. Pelo o que entendi, são imigrantes da região sudoeste de Runeterra.” Zed falava em um tom suave ao seguir caminho, as botas quebrando galhos com facilidade pelo chão que andava.
“Tá, e o que vamos encontrar lá?” Perguntou Kayn, recebendo uma jogada de ombros como resposta.
“Não especificaram, só disseram que seria de interesse da Ordem.”
O rapaz deu uma risada silenciosa. Essa missão provavelmente seria uma das melhores que já aceitou.
“Não sei o que vamos achar, mas sei o que eu tenho que achar.” Kayn disse, provocativo, olhando Zed parar de andar com o canto do olho.
“O que está fazendo?” O mestre falou de forma lenta, semicerrando os olhos.
“Hum? Algum problema?” O rapaz o olhou de forma inocente, enquanto sorria. Sabia que estava brincando com fogo e não iria recuar agora.
“Só estou falando a verdade.” Disse ele, se aproximando do semblante céptico de Zed. Passou a mão pelos cabelos, rindo novamente, a franja azul caindo novamente nos olhos. O ninja não pareceu gostar do tom do rapaz.
“Com quem pensa que está falando?”
“Com alguém que é muito mais do que mostra ser.” Kayn disse, lambendo os lábios de forma sedutora. Zed o encarou friamente, mas logo depois desviou o olhar para o além. Sem entender, Kayn continuou.
“Por que você não me deixa provar um pouco do que você realmente tem a oferecer? Não acho que vai fazer falta.”
O rapaz ergueu a mão para acariciar o peito de Zed através da blusa para receber o corpo imóvel do mestre como resposta.
“Espera.”
Kayn riu da submissão do mais velho. Não achou que seria tão fácil.
“Esperar o que? Temos todo o tempo do mundo.”
Zed ergueu a mão.
“Fique quieto.” Ele falou de forma ríspida, voltando a prestar atenção no ambiente. Mas Kayn ainda não entendia o que ele estava procurando. O lugar estava silencioso. Nenhum pássaro no céu. Nenhum riacho próximo.
“Consegue sentir?” Perguntou Zed.
“Sentir o que?”
Logo depois de perguntar, Kayn sentiu. Magia.
Ela o puxava de todos os ângulos, de todas as direções, como se estivesse precisando de sua energia. Não sabia de onde vinha nem de como, mas ela o chamava, como uma mãe clamando pela volta do filho para casa.
Zed andou mais um pouco para sentar-se em uma rocha.
“O que vai fazer?”
“Vou-lhe demonstrar mais das técnicas das sombras.”
Kayn, não compreendendo muito bem, sentou-se, cruzando as pernas da mesma forma que seu mestre. A magia da floresta era algo comum, mas não com tanta abundância em um local só. Muito provavelmente não tinha um motivo certo para ter tanto poder em um lugar só, era só a manifestação do espírito da floresta nela mesma. Mas Zed provavelmente havia descoberto algo maior.
Kayn o observava com atenção. O peito do ninja subindo e descendo de forma lenta, tentando entrar em uma estado profundo de meditação, as mãos apoiadas nos joelhos, os olhos fechados. O rapaz tentou sincronizar sua respiração com a de Zed, querendo chegar no mesmo nível de tranquilidade que seu mestre.
Zed havia-lhe ensinado como meditar da maneira correta. Mesmo a Ordem das Sombras apoiando a ideia que equilíbrio era uma tolice, era essencial estar estável mentalmente para poder controlar as sombras que residiam neles mesmos. Kayn fechou os olhos, tentando procurar a própria paz.
O ar ficou pesado, uma espécie de névoa sombria os envolvendo, subindo vagarosamente pelo horizonte. Eles foram consumidos, como se estivessem em um limbo, o lugar de descanso das almas. A paleta ao seu redor se tornou um espectro negativo, com cores mais vibrantes que o habitual, como se fossem fosforescentes a luz do sol. O resto, era tomado por um escuro denso e macabro.
Era como se tudo estivesse em um passo lento. A cantoria dos pássaros, o barulho das árvores, o som da água corrente. Mesmo não vendo nada disso, conseguia sentir a energia da floresta falando com ele, fluindo em seus dedos. Também não conseguia ouvir bem, era tudo abafado neste mundo, como se tampões de orelha estivessem em seus ouvidos.
Kayn, curioso, abriu os olhos para olhar para os lados. Ele podia ver a essência correndo ao seu redor, dançando no ar como fumaça. Ao olhar as árvore, via fios brilhantes de vida com uma cor mística os envolvendo, subindo por seus troncos por capilaridade e fazendo desenhos complicados com linhas finas. As pequenas plantas no chão exalavam a mesma energia de seus brotos. A grama tinha uma aparência mais convidativa que o normal, o azul púrpura brilhando por todos os lugares. Ele conseguia enxergar a alma da floresta com clareza como nunca.
Entre a névoa, viu Zed abrir os olhos, a área inteira da retina tomado por um vermelho vivo. Sentiu os próprios olhos brilharam no mesmo tom azulado que estava acostumado quando entrava em transe sombrio. Seu mestre o olhava como se estivesse o testando, vendo por dentro de seu ser, analisando seu corpo, mente e alma.
Zed conseguia enxergar o que os outros não conseguiam. Ele podia ver a maldade e a bondade do mundo com outros olhos, tomando decisões que seriam justas para meros espectadores. Seus poderes estavam além do limite, conseguindo demonstra-los naquele lugar cheio de vida. Ele estava controlando aquela visão turva e compartilhava com Kayn o que via, mostrando-o um gostinho do que o aguardava como futuro líder da Ordem das Sombras.
Ele ainda não conseguia entender o porque, só percebia que a magia estava presente naquele local de forma natural. Era tudo muito vago. A única coisa clara para ele era o quão poderosos eles se tornavam com a força das sombras. Mas sentiu que o que eles estavam prestes a enfrentar em sua jornada não seriam batalhas para qualquer um. Teriam que trabalhar juntos como nunca no que iriam enfrentar. Tutor e pupilo. Lâminas e sombras. Uma combinação perfeita.
Zed, apertando os nós nos dedos, falou com o rapaz, a voz profunda como a noite.
“Não tema o caminho obscuro, caro aluno.”
Kayn sorriu com as palavras do mestre, entendendo o que queria dizer.
“Eu não temo nada, meu mestre.”
A luz era uma muleta para os fracos. E os assassinos tomariam tudo antes que ela se acendesse.
 



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