História Lemon is The New Black - Capítulo 11


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Monsta X
Personagens I'M, Jeon Jungkook (Jungkook), Joo Heon, Jung Hoseok (J-Hope), Ki Hyun, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Won Ho
Tags Ailee, Bangtan Boys (BTS), Cadeia, Comedia, Crossover, Gangsterau, Jk!tattooed, Kookyoon, Lemon, Menção Yoonmin, Monsta X, Namkook!brotheragem, Orange Is The New Black, Prisão, Srtamatsuoka, Taeseok, Vhope, Wonkyun, Yaoi, Yoonkook, Yoonmin
Visualizações 156
Palavras 9.381
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


eu nem ia postar esse capítulo hoje porque estou MORRENDO de sono mas a nat me convenceu, então agradeçam a ela kkkkkkkkkkkkkkkk sofro

ignora os erro ae rapaziada

vcs são tope

é nóis

Capítulo 11 - But Now


Fanfic / Fanfiction Lemon is The New Black - Capítulo 11 - But Now

 

LEMON is the new BLACK

Capítulo Dez

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but now

| y o o n g i |

 

Se tinha uma coisa que os meus amigos amavam mais que ter desconto nos produtos na lojinha, era apenas uma boa fofoca, e não havia melhor lugar para isso que o salão do Minhyuk. Ninguém conseguia acreditar que eu consegui recuperar as drogas do Namjoon e voltar com vida.

— Estou impressionado, Yoongi. — Hoseok comentava, sentado na cadeira alta, enquanto Minhyuk penteava seu cabelo.

— Nunca duvidei do seu potencial, Yoon! — Minhyuk afirmou orgulhoso.

— Como você conseguiu mesmo?

Talvez eu tenha distorcido um pouquinho a história. Só talvez.

— Ora, é simples! — comecei a explicar — O muchacho se acha o espertão, mas a real é que todos sabem que não importa a superforça e sim a superinteligência. É por isso que todos preferem o Batman ao Superman.

“O papa-Shakira pode ser bem poderoso, mas ninguém é superior a Min Yoonginho, e eu descobri o esconderijo do safado, depois de uma incansável busca em seu covil. Ele até tentou vir para cima de mim, chamou os amiguitos, e eu desviei de todos e lutei que nem o filho do Will Smith naquele filme com o Jackie Chan”.

— Nossa, que incrível! — Seokjin exclamou na cadeira de espera — Você tem coragem.

— Imagina… — joguei a mão para o ar em desdém — Nem dez colombianos são o suficiente para derrubar um Yoongi. Um não, meio Yoongi. Parti para cima dele, vocês tinham que ver como o bigodão só faltou cair da cara daquele Escobar de tanto medo que ele teve. Acreditam que ele se rendeu e me entregou a droga para eu não bater mais nele? Pois é, pasmem!

Hoseok soltou um riso de deboche no meio do salão, enquanto me encarava pelo espelho, e, com a sobrancelha arqueada, perguntou-me:

— Você bateu no colombiano? Estranho que vi ele hoje e parecia intacto.

Me pegou no pulo.

— É porque eu fiquei com receio dele me acusar de agressão, aí não bati na cara. — disfarcei — E também tive pena porque ele já é feio de nascença, não quis piorar a situação.

— Você honrou o nosso bloco, Yoongi. Estou muito orgulhoso de você! — Minhyuk parecia mais meu pai que o meu próprio — Deu uma bela lição no nosso hermano.

— Muita coragem. Mas você sabe que os latinos são vingativos, certo? Não deixam nada barato. — Jin alertou-me — Tome cuidado. Não devia ter brincado com o chefão.

— Mal sabe ele que tenho a própria gangue D na palma da mão. — me gabei — Tenho até um comparsa lá.

Pareceu ter sido combinado a forma como os três abriram a boca em sincronia por estarem impressionados com aquela fanfic que inventei na cabeça na hora. Se bem que Jungkook já podia ser considerado um aliado, visto que parecia ser a única pessoa da outra gangue a ser sensato e com quem ainda era possível se ter um diálogo. Coisa que eu não tinha nem no meu próprio bloco.

— Yoongi… Yoongi… Você não tem noção de com quem está se metendo. — Hoseok balançou a cabeça em negação — Não precisava ter procurado nenhuma briga com o chefão, porra. Sua tarefa não era essa.

— Não subestime minhas habilidades, Hoseok. Yoonginho, dez. Escobar, zero.

Ao meu ver, apenas o Jung parecia não ter engolido totalmente a minha história, possivelmente nem tinha acreditado, mas não custava tentar. E, sinceramente, mesmo que eu contasse a verdade, eles jamais acreditariam.

Todos ficaram calados por um bom tempo, até que, de repente, algo inesperado aconteceu. Ouvimos um assobio vindo da porta do salão, e meu sangue gelou ao notar que se tratava de um detento do D. Eu sabia que o Minhyuk era tão gente boa que até o povo daquele bloco o respeitava e até ia em seu salão, mas não imaginava que encontraria um daqueles justo naquele momento.

O pior era que ele não parecia querer fazer o cabelo ou aparar a barba malfeita que tinha, mas olhou em minha direção, apontou e me chamou com o indicador. Apontei para mim mesmo para ter certeza de que meus olhos não estavam errados — torcendo para estarem —, e ele assentiu de cabeça, confirmando que era eu, realmente.

Engoli a seco, hesitando se deveria me aproximar ou não, e só vi rapidamente a imagem de Hoseok pondo a mão na boca para conter a vergonha alheia e do peso que carregava por ser meu amigo.

Aproximei-me do azulzinho com a pulga atrás da orelha e os dois punhos erguidos, em posição de luta, preparado para qualquer movimento suspeito que o engraçadinho fizesse.

— Você é Min Yoongi? — ele me perguntou.

— Depende. Alguns me chamam de Soberano Supremo dos Blocos de Suhang, mas na minha identidade está “Min Yoongi”. Por quê?

O cara soltou um riso irônico que por um segundo me fez pensar que ele me atacaria só para provar que eu era uma chacota e um maldito mentiroso. Outrossim, visto que esse trono ainda carregava o nome de Park Jimin, o homem simplesmente me entregou uma carta semelhante às que encontrei na mesa do colombiano. Em seguida, declarou:

El jefe mandou esse recado para ti.

Depois disso, foi embora.

Carreguei o cu na mão ouvindo-o dizer aquelas palavras em espanhol, sentindo uma certa tremedeira, o peso pela última frase de Hoseok ter feito total sentido. Eu já devia saber a grande merda na qual havia me metido e que aquilo não daria nada certo. Eu sabia que a primeira frase se referia ao “chefe”, o que me deixou bastante apreensivo.

— Eu falei, caralho! — Hoseok não perdeu a oportunidade.

— O que diz aí? — Minhyuk ficou curioso.

— Nada, gente… — coçei a nuca — O “mi casa, su casa” está tentando me intimidar porque ficou chateado, só isso.

No tempo em que perdi tentando esconder a carta e fazer a egípcia diante da situação crítica, Seokjin fora rápido como um raio, pegando o recado das minhas mãos e começou a ler em voz alta.

“Voy a matarte, puto cabrón de mierda”. — ele riu enquanto lia — Olha, foi muito bom te conhecer, Yoongi.

Nessas horas eu me arrependia de saber o básico do espanhol. Fui ameaçado de morte pelo líder da gangue rival.

— O que é um “cabrón”? — Minhyuk arqueou a sobrancelha.

— É a mesma coisa que chamar alguém de viado. — Jin respondeu.

— Estão vendo só? — cruzei os braços — Dois mil e dezenove e o cara acha que viado é ofensa. Eu disse a vocês que esse latino surtado é uma chacota.

Por fora o rei do deboche, por dentro gritando mais alto que a Ariana Grande em suas performances. Era tudo culpa do Namjoon e sua obsessão por uma maldita droga. De Lee Jooheon por ser um idiota. De Park Jimin por ter me condenado. Dos meus pais por terem me feito nascer. Do mundo por existir. Do meteoro que não destruiu logo a Terra inteira.

Já não bastava me sentir ameaçado em meu próprio bloco, agora tinha os D que me estavam contra mim. E o pior de tudo, eu não tinha com quem contar para me defender. Só tinha aqueles amigos, mas todos eram contra a violência, principalmente Minhyuk, que não machucava nem o rosto de quem fazia a barba, mesmo usando a navalha cega fornecida pela prisão.

Analisando mais aquela carta, na da imagem de uma mulher desconhecida, em desenhos estilo de carta de tarô; além de achar estranho que nos olhos dela tinham borrões vermelho-escuros para imitar sangue, havia uma sigla estranha. As letras “LF” transcritas em caracteres ocidentais.

 — Meus parabéns! — exclamou Hoseok — Agora você tem um inimigo em cada bloco das gangues.

— Acha que tenho medo dele? — pus as mãos na cintura.

Não tinha que achar não, tinha que ter certeza.

— O cara foi deportado da Colômbia, que já tem a má fama por conta dos crimes organizados… — Hoseok continuou — É um narcotraficante que passou por cima das autoridades diversas vezes, culpado de mais de um homicídio, inclusive dentro da prisão.

“Lidera uma gangue tão poderosa que consegue manter negócio fora da cadeia, mesmo estando preso, também tem parceria com alguns policiais. Com todo o respeito, meu amigo, acha mesmo que ele se intimidaria por um cara que nem está aqui por cometer um crime de verdade?”

“Yoongi, você chorou assistindo Naruto, dormiu fora da cela porque viu uma barata subindo as paredes, estava se cagando de medo só de pensar em entrar no bloco deles. Quer mesmo que a gente acredite que enfrentou o líder da Gangue D?”.

Ele me conhecia tão bem que chegava a dar raiva.

— Está bem, eu admito! — ergui o braço em redenção — Não enfrentei o colombiano, ele nem estava na cela quando invadi, e tive sorte que meu crush me ajudou. E sim, estou me cagando de medo, caralho, é a Gangue D! O que eu faço?

— Reze, meu amigo. — Seokjin tocou meu ombro — Porque você está mais que fodido, e sem direito a lubrificante.

Deve ser muito bom ser Kim Namjoon e poder viver despreocupado porque sempre podia contar com a sua gangue que o protegia. Saber que sempre teria alguém com quem contar.

 

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SALVADOR, BAHIA, BRASIL

alguns anos atrás…

| 3ª p e s s o a |

 

A época do carnaval finalmente chegara na Bahia. Época pela qual muitos esperavam para festejar, um dos maiores eventos do Brasil, se não o maior, que atraía pessoas de todo o mundo, que desejavam curtir a época em uma das regiões mais calorosas no sentido de clima e acolhimento. Da energia das pessoas que transbordava incansavelmente e contagiava qualquer um.

Mas ninguém sabia aproveitar melhor o carnaval que o próprio povo dali, dançar e pular, cantar as músicas de pagode típicas da região, consumindo inúmeras latas de cerveja, enquanto corriam atrás do trio elétrico de Igor Kannário. Sendo este um dos cantores influentes e que atraía várias pessoas. Também afastava.

Um tanto quanto polêmico, na verdade. Sempre havia alguma confusão em suas apresentações, seja por brigas entre os próprios cidadãos ou problemas que envolviam a violência da polícia. Mas Kim Namjoon não dava a mínima. Com seu litrão de Itaipava em mãos, a bermuda estampada em estilo praiano e a regata de poliéster fino com a propaganda do bloco musical em seu ombro.

Ele preferiu tirar a camiseta, deixando que sua pele brilhasse devido ao suor em seu peito e costas, vez ou outra girando a camiseta para cima quando se empolgava com alguma música. Junto com algum dos seus amigos, dançavam incansavelmente, despreocupados com tudo.

Claro que o rapaz atraía certos olhares por onde passava, não apenas pelo corpo escultural e a pele bronzeada, dos traços másculos e belos e o topete loiro úmido pelo suor; mas porque era de lei que conseguisse fisgar qualquer uma em seu caminho com um piscar de olho.

Tinha lábia, beleza e charme. E, o melhor de tudo, sem medo de nada.

De certo, beijara muitas bocas naquele dia, porém, não teve nenhuma relação além disso. Algumas mulheres ele aceitou ficar apenas para não chateá-las e porque eram bonitas. Umas vinham de outros estados, outras eram da própria cidade, e algumas ele nem se preocupou em saber da onde vinham. Mesmo assim, nenhuma a agradou, porque sua mente só pensava em uma única mulher.

Carlos àquelas alturas já o havia abandonado para papear com uma gaúcha que ele havia começado a conversar no meio do show, uma das poucas turistas ali. Todavia, voltou para Namjoon para falar algo em seu ouvido, gritando por conta da altura da música.

— Me armei, pivete! — exaltou com entusiasmo, dando leves socos no braço do amigo — cheio de moral, se liga na coisinha linda que ‘tá me esperando.

— Meus parabéns. — Namjoon soltou, ríspido, antes de dar um último gole em sua bebida.

Ih, ‘tá retado comigo, é? ‘Tá com raiva? Deixe de presepada, olha lá... — dito isso, virou o rosto do Kim para que olhasse para o lado — Sua nega ‘tá aí, papai!

O loiro teve que olhar várias vezes para ter certeza que se tratava dela, abrindo um sorriso contente de ver a figura da bela Thaíssa que estava aparentemente sozinha, comprando uma bebida com uma outra mulher que estava sentada perto de uma enorme caixa de isopor.

Ele a fitava com chamas acesas em seus olhos. O short jeans que cobria-lhe metade do rosto, a regata folgada que deixava quase totalmente à mostra a parte de cima do biquíni estampado. Os cabelos presos em um coque alto, deixando alguns cachos soltos à nuca, uma maquiagem bem produzida com toques de glitter, batom vermelho, as argolas.

O rapaz ficou um bom tempo parado apenas admirando a beleza dela, sua graciosidade, a pele negra que ficava ainda mais bonita sob a luz da lua… tudo nela era perfeito.

— Que mulherão da porra, tio! — foi a primeira coisa que ele deixou escapar.

— Tu não vai deixar a oportunidade passar sem pegar essa mina, hein, Namjão. Confio em você. Aproveita que o velhote ficou em casa…

Carlos dera alguns tapinhas nas costas de Namjoon, uma forma de “abençoá-lo” para que cumprisse logo com seu objetivo, e então saiu para dar atenção à moça que o esperava. O Kim ajeitou os óculos escuros presos no topo de sua cabeça e, após jogar fora a latinha de cerveja, tentou caminhar até Thaíssa. O que era uma tarefa meio chata por conta do grande fluxo de pessoas que atrapalhava a passagem.

A garota bebia enquanto observava a dança das pessoas ao redor, até sentir a desagradável presença de um homem desconhecido, um pouco mais velho que si, que se aproximava dela com um certo sorriso malicioso que a deixou cismada.

— O que essa coisinha linda faz aqui escondida? — ele sussurrou perto do pescoço dela.

Thaíssa logo se afastou, com certa repulsa ao sentir o bafo de álcool daquele homem claramente embriagado, e com más intenções. Ela nem tinha para onde correr.

Oxente! ‘Tá maluco? Sai daqui! — a moça torceu o nariz, por nojo.

Eita, que a gatinha é braba! Com essa brabeza toda, eu te comia até tu ficar mais mansinha…

Ela revirou os olhos e tentou sair dali, antes que algo pior acontecesse, tendo seu braço agarrado por aquele homem, que se recusou a soltá-la. Seu primeiro instinto de defesa, além de tentar se soltar, fora jogar toda a cerveja em seu copo na cara do agressor, e depois dera-lhe um forte soco no nariz, fazendo-o recuar, e ela finalmente estava livre.

— Vai se foder, sua desgraça! — reuniu todo o ódio dentro de si.

O desconhecido não ia deixar barato, considerou aquilo uma afronta muito grande. Tudo pelo fato dela ser uma mulher. Ameaçou agredi-la de alguma forma, o que fez com que a jovem corresse, e, antes que pudesse sequer sair do lugar, acabou se batendo em outro homem muito mais alto que ela. Estava bastante trêmula, até perceber que se tratava de Namjoon, que observara toda a cena e a abraçou para que se acalmasse.

— Esse sem vergonha tava mexendo com você, princesa? — perguntou-a enquanto encarava o sujeito com certo ódio no olhar.

Antes mesmo que ela respondesse, o bêbado ficou irritado com a aparição do rapaz.

— Não se mete não, japinha.

— Era pra parecer engraçado? — o Kim afastou a garota para ir de encontro àquele homem — Não achando um pingo de graça.

Num ‘tá vendo que cheguei primeiro, parceiro? Cuida da tua vida.

— É porque homem é um bicho ruim que só entende as coisas se ouvir de outro homem. não sabe que quando uma mulher não ‘tá afim, não é pra tu mexer com ela?

O cara ria a maior parte do tempo, chegando a cruzar os braços, fazendo uma cara de deboche. O clima ficara bastante tenso ali.

— É tua mina, por um acaso? — ele ironizou.

— Venha cá, e por um acaso precisa? Vaze logo, vá! Se pique logo daqui, antes que eu faça a desgraça acontecer aqui, agora!

— Eu não tô pra brincadeira aqui, não, meu meu irmão! — o outro empurrou fortemente Namjoon.

Namjoon acabou empurrando-o de volta, e, em resposta, dera um forte soco no rosto do indivíduo, que quase perdera o equilíbrio e caiu no chão. Imediatamente, outros dois caras que estavam com ele foram ver do que se tratava aquilo, e ameaçaram o Kim.

— Namjoon, vamos embora! — a garota tentou convencê-lo.

— Não se preocupe comigo, fique longe daqui.

— Não tá sabendo seu lugar, não, japa? — um dos caras provocou-o — vai apanhar muito agora. Quem manda querer defender vagabunda.

Aquilo fora suficiente para atiçar ainda mais a ira de Kim Namjoon, que imediatamente sacou o revólver antes escondido em sua roupa e encostou o cano na testa daquele mesmo homem, destravando em seguida.

— É melhor vocês não se meterem comigo e não chegarem mais perto dela! — rangeu os dentes.

Só por ele ter pego a arma e o início daquela briga, algumas pessoas entraram em pânico ao perceber no que daria aquela discussão, fazendo com que muitas fugissem. Gritavam e corriam incansavelmente, empurrando umas às outras, dera um disparo para o alto, apenas para que os caras se assustassem.

Ouviu-se o apitar das sirenes de polícia, o que o deixou alerta. Ele pegou Thaíssa pela mão e alertou-a:

— Vem comigo, vamos embora daqui!

Ela também não tinha muita opção, Namjoon era o único que podia protegê-la ali.

 

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Namjoon e Thaíssa correram para longe da confusão, e pegaram o primeiro ônibus que passou, apenas para saírem dali. Por sorte, o transporte era gratuito nos dias de carnaval, o que foi um alívio para ambos. O transporte estava quase vazio, e eles optaram pelos bancos dos fundos, onde não havia ninguém.

Mesmo estando um pouco assustada, a garota acabou rindo pelo nervoso, tentando processar o que acabara de ver. Fora um choque para si.

— Menina, tu é bem retadinha, viu. — Namjoon riu. Era uma forma dele dizer que ela foi corajosa.

— Eu queria ter batido mais nele, só que fiquei com medo dele estar armado. Vai saber.

‘Tá tudo bem, o susto já passou. Agora eu vou te deixar em casa e vai descansar e esquecer tudo isso.

A moça balançou a cabeça, negando-se, o que deixou o homem intrigado e meio confuso.

— Não quero ir agora. — ela protestou — Queria dar um rolê na praia, sei lá. É um dos poucos dias que posso sair de casa. Queria aproveitar.

No fundo, Namjoon também não queria que Thaíssa fosse embora. Cada segundo perto dela era precioso para si, e ele ainda estava tendo a oportunidade rara de estar a sós com ela, sem o pai chato da garota para interrompê-los. Ele jamais deixaria passar.

— Está bem, florzinha. A gente dá uma volta por aí, depois te levo pra casa.

A garota sorriu após ele concordar, e sua resposta fora um forte beijo na bochecha dele, que deixou-o sem reação; só restava-lhe retribuir com um alegre sorriso.

 

 

 

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Depois dali, eles foram até a praia mais próxima dali, no bairro do Rio Vermelho. As praias sempre ficavam cheias no Carnaval, mesmo tarde da noite, já que muitos acampavam ali para aproveitar o evento no outro dia e festejar. Mas os dois não ficaram perto daquelas pessoas, foram um pouco mais longe, para ter mais sossego.

Acabaram caindo na água, não tinham medo de estar ali naquele horário, pelo contrário. O mar estava lindo, a lua brilhava como nunca, e dava para ouvir a música dos trios elétricos, mesmo distantes. Era como vivenciar uma ficção romântica. Suas risadas eram o que dava mais vida àquele lugar tão lindo.

Corriam pela areia úmida, à beira do mar, deixando os pés afundarem na lama natural e macia, como duas crianças despreocupadas, pois era tudo uma brincadeira para eles. Namjoon estava logo atrás de Thaíssa e alcançou-a, agarrando-a por trás, pela cintura, fazando-a tirar os pés do chão por alguns segundos, e rir ainda mais alto.

Acabaram por cair deitados na areia, um por cima do outro. Namjoon apoiou-se nos braços para não depositar tanto peso sobre a garota, que por sua vez, o encarava com um lindo sorriso em seu rosto. Encaravam-se por alguns instantes, sem saber o que dizer, até que Thaíssa fechou os olhos lentamente, puxando o Kim pela nuca, e finalmente seus lábios se tocaram.

Sentiram a energia eletrizante passar por seus corpos enquanto o beijo acontecia. Namjoon sugava o lábio inferior da garota, dando-lhe leves mordidas, ao passo que dobrava os braços para que ficasse ainda mais perto dela. Passou a mão pelo rosto e pescoço da moça, que logo envolvera os braços pelo pescoço do rapaz, puxando-o para mais perto de si.

O beijo apaixonante durou um certo tempo, pois eles não queriam se desgrudar, como se necessitassem um do outro, desfrutando do momento, as línguas sincronizadas, as peles coladas. As pernas de Thaíssa entrelaçaram a cintura de Namjoon, e ela passara a mão pelo peitoral desnudo do rapaz. Ele tinha um corpo invejável, uma beleza exuberante, e o melhor de tudo… tinha o melhor beijo do mundo.

— Você é linda pra caralho. — o loiro comentou enquanto espalhava selares pelo corpo da moça.

Descia vagarosamente do pescoço, as clavículas, até chegar ao meio entre o par de seios medianos. Ela antes tinha vergonha das estrias que possuía nos seios, mas perto de Namjoon ela sentia-se livre, não havia com o que se preocupar. Ele achava aquelas marcas bonitas, costumava dizer que era como o reflexo dos raios de sol tatuados em sua pele.

Deixou um beijo naquela região, descendo até o abdômen da moça, agarrando-lhe as coxas fartas, ouvindo o arfar que ela soltara pelo prazer daqueles toques. Ela não era dona do corpo mais perfeito, tinha sinais e algumas cicatrizes em seu corpo, como qualquer ser humano, mas não considerava aquilo um defeito. E o próprio Namjoon a considerava perfeita do jeito que era.

Ele estava completamente apaixonado por ela.

— Você confia em mim? — o rapaz perguntou enquanto passava as costas dos dedos pelas bochechas da moça.

— Como pode perguntar isso? É claro que sim.

— Tem certeza que quer continuar?

Antes de usar as palavras para responder, Thaíssa selou mais uma vez seus lábios aos de Namjoon para enfim declarar:

— Tenho. — confirmou — Esperei por isso por muito tempo. Eu quero sentir você.

Estava claro que ele queria o mesmo, queria desfrutá-la, tocá-la. E saber que o sentimento era recíproco só o deixou mais contente.

 

 

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PENITENCIÁRIA SUHANG, SEUL, COREIA DO SUL

dias atuais…

| y o o n g i |

 

Já faziam três dias desde que invadi o Bloco D. Três dias recebendo uma ameaça a cada hora do dia. Teve uma vez que havia uma mensagem em espanhol no papel higiênico quando fui cagar, e aquilo foi meio bizarro, mas deu vontade de entregar o papel usado para aquele latino chato só de raiva.

Mas aquilo não era o problema maior, e sim porque, durante todo aquele tempo, não vi mais sinal do amor da minha vida, Jeon Jungkook. Uma sensação ruim me perseguia, um mal pressentimento vinha atormentando-me desde a última vez que nos vimos, como se algo de errado estivesse prestes a acontecer. Ou talvez tivesse realmente acontecido.

Qual seria o seu paradeiro? E se ele se encrencou por minha causa? E se o muchachito não aceitou a traição dele e o castigou, ou pior… e se ele o matou?

— Deus é mais, está repreendido! — gritei.

Fiquei um longo tempo pensando nisso, só voltando a realidade ao ouvir o chiado de um guarda que me obrigou a ficar quieto. Lá estava eu, na fila da lojinha, esperando para ser atendido por um baixinho ignorante que me desprezava só por existir, cujo nome eu nem sabia. Finalmente chegou a minha vez, e, como esperado, ele me olhou com cara de nojo, nada de novo sob o sol.

— O que você quer? — era assim que me cumprimentava.

— Primeiro, um sabonete líquido. Segundo, você é do Bloco D, por acaso conhece Jeon Jungkook?

O cara virou para pegar o meu pedido e soltou um riso debochado com a minha pergunta.

— Por que você quer saber do Jeon?

— Onde ele está? — tentei não me exaltar — Só me diga se está bem.

O detento franziu o cenho, meio confuso, encarando-me como se estudasse o meu comportamento. Eu estava desesperado e nem tentava disfarçar. Jungkook poderia ter se encrencado por minha causa, e ele não podia morrer antes de me ajudar a escolher a cor do terno que usarei no nosso casamento.

— Espera aí, eu sei quem é você… É o filho da puta que roubou a droga do chefe. E ainda tem coragem para vir com cinismo perguntar do Kookie.

Não entendi que intimidade era aquela com o meu futuro marido, mas já percebi que possivelmente os dois eram muito próximos para o cara chamá-lo por um apelido tão carinhoso. Provável que eu também fosse aderir.

— Céus, não me diga… Era só o que me faltava! Você também faz parte da gangue do colombianito?

— Por acaso você é um policial disfarçado? Está fazendo perguntas demais. — grosso como sempre, o infeliz.

— Na real, estou cagando se você é membro ou não. Só me diga se o Jungkook está bem!

Alguns presos atrás de mim já estavam reclamando pela demora e por eu estar de certa forma atrasando a fila, e pedi que eles esperassem. Um sinal de que pouco tempo me restava ali.

O atendente parecia querer me provocar por não responder nenhuma das minhas perguntas, e o pior de tudo, não teve tempo para aquilo. Quando menos imaginamos, só ouvimos os avisos nos alto-falantes:

Atenção! Todos os detentos para as suas celas! Todos para as suas celas.

— Merda! — resmunguei.

O desgraçado até então desconhecido fechou a lojinha sem cerimônias, fazendo com que os homens na fila o xingassem — e a mim. Aquele era o tipo de coisa que eu detestava mais que tudo na prisão, quando você estava de boa, fingindo que não estava prestes a morrer por ameaça, e do nada a prisão para porque algo aconteceu.

Não tardou para que os guardas começassem a nos empurrar e nos mandar de volta aos blocos, onde cada um foi mandado para a sua cela. Hoseok, como sempre, se atrasou, e teve que vir correndo antes que a polícia o pegasse. Chegou arfando, pela corrida.

— O que foi dessa vez? — perguntou-me.

— Não sei. Algum acidente, talvez, ou o Bloco Demônio aprontou de novo.

Observamos pela janelinha da porta da cela o movimento dos guardas inquietos, comunicando-se em seus rádios, e até mesmo o diretor apareceu ali. Parecia irritado, todos estavam tensos. Com certeza, algo grave.

Fui guardar o pacote de sabonete que havia comprado, porém, notei que havia algo estranho ali, um volume estranho que com certeza não era líquido. Abri o lacre do pacote e dentro havia um saquinho de plástico com um papel enrolado dentro. Estava escrito:

“Ten cuidado. Mañana puedes amanecer como un hombre muerto”. Que traduzindo ao meu idioma, ficava: “Tome cuidado. Amanhã você pode amanhecer como um homem morto”.

Aquele cara claramente não descansaria até me matar. Amassei o papel e joguei fora para não ficar ainda mais em pânico.

Passado um tempo sem notícias, nos deixaram sair. Hoseok e eu fomos de encontro a Namjoon, que terminava de falar com algum membro de sua gangue. Ele parecia calmo, todos pareciam, só estavam comentando porque muita gente não fazia ideia do que estava acontecendo.

— O que rolou por aqui? — Hoseok questionou.

 — Nada demais, não foi nada aqui. — Namjoon respondeu.

— Posso ser novato aqui, mas de uma coisa eu tenho consciência — cruzei os braços, empoderado —, nada em Suhang acontece por acaso.

Namjoon bufou e revirou os olhos, zombando da minha reação, e disse em seguida:

— Já disse que aqui não teve nada.

— Então por que lá fora está uma agonia? — pressionei-o.

— Parece que encontraram algum cara morto lá no Bloco D. Como se fosse alguma novidade. Fortinho, cabelo preto, todo tatuado... Levaram o corpo dele há poucos instantes.

Só prestei atenção nos termos “Cara morto” e “Bloco D” e já foi o suficiente para eu cair de joelhos, fazendo com que Hoseok imediatamente se abaixasse para me segurar.

Fortinho… Cabelo preto… Todo tatuado...

— Min Yoongi! O que houve? O que você tem? — ele se desesperou.

Sua voz estava cada vez mais baixa, como se algo tapasse meus ouvidos, e cada vez mais seu rosto ficava embaçado em minha visão. Até chegar o momento de que não consegui enxergar mais nada. E nem lembrava mais de nada.

 

 

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SALVADOR, BAHIA, BRASIL

alguns anos atrás…

| 3ª p e s s o a |

 

Felizmente, não era preciso estar em época de festividade para se organizar uma festa na cidade. Em um final de tarde de domingo, ouvia-se o alto som de pagode vindo da laje de uma das casas de uma favela perto dos Barris. Tudo o que Namjoon mais gostava. Um bom churrasco em pleno fim de semana, a companhia dos parceiros, e uma bela lata de cerveja.

Seu amigo Carlos aproximou-se, feliz que ele se divertia, vendo algumas garotas que dançavam quadradinho ali perto.

— E aí, pai? Vai descolar a Heineken pra nós?

— Porra de Heineken, rapaz! Breja da boa aqui é Devassa, irmão. — afirmou com convicção, erguendo a lata amarela com o desenho de uma mulher loira — Até Skol, ainda vai, mas aqui só tem raíz.

Cê ‘tá é muito animadinho esses dias, viu. Realizou o sonho, pegou a bonitona, e aí?

Pivete, foi o melhor dia da minha vida. Que mulher, meu Deus! Não sai da minha cabeça.

— E tu não chamou sua nega pra vir hoje aqui, por quê? — Carlos cutucou o braço de Namjoon.

A resposta era óbvia, aquele lugar não era para ela. Não era por conta da região em si, até porque a menina fora criada na periferia, mas por conta das pessoas ali presentes. Todas faziam parte da facção de crime organizado na qual Namjoon liderava. Todos ali haviam cometido crimes.

Ele só não sabia expressar tudo aquilo para o seu amigo, por ser difícil ter que aceitar aquela realidade, porque o vinha incomodando há tempos. E não era algo que pudesse ser deixado de lado.

— Não sei se posso continuar com isso. — o Kim desbafou.

— Não fala isso, véi. Cês acabaram de começar, todo mundo sabe que ela também gosta muito de você e está feliz por vocês.

— Porra, ela não sabe nem metade das coisas que eu já fiz, e nem é só isso. Você não faz ideia do problema que eu enfrentando, até pedi ajuda do Jorge.

Eita, rapaz! Foi o quê? — Carlos abaixou o tom de voz para que outros não ouvissem — É aquele problema com teu visto de novo?

Com muita dor no coração, Namjoon assentiu com a cabeça, tendo que engolir mais um pouco da bebida para suportar o peso de ter que falar daquele assunto. Não havia como escapar, era um problema difícil de se resolver.

— Se eu não renovar essa merda, vão me deportar pra Coreia. Porque, tecnicamente, não sou totalmente brasileiro, só naturalizado. Eu nasci lá, irmão, e eles nunca vão renovar o visto de um bandido.

— Porra, não fala isso! — Carlos pôs as mãos na cabeça em desespero — Tu nem sabe falar aquele idioma doido lá.

— Eu aprendi um pouco, mainha me ensinou umas coisas, umas palavras difíceis pra caralho. Mas não sou fluente. E onde eu vou morar, cara? É sair daqui direto pra cadeia!

— Relaxe, Namjão. Tudo vai dar certo, se o Jorginho te ajudar, vai ficar tranquilo. vai ficar aqui, não vai pra esse país aí, não. Eu não vou deixar! — Carlos tocou o ombro do amigo.

Enquanto eles conversavam, outro homem que estava na festa chegou perto, olhando para os dois lados diversas vezes, e sussurrou para que só eles pudessem ouvir:

— Aí, se liguem! Tem polícia vindo aí.

— Puta que pariu, viu! — Namjoon queixou-se, enraivecido.

Quando menos esperaram, policiais invadiram o local, fazendo o uso da violência excessiva, por mais por ali não houvesse nenhum conflito até o momento. Era só uma festa, só um encontro. Apesar das bebidas, apesar das drogas, não havia violência. Carlos fora um dos primeiros a ser pego, sendo apanhado, agredido, e obrigado a deitar-se no chão.

Levara alguns chutes no rosto e no estômago por ter tentado resistir. Namjoon não ficou parado, tentou fazer algo para intervir. Foi até um dos policiais e tentou dialogar.

 — Qual foi, seu polícia? Não tem necessidade disso, não. Aqui é todo mundo de maior, todo mundo trabalhador, gente de bem… Ninguém tava fazendo nada demais. — ele tentou convencê-los.

Apesar de distorcer algumas verdades, era o único argumento que passou pela sua mente. De toda forma, não estavam atacando outros, e por isso era inexplicável a atitude da polícia.

— Me empresta seus documentos, por favor? — o policial pediu.

Namjoon ficara petrificado no instante em que o policial dissera aquilo. Seu único documento aceitável no momento era o passaporte com o visto vencido, e assim que vissem que ele não tinha renovado, o levariam diretamente à delegacia. Então, estaria encrencado.

— Que isso, chefia? ‘Tá desconfiado? — disfarçou — Jorginho já me conhece, pode falar com ele.

— Mostre logo os documentos, bora! Não tenho o dia todo.

— Porra, mano, é que eu sou gringo… Aí ‘tá tudo preso na alfândega. — mentiu, em partes.

— Então, vamos até a delegacia,

— Não pode me levar assim!

O policial não gostou nem um pouco da atitude de Namjoon, e o pior de tudo foi Carlos tentar intervir para ajudá-lo, tentando puxá-lo quando o policial o empurrava. Foi quando o policial Jorge apareceu, aquele que poucos sabiam que era corrupto, mas que aos olhos de muitos era um exemplo a ser seguido. Mas Namjoon sabia de todos os seus podres.

— Deixa o pivete em paz! — Carlos defendeu o amigo — Ele é maior de idade já, tem mais de vinte e três.

— Fica na tua aí, negão. — o policial Jorge o cortou.

— Ôpa, ôpa! Que intimidade é essa, seu sargento? O senhor ‘tá em terra de preto mas não é pra usar isso de ofensa, não!

Jorge perdera a paciência, a ponto de apontar a arma para Carlos e ameaçá-lo, pressionando o cano da pistola na testa deste.

— Essa gentinha ruim vai lá pro xilindró. Lugar de bandido é na cadeia, assim como o seu, desgraçado!

Namjoon viu quando o policial carregou a arma, como demonstrava só no olhar a raiva que tinha daquela gente. Apesar dele ser corrupto, mesmo que fosse muito mais sujo do que aquelas pessoas que ele julgava, apenas por ter um certo status, achava-se no direito de sentir-se superior.

Ele agrediu o pobre Carlos, deixou que outras pessoas ali também fossem levadas à força, mesmo sem muita resistência, e viu que estava prestes a tirar a vida de seu amigo para que depois pudesse alegar ter sido legítima defesa. Mas ele não suportava mais aquilo. Estava farto da brutalidade da polícia, e de tanta ignorância. Sem pensar duas vezes, puxou a arma que estava escondida em seu quadril e disparou contra o policial. Acertou a cabeça.

 

 

———— ✦✦✦ ————

 

PENITENCIÁRIA SUHANG, SEUL, COREIA DO SUL

dias atuais…

| y o o n g i |

 

Minha cabeça doía como o inferno. Sentia um forte cheiro de água sanitária, álcool e um desinfetante barato que eu não sabia dizer ao certo de que cheiro se tratava, mas deixou-me meio enjoado. Estava com a visão meio turva, e aos poucos ia voltando ao normal. Nem foi preciso recuperar totalmente a consciência para notar que eu estava em uma cama na enfermaria, tomando soro nas veias, e com duas pessoas ao meu lado.

Uma delas eu sabia que era o Hoseok, até pela voz, que fora o primeiro a se manifestar ao me ver acordando:

—  Graças a Deus, ele está bem! — ele declarou após suspirar em me ver dando sinais de vida.

Do outro lado, de braços cruzados, sentado em uma cadeira perto da maca, estava Kim Namjoon, que não demonstrava muita reação.

— O que foi isso, Min Yoongi? Parece até que viu um fantasma! Desmaiou do nada. — ele estranhou.

Foi um choque muito grande para o meu coração aguentar, imaginar que Jungkook era o cara que tanto falaram, e que fora um castigo por ter ajudado. O colombiano não parecia ser do tipo que deixava algo assim passar batido, pelo contrário, ao meu ver, era o ser mais rancoroso do universo. Se me ameaçou por tê-lo roubado, imagina só o que faria com o próprio aliado que resolveu me ajudar.

O próprio colega de cela, membro de sua gangue.

Pobre Jungkook. Tão bonito e não tive tempo nem de comprovar se beijava bem mesmo ou era só a cara de boy padrãozinho de fanfic que dava-lhe aquele ar de beijoqueiro profissional. O que seria de mim agora?

Depois de toda a vida que planejei com ele para o futuro. De nós dois de férias em Marrocos, ao lado de nossos catarrentos adotivos, Enzo e Valentina, e dos nossos bichinhos de estimação, Belinha e Xaninha.

— Eu não acredito que fizeram isso com o Jeon… — minha voz chegava a falhar, e eu queria gritar de ódio, de tristeza — E nem tive a chance de dizer que ele tinha olhos bonitos e uma voz maravilhosa.

— Você só pode estar delirando. — Namjoon bufou — Por que está falando daquele desgraçado?

— Namjoon, por favor, respeito! Respeite o meu ex-futuro-marido, respeite o meu luto!

— Ele pirou de vez. — Hoseok sussurrou para o Kim, achando que eu não escutaria, mas o ignorei.

Cobri o rosto com as duas mãos, já deixando as primeiras lágrimas de desespero caírem, sentindo o peso por aquele incidente. Eu não devia ter pedido ajuda, mas fora um momento de desespero. Espero que o Michael ao menos cuide dele lá no Piauí.

— Isso é tudo culpa sua e dessa rivalidade de merda com aquele hermanito dos infernos, Kim Namjoon! — me exaltei mesmo.

 — Moleque, tu andou fumando? Não está dizendo nada com nada!

— Será que sua consciência não pesa? Como pode ser tão sangue frio a esse ponto?

— A cadeia realmente está mexendo com você, Yoon. — foi a vez de Hoseok se intrometer — Por que não aproveita que está aqui e descansa um pouco?

Porque eu só descansaria quando soubesse que finalmente o capitalismo estava extinto e também quando Kim Namjoon pagasse pelo que fez. Jungkook não merecia um fim tão trágico por causa de um babaca que não sabia perder.

Minha voz estava preparadíssima para soltar umas boas verdades na cara daquele brasileiro metido, porém, ele foi salvo pelo gongo quando Seokjin adentrou a enfermaria, com um olhar preocupado.

— Ei, Min, como você está? — perguntou-me.

— De mal a pior, cansado, acabado, morto por dentro, destruído, estraçalhado, desnutrido, destroçado. Só decaindo, indo ladeira abaixo.

— E não estamos todos, meu amigo? — ele respirou fundo para refletir junto comigo — É isso o que o capitalismo faz conosco. E o governo não faz nada.

Por isso eu amava Seokjin, não importava o que eu estivesse passando, ele sempre entendia e concordava comigo. Se o mundo tivesse mais pessoas como ele, seria um lugar muito mais harmonioso.

— Mas não é só por isso que eu vim… — Jin continuou — Mandaram te chamar para a sala de visitas. Sua mãe está aqui. Se quiser, posso falar com o diretor para deixar ela vir aqui na enfermaria.

— Não precisa. Chamem o doutor, já me sinto um pouco melhor.

— Tem certeza? — Hoseok tentou impedir-me — Você não parece muito bem.

— Hoseok, se eu for esperar o dia em que estarei bem e disposto, vou morrer esperando. É agora ou nunca. — o respondi.

 

 

———— ✦✦✦ ————

 

Diferente das outras vezes, meus pais vieram me visitar sem o advogado presente, eles deviam estar com muitas saudades. Os dias de visitas demoravam muito mais aqui que na Segurança Mínima. Assim que me viu pelos corredores, minha mãe logo se levantou para me receber.

Tentei forçar um sorriso para parecer que estava bem, indo recebê-la, mas minha mãe não parecia nada contente em me ver. Na verdade, parecia furiosa. A primeira coisa que fez, ao invés de me cumprimentar, fora arrancar um dos sapatos e correr em minha direção.

Ela começou a me bater descontroladamente, e mesmo com meu pai tentando segurá-la, e alguns policiais tentando afastá-la, a mulher continuava a me agredir com seu sapato.

— Você é um descarado! Sem vergonha! Malcriado! — ela dizia — Não tem um dia que você não apronte, que não me deixe sossegada! Todo dia uma decepção nova! E ainda por cima quase não nos telefona! Acha isso bonito, Min Yoongi?

— Mãe, por favor, me dê um pouco de respeito, estou de luto! E sim, eu aprontei, mas não porque eu quis, e sim porque esse sistema me obriga! — desabei — Tem um cara no meu bloco que me odeia e quando pode me agride, tem o líder da gangue dele que me fez de mula de drogas. E para completar a lista, tem um latino psicopata querendo me matar!

— Pois acho bom que ele te mate, porque se não, quem vai matar sou eu! Seu pai vai ter o desgosto de ter uma família inteiramente de criminosos, o que acha disso?

— Mãezinha, respeito! Acabei de ficar viúvo, será que a senhora podia me respeitar nesse momento e me xingar depois?

Nem minha mãe me aguentava mais, o mundo estava perdido. Se nem ela respeitava a minha dor, nem tinha o que falar do resto. Minha única preocupação era que Jungkook não estivesse rindo da minha cara naquele exato momento, lá do além.

— Mamãe Min, hoje é um dia triste para todos nós, e não é só porque a senhora me tem como filho. — expliquei-a — Hoje o universo chora, porque perdeu o segundo homem mais gostoso que já pisou nessa Terra. Depois de mim, é claro.

— Yoongi, por que você é assim? Eu só fiz uma exigência para você nessa vida: não faça merda. Mas é uma missão impossível para você.

— A verdade é que tem dias que eu não me reconheço, sabe? Que eu só queria ficar na minha cama o dia todo, sem sair, para evitar me meter em confusão, mas nem em meus sonhos eu tenho paz. Se a senhora soubesse o inferno que é viver em Suhang. Eu vou surtar, mamãe. Eu vou surtar!

Foi aí que ela me deu o tapa mais forte que já levei em toda a minha vida, que ardeu na alma. Depois, discursou:

— Se recomponha, viado! Olhe para mim! — ela ordenou e eu fui obrigado a obedecer — Você tem que se cuidar, não pode deixar que te façam de besta, até porque isso você já faz sozinho. Mas saiba o seu lugar e não deixe que passem por cima de você. Você exala o fracasso por onde passa.

— Me fala uma coisa que eu não sei. — cruzei os braços.

— Sinceramente, vindo de você, não espero mais nada.

— Também te amo, mãezinha querida.

 

———— ✦✦✦ ————

 

SALVADOR, BAHIA, BRASIL

alguns anos atrás…

| 3ª p e s s o a |

 

As algemas tilintavam a cada passo dado, assim como as vozes que imploravam incansavelmente por piedade, e outras de cantorias repentinas de quem já estava acostumado em suas condições. Um corredor estreito e úmido, com quase nenhuma iluminação, contando apenas com a luz do sol vinda da porta dos fundos.

Namjoon fora levado para a prisão após ter sido pego em flagrante. Agrediu policiais, mentiu sobre o visto e o passaporte, e, o pior de tudo, matou um policial. Sabia que era inútil resistir enquanto era levado pelos guardas que nem sequer olhavam-no diretamente.

As condições do lugar eram precárias. Grades enferrujadas, paredes rachadas, a falta de ventilação adequada. As celas eram minúsculas, entretanto, enquanto houvesse o mínimo de espaço, uma pessoa seria trancafiada. Roupas e sapatos eram pendurados nas grades, detentos ficavam grudados ali o tempo todo, com os braços para fora, devido a superlotação.

Faltava cama e chão para dormir, e não faziam distinção de crimes. Do homem que furtara um lata de leite até o que roubara à mão armada, ambos dividiam o mesmo espaço, porque aos olhos da justiça, eram iguais. Eram criminosos.

A maioria ali não usava camisa, e via-se os corpos suados, pelo calor incondicional, tentando receber um mínimo de vento vindo de minúsculas janelas. Namjoon foi jogado em meio àqueles homens, quase sem espaço para sequer ficar em pé. Passara dias detido.

Houveram dias em que a água faltou, que a comida demorou de sair — vindo apenas uma pouca quantia que não o sustentava. E era daquele jeito, suportar e tentar manter-se vivo e não enlouquecer. Vez ou outra sendo obrigado a assistir palestras que mais pareciam broncas que discursos de autoajuda.

Ninguém trabalhava, ninguém tinha direito a ler. Era apenas violência em um local quase privado, mau cheiro, contrabando, corrupção. Uma situação crítica.

Um certo dia, vira uma guarda aproximar-se de sua cela, com uma prancheta em mãos, e ela perguntou para que todos pudessem ouvir:

— Quem é Kim Namjoon?

O rapaz logo se apresentou ao ouvir o seu nome.

— Sou eu. Por quê? — questionou, desconfiado.

— Tem visita pra você.

A mulher destrancou a cela, e logo atrás, mais dois agentes estavam com cacetetes e as pistolas preparadas para conter qualquer um que ousasse escapar. Namjoon suspirou profundamente enquanto era levado para a sala de visitação, de modo que, ao notar de quem se tratava, apertou os olhos e respirou o fundo.

Não esperava ver o rosto de Thaíssa tão cedo. Por mais que nutrisse profundos sentimentos por ela, sabia que não existia futuro entre eles. Não quando fora acusado de homicídio e estava prestes a ser deportado, e ela, pobre coitada, não poderia estar metida com encrenca.

Ele jamais se perdoaria caso algo acontecesse a ela.

— O que está fazendo aqui? — o Kim fora propositalmente ríspido ao encontrá-la.

— Por que está agindo assim? Claro que vim te ver.

— Garota… ainda não desistiu? — ele nem quis se dar o trabalho de se sentar.

A garota estranhou que Namjoon tivesse tão nervoso, e não parecia nada contente em vê-la. Mal sabia que o rapaz estava protegendo-a dele mesmo.

— Senti sua falta. — ela admitiu — Soube de tudo o que aconteceu, e…

— E? — o homem interrompeu-a — Não é assunto seu, nem devia aqui. A gente não é namorado, nem nada.

Era óbvio que o rapaz não estava feliz por tratá-la daquele jeito, outrossim, sabia que tentar conversar com ela não seria o suficiente, pois esta sempre iria atrás dele, coisa que comprovara várias vezes. Para ele fora o cúmulo que a moça fosse vê-lo, mesmo sabendo da acusação de homicídio, além de ser líder de uma quadrilha. No que Thaíssa estava pensando ao se envolver com aquilo.

Cê ‘tá falando sério? — foi a vez dela soltar um riso em desdém — Depois de tudo o que a gente passou.

— Olha, gatinha, a gente teve uns momentos bons e tudo mais, só que não rola, sacou? Tu é muito novinha, uma criança ainda, e corre atrás do primeiro cara que te aparece. Toma vergonha!

A garota preferiu não acreditar nas duras palavras. Simplesmente não conseguia suportar a dor e peso que aquilo causava-lhe, por acreditar que tudo era recíproco, e agora já não tinha mais certeza. Jamais imaginara que Kim Namjoon fosse capaz de partir o seu coração daquela maneira. Mal sabia ela… o coração dele doía muito mais.

— Depois de tudo, como você tem coragem, Namjoon?

— Eu sou criminoso. Sou bandido. Não sou seu herói, não sou personagem de uma história de amor. É a vida real, olhe ao redor. Estou preso e nenhum milagre vai me tirar daqui. Tem tanto homem nesse mundo pra você, pelo amor de Deus, me esquece!

— Então me olhe direito! — ela exclamou — E me diga que nunca sentiu nada por mim.

A surpresa de Thaíssa foi quando ele a encarou sem medo, com a expressão mais limpa do mundo, sem nenhum remorso, como se nada sério estivesse acontecendo. E, sem enrolações ou qualquer outra coisa, o rapaz confessou:

— Eu só queria dar uns beijos e só e você é bem bonitinha, mas acabou confundindo as coisas. Isso aqui não é novela pra tu achar que eu vou me comover fácil. Toma juízo, menina! Vai estudar, procurar uma boa faculdade, arruma alguém bom pra você. Para de correr atrás de bandido.

Aquelas foram suas últimas palavras, as últimas que dirigiu para o amor da sua vida. Palavras cruéis que em breve renderia para si muito arrependimento, mas ele a amava a ponto de deixá-la sair de sua vida, para benefício dos dois. Quando ela estava distraída, aproveitou para olhar para trás uma última vez, sentindo em seu peito uma forte facada ao ver que a moça chorava. Chorava por ele, chorava pela desilusão.

Mas o que ele podia fazer? A vida era assim. Nos obrigava a ser fortes, a suportar grandes tempestades e aguardar até que o nascer do sol, que pouco a pouco iluminava o céu, e os estragos logo desapareceriam.

Namjoon despediu-se do seu amor daquela maneira, mas ainda tinha problemas maiores a resolver. Dois meses se passaram desde então, e ele ouvia coisas que o machucavam profundamente. Porque logo chegou o dia da deportação, ele seria mandado para a Coreia, para longe de Salvador, longe da cidade que carregou sua história. Onde aprendeu a ser quem era, um sobrevivente, que ainda lutava para sobreviver.

— Do que cê ‘tá reclamando, hein? — um dos presos perguntava — ‘Tá indo pra país de primeiro mundo.

— Vai ter caminha, comidinha boa, quem sabe tem um banheiro privado só pra você.

‘Tá achando ruim, me bota no seu lugar, então.

Nego vai viajar de avião de graça e ainda reclama. Me poupe, viu!

Era o tipo de coisa que ele escutava todos os dias. Será que aquelas pessoas não entendiam do que era mais importante? Do que importava a água limpa, dos lençóis e as condições melhores? Independente de onde estivesse, Kim Namjoon estava preso.

Do que adiantava ter o que eles não tinham, se todos ainda tinham interesses em comum? Queriam a sua liberdade.

 

 

———— ✦✦✦ ————

 

PENITENCIÁRIA SUHANG, SEUL, COREIA DO SUL

dias atuais…

| y o o n g i |

 

Depois da visita, pedi para voltar à minha cela, já me sentindo um pouco melhor, porque o fato de estar o tempo todo em uma maca me incomodava. Ao menos Hoseok sempre me fazia companhia quando não estava sumido. Ele sempre dava um jeito de sumir, sem que ninguém soubesse onde ele estava. Talvez estivesse no Bloco B, como sempre, outrossim, às vezes nem Seokjin o via por lá com tanta frequência.

Ele certamente aprontava algo que eu não sabia, porém, no momento haviam problemas muito mais importantes para mim que me preocupar com o que ele fazia da vida.

Conversávamos sobre assuntos aleatórios e da nossa vida lamentável na prisão, até ouvirmos um pigarrear vindo de um guarda na entrada da nossa cela.

— Detento Min! — chamou-me.

— Sim?

Sem dizer nada, ele simplesmente jogou em minha direção um pacote de plástico com um uniforme verde-limão, o que me fez, além de estranhar, engolir a seco, com medo do que se tratava.

— Vista-se e arrume suas coisas. — ordenou — Seu pedido de transferência foi aprovado. O diretor quer que você se mude agora mesmo.

Hoseok e eu nos entreolhamos em uma admirável sincronia, meio boquiabertos. Ao mesmo tempo que eu estava surpreso e confuso, queria gritar e pular de felicidade por dentro. Não podia acreditar que Yoo Kihyun, pela primeira vez em sua vida, fizera algo útil.

— Filho da puta sortudo! — Hoseok me dera um soco no braço — Isso não é para qualquer um.

Apesar da inveja nítida, estava claro que ele estava feliz por mim, e nem pude conter a alegria que me consumia por dentro. Me sentia livre. Nada de Namjoon, Jooheon ou espanhóis psicopatas para me torturar. Agora seria eu, meu amigo Seokjin, comida de qualidade e duchas privadas.

Arrumei minhas poucas coisas… Cuecas, toalhas, kits de higiene e alguns livros, e despedi-me de Hoseok com um forte abraço antes de sair dali com tudo em mãos. Alguns caras da gangue do Namjoon, incluindo o problemático Jooheon viram o momento em que eu saía, com meu uniforme verde novinho, preparado para a mudança.

Senti um arrepio grande e algumas palpitações de ansiedade por estar caminhando pelos corredores, sentindo-me livre. Passamos finalmente na entrada do Bloco B, onde dois carinhas que vieram junto comigo entraram em fileira ordenada; entretanto, quando fui entrar como último da fila, o guarda logo pôs o braço na frente da entrada e me impediu.

— O que pensa que está fazendo? — ele arqueou a sobrancelha.

— Não estou entendendo.

— Seu novo bloco não é aqui. Continue andando.

Era possível sentir minha pulsação descontrolada em diversas áreas do meu corpo, como se meu coração fosse uma bomba prestes a explodir. Por um segundo, perguntei-me como não tive um ataque cardíaco naquele momento, desacreditado por ter deixado a ficha cair tão rápido.

Aquele desgraçado. Aquele imbecil. Ele quer se vingar de mim. Maldito Kihyun!

— Anda! — o guarda insistiu, empurrando-me.

— Quero falar com o diretor.

— Depois que se acomodar em sua nova cela.

— O senhor não está entendendo! — me desesperei — Eu não posso ir para o Bloco D! Não posso!

Sem nenhuma paciência, o policial me agarrou pelo braço, e ele era muito mais forte do que eu. Gritei pelos corredores, tentei resistir, mas ele praticamente me arrastou até a entrada do bloco. Eu quis chorar, entrei em pânico total, apertando fortemente os olhos quando as grades da entrada deslizaram automaticamente.

Tremia como nunca, e ao mesmo tempo tão paralisado que mal conseguia dar um passo sequer.

Talvez muitos já tenham ouvido a expressão “ver a morte passar diante dos seus olhos”, pois era mais ou menos a sensação que tive ao passar ali. Alguns já conheciam meu rosto, outros tentavam me intimidar com olhares suspeitosos e até mesmo risadas. Passavam por mim e analisavam-me como se eu fosse um maldito cervo na cova de leões famintos.

Só podia ser um pesadelo. Não acredito que estou aqui. Eu estou no Bloco D. Agora eu sou daqui.

E as piadinhas logo começaram, despertando-me do transe traumático com as primeiras frases direcionadas a mim:

— Olha só o que temos aqui! Um verde!

— Essa gracinha branca veio direto do Bloco C!

Uns soltavam beijo, assobios, pressionavam a língua contra a bochecha e moviam o punho fechado perto da outra, simulando um boquete. E eu só conseguia olhar o grupinho que estava em pé, ao redor de uma mesa, enquanto outros estavam sentados nos bancos.

Homens altos e fortes, que olhavam feio para qualquer um que passasse por perto. Com certeza era a tão temível Gangue D, não restavam dúvidas. Não consegui reparar bem em alguns rostos no meio, só tive a vaga visão de um homem tatuado que tinha um pirulito na boca, que se eu não tivesse olhado mais claramente, diria que era um cigarro.

Um dos gangsters fez um sinal para ele, direcionando a cabeça em minha direção, de modo que o grupo afastou-se, e aquele homem passou pelo meio daqueles detentos, passando para frente. Estava andando em minha direção, acompanhado de mais três homens.

Naquele instante, só tive mais certeza de que nada daquilo era real, não era possível. Era ele, ele estava vivo. Jeon Jungkook estava vivo!

— Jeon! — exclamei — Graças a Deus, você está bem!

Ele ficou surpreso ao me ver ali, principalmente com aquele uniforme, e não conteve a risada.

— Ora, ora, mas quem diria… Min Yoongi, direto do Bloco C, até a ala D. Que coincidência, não? — o desgraçado começou a me zoar.

— Kihyun quis se vingar de mim. Sabe o que eu acho também, Jungkook? Ele deve estar de complô com o seu chefe colombiano para me matar! Eles querem se vingar de mim.

O Jeon olhou para um dos seus colegas por um momento, e os dois colocaram a mão na boca, quase cuspindo ao rir do palhaço aqui — mais uma vez —, até olhar para mim novamente. Ele tirou o pirulito da boca e balançou a cabeça em negação.

— Porra, Yoongi, eu achava que era uma brincadeira sua e uma forma de flertar comigo, mas agora percebo que você é burro mesmo.

— O que você quer dizer com isso? — fiquei assustado.

Jungkook posicionou-se ao meu lado, deixando-me de frente aos outros membros da gangue, envolvendo um dos braços até que pousasse em meu ombro, e começou a rir mais ainda. Ele logo continuou a dizer:

— Será que ainda não percebeu, mi corazón? Não existe meu chefe. Yo soy El Colombiano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


parabéns silvinha vc merece o selo xeroque holmes do ano

n sei o que eu digo aqui tô com sono

murro em mim

tchau


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