História Lemon is The New Black - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Monsta X
Personagens I'M, Jeon Jungkook (Jungkook), Joo Heon, Jung Hoseok (J-Hope), Ki Hyun, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Won Ho
Tags Ailee, Bangtan Boys (BTS), Cadeia, Crossover, Gangsterau, Jk!tattooed, Kookyoon, Lemon, Menção Yoonmin, Monsta X, Namkook!brotheragem, Orange Is The New Black, Prisão, Srtamatsuoka, Taeseok, Vhope, Wonkyun, Yaoi, Yoonkook, Yoonmin
Visualizações 70
Palavras 4.880
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - You've Got Time


 

 

A primeira coisa que fiz ao ir embora dali, fora procurar o banheiro para quem sabe um bom banho quente me fizesse esquecer a tristeza que era viver. Tinha fila para entrar ali, e um guarda controlava a entrada e saída do local, até que chegou a minha vez. 

Tive que pôr a mão no nariz pelo fedor de bosta e sabonete barato, e o pior de tudo nem era o cheiro nojento, e sim os homens pelados que estavam ali e a quantidade de sacos peludos que pareciam ser ovos do King Kong. Mesmo já tendo visto muito pornô, nunca vi tantas bundas ao vivo em toda a minha vida. 

O banheiro estava cheio de homens jovens, de meia idade, e velhos, e eu, perdido, sem saber o que fazer. Outrossim, depois de ter passado a humilhação de expor o cu às autoridades, um bando de prisioneiros vendo meu pinto não significava nada. 

Era melhor pensar assim.

De olhos fechados, respirei fundo e tirei as minhas roupas, dobrando-as ordenadamente e pondo em um banco de madeira, junto com o kit de higiene. Peguei o sabonete dentro da bolsa transparente de silicone e pus a toalha nos ombros, foi aí que comecei a ouvir alguns assobios depravados perto de mim. 

Para piorar, alguém ainda passou por mim e bateu na minha bunda, mas passou tão rápido que não pude ver de quem se tratava. Olhei para o guarda parado à porta que parecia avoado, e acabei nem me dando o trabalho de fazer uma reclamação.

Com certeza ele nem se importaria, e eu francamente queria poupar-me de irritações e respostas desnecessárias. O último pingo de dignidade que me restava deveria ser preservado.

— Eita, corpinho delícia! — alguém soltou para mim.

Calma, Yoonginho, quem tentar abusar de você vai ter o pinto cortado sem anestesia e perderá os dentes de tanto soco. Lembre-se que mulheres passam por coisa pior todos os dias.

Sendo obrigado a ignorar o que acontecia, tomei o meu banho tranquilamente, fingindo que estava tudo bem e que pelo menos cinco pessoas se ofereceram para chupar o meu pau até não sentirem mais a garganta. Um eu relevei porque estava tão chapado que pensou ter ido à cozinha, mas então me dei conta de que foi uma cantada quando ele disse que queria me comer. Ou seja, nada de paz para mim. 

Assim que desliguei o chuveiro, enrolei-me na toalha branca e vesti-me o mais rápido possível, porém, sem o casaco, descansando na ponta do banco pelo mínimo que fosse.

— Esfriou mais a cabeça? — Uma voz conhecida pronunciou-se.

Kim Taehyung.

— Sinceramente, nem sei o que dizer. Minha bunda já está vermelha porque umas quinhentas pessoas bateram nela descaradamente.

O rapaz riu e sentou-se ao meu lado. Ele tinha uma toalha amarrada na cintura, mas não parecia se importar em estar daquele jeito, nem mesmo tinha tanta atenção quanto eu estava tendo antes.

— Eles não aguentam ver um rostinho novo que ficam assim, depois passa. — Deu-me um tapinha nas costas.

— Você é muito bonito e mesmo assim não ficam soltando cantada a cada dois minutos para você. Apesar de nada justificar assédio, eu não entendo porque perseguem apenas a mim.

— Não me importo com as cantadas, até me atrevo a soltar umas mais pesadas. — Riu — Mas, vem cá, você não é hetero não, é?

— Viado banhado nas águas do vale desde que nasci. Mas isso não significa que queira ser assediado desse jeito!

— Menos mau, em partes, porque se você fosse desses heteros revoltadinhos, eu não teria paciência. Infelizmente, aqui todo mundo faz o que quer, então... É melhor deixar para lá, porque aquele diretorzinho é uma mosca-morta e não vai resolver nada.

Aquilo eu já tinha percebido, sem querer ofender, já ofendendo. Não dizia isso nem por ele ter um rosto fofo, pois as aparências enganavam, mas sim porque ele agia como um garotinho mimado que descontava sua amargura em outros e não tomava medidas para implantar o respeito.

Parecia eu.

— Se mexerem com você de novo e o caso ficar sério, pode falar comigo que posso resolver para você.

— Obrigado, Taehyung. Você parece ser a única pessoa legal e sensata aqui.

— Que isso, cara. Tem muita gente boa de conversa aqui, é só parar para conhecer. — Ele sorriu gentilmente, de modo que seus olhos se fecharam com o ato — Pode ficar tranquilo.

Gostaria de ficar aliviado, porém, eu tinha problemas muito maiores que aqueles para me preocupar, como o fato de ser um absurdo não me permitirem fazer as ligações.

— Quer dizer então que você é do vale? — Tentei dar continuidade à conversa.

— Totalmente LGBT. Lindo, Gostoso, Bonito, Taehyung.

— É sério isso? — Arqueei a sobrancelha.

— E eu tenho cara de hetero, por acaso?

Para falar a verdade, eu tinha as minhas dúvidas, afinal, quem sou eu para adivinhar alguma coisa? O meu gaydar deu um pane quando o vi, mas então disparou quando notei certas atitudes por parte do Kim.

— Pelo amor de Deus, Min Yoongi! — Revoltou-se — Não estou encontrando razão para viver, acha que eu perderia meu tempo procurando clitóris? O bom de gostar de pau é que você só precisa meter a boca e fica todo mundo feliz e contente. Porque homem é o verdadeiro sexo frágil, principalmente quando se trata do pinto.

Ao que notei, não era muito difícil encontrar os manos do vale por aqui. Disseram-me que aquele era o lugar onde alguns heteros conseguiam sair do armário mesmo sem precisar de bebida. Ainda por cima, encontrei um cara ainda mais viado que eu.

Um problema a menos. Mas ainda faltavam questões a serem resolvidas.

— Taehyung, você por um acaso teria um passe telefônico para me emprestar? — cocei a nuca enquanto o pedia.

— Olha, eles registram os cartões de todo mundo aqui, mas eu posso conseguir um baratinho para você e nem precisa pagar na hora.

— Mas isso não é ilegal? Quer dizer, e se der algum problema?

O Kim soltou um forte riso, agindo como se eu fosse o maior palhaço de Seul, o que não seria uma mentira.

— Não é droga e nem celular roubado, não se preocupe. São cartões oficiais daqui. — Contou-me.

Roubados, imagino.

— Sabe... — Começou a sussurrar — Soube de um cara que nunca mais deu notícias à família, porque não conseguiu comprar o cartão.

— Meu Deus! Devia ser um direito da justiça, mas estão querendo me roubar trinta e cinco rins para fazer uma simples ligação. Não tenho nem como pedir dinheiro para os meus pais. 

— Vai querer que eu consiga, ou não? Posso te cobrar apenas cinto contos e você pode me pagar depois que receber o dinheiro.

— Que escolha eu tenho? Está bem. — Me rendi. 

Naquele instante, Taehyung se levantou como se não houvesse nada acontecendo e foi de encontro a um homem que estava parado ao lado das cabines dos vasos sanitários e sussurrou algo para ele. Depois disso, se viraram e não pude ver o que faziam, mas o Kim voltou um minuto depois normalmente. 

Levantei-me para falar com ele com um sorriso ladino. 

— Olha no bolso. — murmurou.

Incrédulo, pus a mão dentro do bolso da calça lentamente, e então percebi que, de fato, havia um cartão ali dentro, o que me fez arregalar os olhos de surpresa com a agilidade na qual o Kim colocara o objeto ali. Como era possível? Parecia ter sido colocado como um passe de mágica. 

— Como fez isso? 

— Com o tempo aqui, você irá aprender. — Respondeu.

 

———— ✦✦✦ ————

 

Não pude acreditar que meus problemas acabaram. Eu tinha, enfim, o maldito cartão, e o capitalismo estava chorando em posição fetal naquele exato momento. 

Para quase tudo na prisão havia fila, uma forma básica de tentar manter a ordem no local, e com o telefone não era diferente. Eram cerca de três telefones enfileirados na parede, ao final de um corredor, em um pequeno espaço protegido por grades e, como quase toda parte de Suhang, cercado por grades altas com largas barras de ferro. 

Um guarda checou o meu cartão ao chegar a minha vez na fila, o que de início fez subir a adrenalina em meu sangue, imaginando o que aconteceria caso fosse pego. Entretanto, tudo ocorreu bem quando ele me devolveu em poucos instantes e indicou o telefone que acabara de desocupar.

— Você tem cinco minutos. — Avisou-me. 

Cinco minutos seria só a minha mãe falando bom dia, mas se Deus quisesse, ela já teria tomado umas quinze xícaras de chá de maracujá e estaria calminha para ouvir o que eu tinha para falar. 

Introduzi o cartão na entrada abaixo dos números esculpidos em botões de metal para depois discar o telefone fixo da minha mãe, e logo ouvi um toque um pouco mais longo que os outros, seguido de uma respiração que indicava que ela havia atendido.

— Mãezinha... — Tentei não gaguejar. 

— Você só me dá desgosto, seu filho da puta! — Espumou ao telefone — Eu sabia que tinha errado com você desde que preferiu Rihanna a Beyoncé. 

— A vida é assim. A senhora nunca irá superar isso, não é?

O tempo era curto demais para que perdêssemos tempo discutindo a mesma coisa de sempre, apesar de que no final nós dois acabávamos por assistir juntos às performances da Lady Gaga. 

— Escute, mamãe, vamos esquecer as nossas diferenças por um momento, por favor? A senhora precisa saber que eu não fiz nada disso do qual me acusam. 

— Nós sabemos, Yoongi. 

Foi mais fácil do que pensei, mesmo assim, ela estava me desprezando.

— Como assim, você e o papai já sabiam? — Interroguei-os.

— Filho, você não acerta nem vender roupa usada no AliExpress, vai acertar vender drogas para alguém? Você chegando em uma boca de fumo, ia chegar tipo “com licença, senhor, poderia me fornecer essa maconha para eu revender?”.

A gente percebe o quão fracassado é quando a própria mãe tira sarro de você. Se nem ela o defende, ninguém mais irá. 

— Eu preciso de um advogado e de dinheiro. — fui direto ao ponto — Parece que tem uma lojinha aqui e estou precisando de um sabonete melhor, o que me deram parece ter sido feito de néctar de alfazema. 

Me deu náuseas só de lembrar.

— Mais alguma coisa, meu senhor? — Ela usou um tom sarcástico.

— Também quero que mandem comer o cu de Park Jimin que até agora não deu sinal de vida e me abandonou nesse fim de mundo e ainda bateram na minha bunda, mamãe! 

— Dizem que tapa de amor não dói, bebê. 

— Até a senhora zombando de mim! 

Do nada, um policial me deu fortes cutucões no braço. Nem olhei direito no rosto dele e fiz sinal para que ele esperasse.

— O seu tempo acabou, detento.

O sangue no olho subiu quando ouvi o timbre daquela voz, perplexo com a descaração de quem ousou ter coragem de dirigir a palavra a mim. Meu pescoço girou mais dramaticamente que a guria endemoniada do Exorcista vendo a figura de cabelos negros parado ao meu lado.

— Seu filho da puta arrombado do caralho! — A minha primeira reação.

— Yoongi...? — Ele até amansou a voz ao ver a minha revolta.

— Não, porra! Rusbé, sou o Michael Jackson! — rangi os dentes. 

— A semelhança, na verdade... — Não quis completar a frase.

E ainda teve a cara de pau de fazer piada em uma hora daquelas. 

— Você tem muito o que explicar, Park Jimin. — Lançei-lhe o meu olhar mais mortífero.

Ainda bem que eu já estava na cadeia, porque agora eles teriam uma boa razão para me condenar... Desta vez, por assassinato! 

Tinha que ter muita coragem para fazer o que aquele imbecil havia feito. Primeiro, desapareceu na casa da minha mãe, sem dar sinal de vida, afirmando que estava no banheiro. E de repente aparece na minha frente, em mais um dia de trabalho, tão serenamente, como se nada tivesse acontecido, e que era super normal encontrar o namorado preso, com um cartão roubado, tentando se comunicar com os pais.

Eu sempre achava que merecia o troféu de idiota do ano, mas Park Jimin merecia levar a coroa suprema. A minha vontade era de voar naquele pescoço e sufoca-lo até que perdesse a consciência para sempre, porque naquele momento, o que me guiava era a força do ódio. 

Jimin crispou os lábios e fez sinal para que eu o acompanhasse, puxando-me pelo braço para um canto mais distante dos telefones, onde poderíamos conversar sem que outros pudessem ouvir. E de tanta raiva que eu sentia daquela cria do inferno, que sacudi o braço para que me soltasse.

— Avise ao diretor que podem aumentar a minha sentença, porque vou passar o resto da vida aqui depois que te matar! — cerrei os punhos.

— Escute, meu amor... — Ele tentou tocar meu rosto, mas acabou levando um tapa na mão e suspirou — Você está aqui por minha causa.

— Então, quer dizer que a droga era sua, seu resto de aborto fascista?!

Cabisbaixo e reflexivo, Jimin abaixou a cabeça e balançou em afirmação. 

— Sim, Yoongi. Eu contrabandeava drogas dentro e fora da prisão. Mas, espera um momento! — Levantou a cabeça — Quer dizer que você já sabia?

— Pois é, Park Jimin. Eu já sabia. 

 

———— ✦✦✦ ————

 

No dia anterior...

 

Em respeito aos meus queridos pais, deixei de estar no conforto e paz da minha amada casa para estar aqui nesta maldita e entediante reunião de família que só servia para uma coisa. Me estressar. Cada vez mais eu entendia porque Mogli preferia lobos a seres humanos. 

Pensei em mexer um pouco no celular para ver se o tempo passava mais rápido enquanto salvava memes do Twitter, todavia, assim que pus a mão no bolso, o famigerado frio na barriga veio quando senti apenas a cópia da chave de casa. Procurei no sofá, mas não encontrei. 

Talvez o tivesse esquecido ou pelo menos tivesse deixado em algum lugar pela casa. 

— Mãe, a senhora viu o meu celular por aí? — Perguntei para a minha progenitora sentada em uma poltrona de frente para mim.

— Não vi, querido. Tente ligar para ver se o encontra.

— Bem pensado. 

A minha sorte era que Jimin havia deixado o celular dele comigo antes de ir ao banheiro e eu sabia a senha. Assim que desbloqueei o aparelho, entretanto, assustei-me ao notar que já estava aberto em uma conversa com um remetente sem foto e com o contato escrito “C”. 

De certo, eu nunca me atreveria a ler as conversas de Jimin, pois confiava nele, mas o que me assustou, de certo, fora que há poucos minutos atrás o tal contato o havia mandado foto de pacotes embalados, do jeito que geralmente faziam com drogas. E a legenda estava em inglês, e dizia: “Já está pronto para delivery”. 

Fiquei em choque com o que vi, tentando processar o que era aquilo que eu havia acabado de ver. Jimin era policial, cumpridor da lei, coisa que ele mesmo exigia de mim também, como poderia estar envolvido em um negócio tão sujo? Algo de errado não estava certo, e nem era o fato dele ter uma foto do XXXTentacion como Wallpaper do KakaoTalk. 

Minhas mãos começaram a tremer quando o tal fornecedor começou a digitar.

 

[20:57] C: Estou vendo sua visualização

Responda Park Jimin!!!!

Não tenho o dia todo não viu 

 

Minha mãe acabou notando o meu rosto de preocupação. Acabei por bloquear imediatamente a tela do celular e coloca-lo com a tela virada para baixo, onde a cada vez que aquele celular vibrava, as batidas do meu coração aumentavam cada vez mais. Imediatamente coloquei o aparelho no silencioso e comecei a fingir demência.

— O que houve, filho? — a Mamãe Min perguntou-me.

— Não, nada. Eu vi um nude antigo que mandei para Jimin e fiquei assustado, nada demais. 

— Esqueceu de fazer a chuca nesse dia, Yoongi? — Foi a vez do meu pai me zoar.

— Sim, dá para acreditar?! — Entrei na mentira mergulhando de cabeça.

Ainda estava chocado. Não podia acreditar no que estava acontecendo, e de pensar que meu mundo havia desmoronado em tão poucos segundos, porque o inimaginável aconteceu. Park Jimin mantinha contato com um traficante que não sabia usar vírgula.

 

———— ✦✦✦ ————

 

PENITENCIÁRIA SUHANG DE SEGURANÇA MÍNIMA

dias atuais...

 

Cruzei os braços, lançando um olhar mortífero para Jimin. Os que vissem a cena achariam que éramos pai e filho, porque eu não conseguia disfarçar o meu descontentamento com um cara que me colocou injustamente na cadeia e achou que fazer cara de pulguento sem dono resolveria tudo.

— Por que diabos eu estou aqui? 

— É complicado, Yoongi, não queria envolvê-lo nessa história, que inferno! Eu já estava envolvido com esse pessoal antes de conhecê-lo, mas então surgiu um problema e nos descobriram. 

— O que o cu tem a ver com as calças? Ainda não sei onde me encaixo nessa história. — O interrompi.

— Eu sou policial, cara. Imagine a merda que daria se descobrissem que estou envolvido com drogas, seria uma sentença bem pior que um cidadão comum levando a culpa.

As coisas começaram a fazer sentido, tanto, que me identifiquei com a parte de “cidadão comum”. Quer dizer que o desgraçado pensou que “antes ele do que eu”, na hora de me acusar e achava que está tudo bem?

— Por acaso você tem problema de audição, Jimin? Porque parece que não escuta as merdas que está falando! 

— Me perdoe, Yoongi.

— Não se trata de perdoar ou não, seu imundo! — Pistolei — Quer dizer que a sua reputação vale mais que a minha? Você é um egoísta desgraçado! Estou passando a pior experiência da minha vida por sua causa! 

— São só alguns meses, meu amor, depois tudo ficará bem.

Eu devia ter pedido aos céus autocontrole ao invés de forças, porque juntei todo o ódio que havia acumulado e soquei o queixo de Park Jimin, cagando para a advertência que levaria depois. 

Pouco tempo após descontar minha fúria em Jimin, outro policial surgiu do além e me segurou pelos ombros, tentando me conter; até que me empurrou e acabei indo ao chão. 

— Que diabos pensa que está fazendo, detento Min? Está louco?!

— Está tudo bem, Shownu! — Jimin defendeu-me — A culpa foi minha. 

— Eu pensei que tinha um bicho no rosto dele, mas depois percebi que ele é feio de nascença. — Menti… em partes.  

Esperava que o tal policial fosse tão idiota que caísse na desculpa esfarrapada.

— Pior que é verdade. — O tal Shownu concordou. O tipo de coisa que eu só acreditava vendo, e mesmo vendo, não acreditava — Espera um momento... Tem certeza de que não foi nada?

— Sim, ele só estava me ajudando. — O Park mentiu.

— Não sei não, Jimin, ele parece querer comer seu ânus de tanto ódio.

— Não dá, ele é passivo... quer dizer... — pigarreou — Passivo à violência!

Era impossível descrever o que me impressionava mais, se era o dom que Jimin roubou de mim de fazer piada na hora errada ou o policial idiota que estava caindo na conversa fiada.

— Min Yoongi não é violento. — Jimin retomou a palavra. Porém, depende. — Ele cometeu delitos pequenos, sabe? Um traficante sem experiência.

— Traficante?! — Rangi os dentes — Só se for dos chifres do corno do seu pai, sua metralhadora de bosta ambulante!

O tal Shownu me agarrou por trás, envolvendo os braços e apertando-me pela barriga. Tentei resistir, ora levantando o pé direito, ora o esquerdo, para que pudesse acertar a cara de bunda de Park Jimin.

— É melhor se comportar ou vai para a solitária! — Shownu ameaçou-me.

— Acho bom mesmo que me levem para longe desse rato necrosado, porque no dia em que eu pegar ele, vou bater tanto nessa cara fedorenta e deixá-lo tão deformado que vão confundi-lo com o Ayuwoki! 

— Chega, detento! — Jimin vociferou com autoridade. — Vá embora daqui! Circulando, agora!

 

———— ✦✦✦ ————


 

Bicarbonato de ódio. Cloreto de putasso. Ácido sulfodido. 

O chão polido do corredor principal devia ter derretido e criado um buraco até o núcleo da Terra porque meu corpo inteiro parecia estar pegando fogo. Nem quando disseram que o Superman era melhor que o Batman eu havia ficado tão irado daquele jeito. 

— Ei, Min Yoongi! Você está bem?

Parei ao ouvir meu nome ser pronunciado ali, deparando-me com a figura de Kim Taehyung um tanto quanto preocupado ao me ver ali.

— Estou fervendo de ódio! — Desabafei.

— Quer um pouco de água?

— Sinto muito, mas eu só funciono à base de H2Ódio. 

Ele achou graça por um momento, tentando me consolar, apesar de não compreender muito o que aconteceu.

— Deve ser fome. — Sugeriu — Vamos almoçar, disseram que a sobremesa hoje é de chocolate.

— É tudo o que eu mais preciso! 

 

———— ✦✦✦ ————

 

Perto da comida da prisão, a comida que serviam no colégio que estudei no Fundamental era digna de restaurante gourmet da Europa. Era como se deixassem uma amoeba mofando por dez anos, colocado um pouco de tempero, e então resolveram servir. 

Dava embrulho no estômago só de sentir o cheiro, e o suco — refresco, para ser exato —, pelo visto, era daqueles instantâneos em pó do mercado. 

Acomodei-me em uma mesa juntamente com Taehyung e Jason. Outros presos que ocupavam aquela mesma mesa sentaram-se bem mais afastados de nós, para poderem conversar separadamente. 

— O gosto não é tão ruim quanto aparenta. — Taehyung consolou-me — Experimente um pouco.

— Não dá, minha boca está amargando de ódio. 

— Então, coma um pedaço do bolinho, está uma delícia. 

Após tanta insistência, cedi ao pedido do Kim. A comida era nojenta, mas o bolinho de chocolate estava bonito. Apanhei o guardanapo com o pedaço do doce, já lambendo os lábios e pronto para dar a primeira mordida. De repente, um capeta resolveu sair do inferno e brotar atrás de mim para tomar o meu bolo.

Este infeliz, filho do demônio, resto de aborto em decomposição ainda transitava entre as mesas, comendo o meu bolo, como se nada tivesse acontecido. Taehyung direcionou seu olhar para mim, vendo meus olhos chamuscarem com o cúmulo que me ocorrera, engolindo a seco com medo do que estava por vir.

Farto de tanta desgraça vindo em sequência sobre mim, levantei-me transbordando o ar da cólera, depositando um forte tapa na mesa com as duas mãos ao mesmo tempo, virei para o ladrão de doces e gritei:

— Me devolva isso, seu filho da puta! 

— Min Yoongi, pelo amor de Deus! — Taehyung pôs as mãos nos cabelos.

O cara alto de cabelos castanho-escuros com tatuagem no pulso que estava mastigando pedaços da minha sobremesa congelou, chamando atenção dos outros presos que entraram em silêncio para olharem toda a cena. O homem girou os calcanhares, encarando-me serenamente, de modo que um sorriso sarcástico brotou em seus lábios.

— Você quer isso? — Provocou-me com uma voz manhosa forçada.

— Me devolva essa merda agora! 

Para quê, Min Yoongi... Para quê você resolveu abrir a boca? 

Estava tudo tão quieto que dava para ouvir o eco do ranger de suas botas no chão liso, em passos propositalmente lentos, até que ficasse perto de mim o suficiente para me arrepender de ter nascido porque ele era mais alto que eu. 

E, como se não bastasse seu olhar intimidador, o tal detento cuspiu três vezes no bolinho, e então o maldito esfregou aquilo na minha cara. Só ouvi os gritos dos outros detentos que diziam coisas tipo “wow” ou riam. 

— Quem você pensa que é, novato? — o agressor tentava me tirar do sério.

Limpei a sujeira do meu rosto com um guardanapo, como se meu desejo interior não fosse enfiar aquele bolo no orifício daquele sujeitinho. 

— Lee Jooheon, vá embora daqui! — Taehyung intrometeu-se. 

— Eu só estava dando ao verdinho as boas vindas. Parece que perderam o senso de humor.

— Devo ter esquecido no mesmo lugar onde você deixou o seu cérebro. — Destilei o meu veneno sem limites. 

— Ora, seu... 

O meliante ergueu o punho para me bater, mas fui salvo pelo gongo graças a Jason, que com mais agilidade, agarrou a mão fechada do tal Jooheon, fazendo em seguida um sinal para que este saísse dali. 

Nos sentamos novamente, e tudo de repente pareceu estar como antes. Jason acabou ficando com pena de mim e por isso pôs o seu bolinho na minha bandeja.

— Não precisa se preocupar, é seu. — Tentei impedi-lo.

O estrangeiro balançou a cabeça em negação, apontando para a bandeja, sinalizando que deixasse ali.

— Relaxa. — Taehyung disse enquanto segurava o copo de suco — Ele é diabético mesmo. 

— Ah... Muito obrigado então, Jason, é muita gentileza sua. 

A resposta do citado fora um simples sorriso. 

— Ele é sempre tímido assim? — Perguntei ao Kim. 

— Jason não fala. Mas sempre fomos bons parceiros mesmo antes de nos prenderem, tínhamos um pequeno negócio juntos e ele era muito bom em propagandas. 

Falar em propagandas me fez lembrar do meu trabalho com publicidade. Que saudades do meu emprego lindo, estava apenas um dia afastado e já pareciam séculos. 

— Já estou saturado deste lugar. — reclamei, mexendo na comida com os talheres.

— Nossa, por causa de um bolinho?

— Eu... bati em um policial.

— O quê?! — A reação dele foi mais de riso que medo.

Para falar a verdade, eu ainda teria batido mais nele se o outro policial intrometido não estivesse lá para apartar a briga.

— Quem foi? — O Kim estava bem interessado.

— Ele também é meu namorado...

Até o Jason pôs a mão na boca, chocado com as minhas revelações.

— Park Jimin. — expus.

— Não acredito! Tem que ter coragem de namorar aquele pedaço de cavalo. Credo, Yoongi, pensei que tivesse bom gosto.

— Eu sei, ele é um babaca. — admiti.

— Babaca é pouco! Aqui na Mínima ele nem apronta tanto, mas na Máxima ele sempre pegava no meu pé. É o policial mais odiado lá, principalmente no Bloco D. 

Engasguei com a comida apenas por ele ter citado a Segurança Máxima. Como assim, aquele rapaz bonito e gente boa esteve lá?

— Como assim você estava na Máxima, Kim Taehyung?

— Eu matei um homem na fogueira ao som de Man Down, você não sabia? Ram pom pom pom, já dizia Rihanna. — Bebericou o suco normalmente — Então, é melhor tomar cuidado comigo e não se tornar meu inimigo, Min Yoongi.

O pedaço de frango quase ficou entalado na minha garganta com aquela confissão. Eu já devia saber que não se deve confiar no primeiro que demonstrar educação comigo. As consequências podem ser fatais. 

Tentei não encará-lo muito, ou quem sabe eu acabaria pior que esse cara morto por ele. Taehyung fitou-me seriamente, porém, começou a gargalhar incansavelmente, dando tapas no ombro de Jason que, pasmem, estava rindo também. O maldito não era mudo?

— Olha, Smith, o viadinho está tremendo! — Virou para Jason, apontando para mim. 

— Eu sou uma piada para você?

— Estou começando a acreditar definitivamente que você é inocente, Min Yoongi. Só estou brincando, bro. Eu só falsificava vistos e documentos em Daegu, mas aí, um amigo meu colombiano precisou de um visto para cá com urgência, e como fiz às pressas, não saiu perfeito e acabaram nos descobrindo. — Contou. 

“Jason e eu fomos presos como cúmplices, porque ele era foragido da polícia, mas conseguimos ser transferidos para a Mínima depois de dois anos”.

Ao menos eu não precisava me preocupar que Taehyung puxasse meu pé durante a noite e me esfaqueasse debaixo da cama. Jason gesticulou em linguagem de sinais, mas eu não soube interpretar, porque não era em coreano. 

— Ele disse que sente saudades da clientela. — O Kim traduziu — É, amigo, eu também. 


 

———— ✦✦✦ ————

 

Para melhorar os humores e deixar um pouco de lado as tristezas da vida, resolvi sair para o pátio e tomar um pouco de ar. Caminhei por um tempo, sempre próximo dos cercados que davam para o mato. A brisa gélida me acalmava. 

Depois de um bom tempo andando sem parar, deixando esvair todos os maus pensamentos, estes voltaram com tudo quando meu braço foi agarrado por aquele animal que eu queria que desaparecesse de vez da minha frente, antes que eu cometesse uma loucura. 

— Park Jimin, esqueça que eu existo! 

— Quer parar de dar chilique que nem um pré-adolescente classe média por um momento e me escutar? 

— Você tem dois minutos para me convencer de não chutar o seu saco agora mesmo. — negociei.

— Olha só, eu sei que a nossa situação é extremamente complicada, mas peço que entenda uma coisa. Se o acusei, foi para o bem de nós dois. Porque é mais fácil tentar negociar a sua liberdade e tirá-lo daqui que me tirar daqui. 

Ainda não estava convencido, mas estava começando a fazer um pouco de sentido. Jimin acariciou-me uma das bochechas, com um olhar meigo que ele sabia bem que era uma arma para me atingir e amolecer o meu coração.

— Eu mesmo me encarreguei de contratar o melhor advogado para tirá-lo daqui o quanto antes. Só peço um pouco de paciência, meu amor.

— Seu...

Antes mesmo que eu ousasse pensar em uma ofensa, Jimin fora ligeiro e depositou um singelo selar em nossos lábios, que eu ainda fui besta o suficiente de seder. Não podia negar os meus sentimentos, porque ainda que aquilo tudo estivesse acontecendo, um amor verdadeiro não se acaba da noite para o dia. 

— Aguente firme, Yoon. Não vou deixar que nada o aconteça, ouviu bem? Vou te proteger. — Prometeu-me — Eu só quero pedir um favor.

— O que você quiser! — Eu mesmo, o maior hater e stan de Jimin. 

— Assuma a culpa, por enquanto.

— Você pensa antes de falar, Park Jimin?

— Lembra quando disse que faria qualquer coisa por mim? Estou dependendo de você para nos safar dessa. 

Uma decisão difícil e uma situação complicada. Eu só queria que os aliens me abduzissem e nunca mais me devolvessem para este planeta.



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