História Lena's Diary - Capítulo 16


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Categorias Supergirl
Tags Crossover, Karadanvers, Lenaluthor, Reign, Romance, Saralance, Supercorp, Supergirl
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Palavras 2.180
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Festa, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Gente ruim


Supergirl pareceu abalada. Respirou fundo e começou a andar em círculos, colocando a mão na cintura o tempo todo. Mexia no cabelo, olhando para mim. Não sabia como agir, pude perceber. Vindo da heroína era algo... perturbante. Ela sempre estava pronta para ação, não importando o quão ruim fosse.

Barry Allen era importante demais para Kara. Era como um irmão mais novo ou coisa do tipo. Sei disso porque sempre havia o rapaz em nossos diálogos. Ela dizia que Barry era uma pessoa extraordinária e pura demais para o mundo cruel. Irônico vindo dela, eu sei, mas... Falava que eu precisava conhecê-lo e que, se eu a achava uma boa pessoa, é porque ainda não havia conhecido o rapaz. Agora, naquela situação, eu podia sentir sua dor. Escolher entre a humanidade e as pessoas que a gente ama nunca é fácil, mas é isso que te torna um herói, certo?

Eu não fazia isso pela humanidade, é claro. Estava estimulada pelos meus motivos egoístas, como sempre, e esse motivo tinha nome e sobrenome agora: Kara Danvers. Mas o que posso dizer? Comecei a caminhar para a cúpula, quando senti o toque carinhoso da loira.

-Eu prometo que vou dar um jeito se isso sugar vocês... – sua voz era fraca. – E eu sempre cumpro minhas promessas.

Não respondi. Comecei a caminhar, sentindo a força da aceleração de Barry adentrando o meu corpo. Retirei os fios que emanavam do herói cuidadosamente, tentando não ocasionar uma explosão brusca. Quando retirei o último fio colorido, o senhor Allen foi arremessado para frente, quebrando o vidro e fazendo milhares de caquinhos voarem. Fechei os olhos instintivamente e senti o corpo forte de Kara manter-se atrás de mim. Sua prontidão de super-herói me irritava noventa e oito por cento do tempo, mas agora, sentindo-a me segurando, era... gratificante.

Correu até o Flash quando os cacos terminaram de voar, apoiando-o em seus braços. Olhou para mim rapidamente, nervosa com o estado de Barry. Ele abriu os olhos lentamente, levou a mão ao símbolo e disse:

-Você precisa parar ele. – sua expressão era dolorosa.

-Shhhh. – Kara colou o dedo indicador na boca do homem. – Eu juro que vou consertar isso. O espaço tempo voltou a funcionar. Nós vamos pra casa, tá?

Sem resposta. Estava sem forças devido ao alto nível de consumo da força de aceleração de seu corpo. Kara girou o pescoço para mim:

-Você vem? – fitou o teto, provavelmente utilizando sua visão a laser. – Não tenho tempo para não destruir a estrada.

-Acho que posso usar uma mão. – forcei um sorriso.

Ao destituir a rua, todas as pessoas presentes pararam para analisar a situação. Quer dizer, Supergirl trabalhando com uma vigilante? Pode ter certeza que será título da maioria das matérias dos jornais amanhã. Uma criança, ao perceber que o Flash estava nos braços da kryptoniana, aproximou-se, correndo da mãe:

-Supergirl! Supergirl! Ele vai ficar bem? – mostrou um bonequinho articulado, mal sabendo murmurar as palavras corretamente. – Eu não posso perder o meu super-herói. Ele salvou o papai.

-Eu prometo que sim. – sorriu o mais sinceramente possível. – Nós vamos cuidar dele, tá?

-Nós? – um senhor gritou do outro lado da rua. – Você está trabalhando com essa assassina?

Certo, aquela era minha deixa.

-Eu trabalho sozinha. – murmurei, lançando uma granada de fumaça no chão. Não podia colocar Kara em uma situação como aquela, certo?

Supergirl simplesmente desapareceu do local, levando Barry nos braços. Fiquei me perguntando como estaria a situação do Flash até o horário do almoço, quando Kara me ligou. Perguntou onde eu estava e disse que precisava me ver, com uma voz não muito boa. Pedi para que fôssemos almoçar em casa e ela aceitou sem hesitar. Comprei o macarrão preferido dela e fui pra lá. Não demorou a Kara chegar.

-Você é um colírio para os meus olhos, Luthor. – murmurou, colocando a bolsa no balcão. – Acho que eu preciso de um vinho, toma comigo?

-Uau, quem morreu? – brinquei. – Para alguém dizer que sou um colírio... Claro que sim, toda hora é hora para um bom vinho. E aí, como foi ontem?

-Na verdade, foi terrível. – sentou-se. – Sério, eu fiquei extremamente sem reação e quase deixei uma humana se matar...

-Como assim? A vigilante? – peguei duas taças, enchendo-as de vinho.

-Como você sabe? – ela riu. – O jornal, claro. Bem, essa mulher me deixa maluca, Le.

-Maluca por quê? – certo, acho que eu estava com ciúme agora.

-Lena, ela é doente. Uma hora me dá um tiro, na outra está pronta para me ajudar e salvar o meu melhor amigo.

-Eu disse que era uma pessoa perigosa. – beberiquei a taça. – E o Barry, como está?

-Acho que poderia estar pior. – sempre tentando ser positiva, Kara? – Mas são ferimentos graves.

-Os poderes dele o curarão rápido. Se você quiser, posso dar uma olhada. – sorri.

-Não precisa, Le. – ela respondeu de prontidão. – Minha irmã deu um jeitinho. Aliás, você se resolveu com a Sam?

-Defina resolver. – virei os olhos, tentando parecer neutra. – Nós precisamos conversar sério.

-Oh não. – Kara arregalou os olhos, ajeitando os óculos. – Eu odeio conversas sérias.

-Minutos antes de você me contar que era a Supergirl, nós estávamos em um diálogo importante...

-Lena. – Kara bebeu um pouco do vinho. – Não quero conversar sobre isso.

-Por favor. – coloquei a mão próxima a ela. – Nós precisamos resolver.

-Não há o que resolver. – pela primeira vez na vida, Kara tirou os óculos, séria e sem preocupação, posicionando-os milimetricamente ao lado do prato. – Você disse o que pensava. Eu também. É isso. Acabou.

-Kara... Não é assim. – tentei continuar o assunto, mas ela logo me cortou.

-Sobre Sam, – ela apontou meu celular que vibrava intensamente na mesa, demonstrando o nome da minha sócia. – vocês precisam se acertar.

-Por que diz isso? Que diferença faz? – enchi a taça e coloquei a comida na boca.

-Lena, - Kara levantou, colocando o dedo indicador no meu nariz com a mão suave. – é a sua melhor amiga. É normal sentir falta e correr atrás das pessoas que a gente ama.

Não houve tempo para que eu respondesse. Mariah entrou silenciosamente, apontando a porta. Possuía um espanador na mão e vestia seu uniforme usual.

-Senhorita Lena... Samantha está subindo e disse que não aceitaria não como resposta. – Kara provavelmente a achou tensa, levantando-se.

-Pode deixar, eu vou atender a Sam. – sorriu. – Obrigada.

Não posso negar que o jeito doce de Kara sempre sabia como me deixar fora do ar. Não murmurei nada, apenas a observei. Minha repórter estava com o cabelo preso em um coque. Vestia uma calça jeans de cintura alta que faziam suas curvas ficarem extremamente marcadas e a blusa de listras azul e branca era o típico fator enlouquecedor. Acho que Mariah acompanhou meu olhar fixo enquanto Kara caminhava, porque limpou a garganta, tentando não rir.

-Olá. – a loira estava tão em paz que assustava. – Chegou na hora boa, cunhada.

-Kara. – Sam sorriu, já entrando. Claro, a casa é sua, Arias. – Bom você estar aqui. Precisamos mesmo conversar. As três.

-Ah, pronto. – bufei, levantando vagarosamente da mesa. – Você pode surtar comigo, não colocar a Kara no meio disso.

-Lena, Lena. – Sam não parecia em si. – Nós estávamos agindo mal. Vamos deixar de lado. É sobre mim...

-Sobre você? – Kara apontou a cadeira e encheu uma taça de vinho. – Está tudo bem?

-Na verdade não. – Sam se desmontou, jogando-se na cadeira. – Eu estou me retirando do cargo da L-Corp.

Que? Não. Eu não posso ficar sem a Sam. Parei de ouvir qualquer som do ambiente. Sei que as vezes não dou o devido valor a tudo que minha sócia (e amiga) faz por mim, mas deixar-me? A L-Corp dependia de Sam do mesmo modo que dependia de mim. Ela era a vice-presidente. Meu braço direito. Minha melhor amiga. Não. Kara colocou a mão em meu braço, trazendo-me de volta a realidade.

-Você o que? – eu bati a mão na mesa. – Você não pode fazer isso comigo, Sam. Não pode.

-Não me importa mais. – Sam nunca falava assim comigo. Eu simplesmente não entendia. – Vou me mudar, aliás. – bebeu o vinho, beijando Kara na testa. – Até mais, Kara. – saiu, fechando a porta sem sequer me olhar.

Kara ficou imóvel. Girou o corpo para mim, esperando que eu reagisse, mas confesso que não soube o que fazer. Quer dizer, era a Sam. Eu esperava que qualquer pessoa do universo me enfiasse uma faca nas costas, mas não ela. Não a pessoa que me entendia sem me olhar. Não a pessoa que sabia dos meus sentimentos antes de mim mesma.

É claro que a loirinha percebeu minha falta de ação. Afagou meus cabelos, tentando amenizar o choque, mas não disse nada. Ponto pra mim de novo, Danvers.

-É com essa pessoa que você quer que eu faça as pazes?

-Sam parece fora de si. – Kara abaixou a cabeça. - Não se preocupe.

-Não me preocupar? – minha voz se elevou e eu dei um murro na mesa, fazendo Kara se assustar. – Eu não tenho mais a minha melhor amiga, droga.

-Não fique assim, meu amor. – o tom doce sendo sustentado.

-Preciso de ar. – Saí andando rapidamente de minha casa. Você não quer que a pessoa mais sensível e meiga do mundo me veja perdendo o controle por aí, certo?

Quando cheguei a área comum do prédio, havia uma moça loira com cachos fumando cigarro de costas. Usava uma calça de couro preta justa e observava a linda paisagem a sua frente, carregando uma mochila pesada nos ombros. O cabelo parecia arquitetado de tão certo que estava. Estendeu-me um cigarro antes de finalmente virar-se para me fitar:

-Sentiu minha falta, Vingança? – riu. Sara...

-Shhhh! – empurrei-a para a sala de estar. – Por Deus, o que você está fazendo aqui?

-Estou precisando de ajuda. – cuspiu a fumaça na minha cara e eu fiz careta, automaticamente. – Credo, Luthor, quando você ficou fresca assim? Não traga mais?

-Puta merda, Sara. – levei a mão à testa. – Você não pode vir bagunçar a minha vida. Não agora.

-Ihhh, não gostei do tom. Quem é o seu problema do “não agora”? – gargalhou ironicamente. – Sério, você está me devendo.

-É ela, não é? – girei o pescoço, obrigando-me a sustentar o olhar.

-Bingo. – Sara Lance, ou a Canário Branco, como você preferir, jogou a mochila no chão e agachou, procurando algo intensamente. – Você precisa ir buscar esse cara pra mim depois de não resolver a loucura dela.

-Eu tenho cara de babá, Lance? – virei os olhos, pegando o papel bruscamente de sua mão. – Eu não desisti de consertá-la, você sabe que devo isso a ela.

-E a mim, Lena. Não se esqueça. Eu preciso dela de volta. – Sara jogou o cigarro no chão, pisando com força em cima dele.

 

 

 

E aí a porta se abriu.

 

Merda.

 

Kara apareceu com o seu melhor sorriso no rosto. Sentiu as bochechas corarem, eu sei, porque levou a mão as maçãs. Provavelmente achou que eu estava pegando a Sara, ou coisa do tipo, porque ficou visivelmente envergonhada. Abaixou a cabeça, dando passos calculados. A maldita da ex-namorada do Queen não conseguiu ficar de boca fechada:

-Porra!

-Desculpe. – Kara mordeu o lábio e ajeitou os óculos. – Eu fiquei preocupada e...

-Desculpe o que? – eu falei apressada demais, porque Sara riu na cara dura. – Eu só peguei um cigarro com ela, nem a conheço. Aliás, seu nome?

-Sara. – a demônia estava tentando me sabotar. Deu um passo a frente, estendendo a mão para Kara. – Sara Lance. E você, quem é? Não posso voltar para casa sem saber quem é a dona desses olhos lindos.

Kara ficou alguns segundos em silêncio observando Sara e eu já queria voar no pescoço da assassina filha da puta.

-Kara Danvers. Sou repórter da CatCo. É um prazer. – apertou a mão. – Le, por que você está com essa cara?

-Nada! – respondi de prontidão. – Estava pensando no tanto de trabalho que tenho.

-Novidade! – Kara riu. – Foi um prazer conhece-la, senhorita Lance.

-Kara, será que você poderia me mostrar seu ambiente de trabalho? – puta que pariu. – Minha amiga Felicity adora notícias e tal, queria tirar uma foto para ela.

-Não! – eu segurei a mão de Kara, que abaixou a cabeça para observar meu gesto. – Eu realmente preciso dela.

-Precisa? – Kara franziu a sobrancelha. – Bom, deixe-me passar meu número. Ficarei feliz em ajuda-la amanhã.

Sara deu o sorriso mais satisfatório de sua vida. Anotou o número no celular rapidamente e afagou o cabelo de Kara ao passar por ela. A repórter sentou-se em uma das cadeiras próximas a mesa e olhou-me:

-Qual é o problema com ela?

-Isso é gente ruim, Kara. Você não percebe, porque acha que todo mundo é bom caráter, mas isso aí é gente ruim. – mostrei as palmas. – De qualquer forma, vem. Nós vamos achar a Sam.

-Pensou no que dizer? – a loira mostrou-se surpresa.

-Sim, vou pedir desculpas e implorar para que ela não vá.

-S-sério? – Kara titubeou.

-Seríssimo. – eu ri. – Não se acostume. Isso só acontece uma vez na vida.

-Tá bom, Lena. Tá bom. Você não me venha com essa não. Já disse... Você é a pessoa mais admirável que eu conheço, e olha, vindo de mim que conheço três planetas, é uma grande coisa!



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