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História Lendas da Eternidade - Capítulo 2


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Notas do Autor


Espero que gostem!

Capítulo 2 - Capítulo 1.1: Iniciação na Ordem


Aria andava rapidamente pelos corredores do Bastião, seu coração transbordando de ansiedade, finalmente seria introduzida ao Círculo da Magia da Ordem da Rosa e da Espada. Ela tinha estudado desde de sua infância para esse fim, afinal havia sido criada pela Ordem, e, após anos de estudo, seu sonho seria realizado.

Quando chegou a porta do escritório do Primeiro-Mago parou e respirou fundo, o antigo feiticeiro sempre a havia repreendido por seu muito ansiosa e seu estado atual somente contribuiria para outra bronca.


-Pode entrar, Aria - ela ouviu a voz rouca, mas, imponente, a chamar.


Ela abriu cuidadosamente a porta de madeira e logo se deparou com um senhor de idade avançada sentando atrás de uma simples escrivaninha de carvalho escuro. 


-Venha, sente- se Aria - ele disse apontando para uma das cadeira a sua frente


    O Primeiro-Mago era um dos praticantes das artes místicas mais conhecido pelo reino, sendo por algum tempo conselheiro da própria rainha Ele possuía sessenta anos, seus cabelos grisalhos eram lisos e se estendiam até seu pescoço e uma barba cheia cobria boa parte da área inferior do seu rosto. Vestia um manto azul com detalhes brancos e, preso ao seu pescoço por uma corrente, havia uma esmeralda verde com sua superfície decorada por runas mágicas que Aria reconheceu como sendo inscrições de teleportação.


-Aria, primeiramente gostaria de parabenizá-la por ter passado pelos testes, poucos conseguem chegar onde você está - disse o mago calmamente


-Muito Obrigada, primeiro-mago - a jovem disse tentando conter a sua alegria - É um honra estar aqui


-Como a senhorita deve ter ouvido - o senhor começou, se levantando e indo em direção a janela - O processo de iniciação pode ser traumático. Muitos jovens proeminentes morreram durante sua iniciações. - um semblante triste podia ser visto no rosto do velho.


- O que o senhor quer dizer? - perguntou a jovem

   

    Antes que o feiticeiro pudesse responder, uma voz imponente vinda da porta perguntou.


-Marius, essa é a nossa mais nova maga?


-Sim, Comandante - o mago respondeu - Eu não esperava uma visita do senhor.


-Comandante Trajanus, é uma honra conhecê- lo pessoalmente - Aria disse, se levantando e colocando a mão direita, em formato de punho, sobre o peito


    O Comandante Trajanus da Ordem da Rosa e da Espada era conhecido por todo império por ter derrotado um Dragão Morto vivo e seu exército de zumbis sozinho, pelo menos segundo rumores. Se vestia de uma forma humilde, usava uma armadura de placas de aço sem nenhuma decoração, presa aos seus ombros estava uma capa branca simples com o símbolo da ordem, uma espada entrelaçada por rosas, em seu centro. Seu rosto era claro com uma cicatriz que se estendia de sua sobrancelha direita até seu lábio inferior, em

uma linha reta que contornava seus olhos verdes, seus cabelos eram loiros e lisos.


-Bem, podemos dizer que a nossa novata chamou minha atenção - ele se virou para jovem - Aria, não?


-Sim, senhor.


-Muito bem - o comandante olhou para Marius - Não há tempo a perder, Primeiro-Mago.


    O senhor suspirou e, após algumas palavras mágicas que fizeram a esmeralda em seu pescoço brilhar, o grupo agora se encontrava em um corredor fracamente iluminada apenas pela esfera branca de luz conjurada por Aria. 


-Onde estamos? - perguntou Aria


Marius olhou para seu superior, como se estivesse procurando por aprovação, e respondeu:


-Estamos embaixo do Bastião, em um lugar do qual poucos conhecem a existência. - o senhor começou a andar em frente ao grupo - Vamos, é melhor nos apressarmos. 


Após alguns minutos percorrendo os corredores da "prisão", era essa a imagem que a maga tinha devido as grandes portas de aço que observava em intervalos, trancadas por grandes correntes, tanto físicas quanto mágicas, Marius perguntou:


-Aria, para qual propósito foi criada a Ordem da Rosa e da Espada? 


-Para defender a humanidade das criaturas do Abismo. 


-Correto. Você acha que obtivemos sucesso nessa missão? 


-Sim,senhor - disse firmemente a feiticeira - Nas últimas três décadas não  houve nenhuma invasão demoníaca, revoltas de mortos-vivos, nem nada dessa natureza.


-Muito bem colocado, jovem maga - disse Trajanus - No entanto, de tempos e tempos, surgem seres que, infelizmente, não podem ser derrotados ou banidos. Estas monstruosidades, são presas nesses corredores, trancadas tanto por aço quanto por magia. 


-Apenas os magos da Ordem e os oficiais de alto-escalão sabem da existência desse lugar - completou Marius


    O trio parou diante de um grande portão de aço. Aria notou que este era maior que os anteriores e não possuía nenhum tipo de segurança comum ou mágica


-Senhor-Comandante, ainda acho que esse caminho não é aconselhável - disse o Primeiro-Mago


-Aria, ouça com atenção - Trajanus começou, ignorando a observação de seu colega - Atrás deste portão, há uma criatura muito antiga, que tentará conversar com você, tentará lhe convencer de que o que fala é verdade, não acredite em nada. Entendido? 


-Sim, senhor. No entanto, se me permite perguntar, o que eu estarei fazendo lá dentro?


-Você irá fazer uma simples pergunta: “Onde estão os seus colegas?”


    Aria estava confusa. Que tipo de pergunta era esta? Qual era o seu propósito? O que estava atrás desta porta?  Não! Não, era hora para dúvidas! Se tornaria uma maga da Ordem da Rosa e Espada não importava o que custasse, faria a sua mãe orgulhosa.


-Sim, senhor - ela respondeu aparentemente confiante.


    A feiticeira caminho em direção ao portão e, com certo espaço, o abriu o suficiente para poder entrar na sala.A prisão estava imersa em uma densa escuridão, o fato de o orbe de luz que acompanhava acima de sua cabeça havia apagado e parecia não poder conjurar outra dificultavam a visão da aprendiz

Aria começou a andar cuidadosamente pela escuridão, a cada passo que dava um som parecido com o de folhas secas sendo quebradas ecoava pela sala. As mesmas questões que haviam invadido sua mente antes de entrar ressurgiram agora,  necessitando de mais esforço mental para reprimi-las. Após alguns minutos andando pela escuridão interminável, os olhos da maga avistaram dois pequenos glóbulos verdes a uma indeterminável distância dela. Intrigada e curiosa, a maga começou a se aproximar dos círculos verdes, talvez tivesse relacionado ao teste:

Enquanto se aproximava de sua nova descoberta, percebeu que aqueles glóbulos eram olhos! Sua mente explodiu com perguntas: Que tipo de monstruosidade estaria guardada na plena escuridão? Onde estavam suas amarras? Como estava presa?

“Venha filha de minha filha. Eu quero conversar”

     Essas palavras ecoaram pela sala ou talvez teria ecoado em sua mente? Aria não sabia dizer, mas imediatamente parou e focou sua visão nos dois pontos na escuridão. Quando o seu olhar encontrou o da criatura, um medo absoluto tomou conta da jovem. Dizem que os olhos são as janelas da alma, e neste caso, eles eram as janelas para uma escuridão idêntica a que cobria a sala, não havia nada por trás daquele olhar. Até mesmo nos monstros inumanos havia algo, seja raiva, ódio ou medo, mas nesse ser? Não havia nada além de um eterno frio vazio, sem emoções, sem sentimentos ou luz, não havia nada que pudesse ser reconhecido, nenhuma conexão com esse mundo, não havia humanidade.

“Não me tema. Eu não mordo”, a voz ecoou novamente.

Um conflito de emoções ocorria na mente de Aria. Seus instintos diziam para correr, para fugir daquela voz que arranhava a mente como uma amarga tentação, daqueles olhos inumanos, porém encontrava algo naqueles orbes verdes, algo familiar, algo que  a chamava, que pedia para se aproximar.


-Qual é o seu nome? - a criatura perguntou quando a moça chegou a uma distância razoável.


-Aria - a maga disse, confusa do porque havia respondido


-O que você é?


-Uma maga


-Claro,  vocês todos são - o ser disse ironicamente


-Houve outros? - perguntou a jovem


-Sim, muitos. A maioria caiu nas garras da insanidade, se não me engano - a voz disse - Nunca entendi o porquê - ela continuou em um tom curiosos - Os outros morreram.


-Você os matou? - Aria questionou, um leve medo presente em sua voz


-Não! Por que eu faria isso?- ela respondeu indignada - Olhe para o chão. Esse barulho que ressoa quando anda? São os ossos de seus colegas. E você sabe o cheiro que fica…


    A voz do monstro aos poucos foi ficando mais distante e o corpo da feiticeira congelou ao ouvir a afirmação. Enquanto não sabia o tamanho real da sala, havia assumido que era grande, então quantas ossadas existiam naquele chão?  Quantos haviam perecido conversando com essa criatura? Ela morreria também? “Não!” ela disse para si própria, se recordando do que o comandante havia dito, esse demônio mente e ela não cairia em seus jogos.


-Onde estão os seus colegas?! - a feiticeira falou, conjurando toda a sua força para perguntar

   

    Pelo o que pareceu uma eternidade, a maga e a criatura ficaram em silêncio, o único som da sala sendo o da forte respiração de Aria.


-Então é por causa desse assunto que te enviaram - a voz agora soava aborrecida - Diga a Trajanus que eu não…. - a voz parou subitamente e, escondidos pela escuridão, seus lábios tomaram a forma de um sorriso.


    Aria congelou por alguns segundos após um forte calafrio ter percorrido sua coluna, ela havia lido durante seus estudos que calafrios como esse eram sentidos apenas por magos e que sinalizava que um selo de muito poder havia sido rompido.


-Na verdade, não diga nada a ele, senhorita Aria. - a voz continuou - Ou melhor, apenas pergunte sobre Iorneth. - a criatura, mesmo limitada por suas correntes, se aproximou de Aria -  Durma bem, minha querida.


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-Eu entendo a sua preocupação, Trajanus - Marius disse calmamente - No entanto, Aria não irá cometer os mesmos erros.


-Porém, como o senhor mesmo disse, ela possui a mesma curiosidade de Lorena e não preciso lhe lembrar o que aconteceu com ela.


-Curiosidade, senhor Trajanus  - o Primeiro - Mago começou, sua voz um pouco mais forte - É algo que encorajo em todos os meus estudantes, onde ela os leva é da responsabilidade deles.


    Trajanus encarou com um olhar de desaprovação o seu Primeiro - Mago. Enquanto admitia que Marius estava certo, preferiria que a curiosidade dos magos da ordem não causasse tantos problemas. Marius se sentia exausto, já tinha perdido as contas de quantas vezes havia dito para o Comandante que Aria não traria nenhum problema, que ela não repetiria os erros da mãe, no entanto a paranoia de Trajanus continuava. O silêncio foi quebrado quando o mago sentiu o mesmo calafrio que havia percorrido a coluna de sua estudante.


-Algo de errado, Marius? - perguntou o guerreiro


-Temos que entrar, agora. - Marius respondeu com uma expressão de séria preocupação.

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Aria aos poucos abriu os olhos, ainda se acostumando com a iluminação artificial provida pelas velas. Se levantando lentamente da cama, percebeu estar em seu quarto. À sua esquerda, estava a sua escrivaninha com anotações e livros espalhados sobre a superfície, à sua direita, havia a estante com os livros catalogados em ordem alfabética e ela não podia deixar de notar com certa tristeza de que apenas duas das quatro prateleiras estavam cheias de livros.

Após alguns minutos tentando relembrar os eventos do dia, ouviu o barulho de batidas vindas da porta e as atendeu.

Um homem um pouco mais baixo e mais velho do que ela, com pele clara, olhos azuis e cabelos castanhos, vestindo um longo robe branco, esperava em sua porta. Era Jean, o assistente bibliotecário da ordem, e em suas mãos, cobertas por luvas de couro, havia um pequeno livro com um capa de couro.


-Jean. Boa noite - comprimentou Aria


-Boa noite, senhorita Aria. - ele disse tentando evitar contato visual com a maga - É… o senhor Marius… o Primeiro - Mago, me pediu para ver se a senhorita estava bem e lhe entregar isto. - ele estendeu o livro para Aria - É o diário de sua mãe.


    Aria estava boquiaberta, nunca tinha ouvido falar de tal diário, se lembrava tão pouco de sua mãe, havia sido basicamente criada pela ordem e agora teria a oportunidade de ler o diário dela. A feiticeira mal conseguia conter a sua felicidade, seus olhos começaram a lacrimejar.


-Muito obrigada, Jean! - Aria exclamou, abraçando o bibliotecário.


-Ah… Que bom que gostou do livro - Jean disse, sua cara vermelha como um tomate - Se isso é tudo, eu.. já vou indo . Boa Noite


-Espere um minuto, Jean! - gritou a maga - Você poderia me dizer sobre Iorneth?


Jean contou que a Batalha de Iorneth ocorreu a trinta anos na cidade de mesmo nome entre os cavaleiros da Ordem da Rosa e da Espada e um quarteto de demônios se intitulavam “Os Cavaleiros do Apocalipse”, algo que Aria notou ser arrogante no mínimo. A batalha foi um desastre, com a cidade sendo saqueada e queimada e todos os soldados sendo mortos, com a exceção de dois: Comandante Trajanus e Primeiro-Mago Marius


-Então, você acha que eu deveria perguntar para eles sobre a batalha? - perguntou Aria, que estava sentada na cadeira de sua escrivania.


-Bem, quando perguntei para ambos eles só me disseram que participaram e escaparam por pouco, e também ficaram bravos quando perguntei por mais de detalhes. 


-Entendo - disse Aria - Muito obrigada, Jean.


Após Jean sair de seu quarto, a jovem se voltou ao livro de sua mãe, estava estática com a possibilidade de aprender mais sobre ela, havia ouvido tão pouco sobre ela. Marius apenas contado a dito que sua mãe fora uma grande guerreira da ordem e uma estudante sob o Senhor - Comandante Trajanus e que morrera defendendo um vila de um cavaleiro traidor.

 A maga passou horas sentadas em sua cama lendo o diário até três velas estarem derretidas. A leitura confirmou muito do que Marius havia a contado, mas duas coisas a intrigaram: O fato de o livro não possuir anotações sobre o fim de sua vida e os dois últimos parágrafos relacionados a Batalha de Iorneth, que eram os que terminavam o diário.

        

“Trajanus se recusa a falar sobre o que aconteceu e Marius também. O que eles viram? O que eles enfrentaram? O que aconteceu? Ambos sempre se vangloriaram  de suas batalhas, mesmo que quando saiam derrotados, mas agora ambos se recusam a falar. Algo muito ruim aconteceu e estou determinada a saber o que ocorreu, para, no futuro, estarmos melhor preparados.”

   

    “Ouvi alguns rumores sobre os combatentes de Iorneth, parece que sombras   em formatos de esqueletos eram uma vista comum no campo de batalha. Devo ir a biblioteca amanhã e pesquisar sobre tais seres, talvez eles me deem uma pista para o que a Ordem enfrentou em Iornteth”

   

    O que aconteceu? Como a investigação de sua mãe havia terminado? O que aconteceu desse ponto até a sua morte?, essas eram algumas das perguntas que  surgiram na cabeça de Aria. Logo descartou buscar respostas com o Primeiro - Mago, se ele não falaria com Jean, que como assistente do bibliotecário era responsável por registrar os eventos da ordem, ele não falaria com ela. 


“Talvez se eu reproduzir a investigação de minha mãe, eu posso descobrir o que aconteceu!” Ela pensou, um grande sorriso em seu rosto.


    No início da manhã seguinte, Aria rapidamente se arrumou e se direcionou para a biblioteca.


-Jean! - exclamou Aria.


-Aria?! - respondeu Jean, surpresa claramente exposta em sua face - O que você está fazendo acordada tão cedo?!


-Eu queria falar com você antes que as aulas começarem.


-Sobre o que? - as bochechas do assistente estavam claramente rosadas.


-Sobre essa descrição de monstro - a maga respondeu, mostrando a passagem no diário de sua mãe 


    Jean encarou o diário por alguns segundos, tentando lembrar se havia lido algo parecido nos relatórios que havia arquivado.


-Se não me engano, uma criatura de uma descrição similar em Orleáns.


-Obrigado, Jean! - disse Aria abraçando o bibliotecário, o que fez o rosto do mesmo ficar vermelho como maçãs.

   

Aria partiu rapidamente a cavalo para cidade de Orléans, ignorando os avisos de Jean para que ela avisasse o Primeiro - Mago de sua viagem.




Notas Finais


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