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História Lentamente, meu primeiro amor - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bom, primeiramente essa história se passa na juventude de Jeno e Renjun em um universo alternativo. Eles tem 17 anos, são estudantes e a história é sobre o primeiro amor tendo como cenário tanto a escola quanto a casa deles.
É uma história que eu gostei de escrever porque achei ela tão leve e fofinha que eu dei risada o tempo inteiro.
Achei a leitura maçante no começo quando dei uma olhadinha, mas vi que logo depois tudo no começo era necessário pois só assim os personagens poderiam se desenvolver.

Tenham em conta que aos 17 anos ou menos ou mais, não importa, as pessoas tem suas inseguranças e as vezes a gente quer de toda forma esconder o que somos e evitar situações que para gente poderia ser constrangedoras.
Por exemplo, a maioria já deve ter se apaixonado porém nunca deve ter tido coragem para falar com a pessoa sobre isso, ao invés disso vocês devem ter escondido muito bem os sentimentos que até você duvidaria que gostava mesmo ou não. Isso são coisas da juventude e é o que eu quis retratar nessa história...

Boa leitura para quem veio até aqui, espero que gostem.

Alías ttb postei no outro site lá. caso vcs tenham visto lkk

Capítulo 1 - Os detalhes em você.


Lee Jeno é um estudante do segundo ano do ensino médio, ele é um bom aluno, comportado algumas vezes, bom em jogos eletrônicos e de fato sustenta uma certa popularidade por seu rosto impecável e um sorriso simpático. Mas ele é um pouco fechado quando se trata de dar o primeiro passo.

Ele nunca anda sozinho e por isso acaba criando uma certa muralha para qualquer pessoa que queira conversar com ele em algum momento. Se Lee Jeno vai ao banheiro, então ele sempre vai com um ou dois amigos, se Lee Jeno vai se sentar no refeitório, então ele tem um grupo enorme de amigos que ficam rindo escandalosamente enquanto comem e brincam e se Lee Jeno vai para casa, então ele vai sempre com seu primo. Enfim, ele nunca está sozinho.

O único momento em que Lee Jeno fica sozinho é quando está em sua casa. Não, na verdade ele também não está sozinho. Ele tem os seus pais que são bem prestativos e que presam pela boa convivência da família. Embora sua mãe sempre tenha bolhas nos calcanhares, ela ainda assim arruma tempo para chegar às cinco da tarde e começar a preparar o jantar e quando o seu pai chega correndo ás sete da noite ele tem tempo para tomar um banho e ajudar a esposa a terminar a refeição e todos os 3 sentam-se juntos e desfrutam da boa comida.

“Vocês lembram que eu inscrevi a nossa família naquele programa de host para os estudantes estrangeiros?”

A senhora Lee começa um dialogo servindo-se de mais uma tigela de arroz. Jeno não está interessado, ele continua a olhar toda aquela comida na mesa enquanto belisca mais uma coxa de frango apimentado, seus olhos se movimentam rapidamente sobre o rosto despreocupado de sua mãe.

“Sim, eles responderam seu email?”

“Sim, responderam. Talvez ele chegue no próximo fim de semana... Estou conversando com os pais do menino, ele tem a sua idade, Jeno.”

“Hm.”

“Muito bom, querida. Você quer que eu te ajude a limpar o quarto da bagunça?”

“Sim, se você não estiver tão cansado...”

“Não estou, podemos passar um tempo juntos.”

E com um curto dialogo quem tem cérebro pra entender que entenda, por isso Jeno não diz nada. Ele só pode ficar ansiando pelo morador temporário da casa chegar no próximo fim de semana.

 

 

...

A ansiedade se dissipa quando Huang Renjun finalmente chega à casa dos Lee.

Ele é bem recebido pela família e fica decidido que ele poderia ficar no quarto que antigamente era um deposito de livros velhos e álbuns de fotos da família. A senhora Lee está muito feliz por ter participado do programa de host family, e embora não tenha de fato um motivo para ela ter participado, ela se sente muito contente.

Com uma apresentação em chinês e coreano, timidamente o garoto se curva e dá um pequeno sorriso. Ele parece tão nervoso que limpa a palma das mãos na calça a todo momento enquanto ao lado de seu corpo estão suas duas grandes malas. Ele precisaria subir as escadas carregando tudo aquilo, mas o senhor Lee faz o serviço rapidamente e assim Huang Renjun é convidado a se sentar em um dos sofás e tomar um pouco de chá enquanto conversa com a senhora Lee sobre algumas curiosidades da China.

Jeno está quieto, ele observa o garoto desde os seus tênis pretos até a ponta dos fios de cabelos castanho escuro, a camisa quadriculada levemente folgada e o jeans claro surrado pela lavagem. Ele é bonito no padrão, é o que Lee Jeno pensa no momento.

“Meus pais gostariam de vim no próximo ano morar por aqui, então eu já vim para não perder o ensino médio e poder tentar entrar em uma das universidades daqui.”

“Hm, muito interessante. Eles já sabem falar coreano como você?”

“Eu acredito que não sou muito bom no coreano.”

“Ah, não seja modesto, você é melhor até mesmo que meu filho. Esse aqui do meu lado ele fala, mas parece que o gato comeu a língua dele.”

A senhora Lee dá um risadinha e Renjun não sabe se deveria rir também ou permanecer inexpressivo. Ele tem medo de não se dar bem com o mais jovem da casa.

“Você tem quantos anos?”

Pela primeira vez Lee Jeno diz alguma coisa e isso pega Renjun de surpresa, ele direciona seus olhos para o Lee mais novo e constata o óbvio. Ele é anormalmente bonito. Ele tem um rosto marcante para um simples estudante de dezessete anos e não é comum. Seu nariz é tão bem desenhado, assim como seus lábios. Renjun pensa que talvez esse fosse um dos garotos mais bonitos que ele já viu em toda a sua vida. Se ele ignorasse as vezes em que tinha se olhado no espelho.

“Eu tenho dezessete.”

Ele responde sem hesitação. Jeno apenas balança levemente a cabeça.

“Então vocês são amigos pela idade, meu Jeno também tem dezessete anos, mas já devo ter dito isso quando nos falamos pelo telefone.”

“Eu sou do dia vinte e três de março.”

“Sério? Você é meu hyung por exatamente um mês –“

“Sim, sim! Jeno é do dia vinte e três de abril!”

Eles mantém um dialogo calmo, tomando chá e conversando banalidades até a hora do jantar. Renjun sente-se ansioso. Ele está na presença de uma família tão divertida e educada, embora o garoto da sua idade fosse tão quieto, ele ainda se sentia como se tivesse ganhado na loteria pela família host dele ser assim tão acolhedora.

Seria bom se Renjun e Jeno conseguissem estabelecer uma boa amizade e tudo parecia ser possível, não havia erros. Renjun podia as vezes falar com um tom que demonstrasse seu nervosismo, mas ele conseguia manter um bom dialogo com os mais velhos e as vezes ele tentava trazer Jeno para o assunto.

Por que ele estava tão ansioso para ser amigo de Jeno? Só porque ele era bonito?

Não. Apenas porque ele é um estrangeiro e ele não tinha ninguém da idade dele para chamar de amigo e desde que ambos iriam para a mesma escola e talvez fossem da mesma classe, porque eles não poderiam ser amigos então?

Mas Jeno mesmo sozinho tinha uma muralha ao redor dele. Ele nunca se deixava ser levado para o dialogo da família, ele apenas comia e bebia e observava ao redor e tudo bem para ele. Ele estava mesmo pensando em subir logo pro seu quarto e começar a jogar overwatch com Donghyuck. Ele não estava interessado em saber nada sobre como a China era um país populoso e divertido ou como o tal do Renjun costumava se comportar na escola.

Então quando terminou sua refeição ele educadamente lavou os pratos e subiu as escadas totalmente alheio ao par de olhos triste do novo morado da casa.

“Ah Renjun, meu filho tem tantos amigos, tenho certeza que amanhã na escola você vai conhecer todos eles e se dar bem com eles também! São todos tão educados, uns verdadeiros anjos.”

Renjun assentiu sorrindo minimamente.

 

 

                                                               ...

 

 

Talvez o desentendimento realmente tenha começado na primeira noite que Renjun havia chegado na casa dos Lee. A primeira vez que Renjun ganhou um olhar desgostoso do único filho da família foi por um motivo totalmente banal. Eles apenas ficaram travados no corredor decidindo silenciosamente quem iria usar o banheiro primeiro. Por fim, Jeno entrou depois de o olhar com certo desgosto e bateu a porta. Renjun apenas esperou para que ele pudesse por fim tomar um banho e ir dormir.

Quando deitou-se no seu colchão naquela mesma noite, o chinês sentiu-se um pouco infeliz. Ele sentia no fundo do seu peito que ele nunca iria dar certo com Jeno.

 

                                                               ...

 

 

Depois da indecisão sobre o banheiro, outro descaso que ele sofreu foi durante a manhã quando a porta de seus quartos se abriram ao mesmo tempo e dando de cara um com o outro ele desejou um bom dia e foi totalmente ignorado.

Implicitamente a decisão do uso do banheiro era que Jeno deveria ser o primeiro.

 

Prontos para irem à escola, Jeno e Renjun saíram lado a lado, mas em determinado momento o estrangeiro acabou por andar sozinho enquanto escutava algo em seu fone de ouvido.

“Quem é?”

“Você sabe que a sua tia é meio maluca, ela simplesmente colocou um estranho dentro da nossa casa.”

“Ah, ele é o garoto que você estava falando na terça passada... Ele parece ser bonzinho!”

Os primos conversavam de forma divertida ignorando totalmente a presença do outro. Mas Renjun havia decidido que estava tudo bem. Ele mesmo encontraria um amigo na escola para não se sentir tão sozinho.

 

                                                               ...

 

Mas... Por que todo mundo naquela escola parecia ser amigo de Jeno? E assim eles não estavam dispostos a serem seus amigos. 

Quando ele chegou na mesma classe que Jeno, ele tinha um redemoinho de gente ao seu redor e ele sorria tão simpaticamente pra todo mundo e tinha tanto assunto com seus colegas e amigos. Renjun só pode observar colocando sua mochila sobre a mesa e sentando-se enquanto esperava pela aula. Ninguém perguntou seu nome ou ao menos notaram que ele era um novato. Ele deu de ombros e decidiu então que ficaria sozinho.

                              

                                                               ...

 

No refeitório ele notou que Jeno ainda era mais popular enquanto sentava-se sozinho. Por fim ele decidiu que iria comprar um pão e iria comer fora do refeitório, era menos vergonhoso.

Ele não recebeu quaisquer olhares de Jeno durante o dia todo, nem mesmo quando ele foi chamado para se apresentar aos colegas Jeno o encarou. Ele estava pensando se havia dito algo errado nas poucas vezes que havia conversando com ele.

 

                                                               ...

 

E essa situação tão tensa durou por um semestre inteiro, mas Renjun conseguiu sustentar uma amizade bem fraca com um dos amigos de Jeno e isso só foi possível porque o garoto era realmente muito simpático. Seu nome era Na Jaemin e ele era muito engraçado quando agia de modo fofo e o chamava de hyung como se fossem amigos de longa data. Eles conversavam banalidades e era bem pouco, eles não se sentavam juntos no refeitório porque Jaemin se sentava com Jeno e todos os outros, mas pelo menos nos trabalhos em dupla Jaemin fazia com ele enquanto Jeno sempre fazia com Donghyuck.

 

Renjun queria confrontar Jeno em algum momento antes de ir embora da casa dos Lee. Ele queria saber porque Jeno era uma rocha que nem goteira a longo prazo poderia destruir. Queria saber porque Jeno não gostava dele, o que ele fez de errado?

 

                                                                               ...

 

 

Um dia eles tiveram a chance de ficarem sozinhos.

A senhora Lee havia sido sorteada para ir a praia por um final de semana e poderia levar um acompanhante. Ela então foi para sua vigésima lua de mel com o senhor Lee.

Durante o dia de sábado Renjun limpou a casa e fez miojo para ele e para Jeno, ele tinha caprichado fazendo um tempero especial que ele costumava fazer na China. Ele subiu as escadas e foi chamar Jeno para almoçar com ele naquele momento, mas antes que pudesse bater na porta ele se deteve. Por trás daquela madeira ele escutou algo que poderia solucionar todo o mistério sobre porque Lee Jeno não gostava dele.

“Não tem motivo, eu apenas quero ficar esse fim de semana com você, Donghyuck! Eu não quero ficar aqui com o chinês.”

Houve um silencio Renjun supôs que Donghyuck estivesse respondendo ao telefone.

“Ele me deixa nervoso... Apenas eu me sinto tão nervoso.”

Renjun desceu lentamente as escadas depois disso e com todo cuidado para não fazer barulho. Ele sentia que seus olhos estavam secos e que seu coração estava sendo apertado. Ele odiava a sensação de ser tão indesejado em algum lugar. E ele estava tão malditamente sozinho naquele lugar por seis meses. E ele nem sabia porque o outro ficava tão nervoso com ele.

Enquanto ele guardava o miojo depois de ter perdido seu apetite ele escutou que Jeno estava ali com ele na cozinha. O jovem Lee sentou-se na cadeira e bateu com o celular sobre a mesa e isso assustou Renjun que simplesmente disfarçou qualquer sinal em seu rosto de estar de alguma forma triste e se virou para Jeno.

“Eu fiz miojo, mas não quis incomodar você te chamando...”

Ele voltou a colocar a panela sobre a mesa.

“Você não comeu?”

“Perdi a fome.”

E um silêncio se formou. Nem mesmo ações foram feitas por cerca de dois minutos, depois um longo suspiro foi dado por Renjun que decidia ir para seu quarto.

“Almoce... Junto comigo então, mesmo que você esteja sem fome... Deveria comer para não adoecer.”

“Tudo bem, eu venho comer depois.”

“Por favor... Sente-se comigo e vamos comer juntos.”

“Eu –“ Eu só não queria ser um incômodo. Era o que Renjun desejava dizer, mas se deteve enquanto se sentava por fim.

Talvez fosse o momento perfeito para confrontar Jeno e ele poderia então perguntar: Fiz algo errado? Você não me suporta? É o meu jeito de andar? Você não gosta do meu sotaque? Você acha que roubei a atenção da sua mãe? Por que você é tão distante quando se trata de mim?

Enquanto do outro lado da mesa o coração de Jeno batia tão rápido que ele tinha medo que seu coração não desse conta de trabalhar normalmente. Ele estava soando frio, limpando a palma das mãos na bermuda e lembrando da primeira vez que viu Renjun tão perdido. Ele queria muito conversar com Renjun, ele primeiro gostaria de saber se ele jogava overwatch, depois queria saber um pouco mais sobre a história que ele havia começado a contar para sua mãe sobre ele saber cantar, queria ouvi-lo e queria conversar e brincar com ele. Queria poder dar risada em uma conversa confortável. Mas ele não conseguia porque ele simplesmente travava.

No momento que ele olhava para o rosto de Renjun, que ele começava a observá-lo demais ele sentia vontade de chorar. Porque ele estava bobamente o admirando, o amando em segredo e tinha tanto medo desse sentimento.

Um sentimento que ele nem viu começar. Talvez fosse amor a primeira vista. Renjun de camisa xadrez, tênis preto, os cabelos e o jeans surrado azul claro e a voz tão serena quanto uma ópera. A educação ao conversar e o modo de andar. Ele o teve observando desde o primeiro momento e ele pensou “ele tem um rosto comum” e em segundo tempo ele já pensou “ele é tão bonito em todos os detalhes”.

“Como você ganhou essa mancha na sua mão?”

“Não sei, ela apenas apareceu.”

“Você já foi ao médico?”

“Não há nada que se preocupar.”

“Hm.”

“É.”

                                                                        ...

Na semana seguinte, nada mudou.

Mas um dialogo aconteceu entre Donghyuck, Jaemin e Jeno.

“Por que ele me deixa nervoso, Donghyuck?”

“Sei lá, você é meio doido.”

“É sério, olha para ele... Ele é tão bonito e educado, ele tem aqueles olhos que parecem tão quentes-“

“Jeno, você tem dezessete anos pelo amor o que você está insinuando?”

“Você que deve se colocar na sua idade, eu não estou insinuando nada! Estou dizendo que ele tem um olhar diferente, é como se ele pudesse carregar todo o amor do mundo.”

“Eca.”

Nesse momento Na Jaemin interrompe.

“O que eu não entendo é o motivo dele morar na sua casa e vocês não serem amigos.”

“Eu acho que sou um pouco rude, mas é que eu não sei como eu deveria agir.”

“Você deveria simplesmente fazer amizade com ele e se ele demonstrar que tem o mesmo interesse que você, então você deveria apenas dizer a ele ‘oi, então eu acho que eu sou muito apaixonado por você ao mesmo tempo que sou um pouco babaca, mas espero que você também possa gostar de mim’”

“Você é muito intenso, Nana.” Donghyuck comentou maravilhado. “Coisa que o Jeno não consegue ser, porque ele aparentemente tem pânico de paixão”

“Eu também não me entendo.”

Por fim o dialogo se encerrou quando Renjun timidamente se achegou entre os três e chamou por Jaemin.

Restando apenas Donghyuck e Jeno que observavam com um olhar distante, Jaemin e Renjun conversarem alegremente.

“As vezes eu queria ser o Jaemin.” Disse Donghyuck. “Ele é bonito, confiante e muito bacana.”

“Eu queria ser o Renjun.”

“Você queria ver como ele é sem – “

“Me poupe.”

Jeno fechou literalmente o bico de Donghyuck com os dedos.

“Eu queria ser ele porque sendo ele eu entenderia o que se passa na cabeça dele.”

“E sendo assim vocês nem precisariam conversar sobre nada depois, tendo visto tudo de dentro para fora – “

“Ah! Cansei de você.”

 

                                               ...

 

 

“Parece que a gente sempre andar com um urso entre nós dois.”

Um dia enquanto voltavam da escola Jeno decidiu esperar por Renjun. Isso surpreendeu o chinês, mas ele não negou a conversa.

“É.”

“Você gosta de overwatch?”

“Não.”

 

 

...

 

Todos os dias depois daqueles eles voltavam juntos. Os ombros se esbarravam algumas vezes, os dedos também se encostavam, eles nunca diziam nada de fato. Apenas falavam sobre o clima, algumas banalidades.

“Aqui tem uma piscina pública.”

“Como soube?”

“O Jaemin.”

“Ele é bem comunicativo. Seu amigo realmente.” Jeno pontuou com certo desdém escondido e ninguém notou, nem mesmo ele. “Ele te convidou para ir?”

“Não, apenas disse que se eu sentisse muito calor poderia ir que era de graça.”

 

 

                                                                               ...

O jantar gradualmente ficava mais agitado, Jeno tentava entrar nas conversas, mas as vezes ele realmente não tinha o que dizer. Então apenas observava o modo que Renjun se comportava, como ele mastigava e a forma polida que ele se sentava. Sua mãe gostava muito dele.

 

                                                                               ...

 

“Você sabia que quando eu era mais novo eu ganhei um gato, mas tive que leva-lo de volta porque tive alergia? Hoje já não tenho mais, porém a minha mãe nunca me deixou ter outro.”

“Ela se preocupa com você.”

Calmamente Renjun respondeu. Nos últimos dias os diálogos tem se tornado mais detalhados, eles se sentem mutualmente confortáveis um com o outro, embora ainda sintam que o urso esteja cada vez diminuindo entre eles, ainda sim ele está lá.

Com toda a calmaria que eles estava sentindo naquele momento tudo parecia ter se tornado uma grande tempestade, Jeno timidamente encostou nos dedos finos e longos de Renjun por mais tempo do que o de costume, como se de alguma forma quisesse segurar pelo menos um dedo do outro.

O coração de Renjun bateu forte, seus olhos se abriram levemente e a sua respiração por poucos minutos ficou audível. Ele estava tão nervoso. Aquele simples toque parecia que tinha mandando por todo o seu corpo um choque tão leve e relaxante, ele queria muito segurar as mãos de Jeno. Ele se deteve. E os ombros se aproximaram ainda mais.

Nenhum dos dois disse nada.

Nem mesmo quando Renjun por fim segurou a mão do Lee mais novo, por cerca de trinta segundos eles deram as mãos e logo depois soltaram. Com um olhar tímido, Renjun encarou o rosto avermelhado de Jeno e logo ele mesmo sentiu que não havia mais sangue disponível para seu corpo, apenas para o seu rosto quente. Ele olhou para o outro lado e tentou controlar a respiração. Ele se perguntava a todo momento: Por que isso aconteceu? O que é isso que eu estou sentindo? Eu quero mais.

 

 

                                                                               ...

 

 

Em outro final de semana eles puderam ficar sozinhos novamente.

Renjun estava sentado no sofá enquanto olhava fotos em um aplicativo na internet, ele não estava de fato interessado, ele apenas não queria parecer entediado na frente de um Jeno que assistia televisão naquele mesmo momento.

E sentado no mesmo sofá que ele, não muito distante, entretanto ainda em uma distância confortável. Era a terceira ou quarta vez que eles sentavam-se assim juntos na sala, mesmo que não estivessem realizando a mesma atividade. Antigamente pelo menos, Jeno só vivia em seu quarto e agora ele até mesmo convidava Renjun para sair com ele e seus amigos.

“Jeno...” Renjun chamou baixinho. “Eu posso convidar o Jaemin para vim aqui esta tarde?”

“... Claro.”

 

Entretanto, enquanto Renjun e Jaemin se divertiam seja no quintal ou na sala, Jeno havia apenas cumprimentado o amigo e logo depois entrou para o próprio quarto com a desculpa de que ele estava com uma leve dor de cabeça.

 

Depois de um tempo, quando aparentava ser uma sete da noite, Renjun bateu na porta do quarto de Jeno e entrou quando foi autorizado. Jeno estava jogando overwatch e não deu de fato atenção ao outro.

“Eu trouxe um remédio para sua dor de cabeça, mas você está jogando então só pode estar bem.”

“Eu estou bem.”

“Isso é... o overwatch.”

Jeno parou por um momento e isso fez com que ele morresse no jogo. Ele deu uma pequena risadinha achando engraçado o sotaque de Renjun quando ele disso “overwatch”.

“É.”

“Você me ensinaria a jogar?”

Depois de um tempo Jeno respondeu.

“Claro. Eu sou melhor que o Jaemin de qualquer forma.”

“Eu não sabia que ele jogava.”

“Ele nem se compara a mim, ele é totalmente um novato que não sabe nem mirar direito.”

“Coitado de mim então, eu sou acostumado a jogar xadrez apenas.”

Jeno soltou uma gargalhada e chamou Renjun para se sentar ao lado dele enquanto ensinava as regras do jogo.

 

 

                                                               ...

No domingo eles tomaram café juntos e deram risadas sobre o péssimo desempenho de Renjun no jogo. Eles estava virados, passaram a madrugada inteira jogando e rindo e praticamente não tinham energia nem mesmo para levar a colher à boca no café da manhã.

“É questão de prática...”

“Jeno.”

Renjun chamou por fim depois de um tempo. Estranhamente ele tinha tomado coragem. Uma conversa martelava em sua cabeça e ele queria muito perguntar diretamente a pessoa que era motivo dos boatos alheio.

“Sim?”

“Um amigo me contou que você é muito gentil e divertido. Isso eu sempre notei...” Renjun fez uma pequena pausa. “Mas eu nunca notei algo sobre você, talvez realmente não é algo que a gente deva notar, mas eu fiquei curioso – “

“O Jaemin te disse que eu gosto de garotos?”

Renjun se deteve. Não era isso.

Mas com certeza foi uma descoberta ainda mais chocante do que perguntar a ele se ele se sentia realmente confortável cercado de tantas pessoas.

A colher pousou sobre o prato. Jeno bebia suco normalmente, alheio que aquela noticia pegou Renjun de surpresa.

“Os meus pais sabem.”

“N-Não era isso, Jeno.”

Com uma constatação, Jeno sentiu-se verdadeiramente envergonhado. Jaemin mais cedo havia lhe mandando uma mensagem dizendo que Renjun sabia a verdade. Então ele queria ser o primeiro a dizer a verdade para poder deixar que Renjun não ficasse sem graça.

Ele então percebeu que Jaemin o fez dizer algo que ele poderia esconder por mais tempo. Mas de fato não era culpa dele.

“Eu pensei que fosse isso.” Ele disse baixinho. Ele se sentia com medo de afastar Renjun e logo agora que eles estavam se dando bem.

“Mas de qualquer forma... Eu – “ Ele engoliu em seco e olhou pro rosto espantado de Jeno. Ele era bonito demais. E ele estava com medo. Renjun via que Jeno queria naquele momento correr para seu quarto. “Eu acho que você é muito corajoso de ter se aberto com seus pais.”

“O-O que você ia perguntar a princípio?”

“Não era nada.”

 

 

...

 

 

Renjun não dormiu aquela noite. Ele e Jeno pareciam ter comprado juntos um urso ainda maior. Depois do pequeno dialogo, o jovem Lee se trancou no quarto e Renjun não fez diferente.

Enquanto analisava a situação ele pode constatar que de alguma forma ele já sabia.

Mas e quanto ao que ele mesmo gostava?

Bom, desde o principio Renjun achou Jeno tão bonito. Mas qualquer pessoa diria que ele era realmente bonito independente da orientação sexual, Jeno é bonito ao extremo.

Depois de um tempo ele se incomodou por se achar um incômodo e ele queria ser aceito por Jeno, queria ser amigo dele e queria ser próximo dele. As vezes quando Jeno o olhava, ele sentia que sua pele queimava no mais clichê possível quando descrevem a paixão.

Quando eles seguraram as mãos, Renjun bobamente ficou receoso sobre aquilo. Ele queria segurar por mais tempo. Ele queria abraçar Jeno e queria tocar os lábios bonitos que ele tinha. Ele desejou isso, mas era inalcançável.

Ele mesmo ainda não havia entendido que ele desejava Jeno como um namorado. Ele queria ser o amigo de Jeno, mas o amigo mais próximo dele, aquele que eles poderiam compartilhar juras de amor e prometer amar um ao outro até a eternidade.

A juventude é intensa e nem sempre os romances costumam durar, entretanto Renjun não duvidava que se Jeno correspondesse aos seus sentimentos eles poderiam realmente casar-se num futuro e morrer juntos com um ou dois gatos.

Então por fim Renjun constatou que ele era muito apaixonado por Lee Jeno e que agora a possibilidade deles poderem ficar juntos estava elevado aos 50%. Os outros 50% só dependia do próprio Jeno.

 

 

...

 

Eles evitaram ao máximo um dialogo na semana seguinte. Eles voltaram juntos, mas não encostaram os ombros ou disseram qualquer coisa.

Jeno suspirava algumas vezes e isso era tudo.

Na cabeça de Renjun ele ainda estava organizando uma confissão perfeita. Ele sentia que aquele não era o momento ainda.

 

 

...

 

Um dia Renjun se machucou. Não era nada grave de fato, mas deixou todos os Lee tão preocupados. Ele havia tropeçado nos próprios pés no penúltimo degrau da escada do colégio e havia acabado por machucar as mãos que tentaram segurar seu corpo, ele apenas havia tido uma dor no pulso e estava tratando com compressas.

Jeno ficou preocupado quando soube que “o chinês da classe 2A caiu e ‘quebrou’ os pulsos”. Ele se desesperou, pois o único chinês do 2A era o que ele conhecia.

E todo soado com a respiração desregular ele foi até a enfermaria apenas para ver um Renjun dormindo pacificamente com o pulso levemente inchado.

No caminho para casa, Jeno se ofereceu para levar sua mochila.

 

 

 

...

Quando as provas finais estavam chegando, Renjun encontrou certa dificuldade com o coreano, ele queria ir perfeitamente bem nas provas porque queria ter um histórico perfeito, entretanto ele era péssimo na gramática e acabava por tirar sempre um setenta de cem e ele ficava muito irritado. Suas notas sempre eram entre noventa e cem.

“Jeno, me ajuda com coreano?”

“Hm? Você é tão bom!”

“Mas na gramática eu sou péssimo...” Renjun curvou as sobrancelhas levemente e de alguma forma sua voz saiu anasalada e baixa. Jeno teve por um segundo seus lábios separados por reflexo. Ele estava em choque.

“P-Por que você falou assim?”

“Assim como?”

“Você... Falou com aegyo?”

“Hm? Ew.” Renjun fez som de vômito e logo depois deu uma risada, mas Jeno apenas o encarava.

“Você deveria ter cuidado tendo em vista que eu tenho uma queda por você.”

Jeno não pareceu ter notado que sua frase havia afetado o outro de alguma forma. O jovem Lee apenas deu de ombros e por fim confirmou que o ajudaria em gramática coreana depois de um banho.

 

 

 

...

“Você deveria ter cuidado tendo em vista que eu tenho uma queda por você.”

“...eu tenho uma queda por você.”

Isso martelava na cabeça de Renjun por dias e noites e ele não conseguia mais encarar Jeno sem ruborizar. Jeno as vezes o olhava com certa vergonha também, parecia que ele demorou alguns dias para notar sua confissão indireta.

Jeno sentiu-se rejeitado. Porque por semanas Renjun nunca comentou sobre isso. Ele tomou como um “desculpe, mas eu não gosto de você” educado.

 

...

 

 

“Jeno.”

Um dia quando terminaram uma partida de overwatch com mais uma derrota, Huang Renjun chamou repentinamente por Lee Jeno. Ambos estavam sentados em frente a escrivaninha do jovem Lee com dois computadores ligados no breu do quarto de Jeno e em uma madrugada que chovia muito lá fora.

Em um suspiro apenas tempo o suficiente para que Lee Jeno pudesse colocar seus olhos nos olhos de Renjun e não pudesse pensar em mais nada além da repentina aproximação do outro. E então nem mesmo os olhos de Renjun ele conseguiu ver, apenas suas finas pálpebras e um par de sobrancelhas franzidas.

Ele sentiu os lábios trêmulos e secos de Renjun sobre os seus e sentiu as mãos dele sobre sua nuca, como se o impedisse de se afastar. Não era como se ele quisesse de qualquer forma. Ele apenas estava estático e não sabia o que fazer.

Renjun lentamente se afastou e sem abrir os olhos apenas grudando as testas ele colocou sua outra mão sobre o ombro de Jeno e sussurrou:

“Por favor, feche os olhos também.”

Jeno fechou lentamente os olhos e ele mesmo voltou a se aproximar de Renjun, porém dessa vez ele não desejou apenas um roçar de lábios, ele queria sentir tudo que poderia do beijo de Renjun. Jeno levou uma de suas mãos para o cabelo de Renjun e a outra ele pousou educadamente sobre a cintura dele. Jeno suspirou e entreabriu seus lábios sobre os de Renjun o incentivando a fazer o mesmo, quando as línguas se encontraram dentro da boca de Renjun, ambos sentiram todo o corpo suavizar. Parecia que todos os problemas e incertezas tinham ido embora. Aquele beijo parecia dizer “nós gostamos um do outro de verdade” embora fosse inacreditável.

Lentamente eles se separaram e suas mãos de distanciaram ainda mais do corpo um do outro, eles não tiveram coragem de se encarar por mais de meio segundo. Renjun começou a arrumar seu próprio computador querendo ir logo para o seu quarto e Jeno fingiu estar limpando o teclado.

Em certo momento, Jeno apenas pensou “foda-se” e puxou Renjun novamente para mais um beijo de língua, dessa vez ambos em pé eles notaram que tinha praticamente a mesma altura e que ambos não sabia se estavam mesmo beijando direito, mas eles apenas pensavam que estavam indo bem porque o beijo estava bom.

Separando-se novamente, Renjun guardou sua insegurança e perguntou:

“Eu beijo bem?”

“E eu?”

“Bom, eu perguntei primeiro.”

“É o melhor beijo que eu já recebi.”

Ele não diria que foi na verdade o primeiro.

 

...

 

“Quando você começou a gostar de mim?”

“Hm, desde o momento que você chegou.”

“Isso é impossível.”

“Não, não é.”

“É!”

Um momento de silêncio e logo depois Jeno prosseguiu enquanto acariciava os cabelos de Renjun, a visão dele era perfeita com os lábios inchados e vermelhos de tantos beijos e os olhos brilhando pelo sentimento gritante que ele sentia.

“Todos os detalhes de Huang Renjun chamaram a atenção de Lee Jeno.” Eles sorriram e Renjun silenciosamente perguntou quais detalhes. “Você todo educadinho, nervoso e com o tênis preto. Você soava tanto e mesmo assim tentava a todo custo me fazer te olhar, mas eu já tinha te olhado tantas vezes que eu precisava mesmo observar outras coisas ou não teria mais condições de disfarçar a primeira impressão que tive de você.”

“Bom, o que seria isso?”

“Isso?”

“Eu também tive uma boa impressão sobre você e eu queria a todo custo fazer de você meu amigo, talvez desde aquele momento eu quisesse muito que você me amasse dessa forma.”

“E por quê?”

“Bom... Todos os detalhes de Lee Jeno chamaram a atenção de Huang Renjun!”

“Assim não vale.”

“Ah, é que ninguém mesmo explica uma paixão.”

“Eu sou só uma paixão?”

“Não! Você é a paixão.”

“Paixão...”

“Amor...?”

“Por que está tremendo?”

“Eu não sei.”

Eles riram mais uma vez e trocaram um selinho.

“Vamos juntos viver lentamente o nosso primeiro amor.”

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          FIM.


Notas Finais


No dialogo final quis deixar de forma bem mascarada que a maioria dos relacionamentos na juventude não duram até a eternidade hoje em dia, porém mesmo com essa insegurança e com um primeiro amor intenso o Jeno quis acalmar todo o coração de Renjun e o dele mesmo dizendo para que eles aproveitem lentamente o primeiro amor e dessa forma eles poderão determinar se eles ficarão juntos para sempre ou não...
Claro que pra minha felicidade quero que dure pra sempre nhonhoo
ahahah
Espero que tenham gostado <3


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