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História Leonardo e Meredite - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Parte 12


     Meredite realmente ali permaneceu, por horas. O Sol começou a dividir seu trono com um vento suave e refrescante que sacudia as flores e carregava sementes. A artesã aproveitou para caminhar pelas cercanias, descobriu novos riachos, encontrou muralhas em ruínas que atiçavam sua curiosidade, e, já era quase noite quando encontrou uma cachoeira. Se aproximou, bebeu um pouco de água, lavou seu rosto e mãos, mas decidiu deixar a natação para outra oportunidade. Ficou oculta na mata, apoiava-se em uma árvore, ouvindo a sonata das águas. Purificando seus horizontes. Sua disposição já começava a impeli-la a iniciar sua volta para casa, quando o barulho de passos se aproximando da cachoeira através da estrada, lhe deixou alerta. A noite se precipitara mas a Lua estava imensa clareando a paisagem, de forma que Meredite conseguiu identificar quem chegava.

     Era o príncipe. E estava sozinho. Mas ela desconfiou que ele estivesse acompanhado por alguma escolta que se mantinha afastada dos olhares de possíveis testemunhas. Porque, nos últimos tempos, o muito sobre o que ela vinha sendo avisada sobre ele, deixava inquestionável que ele passava grande tempo conhecendo outros reinos... Realizava esses passeios com amigos, sua família ou escolhia alguns membros de sua guarda para contar com seus conselhos. Sua rotina em seus domínios seguia o mesmo padrão. O motivo desse comportamento era, para ela, inusitado, divertido até... Comentavam que ele adorava falar! Era algo compulsivo! E de acordo com as declarações que ela ouvira, apesar de tagarela, ele nunca se tornava enfadonho ou vazio. E como falava, escutava.

     Ela estava diante de um enigma para seu dom. Porque, se a primeira impressão que ele lhe transmitira, era de um ser um tanto intransigente, várias das poucas pessoas que lhe viram não o tinham em tão má conta assim. Saber dessa avaliação gentil que ofereciam à personalidade dele, porém, não diminuía o drama que ela estava vivendo. Aparentemente então, o problema dele era com ela. Pois o dia em que se encontraram tudo pareceu acontecer exatamente ao contrário, culminando com ele lhe ordenando a construção de um amuleto para si.

     No entanto, ela percebeu a estratégia dele... Falava muito com os que contavam com sua confiança, para que estes também se sentissem à vontade para falar e assim lhe respondessem, o ajudassem. E todos sabiam disso e gostavam de auxiliar. Mas não sabiam o que ela ainda descobriria, naquela noite, a noite que a faria decidir criar o amuleto. Eles já viam um grande líder em um príncipe que desde sempre buscara sua voz.

     Meredite observava... Ele se aproximou da cachoeira, sentou em uma pedra e ficou admirando a queda d'água, em silêncio, por um tempo, depois, voltou a falar. Ela buscava por todos os lados, procurando visualizar vultos, perceber algum tipo de resposta enviada a ele, mas não havia absolutamente nada. Ele estava falando consigo mesmo, em voz alta. Ela resolveu então se aproximar sem ter a intenção de ser notada. Caminhou com habilidade acompanhando o curso da mata, esperou... E escutou... Por minutos que pareciam não terminar. Os pensamentos e dúvidas dele tinham mais peso e correntezas do que aquelas águas que caíam. Era sábio e não entendia isso ainda... Porque, pelo que ela assimilara, ele não estava escutando as suas perguntas, que já eram respostas.

     Ele precisava de um amuleto. E ela já sabia qual seria. Mais um cristal que ela nunca havia oferecido semelhante. Desde que o avistara e resolvera guardar, sabia que a ocasião correta se apresentaria. Era uma pedra redonda, lisa. Qualquer pessoa, ao primeiro olhar, diria que era negra, mas era azul. Um azul tão forte e compacto, que, apesar da pedra ser cristalina, não parecia assim. Ela significava um voo, um céu, que o faria reencontrar e se encantar com sua própria claridade.

     A moça retornou à sua residência, e, naquela mesma noite confeccionou a peça. Em seguida, ela foi até o local mais reservado e florido de seu jardim e ali depositou o amuleto, para que ele repousasse e sentisse a chegada do dia. Voltou a recolhê-lo e o guardou em segredo, envolto em um lenço de veludo prateado.



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