História Les Marcheé - Capítulo 59


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Bruxas, Dragões, Guerras, Império, Magia, Medieval, Mistério, Romance
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 59 - Diante dos portões


 

Diante dos portões do castelo de Bherto, Lorde Codhe fora recebido com grande alvoroço, tanto pelos seus lordes quanto pelo povo, que ainda permanecia pelos arredores comemorando seu retorno à salvo e a vitória sobre a maldição.

Sentiu-se orgulhoso ao ver o grande número de pessoas que estavam ali, celebrando a vida, famílias inteiras unidas e salvas. Dirigiu-se para o interior do castelo, onde esperava encontrar sua amada Mclin. Foi direto para a Torre Bhertophel e ninguém o parou em seu caminho, pois todos sabiam que, certamente, o Lorde Mago do Fogo ansiava ver sua amada.

Lady Mclin estava largada em uma poltrona, desacordada pela exaustão. Estranhou o fato de Ventura não estar ali, nem mesmo sentia a presença quente e poderosa da Musa.

— Mclin! — abaixou-se diante da moça e tocou-lhe a face.

Percebendo que estava fria e a cor desaparecia de sua face, preocupou-se. Não era apenas um sono de exaustão, era algo mais grave. Ele temia que Mclin tivesse usado todo o seu poder para aquele feito e isso a fizesse dormir para sempre, ou talvez, fosse até um efeito da maldição. Pensou em Lady Hestea e desejou que ela fosse castigada por todo o mal causado, mas isso agora já não era de sua conta e não poderia interferir. Sua preocupação principal era com a saúde de sua amada.

Pegou-a em seus braços e levou-a para o quarto, onde ela ficaria mais confortável e poderia receber cuidados mais específicos, pois na Torre Bhertophel poucos podiam entrar. Precisava encontrar alguém com um poderoso dom de cura, pois era provável que remédios normais não funcionariam.

Memórias do passado lhe vieram à mente, repetindo o mesmo fato ocorrido há muitos anos, quando Mclin adormeceu por vários dias, justamente, quando ele partira para Imperah pela primeira vez. Naquela época, ainda chamava-se Loren, quando acordou estava mudada, por causa daquele sono se tornara o que era hoje: Lady Mclin. Lorde Codhe tinha um temor em seu coração: e se ela acordasse novamente diferente?

Assim, com urgência, deixou a lady sob cuidados das veilanas e foi em busca da pessoa que mais lhe pareceu apropriada para curar Lady Mclin.

 

  

No centro de Boandis, a comoção era imensa. Estavam aliviados pelo fim da tempestade que trouxera a maldição e, após a vida retornar como um milagre, ficaram mais que gratos. Aos poucos, começavam a voltar para suas casas, eufóricos por encontrar seus entes queridos, que pouco antes, julgavam mortos e perdidos.

Lady Khei, finalmente, sentiu seu coração em paz. Avistou o alvoroço que se fez no salão principal, pegou o corredor lateral e foi em direção às pessoas que lá estavam, viu Lorde Shaido retornando e esse era o motivo da comoção; sorriu aliviada. Antes que pudesse alcançá-lo, esbarrou com o lorde que havia lhe ajudado no início, o jovem que lhe dera a sugestão para a barreira antes mesmo que se soubesse dos efeitos da maldição.

— Sua sabedoria e agilidade me foram muito úteis — começou Lady Khei, em tom de gratidão. — Quero lhe agradecer e saber seu nome.

— Não há motivo para me ser grata, fiz apenas minha obrigação. — Ele respondeu em tom humilde, olhando-a intensamente.

— Espero contar com sua amizade. Vejo que é um lorde sábio e poderoso — sorriu, impressionada com a postura do rapaz misterioso.

Ele abriu ainda mais o sorriso e acenou positivamente a cabeça, se afastando sem desviar o olhar.

— Qual seu nome? — gritou, ao vê-lo se afastar sem lhe dar resposta. Mas ele não respondeu, apenas manteve o sorriso até sumir entre a multidão aglomerada que desejava se aproximar do governador.

Não era a primeira vez que Lady Khei ficava estupefata diante de um lorde poderoso e esquecia-se de todo o resto a sua volta. Talvez, isso fosse um defeito incorrigível e até constrangedor da sua parte, mas não conseguia evitar ficar encantada. Contudo, de todos os belos e poderosos lordes que havia conhecido em sua vida, esse misterioso e charmoso jovem tinha uma aura completamente diferente e envolvente, que fez Lady Khei sentir um calor estranho e um formigamento no corpo.

Com certeza, descobriria seu nome e esse enigma a fazia desejar ainda mais rever o jovem. No entanto, para aquele momento resolveu deixar de lado esses pensamentos e dirigiu-se para encontrar Lorde Shaido.

Sorriu para o amigo, que retribuiu com elegância, cumprimentando-a pelo excelente trabalho em manter os escudos, mostrando que o poder de Lady Khei era merecedor de glórias e respeito.

— Se um dia a necessidade me obrigar a entregar o governo, já tenho um nome em mente — disse Lorde Shaido, com um sorriso simpático.

— Quase não o reconheço fazendo tão grande elogio! — Khei sentiu sua face corar. — Porém, cada um de nós fez o melhor para assegurar a vitória! Todos merecem créditos!

Nesse momento, Lorde Codhe entrou no salão, sendo aplaudido e louvado pelos que ainda estava no local. Cumprimentou brevemente com um gesto de mão e sorriu amigável, porém, era visível a preocupação em seu semblante.

Lady Khei foi ao encontro do irmão:

— Por que não vejo o brilho de felicidade em seus olhos, irmão? — sentiu que havia algo perturbando o gêmeo.

— Porque nem tudo são flores… — olhou para Lorde Shaido, que se aproximava. — Mclin adormeceu, novamente.

— Soube que ela estava mantendo o escudo de Bherto, junto a Ventura — comentou o governador. — Pode ser exaustão pelo grande labor.

— Lorde Shaido, talvez você não saiba — continuou Lorde Codhe —, mas não é aprimeira vez que esse tipo de sono cai sobre ela. Aconteceu alguns anos atrás, quando eu e Khei partimos para Imperah.

— De fato, eu não sabia. Qual foi a consequência desse sono naquela época?

— Loren morreu — disse em tom baixo e pensativo —, e nasceu Lady Mclin, cujo poder ainda é enigmático para todos nós.

— Meu irmão! — Lady Khei se sobressaltou. — Pensa que pode acontecer algo do tipo novamente?

— Ou talvez, dessa vez não volte a acordar!

Houve um momento de silêncio, enquanto os três dirigiram aquela ideia, bastante palpável.

— As Musas não estão mais em sua forma física, não podem ajudar Mclin — afirmou o Mago do Fogo, olhando para o governador. — Se existe alguém cuja magia envolve a maestria de cura, é você Lorde Shaido.

O governador acenou positivamente com a cabeça e concluiu:

— Iremos para Bherto, imediatamente. — Sem esperar qualquer resposta, dirigiu-se ao centro do salão abrindo um portal. — Devo muito à Lady Mclin, e se meu poder de cura puder alcançá-la, assim farei.

Lorde Codhe foi o primeiro a passar, seguido de sua irmã. Assim que Lorde Shaido virou-se, percebeu Lorde Meyne se aproximando com Allegra no colo.

— Lorde Shaido! — chamou-lhe Allegra, com voz chorosa. — Vamos nos ver novamente?

— Claro, minha amiga! Assim que resolver todos os problemas, vou em Imperah visitá-la — respondeu simpático.

Ainda que estivesse sem tempo devido as circunstâncias com Lady Mclin, não poderia ser rude com a pequena, que tanto sofrera nas mãos da odiosa mãe. Desejava poder dar maior atenção para a menina, que merecia muito carinho e amor, mas não poderia naquele momento.

— Obrigado, Lorde Shaido. — O Lorde Mago do Gelo sorriu ponderado, agradecendo genuinamente pelo que o governador havia feito por sua filha, ao salvá-la de Hestea.

— Haverá um momento mais oportuno para agradecimentos — respondeu sério. — No momento, preciso salvar uma grande amiga em Bherto.

— Boa sorte, Lorde Mago da Luz — disse o albino, com um sorriso grato e se virando para a saída.

Lorde Shaido cruzou o portal, que se fechou assim que ele passou.

Allegra ficou olhando para o portal, até que toda luz tivesse se desfeito, então perguntou:

— Lorde Shaido é um Lorde Mago igual a você, papai?

— Sim, ele recebeu a graça de Kursora e dominou o Tione Resplandecente.

— Então ele vai entrar pra Tríade? — perguntou curiosa e com uma ponta de alegria na voz.

— Provavelmente — respondeu sério e uma ruga se formou em sua testa.

— Então, ele vai ir para Imperah e poderei vê-lo todos os dias? — sorriu contente.

— Talvez… — estreitou os olhos com a possibilidade de ter que conviver com o lorde de personalidade arrogante.

— Uhuuuuul! — comemorou abertamente. — Você e Lorde Shaido vão ser amigos?

— Não.

— Quando eu crescer, posso me casar com Lorde Shaido?

— Nem que a vaca tussa!

Allegra riu, achando engraçada a expressão do pai, mal sabia ela, que aquela afirmação era verídica e demonstrava que havia uma diferença bem gritante entre gratidão e amizade. A conversa de ambos seguiu um rumo descontraído enquanto passeavam pela praça de Boandis, pois Lorde Meyne queria que a pequena se distraísse para amenizar o possível trauma que ocorreria devido o que presenciou no precipício, mas tudo foi em vão quando a criança perguntou:

— E a mamãe? Ela vai ficar boa de novo e voltar para casa, como daquela outra vez que ela foi presa?

Lorde Meyne a abraçou com força e pensou numa resposta rápida para não demonstrar seu abalo.

— Sim, ela vai ficar um tempo longe, mas quando ficar boa de novo, ela voltará.

O Lorde Mago do Gelo chorou em silêncio, pela mentira que contou a tão inocente criança, pois possivelmente, Lady Hestea jamais voltaria para casa. No entanto, naquele momento, era melhor que Allegra não percebesse o quão horrível foi o feito da mãe, tampouco soubesse do que se sucedeu a Dama Albina, pelo menos, até crescer e ser capaz de compreender.

 

 

Assim que os três amigos chegaram no castelo de Bherto, correram para o quarto onde estava Lady Mclin, assistida por uma veilana, que Lorde Codhe imediatamente soube não ser sua serva. Estranhou, mas no momento toda ajuda era bem-vinda.

— Nenhum sinal de despertar? — Perguntou o Mago do Fogo, se aproximando da cama.

— Dê tempo ao tempo, meu bom lorde — respondeu a moça, com um sorriso delicado. — O que o destino nos reserva, um dia se realiza.

— Quem é você? — Lorde Codhe perguntou sério, notando algo de peculiar naquela moça. — Não é dos servos do castelo de Bherto, pois conheço suas faces e sei seus nomes, mas você é a primeira vez que vejo.

A jovem de cabelos longos acinzentados sorriu e estendeu as mãos sob o corpo de Lady Mclin.

— Sou Meredith, estou aqui para ajudar sua lady a encontrar-se no mundo.

O quarto se iluminou pela luz vinda das mãos de Meredith. Os três se admiraram, pois aquele poder era muito semelhante a magia que os Lordes Magos usavam; era do mesmo nível.

— É uma Lady Maga? — questionou Lorde Shaido, intrigado. Percebendo que a magia que ela concentrava era de cura, muito superior a que ele possuía.

A moça não respondeu, fechou os olhos e continuou concentrada em sua função, até que Lady Mclin abriu os olhos assustada, puxando o ar com toda força até os pulmões. Meredith recuou as mãos e se levantou, afastando-se, dando espaço para que os amigos se aproximam.

— Mclin!

O primeiro a abraçá-la foi Lorde Codhe, que demonstrou alívio ao ver sua amada viva e acordada. O abraço foi correspondido com paixão, comprovando que Lady Mclin era a mesma e que ainda o amava.

Ouviram-se risos e exclamações. Lady Khei, imediatamente olhou para Meredith, para agradecer e apresentá-la a amiga recém desperta, a jovem estava na porta, fazendo-lhe um sinal para que ficasse em silêncio. Por isso, Lady Khei não fez nenhum comentário quando viu a moça saindo do quarto, demonstrando que não precisava de agradecimentos. 

— Confesso que desejava ter sido eu a acordá-la — disse Lorde Shaido, sorrindo. — Sinto que vou continuar em dívida com você.

Lady Khei riu, em seguida questionou intrigada:

— Como? Mas Codhe e Khei não possuem dom de cura. Se não foi você, quem foi?

Os rapazes procuraram por Meredith, precisavam agradecê-la, mas a moça não estava em nenhum lugar. Lady Khei sorriu sem graça e explicou:

— Ela saiu discretamente.

Aquilo deixou-os abismados, pois queriam conversar com a moça, convida-la para as comemorações que se seguiria no banquete da vitória. Meredith ganharia honrarias, já que fora a responsável por despertar Mclin do sono.

— Ora, que pena ter ido sem dizer nenhuma palavra — lamentou-se Lady Maclin. — Como era mesmo o nome dela?

— Meredith — respondeu Lorde Codhe. — Vou mandar um mensageiro procurá-la, não deve ter ido longe.

— Meredith, um belo nome — Mclin refletiu. — Gostaria de conhecê-la.

 

A noite entrou e os festejos começaram em vários pontos de Boandis. Meredith não foi encontrada, mas todos estavam bem e tudo voltaria ao normal com tempo e trabalho em união. Mesmo havendo muitos danos materiais, como casas destruídas, muros e pontes caídas, campos e plantações devastados, nada era preocupante quando se tinha a vida de volta.

Naquela noite, celebrariam a vitória sobre a maldição, exaltariam as Musas e a nova Tríade Imperial que salvou o litoral da petrificação. Novos nomes seriam acrescentados nos livros de historias, e novo mitos seriam contados para muitas gerações futuras.

O império de Les Marcheé estava em paz novamente. Pelo menos, enquanto existissem pessoas de bom coração.

 


Notas Finais


Bem, meu amados, chegamos no fim!
O próximo capitulo será um breve epilogo!
Obrigada de coração a todos que favoritaram, comentaram, apoiaram, mandar mp, conversaram via face! Tudo foi muito importante nessa jornada e me deu motivos suficientes para não desistir e manter o foco.

Espero encontrá-los no próximo e também nas próximas historias que pretende postar, tanto deste universo como de outros.

Obrigada! E até! ♥


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