História Les Trois Visages de L'amour - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ~Nay_Migliori

Postado
Categorias Orange Is the New Black, Orphan Black
Personagens Alex Vause, Cosima Niehaus, Dr. Aldous Leekie, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Katja Obinger, Kira Manning, Paul Dierden, Personagens Originais, Rachel Duncan, Sarah Manning, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Cophine, Cosima Niehaus, Delphine Cormier, Orange, Yuri
Visualizações 162
Palavras 4.099
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite!

Olá pessoas, eu sei que eu disse que só voltaria na semana que vem, mas vcs me conhecem né? Sou ansiosa haha

Sem mais delongas.... Boa leitura!

P.s: Me desculpem por qualquer dorzinha no coração lindo de vocês... Beijos!

Capítulo 19 - Tem certeza que quer fazer isso agora e aqui Srta. Frontenac


POV - Narrador 


   - Ah que isso, você não estava tão bêbada assim, aposto que se lembra de mim - Cormier a olhou fixamente e logo a reconheceu.

   - Você esteve em minha casa com a Srta. Frontenac, não? - Sarabelly assentiu - Sidney, se não me engano - estendeu a mão para ela e se cumprimentaram.

   - Isso mesmo, Sidney Sarabelly... - se apresentou - Sei que já te fizeram essa pergunta, mas o que faz aqui? - indagou enquanto servia uma dose whisky.

   - Por que tanta surpresa?

   - Só é difícil ver alguém como você por aqui - respondeu.

   - Pessoas vem aqui para beber, não vem? Então, é por isso que estou aqui - Sidney ergueu uma das sobrancelhas e entregou um copo para Cormier - Ainda não fiz meu pedido, o que é isso?

   - Beba que irá descobrir - Cormier hesitou um pouco, mas bebeu - Eai, o que me diz?!

   - Maravilhoso ... Provavelmente é o que eu escolheria - respondeu.

   - Eu sei, mas não estava falando da bebida - Delphine desviou o olhar do copo a sua frente e olhou para Sidney com o cenho franzido - O que te traz aqui Cormier? - quando ela ia responder foi interrompida - Espera! Deixa eu adivinhar ... Tem haver com a Cosima, acertei? 

   - Tá tão na cara assim? - perguntou Delphine.

   - Pra mim que sabe da história, sim, mas para as outras pessoas também - riram - Você quer conversar? - Delphine ficou em dúvida e nada respondeu por um tempo. Pensou que seria bom ter uma segunda pessoa para se abrir naquela noite, mas hesitou um pouco por saber da proximidade entre Sidney e Alex - Ei, eu não faço parte de nada disso, então não tenho lado nenhum e mesmo sabendo que provavelmente a Alex ficará puta comigo por estar conversando com você, eu não conseguiria deixar de te ouvir e te dar conselhos, isso não é do meu feitío.

   - Como você a conheceu? - indagou.

   - No dia em que ela descobriu que você era uma canalha e que só a tinha usado, ela veio até aqui, sentou onde você está sentada nesse exato momento e possuía a mesma cara de acabada que você tem agora - Delphine balançou a cabeça em negativa e bebeu outro gole de sua bebida - Ah, e ela também estava deprimida por causa da Cosima - sorriu.

   - Bom, então acho que não preciso te contar minha história, pois aparentemente você já a conhece - falou após ter terminado o whisky.

   - Toda história tem dois lados Delphine e no caso da de vocês ela tem três, eu só conheço um lado e posso apostar que os três lados são totalmente diferentes - serviu outra dose, dessa vez dupla.

   E pela segunda vez no dia Delphine se viu conversando com alguém e dizendo tudo o que tinha pra dizer. Não tinha o costume de abrir sua vida para pessoas que mal conhecia, mas levando em consideração que Sidney já sabia de tudo e a bebida que já começara a fazer efeito não se importou em dizer tudo o que sentia. 

   Apesar de ter dito para Scott que sentia algo muito forte por Cosima e que ela a levara do céu ao inferno em segundos, Cormier não foi tão incisiva, mas por algum motivo ela foi com Sidney. 

   - Olha Sidney, eu sei que o que eu fiz foi errado e que não se faz, mas a criação que eu tive não foi das melhores, porém eu sei que não explica ...

   - Mas justifica ... Eu tenho certeza que você teve um motivo que, no momento, julgou ser muito bom para fazer o que fez e por mais que não tenha sido como você esperava, aconteceu. 

   - Sabe, antes de fazer o que fiz eu achei que ficaria feliz e orgulhosa quando conquistasse meu objetivo, mas agora que eu o conquistei e aconteceu tudo o que aconteceu, eu não estou feliz e nem orgulhosa - sorriu debochada - Isso é engraçado e um pouco estranho.

   - Eu não acho ... Delphine, pessoas fazem o que querem sempre e muitas vezes se arrependem, é normal, você só está arrependida - Sidney agora estava sentada de frente para Delphine e fazia uma nota mental de se esforçar para não ser tão prestativa assim com todos os clientes, pois qualquer dia iria acabar perdendo o emprego.

   - Pois é, mas esse meu erro me custou uma pessoa que, até então, eu não sabia que era tão importante e que poderia me deixar tão vulnerável.

   - Você gosta dela, sempre gostou, só não sabia - Cormier desviou o olhar do nada e o fixou em Sidney - Esse desejo, essa vontade de tê-la  que você disse que sentiu no primeiro instante em que a viu e todo esse receio por sentir que ela tinha algo com a Alex só comprovam o que estou dizendo Delphine. Análise os fatos - Cormier se pôs a pensar. Reviveu todos os momentos que esteve com Cosima e até os que pensava nela.

   - Você pode estar certa - concordou - Posso te fazer uma pergunta? ... Na verdade, duas.

   - Claro! 

   - Primeiro: por que está me ouvindo e de certa forma até me ajudando? - indagou.

   - Porque apesar de saber de tudo o que você fez eu não consigo ter um olhar acusatório a seu respeito. Eu só vejo uma pessoa que teve uma vida difícil e que faz e segue o que aprendeu - começou - Não estou dizendo que você não tem culpa, porque tem, você poderia ter escolhido ser de outra forma, tomar outras decisões e seguir outros caminhos, mas por outro lado o fato de você estar aqui claramente arrependida do que fez me diz que você não tem um coração ruim, apenas não está em um momento muito bom da vida, o que a fez tomar as piores decisões e atitudes antes de se tocar do que realmente estava sentindo.

   - Nossa! ... Você é muito observadora - proferiu Cormier.

   - É um dom - brincou tentando amenizar o clima que fazia e conseguiu, Delphine sorriu - Agora que já consegui fazer você sorrir pelo menos um pouco, faça a próxima pergunta ...

   - Como eu faço para tentar concertar toda essa merda? - questionou suplicante.

   - Converse com Cosima, Delphine, deixe ela saber tudo o que passou, tudo o que a fez ser a mulher que é. Mostre para ela que você está arrependida, deixe ela entrar em seu coração, porque apesar de você manter toda essa pose de impenetrável, eu sei e vejo que você é mais manteiga derretida do que ela - aquela constatação fez um incômodo percorrer Delphine. Era humanamente impossível alguém a decifrar tão rápido e tão intensamente - Faça isso e ela irá enxergar em você a mulher que realmente é, não a que tenta a todo custo ser.

   Cormier suspirou e decidiu internamente que faria isso, mas iria ser cautelosa dessa vez. Era insegura quando se tratava de sentimentos e não queria fazer as coisas darem errado, de novo. Olhou em seu relógio de pulso e viu o ponteiro marcar 22h00, decidiu que estava na hora de ir.

   - Bom, preciso ir. Amanhã tenho que estar cedo no Dyad - levantou do banco em que estava sentada e pegou sua bolsa - E aparentemente eu estou atrapalhando seu trabalho e seu chefe não está feliz - disse apontando para um homem alto e barbudo que a fitava com uma certa quantidade de fúria em seus olhos. Sidney a acompanhou com o olhar e o homem a fuzilou intensamente enquanto cerrava o maxilar - Não se preocupe, darei uma boa gorjeta pelo atendimento para compensar - sorriram abertamente as duas. 

   - Delphine Cormier sendo Delphine Cormier - Sidney tambem se levantou e foi para trás do balcão, onde era seu lugar - Boa sorte Cormier! - Delphine já estava se direcionando para o caixa afim de pagar sua conta quando parou e se virou para Sidney.

   - Obrigada Srta. Sarabelly! - ofereceu um sorriso sincero para Sidney que logo foi correspondido.

   Delphine caminhou alguns passos apenas na intenção de voltar ao Dyad para pegar seu carro, mas percebeu que andava com certa dificuldade e decidiu que o pegaria no dia seguinte. Parou um táxi e em 30 minutos já estava parando em frente a sua residência.

   Estranhamente Cormier estava leve aquela noite. Ainda não estava completamente recuperada, mas em comparação aos dias anteriores poderia se dizer que ela estava ótima naquele momento.

   Delphine adentrou sua casa e se esquecendo do que aconteceu há dias atrás seguiu para seu escritório na intenção de beber apenas mais uma dose de whisky antes de ir dormir, mas ao alcançar a porta, que estava aberta, Cormier avistou toda a bagunça e destruição que agora era aquele cômodo que tanto amava. Desistindo de beber, Delphine virou as costas e subiu para seu quarto. Quase que no mesmo instante em que entrou ela começou a se despir, tirou seus sapatos, calças, camisa, lingerie e seguiu para o banheiro, precisava relaxar.

   Enquanto sentia a água percorrer seu corpo, Delphine revivia as sensações que sentira todas as vezes que se aproximava de Niehaus. Seu corpo, não podendo ser diferente, respondeu àqueles pensamentos, seu coração perdeu algumas batidas para logo em seguida acelerar loucamente e um intenso arrepio percorreu seu corpo. Naquele momento, embaixo do chuveiro, Delphine decidiu que conquistaria Cosima, decidiu que teria ela pra si, se ela assim ainda quisesse.


****


   - Ela está certa - disse Felix.

   - Eu não acredito que está do lado dela Fee - resmungou Cosima.

   - Eu não estou tô lado de ninguém, até por que não tem lado para ficar, mas ela está certa Cosima - Niehaus revirou os olhos e Dawkins prosseguiu - Todos estão aqui para te ajudar, você é a única que não enxerga isso.

   - Mas ela não tinha esse direito Felix, é minha vida, minha decisão, eu escolho que participa ou não.

   - Eu sei que é sua vida, mas se coloca no lugar dela Cos - Felix se sentou ao lado de Cosima no sofá e apoiou uma de suas mãos na coxa dela - Se ela estivesse morrendo você também não faria até o impossível para impedir isso? 

   - É ... Eu estou sendo tão egoísta assim Fee? - indagou.

   - Talvez um pouco meu amor ... - Niehaus apoiou os cotovelos na coxa e enterrou o rosto nas mãos - Não precisa de todo esse drama Niehaus, ninguém morreu e além do mais a Alex não está sozinha nessa, ela tem a Sidney - Dawkins sabia que com isso iria cutucar Niehaus, mas desde que se conheceram esse era seu passatempo preferido.

   - Você a conhece? - perguntou um pouco incomodada.

   - Não, mas a Alex me fala muito dela - Cosima revirou os olhos - Não a culpe Cosima, se você não estivesse tão insuportável nos últimos dias ela teria te contado também.

   Cosima adorava Felix, mas sabia que vinha um dia difícil pela frente, então se despediu de seu amigo e se encolheu em sua cama. Tudo o que Fee havia dito começara a fazer sentindo em sua mente e ela começou a perceber que ela quem era a idiota da história agora.

   - Parabéns Niehaus, estragando tudo, como sempre - disse em voz alta se lembrando de como sempre dava um jeito de estragar as coisas. 

   Não muito tempo depois de deitar, Cosima pegou no sono. Um sono intenso e profundo como há dias não tinha. Apagou completamente, não tendo sonhos e sem a chance de trocar de roupa ou ao menos tirar o óculos. 


****


   Naquela manhã, mesmo tendo dormido extremamente bem, Cosima acordou se sentindo um pouco indisposta e por alguns segundos cogitou a hipótese de não ir para o Dyad, mas precisava ver Alex, se desculpar por ter sido tão egoísta ultimamente. Iria perguntar sobre Sidney e diria que quer conhecê-la logo.

   Sem muita vontade tomou um banho não muito demorado e colocou a primeira roupa que viu em seu guarda-roupas, sem se importar muito com sua aparência. Fez seu famoso delineado nos olhos só para aplacar um pouco aquela cara de doente que fazia questão de acompanhá-la naquele dia.

   Pouco antes de se aproximar da porta de saída sentiu um certo aperto no peito que veio com um pouco de falta de ar, logo em seguida uma crise de tosse tomou conta de Niehaus. Já havia tido uma a dois dias atrás e foi assim que descobriu que estava doente, mas essa estava mais forte. 

   Cosima levou a mão na boca sabendo que aquela tosse traria consigo um pouco de sangue, como acontecera da última vez, mas após alguns segundos tossindo e assim que retirou a mão de sua boca se assustou com o que viu. A quantidade de sangue que tinha em sua mão era quase o dobro da outra vez, isso a assustou e a mesma logo sentiu outro aperto no peito e a falta de ar voltar ainda mais intensa.

   A indisposição que já existia em Niehaus agora era ainda maior, porém não se deixou levar. Após respirar profundamente recobrando o ar e tentando encher os pulmões dele, saiu de casa e seguiu seu caminho para o instituto. Parou um táxi e entrou. Em no máximo 40 minutos já estava entrando no elevador.

   Sentia seu peito arder um pouco e a respiração falhar vez ou outra. Quando a caixa de metal se movimentou Cosima sentiu sua cabeça tontear um pouco, mas se manteve firme. Saiu do elevador e seguiu para o laboratório em que trabalhava. Um pouco antes de avistar a porta já podia ouvir vozes, pode ouvir que Alex e Scott estavam lá, e logo ouviu a voz de Delphine, ela dizia aos outros dois o que deveriam fazer, mas o cérebro de Cosima já não processava as coisas muito bem.

   Assim que chegou na porta de entrada do laboratório sentiu uma certa dormência tomar conta de sua mão esquerda. Ainda não tinha sido notada, pois não havia feito barulho algum, mas assim que decidiu falar algo a tosse a tomou novamente chamando a atenção de todos.

   - Cosima! - falou Alex ao ver Niehaus estatelada na porta enquanto tossia - Cos, você está bem? - a tosse ficava cada vez mais constante e Cosima já não conseguia cobrir a boca para aplacar o sangue. 

   Tudo aconteceu muito rápido. Em um instante Cosima estava de pé apenas tossindo e em outro já estava caída no chão tendo uma convulsão e expelindo sangue pela boca.

   Niehaus não sabia dizer se estava consciente ou desacordada. Ouvia as vozes desesperadas chamando seu nome e pedindo por socorro, ouvira a voz de Delphine gritando com Scott para ir atrás de ajuda, ouvia choro, sentia lágrimas caindo sobre seu rosto, mas nada conseguia dizer, nem ao menos conseguia se mexer. E do nada o breu se fez.


****


   Delphine estava impaciente, andava de um lado para o outro com uma mão apoiada na curva de sua cintura e a outra percorria seu cabelo e vez ou outra parava em seus lábios que tremiam de ansiedade e eram violentamente pressionados por seus dentes. 

   Já fazia mais de meia hora que uma equipe médica havia levado Cosima para uma das alas do Dyad. Delphine, Alex e Scott acompanharam a equipe até onde puderam e agora estavam sentados, esperando uma resposta positiva que não vinha nunca. Bem, pelo menos Alex e Scott estavam sentados, já Delphine não parava nem por um segundo sequer.

   - Você está me deixando nervosa - disse Alex tentando chamar a atenção de Cormier, mas a loira nem a olhou, continuou andando de um lado para o outro - Delphine, para! Do que adianta você ficar andando feito uma barata tonta? - Cormier parou de andar e a encarou.

   - Eu estou pensando Alex, me deixe em paz - a informalidade e a rigidez trazida na voz de Delphine surpreendeu os cientistas que a observavam.

   - Delphine, escute! - falou Scott se levantando e indo em direção a loira - Vai ficar tudo bem, Cosima é vaso ruim e vaso ruim não quebra fácil - Smith viu um sorriso de lado se formar nos lábios de Delphine e sorriu também. 

   - Mas por que estão demorando tanto? - e lá se foi o semblante tranquilo de Delphine.

   - Você não consegue ficar parada por cinco minutos? - Cormier fuzilou Alex - Só por cinco minutos.

   - E como você consegue ficar parada sabendo que ela está lá dentro há quase uma hora e não temos notícias? - Frontenac coçou a testa buscando paciência. Todo mundo parecia estar afim de irrita-la ultimamente.

   - Olha Delphine, eu estou tão preocupada quanto você, se duvidar até mais, mas ficar andando de lado pro outro não vai adiantar em nada. Isso não vai ajudá-la - os olhares de Cormier e Frontenac se encontraram e Delphine pôde entender que Alex estava exatamente como ela naquele momento. Após constatar isso Cormier se sentou ao lado de Frontenac e Scott se pronunciou. 

   - Vou ver se consigo saber de algo - passou a mão pelo testa em nervosismo - Eu já volto! - dito isso saiu e deixou as duas mulheres sozinhas com suas lamentações.

   - Por que está fazendo isso Delphine? - questionou Alex após um tempo em silêncio. Cormier a olhou confusa - Digo, por que está se importando? Por que está nos ajudando? 

   - Tem certeza que quer fazer isso agora e aqui Srta. Frontenac? 

   - Por favor, me chame de Alex, acho que já somos íntimas o suficiente para isso e nesse momento você não é minha chefe ...

   - Okay Alex, você tem razão - respondeu.

   - E então, vai me dizer o porquê ou não? - indagou outra vez.

   - O por que exatamente eu não sei dizer, não sei explicar o que sinto, mas sei que não posso perdê-la - algumas lágrimas se formavam nos olhos de Delphine e Alex registrou o exato momento em que uma delas correu pela bochecha da loira - Eu nunca havia olhado para ela assim, no começo ela era como todas as outras. Eu a queria, sentia um desejo latente por ela, então eu a teria. Pra mim seria como tudo em minha vida, eu esticaria a mão e pegaria, sem pedir permissão e sem me importar, mas ... - Delphine sentiu um bolo se formar em sua garganta a impedindo de continuar.

   - E não foi assim? - por algum motivo, que não conhecia, Alex sentiu uma vontade sincera de tentar entender Delphine. 

   - Não - Frontenac franziu as sobrancelhas - Bom, por um tempo foi, mas em um dado momento, que eu não sei ao certo dizer qual, tudo mudou - suspirou pesadamente sentindo que não conseguiria falar muito mais sem que as lágrimas a tomassem por inteiro - Eu não saberia te dizer, nem se quisesse, o que nela fez meu coração pular primeiro. Não sei dizer o por que de não ter percebido antes que o que ela sente por mim é mais do que um desejo intenso - passou a mão pelos fios loiros de seu cabelo e encarou Frontenac que a olhava intensamente - No dia em que ela me disse o que sentia, no dia em que vi o estrago que fiz, meu chão caiu, meu coração diminuiu consideravelmente e eu fiquei sem reação, mesmo depois dela já ter ido embora. Naquele dia eu não queria nada além de sumir, desaparecer e nunca mais voltar  - a medida que ia falando sua respiração ia ficando cada vez mais pesada e seu choro já era incontrolável - No dia em que você foi até minha casa eu estava em meu pior estado, físico e emocional - sorriram se lembrando da cena. 

   - É, você realmente estava em um estado deplorável - sorriram ainda mais e Delphine continuou.

   - Já havia bebido boa parte de minha adega e não tinha dormido muito bem, eu simplesmente não conseguia fechar os olhos e dormir tranquilamente, porque sempre que tentava algum sonho ruim me fazia acordar desesperada, então eu decidi ficar acordada - Frontenac era capaz de sentir a veracidade daquelas palavras proferidas por Delphine - Cosima despertou algo em mim que há muito tempo eu desisti de tentar reviver, ela me mostrou, da pior forma, mas mostrou que ainda existe um coração aqui dentro e que ele  ainda é capaz de amar, mesmo depois de tudo o que já passou, mesmo depois de todos os anos que ele foi diminuído e praticamente extinto - Alex abriu a boca para responder, mas foi interrompida por Scott que acabara de voltar.

   - Eles falaram que ela bem, mas está desacordada e não poderemos vê-la hoje - disse sem notar o que acabara de interromper. Delphine secou as lágrimas em seu rosto e sorriu para ele.

   - Bom, já que é assim, vamos indo? - indagou Alex para os dois se levantando.

   - Vão indo vocês, eu tenho uma coisa pra resolver - o semblante de Delphine mudou completamente e isso assustou Alex que acabara de vê-la tão vulnerável, mas que naquele instante a via extremamente sisuda. Delphine recebeu um aceno de cabeça dos dois e saiu.

   Cormier saiu em direção ao único lugar que tinha que estar naquele momento. Já passara da hora de Aldous reverter o que fez em relação a pesquisa e ela estava indo cobrá-lo. Sabia que teria que medir suas palavras, mas o modo o como o sangue fervia em suas veias deixava bem claro que essa não seria uma tarefa fácil.

   Ainda de fora da sala de Aldous, Delphine pôde vê-lo sentado em sua enorme cadeira como se nada de errado estivesse acontecendo no mundo. Sem muito esperar adentrou aquela sala com toda sua fúria o assustando.

   - Dra. Cormier, ainda por aqui? - indagou cínico.

   - Aldous eu não quero saber o que te fez parar essa pesquisa antes do prazo e nem o por que de ainda não ter liberado ela outra vez, quero apenas que você a libere o mais rápido possível - disse sem nem responder o que Leekie acabara de dizer.

   - E por que eu faria isso Delphine? - Cormier sentiu que aquele tom usado por Aldous carregava coisas doa passado deles, mágoas talvez.

   - Sério que nunca vai esquecer isso Aldous? 

   - Isso o que, exatamente, Dra.? - Leekie a estava testando e a tirando do sério.

   - Essa rixa idiota. Pelo o amor de Deus Aldous já fazem dez anos ...

   - Eu nunca irei esquecer - a voz de Leekie agora também carregava uma certa irritação - Você quase destruiu minha carreira Cormier! - exaltou um pouco mais a voz.

   - Eu não tenho culpa de sua total incompetência, e se eu me lembro bem você só está com sua bunda magra sentada nessa cadeira por minha causa - Delphine tinha um sorriso debochado nos lábios - Agora faça sua obrigação e libere a pesquisa para que eu possa realizar meu brilhante trabalho - tirou sarro.

   - Obrigação? Pelo o que sei tenho cumprido com as obrigações que me são passadas pela Topside e acho que nao tenho nenhuma obrigação com você Cormier - Leekie carregava seu sorriso transbordando desdém no rosto e a vontade de esbofetea-lo crescia em Delphine, mas não daria esse gostinho a ele, tinha outras cartas na manga.

   - Veremos então o que Marion Bowles acha disso - Aldous tremeu visivelmente - Lembre-se de que eu sempre fui uma escolha melhor para ocupar o cargo que você tanto gosta de ostentar - apoiou as duas mãos na mesa e aproximou seu rosto do de Leekie e o encarou ferozmente - Marion praticamente implorou para que eu assumisse a diretoria do Dyad e tenho certeza que se eu disser a ela que mudei de ideia essa cadeira deixa de ser sua em segundos - Leekie engoliu seco e Cormier completou - Então não me faça incomodar as tão esperadas férias dela pela Europa e resolva isso imediatamente - se afastou da mesa de Aldous - Espero não precisar fazer de meus avisos uma verdade concreta - saiu da sala sem esperar uma resposta de Aldous. Sabia que tinha poder o suficiente para ameaça-lo e sabia também que tudo o que disse era verdade. Se quisesse teria a diretoria do Dyad em suas mãos como num piscar de olhos, e naquele momento isso lhe pareceu uma boa ideia.


Notas Finais


Eai gostaram? Eu realmente espero que tenham gostado desse capítulo e que estejam gostando do rumo que a história está tomando... Sei que Cophine tá demorando pra sair,mas tudo tem o pq nessa vida haha

Não esqueçam o feedback amorzinho, e agora sim, até sexta que vem!


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