História Less Likes, More Violence - Capítulo 5


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Categorias Clube Da Luta (Fight Club)
Personagens Personagens Originais
Tags Briga, Clube, Internet, Liberdade, Luta, Redes Sociais, Revolução, Sangue, Violencia
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Palavras 2.277
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Luta, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Cinco


O céu azul e o sol brilhante daquela segunda-feira tornou a manhã de Matthew mais agradável. Tomou café com Carl no Starbucks como de costume, atendeu a fila impaciente de clientes e, quando as coisas acalmaram na loja, deu continuidade à leitura do livro que James havia lhe emprestado. “Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos.”

            — O que você está lendo? — Perguntou Carl.

            — Um livro que o James me emprestou, é um pouco confuso, mas bastante interessante, os personagens são muito legais. — Matt respondeu.

            — É mesmo? Qual é o título?

            O sininho da porta tilintou.

            — Seja bem-vinda, senhora! — Carl a atendeu sorridente. — Matt, um caramel macchiato para ela!

            — É pra já. — Disse Matt pegando o copo e levando-o até a máquina de café que parou de funcionar subitamente. Deu um soco nela do lado esquerdo e ela ligou de novo. — Ah, Carl, essa máquina está uma droga!

            Carl só assentiu, mas não disse nada a respeito. Matt revirou os olhos, estava pensando seriamente em resolver esse problema sozinho.

            Já estava quase no final de seu expediente e James não havia aparecido no café naquele dia. Antes de sair, Matthew lhe enviou mais uma mensagem e, finalmente, obteve resposta:

            Matthew (8:36 am): E aí, como está?

            Matthew (10:00 am): Aquele livro que você me emprestou é muito louco

            Matthew (14:17 pm): Carl disse para você vir tomar a cafeína do dia

            Matthew (17:00 pm): Cadê você?

            Matthew (18:55 pm): Espero não te encontrar em um beco desacordado de novo...

            Matthew (19:15 pm): Jaaaaaaaaaaaaames!

            James (19:16 pm): Hey, está tudo certo e por aí? Não tive tempo de ir ver vocês hoje, foi mal, estou meio doente. Amanhã eu apareço para trocarmos uma ideia sobre o livro, preciso te contar algo importante. Vou voltar a assistir minhas séries, consegui folga no trabalho hoje. Até mais!

            Matthew achou estranho James ter ficado doente do nada, porque esse tipo de cosia raramente acontecia com ele. Saiu do trabalho e foi para casa, Helen estava picando vegetais para o jantar. Ele abraçou a namorada por trás e lhe deu um beijo na bochecha. Ela sorriu e perguntou:

            — Como foi o dia?

            — Ah, a mesma coisa de sempre. — Respondeu Matt, jogando-se no sofá e agarrando o controle remoto. — E o seu?

            — O de sempre. — Respondeu ela.

            — Almoçou naquele outro lugar que você comentou? É boa a comida de lá?

            — Não, acabei não indo — Disse ela. — Acho que irei amanhã, vou aproveitar e passar numa floricultura, quero comprar plantas.

            — Mais plantas? — Disse Matt, olhando para a varanda da casa e vendo quantos vasos cheios de folhas verdes estavam pendurados lá. — Já temos uma floresta ali fora.

            — Eu sei, mas eu li uma postagem de um cara super influente que, quanto mais plantas você tiver, mais energias boas a sua casa terá. — Disse ela.

            — Hel, nossa casa já tem energias boas. Eu estou aqui todos os dias, como a energia poderia estar ruim?

            Ela riu. Ele voltou sua atenção para a televisão, sabendo que ela compraria do mesmo jeito.

            Assistiu aos noticiários, jantou com Helen, escovou os dentes e se deitou para ler.

            — O que você está lendo? — Helen perguntou. — Posso apagar as luzes?

            — Ah, pode. — Disse Matt, fechando e colocando o livro no criado-mudo.

            Tudo ficou escuro, os dois se abraçaram embaixo dos cobertores. Ele esticou o braço e desligou o despertador, já eram seis e meia da manhã. Tomou o café de sempre com seu chefe Carl e o dia passou arrastado. Matt não viu James outra vez.

            Chegou em casa, deu um beijo na namorada e resolveu matar o seu pouco tempo livre no celular. Acabou encontrando um vídeo que estava bombando na timeline do Facebook, eram dois caras brigando no estacionamento de um mercado. Os rostos dos dois estavam censurados, mas estavam mandando ver. Ele começou a notar algo familiar em um dos caras. Espera, essa não é a jaqueta do James? — Seu coração começou a disparar. Ele acessou a página que havia postado o vídeo e viu inúmeros vídeos parecidos, também havia vlogs de um cara mascarado. A jaqueta não estava nessas outras gravações, mas a voz era indubitável. James fez tudo aquilo e não lhe havia dito nada.

            Pulou do sofá, pegou as chaves da moto e foi atrás do suposto amigo. Por quê?

            Matthew abriu a porta do bar e James estava do outro lado do balcão, servindo uns três caras bêbados que conversavam. Ele se aproximou e viu o rosto do amigo cheio de hematomas, com dois pontos improvisados acima da sobrancelha direita.

            — Cara, que porra aconteceu com você? — Matt perguntou, deixando o capacete da moto em cima do balcão.

            James se espantou ao vê-lo e, após respirar uma grande quantidade de ar a fim de dizer alguma coisa, só conseguiu perguntar:

            — Vodka ou whisky?

            Matt, se sentando: — Whisky, e já pode começar a falar. Puta merda, o seu rosto está um lixo. O que você anda fazendo?

            James, servindo um shot de whisky barato e entregando a Matt: — Olha, eu já imaginava que ia ser impossível esconder isso de você por muito tempo, eu estou trabalhando em algo que vai revolucionar essa sociedade de merda.

            Matt, após beber o shot e urrar pela garganta que pegava fogo: — Acho que não entendi direito, por que a sociedade é uma merda e por que você quer revolucionar algo? Começa do início.

            James, puxando a mão de Matt com o pequeno copo e servindo novamente: — Okay, sabe o livro que eu te emprestei? Aquele que inspirou o meu filme preferido da vida?

            — Clube da Luta? — Matthew pergunta começando a desconfiar de algo.

            — Exatamente. Então, é isso. Eu estou deixando o meu Tyler Durden sair.

            Matt o encarou como quem diz: Qual é o seu problema mental? Você comeu merda?

            James, enfileirando três copinhos de vidro à frente de Matthew: — Não me olha desse jeito, eu tenho os meus motivos.

            Enche o primeiro copo: — Pode ser porque a minha vida é um saco e eu cansei dessa monotonia infernal.

            Enche o segundo copo: — Pode ser porque eu não tenho propósitos e nem sei porque ainda estou vivo.

            Enche o terceiro copo: — Pode ser porque essa sociedade é uma merda e eu não concordo com essa escravidão eterna, de ser um robô, enfim, foda-se o sistema. — James bebe os três shots, um atrás do outro.

— O fato é que eu quero viver e não somente existir. Eu quero emoção, ação. Quero que a adrenalina me anestesie e me faça querer mais. Quero fazer algo, agir por impulso, quebrar qualquer porra de corrente. Quero me sentir vivo. — Disse James. — Ah, porra! — Mas não se livrou do fogo corroendo o esôfago.

Matt esticou o braço e tomou a garrafa da mão de James, que fazia caretas de dor. Serviu mais um copo e bebeu.

— Ainda estou tentando entender. — Declarou, encarando o balcão. — Você está tentando tornar real algo que foi criado por um escritor, algo que acontece somente na ficção, só porque é legal?

— A ideia é genial e me fez abrir os olhos, Matt. Na verdade, é impossível não se sentir um merda depois de ler isso, é que você ainda não terminou a leitura. Por que está me olhando com essa cara de reprovação?

— Eu concordo com você, o livro é provocador e eu também me senti um merda, mas a nossa realidade é outra, você não pode sair por aí dando porrada nos outros e pensar que ninguém vai notar a sua cara inchada. Além do mais, apanhar dói pra caralho. — Disse Matthew. Ele entendia o ponto de vista do amigo, mas não conseguia ver como aquilo poderia ser levado adiante.

— A dor é o que faz eu me sentir vivo quando luto. Eu simplesmente cansei de ser o Jack e quero deixar o Tyler assumir o comando, é mais ou menos isso.

— E aquela página no Facebook, qual é o fundamento daquilo? — Matthew perguntou confuso.

— Essa é a diferença da ficção para a realidade, Matt. No livro, os clubes são secretos e têm regras. Você se lembra da primeira?

Matt pensou um pouco e depois disse: — Você não fala sobre o Clube da Luta.

James sorriu aliviado, até aquele momento ele temia que Matthew nunca tivesse dado a mínima para o livro ou o filme.

— Isso, mas agora vem a parte interessante da minha ideia: nós faremos o contrário. Com a internet e a capacidade de compartilhamento, a primeira regra é que você deve falar sobre o clube da luta. Consegue ver? Eu estou trabalhando em algo gigante e que vai revolucionar o mundo. — Disse James, gesticulando animado, seus olhos brilhavam cintilantes ao finalmente revelar seus planos ao amigo. Era a primeira vez que ele dizia tudo aquilo em voz alta.

Matthew, entretanto, estava assustado:

— James, você tem noção do que está querendo causar? Você vai explodir a porra do planeta se todos começarem a adotar esses clubes. Isso é impossível.

— Nada é impossível. — Disse James, pegando o celular e abrindo um de seus vídeos. — Minha página já tem treze mil curtidas e nela eu posto vídeos lutando com caras que também querem descarregar. — Mostrou o celular para Matt, estava passando um vídeo, a voz era de James, mas um filtro com a face de Brad Pitt como Tyler escondia o rosto dele. O vlog começou:

A primeira regra, não esqueçam, é que vocês devem falar sobre o Clube da Luta.

Você já parou para pensar em quão escravo da sociedade você é? Todos os dias acordando no mesmo horário, fazendo o mesmo caminho até o trabalho, comendo as mesmas coisas, conversando com as mesmas pessoas.

Como uma bela formiga operária.

Vou contar como foi a minha primeira luta e, nos próximos vídeos, pretendo mostrar a vocês como organizar os seus próprios. Também pretendo fazer um site para que você encontre clubes da luta que acontecem por perto. Não esquecendo que a polícia pode sempre ser um problema.

Bom, minha primeira luta foi inesperada. Reagi a um assalto e meti porrada no cara. Não sei de onde tirei coragem para desferir um soco no nariz dele, mas simplesmente lembrei do livro, do filme... A imagem de Tyler veio e... Sim, era o Brad Pitt, mas cara, ele é o Tyler e sempre será. Enfim, soquei o filho da mãe e ele cambaleou para trás. Ele não estava armado, então não pensei duas vezes em partir para cima dele. O primeiro soco que recebi... Ah, puta merda! — James riu e tapou o rosto com as mãos, tentando conter a lembrança daquelas emoções. — Doeu, mas foi uma dor libertadora! Quando o sangue começou a escorrer do meu nariz, eu só consegui rir. Eu estava fazendo algo foda pela primeira vez na minha vida. Eu ia ter algo para contar, ia ficar com cicatrizes, eu me senti vivo, é indescritível. O meu coração batia tão forte e a adrenalina era tão forte, cara... Eu só queria vencer e sobreviver naquele momento, eu me senti meio animal, sabe? Só eu, o cara e a luta importavam, o mundo deixou de existir e eu só tinha um foco: acabar com a raça daquele desgraçado.

É complicado incitar a violência na internet, mas eu quero que vocês abram os olhos. Vocês não são zumbis, vocês são pessoas. Vocês são humanos, com instintos humanos. Nós podemos mudar esse sistema opressor, não somos as porras de uns fantoches. Vamos parar de perder tempo cuidando da vida dos outros na internet e vamos usá-la como meio para disseminar essa ideia.

Antes de encerrar, peço que leiam o livro, assistam ao filme e entendam melhor o que eu estou querendo dizer. Não saiam por aí fazendo as coisas sem fundamento algum.

Saibam o que estão fazendo.

O vídeo acabou e Matt só conseguiu dizer:

— Cara, isso não é certo. Você está pedindo para as pessoas serem violentas, elas podem acabar se matando e você será o responsável. Você já matou alguém? O que você já fez? Por que não me contou nada disso?

— Eu previ isso, Matt. Previ que você não aprovaria e não entenderia. Você é um ótimo amigo, mas eu sabia que você não estaria pronto para saber disso tudo. Aliás, como descobriu?

— Vi dois caras lutando num vídeo, e um deles usava a sua jaqueta. Cara... Eu não entendo mesmo... Como você pode querer que isso dê certo? Isso vai dar muita merda e, como eu disse, o responsável será você. — Matt parecia realmente decepcionado e confuso. Ele não entendia os motivos de James, por mais que ele concordasse que a vida dele e do amigo não eram mesmo empolgantes. Nem um pouco, na verdade.

— Eu tenho tudo sob controle, Matt.

— Tem certeza disso? Porra, isso é sério... As pessoas estão te seguindo, comentando...

— Elas não sabem quem eu sou, não podem me encontrar. — James tentava se mostrar tranquilo, mas ficou levemente preocupado, por mais que soubesse que nada o faria parar. Ele ainda tinha muito trabalho a fazer.

— Bom... — Matthew deu um tapa no balcão e pegou o capacete. — Espero que isso não acabe mal. Se precisar de mim, estou aqui.

— Sabe, eu estive pensando que se você me ajudasse, nós poderíamos...

— Não me inclua nisso de jeito nenhum, ainda acho que é uma péssima ideia. — Pediu Matt.

— Certo... — James já esperava por aquela decisão do amigo. — Não vou foder tudo, posso garantir. Sério, cara, é muito libertador...

— Você é maluco, meu irmão. — Disse Matt sentindo-se meio bêbado. — Preciso ir, mas não foda tudo, por favor. Você é o meu melhor amigo e não pode morrer tão cedo.

James deu um sorriso apreensivo e ansioso quando Matthew saiu do bar. Nada vai me parar agora, eu vou começar uma revolução.



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