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História Let me call you mine - Capítulo 49


Escrita por: e Hayunie


Notas do Autor


Olá amores!

Capítulo novo chegando. Particularmente amamos os momentos doces e fofos desse. Mas nossa Hanji precisa se cuidar! 👀

Boa leitura!

Capítulo 49 - Apenas repouse


Fanfic / Fanfiction Let me call you mine - Capítulo 49 - Apenas repouse

1900, 21 de Setembro

Dashwood Hall


Hanji Zoë não compreendia a razão de um cansaço tão persistente. Seu corpo pedia apenas repouso, e era com grande relutância que se levantava no horário costumeiro para trabalhar. Havia algo de tão agradável naquele dia nublado e de garoa intermitente que Hanji entrou na estufa a fim de recolher alguns hibiscos, que seriam usados na fabricação de corante vermelho bordô e rosa, e resolveu sentar-se em um dos bancos com vista para o bosque desejando contemplá-lo. O teto, em abóbada, e as paredes de vidro, encontravam-se encharcados pela água da chuva que escorria sem parar. Uma visão aconchegante trazendo sons de gotejar agradáveis ao ouvido.


Ela acompanhou a trajetória de alguns pingos de cima à base de ferro, onde as gotas se desprendiam, trêmulas e brilhantes, caindo em seguida no chão. Desse modo, sendo levada pelo clima preguiçoso, mais uma vez o sono a invadiu, pesando as pálpebras. Muito custoso foi para o assistente e a pupila, apressados, encontrarem-na naquele banco, mergulhada em sono profundo.


– Não vamos acordar ela, olha como ela está cansada! – disse Nifa, que havia se sentado no chão de frente ao banco. Com o rosto próximo ao de Hanji, olhava-a com atenção cirúrgica – Veja, ela respira tão pesadamente. 

Moblit se inclinou e retirou os óculos de Hanji. Em seguida, arrastou uma cadeira e sentou-se, com um semblante vencido.

– Desenhe ela, Moblit! Está tão linda! – a pupila afastou uma mecha que cobria o rosto de sua mestre e sorriu com carinho. – Um anjinho, não acha? Onde está seu bloco de desenhos?

– Deixei no escritório.

– Vá buscar, não podemos perder essa chance. Ela dorme como uma escultura de Afrodite.

– Acho que parece mais com Arthemis, olhe como ela apoia o braço – discordou Moblit.

– Ariadne…

– É, Ariadne – ele sorriu e tocou o ombro de Hanji, balançando-a suavemente. – Líder…acorde.

– Não faça isso, Berner. É tirania! – sussurrou Nifa em tom de reprimenda, segurando o braço do colega.

– Ela está numa postura péssima. Vai acordar dolorida, Nifa!

– Eu faço, papai, eu disse que consigo sozinha. É fácil – murmurou Hanji, virando a cabeça para o outro lado, devaneando em sonhos.


Moblit Berner esboçou preocupação. O excesso de trabalho desgastava-a mais a cada dia, e como ele poderia ajudar como assistente? Como poderia animá-la e completar a energia que estava faltando? Faria de tudo, se preciso fosse, até mesmo virar noites em claro. Todavia Hanji o proibia de pernoitar ao seu lado, recusando-se a envolvê-lo em seu insano ritmo. Nifa parecia entender e, quase todos os dias, ao final da jornada de trabalho, massageava os ombros de Hanji, para libertá-la da tensão acumulada ao longo do dia e dar-lhe vigor para aguentar mais algumas horas.


Nifa Byrd se levantou e deu pancadinhas no ombro de Moblit, levando o dedo indicador aos lábios, pedindo silêncio.

– Ué, se ela precisa descansar, a gente é que não vai empatar. Eu fico de tocaia. Pode ir, xispa.

– Mesmo?

Ela assentiu e Moblit levantou-se satisfeito, despediu-se e caminhou até a saída, levando consigo os hibiscos para iniciar ele próprio o processo de trituração e maceração do sumo da planta, a fim de usar as substâncias extraídas para a fabricação de cosméticos. 


Por muitos minutos Nifa Bird observou o ressonar tranquilo da mulher, até que voltou ao mesmo posto de antes, sentada ao chão. E, mais tarde, o clima, o barulho da chuva e algumas borboletas voando, a relaxaram de tal forma que, de igual modo, acabou se rendendo ao cochilo.


~~


Hanji coçou a cabeça e olhou ao redor numa expressão de simplicidade e confusão. Assustou-se ao conferir a hora, percebendo quanto tempo perdeu. A tarde corria rapidamente, apesar da tranquilidade aparente do dia úmido. Naquele momento se levantou aos tropeços, amparada pela pupila e, juntas, voltaram à mansão. Zoë, ainda estupefata com o próprio descuido, pediu que Nifa chamasse por Emma Pratt, visando ser informada em seu escritório dos assuntos da propriedade.


Subiu as escadas devagar, concentrada nos próprios pensamentos e contente por imaginar que, tal qual na maioria das vezes, receberia boas informações, fofocas pescadas na feira, que sempre lhe mantinham a par dos escândalos e  acontecimentos interessantes. Inclusive, talvez até mesmo alguma notícia de Susan e Jerome. Todavia, quando já se encontrava prestes a vencer os últimos degraus, foi tomada por uma imensa tontura. Segurou-se com firmeza na balaustrada, entontecida e suando frio. Parou e respirou longamente, observando que faltavam apenas quatro degraus. Por qual motivo estava tão fraca? Não dormir o suficiente e pular tantas refeições acarretou nisso tudo? Certamente. Arrependeu-se de imediato e riu consigo mesma, achando-se idiota. Levi iria puni-la mais uma vez? Sorriu largamente e respirou, recuperando um pouco da força. No entanto, mais uma vez o chão desapareceu sob seus pés.


Hanji perdeu o equilíbrio e o controle do próprio corpo. Desprendeu ambas as mãos do apoio e, sem sustentar o próprio peso, pendeu o corpo para trás.

– Líder!

Zoë, sustentada pelos braços do assistente, viu-se sentada em um degrau com ele a segurá-la nos ombros. Estava trêmulo e nervoso, com uma voz a lhe chamar, parecendo distante e, aos poucos, aproximando-se e aumentando o tom.

– Líder Hanji, eu avisei! Você está fraca, precisa se cuidar mais. O que eu lhe disse antes? Que uma hora algo assim acabaria acontecendo! Eu fui ouvido? Não!

– Ei, ei, Moblit. Por que está gritando tanto? Foi uma leve indisposição, apenas.

Moblit Berner horrorizou-se. A largou e cruzou os braços, com as sobrancelhas franzidas e lábios contraídos. Fez silêncio por um longo tempo, enquanto Hanji, com a cabeça recostada na balaustrada, respirava profundamente.


– Sabe que o corpo é como um relógio, líder! – bradou ele novamente, olhando-a com seriedade – Está pensando que pode tratá-lo com tanto descaso e esperar que ele não reaja?!

Hanji inclinou costas e cabeça para trás, fechou os olhos e respirou pela boca algumas vezes. Que calor estava fazendo ali. Depois fitou o assistente e sorriu com timidez, juntando as mãos em gesto de reza.

– Oh, Santo Berner, perdoai-me pelas fraquezas do meu corpo. Tende piedade desta reles mortal… – Zoë fez uma pausa e arregalou os olhos. Em seguida soltou uma gargalhada muito alta e contagiante; tão exagerada que uma lágrima chegou a escorrer de um dos olhos.


Com esforço, se levantou, segurando a mão do assistente que, um tanto irritado, só voltou a abrir a boca após aferir a pressão de Hanji e ser informado pelos criados que sim, naquele dia, Hanji Zoë não pulou qualquer refeição. Estava aflito, contudo. Há alguns meses, teve uma importante conversa com Levi à respeito da capacidade que Hanji possuía de envolver-se no trabalho ao ponto de esquecer-se de absolutamente tudo, incluindo coisas básicas. Ele fez Berner prometer que cuidaria bem dela em sua ausência, puxando sua orelha se necessário.


Enquanto Hanji, já no escritório, se ocupava com uma porção de pudim, Moblit a encarou com cisma e dúvidas. Sentiu o rosto corar. É claro que prometeu ser cuidadoso com ela; como poderia ser diferente? Antes que Levi Ackerman lhe pedisse, ele próprio já o fazia. Desde que a conheceu, recebendo a proposta de trabalhar ao seu lado. E nunca havia falhado. Prestava-lhe auxílio em um nível que se aproximava da devoção. Ele sorriu ao vê-la de frente à janela, raspando o pratinho de pudim com a colher e depois lambendo-a, ficando agora com um semblante engraçado ao prender-se mais uma vez em algum pensamento.


Moblit resolveu abrir a gaveta, e de lá tirou o que pretendia mostrar à líder desde o início da tarde. Levou os papéis até ela, colocando-os em suas mãos, e esperou, pacientemente. Hanji soltou um murmúrio semelhante a um chilrear de coruja.

– Moblit, isso é perfeito. Hoho, estou tão contente! Entende isso? Ela está se saindo tão bem! – Hanji levou o relatório de Nifa ao peito e abraçou-se a ele, com lágrimas nos olhos. Fungou e sorriu – Podemos chamar de bom um experimento que é sucesso em oitenta e dois casos?

– Acredito que sim, líder!

– E pensar que ela está fazendo tudo sem nossa ajuda direta. É bem mais inteligente que nós dois, não acha? Mas três reações adversas e oito que não responderam ao tratamento são números muito altos. Precisamos de mais cobaias.

– "Voluntários", líder Hanji! – corrigiu Moblit.

– Hm – ela coçou o queixo e se jogou na cadeira, apoiando as pernas em cima do gabinete – Os oito foram isolados e estão sendo monitorados, muito bem…não queremos que brotem furúnculos em suas peles.

Hanji cobriu a boca e gargalhou outra vez.

– Furúnculos, Moblit! Furúnculos! E só queremos tratar uma simples gripe. Aliás, escute essa que acabei de me lembrar – Hanji aumentou o tom de voz e colocou os papéis sobre o gabinete – Na semana passada Keiji relatou que um voluntário teve coceiras e espoliações nos pés, alergia a luz de velas e crises de risos como reações adversas! Isso é possível? Crises de risos, Moblit! Não é magnífico?! É tão estranho…não podemos considerar algo assim, podemos?


Zoë abaixou as pernas e deu pancadinhas na coxa, conseguindo, finalmente, controlar os risos que não queriam parar.

– A reação mais esquisita que já presenciei – disse Moblit – foi quando aquele operário notificou estar ouvindo zumbidos que persistiram por dias, além da vontade de comer rejuntes de parede – ele olhou para Hanji, a fim de saber se deveria continuar o relato. Esta assentiu, sorrindo – E sonambulismo. Jurou que foi devido ao nosso remédio. O indivíduo foi flagrado completamente despido, arrancando os rejuntes da fachada da loja de ferragens e os mastigando em plena manhã! O trauma ao acordar foi tamanho que chorou no caminho de volta para casa, a uma quadra dali. Precisou de escolta policial e foi motivo de galhofas.


– Eita! A história do comedor de rejuntes aconteceu mesmo?

Ouviram a voz e logo Nifa pôs a cabeça na porta do escritório, expressando clara curiosidade. Sua boca tinha o formato de "o", e os olhos cor de âmbar brilhavam como nunca.


~~


No fim da tarde, já ao pôr do sol, o chá contou com a visita especial de Wilhelm Friedrich Hahn, um químico alemão que encontrava-se de passagem na Inglaterra, participando de uma série de eventos e comícios científicos em Londres. Este conheceu Hanji por seu discurso em Sydenham, em Janeiro do mesmo ano, e, desde então, manteve contato através de cartas ou encontros esporádicos, não deixando de expor sua grande admiração por ela, inclusive colocando-se em uma situação delicada quando foi questionado pelos colegas da razão por trás de estar apoiando uma mulher que realizava "experimentos loucos" e que, na opinião deles, obteve sucessos que em breve se esvairiam.


Apesar disso, convenceu-se de que não exagerava em defendê-la. Conhecia um talento quando o via. Se caso tivesse escutado sobre Hanji Zoë pelas bocas falaciosas de outrem, provavelmente a veria como uma lunática exibida, mas não foi o que ocorreu. Ele estava em Sydenham, a convite de Sir William Graham e, conquistado, compareceu também à New College, Oxford, a fim de vê-la falar. Não restava dúvidas, visto que comprovou tudo pessoalmente. Zoë era a peça que faltava numa Ciência moderna e acessível às camadas mais humildes da sociedade.


Enquanto Mr. Hahn distraía-se numa conversa interessante com os cientistas Keiji Howe e Goggled Murphy, Hanji aproveitou a deixa para encontrar-se com Levi, que sempre retornava para casa mais ou menos naquele horário. Subiu as escadas e parou em um dos corredores, fitando dois dos imensos quadros na parede, onde seu pai e sua mãe também a observavam. Tão bonitos e jovens. Às vezes era tomada de saudades.


– Quatro olhos? – chamou Levi, se aproximando e tirando-a dos pensamentos.

– Uh, de uniforme hoje, Inspetor Ackerman? – Hanji se aproximou e deslizou as mãos do pescoço ao abdômen de Levi. 

– Gosta? Posso usá-lo mais vezes.

Hanji sorriu e tateou cada um dos broches, com emblemas e pequenas medalhas. Um pintor de Westminster estava trabalhando em um quadro de Levi e, já há alguns dias, o recebia por um pouco mais de uma hora em seu ateliê. Ficou conhecido por seus belos quadros retratando oficiais da polícia ou guarda real.

– Como foi, querido? – perguntou Hanji – Não vejo a hora de ver você todo lindo em uma pintura. Precisamos escolher um bom lugar para deixá-lo à mostra, não acha?

– Diz ele que não preciso voltar lá – resmungou Levi – Ainda bem, sinto que vou morrer se precisar ficar parado por tanto tempo na mesma posição novamente.

Hanji riu e fez carinho no rosto dele.

– É sério, quatro olhos. Aquela porra de ateliê é tão empoeirada que senti meus ossos coçarem. Ele não conhece a merda de uma vassoura ou pano úmido?

– Hmm, alguém aqui deve estar louco por um banho. Vamos, não quero que tenha pesadelos com monstros de poeira – eles deram as mãos, entrelaçando os dedos e, antes de entrarem em seus aposentos, Hanji observou o rosto dos pais mais uma vez.


Levi percebeu e a olhou com carinho. Ela parecia cansada, embora tão elegante em seu sherwani indiano de cor vermelha.

– Vi que Mr. Hahn está lá embaixo. Trocamos alguns cumprimentos, mas se a gente não se apressar, Nifa vai embebedá-lo, você sabe. Também sabe como ela se comporta nas sextas-feiras.

Hanji não respondeu, melancólica. Soltaram as mãos e esperou que Levi abrisse a porta do quarto. Observou suas costas, a afagou e ali recostou a cabeça em seguida. Ele a acalmava.

– Hanji? – após abrir, Levi puxou a mão da esposa suavemente para dentro e trancou a pesada porta em seguida – O que há com você?

– É que…mais cedo Emma disse que em alguns momentos ajo como uma criança imprudente – confessou. – Será que papai diria o mesmo?


Levi abaixou a cabeça e depois de uma pausa tornou a erguê-la, cravando os olhos profundamente nos dela. Hanji parecia repentinamente desolada e aflita.

– Talvez sim, uma criança – continuou – É difícil para os pais reconhecerem que crescemos. Mas nunca imprudente. Não você. 

Permaneceram assim, em silêncio, por alguns minutos, até que risos suaves de Zoë soassem. Ela segurou a maçaneta e abriu a porta, dando um passo e parando na soleira, encarando Levi por sobre o ombro.

– Não é maravilhoso? Koch¹ identificou, tempos atrás, o bacilo dessa doença pulmonar…que levou meu pai embora. E já existem diversos coquetéis sendo testados. Papai foi tão teimoso, todos sabiam, inclusive ele – Hanji desviou os olhos. – Mas não o culpo. Ele decidiu não entrar na terapia intensiva para não ficar longe de mim e das pesquisas. Os últimos meses foram tão corridos e tudo estava nas mãos dele, ele não teve tempo de se cuidar. Fico me perguntando se ele ainda estaria aqui se…


Hanji deixou a frase no ar e coçou a nuca, olhando para baixo. Sentiu Levi se aproximar e seus braços a enlaçaram na cintura.

– Que bom que tenho você, Levi.

– E que bom que eu a tenho, Hans.

Ela sorriu e os olhos brilharam. Beijaram-se suavemente, seguido de outro abraço.

– Bom, melhor eu descer. Mr. Hahn pode pensar que o abandonei. Que bela anfitriã eu sou, hein?

– Sem tanta pressa…

– Te espero no jantar.

Levi, que continuava a segurando, lhe beijou o pescoço incontáveis vezes antes de permitir que, às risadinhas, Zoë se desatasse do aperto e saísse do quarto.



Notas Finais


1. Robert Koch: em 1882 descobriu o Mycobacterium tuberculosis, também chamado de "bacilo de Koch", uma espécie de bactéria patogênica do gênero Mycobacterium e o agente causador da maioria dos casos de tuberculose. Com a Etiologia da Tuberculose, Koch conseguiu, pela primeira vez na história, identificar um micro-organismo patogênico. Por este trabalho recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1905.



Gente, nossa rainha está sentindo pesado os efeitos do cansaço não é mesmo? O que será que está acontecendo? Vamos ficar de olho nos próximos acontecimentos!

Beijos e até sábado 😘💕


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