História Let Me Know - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga)
Tags Drama, Fluffy, Min Yoongi, Romance, Suga, Yoongi
Visualizações 82
Palavras 4.613
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fluffy, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Me apoiem. ♥

Capítulo 3 - A gente tá em um relacionamento Min Yoongi


Gostei da bota, meus dedinhos não se apertavam, então, agora ela é minha.

Ajudei minha prima na escolha da roupa, conversamos sobre o dia, ela deu a ideia de sairmos em um encontro duplo bem cafona, tomou banho e completou a maquiagem comigo ainda sentada no seu sofá vermelho.

Será que alguém tinha sido esquecida?

Enquanto revirávamos seu armário em busca de um vestido bem bonito, meu celular tinha ficado na sala, e como estava só no vibracall deixei a ligação dele passar. Analisei o celular, olhando aquele número desconhecido e as duas ligações perdidas, mesmo que não tivesse o nome dele eu sabia que tinha sido Yoongi. Naquela noite, antes de pegar o carro da minha mãe e voltar para casa sozinha, no caminho fiz questão de apagar seu contato, com todas as redes incluídas, para não correr o risco de cair na tentação.

Salvei mais uma vez seu contato, pondo depois do seu nome um coraçãozinho, esse ato fazendo meus próprios olhos revirarem.

Apertando na tecla verde, cruzei minhas pernas com um copo de suco de uva e esperei ele atender a ligação, repetindo esse mesmo ato três vezes até desistir. Estava preparada para enviar uma mensagem a Yoona, perguntando onde diabos o irmão tinha se enfiado, que me largou há séculos dizendo que logo logo viria me buscar e até agora nada.

Antes de pôr meu plano em prática, nas minhas mãos o celular tocou mais uma vez, pensei ser Yoongi, mas era a irmã.

— " Vem pra minha casa agora. " — sua voz parecia exaltada, me perguntei como ela ainda aguentava beber depois do goró de tarde. 

— " Tô esperando o seu irmão me buscar Yoona, acho que ele me esqueceu aqui na Duda." — suspirei no último gole de suco, pondo o copo na pequena mesinha de centro, ouvindo minha prima se aproximar.

— " Não, você não entendeu." — só aí que eu percebi que a voz dela estava exaltada não pela bebida, mas porque ela estava chorando. — " Aconteceu uma briga na Sintonia's, vem pra casa."

Tum tum. Tum tum. Tum tum.

Droga.

— " Como assim, me explica direito?" — disse ao respirar fundo antes de perguntar o que realmente importava. — " Cadê o Yoongi, ele tá bem? " 

— "Só vem pra casa. " — sua voz falhou.

Meus olhos se fecharam sozinhos, mal conseguia respirar.

— " Cadê ele Yoona??? " 

A porta da frente se abriu, Marcelo entrava em casa com uma aparência pálida, arregalando os olhos assim que me avistou de pé, praticamente tremendo na sua sala de estar.

Vindo para casa ele passou  pelo acontecido, dizendo que já sabia de tudo e que estava voltando para ajudar.

  — " Calma, eu te levo lá, mas você precisa se acalmar. " — disse ainda com as chaves do carro na mão, minha prima sem entender muita coisa, mas me segurando pelos ombros, sabendo que algo de muito ruim tinha acontecido.

— " Yoona, o Marcelo chegou aqui, ele vai me levar, eu já tô indo." — desliguei o telefone sentindo as mãos tremendo.

Não quis pensar em nada, pensar no motivo dela não ter me dito de uma vez onde ele está.

A única coisa que eu fiz foi tentar não pensar no pior.

Não pensar no pior.

A caminho da casa dos Min passamos pela pizzaria, a Sintonia's estava um caos, as luzes do lugar se mesclavam com as luzes dos carros da polícia, que se misturavam com as luzes das ambulâncias e lá no meio vi a última luz, a do carro do IML. 

Meu coração que já estava agitado, se alterou ainda mais, meus olhos se enchendo de lágrimas, avistei o Seu Min de pé com as mãos na cabeça ao lado da esposa, minha mãe entrelaçada aos seus braços, ali o meu mundo caiu.

  — " PARA. PARA O CARRO. MARCELO, PARA!! "

Pedindo aos berros que Marcelo parasse, desisti de ir para a casa dele, decidida a entender o que tinha acontecido ali de uma vez por todas, então, abri a porta do carro sem nem esperar que ele parasse corretamente.

...

Uma ambulância saía as pressas do local, corri na direção deles o mais depressa que pude. 

  — " Mãe? O que aconteceu?" — perguntei segurando em suas mãos, dando uma volta completa com a cabeça, os olhos o buscando, a procura de qualquer pista. — " Cadê o Yoongi? Cadê ele Dona Min?"

Sua mãe tinha os olhos vermelhos, não falava coisa com coisa e assim que avistei os corpos pelo chão, tapados com aquele plástico preto típico da polícia, eu finalmente entrei em desespero.

Uma dor me atingiu tão forte, eu não podia acreditar nisso.

Dei mais uma olhada avistando o Pedro dentro de uma das outras ambulâncias, as deixei indo em sua direção já cega pelas lágrimas.

  — " Pedro?"— chamei sem forças.— "O que aconteceu? "

Sua camiseta azul banhada em vermelho, da sua cabeça um corte enorme acima do seu supercílio jorrava sangue, sua boca estava cortada, tudo isso fazendo companhia a uma expressão de dor pelo ferimento de uma bala na altura do seu braço esquerdo.

Agora, todos os piores cenários já tinham me invadido, ele parecia bem zonzo por causa do medicamento, mas respondeu da melhor forma possível se desvencilhando um pouco dos paramédicos.

— "A gente já tava saindo, aí um casal que já tava aqui começou a discutir e em meio aos xingamentos do nada o cara agrediu a garota, e você sabe como o Yoongi é." — minha cabeça girou, sim eu sabia como ele era, sempre querendo mudar o mundo, sempre se metendo na merda dos problemas dos outros. — "Depois a gente se meteu também e aí a confusão se formou, o dono disse que ia chamar a polícia, mas o cara sacou uma arma e saiu atirando pra cima de todo mundo. "— completou ao pressionar uma gaze no cílio.

Olhei em volta, pelo caos, vários calibres pelo chão, minhas pernas tremendo como todo o restante do meu corpo já estava, só o que passava pela minha cabeça eram os corpos pelo chão, imaginei o inimaginável.

Pedro completou dizendo que na Sintonia's também estava um policial reformado, ele trocou tiros com o cara e no meio do tiroteio Gabriel, Ricardo, Yoongi e ele tinham sido feridos. 

No chão haviam três corpos.

Um era do cara que começou a briga, o outro de uma das atendentes da pizzaria, e o outro do Ricardo.

Não queria agir assim, mas suspirei tão aliviada por não ser ele ali naquele saco, depois me senti a pior pessoa do mundo quando a mãe do Ricardo chegou, gritando e correndo, sentando e chorando ao lado do filho morto.

Eu sentia muito, muito mesmo.

— " Pelo amor de Deus, me diz onde é que ele tá? " — virei o rosto novamente em sua direção, limpando a face das lágrimas, não aguentando nem por mais um segundo observar a dor monstruosa que uma mãe sentia ao perder o filho.

— " Ele não tá aqui, o Yoongi levou dois tiros, levaram ele agora pouco para o Silvestre com os outros. " — Era o mesmo hospital que eu estava tentando entrar para o estágio, o cara a minha frente piscava muito, o paramédico pediu que eu me afastasse, pois eles também tinham que levá-lo para o hospital.

Um braço me puxou suavemente da passagem, minha mãe me aninhava contra si, ele estava no hospital, estava vivo.

Outro braço me envolveu, o filho tinha herdado do dom do pai em chegar de mansinho, o Seu Min tinha me direcionado de volta ao carro de Marcelo, e me dado uma garrafa d'água sem que eu nem percebesse.

— " Vá para casa querida, nós estamos indo ao Silvestre, qualquer coisa avisamos para vocês, a Yoona está só com o Thiago, fique com ela tá bom?" — só pude concordar com um aceno ao seu pedido.

Pus o cinto, Marcelo ligou o carro, esperando que eu me despedisse de minha mãe.

— " Yoona disse que o irmão ligou para ela reclamando que você não atendeu as ligações. " — ela disse passando um lenço pelo canto dos olhos. — "Por que não atendeu as ligações dele minha filha? "

Com a cabeça entre as mãos, expliquei que o celular estava no vibracall, e não tinha atendido, pois fiquei no quarto ajudando a Duda a se arrumar, adicionando que assim que vi suas ligações retornei, mas ele não tinha mais atendido, e agora eu sabia o motivo.

— " Calma minha filha, eu entendi. Vou passar a noite com os pais dele, a família dos outros meninos também já está indo para o Silvestre. " — completou me dando um beijo na testa. — " Fique com a Yoona hoje, e amanhã vocês vão, ok? "

Logo desci em casa para pegar algumas coisas, enfiando tudo rapidamente na bolsa de forma automática, e em menos de 5 min já estava com Yoona nos braços, ambas chorando, acabadas.

  — " Vamos ficar juntas, eu vou fazer a janta." — Duda nos apertou em seus braços, concordamos mesmo sabendo que ninguém ali conseguiria comer.

Só o que eu fazia era pedir a Deus que ele ficasse bem e voltasse para mim só para podermos implicar um com o outro mais uma vez. 

...

Domingo.

Meus olhos mal conseguiam se abrir de tão inchados, pela janela do quarto observei a madrugada escura finalmente dando lugar a diversos tons de azul claro que começavam a salpicar o céu.

Yoona mantinha seu braço bem apertado em volta de mim, mesmo dormindo ela ainda soluçava, desisti da minha tentativa de sono, levantando devagarinho para não acordá-la, fui fazer café.

  — " Mais ou menos, mas a Yoona ainda tá dormindo. " — ainda cedinho liguei para minha mãe, a cafeteira ainda nem tinha terminado seu trabalho, mas eu não podia aguentar por muito mais tempo. 

Após 8h de cirurgia ele tinha saído do centro cirúrgico, não foi necessário ir para a UTI, passaria algumas horas em observação e caso tudo corresse bem, Yoongi poderia descer para um leito e receber visitas.

Seus outros amigos tirando o Ricardo, tinham sido alvejados em locais não tão perigosos por assim dizer, tipo na perna, ou no ombro, ou no braço, mas em nenhum lugar crítico. Yoongi por sua vez levou dois tiros, um no abdômen e outro no peito, passei a noite inteira pensando nele e no tempo em que me mantive afastada me privando da sua companhia por causa de uma bobagem. Pensando que se eu não tivesse vindo a festa de ontem e algo pior tivesse acontecido com ele sem que nós dois tivéssemos tido a chance de conversar, a chance de nos acertar, se a essa altura ele não estivesse mais aqui, agora eu estaria me sentindo tão mal que poderia facilmente morrer junto.

Arrumei a bancada da cozinha, assim que voltei da padaria.

Era minha segunda xícara de café, e a milésima vez que pensava nele, quando ela levantou. Olhos tão pesados quanto os passos, cabelo tão bagunçado como ela se sentia, foi como se Yoona fosse um espelho e eu me visse nitidamente através dele.

  — "Comprei aquele pão doce cheio de chocolate que você gosta, quer tomar café?" — perguntei esquentando as palmas da mão envolta de uma xícara fumegante.

Mesmo que tivéssemos a mesma idade, senti uma louca vontade de embalar ela nos braços, aninhando minhas mãos a sua volta como se fosse um bebê e eu a mãe, para confortar o mínimo possível aquela pobre garota.

Mastiguei sem vontade, me forçando a comer algo do mesmo jeito que a forcei, pensando o quão aquele pão doce era realmente gostoso, pois assim que ela deu uma mordida começou  a chorar. Gostaria de dizer que as lágrimas eram pelo sabor daquela iguaria só encontrada na padaria do Seu Zé, mas infelizmente não era.

Dando a volta na bancada, deixei que sua cabeça descansasse nos meus ombros, acalmando os seus soluços, omitindo os meus próprios, acabei a acompanhando nas lágrimas, embora ela soluçasse copiosamente, meu choro era silencioso, mas da mesma forma dolorido.

Sem parar observei os tic tacs do relógio.

No início da tarde, Thiago veio nos buscar, Dona Min havia ligado anunciando que nós podíamos ir ao hospital, e 15 semáforos depois, chegávamos ao estacionamento do Silvestre.  

Do largo corredor até a sala de espera, uma fila interminável de parentes desorientados lotava o andar, todos com o olhar preocupado, a maioria querendo forçar a entrada nos leitos que eram mantidos fechados. 

Logo os vimos, ao meu lado ela avançou rápido demais, quase tropeçando nas próprias pernas até chegar aos pais.

— " Omma?" — muitas vezes, se não sempre, Yoona chamava a mãe por ''omma'', já tinha ouvido Yoongi chamá-la dessa forma, embora em menor quantidade do que a irmã, e bem mais manhoso.

Indo também em direção a eles, deixei Thiago sentar na cadeira ao lado da namorada e fui procurar por aconchego nos braços da minha própria omma.

  — " Você está bem querida?" — perguntou entrelaçando os braços nos meus, um olhar complacente na face.

Conscientemente a ignorei, só apertando os braços em sua volta, só sentindo o quentinho que o corpo dela me proporcionava, eu não estava bem.

2h se passaram.

Um dos médicos que o operaram, Dr.Vinicius veio avisar aos pais que o medicamento estava perdendo o efeito, então logo Yoongi poderia receber visitas. 

4h se passaram.

Thiago teve que ir ficar com a própria família, percebi que queria ficar ao lado de Yoona, mas depois do ocorrido sua mãe estava surtando dentro de casa.

A noite, quando o jornal já passava em todas as 4 TV's que englobavam o grande salão, após 6h minha mãe e eu, Yoona e o pai fomos para a cantina que ficava dentro o hospital.

Do saguão até a elevador foram 29 passos, mais  2 andares, e lá estávamos nós. 

Para a minha surpresa, o lugar estava cheio, vários funcionários do Silvestre estavam lá, mastigando apressados sem tirar os olhos dos celulares ou das pastas em cima da mesa, por mais que a minha tivesse insistido, sua mãe não quis vir junto, e eu até que a entendia já que meu sanduíche passava de uma mão para a outra, perfeito da mesma forma que tinha chegado.

  — " Coma Yoon, só um pouco. " — Seu Min segurou o lanche próximo a boca da filha, como se fosse uma criança, Yoona virou para o outro lado. — "Todos estamos preocupados minha filha, mas se você não comer pode passar mal e eu não acho que sua mãe precise ficar preocupada com você também. Agora coma."

Continuei de cabeça baixa, olhando minha mãe de rabo de olho, observando que após ponderar a fala do pai mesmo que sua vontade de comer fosse nula, Yoona começou a mastigar. Com um suspiro faço o mesmo, agora minha pança estava forrada com um sanduíche de carne, e um copo de suco de laranja, sinto a mão de minha mãe se apertar em volta da minha, um jeito mudo de me dizer você está indo bem. 

...

Hospitais são tão feios.

Não acho que a aparência influenciaria em muita coisa, mas aquelas paredes brancas, beges e monocromáticas na minha opinião só faziam quem estava lá ficar mais apático ainda.

Contei quantos tons de azul tinham do refeitório até a sala de espera, dizem que a cor azul acalma e promove um sono melhor, o que era patético, pois ninguém conseguia dormir bem no leito de um hospital. 

Eu tinha mania de contar cores, contar palavras, tic tacs, passos, sorrisos, porém, os sorrisos dele talvez fossem a minha melhor contagem. 

Dobrando o último corredor, percebi que a Dona Min estava de pé com o mesmo médico de antes, mexendo o lenço sem parar com os dedos nervosos, seus olhos pequenos mostravam que mesmo a distância o inchaço era nítido. 

Uma batida do meu coração soou mais rápida quando a vi se adiantando atrás dele, o seguindo a passos trôpegos, mas firmes.

— " Yoona, sua mãe tá saindo com o médico. "—anunciei arfando muito alto, fazendo a garota nos braços do pai finalmente levantar a vista. — "Rápido, vai lá, vaaaai. " — rapidamente seu corpo pareceu tomar um sopro de vida, e um brilho inundou suas feições, enquanto corria atrás da mãe com o pai a passos largos bem na sua cola. 

Segurei minhas próprias pernas para não correr com eles, saber como ele estava, vê-lo, tocá-lo, senti-lo, mas sei que mesmo que essa fosse minha vontade, não poderia passar na frente da família com relação as visitas.

Marchei, marchei e marchei de pé, olhando volta e meia para o corredor aonde eles tinham sumido, tentando acalmar a vontade que crescia dentro de mim querendo que chegasse logo a minha vez. 

  — "Minha filha se acalme, pare de andar sem rumo e sente ao meu lado." — a voz dela veio baixinha, quase me esqueci que minha mãe também estava ali, e como pedido de mãe não se nega, controlando meus pés nervosos me joguei na cadeira ao seu lado. — " Antes de ter acontecido o que aconteceu, enquanto arrumávamos a cozinha Minnie e eu falamos de vocês dois. "— deixei a cabeça deitada em seu colo, sorri contra suas pernas, eu as vi falando sobre nós o restante da tarde inteira, não era uma novidade.   — "Desde que vocês eram crianças eu sabia que havia algo há mais naquela implicância desenfreada. Minnie e eu passamos muito tempo nos perguntando quando isso iria acontecer, mas só agora após nós duas já termos desistido vocês resolveram sair das profundezas e florescer para todos nós na superfície. "

Mesmo que fraco foi uma risada, consegui achar graça dessa analogia maluca que só poderia ter saído da cabeça da minha mãe, por isso eu ficava por aí contando coisas, a loucura era hereditária.

Mais algum tempo se passou, vários passos atravessando o corredor, suspirei atracada a ela.

— " Será que ele tá bem mãe? " —  só senti seu abraço se intensificar, minha mãe não respondeu e na verdade, nem sei se queria uma resposta. 

Meu nome foi chamado, várias e várias vezes, muitas cabeças se virando na minha direção, levantei a vista, encontrando Dona Min vindo direto na minha direção, embora seus olhos estivessem vermelhos, sua boca estava sorrindo. 

Quase tropecei, pois, antes mesmo que tivesse levantado completamente fui envolvida por seus braços, ela me apertando tão forte que quase fiquei sem ar.

  — " A minha filha, obrigada. Os médicos disseram que ele está bem, está salvo, obrigada, obrigada, obrigada. " — ela segurava um bolo de fios dourados nas mãos, a olhei com os olhos assustados, sem entender o que falava, não fazia sentido, eu nem estava na Sintonia's na hora, muito menos participei da operação. 

Notei que não só ela como, os outros dois me olhavam de forma estranha, Yoona me agarrava do outro lado, seu pai limpava o canto dos olhos discretamente por detrás dos óculos.

O que estava acontecendo aqui?

  — " Minnie, não estamos entendendo. "— minha pobre mãe a segurava tentando me libertar do seu aperto mortal, até que finalmente ela explicou.

Fitei sem entender por pelo menos 5 segundos, quando me estendeu o emaranhado de amarelo amassado.

Olhei, olhei e olhei.

Finalmente, minha mão desocupada voou para meu pescoço, procurando meu colar, mais uma vez observei aqueles fios dourados, aí percebendo que aquela bagunça era o meu colar de coração.

Há algum tempo, depois que meu pai tinha falecido e só ficamos minha mãe e eu, no meu primeiro aniversário depois disso minha mãe comprou dois colares de coração. Aquilo ali significava todo o sentimento que nós tínhamos uma pela outra, e ontem, quando eu emprestei meu colar para ele, foi isso que quis demonstrar, meu sentimento, que estava entregando meu coração a ele, para que ele tivesse cuidado, e me devolvesse intacto na volta.

O fato foi que a primeira bala tinha o acertado bem ali, direto no peito, porém antes de atingir o dele, o tiro atingiu o meu coração, meu coração de ouro que estava no seu bolso esquerdo.

Embora o coração do meu colar estivesse destruído, o dele estava salvo e era isso o que importava, ele estava a salvo.

— " Ele quer te ver."— Yoona agora se agarrou a mãe, os olhos ainda vermelhos, mas o mesmo sorriso lindo do irmão no rosto. — " Corre, corre." 

E que outra alternativa eu tinha, se não correr?

...

Parada de frente a porta, tive que respirar fundo três vezes até criar coragem para entrar.

Timidamente fechei a porta, seus olhos fechados voltaram a se abrir, me encostei nela cheia de medo de me aproximar demais e machucá-lo.

Meu Yoongi estava tão pálido, mais do que o normal por assim dizer, olhei em volta observando as cores do quarto, exatamente por isso reclamei das paredes dos hospitais. Seu cabelo escuro contrastando com sua pele mais clara, sua boca rosadinha acompanhou o tom da pele, ele parecia tão cansado. 

Sem uma palavra, assim que seus olhos caíram sobre mim, na hora senti as pernas bambearem, tentei me conter ao começar nosso joguinho. 

— " Ouw cadê a minha pizza?" — levemente minha voz tremeu, mas decidi ignorar a lágrima que escorria pelo canto da minha face sem permissão.

Ele continuou a me olhar, seus olhos pequenos menores ainda, mas mesmo assim eu contei 29.

Meu sorriso predileto embora bem fraquinho, estava ali, bem ali na minha frente.

Yoongi bateu levemente no espaço que tinha ao seu lado na cama, me chamando.

— " Vem cá." — sua voz também estava fraquinha, mas alta o suficiente para ser entendida.

Ao andar até ele limpei os olhos, me colocando ao seu lado, apoiando minha mão em sua face, observando seus olhos se fechando mais uma vez. Com as pontas dos dedos desenhei suas feições, cada pedacinho do rosto dele estava gravando na minha memória, na minha retina, no meu peito há anos.

Eu o amava. 

Sem resistir a vontade, bem de levinho encostei meus lábios nos dele, só para ter certeza de que ele estava ali, de que ele realmente estava ali comigo.

— " Não chora, eu tô bem." — pediu passando a mesma mão que tinha um acesso pelo meu rosto, limpando outra lágrima que deslizava sem ser chamada.

— " Quem tá chorando aqui? " — mais uma vez tentei sorrir, mas nossos olhos estavam presos.

Levamos um tempo para conversar sobre tudo o que tinha acontecido ontem, sobre meu colar, sobre seus amigos, pelo Ricardo ter levado a pior e principalmente pela sua maldita mania de querer ajudar todo mundo, muitas vezes sendo inconsequente para tal.

Ele parecia cansado, mas eu não o deixaria escapar tão facilmente.

— "Confesso que se fosse egoísta minha vida seria mais fácil, mas eu não podia permitir aquilo, você sabe que eu não podia. "—  disse olhando bem fundo nos meus olhos, eu sabia, mas não iria incentivar suas atitudes suicidas. — "Não era minha intenção ter envolvido os outros, nem que meu amigo tivesse pagado o pato, mas é esse tipo de situação que eu quero evitar. Você me entende? Sabe que eu não poderia ter feito nada diferente, e mesmo que não tenha conseguido evitar que acontecesse comigo, quero trabalhar e fazer a minha parte para que não aconteça com outras pessoas. "

Suprimi mais algumas lágrimas, balançando a cabeça em entendimento, mesmo a contragosto. Yoongi sempre foi assim, desde criança o defensor dos frascos e comprimidos, ao se meter na briga dos outros no parquinho por causa de um pirulito roubado, ou se intrometendo nas surras dos bullyings na adolescência, e agora englobando o mundo sob suas asas na fase adulta.

  — " Por que você é assim?" — escondi o rosto com as mãos, não querendo realmente uma resposta. — " Eu entendo que foi a coisa certa a se fazer, eu também sou humana Yoongi, só não sou como você."

Sabe aquela frase tipo, ' Você merece o mundo, mas o mundo não te merece?', ela nunca fez tanto sentido, enquanto meus olhos estavam sobre ele.

Suspirei, continuando a falar e falar. 

— "Mas, se a gente vai começar algo aqui, eu gostaria que você parasse um pouco com essa sua mania de sair por aí salvando todo mundo e se salvasse primeiro, se mantenha seguro. Sei que de início não foi sua intenção, mas você nem conhecia o cara, a gente mora no Rio de Janeiro, aqui até ir a padaria é perigoso, e no meio dessa sua investida em busca de justiça quase acabou com a sua vida, com a sua família e de brinde comigo junto. "

Mais uma vez deixei que as lágrimas caíssem ainda com medo de perde-lo, sabendo que não seria a primeira vez.

Seus pais, principalmente claro, sua mãe já havia dito e pedido a mesma coisa antes, ela era a mãe, quem tinha nessa vida mais direito de pedir que ele parasse um pouco do que ela? Sinceramente, não queria repetir a mesma ladainha, mas foi impossível, ao mesmo tempo em que estava feliz por ele estar bem, estava irritada pela situação e no fundo tudo isso, essa mistura de sentimentos bagunçados era só medo, medo e medo.

Ele estendeu a mão para mim, levantei da cadeira e a peguei na minha, entrelaçando nossos dedos querendo beijá-lo ao mesmo tempo que queria dar uma surra nele. 

Toc toc.

Olhamos os dois a porta, uma moça mais ou menos da minha idade entrou, com um bolo de folhas na mão, um lápis prendendo o coque do cabelo e um sorriso ao dar boa noite.

— " Olá, sou a Liz da nutrição, não vou incomodar muito." — olhou nossas mãos ao se apresentar, e chegar mais perto, ela foi até um dos cateteres que Yoongi tinha, analisando a quantidade da dieta da bolsa que ele mantinha para alimentação. Devido ao segundo disparo ter sido no abdomen, embora sua mastigação e sua fome estejam normais, ele estava recebendo uma dieta que segundo ela me explicou, pois, viu meus olhos assustados olhando aquele líquido espesso super esquisito, enteral. — "Assim que o movimento peristáltico voltar você vai poder voltar a se alimentar por via oral, não se preocupe o enjoo é normal, mas logo vai passar. "

Com um sorriso ela se despediu dizendo que amanhã voltaria para verificar a aceitação da dieta, nos deixando mais uma vez sozinhos. 

  — " Sua janta parece deliciosa." — analisamos a coloração amarelada da dieta, meu rosto e meu corpo diziam juntos, eca. 

Ele quase riu baixinho, 30.

Disse depois que poderia dividir comigo, soltou nossas mãos para se ajeitar melhor na cama, gemendo com a dor que aquele movimento simples tinha lhe causado. Evitando meus olhos para não demonstrar fraqueza, acariciei seu rosto manchado com a dor, querendo passar pelo menos um pouquinho daquela tortura para mim. 

— " Então, agora a gente tá em um relacionamento de verdade?"— dessa vez sua voz não tinha mais aquele tom de dúvida, e sim o seu tom normal, rouco, cheio de manha.  — "Eu precisei levar dois tiros pra que você me aceitasse?"

31.

Olhou para a porta antes de mais uma vez se acomodar na cama, me dando espaço para sentar ao seu lado, torcendo para que ninguém mais aparecesse e eu não levasse uma bronca, devagarinho me sentei ao seu lado e mais devagarinho ainda encostei meu corpo no dele. Senti o peso da sua cabeça descansando no meu ombro, Yoongi inspirou o perfume do meu cabelo, mais uma vez entrelaçou uma de nossas mãos, enquanto a outra era passada pela sua nuca em um carinho gostoso.

Pensei no que ele disse por um momento, suspirando pesado ao finalmente admitir:

— " Desde que eu te vi pela primeira vez com a cara toda suja de AÇÚCAR de jujuba a gente tá em um relacionamento Min Yoongi. " 

E mesmo não podendo enxergar, eu sabia que ele estava sorrindo.

32.


Notas Finais


Sim, acabou !
Como disse antes, eu sonhei com essa fic !
Mas mudei o final porque a fic é minha, e por não aceitar como terminou o sonho, já que no sonho não sobrava nadinha do Yoongi.
Um dia acho que vou voltar para ela, mas vai demorar porque tenho outras fics, espero que me acompanhem !

Tenho outra fic com o Yoongi, caso se interessem:
Não Me Abandone Jamais:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/nao-me-abandone-jamais-11856336

Beijos !


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