História Let Me Love You: The Worst Is Coming - Capítulo 10


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Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais
Visualizações 222
Palavras 8.544
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Liz, meu anjo, aproveite bem o capítulo e espero que você, assim como todas as outras leitoras que eu amo, não queiram me matar. Comentem muito pelo amor de Deus e até depois. Amo vocês. ❤❤❤❤❤

Capítulo 10 - In danger


Boston, Massachusetts — 2018, 15:39min

Brianna Yates PON

—O que essa garota está fazendo aqui? —pergunto fixando meus olhos na cara de sonso do Justin.

—Brianna, eu não... —ele começa a dizer e a garota entra no meio.

—Justin não sabia que eu vinha, Brianna. Eu devia ter avisado. —a loira bonitona diz e eu rio pelo nariz, negando com a cabeça.

—Leve sua amiga pra conversar em outro lugar, Justin. Resolva isso longe daqui. —dou as costas e quando vou andar para longe deles, ele agarra meu braço.

—Brianna, qual é? Se acalma.

—Qual é nada, Bieber. Sua ex aparece no enxoval da nossa filha e você me pede calma? Me poupe. —puxo meu braço com força, sentindo meus lábios tremerem.

Passo direto por todos ali e subo para cima, indo pra um dos quartos. Começo a chorar, sem saber o porquê de eu estar chorando. Fungo o nariz e me xingo por estar derramado lágrimas tão bobas.

Duas batidas na porta e então todas as meninas surgem ali. Lottie, Scar, Becca, Emily e Aleh.

—Bri, o que você tem? —Aleh vem até mim e eu abraço ela, fazendo todas as outras me abraçarem também.

—Ela está assim por causa da loira que estava na porta, não é? —Scar pergunta e eu assinto com a cabeça. —Justin já mandou ela embora, ele está subindo pra falar com você.

—Quem era aquela garota, afinal? —Lottie pergunta confusa.

—É Tracy Morgan, uma jornalista de um jornal local. Justin esteve envolvido com ela por um tempo. —Scarlett explica.

—Mas Justin está com você agora, Bri. Vocês vão ter uma filha, por que essas lágrimas? Essa Tracy não significa nada para ele. —Rebecca fala e eu limpo as lágrimas, me afastando delas.

—Eu sei disso, eu só... Não queria que ela aparecesse aqui, seja lá por qual motivo veio. Mas não vou ficar aqui trancada chorando por isso. Podem ir descendo, só vou lavar meu rosto e vou também.

—Tem certeza? —Emily pergunta mexendo em meus cachos e eu balanço a cabeça.

—Não demora, tá legal? Qualquer coisa chame a gente. —Aleh beija minha testa e eu sorrio, vendo elas saírem pela porta.

Vou até o banheiro e lavo minhas mãos, me perguntando se Jazz e Jaxon vão acordar se eu entrar no meu quarto para buscar meu celular para tirar fotos com o pessoal. Escuto a porta sendo aberta e quando saio, vejo Justin ali.

—Posso falar com você?

—Sobre o que exatamente? —pergunto, me fazendo de doida.

—Tracy já foi embora.

—Ela não deveria nem ter vindo aqui. —prendo meu cabelo, cruzando os braços ao encara-lo.

—Não é o que você está pensando, Brianna. Ela só veio pedir minha ajuda. O ex dela é um cara problemático, ela tem uma ordem de restrição contra ele. Só que o maluco veio lá de Los Angeles e agora está perseguindo ela.

—Ah, e aí ela resolve vir pedir sua ajuda? Você é o quê? O Batman? —dou uma risada nervosa, negando com a cabeça. —Ela tem que pedir ajuda da polícia.

—Ela queria que eu desse um susto nele, só pra afastá-lo daqui.

—Não sabia que você era super herói particular das garotas que costumava comer antes de mim. —falo debochada, fazendo Justin franzir a testa.

—Por que está falando como se eu estivesse interessado nela? Eu estou com você, vamos ter uma filha.

—Olha, Justin. Você faz o que você quiser, tá legal? Ajude sua donzela em perigo, eu não estou nem aí. —ele me impede de sair, colocando a mão na porta quando giro a maçaneta.

—Não haja como uma criança teimosa, você sabe que eu te amo mais do que minha própria vida.

—Já acabou? —pergunto séria, vendo ele travar o maxilar.

—Amanhã cedo vou viajar para Chicago, para ir atrás do Scooter. Volto na segunda à noite, você vai ficar bem?

—Sim, vou ficar bem. Eu peço as meninas pra passarem a noite aqui comigo, pode ir tranquilo. —abro a porta com dificuldade e saio para fora, voltando para a sala e estampando um sorriso no rosto.

—Está tudo bem, querida? —Pattie pergunta assim que fixa os olhos em mim.

—Está, sim. Eu só senti um pouco de mal estar. Me sinto bem melhor. —minto, me sentando ao lado de Mason que me abraça com carinho.

Justin desce as escadas me encarando e eu desvio meu olhar dele, conversando com todos e vendo ele ir para o escritório. Depois de um tempo Jazz e Jaxon acordam e começam a correr pelo apartamento, brincando com Aleh de se esconder.

Fico conversando com todo mundo, tirando várias fotos e fazendo de tudo para não pensar na minha discussão com Justin.

—Então você quer que a gente durma aqui? —Rebecca pergunta me olhando.

—Sim, Justin vai viajar amanhã cedo e voltar só na segunda. Vocês podem chegar aqui por volta das dez da manhã pra aproveitarmos bastante o dia.

—Eu adorei essa ideia, vai ser incrível. —Scar sorri para mim e eu fico ali sentada, rindo das coisas que as garotas falam e torcendo para que eu não tenha um acesso de loucura quando eles forem embora.

Boston, Massachusetts — 2018, 18:49min

Justin Bieber PON

Depois de acertar tudo para minha viagem amanhã, penso comigo mesmo uma forma de Brianna entender as coisas e ver que brigar comigo porque Tracy apareceu na nossa porta foi injusto. Eu nem me lembrava da existência dela.

Além disso, é com Brianna que eu estou. Ela deveria saber que larguei Tracy aqui justamente para ir atrás dela em Baltimore.

Todos já começam a ir embora e enquanto nos despedimos, puxo Scar pela mão para conversar comigo em um canto.

—Eu preciso que cuide da Brianna por mim enquanto eu estiver em Chicago, não deixe nada acontecer a ela. —a loira assente com a cabeça, tocando meu ombro.

—Pode ir tranquilo, Justin. Amanhã cedo já venho pra cá ficar com ela. —damos um abraço e eu beijo seu rosto, não tão aliviado como eu gostaria de estar.

—Valeu, se cuida também. —beijo o rosto dela de volta e depois de pegar na mão da namorada e as duas se despedirem de Brianna, elas vão embora.

—Ah, eu fiquei tão feliz por vocês terem vindo hoje. Essa semana eu vou ir lá visitar vocês dois, Pattie. —ela se despede do pai e da minha mãe com um sorriso enorme no rosto.

Enquanto isso, eu aproveito para me despedir dos meus irmãos e de Jeremy.

—Vocês devem voltar aqui mais vezes, hum? —eles assentem juntos, me abraçando forte.

—Vamos voltar sim, mas não deixa de ir ver a gente também. —beijo os dois e os coloco no chão, encarando meu pai e dando um abraço nele.

—Obrigado por virem, mesmo.

—Eu não perderia isso por nada, filho. Depois eu te ligo.

—Certo, tenham uma ótima viagem de volta. —ele beija minha cabeça e dá dois tapas nas minhas costas antes de irem até Brianna se despedirem dela.

—Aí, cara. Quando chegar em Chicago amanhã dá uma ligada. —Alfredo diz tocando na minha mão e eu assinto com a cabeça.

—E vê se não sai andando pelas ruas despercebido, Drew. —Mason diz todo cuidadoso, me fazendo rir.

—Pode deixar, meu herói. Eu vou ficar bem. —beijo a bochecha dele fazendo com que ria de mim e me mostre o dedo.

—Até mais, Justin. Tenha uma ótima viagem. —Aleh fala e eu abraço ela, beijando seu rosto e assentindo com a cabeça.

Ryan, Charlotte, Chaz e Emily sorriem e eu fico feliz por saber que vão morar em Boston agora.

—Já que as garotas resolveram fazer festinha do pijama amanhã, vamos voltar pra Baltimore na segunda de pra arrumar as coisas da mudança. Nos vemos na terça? —Ryan pergunta é eu toco na mão dele, assentindo.

—Meu avião estará à disposição de vocês, sabem disso.

—Nos vemos em alguns dias então, Justin. Espero que não morra porque vai ficar um dia sem transar com a Brianna. —Lottie fala e eu olho para minha garota, que continua agindo como se eu não existisse.

Talvez eu fique muito mais que isso.

—Por ela vale a pena esperar. —falo alto e vejo Brianna revirando os olhos.

Quando todos vão finalmente embora, ela passa por mim e me deixa ali para trancar a porta e apagar as luzes. A teimosa sobe para o nosso quarto emburrada e eu lembro da nossa discussão hoje cedo. Nossas duas primeiras brigas depois que começamos a namorar e eu já odeio isso.

Arrumo toda a casa, varrendo o chão e passando pano. Depois, lavo a caralhada de pratos e copos na pia e jogo as caixas dos salgados fora, apagando as luzes ao terminar.

Entro no quarto e a observo deitada na cama de forma relaxada e mexendo em algo no celular.

—Amor... —chamo por ela, sendo ignorado de novo. —Por quanto tempo você vai continuar fingindo que não existo? —fico incomodado por ela sequer olhar para mim. —Eu viajo amanhã cedo e já estou sentindo sua falta, preta. Você também vai sentir a minha? —pergunto manhoso, deitando minha cabeça em seu colo.

—Mesmo não querendo, sim. Vou sentir sua falta. —ela voltou a falar comigo, graças a Deus.

—Por que não quer sentir minha falta?

—Porque você me irritou hoje, duas vezes. —tiro o celular da sua mão e faço seus olhos me encararem.

—Eu já pedi desculpas por hoje cedo. E estou pedindo desculpas por Tracy ter aparecido aqui, mesmo que não tenha sido culpa minha.

—Se você não tivesse fugido pra cá sem me ouvir, não haveria uma Tracy na sua vida. Então, de certa forma, a culpa é sua sim. —ela começa a mexer em meu cabelo.

—Preta, é sério. Eu não quero entrar no avião amanhã com você aqui, sentindo raiva de mim.

—Não estou com raiva, J. Não de você. Nem dela, também. Eu acho que não, pelo menos. Eu só fico louca com essas garotas que te querem ou que já tiveram você. Eu só... Não sei lidar.

—Isso não importa, amor. Sabe que eu sou seu agora, quem me teve ou quem me quer... isso não significa nada. —seguro sua mão e beijo seus dedos, fazendo Brianna sorrir.

—Eu amo você, só não quero te perder pra ninguém. Só isso.

—É mais fácil a Scarlett ser a passiva da relação do que você me perder, preta. É sério. —Brianna dá uma risada alta, fazendo com que eu fique vidrado no seu sorriso. —Você é tão linda, nunca vou me cansar de te olhar. —toco a bochecha dela, fazendo com que feche os olhos para sentir meu toque. —Eu te amo mais que tudo, Brianna Yates. Não pense que alguém vai mudar isso porque não vai acontecer. —ela assente e sorri, colando a testa na minha.

—Vai tomar um banho pra podermos ver todos os presentes que Avalanna ganhou hoje. —ela diz e eu beijo sua barriga antes de me levantar e ir para o banheiro, sorrindo feito um moleque. Ah, ela me deixa louco.

Boston, Massachusetts — 2018, 20:08min

Brianna Yates PON

—Olha esse macaquinho que a sua mãe deu. Ainda veio com uma pulseirinha de ouro. —mostro ao Justin, sorrindo ao ver a montanha de coisas espalhadas em cima do sofá.

Estamos aqui embaixo há algum tempo olhando todas as coisas que nossa família nos deu de presente.

—Minha mãe vai mimar tanto a neta, eu já estou até vendo isso. —ele ri, pegando um vestidinho branco com um laço de cetim preto na cintura, comprado por Chaz.

—Ah, esse foi Chaz quem deu. E a Emy deu os sapatinhos de couro preto pra combinar, aqueles ali. —aponto, fazendo Justin pega-los na mão.

Cyrus deu grandes pacotes de fralda e roupinhas que eu tenho um leve pressentimento que foram escolhidas por Pattie.

—Alfredo e Connor deram brinquedinhos e tudo, amor. Eu amei também. —comento com ele, o vendo sorrir.

—Temos que comprar o berço e tudo mais essa semana, decorar o quarto dela e essas coisas. —ele diz e eu assinto com a cabeça, o vendo pegar seu celular e começar a bater fotos minhas com as roupinhas que estão nas minhas mãos. Dou sorrisos e faço caretas, negando com a cabeça quando Justin começa a me filmar.

—Mas você é muito meu fã, meu Deus! —digo rindo e ele assente.

—Sou um fã completamente apaixonado, amor. E você é minha musa. Fala que me ama.

—Eu te amo, J. Eu te amo muito. —jogo um beijo e quando vou me levantar para ir ao banheiro, ele ri e me segura pela mão, fazendo com que eu caia em cima dele.

—Você é linda, sabia disso? —ele pergunta mantendo a câmera focada em mim.

—Promete que vai voltar pra gente? —pergunto, colocando a mão sob a minha barriga e ele coloca a dele por cima.

—Sim, preta. Eu prometo. —o beijo suavemente nos lábios, brincando com seus fios loiros antes de me afastar e me colocar de pé.

Caminho para o banheiro e faço xixi, dando a descarga e escovando meus dentes. Quando volto para a sala, Justin está mexendo com uma arma e ergue os olhos para mim.

—Venha até aqui. —ele me chama e eu me aproximo, franzindo a testa.

—Pra que essa arma?

—Pra que você aprenda a se defender quando eu não estiver por perto, amor. —ele explica, se levantando e vindo para trás de mim, pegando minha mão. Observo a arma cromada de ouro, semelhante demais à que Justin vive carregando aonde vai. —Essa é uma pistola semi automática, e é sua a partir de hoje. —Justin fala próximo ao meu ouvido, colocando meus dedos na arma. —Você força aqui para tirar e conferir o pente, se estiver vazio, você substitui por um cheio. Essa é a trava de segurança, você libera ela antes de atirar. —ele explica me mostrando e eu o presto a atenção, assentindo com a cabeça. Justin tira o pente e prepara a arma. —Aqui, aperte o gatilho. —ele diz e eu o faço, vendo o mecanismo funcionar perfeitamente. Que incrível. —Se estiver correndo perigo, mire e atire sem hesitar, entendeu? —balanço a cabeça. —vou deixar essa presa em um suporte embaixo da mesinha de centro, bem ali. —ele aponta, colocando o pente de volta e se abaixando no chão. —Há outra lá em cima, presa debaixo do seu lado da cama.

—Tudo bem, J. —digo baixinho, estendendo minha mão para ele e o puxando para um abraço. Justin beija minha testa e eu dou um sorriso mínimo. —Tem alguma coisa acontecendo, amor? Você parece muito preocupado.

—Não, preta. Está tudo bem. Só... Vamos subir lá para cima e descansar. —balanço a cabeça, deixando que ele me carregue de volta para o nosso quarto e fazendo biquinho porque vamos passar praticamente dois dias longe demais um do outro. Eu só quero que Justin volte para mim. Ele prometeu, então sei que vai voltar.

Boston, Massachusetts — 2018, 00:45min

Justin Bieber PON

—Quando esse carregamento tão importante vai chegar? —Brianna pergunta enquanto estamos deitados na cama, vendo um filme qualquer na TV.

—Na segunda, no final da tarde. Vai ser entregue no ancoradouro da cidade, pier 72.

—Quer que eu vá receber a carga pra você? —franzo a testa, me mexendo na cama.

—Achei que não quisesse se envolver com isso.

—E eu não quero, mas você não vai estar na cidade e eu quero ajudar. Scar pode ir comigo, para me manter segura. —dou um sorriso por Brianna estar disposta a isso por minha causa.

—Não, preta. Não precisa. Alfredo e Connor vão estar lá e levar todo o pó pra um dos armazéns do seu pai. Depois que pesarmos a droga, ela vai sair pra distribuição. Mas obrigado assim mesmo. —beijo a testa dela, acariciando sua barriga.

—Por que não vai pra Chicago com o seu avião?

—Vou deixar ele aqui para o meu pai e os meus irmãos voltarem pra Baltimore. —explico, sentindo Brianna bocejar.

—Você sempre pensa nas pessoas, J. Eu amo isso. —ela diz sonolenta.

—E eu amo você, preta. Vocês duas. —ela coloca as mãos por cima das minhas e acaba adormecendo.

Fico acordado, sabendo que vou ter que dar um jeito em Bryce de uma vez por todas. Brianna estava certa quando disse que ele não tem medo de nada e homens que não têm medo se tornam imprevisivelmente perigosos.

Me afastando devagar da garota que dorme profundamente em meus braços, me levanto da cama e vou até a janela, observando toda a cidade diante de mim. Uma parte de Boston está adormecida agora e a outra permanece tão acordada quanto eu nesse momento.

Olho para a rua lá embaixo, me certificando de que não há nenhum veículo ou figura estranha rondando o prédio.

Uma voz na minha cabeça me diz para não ir, para ficar aqui e cuidar da minha mulher grávida. Mas eu me convenço que isso é só parte do meu instinto super protetor e que Brianna vai ficar bem.

Caminhando de forma silenciosa pelo quarto, pego uma mochila e enfio algumas peças de roupa ali dentro junto com alguns malotes de dinheiro. O carro que vai me levar até o aeroporto chega em algumas horas e eu decido deixar minha arma aqui, já que quando o avião pousar em Chicago eu não vou ser ninguém além de um simples viajante, não correrei nenhum risco. E nessa semana os homens que eu selecionei para fazerem a segurança da Brianna começam a trabalhar.

De alguma forma, isso não me deixa mais tranquilo. Como se só eu fosse bom o bastante para protegê-la e mantê-la segura. Mas eles vão ter que dar conta.

Volto para cama e tomo minha garota nos braços outra vez, sentindo sua respiração leve e descontraída e fazendo uma oração silenciosa para que ela fique em segurança enquanto eu não estiver por perto. É tudo que eu preciso, que nada de ruim aconteça com a minha menina.

Boston, Massachusetts — 2018, 08:29min

Brianna Yates PON

Ao acordar na manhã seguinte, noto o espaço vazio ao meu lado e faço biquinho, vendo a flor colocada em cima do travesseiro junto com um cartão.

"Você estava tão linda dormindo, não tive coragem de te acordar. Embora eu quisesse muito um beijo seu antes de ir, seu sono é mais importante. E eu fui obrigado a apertar sua bunda, gostosa. Se cuida e cuida da nossa princesa, amor. Eu amo vocês duas. Com carinho, J."

—É, filha. Vamos ter que ficar sem o papai até amanhã, mas damos conta disso, certo? —acaricio minha barriga e coloco meus pés para fora da cama, indo para o banheiro.

Lavo meu rosto e depois escovo meus dentes, sorrindo para o meu reflexo. O que uma noite bem dormida não é capaz de fazer. A campainha toca lá embaixo e eu visto uma camisa de botões do Justin e calcinha, descendo as escadas e sorrindo para minhas garotas.

—Vocês não brincaram quando disseram que chegariam cedo. —falo rindo, me inclinando para beijar Charlotte no rosto.

—Somos pontuais, além disso não queríamos você sozinha. —Aleh me dá um abraço e passa por mim carregando uma mochila enorme.

—Eu estou faminta, podemos tomar café antes de qualquer outra coisa? —Scar pergunta beijando minha cabeça e depois indo direto para a cozinha, fazendo Becca e Emily negarem com a cabeça.

—Paramos na Starbucks antes de vir pra cá e ela comeu mais salgados do que eu pude contar. Sua geladeira ficaria vazia se não tivéssemos ido à lanchonete. —Rebecca diz me fazendo rir e balançar os ombros.

—Tem comida o bastante pra todas nós, além do mais sobraram muitos doces e salgados de ontem. —vou para a cozinha, abrindo a geladeira e pegando um brigadeiro de um dos potes de vidro.

—Quais são os planos pra hoje? —Lottie pergunta me fazendo sorrir. Encaro Aleh e assinto com a cabeça, um sinal para que ela comece a falar.

—Depois que fizermos o almoço, vamos passar o dia dançando e ouvindo músicas pra depois vermos filmes enquanto comemos brigadeiro. Antes de dormir, vamos beber muito e ficar conversando até tarde. —ela diz e eu bato palminhas.

—Ela fez um ótimo resumo de como vai ser nossa rotina. —digo, me sentando na mesa e observando as meninas espalhadas, se servindo de tudo quanto é coisa.

Scar toma um pouco de café junto com Rebecca e come algumas coxinhas. Emy e Lottie preparam um doce, Aleh come brigadeiros comigo e eu tomo um pouco de leite.

—Essa cozinha está impecável, Bri. Foi você quem arrumou depois que saímos ontem? —Rebecca pergunta sorrindo e eu nego com a cabeça.

—Justin fez a faxina toda sozinho. —elas arregalam os olhos, sem acreditar.

—Meu Deus, vou falar com ele para das umas aulas ao Ryan. Ele é tão preguiçoso quando se trata de lavar a louça. —Lottie revira os olhos.

—Não posso reclamar do Chaz nesse quesito porque ele deixa a casa um brinco de tão limpa. —Emily sorri prendendo seus cachos vermelhos em um coque no alto da cabeça.

—Bom, Becca e eu fizemos um cronograma. Eu arrumo a casa em um dia e ela no outro e assim vai indo. —Scar diz sorrindo e as duas dão um selinho. Muito amor envolvido.

—Os meninos e eu teremos que fazer algo assim já que vamos dividir uma casa agora.

—Já escolheram onde vão querer ficar? —pergunto empolgada encarando Emily e Charlotte.

—Na mansão, se não tiver problemas pra você. Sempre quis morar em uma. —Lottie diz toda animada.

—É toda de vocês. A propósito, ela já está mobiliada e tudo. Fiquem o tempo que quiserem. —jogo um beijo para elas.

—Eu amo esses momentos com vocês, mas preciso saber o que vai ser de almoço. —Aleh pergunta e eu dou de ombros, vendo ela ir até a geladeira.

—Eu super apoio fazermos uma lasanha gigante de presunto e mussarela. —sinto meu estômago roncando e água na boca só de pensar naquele queijo maravilhoso todo derretido.

—Estão todas de acordo? —Aleh pergunta com seu admirável instinto de liderança e as meninas assentem com a cabeça.

—Precisamos começar agora se não quisermos comer lá pelas quatro da tarde. —Emily fala rindo e eu desço da cadeira, pegando algumas coisas na geladeira.

—Charlotte fica responsável de fazer o arroz, Emy e Becca cuidam da salada, eu e Aleh fazemos a lasanha e Scar cuida da sobremesa. —jogo um beijo para elas, vendo todas se espalhando pela cozinha. Eu estava precisando disso, um dia inteiro com minhas melhores amigas. E eu mal posso esperar para a diversão começar de verdade.

Residência de Scooter Braun, Chicago, Illinois — 2018, 10:13min (manhã, horário local)

Justin Bieber PON

Depois de pagar o taxista, desço do carro e pego minha mochila, passando uma das alças pelo ombro e caminhando em direção à porta vermelha.

Observando a casinha de madeira branca, penso comigo mesmo que faz uns quatro anos desde a última vez em que vi Scooter, minutos antes dele assumir o erro por um vacilo meu e ir preso no meu lugar.

Subo os degraus da pequena escada e olho a grama seca e a caixa de correio com cartas até no talo, tocando a campainha. Longos minutos após ficar parado que nem idiota esperando, a porta range ao ser aberta e eu encaro a jovem garota de cabelos pintados de rosa e brilhantes olhos verdes que me encara desconfiada.

—Pois não? —ela pergunta, mantendo apenas uma greta aberta e me analisando de cima embaixo.

—Eu vim ver Scooter Braun. —digo franzindo a testa, eu não sabia que ele tinha companhia.

—Humm, você é o cara que moveu o pedido de liberdade do meu pai? —ela pergunta e eu balanço a cabeça, surpreso. Eu me lembro dela, ao menos de quando era jovem e só uma garotinha de cabelos negros como carvão. Naomi.

—Sim, sou eu. Justin. Naomi, certo? —pergunto e ela assente, nitidamente surpresa por eu saber seu nome.

A porta é fechada e eu escuto as várias trancas antes dela ser totalmente aberta para que eu passe.

—Meu pai está na sala, no final do corredor. Pode ir lá vê-lo, estou terminando de fazer o almoço. Você aceita uma água ou alguma outra coisa?

—Não, obrigado. —a menina sorri simpática e dá as costas, voltando para o lugar que eu concluo ser a cozinha.

Encaro o corredor e os poucos porta-retratos pendurados na parede descascada, caminhando a passos lentos sob a madeira velha do chão.

Ao entrar na sala, vejo Scooter sentado em uma cadeira enquanto olha através da janela. Diversos papéis estão pelo chão e eu sinto cheiro de tabaco e whisky.

—Vejam só se não é meu velho aprendiz de crimes cibernéticos em carne e osso. —sua voz está rouca, mas de um jeito estranho. Como se ele passasse a maior parte do tempo fumando um cigarro atrás do outro.

Permanecendo de costas, presto atenção quando Scooter ergue um dos longos dedos para acariciar seu queixo. Sua barba por fazer e sua camisa suja de mostarda torna perceptível que ele não é mais o homem vaidoso que costumava ser.

—Olá, Scooter. —digo depois de um tempo, analisando completamente o mausoléu onde estou. —Você está... diferente.

—Você acha, Justin? Eu realmente mudei muito desde quando fui parar na cadeia por sua causa. —ele cospe as palavras, se levantando e ficando de frente para mim. Noto a mágoa por trás dos seus olhos e dou um suspiro.

—Eu sei que pisei feio na bola aquele dia, Scooter. E você me salvou.

—Eu me pergunto se fiz o certo porque depois que saiu minha condenação você sequer se incomodou em ir me visitar naquele buraco aonde eu fiquei por semanas aguardando a porra do julgamento. —nego com a cabeça.

—Eu tentei te ver, tentei de verdade. Mas os advogados de acusação estavam na minha cola, me interrogaram diversas vezes querendo saber o quanto eu te conhecia.

—E você com certeza tirou o seu da reta antes que a merda toda começasse a feder.

—Eu não entendo porque você está tão amargo, cara. Quando a polícia chegou você apagou todos os arquivos que me incriminavam, me mandou fugir e assumiu a culpa.

—Eu fiz isso porque além de você ter se tornado um amigo, eu não quis pensar na decepção que Pattie teria ao ver o único filho preso. Você já não era réu primário naquela época, seria julgado como adulto.

—Eu não vim de Boston pra ficar aqui lavando roupa suja, Scooter. O passado passou, não tem como mudar o que aconteceu.

—Por que está aqui? Eu estava bem até receber uma ligação do meu advogado dizendo que havia sido pago para ceder o cargo dele para uma nova advogada que iria me representar à pedido seu.

—Eu subi na vida, mano. Graças à tudo que me ensinou eu consegui o comando do tráfico de vários estados. Mas eu preciso da sua ajuda agora. Eu tenho uma namorada, ela está grávida e vai dar à luz à nossa primeira filha. Preciso que você entre pra minha equipe e assuma a função na área da tecnologia.

—Não sei se eu deveria estar comovido com sua história, mas caso não saiba eu estou proibido de chegar perto de qualquer aparelho eletrônico pelo resto da vida, Bieber. E mesmo que eu não estivesse, não tenho motivos para ajudar alguém que só serviu pra destruir a minha vida. Pegue suas coisas e saia da minha casa agora antes que eu decida te dar os socos que eu tanto quis dar durante todos esses anos. —ele é duro nas palavras. Solto um suspiro, achando melhor ir embora e pensar em outro método para convencer Scooter a me ajudar. Parece que não vai ser assim tão fácil. Que droga!

Boston, Massachusetts — 2018, 16:18min

Brianna Yates PON

—Vamos lá, garotas! —grito alto, dando risadas vendo como estou engraçada usando um casaco de penas vermelhas e um dos bonés do Justin.

—I call my girl (hey) cause I ve got a problem (what?). Only a curl is gonna solve it. Man, I don’t really care. Just get him out of my hair, yeah. —Charlotte começa cantando, usando um sobretudo jeans por cima do seu pijaminha e uma touca azul que pegou no meio das minhas coisas.

—Lets switch it up, get it off my shoulder, I ve had enough, cant take it no longer. I am over him I swear, i m like, yeah, gotta get him out my hair, gotta get him out my hair, gotta gel him out my hair, gotta get him out my hair. —Scar continua, pegando uma das minhas escovas de cabelo e pulando em cima da minha cama usando meias pretas e uma jaqueta de couro do Justin.

A música toca alto enquanto dançamos e cantamos pelo quarto, rindo e rebolando como se fôssemos as próprias garotas da Little Mix.

—Cause he was just a dick and I knew it, got me going mad sitting in this chair. Like I dont care, gotta get him out my hair, i ve tried everything but it useless. He pushed me so far, now. I am on the edge, make him disappear... Girl, get him out my hair. —cantamos juntas, erguendo nossas taças e rindo que nem idiotas.

Aleh começa a pular na cama com Scar e eu danço com Rebecca e Emy enquanto Charlotte sai rolando pelo chão.

—Okay, gotta bleach him out, peroxide on him. Hair on the floor like my memory of him, now I feel brand new this chick is over you. We are going out, ain t got no worries. Drama now, now it just seems so funny, Got my hands up in the air, I am like yeah. —Aleh dá um salto e saímos correndo pelo corredor, descendo as escadas.

Aumento a música e faço poses com as meninas, sentindo meu coração bater forte no peito e perdendo o fôlego. Andamos em volta dos sofás e depois nos jogamos no tapete, jogando o cabelo como se estivéssemos em um clipe.

Quando a música termina, balançamos a cabeça rindo e comemorando uma com a outra. Coloco "7/11" para tocar e em segundos estão todas de pé, voltando a dançar pela casa e cantando junto com Beyoncé.

Me mexo, batendo as mãos e vendo as meninas sorrindo e se divertindo tanto quanto eu. Rebolo e desço até o chão o tanto que eu posso, pegando um saquinho de confetes e jogando no ar, vendo Aleh balançar as mãos no alto.

Scar e Rebecca colocam óculos escuros e Charlotte pega o celular, batendo algumas fotos e começando a nos filmar enquanto aproveitamos a companhia umas das outras.

Dançamos e cantamos mais algumas músicas incluindo Flawless, Bicth Better Have My Money, Bang Bang e Shake It Off. Quando caímos no sofá, estamos completamente exaustas mas rindo até as bochechas doerem.

—Ah, meu Deus! Eu não me divertia assim há um bom tempo! —Aleh fala rolando no chão e Emily se levanta, acendendo a lareira.

—E pensar que vamos ter muitos finais de semanas iguais a esse. —Lottie comenta e eu me levanto também, rindo e me deitando no colo da Scarlett.

Rebecca vai até a cozinha, voltando com as duas caixas de pizza e se sentando ao nosso lado.

—Acho que podemos começar a ver os filmes agora. —pego o controle e coloco no catálogo da Netflix.

—Temos muitas opções. Romance, ação, terror, comédia...

—Eu voto em terror ou ação. —Scar diz como se já não fosse óbvio.

—Ah, terror? —Emily faz biquinho.

—Se for romance eu vou chorar muito e vocês sabem disso. —Aleh diz e eu balanço a cabeça, concordando com ela.

—Bom, rir é de graça e rir até a barriga doer é melhor. Que tal começarmos com o clássico "As Branquelas"? —Rebecca ajuda Lottie a puxar o sofá cama para mais perto da TV e depois fecha as cortinas.

—Mano, tem uma caralhada de filmes que podemos ver. "Eu Queria Ter a Sua Vida" com o gostoso do Ryan Reynolds, Deadpool com ele também, "Uma Ladra Sem Limites"... —digo, devorando meu pedaço de pizza.

—"Tudo Para Ficar com Ela", "Pense Como Eles", "A Proposta"... —Emily sorri alegre se deitando com nós.

—Já tá indo pro lado do romance. Ah, nem. Coloca Anabelle 2 aí. —Scar fala toda sinistra e eu nego com a cabeça.

—Ah, não. Tem outros filmes muito bons. Medo Profundo que é sobre duas irmãs que ficam presas em uma jaula quarenta e seis metros abaixo do mar, ou Operação Red Sparrow...

—Tem os filmes de animação também, eu amo.

—Vamos ter que fazer votação. —Aleh diz e eu assinto com a cabeça, sentindo meu celular tocando e dando um sorriso ao ver minha foto com Justin brilhando na tela.

—Oi, amor.

—Ei, preta. Como estão as coisas por aí? Você tá bem? Avalanna está muito agitada hoje? —ele pergunta e eu sorrio, acariciando minha barriga.

—Estamos bem, J. As meninas e eu estamos escolhendo um filme para ver. Já encontrou seu amigo? —ouço Justin suspirar do outro lado.

—Já, mas não foi bem como eu esperava. Vou ter que tentar uma abordagem mais sutil com ele.

—Mas você volta amanhã à noite, né? Estamos com saudade.

—Volto sim, amor. E quando eu chegar em casa vou deixar você nua e te chupar todinha. —Justin fala me fazendo rir safada e arrepiar toda só de pensar na língua dele passeando pelo meu corpo.

—Estarei te esperando ansiosa.

—Fica bem aí, minha deusa. Eu amo você.

—Também amo você, J. Muito. —encerro a chamada e volto para a sala, me deitando no meio doa travesseiros e cobertores louca para ter meu homem de volta.

Chicago, Illinois — 2018, 23:00min

Justin Bieber PON

—Que porra aconteceu entre vocês dois pra ele estar tão amargo assim? —Alfredo questiona enquanto me sento na cama do quartinho que aluguei em um hotel de beira de estrada.

—Uma vez Scooter me deu um teste para fazer, se eu passasse, ele me ensinaria tudo que sabia sobre hackear sistemas. Eu tinha que invadir uma conta bancária e transferir todo o dinheiro que tivesse nela para uma conta fantasma em menos de dez minutos. A polícia conseguiu rastrear o computador que eu estava usando, mas Scooter deletou todos os arquivos antes que os policiais arrombassem a porta e assumiu toda a culpa enquanto eu fugia pela janela feito um covarde. —conto a ele, passando as mãos pelo rosto.

Me sentindo completamente exausto pela viagem, termino de me vestir e pego a chave do carro alugado, decidido a convencer Scooter de uma vez por todas.

—É compreensível que ele esteja...chateado. Mas dá uma prensada que Scooter vai acabar cedendo.

—É o que eu vou fazer. Tá tudo certo pra entrega?

—Tá, sim. Fica tranquilo que em menos de setenta e duas horas o carregamento vai estar no armazém pra fazermos a pesagem. —fecho a porta e entro no carro, ligando o motor e dando a partida.

—Beleza então, qualquer coisa me mande uma mensagem. O sinal de telefone aqui é ruim pra porra, se me ligar e der fora de área eu retorno depois. —desligo e atiro meu telefone no banco ao lado, acelerando em direção ao fim de mundo aonde Scooter tem morado nos últimos dois anos, desde quando saiu da prisão.

No meio do caminho, paro pra comprar um café, sentindo minha cabeça explodir. Quando volto para o carro, noto meu telefone fora de área quando o pego para olhar as horas, revirando meus olhos. Que buraco de lugar é esse onde eu estou.

Ao estacionar de novo em frente à casinha aonde estive hoje cedo, toco a campainha e ao abrir a porta e me ver, Scooter estala a língua no céu da boca.

—Mas que caralho, Justin. Por que você voltou?

—Porque eu preciso de você, Scooter. Mais do que você é capaz de imaginar. Só... escute a proposta que eu tenho.

—Você tem dois minutos. —ele arreda, dando espaço para que eu passe.

—Cyrus Yates me contratou para expor um esquema de tráfico de mulheres e eu só consegui fazer isso por causa das habilidades que você me ajudou a melhorar. —começo, vendo ele sorrir debochado. —Depois de colocar o culpado na cadeia, Cyrus me deu como recompensa o comando de alguns estados e por causa disso, eu posso ter feito alguns inimigos um tanto imprevisíveis. Se esquecer o que houve entre a gente, eu prometo a você que se eu te meter em outra enrascada você não vai pra cadeia, ao menos não sozinho. Eu te pago um total de cem milhões por mês só pra você ficar sentado na frente de um computador ouvindo conversas e rastreado localizações quando necessário.

—Cem milhões pra eu poder fazer o que eu sempre amei? Tem alguma armação por trás disso?

—Não tem armação nenhuma, Scooter. Você é o melhor no ramo da tecnologia, depois de mim é claro. —ele fecha a cara, revirando os olhos. —Eu não tenho tempo pra ficar ouvindo as gravações, vou ter menos ainda quando minha filha nascer.

—Você sendo pai... tá aí uma coisa que eu quero ver de perto. —ele diz, abrindo um sorriso de canto. —Tudo bem, Justin. Eu topo. Mas se algo der errado e você me deixar na mão, eu te esfolo todo quando for solto. —ele diz e eu dou um berro, pulando em seu colo e comemorando.

—Ah, seu filho da puta! Achei que ia fazer com que eu ficasse de joelhos e te chupasse.

—Você é bonito e tudo, mas essa não é a minha praia. A propósito, eu quero uma casa mais a minha cara quando me mudar para Boston.

—Vou me encarregar de comprar uma mansão à altura pra você.

—Certo, quer uma cerveja? Estou te achando um pouco... derrubado. Além do mais, quero ouvir sobre a garota que te botou uma coleira.

—É a Brianna, porra! Você se lembra dela, não? Não chegaram a se conhecer, mas você viu ela de longe.

—Ah, eu me lembro. Escolheu bem, sempre gostei dessa garota. —ele comenta me fazendo rir e nos sentamos para que eu conte a história maluca sobre Brianna ser filha do cara que me deu a vida de luxo e ostentação que eu tenho agora.

Boston, Massachusetts — 2018, 15:57min

Mason Yates PON

—Achei que ontem tinha sido a reunião das Winx. —zombo largando minha arma e meu celular em cima do sofá.

—Sei que você vai querer ser, uma de nós. Winx, quando damos nossas mãos, nos tornamos poderosas porque juntas somos invencíveis! —Brianna canta pulando enquanto na minha frente e eu rio dela, palhaça demais. —Sim, foi ontem. Mas hoje é segunda, a maioria saiu cedo pra trabalhar. Exceto por Charlotte e Emily que tinham que arrumar suas coisas pra voltar pro hotel. E Scar, que depois de levar Becca em casa ia resolver umas questões sobre o pagamento dos meus seguranças e voltaria para cá mais tarde.

—Falou com Justin hoje? —pergunto, indo até a geladeira pegar um pouco de água.

—Eu até tentei, mas ele não me atendeu. Eu liguei diversas vezes. —ela faz biquinho e vamos para a sala.

—Ele me pediu para buscá-lo no aeroporto às nove da noite, me mandou um torpedo. Disse que o sinal aonde estava era péssimo e pediu pra eu te dizer que ele te ama muito. —digo, me sentindo o garoto dos recados.

—Ainda bem que ele chega hoje, estamos morrendo de saudade. —ela diz sorrindo enquanto acaricia a barriga e eu coloco minha mão ali também, sorrindo ao pensar que falta tão pouco para minha sobrinha nascer.

—Eu imagino que sim, ele está louco pra ver você. —falo, olhando em volta.

—Você está diferente, irmão. Aconteceu algo? —como sempre muito observadora, Brianna percebe minha tensão só olhando para mim.

—Humm. Eu quero pedir Aleh em casamento. —quase fico surdo com o berro que minha irmã dá e começo a rir quando ela se lança em meu colo.

—Você tá falando sério mesmo? Mason, isso é... ah, cacete! Eu não acredito nisso! —quase fico sem respirar de tanto que ela aperta seus braços ao redor do meu pescoço.

—Bri, eu estou ficando sem ar. Você pode só... —ela me solta e se coloca de pé, fazendo uma dancinha muito esquisita.

—Ah, Aleh vai ficar tão feliz. Meu Deus!

—Você acha mesmo? Tenho medo dela achar que é muito cedo e dizer não. —faço uma careta, vendo Brianna negar com a cabeça.

—Confia que vai dar certo, Mason. Ah, eu sei que vai. Ah, eu vou ajudar ela com tudo. O vestido de noiva, o lugar para a festa e a decoração... —ela ri, toda animada. Mulheres.

—Eu ainda tenho que pensar como vai ser o pedido, mas vai acontecer. No máximo dentro de um mês.

—Eu estou muito contente por você, mesmo. Por vocês dois. —ela segura minha mão e eu a puxo com cuidado, fazendo com que volte para o meu colo.

Rolamos no extenso sofá até ficarmos no meio de algumas almofadas, rindo um pro outro enquanto nos encaramos.

—Sabia que durante um tempo eu tive sonhos com você? —pergunto a ela, fixando meus olhos no seu rosto de anjo. —Não com você, assim... Mas eu sonhava com a minha irmã. Às vezes eram coisas bobas como nós dois jogando videogame ou brigando porque ela saia catando todas as minhas camisas. —estico o braço, tocando sua bochecha e depois enrolando um dos seus cachos no meu dedo. —Quando você nasceu, eu tinha quatro anos. Mas eu ainda lembro bem de quando papai foi me buscar para ir te ver. Eu entrei no quarto e mamãe estava com você nos braços, ela sorria de um jeito... Nosso pai também, era como se você fosse a fonte de toda a felicidade deles. —vejo seus olhos marejando e toco seu lábio. —E também foi a minha assim que eu bati os olhos em você naquela noite. Quando me encarou com esses olhos brilhantes como se neles tivessem escondidas duas estrelas, você sorriu e bateu as mãos, eu quis chorar. —conto a ela, emocionado com a lembrança. —Papai me disse que eu ia ser seu guardião dali em diante, mesmo depois que você arranjasse um homem para te amar, eu ia continuar cuidando de você. —Brianna começa a chorar e eu também. —Só que horas depois, levaram você da gente e eu achei que era minha culpa. Eu vi aquela mulher passando por mim, só não sabia que era você enrolada na manta rosa. Bryce me olhou, ele devia ter uns seis anos, e sorriu acenando antes de entrarem no elevador. —ela funga o nariz. —Nossa mãe sofreu um acidente de carro anos depois, mas eu vi ela morrer naquela noite. E papai meio que foi junto com ela. Os dois fizeram o melhor para cuidar de mim enquanto se mantinham em uma busca incansável pela filha perdida e eu cresci desejando que minha irmã voltasse. —Brianna estende a mão e usa seus dedos frágeis para enxugar minhas lágrimas. —E então eu te conheci aquela noite na boate e senti uma coisa tão boa. Depois de um tempo fui juntando sua história com a minha e vi que a pessoa por quem eu tinha procurado durante toda minha vida estava ali, bem debaixo do meu nariz. —ela sorri e me puxa para um abraço, desabando em meu ombro.

—Obrigada por ter me encontrado, Mason. Por ter devolvido coisas que eu nem sabia que tinha perdido. Você e o papai são mais amados por mim do que podem imaginar. —ela diz e eu balanço com a cabeça, dando vários beijos no seu rosto.

—Eu te amo, piveta. Sempre vou amar. —ela mexe no meu cabelo, mas eu não reclamo porque é a minha irmã. Aleh também pode, claro. Só Justin que não, gosto de ver como ele fica frustrado com isso.

—Vamos ver TV agora? Vou pegar pipoca pra gente e você fica aqui até ir buscar meu namorado. —dou risada e ela se afasta, indo até a cozinha enquanto tiro meu tênis e agradeço ao Deus que eu tanto reneguei por ter devolvido minha pirralha.

Boston, Massachusetts — 2018, 20:32min

Brianna Yates PON

Pouco tempo depois de Mason ir buscar Justin no aeroporto, a campainha toca e eu dou um sorriso sabendo que é Scar. Rebecca está trabalhando na boate hoje, então seremos só eu e ela até os meninos chegarem. Aleh disse que vinha mais tarde, vamos assistir filmes e comer pizza.

—Scar, eu já estava quase entrando no banho. Ainda bem que você... —paro de falar ao abrir a porta, franzindo a testa ao ver o cara com dreads semelhantes aos do meu irmão. —Bryce? —olho para o garoto com ele, um ruivo com sardas e dentes amarelados.

—Olá, Brianna. Desculpe mas seu banho vai ter que ficar pra depois. —quando vou fechar a porta, ele coloca o pé e empurra, me fazendo cair sentada no chão.

—Não! —tento me levantar de pressa e correr para um dos quartos lá em cima, mas o garoto com ele me segura pela cintura enquanto Bryce tranca a porta.

—Tenho certeza que você é mais educada que isso, gatinha. Vamos com calma, certo? —ele passa seus dedos nojentos pelo meu rosto e eu nego com a cabeça, temendo pela minha filha.

—Justin já vai chegar, Bryce. E Scarlett está vindo pra cá também, vá embora enquanto ainda pode. —ameaço ele, lembrando da arma presa embaixo da mesa da sala. Se eu conseguir chegar lá talvez eu consiga pegá-la e enxotá-los para fora daqui.

—Eu sei que Bieber está de volta na cidade, eu só vim até aqui porque quero que me conte quando as cargas de cocaína chegam em Boston. —ele se senta no sofá de forma relaxada, como se estivesse na casa dele. Ridículo!

—Eu não sei nada sobre isso, Bryce. Não me meto nas coisas do tráfico. —minto descaradamente, mas não tem como ele saber disso. Não posso falar as coisas que Justin me contou, essas cargas valem muito pra ele.

—Sabe Brianna, sempre admirei como você é esperta. Diferente do Blake, que o diabo o tenha, mas cá entre nós, você não me engana. Desfilando por aí ao lado do Drew como se fosse uma vadia de luxo. —ele ri, negando com a cabeça. —Eu vim de Baltimore só para ver você, Brianna. Eu quis acreditar que você colaboraria comigo. Então vamos, me diga quando as cargas chegam e o ponto de entrega.

—Eu não sei, Bryce. Eu já disse isso! —Bryce se coloca de pé e caminha na minha direção, me pegando pelos cabelos e me dando um tapa forte no rosto.

Antes que eu possa me recuperar, ele me acerta com um soco bem no olho e depois disso, vários golpes são desferidos contra mim. Caio no chão e tudo no que penso é em me encolher e tentar proteger minha barriga para manter Avalanna à salvo.

—Bryce, a menina tá grávida. Você ficou louco? Para, mano. —escuto o menino dizer enquanto choro, gritando de dor a cada chute que Bryce acerta em meu corpo. Nas pernas, nas costas... mas tento ao máximo proteger minha barriga.

Ele finge não ouvir e continua, até que eu começo a sentir tudo girando e os barulhos à minha volta ficarem abafados.

Começo a cuspir sangue no tapete, sentindo meu olho latejando e meus lábios trêmulos. Bryce me bate por um longo tempo, me dando socos no rosto e chutes, e continuando isso por minutos que se tornam horas.

Ele tira uma sacola do bolso e coloca no meu rosto e eu me debato tanto quanto eu posso, sentindo a falta de ar crescente.

Sinto ele segurar minha mão e quebrar dois dos meus dedos, me fazendo gritar e chorar ainda mais. Sinto meu corpo pesado e peço à Deus para que eu não morra, não aqui, não assim, não antes de ter minha filha. Justin... eu quero ele, eu...

—Arranca o filho deles. —ouço a voz grossa de Bryce dizendo enquanto ele prossegue com as agressões, acertando minha cabeça.

—O quê?

—Se você não arrancar, arranco eu. —choro ainda mais, pedindo a Deus que não deixe isso acontecer.

Incapaz de me mover, sinto meu corpo todo doendo e sangue escorrendo da minha testa, meu olho esquerdo já está inchado por causa dos chutes e eu soluço, desesperada.

—Sabe o que vai acontecer agora, Brianna? —Bryce segura meu pescoço, começando a me sufocar. —Eu vou abrir a sua barriga e tirar seu bebê, vou arrancar essa criança de você e te deixar aqui sangrando até morrer. Bieber vai chegar e te encontrar caída no chão. Ele vai sofrer, vai sentir como se o coração dele tivesse sido arrancado e a alma tivesse morrido com você. Só que depois de um tempo ele vai seguir em frente, vai se envolver com qualquer vadiazinha e esquecer que você sequer existiu. Você vai passar a não significar nada para ele e esse amor que acha que é eterno, vai ser como se jamais tivesse acontecido. —ele diz procurando algo no bolso, até que acha um canivete.

Nego com a cabeça, tentando me arrastar para longe dele.

—Bryce, por favor. Minha filha... —sinto uma pontada na cabeça e respiro fundo. —Minha filha não.

—Qual é, Bryce? Isso é cruel demais, até pra você. —vejo tudo embaçado e noto o menino tentando puxar ele para longe de mim.

—Me solte, Duncan! Por causa do Bieber eu quase fiquei cego, eu caguei sangue de tanta porrada que levei à mando dele. Agora vou tirar tudo, tudo que ele mais ama! —dizendo isso, sinto algo perfurar o pé da minha barriga e solto um grito, apavorada pela minha bebê.

—Merda, aquela loira acabou de chegar. Você não vai fazer isso, Bryce! Não comigo aqui! —tudo acontece muito rápido. Os dois entram em uma luta corporal e o garoto crava a faca na perna dele, pegando Bryce e o arrastando até a porta, sumindo ali e a deixando aberta.

Com as mãos trêmulas, toco o corte grande, chorando com vontade ao ver o sangue por entre meus dedos.

De repente, Scar surge na porta e ao me ver ali, no chão, ela corre até mim.

—Brianna... —sinto meus olhos pesarem e dou um sorriso pequeno, feliz por ver ela.

—Scar, eu... —não consigo dizer, nem sei realmente o que quero falar.

—Não, não, não! Brianna, olhe para mim. —ela segura meu rosto com cuidado, começando a chorar.

Soluço muito, sentindo dor. Sentindo muita dor. Nego com a cabeça e Scar cola a testa na minha, pegando o celular e discando um número.

—Bri, tá me ouvindo? Ei, eu estou aqui. Você vai ficar bem, meu anjo. Vai ficar tudo bem. —sinto as mãos dela no meu cabelo.

—Bryce, Bryce fez isso. Ele queria... Ele ia tirar minha filha, Scar. Ele bateu na porta, eu pensei que fosse você. Me perdoe, eu sinto muito. —choro com vontade e ela agarra minha mão.

—Isso não é sua culpa, Bri. Não é. Você vai ficar bem, Avalanna está bem, ela é forte como a mãe. A ajuda está vindo. Fica comigo. —as lágrimas dela começam a pingar em meu rosto. Ela está chorando por mim, porque me ama.

Eu quero muito ficar acordada, quero manter meus olhos abertos, mas tudo simplesmente... escurece.



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