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História Letal - Capítulo 6


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Notas do Autor


Tá curtinho, mas o próximo compensa.

Capítulo 6 - Habits of my Heart


Fanfic / Fanfiction Letal - Capítulo 6 - Habits of my Heart

 

Dias atuais...

A noite cai silenciosa sobre a floresta, em uma névoa fria que envolve o acampamento, disposto em barracas e fogueiras, onde todos conversam animadamente. Os caçadores lançam olhares assassinos aos vampiros no meio deles, como se esperassem a primeira oportunidade para atacá-los. Mas não se atrevem. Porque eles têm um trato. E não ousam chegar perto da garota que quase os queimou vivos há algumas horas.

Castiel, encostado em uma árvore afastada do grupo de pessoas, observa Anya e Lysandre, que conversam com uma das caçadoras ao redor da fogueira. Os três passarão a noite no acampamento e irão para o Norte nos primeiros raios de sol da manhã. Não foi fácil convencer Nathaniel, mas Annie tem um jeito peculiar de sempre conseguir o que quer.

O sorriso simpático da garota e o modo com que olha para Lysandre fazem seu estômago embrulhar. Ele a conhece. Conhece Anya Volkov pelo que a garota realmente é - um monstro. Aprendeu há muito tempo que monstros são reais e, pior de tudo, se parecem exatamente com pessoas.

Dá um longo trago em seu cigarro, deixando escapar uma risada baixa ao ver o modo extasiado com que Lysandre fita a mulher. Anya desvia o olhar na direção de Castiel e ele dá um sorriso ladeado, soltando a fumaça pelas narinas. A garota diz alguma coisa no ouvido de Lysandre e se levanta, vindo na direção do ruivo. Se move feito uma sombra, com as roupas escuras se misturando à noite em um borrão. Ela não mudou nada em todos estes anos.

— É seguro deixar seu namorado sozinho com uma mulher daquelas? — diz, fitando a garota de cabelos platinados que sorri para Lysandre, se aproximando um pouco mais dele.

Anya pega o cigarro dos dedos de Castiel e dá um trago, inclinando a cabeça para olhar o casal do outro lado.

— Ele não é meu namorado... — dá um gemido aliviado, se encostando no tronco da árvore atrás de si. — Estamos dando um tempo... sabe, para respirar novos ares.

— Pobre coitado... — murmura em seu tom sarcástico.

Ela ri, devolvendo a metade do cigarro para o outro.

— O que isso significa?

— Você vai destruir o garoto.

Anya puxa o queixo de Castiel, obrigando-o a encará-la. Fica próxima o suficiente para que o rapaz sinta o ar frio de sua respiração.

— Como eu fiz com você? — sussurra, lambendo os lábios.

Ele bafora a fumaça diretamente no rosto de Anya e ladeia um sorriso. Seus olhos negros são os mesmos que ele se lembra. Capazes de engolir qualquer coisa que pare em seu caminho. Hipnotizantes da forma mais fatal.

— Exatamente... você está nos meus melhores sonhos, Annie. E nos meus piores pesadelos.

Castiel leva a mão livre até a nuca da garota, afundando os dedos nos cabelos negros e espessos, puxando seu rosto para perto. Anya apenas sorri friamente, com um olhar faminto e desafiador. Foi exatamente por este maldito olhar que Castiel partiu, séculos atrás. Era atraído por ele e não tinha o menor controle de suas ações quando Anya estava envolvida... feito um marinheiro indo de encontro com o canto hipnotizante de uma sereia. Ele faria qualquer coisa por essa mulher e se odiava por isso.

Anya entreabre os lábios provocando-o, com a sobrancelha arqueada. Enfia as duas mãos por dentro da jaqueta de Castiel, acariciando suas costas com as unhas, por cima da camiseta. Ele engole em seco, deixando escapar um gemido grave, um som que é uma mistura entre excitação e raiva. Se abaixa e puxa o rosto de Anya, colando seus lábios. A língua da garota se choca contra a sua sem delicadeza nenhuma, espalhando seu gosto metálico viciante.

Nenhum dos dois fecha os olhos, apenas se beijam com intensidade e furor. O ruivo puxa os cabelos de Anya com uma força exagerada, só para ouvi-la gemendo em seus lábios. O som atinge cada parte do seu corpo como uma flecha, lembrando-o de como sentiu sua falta. Os anos longe deram a falsa ilusão de que Castiel havia superado Anya Volkov, mas a verdade é que sua memória sempre o assombrou. Ela faz parte dele. Não há sentido em negar.

— Sentiu saudades, caçador? — pergunta, engolindo a saliva dos dois misturada em sua boca.

— Claro, amor... — Castiel respira pesadamente, apoiando sua testa na de Anya. — Você corre pelas minhas veias.

Ela sorri, descendo as mãos e apertando a bunda de Castiel com força, arrancando-lhe uma gargalhada rouca.

— Estou faminta...

— Isso foi um convite para uma foda?

Anya rola os olhos e o empurra para trás, espalmando as mãos no peito rígido de Castiel.

— Não. Preciso de sangue.

Os dois se juntam à Lysandre quando a caçadora - a quem o ruivo foi devidamente apresentado e descobriu se chamar Rosalya - se retira para dormir. Castiel se senta no lado oposto dos dois e dá uma piscadinha para o platinado, que o encara com os olhos estreitados e um sorriso indecifrável. Toma de maneira ruidosa o conteúdo de uma das bolsas de sangue que trouxeram consigo, atraindo os olhares irritados de algumas pessoas ainda acordadas ao redor.

— Hum... — murmura, limpando o canto da boca. — Desculpem, que rude da minha parte. Alguém está servido?

Todos o ignoram e ele ri de si mesmo, espremendo o que resta do líquido em sua boca. Anya apoia a cabeça no ombro de Lysandre enquanto o rapaz acaricia seu joelho com uma das mãos e o braço apoiado na coxa da garota. O gesto lhe causa uma ponta de raiva, então prefere desviar sua atenção.

Joga a bolsa plástica vazia e se deita no chão, com as mãos cruzadas atrás da cabeça, observando o céu estrelado. Fecha os olhos, ainda ouvindo Anya e Lysandre rindo sozinhos enquanto o resto do acampamento dorme.

 

Algum lugar da Escócia, ano 1400.

— Eu não confio em você — Castiel sussurra, apertando as pernas de Anya em seu colo. Pequenas ondas balançam o corpo dos dois dentro da banheira de cobre cheia de água quente.

— Bom — ela move os quadris de forma lenta, fazendo-o gemer, mergulhando o rosto em seus cabelos bagunçados que caem pelo ombro de Anya. — Você realmente não deveria.

— Você confia em mim?

— Nem um pouco, caçador...

Ela ladeia um sorriso, afundando os dedos nos cabelos molhados de Castiel. Se inclina e morde seu lábio inferior até um corte pequeno se revelar, escorrendo uma gota fina de sangue - que a garota lambe, mantendo seus olhos felinos fixos nos dele.  Castiel dá um gemido de dor, seguido por uma risada baixa. O sorriso da mulher o atinge feito uma maldita besta armada com setas cortantes. Anya Volkov é o maior risco que já correu, mas não importa. Porque ela é, ao mesmo tempo, sua maior recompensa.

 

— Vamos, Bela Adormecida — a voz de Annie o desperta e Castiel sente o couro de suas botas nos chutes em sua costela. Se levanta, irritado, fazendo-a rir.

Passam algumas horas arrumando tudo para seguirem pela floresta e saem com o céu ainda estrelado. Sabem que os vampiros responsáveis pelos ataques não podem andar durante o dia - são bem poucos os que conhecem uma bruxa poderosa o suficiente para realizar o feitiço de proteção.

Os três vão na dianteira, seguidos por pelo menos vinte dos caçadores. Castiel se isola na frente, com os sentidos à flor da pele, notando cada com e cheiro ao seu redor. Seus passos são leves e silencioso, como de um predador. Caminham por quase duas horas até chegarem numa região que cheira à sangue e cadáveres.

Ele, Anya e Lysandre se entreolham, pensando o mesmo. Reconhecem a diferença entre um cadáver humano e o de vampiros - que são bem mais fortes, visto que já estão mortos há anos. Anya faz sinal para que os caçadores atrás de si parem. Eles obedecem, exceto por Nathaniel, que segue com os três.

O rapaz faz uma careta, cobrindo o nariz com o braço conforme avançam. Castiel franze o cenho, olhando para baixo ao chutar acidentalmente um braço desmembrado por baixo das folhas secas. Adentram a área e o caçador sufoca um grito na garganta quando se deparam com uma pilha de corpos sem vida jogados na floresta. O cheiro é insuportável e o ruivo não reconhece nenhum humano ali no meio.

— Bom... — diz, virando o rosto de um dos cadáveres com a ponta do coturno, revelando as presas e os olhos negros vidrados. — Parece que alguém já fez nosso trabalho.

— Tem pelo menos cinquenta deles aqui — Lysandre diz.

Castiel escuta um murmúrio de dor e segue na direção do som, olhando atentamente para seus pés. Se inclina ao encontrar a dona do grito sem forças. Uma mulher de cabelos que costumavam ser loiros, mas agora estão cobertos por sangue. Assim como suas vestes, perfuradas por uma enorme estaca de madeira que atravessa seu abdômen. Ele aperta os dedos ao redor do objeto e puxa de uma vez, fazendo-a gritar.

— Quem fez isso com vocês? — pergunta, posicionando a estaca no coração da outra. Ela não responde, apenas o encara com os olhos furiosos. — Vamos lá, querida. Me poupe do trabalho de te torturar. Um nome e eu acabo com seu sofrimento.

A mulher sussurra alguma coisa, mas nem mesmo com sua audição aguçada é capaz de entender. Castiel dá uma risada fria e pisa em seu pulso, sentindo os ossos estalando contra seu pé, posicionando a estaca no meio do peito ofegante dela.

— Acha que eu sou estúpido o suficiente para me abaixar? Você vai me atacar na primeira oportunidade... agora, um nome. Ou vou enfiar essa maldita estaca de volta e você vai queimar dolorosamente nos primeiros sinais do amanhecer. É isso o que quer?

A mulher faz que não com a cabeça e dá outro gemido de dor, dizendo:

Horus. O nome dele é Horus.

— Viu? Não foi tão difícil — diz, ladeando um sorriso antes de forçar a estaca no peito dela e tirar-lhe a vida.

 

 

"Oh, the habits of my heart, I can't say no

It's ripping me apart, you get too close

You make it hard to let you go."

Habits of my Heart - JAYMES YOUNG

       



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