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  3. Março 02

História Let's work - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Março 02


Dia 6

Ontem dormi muito mal, porém acordei até que bem.

Chamo Eichy para meu escritório, a situação com ele já estava complicada faz tempo, mas fui dando desculpas para evitar lidar com isso.  Não sei se vai dar certo, estou um pouco nervoso, no entanto acordei surpreendentemente confiante.

Dando fim a meus pensamentos, por fim Eichy vem.

-     “imagino que seja sobre, o que ocorreu no carnaval. Desculpe, agi de forma errônea, não fui profissional”. 

Ele realmente sabe o que faz, na primeira chance, já dá desculpas, que até parecem sinceras. Imagino que vá continuar com uma autocrítica, depois justificar, prometer que vai mudar e depois apelar um pouco pro emocional, por isso antes que ele tenha chance de o fazer digo.

-     “você não vai ser demitido”.

-     “sério? Muito obrigado! Prometo melhorar, não vou desperdiçar a chance”. Resposta perfeita como sempre.

-     “não estou afim de ouvir suas mentiras, nunca disse que estava a salvo”. Fato é que eu nem posso demitir, mas ele não sabe.

-     “glup!”. Parece surpreso.

-     “entenda uma coisa não estamos numa faculdade ou universidade, sou pago para produzir, não ensinar”.

-     “mas”. 

Mesmo não demonstrando claramente, sem dúvidas, ele está bem irritado.

-     “não estou dizendo que não vou ensinar, sou seu chefe, tenho que dar exemplo e apontar erros ”. 

-     “então...”.

-     “mas você entendeu algo errado, o problema não foi só o carnaval, alguém que não está disposta ao seu melhor é inútil em um grupo”.

-     “...”

-     “espero que entenda, não sou como um professor, não olho para os resultados, eu estou sempre vendo o processo, eu guio o processo, eu penso no processo”.

-     “...”

-     “é fácil se esconder atrás de um grupo e não fazer nada, quando o avaliador não sabe o processo e os outros são inexperientes”

-     “...”

-     “você esperava se manter o fazendo, entenda! Não pretendo permitir isso”. Falo de maneira opressiva.“ não espera que conseguiria algo dessa forma, as pessoas sempre percebem cedo ou tarde, o carnaval foi só a minha maneira de mostrar isso aí grupo”. Então fico quieto alguns segundo indicando que ele já pode falar.

- “desculpa, realmente não era minha intenção, eu agradeço por mostrar minha falha, se me permitir farei o necessário para me provar melhor que antes ”

-     “hahaha! Não me faça rir, eu pensei que fosse melhor mentindo”.

-     “o que quer dizer? ”.

-     “que sempre foi proposital, inclusive muito bem arquitetado, claro para um pirralho, mas no seu nível nunca vai enganar ninguém de fato”.

-     “esse não é o caso”. Ele vai explodir, certeza. Acho que é melhor assim, continuo.

-     “poderia ser honesto por um momento, cansei de falar com sua máscara mal feita, nem consegue mais esconder a raiva ”.

-     “tá se você quer. Suspiro! Seu filho da puta, que moral tem pra falar, você armou para um funcionário, claramente não é qualificado para o posto, porém ninguém pode falar nada já que é o superior, mas com certeza logo vão te denunciar, vai acabar demitido, não sei nem como chegou aqui”.

-     “nunca disse que o problema é não trabalhar, não tem porquê fazer aquilo que outros podem fazer por você, só é necessário convencê-los a obedecer, simplesmente cheguei aqui pois sou capaz disso”. Definitivamente não.

-     “está dizendo que merece ser meu chefe, porque é melhor que eu em enganar as pessoas, porque é melhor em ser inútil, porque é melhor em passar o trabalho para os outros”.

-     “exatamente, por isso terá que usar suas habilidades como quero, não vou demiti-lo, apenas colocá-lo para trabalhar corretamente em equipe”.

-     “acha que isso é possível, agora que já me odeiam”.

-     “consigo hoje mesmo, pretende apostar”. 

Já não tem mais volta, metade do que disse hoje foi no impulso, esse cara me irrita no final das contas.

-     “vai fazer uma aposta como, se conseguir tenho que me esforçar, muito bem aceito e se eu ganhar?”. Sorri desafiadoramente 

-     “claro que não, seria só da boca para fora, a aposta será em dinheiro, não preciso dela para fazê-lo trabalhar”.

-     “quanto então?”. Ele claramente ficou surpreso.

Olho minha carteira, decidi apostar tudo que tenho, não muito ele cobre. 

Suspiro, inspiro, suspiro, inspiro. Saio do escritório, não tenho escolha, literalmente, pois se perder não vou conseguir voltar para casa. Grito.

-     “todos! Acabei de conversar com Eichy. Primeiro ele não será demitido”. Alguns protestam, são logo calados.

-     “silêncio! Eu sou o gerente aqui. Sou eu quem é responsável pelos resultado e fracassos de todos, não importa se foi outro quem errou, seus erros são minha responsabilidade. Entendam então que assumo a culpa por deixar chegar a esse ponto, não eximindo Eichy de responsabilidade, podem cobrá-lo quanto quiserem, mas também tenho mesma culpa, sou responsável por fazê-los trabalhar, nunca se esqueçam disso.

-     “...” 

Todos recuam frente a minha voz alta e opressora, assumir a responsabilidade também os impediu de reclamar, também serve para mostrar coragem de assumir erros dos outros e lidar com isso. Contínuo.

-     “A partir de agora espero que o trabalho em equipe flua bem, não importam seus sentimentos pessoais, assim tenho certeza de que alcançaremos grandes coisas. ”. 

    Também faço uma mediazinha, falando de forma mais gentil, apenas me impor por medo não seria eficiente. 

-     “...”

-     “como grupo tem total direito de se criticar, assim como me criticar, tenho que fazer o grupo funcionar, mas as engrenagens nele também tem mérito, seu trabalho é o melhor do mundo, todos respeitam aqueles que passam pela rigorosa seleção para trabalhar aqui, se querem ser aplaudidos pelo seu trabalho façam-o como ninguém, cobrem como ninguém”.

    Continuo com meu discurso idiota sobre trabalhos, esforço e tudo mais, pode ignorar, isso só serve para motivar as pessoas e as fazerem trabalhar mais animados.

-     “...”

-     “não tem razão para se contentar com a mediocridade, por fim se não puderem enfrentar o problema, aí minha intervenção ocorrerá, assim como esse caso, por isso relaxem, ainda tem muito a aprender, assim como.eu muito a ensinar”.

-     “...”

-     “espero que entendam, para facilitar por hoje vou mostra los como trabalhar”. 

Começo a dar ordens autoritárias então. Digo o que fazer, com quem, quanto tempo, erros, sem espaço para duvidar, igualmente também trabalho junto com eles. 

Realmente estou exausto, foi necessário, mas espero que não tenha deixado muito explícita minha inexperiência, todos parecem ter ficado mais próximos, menos Eichy, ele continua um pouco mal visto, mas já aceito e desculpado. Agora, mas no final de semana seria bom fazer algumas coisas e preparar outras.

Pelo menos era o que queria, no final das contas passei o tempo todo jogando, muita preguiça.

Assim como na semana que vem, acabo não fazendo nada, mas Ana está satisfeita, acha que faz parte do meu plano, assim como os outros foram se organizando, ainda acreditam no que disse, acham que podem contar comigo

 

Dia 17

Mas tudo que é bom dura pouco e um problema ocorre, foi no finalzinho do expediente, Caio brigou feio com Bia, ambos foram embora logo em seguida, de certa forma creio que todos esperam minha intervenção agora, seria difícil escapar com uma desculpa do tipo resolvam vocês mesmo, preferiria não quebrar a ilusão idiota que criaram de mim, porém não tem como eu manter ela, não sirvo pra liderar

20:00

Ana ficou até tarde, meio que esperado.

-     “eai, o que vai fazer?”. Direto assim, sem pestanejar, vem a pergunta, que não queria.“ se precisar eu te ajudo”. Que fofo.

-     “agradeço, mas deixe comigo”.

-     “certeza?”. Ela olha um bom tempo para mim. “ você não parece muito motivado, nem convicto”.

-     “já tenho meus planos”. Mentira. “E você, o que faria?”

-     “não sei , me ofereci para ajudar, mas não faço ideia”.

-     “não se culpe, se soubesse não precisaram de mim”.

Consigo lhe convencer com isso, assim consigo mudar o assunto para ela, depois ficamos falando sobre seus avanços e problemas.

 

Dia 18

Que preguiça! Entretanto tenho que enganar todos, manter a ilusão, ou seja, resolver o problema.

Eu diria que isso foi causado principalmente, por causa dos problemas de relacionamento da Bia, porém me envolver nisso parece muito complicado... Já sei.

Rapidamente no começo do dia vou falar com Caio, lhe explico sobre não exagerar com o perfeccionismo para cima dos outros, algo como: 

O problema não é exigir perfeição, ou ser criterioso, esses são passos inevitáveis no caminho para o sucesso, porém se sua cobrança for demasiada nunca fará nada, alguns momentos temos de ter coragem de nos arriscar, mesmo sem ter tudo perfeitamente encaixando. 

Além do mais não esqueça, se sua exigência faz os outros trabalharem pior, então temos um problemas, ser exigente consigo mesmo é importante. Todavia seja exigente sempre com tudo, assim se tornará extraordinário, por isso digo para ser perfeccionista na maneira como é perfeccionista, ou seja, seja perfeito em como comunicar sua ideias, sem ofender ninguém. Isso não é fácil, sei, falhará inúmeras vezes, porém sempre pode esfriar a cabeça, pensar melhor, rever as ações e se reconciliar, se achar muito difícil, pergunte pela opinião dos que confia, espero que possa contar comigo nesses casos.

Mais uma coisa, sei que não é exatamente culpado, poderia ter evitado o conflito, mas a principal culpada é a Bia, ela está passando por problemas pessoais, que afetam sua comunicação e trabalho em equipe, não gosto de me envolver demais com esse tipo de coisa, no entanto se isso se tornar problemático novamente, deixe comigo.

Pode parecer surpreendente, mas até que funcionou, Caio tem muito orgulho de seus resultados, mas quando apontam suas falhas, ele nunca se irrita, mas sim faz de tudo pra provar ter aprendido e melhorado, então pediu desculpas e resolveu tudo. 

O clima voltou ao normal, Eichy e Ana também ajudaram nisso, Eichy para melhorar um pouco sua imagem, que já está se recuperando sem problemas, já Ana deu seu melhor, não foi muito eficaz, mesmo assim agradeço.

Porém não foi a solução final, as pequenas rachaduras continuam surgindo na semana seguinte, então às resolvi, acabo pegando costume nisso, não parecem ter notado, porém inevitavelmente... Não, não acho que está bem assim...

Trin!! Trin!!

-     “alô, quem é?”.

-    “eu”.

-    “Susi!? Por que ligou do nada”. Ela normalmente só manda mensagem.

-     “porque achei que estava se fazendo de idiota”.

-    “como assim?”.

-     “eu fiquei bem próxima da Ana, sabe, logo recebo bastante informação sobre o que está fazendo”. Merda, não deveria ter deixado se conhecerem.

-     “então?”. Vamos torcer, não é nada grave.

-     “só queria saber até quando vai ignorar o problema real”.

-     “problema?”.

-     “sabe que já notou, deve ter percebido desde o começo, esse mês já vai acabar, vai ficar parado até o fim”.

Ela desliga. Sem chance de defesa, hein. Não nem teria mesmo, que ela não desligasse, eu meio que já sabia, as rachaduras vão se acumular, logo isso vai explodir, porém não sei como...

Plim! 

Chega uma mensagem da Susi: sem mas, em último caso te ajudo. 

Isso foi um pouco assustador, ela parece ler minha mente a distância.

Plim!

Mais uma: lembra, como eu disse tudo vai ser culpa minha, só vai.

Acho que não consigo recusar, mas também tenho postergado a aceitação, mediante a oferta da Susi. A propósito na segunda Ana também me deu bronca, aparentemente a Susi falou para ela sobre como estava só enrolando para resolver.

Enquanto penso em desculpas para não fazer nada e me julgo por não fazer nada, meio que a semana e mês  acabam. 

No fim marquei um "encontro" com Bia,  na real apenas vamos viajar juntos para resolver uns bagulhos, a Susi ajudou nessa.

 



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