História Letters - Capítulo 3


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Categorias EXO, TWICE
Personagens Baekhyun, Chaeyoung, Chanyeol, Chen, D.O, Dahyun, Jihyo, Jungyeon, Lay, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Sana, Tzuyu, Xiumin
Tags Cartas, Darkfic, Depressão, Drama, Exo, Homofobia, Sadfic, Twice, Yaoi, Yuri
Visualizações 61
Palavras 2.422
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aloha, voltei!

Bem, esse capítulo não é um dos meus favoritos, mas até que eu gostei dele em alguns aspectos. Eu estou adorando essas suas teorias é isso, posso dizer que tem gente muito quente nas suas descobertas.

Mas here we go quando menos perceberem vai ser revelado quem é ela, a namorada dela e o destinatário.

Boa leitura!

Saranghae e See ya :)

Capítulo 3 - Teen Idle


29 de outubro de 2015


Ontem eu não pude escrever para você porque meu pai voltou para casa depois de muito tempo fora. Ele havia ido para Jeju no início do ano passado por causa das suas brigas com mamãe. Você se lembra que eu chorei bastante nesse dia? Eu me lembro.


Você me abraçou e enxugou minhas lágrimas, pediu para que eu não chorasse mais e disse que me levaria para algum lugar em que eu não pensasse sobre aquilo, então nós fomos a um fliperama e você me obrigou a jogar um daqueles joguinhos de guerra. Você era ótima naquilo, diferente de mim. Eu era péssima, mas você disse que estava tudo bem e depois comprou um sorvete de morango para mim. Pois, além do meu pai, só você sabia que eu amava muito morangos porque mamãe nunca se importou realmente comigo e eu sei que foi por minha causa que ela começou a beber muito.


Meu pai estava cursando faculdade de filosofia e ele teria sido um bom professor caso eu não tivesse nascido. Mamãe tinha acabado de entrar na faculdade e cursava gastronomia, ambos namoravam desde que meu pai estava no ensino médio. Ela ficou grávida quando meu pai estava no último período então ele teve que largar a faculdade para trabalhar junto com o meu avô em Jeju. Ele somente voltou para casa quando eu nasci, ele sempre me dizia que quando nasci eu era muito pequena e quase não tinha cabelo nenhum, mas que ficou feliz por ter tido uma filha.


Minha mãe não estava pronta para ter um filho, ela somente tinha vinte e três anos e não imaginava aquilo para ela. Foi nesse período que mamãe adquiriu depressão pós-parto e começou a beber praticamente todos os dias. Ela não suportava olhar para mim, ela nunca suportou isso, pois sabia que eu estraguei sua vida.


Eu nunca te contei isso porque fico muito triste sempre que penso que a vida dos meus pais poderia ter sido bem melhor se eu não tivesse nascido. Imaginar que meu pai poderia ter sido um bom professor de Filosofia e minha mãe uma grande chefe de cozinha me deixava muito mal. Desde sempre eu estraguei a vida deles e meu pai sempre tentou transparecer isso.


Ontem, depois de quase dois anos, eu pude abraçar meu pai novamente e ele disse que eu estava linda e que meu irmão tinha crescido bastante e que logo teria o mesmo tamanho que ele. Mamãe não bebeu naquela noite e ela fez o prato favorito do papai no jantar e deixou que eu chamasse alguém para sair comigo e eu decidi chamar Dahyun porque Butterfly tinha ficado até mais tarde na loja ontem.


Eu sei, ainda não te expliquei quem era Dahyun. Estava esperando o momento certo para isso porque você sabe que eu não costumo ter muitos amigos e era bem raro quando algo assim ocorria. No começinho de setembro acho que no dia 4 o professor de Artes passou um trabalho falando sobre As Vanguardas Europeias.


Era sexta-feira, o penúltimo horário, minha aula favorita, e o senhor Ahn estava um pouco apressado, pois tinha uma consulta no médico dez minutos antes do fim da aula. Ele pediu para todos formarem um grupo de no mínimo três pessoas e com no máximo cinco para fazer a pesquisa e um desenho no padrão das Vanguardas Europeias, ou seja, era perfeito porque eu poderia fazer isso. Porém, além de Butterfly eu não tinha mais ninguém para formar um grupo com o mínimo de três pessoas.


Praticamente todos os grupos estavam formados e Kim Dahyun era a única pessoa da sala que estava sozinha, foi uma oportunidade vinda diretamente do céus. Eu não podia acreditar que em meio a tantas pessoas em uma sala havia alguém sozinho.


— Oi, me desculpe por incomodar, mas você gostaria de fazer o trabalho com a gente? — Butterfly disse se aproximando da garota que anteriormente mantinha sua atenção no livro de Artes.


Dahyun pareceu muito surpresa ao notar que alguém havia a chamado para formar o grupo. Ela deveria ser como eu, não costuma se dar muito bem com as pessoas a sua volta. Eu a entendia perfeitamente.


— Claro. — Ela deu um leve sorriso e pegou sua cadeira colocando próximo as nossas. — Me desculpem, mas eu não sei o nome de vocês.


— Você não costuma socializar muito com as pessoas, certo? — Butterfly perguntou fazendo Dahyun assentir.


— Não tem problema. — Comentei. — Meu nome é Chaeyoung.


E Butterfly disse seu nome também, mas como eu prometi a ela que não iria te contar, não irei fazer isso. Não agora. Ela também disse para Dahyun que preferia ser chamada de Butterfly ou outro apelido que quisesse dar, mas que não a chamasse pelo seu nome somente se fosse muito necessário. Ela ainda estava triste por causa do que ocorreu com sua namorada e pelo que eu soubesse além dela somente sua família a chamava pelo nome.


— É algo bizarro. — Dahyun falou após entender o significado do apelido e eu tive que concordar. — Mas o casaco é maneiro.


— Valeu. — Ela sorriu e Dahyun sorriu de volta, então eu sorri também porque pela primeira vez desde que a conheci ela sorriu para alguém que não fosse eu.


Desde então começei a falar mais com Dahyun, ela era legal e gostava muito de chocolate quente então todas as vezes que íamos na loja onde Butterfly trabalhava Yixing, o menino que limpava o balcão, e organizava as coisas fazia chocolate para ela com a ajuda de Kyungsoo, o garoto que ficava na caixa registradora.


Não fazia tanto tempo que eu descobri sobre o emprego dela, pois ela somente me levava lá em algumas oportunidades então eu não tive muito tempo para conhecer Kyungsoo e Yixing, mas eles pareciam ser bem legais. A loja onde Butterfly trabalhava era basicamente um bom local para se comprar livros e CD's, como as livrarias do shopping, porém ao mesmo tempo tinha suas particulariedades.


Sempre que eu ia, Kyungsoo me entregava o exemplar de um livro novo e eu ficava lendo pelo resto da tarde ou eu e ela ficávamos vasculhando CD'S que ficavam lá por um bom tempo e ouvíamos. Tinha tantos estilos que ás vezes eu pensava se ia dar para ouvir todos antes dos meus dezessete anos.


Um dia, Butterfly estava limpando a prateleira de livros enquanto no som da loja tocava "Pacify Her" de uma nova cantora de Indie chamada Melanie Martinez. Kyungsoo organizava os novos exemplares e dessa vez ele tinha me entregado para ler uma trilogia chamada "Jogos Vorazes" e eu gostei muito, por mais que houvesse filme e eu já havia assistido ele centenas de vezes. Yixing estava sentado em uma das cadeiras usadas para leitura e eu estava muito focada no livro que lia.


— Ya, você não se cansa disso? — Yixing perguntou me fazendo encará-lo com dúvida.


— Se refere ao livro? — Perguntei. — Não, eu realmente gostei dele.


— Deixe a garota, Yixing. — Kyungsoo disse. — Vai arrumar o que fazer ao invés de pertubar as pessoas.


— Está tudo bem. — Disse eu. — Ele não está me incomodando.


— Viu só?! — Yixing comentou levantando-se da cadeira e caminhando pelo local. — Butterfly, troca essa música em nome de Deus. — Ele disse antes de praguejar algo em mandarim e eu nunca soube o que aquela expressão significava.


Normalmente ela ignorava os comentários de Yixing quando ele costumava ser inconveniente, mas dessa vez ela somente respirou fundo e trocou a música colocando "Teen Idle" da Marina & The Diamondis. Assim como eu, Butterfly gostava muito das músicas da Marina.


— Nossa você tira de algo deprimente para por outra coisa mais deprimente ainda. — Yixing reclamou.


Bem, eu não sei muito sobre chineses, mas acreditava que eles não reclamavam tanto e se acaso fizessem isso explicaria muito da personalidade de Zhang Yixing.


— Pacify Her não é depressivo, idiota! — Butterfly retrucou. — É sobre uma garota que gosta do cara de uma outra garota.


Yixing passou um longo tempo em silêncio pensando sobre aquilo, talvez refletindo em uma resposta melhor, porém depois do silêncio ele somente disse:


— Eu achei depressivo.


Butterfly suspirou pesadamente e ao terminar o que fazia sentou-se em uma cadeira próximo a que eu estava. Ela não me disse nada e eu permaneci focada na minha leitura, a única coisa que poderia ouvir era a melodia triste de Teen Idle embalando o local silencioso.




Eu quero ser uma loira oxigenada
Não sei porquê, mas eu me sinto enganada
Eu quero ser uma adolescente desocupada
Eu queria não ter sido tão comportada.


Eu quero ficar dentro de casa o dia todo
Eu quero que o mundo vá embora
Eu quero sangue, coragem e bolo de chocolate
Eu quero ser uma verdadeira mentira.


Sim, eu gostaria de ter sido uma adolescente desocupada
Queria ter sido uma rainha do baile lutando pelo título
Ao invés de ter 16 anos e estar queimando uma bíblia
Me sentido super, super, super suicida
Os anos perdidos, a juventude desperdiçada
As lindas mentiras, a horrível verdade
O dia em que morri chegou
Só para descobrir que me tornei viva.






— Chaeyoung, está ficando tarde acho melhor te levar para casa. — Ela disse me fazendo olhá-la por cima do livro.


— Mas isso ia te atrapalhar. — Respondi.


— Não, não ia. — Ela disse se levantando rapidamente. — Vamos, Kyungsoo prometo que não vou demorar muito.


— E eu vou fingir que não estou vendo. — Disse Kyungsoo terminando de arrumar a prateleira de baixo.


— Valeu! — Butterfly disse antes de pegar seu casaco e me obrigar a guardar o livro e segui-la.


Quando saímos da loja o dia estava começando a escurecer, as estrelas apareciam uma a uma no céu assim como a lua que aos poucos substituia o sol.


— Você andou falando com ela? — Perguntei encarando Butterfly.


— Isso não me faria sentir melhor de qualquer forma. — Respondeu secamente colocando as mãos no bolso do casaco e caminhou em direção de sua bicicleta.


— Mas pode ajudar de alguma forma. — Comentei respirando fundo a brisa quente que me atingia.


— Eu não quero pensar nela, Chaeyoung. — Ela disse. — Eu fui ver a Jihyo e ela disse que pensar nela morta não ia melhorar nada e só ia destruir ainda mais a minha vontade de viver.


— Você foi na Jihyo? — Perguntei um pouco surpresa, pois ela frequentemente me dizia que não precisava de psicólogo algum.


Você lembra da psicóloga que deu a palestra sobre depressão lá na escola? Pois é, eu não tive oportunidade de ir vê-la e falar sobre isso tudo que me ocorre. E eu ainda lembro dela me dizendo que preferia ser chamada de Jihyo do que de Park Jisoo, pois gostaria de ser o menos formal possível com seus pacientes.


— É, e ela disse que gostaria de falar com você. — Butterfly disse retirando a bicicleta da espécie de estacionamento que havia próximo a loja. — Então eu aconselho que você também vá.


Abaixei a cabeça após ouvi-la, eu não sabia se estava pronta para isso. Uma coisa é uma psicóloga ir na escola e pedir para falar com você outra coisa diferente é você ir diretamente falar com ela e além do mais, talvez minha mãe não aprovasse essa ideia.


— Eu vou tentar. — Foi a única coisa que eu disse antes dela subir na bicicleta e eu fazer o mesmo.


As ruas de Seul estavam pouco movimentadas naquele fim de tarde, o clima estava quente e ela tinha me deixado ouvir música em seu celular e estranhamente eu escolhi a menos depressiva que lá tivesse. E por incrível que pareça Butterfly tinha uma playlist muito pequena de músicas de pop coreano e ela jamais me disse nada em relação a isso. Você sabe muito bem que eu não sou muito parecida com as outras garotas coreanas e preferia músicas internacionais do que as daqui, até mesmo você gostava mais de K-Pop do que eu. Não que eu tivesse algo contra, somente o achava muito feliz para mim.


— Você tem músicas de pop coreano? — Perguntei.


— É, eu baixei quando vim para Coréia. Foi assim que eu melhorei meu coreano.


— Wow! — Foi a única coisa que eu pude dizer mediante aquela situação.


— Está ouvindo o quê?


— 2NE1


— Nossa, eu não esperava isso de você, Little Tiger.


— O que foi? — Perguntei confusa. — Eu gosto da CL, acho ela uma boa rapper.


— Então você gosta de rappers?


— É, eu costumava ouvir Nicki Minaj quando era mais nova. — Respondi simplista.


— Não consigo imaginar. — Ela disse roubando um dos fones e colocando em seu ouvido. — Hum, hum Son Chaeyoung ouvindo "I'm The Best" existe coisa mais esquisita?


— Existe. — Retruquei. — Você ter uma playlist de K-Pop.


Depois disso ela me deixou em casa e disse um "Nos vemos amanhã", eu sempre me sentia melhor quando ouvia isso dela. "Nos vemos amanhã" era a forma que ela tinha para me dizer que no dia seguinte ainda estaria viva. E eu sempre respondia a mesma coisa para que ela soubesse que também estaria viva no dia seguinte e nós dias também dizíamos isso para Dahyun a fim de que ela não se preocupasse conosco.


Em uma quinta-feira minha mãe levou para falar com Jihyo e ela foi super gentil comigo como sempre e até minha mãe gostou dela, mas antes elas tiveram uma conversa muito séria na qual eu infelizmente não pude participar. Depois que a consulta acabou minha mãe foi a farmácia e comprou o anti-depressivo que Jihyo havia receitado para mim e depois deixou que eu escolhesse o almoço. Foi a primeira vez, em dezesseis anos, que minha mãe foi gentil comigo por um dia inteiro.


Eu gostaria de te falar mais sobre isso, porém nesse momento estou na casa da minha avó e faz muito tempo que não a vejo. Você sabe que eu tenho um amor imenso pela minha avó, pois ela quem cuidava de mim e do meu irmão quando minha mãe estava tão bêbada que não conseguia se levantar. Eu falei de você para ela recentemente e ela me disse que gostaria muito que você respondesse as cartas porque sabia que você era uma menina gentil e sabia que precisava pedir desculpa a mim pelo o que fez.


Bem, eu não me importo se você vai responder essas cartas ou não contanto que isso tenha algum significado para você. Queria te pedir algo antes de ir, sempre que estiver triste ouça "Teen Idle", essa música é muito boa para fazer você liberar seus sentimentos mais profundos e você mesma dizia "A melhor forma de se expressar é chorando". Enfim, eu te vejo amanhã e espero que fique bem.


Notas Finais




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