História Letters - Capítulo 7


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Categorias EXO, TWICE
Personagens Baekhyun, Chaeyoung, Chanyeol, Chen, D.O, Dahyun, Jihyo, Jungyeon, Kai, Lay, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Sana, Tzuyu, Xiumin
Tags 2yeon, Angst, Cartas, Chaeyoung, Chanbaek, Darkfic, Deathfic, Depressão, Drama, Exo, Girl&girl, Homofobia, Kaisoo, Sadfic, Twice, Yaoi, Yuri
Visualizações 56
Palavras 2.392
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu preciso me desculpar com vocês pela demora de Letters. Essa estória realmente mexe muito comigo então quando eu a escrevo e fico muito triste automaticamente eu paro e fico muito tempo sem escrevê-la, porém Letters está em reta final e acreditem em mim até o fim vocês vão chorar bastante. Espero que me entendam e mais uma vez, desculpem pela demora.

See ya :)

Capítulo 7 - Dark Paradise


16 de novembro de 2015

É incrível como apenas alguns simples fatos podem mudar completamente tudo, desde aquela descoberta, Tzuyu nunca mais foi a mesma de antes. A cada dia que se passava a vontade dela de continuar vivendo diminuía e aos poucos ela acabou tornando-se mais depressiva do que era antes.

Eu sempre estive a acompanhando, tentando amenizar a situação. Mesmo depois de tudo o que havia ocorrido, eu precisava ao menos deixá-la ciente de que sempre estaria ao seu lado. Sempre haveriam motivos para se permanecer viva.

O ano estava prestes a acabar, mas as férias só viriam em janeiro então todos estavam se preparando para concluírem o Ensino Médio Junior e passar para a última etapa antes da faculdade. Todos queriam a melhor Universidade, era incrível como um simples prédio qualificado como "o melhor" poderia deixar adolescentes tão alienados com esse pensamento.

Eu nunca me importei. Nunca parei para refletir qual faculdade era a que eu desejava, nada disso sinceramente importava. Eu somente gostaria de me livrar logo desse momentâneo período no qual tenho dezesseis anos.

Minha mãe passou a me dar mais atenção de uns tempos para cá e devo admitir que achei isso estranho no início, mas ela somente estava focada em saber se eu seria aceita na escola acadêmica de Seul, uma das melhores para ser mais exata.

Sinceramente eu não me importo. Por mim está tudo bem qual escola eu vá contanto que eu tenha me esforçado para aquilo. Já Tzuyu somente tinha olhos para os livros e fórmulas de Química, como se essa fosse a forma mais viável de combater a tamanha tristeza que sentia.

Eu estava preocupada com ela, mas sempre deixei transparecer, pois sei que fiquei do mesmo jeito quando você voltou para o Japão. Creio que todos se sintam dessa forma quando perdem alguém importante, seja para a morte ou a distância.

De qualquer forma, tentei não me preocupar com Tzuyu e focar nas provas. Eu nunca fui boa com elas, acho que é uma grande perda de tempo fazê-las já que aprendi tudo que eu deveria saber com algumas aulas de Artes ainda na infância. Meu pai estava começando a ir e voltar de casa como sempre fez e eu tive que assumir o controle daquilo já que meu irmão era uma criança e minha mãe era uma bêbada.

Era completamente difícil conciliar tudo, mas no fim das contas eu conseguiria já que sempre foi assim desde que eu era criança. Pensei na hipótese de arrumar um emprego assim como Tzuyu, porém não haveria quase tempo nenhum para mim mesma. Minhas consultas com Jihyo não eram tão frequentes quanto costumavam ser antes do ocorrido, pois ela estava ocupada tentando tirar Tzuyu do poço fundo no qual havia se atirado.

Era triste vê-la daquela forma, não somente triste para ela, triste por todo mundo que a via daquela forma e não podia fazer nada. Triste para mim, triste para Dahyun, triste para a senhora Chou e para o irmão de Tzuyu que estava preso. Triste até mesmo para Jihyo que desde o princípio tentou resolver esses malditos problemas.

E eu passei tanto tempo tentando entender por qual razão era triste quando tudo era tão óbvio. Desde a morte de Sana a motivação de Tzuyu fora descobrir por qual razão ela tinha feito aquilo se pareceu sempre tão feliz. Ao descobrir ela se decepcionou, mas não com Sana por ter se matado e sim com a sociedade preconceituosa e machista que acabou sendo a causa indireta da morte dela.

Era em momentos como esse que eu desejei, nem que fosse por míseros segundos, resolver alguma coisa. Doía ver sua melhor amiga morrer por dentro, doía perceber que não há o que fazer. De qualquer forma eu não era a Sana e nunca seria. Tzuyu não me queria, ela queria a Sana.

Eu segui tentando animá-la, mas nada parecia resolver e somente notei isso no dia em que tive que ir no Rio Han impedi-la de cometer o maior erro da sua vida. Havia sido há poucos dias antes dessa carta ter sido escrita, devo salientar que minha curiosidade possa ter salvado a vida de minha melhor amiga.

De manhã Tzuyu não havia ido á escola e isso sempre me deixava intrigada, pois alunos como ela geralmente não faltavam. Dahyun me disse coisas desconexas sobre o que poderia ter acontecido e eu não me contentei com aquilo.

Tudo estava tão diferente que antes, tudo parecia ficar cada vez pior e eu me perguntava a cada dia por qual razão continuava viva e passando por isso.

As aulas passaram e mesmo tendo sido depressivo passar oito horas do dia, fora o intervalo, sozinha na escola. Nada mais fazia sentido e aos poucos eu me sentia como se estivesse perdendo minha melhor amiga.

No fim da aula eu avisei a Dahyun que não ficaria para estudar e busquei meu irmão rapidamente para que pudesse deixá-lo em casa antes de ir na casa de Tzuyu. Jeonghun não me questionou e prometeu dar uma desculpa para mamãe. Eu agradeci e parti sozinha pelas avenidas movimentadas de Seul.

O dia estava frio e nublado, eu conseguia sentir o vento bater em meu rosto violentamente. Empurrando meus fios de cabelo em direção aos meus olhos, causando momentâneos períodos em que eu precisei retirá-los dali.

Quando cheguei na casa de Tzuyu nada parecia como antes, a senhora Chou estava sentada em um pequeno banco que havia no jardim com um olhar perdido e algumas lágrimas secas, falava com alguém no telefone e aquilo me preocupou bastante.

— Senhora Chou? — A chamei fazendo-a me encarar aflita.

— Olá, Chaeyoung. — Ela sorriu tristemente.

— Por que Tzuyu não foi para escola hoje? — Perguntei preocupada, deixando visível o medo de saber a resposta.

— Tzuyu acordou com muita febre hoje. — Ela suspirou. — Yixing a encontrou ontem caminhando na chuva em meio a uma crise depressiva, ele a trouxe para casa e me disse que antes estava delirando algumas coisas sobre uma menina. Não entendi muito bem, Tzuyu jamais me contou quem era essa menina. — Sua voz soou embargada. — Eu não imagino o que poderia ter acontecido com a minha filha se Yixing não tivesse a encontrado.

A resposta me atingiu em cheio, eu não sabia o que dizer e muito menos o que pensar mediante a situação. Tzuyu estava pior do que eu imaginava. Ela estava beirando para morte assim como… Sana…

Ao pensar nisso senti uma leve dor de cabeça, imaginando o que seria de minha melhor amiga caso isso continuasse.

— Eu posso vê-la? — Perguntei encarando a fachada da casa.

A mulher me encarou com um sorriso triste em seus lábios finos, de uma forma dolorosa e sôfrega. Eu tinha pena dela. Perdeu o marido ainda quando seus filhos eram crianças e agora seu filho mais velho estava preso e a filha estava em um dos piores estágios da depressão.

— Faça o que for preciso, minha querida. — Respondeu. — Ao menos deixe-a feliz com sua presença.

Agradeci pelo fato dela ter concordado com a ideia de me deixar ver Tzuyu. Provavelmente ela havia tido gripe por ter ficado na chuva por tanto tempo, a febre era uma das manifestações mais comuns da gripe.

Subi as escadas rapidamente indo em direção ao quarto de Tzuyu. Abri a porta calmamente tendo a primeira visão da minha melhor amiga naquele dia. Tzuyu estava deitada na cama com fones brancos em seus ouvidos, os fios negros cobriam boa parte de seu rosto e em seus olhos haviam lágrimas secas encarando o teto como se nada mais existisse ali.

— Tzuyu… — A chamei em uma tonalidade de voz baixa.

— Chaeyoung? — Sua voz soou rouca e ela virou-se para me encarar, retirando um dos fones. — O que está fazendo aqui?

— Você não foi para escola hoje. — Respondi sentando-me na ponta da cama. — Então pensei que poderia ter acontecido algo. Por isso eu vim.

— Está tudo bem. — Ela suspirou. — Somente estou gripada, mas logo voltarei para escola. — Deu um sorriso forçado como se tentasse me convencer que tudo realmente estava bem.

— Tem certeza? — Perguntei. — Não me parece que é somente isso.

— Eu vou ficar bem. — Ela abaixou a cabeça. — Eu sempre fico.

— Tzuyu — Chamei-a erguendo seu rosto para que me encarasse. — Você sabe que não é tão simples assim, não sabe?

Ela respirou fundo fechando os olhos com força, talvez tentando impedir as lágrimas.

— Vai ficar tudo bem. — Ela garantiu. — Uma hora tudo isso vai passar e…

— Tzuyu, por favor, não faça isso consigo mesma. — Pedi sentindo meus olhos marejarem. — Existe muita gente aqui que se importa com você e que quer que você fique bem. Sabe disso, não sabe?

— Sei. — Ela suspirou. — Só é difícil, Chaeyoung. Eu não tenho mais nenhum propósito de permanecer viva.

— Eu também achava que não tinha quando a Mina foi embora, mas na verdade eu somente estava enxergando as coisas pelo lado ruim. Os propósitos nem sempre são achados com facilidade, você precisa buscar por eles. Precisa encontrá-los.

Ela permaneceu calada, me encarando como se nada houvesse sentido. Eu entendia perfeitamente, também achei que nada havia sentido quando Jihyo me disse aquilo meses atrás. No início era assim, mas depois tudo parecia óbvio. E agora eu somente tinha um único propósito.

— Eu… irei tentar. — Ela respondeu.

— Se não quiser tentar por você, tente por mim. — Falei. — Por favor.

— Prometo que irei. — Ela sorriu tristemente e eu a abracei com força, ignorando sua temperatura febril.

— O que está ouvindo? — Perguntei após me afastar dela que somente entregou o fone em resposta.

Tudo fazia sentido assim que ouvi a melodia que logo preencheu meus ouvidos. Era praticamente uma carta de suicídio silenciosa e indireta, uma música substituindo seus próprios pensamentos. Dark Paradise da Lana Del Rey.


Todos os meus amigos me dizem pra seguir em frente
Estou deitada no oceano
Cantando sua música
Ah, foi assim que você cantou
Amar você para sempre não pode ser errado
Mesmo sem você aqui
Não vou seguir em frente
Ah, é assim que nós a tocamos

E não há remédio para as lembranças
Seu rosto é como uma melodia
Não sairá da minha cabeça
Sua alma está me assombrando e me dizendo
Que tudo está bem
Mas eu queria estar morta
(Morta como você)

Toda vez que fecho os meus olhos
É como um paraíso sombrio
Ninguém se compara a você
Tenho medo de você
Não estar me esperando do outro lado



Todas as vezes que penso nisso sinto vontade de chorar mesmo que continue tentando salvá-la disso. É irônico já que eu não consegui salvar nem a mim mesma, mas desde que a fiz desistir de pular de uma ponte juro que continuei tentando reanimá-la. Eu jamais irei me esquecer desse dia e ela jamais se esquecerá de tudo que fiz, eu sei que não irá. Naquele dia, em uma noite escura e fria de sexta-feira eu descobri o meu propósito.

Nesse dia Kyungsoo me ligou preocupado avisando que Tzuyu não havia ido para a loja há quase dois dias e perguntou-me se ela estava indo para a escola. Ela estava, porém não ficava mais depois da aula para estudar comigo e com Dahyun. Sempre ia embora antes e de preferência sozinha. Kyungsoo se preocupou com a minha resposta e pediu para que eu fosse vê-la e saber se tudo estava bem.

Quando cheguei na casa dela e sua mãe disse que ela tinha saído há mais de duas horas eu me preocupei. Pensei diversos lugares que uma garota depressiva poderia ir e até mesmo tentei procurá-la no parque que costumávamos ir. Ela não estava em lugar nenhum.

Lembro-me de que aos treze anos tentei me suicidar no Rio Han após a pior briga que já havia presenciado de meus pais. Mesmo com medo e preocupada resolvi procurá-la lá.

Eu estava certa, Tzuyu observava o rio abaixo como se estivesse preparando-se para dar um basta em tudo aquilo. Não havia mais nenhum apoio e ela despencaria facilmente com apenas um descuido. Eu corri até ela e segurei-a pelos ombros empurrando-a em direção ao chão enquanto chorava muito ainda um pouco incrédula por saber que se tivesse chegado momentos mais tarde minha melhor amiga estaria morta.

— Por que ia fazer isso? — Perguntei sentindo as lágrimas escorrendo rapidamente, molhando meu rosto. — Você enlouqueceu? Não pode fazer isso, me prometeu que não faria.

— Eu não quero mais. — Foi a única coisa que ela respondeu, abraçando-me com força enquanto chorava também. — Quero ir embora daqui, não aguento mais isso.

— Você não pode ir e me deixar. — Respondi sentindo meu rosto arder pela quantidade de lágrimas que desciam. — Eu não tenho mais ninguém além de você. Nem mesmo a Dahyun pode te substituir.

— Desculpe, Chaeyoung. — Tzuyu se afastou, porém eu continuei a segurando pelos ombros impedindo que ela voltasse para a ponte e tentasse jogar-se.

— Não faça isso. — Implorei. — Eu estou aqui, Tzuyu. Sempre estarei aqui. Eu te amo, você é o meu único propósito.

Eu não sabia explicar qual a sua reação ao ouvir aquilo, somente sei que ela começou a chorar tanto que eu pensei ter dito algo errado.

— Me desculpe. — Ela disse em meio a soluços. — Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci, me desculpe por tudo. Você não merece sofrer por mais ninguém.

Eu fiquei em estado de choque no momento em que ela disse aquilo. Não podia acreditar que ela sentia-se como se estivesse atrapalhando minha vida quando na verdade me ajudou a voltar a viver.

— Eu não irei sofrer. — Enxuguei suas lágrimas com delicadeza. — Se você permanecer comigo.

— Chaeyoung…

Talvez eu tenha agido por impulso, mas eu a beijei impedindo que ela falasse qualquer coisa. Dessa vez fiz isso porque queria e não por culpa de nada que bebi. Ela não se afastou de mim e por incrível que pareça correspondeu ao beijo, mas não por muito tempo.

— Eu… me desculpe… — Falei após me afastar.

Ela não me disse nada, nada além de encarar-me de uma forma que eu não pude entender o que ela poderia estar pensando. Um sorriso triste surgiu em seus lábios, mas eu pude notar que na primeira vez naquela semana era um sorriso genuíno.

— Você é imprevisível, Marshmallow. — Ela respondeu ainda sorrindo e beijou minha bochecha.

Sorri de volta, mesmo estando envergonhada pelo o que tinha acontecido anteriormente. Mas eu pude sentir que aquele foi um dos melhores momentos de toda a minha vida e eu jamais me esqueceria dele.


Notas Finais




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