História Letters and Honey - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Bunnykook, Jikook, Jimin, Jk É Doidinho, Jm É Um Fofo, Jungkook, Medico Jimin, Mpreg, Rei Leão, Ta Muito Engraçado
Visualizações 3.205
Palavras 5.185
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu ia segurar esse capítulo até sábado, mas não aguentei, principalmente depois de responder os comentários uahsfuhfsa eu espero MUITO que vocês gostem desse capítulo, porque eu estou apaixonada e virou meu preferido!

Capítulo 9 - O ciclo da vida.


Fanfic / Fanfiction Letters and Honey - Capítulo 9 - O ciclo da vida.

 

Naquele dia Jeongguk fazia oito meses e duas semanas e nunca havia se sentido tão cansado. Seus pés estavam inchados e sua barriga mais parecia uma melancia. Estava feliz por Simba estar saudável, é claro, mas o bebê sugava toda sua energia.

Ainda assim não podia culpa-lo, não tinha coragem para aquilo. Simba era seu melhor amigo desde que soube sobre ele, mas ultimamente estava sendo ainda mais do que um melhor amigo. É claro que Yoongi, Yugyeom e Taehyung estavam sempre o checando, e seus pais ligavam quase toda noite pra saber se Jeongguk precisava de algo.

Mas era Simba quem esquentava e remendava o coraçãozinho quebrado do Jeon.

— Só mais um pouquinho e finalmente vou ver seu rosto, amor. — Jeongguk sorriu, alisando a barriga.

Mas então subiu os olhos até o espelho, deixando seu sorriso morrer.

Era aniversário de casamento dos seus pais na próxima semana e é claro que compareceria. Mas só de lembrar que Junghyun também estaria lá o fazia desanimar completamente.

Todo ano seus pais faziam uma pequena festa, apenas para os mais próximos, e Jeongguk e Junghyun sempre revezavam nos discursos. Esse ano era a vez do mais novo, e mesmo que Junghyun estivesse bem irritado com tudo o que aconteceu, sabia que seu irmão não perderia essa celebração por nada.

Se sentia nervoso, e inconscientemente pegou o celular, mas quando percebeu o que iria fazer soltou um grunhido, sentando-se na cama.

Jimin havia tentado o ligar há uns dois dias, e Jeongguk provavelmente teria atendido se não estivesse no banho. Tinha tanta saudade do mais velho que doía. Simba também parecia sentir falta das mãos quentinha de Jimin fazendo carinha em sua barriga, pois tinham dias que o bebê só se acalmava depois de muito chutar e se mover, quase como se estivesse brigando com o Jeon por mantê-lo longe.

E aquele dia não estava muito diferente. Havia sentido umas dores assim que acordou, e agora voltavam de vez em quando. Não achava que era algo realmente urgente, Jimin dizia que era normal sentir algumas dores, que não fossem constantes, é claro.

Enquanto dirigia até a casa dos pais deixava o som do carro quase no volume máximo, cantando todas as músicas que começavam em sua playlist do spotify.0

Em algum momento precisou parar em um sinal, totalmente imerso em Good Grief do Bastille.

— And you might have to excuse me

I’ve lost control of all of my words

Praticava gritava cada palavra, sentindo Simba se mexendo em seu ventre cada vez mais. Provavelmente agitado com toda aquela cantoria?

— So get drunk, call me a fool, put me in my place, put me in my place

Continuou curtindo a melodia, e quando olhou para o carro ao lado viu uma criancinha, não muito mais velha do que dois aninhos. Estava numa cadeirinha, tinha dois dedos de uma das mãozinhas na boca enquanto o encarava com um sorriso que parecia o restinho de uma risada.

Jeongguk sorriu de volta, acenando para a pequena enquanto continuava a cantar, dessa vez a encarando.

— Pick me up, up off the floor, put me in my place, put me in my place

Viu a menininha soltar uma gargalhada e mexer as perninhas, acabando por fazê-lo cair na risada também, antes do sinal ficar verde e cada um seguir para uma direção diferente.

 

Não demorou muito mais para chegar no local, mas assim que saiu do carro precisou respirar fundo ao sentir uma pontada na barriga. Tirou um momento para encostar-se no veículo e soltar alguns suspiros enquanto se recuperava.

Estava no final de sua gravidez, então provavelmente aquele tipo de coisa era normal, certo?

De qualquer forma, não iria correr riscos. Ficaria um pouco ali na festa e iria para o hospital ter certeza que estava tudo bem com Simba.

— Segura aí, leãozinho. — Murmurou para a barriga, a alisando.

Foi recebido pelo pai assim que entrou na casa, que lhe lançou um grande sorriso.

— Jeongguk! — O homem exclamou, andando até o filho mas colocando as mãos em sua barriga, enquanto falava com a mesma. — Finalmente o Simba chegou.

— Você ama ele mais do que me ama, não é? — O mais novo fez um beicinho, e seu pai soltou uma risada, abraçando o filho.

— Ya, disse quem me trocou por uma câmera. — Falou, apertando o menor com cuidado.

— Isso não é verdade, eu sempre volto pra asinha de voc— Mas não terminou, respirando fundo outra vez e apoiando-se no pai, deitando a cabeça em seu ombro.

— Ei, está tudo bem?!

— Uhum, só fiquei um pouco tonto.

O Sr. Jeon o segurou pelos ombros, afastando-o ligeiramente de seu corpo e olhando nos olhos do filho. Levou as mãos até seu rosto.

— Você quer que eu te leve no hospital?

— Não, appa. — Jeongguk riu baixinho, segurando a mão do mais velho e a afastando de seu rosto. — Eu estou bem, juro, só me senti meio tonto, é normal.

— Tem certeza? — Perguntou, ganhando um aceno como resposta. — Mas se ficar pior me avisa na hora, sim?

— Não se preocupe, velho. — O Jeon revirou os olhos. — Vai ter um infarto.

— Já estou acostumado a esperar um infarto a qualquer momento desde que você nasceu, garoto. — Suspirou, acabando por rir com o mais novo.

 

Achou melhor ficar sentado durante a festa, embora quisesse mesmo saltitar por todo o lugar, dançar com as crianças que haviam ali e irritar suas tias com suas histórias sem sentido que sempre as faziam desferir tapas em seus ombros.

Como no dia que disse a elas com a expressão mais séria do mundo que havia instalado um poste de pole dance em seu quarto e fazia shows na webcam. Não deu outra, elas correram para contar para sua mãe, e depois Jeongguk as encontrou novamente, fingindo uma expressão chateada no rosto enquanto dizia que:

— Tô’ muito chateado com vocês, viu? Minha mãe acabou de me dar o segundo aviso, no terceiro eu tô’ fora do testamento. Eu só queria mostrar meu corpo pra homens desconhecidos na internet.

— Jeongguk! — As duas gritaram ao mesmo tempo, uma dando tapas em sua bunda e a outra em seu braço, enquanto o mais novo gargalhava, não conseguindo segurar o personagem por muito tempo.

Mas estava se divertindo ao ver os pais dançando juntinhos, embora sua mãe pisasse no pé de seu pai a maioria do tempo. Ela era péssima em dança, enquanto seu pai era incrivelmente bom. Mas Jeongguk achava fofo o fato da mais velha treinar todos os anos apenas para não desapontar o marido.

— Ela está melhorando, não acha?

Ouviu uma voz ao seu lado, o fazendo pular um pouco, encarando o irmão com olhos suspeitos.

— Eu juro que faço outro sapato voar. — Jeongguk avisou, voltando a atenção para os pais.

— Aquilo doeu mais no meu ego do que fisicamente. — Junghyun deu de ombros, bebericando seu champanhe.

— Da próxima vez eu me certifico de que a dor seja dos dois modos.

Ficaram em silêncio por algum tempo, embora o Jeon mais novo estivesse em alerta ao irmão do seu lado. Uma das mãos em volta da barriga de forma protetora quase inconscientemente.

— Não vim aqui pra brigar. — Junghyun começou novamente, fazendo Jeongguk revirar os olhos.

— E eu não vim aqui conversar com você, então por favor hyung, me deixa em paz, sim? Só por hoje.

— Te deixei em paz por alguns meses agora, não foi o bastante?

Jeongguk o olhou de forma incrédula, bufando logo em seguida.

— Você acha mesmo que era isso que eu queria? Acha que eu queria ter medo de contar ao meu próprio irmão que vou ter um filho? Acha que eu queria me afastar de você dessa forma? Acha que eu gosto de ver a pessoa que sempre cuidou e se preocupou comigo odiando a pessoa que eu mais amo na minha vida?!

— Eu não o odeio!

— Ah, mesmo? Porque foi o que pareceu da última vez que nos vimos. Não seja hipócrita, Junghyun, palavras são como pedras. E as que você jogou em mim machucou o bastante para que eu consiga sentir o hematoma todos os dias.

— Não era o que eu queria. — O Jeon mais velho bufou, passando a mão pelo rosto. — Eu estava em choque com aquela notícia. Você não me disse nada, não me disse nem que planejava fazer isso. Eu nem sabia que você queria ter um bebê, Jeongguk.

— As pessoas mudam, hyung. — Jeongguk deu de ombros.

— Eu sei. Esse é meu maior medo. — Junghyun murmurou, finalmente ganhando um olhar curioso do mais novo. — Eu te conheço, você parece triste. Eu não gosto de te ver triste, sabe disso. A última vez que te vi tão pra baixo foi por causa daquele otário do Junsu, e eu jurei que nunca mais o veria daquela forma. Eu não fui um bom irmão da primeira vez, Jeongguk. Eu não te protegi como deveria. Eu deixei aquele babaca te machucar, te explorar.

— O Junsu está no passado e é lá que ele deve ficar. — Jeongguk disse firme. — Isso não justifica as coisas que você disse. Não tente se defender com o típico ‘’eu me preocupo’’. Você agiu como um imbecil, foi isso o que você fez. E eu sei que deveria ter dito, eu sei que estava errado em esconder também, mas eu não queria que você fizesse um drama em cima disso como fez da primeira vez! — Suspirou. — Olha, eu mais do que ninguém sei o quão sério aquilo foi. Eu sei o quanto machucou e o quanto eu deixei aquilo me arruinar por muito tempo. Mas eu não precisava de uma bolha, hyung. Eu não precisava me isolar e ter medo de conhecer pessoas novas e tentar coisas novas. Querer coisas novas. Eu sei que tudo o que você fez foi querendo o meu bem. Sei que quando me abraçava a noite e na manhã seguinte fazia compras e pegava minhas correspondências só para que eu não tivesse que sair de casa era pensando em me proteger. Mas, hyung, você não deveria ter feito aquilo. Eu juro, juro mesmo, que sou muito grato a todo amor que você me deu e todo colo que você me puxou quando eu precisei. Mas eu precisava que você me levantasse também, como quando me ensinou a andar de bicicleta, se lembra? Mesmo que eu ralasse meus joelhos e chorasse feito um bebê você ainda me dizia pra continuar. Eu precisava que você fizesse o mesmo!

Junghyun não podia evitar de se sentir envergonhado com aquelas palavras. Era mesmo seu irmãozinho mais novo lhe dando uma lição de moral e esfregando seus erros na sua cara sem medo nenhum. Sabia que precisava daquilo, havia mesmo agido como um idiota, e todo o tempo que passou longe de Jeongguk o fazia perceber aquilo cada vez mais.

— Eu realmente sinto muito. — Disse após alguns segundos. — Eu achei mesmo que estava fazendo a coisa certa. Acho que nunca aceitei o fato de que você cresceu e tem sua própria vida e faz suas próprias escolhas. Acho que fiquei preso em quando você ainda precisava de mim e eu era seu fiel cavaleiro.

Riu baixinho das próprias palavras, lembrando de quando Jeongguk o enchia a paciência para brincar consigo de era medieval. Junghyun era o cavaleiro e Jeongguk era o príncipe rebelde que fugia do castelo em busca de aventuras.

Mas, talvez, no final, Jeongguk nunca tivesse mesmo precisado de proteção. Talvez só chamasse Junghyun porque gostava de sua companhia.

— Eu sei que não tenho direito de te pedir isso, mas eu quero me redimir com você. — O mais velho continuou. — E, uh, com meu sobrinho também. Eu espero que um dia você possa me perdoar. Eu vou tentar ser um irmão melhor, eu prometo.

Jeongguk mordeu o lábio, suspirando.

— Você não é um irmão ruim. — Disse. — Eu só cresci, hyung. E eu estou bem, sério.

— Eu sei que não está. Não agora. — Junghyun murmurou, segurando a mão do mais novo. — Mas eu não vou te pressionar. Você pode me dizer quando e se quiser.

O Jeon mais novo apenas sorriu de lado, assentindo.

— Oh, quase me esqueci. Eu trouxe algo. — Junghyun falou de repente, levantando-se e andando para algum lugar longe de Jeongguk, voltando minutos depois com uma sacola em mãos. — Me desculpe por demorar tanto, mas acho que levei todo esse tempo só pra escolher isso. Cara, esse tipo de coisa é difícil.

Jeongguk franziu o cenho, pegando a sacola e a abrindo, antes de soltar uma risadinha.

— Eu sei que você se esforçou. — Disse, tirando ali de dentro uma roupinha com um capuz que parecia uma jubinha, e no bumbum havia um rabinho. — Como sabia?

— Não vou mentir, pedi ajuda pra mamãe. Ela só disse que você estava assistindo O Rei Leão quando soube do bebê e acho que foi o bastante.

— É lindo! — Jeongguk sorriu, colocando a roupinha sobre sua barriga. — Obrigado, hyung.

Junghyun assentiu, abraçando o mais novo de lado.

— Hora do discurso, está pronto?

— Acho que sim. Não tive tempo de preparar algo pra esse ano, acho que vou precisar improvisar.

— Vai se sair bem, contanto que não mencione nenhuma história maluca.

— Uh, isso vai ser difícil.

Junghyun apenas riu, ajudando o mais novo a se levantar.

 

Jeongguk já tinha o microfone em mãos e a atenção de todos ali presente. Pela primeira vez na sua vida se sentia tão nervoso. Geralmente era ótimo em falar sem parar e lidar com coisas daquele tipo, afinal, não tinha mesmo vergonha nenhuma.

— Eu preciso ser honesto. — Começou. — Não preparei nada pra esse ano, e só ia ler algum papel em branco pra parecer inteligente e esforçado enquanto falava um monte de coisas aleatórias. Mas, ironicamente, eu acho que nunca soube tão bem o que dizer como hoje. Nos anos anteriores eu e meu irmão sempre revezamos o discurso, e eu sempre passava a noite inteirinha querendo fazer algo perfeito só pra ser melhor do que ele.

Ouviu algumas risadinhas e logo continuou.

— Mas eu acho que nunca usei as palavras de forma correta. Nunca soube mesmo o que dizer, porque era fácil apenas repetir o quanto eu amo meus pais e espero que eles sejam felizes juntos por mais muitos anos. E é isso mesmo que eu desejo. Acho que é o que todos desejam aqui.  Mas, na realidade, quando paro pra pensar no que exatamente eles representam, eu sinto que não consigo resumir isso em apenas dizer que espero que sejam felizes. Não. Na verdade eu espero que eles briguem quando for necessário também e se incomodem com pequenas coisas e às vezes sintam que se odeiam na mesma intensidade que se amam. Porque eu acho que são esses momentos que realmente valem algo. As pessoas sempre acham que precisam ser felizes o tempo todo, mas esquecem que os conflitos entre um casal só acontecem porque eles se importam. Como minha mãe se importa com meu pai o bastante para o fazer pegar os sapatos que ele deixa espalhado na porta de casa e não pensarem que ele é relaxado.

Mais algumas risadas, e até Jeongguk soltou uma risada.

— Ou como meu pai se importa com minha mãe o bastante para esconder seus livros na noite do Clube do Livro apenas para que ela não vá, já que ele acha só a convidam para que ela leve cookies.

— É a verdade! — Ouviu seu pai gritar, e riu com as pessoas ali.

— Mas no final das contas a mamãe só pega no pé do pai porque gosta de ver o bumbum dele quando ele se inclina para pegar os sapatos. E o pai gosta que ela leia para ele ao invés de debater com todas aquelas outras pessoas. — Parou por alguns segundos, mordendo o lábio. — E eu achei que nunca entenderia esses pequenos atritos, ou como eles podiam se irritar e no momento seguinte estarem se abraçando na cozinha. Ou como o pai colocava uma flor atrás da orelha da mãe e dizia que ela parecia linda mesmo estando toda descabelada depois de acordar e fazer nosso café da manhã. E eu achei que não entenderia como ela dorme abraçada a ele todas as noites mesmo tendo que aturar o ronco tão alto. Mas, nos últimos meses eu comecei a ter uma noção disso tudo. E eu não sei se vocês acreditam nesse tipo de coisa, mas a única conclusão que pude chegar foi a de que eles são almas gêmeas. Por que e se ele tivesse nascido vinte anos depois dela? Ou se ela tivesse decidido ir no mercado do outro lado da rua ao invés de andar por duas quadras, esbarrar em um moço alto e xingá-lo por quase cinco minutos inteiros sobre como ele devia olhar por onde anda quando na verdade era ela que mantinha a cabeça baixa, tão imersa no livro que estava lendo? Mas, o mais importante, e se eles nunca tivessem dando uma chance um ao outro? Eles não são nada parecidos, ela gosta do quieto, e ele fala sempre muito alto. E ela gosta de cores neutras, odeio o muito chamativo, mas as cores favoritas dele são amarelo e laranja. Eles tinham tudo para decidirem parar no primeiro encontro e nunca mais se falarem. Mas ao invés disso eles quiseram se ver de novo. E de novo e de novo. E ela usou um vestido rosa na primeira vez que se beijaram, e a música favorita dele se tornou uma que continha apenas violão, e tocava no restaurante que eles estavam naquele mesmo dia. E, sendo sincero, eu me sinto tão orgulhoso e sortudo de ter sido presenteado em ser o filho de vocês, porque mesmo com tudo, vocês nunca deixaram nada interferir e isso provavelmente é coisa de almas gêmeas. E eu só posso agradecer, eu amo tanto vocês e espero que sejam felizes, e bravos, e honestos, e implicantes e tudo o que puderem ser.

Nas palavras finais Jeongguk já era uma bagunça de soluços, e ficou pelos pais de irem até o filho e o abraçarem, enquanto ouviam alguns choros misturados com gritos animados e aplausos dos convidados.

— Desculpa. — Murmurou quando finalmente se acalmou, bebendo um copo de água. — Gastei meu estoque de lágrimas.

Sua mãe riu, balançando a cabeça.

— Você nunca gostou de chorar, nem quando era pequeno.

— É desconfortável e molhado. — Jeongguk fez um beicinho.

— Ah, não me diga. — Seu pai comentou, secando as lágrimas do filho com um paninho.

— Foi muito bonito o que você disse. — A mais velha falou, alisando o cabelo do mais novo. — Por acaso foi algo guardado aí dentro por muito tempo? Algo que você queria dizer pra outra pessoa, com outras palavras?

Jeongguk bufou, balançando a cabeça.

— Foi só algo que vocês me fizeram perceber.

O casal assentiu.

— Sabe, Gukkie, o motivo de eu não ter desistido da sua mãe no primeiro encontro? Porque ela era tão diferente de tudo que eu sou. Eu sabia que não seria fácil, mas foi isso que deixou tudo melhor. Todo dia era um desafio diferente e talvez foi por isso que nos apaixonamos. Descobrimos tantas coisas novas juntos. Ela me ensinou sobre assuntos que eu nem sonhava aprender, e eu fiz o mesmo por ela, é por isso que, mesmo depois de tantos anos, ainda somos o completo oposto, mas eu tenho um pouco dela dentro de mim, e ela um pouco de mim também.

O mais velho contou, e Jeongguk viu sua mãe dar um beijo nos fios do mesmo. Sorriu com aquela ação, passando a mão pela barriga.

 

Seus pais se afastaram um tempo depois para conversar com alguns convidados, mas seu irmão permanecia do seu lado, conversando sobre um pouco de tudo. Sobre o tempo que passaram sem se falar e sobre as novas visões que tinham sobre a vida. Falaram sobre Jimin também, embora Jeongguk sentisse uma dor quase física ao tocar naquele assunto.

— Ah, a dupla dinâmica fez as pazes. — Ouviram uma voz e viraram ao mesmo tempo para ver Namjoon os olhando com um sorriso.

— Hyung, você veio! — O Jeon sorriu, mas assim que ia se levantar para abraçar o mais velho, sentiu uma pontada em seu ventre e achou melhor ficar sentado. — Desculpa...

— Ei, tudo bem. — O Kim sorriu de volta, inclinando-se para abraçar o mais novo. — Não precisa se incomodar.

— Achei que não ia vim, otário. — Junghyun revirou os olhos, levantando-se para cumprimentar o amigo e ganhando um soquinho no ombro do mesmo.

— Tive que ficar até mais tarde no escritório, mas resolvi passar aqui, ano passado eu não pude vir, e estava sentindo falta de ver a família estranha dos Jeon. — Riu. — Sempre acontece algo emocionante quando estou com vocês.

— Talvez você se decepcione esse ano. — Junghyun deu de ombros. — Tá’ tudo muito calmo. Se o Jeongguk não tivesse uma melancia na barriga talvez você veria ele tentando ensinar um mortal pras crianças, mas talvez ano que vem.

— O Simba vai ensinar pra eles, ano que vem. — Jeongguk disse confiante.

— Ele vai ter, tipo, um ano, Jeongguk. — Junghyun revirou os olhos.

— Ele vai ser uma criança selvagem.

Conversaram mais um pouco, e Namjoon não deixava de notar os suspiros que Jeongguk soltava de vez em quando, até que em um momento o celular do mais novo vibrou, e o Jeon logo o pegou.

Uma mensagem de Hoseok. Franziu o cenho. Hoseok não mandava mensagens, geralmente ligava, gostava de falar, de ser ouvido e gritar um pouco.

Então deixou a curiosidade falar mais alto e a abriu, engolindo a seco ao ver o conteúdo.

Era uma foto de Jimin, sentado em um dos corredores do hospital com uma pelúcia na mão. Era um leão, Jeongguk podia ver pela juba.

‘’Um garotinho acabou de dar isso a ele, disse que era um ‘’obrigado’’ por ter trago a irmãzinha dele ao mundo. Foi fofo, mas agora o Jimin não para de encarar, acho que ele queria outro leãozinho nos braços, não um de pelúcia.’’

Aquilo fez com que o Jeon se levantasse numa velocidade incrível, e seu irmão e Namjoon o encaravam com expressões surpresas.

— Preciso ir. — Disse apenas, ignorando as perguntas e chamadas dos mais velhos.

— Jeongguk, onde—

— Puta merda! — O mais novo gritou, apoiando-se na pilastra que havia ali perto, enquanto abraçava a própria barriga.

— Ei, tá’ tudo bem? — Junghyun o segurou pelo braço, tentando o sustentar.

— Sim, está, eu só, uh, só preciso ir pro hospital.

— Você diz que está bem na mesma frase que diz que precisa ir pro hospital?!

— O que você está sentindo? — Namjoon perguntou dessa vez.

— Só... Só dói um pouco. Porra, dói muito, eu acho que tem algo de errado, estou sentindo isso desde cedo.

— Merda, e por que não disse nada?

— Achei que não fosse nada, ainda falta três semanas!

Seus pais escolheram exatamente aquele momento para aproximarem, e vendo o estado do mais novo, sua mãe quase entrou em pânico.

— Ei, deixem ele respirar. — Surpreendentemente foi seu pai quem sugeriu, parecendo o mais calmo entre os cinco ali, o que era algo novo.

— Eu vou levar ele pro hospital. — Junghyun falou.

— Eu vou com você. — Namjoon se ofereceu.

A mais velha já ia abrir a boca pra dizer algo, mas Jeongguk logo a parou.

— Omma, tá’ tudo bem, sério, fica. Você e o pai ficam, ok? Eu tenho certeza que não é nada muito grave. — Jeongguk dizia com a voz trêmula. Não sabia se queria convencer a mãe ou a si próprio. — Eu ligo assim que der, tudo bem? Por favor, fica.

Viu a hesitação nos olhos da mãe, mas a mulher logo assentiu, e em pouco tempo Jeongguk estava no carro do irmão, com Junghyun no volante e Namjoon no banco de trás consigo, tentando o acalmar enquanto fazia alguma ligação.

— Se fica pior avisa, sim? — Seu irmão pediu, e o Jeon mais novo apenas assentiu, respirando de forma pesada.

Já estavam na metade do caminho quando ouviram um barulho estranho e Jeongguk soltou um grunhido.

— Gukkie? — Seu irmão chamou, enquanto Namjoon segurava sua mão.

— E-Eu não quero alarmar vocês, mas eu acho que estou entrando em trabalho de parto. — Disse entre arfadas.

— Eu disse que sempre saía algo de emocionante! — Namjoon gritou desesperado, enquanto Junghyun sentia a testa suar.

— Segura esse bebê até chegarmos no hospital! — O Jeon mais velho gritou.

— Não é como se ele fosse escorregar pelas minhas pernas! — E Jeongguk gritou de volta, chutando o banco do irmão.

— Eu não sei como bebês funcionam, ok?! — Junghyun bufou, acelerando o carro.

 

Assim que estacionaram o carro ajudaram o Jeon a sair e praticamente correram com o mais novo para o prédio. Logo foram atendidos, já que Namjoon havia telefonado antes e Hoseok, sendo um dos enfermeiros do lugar, preparou tudo para receberem Jeongguk. O colocaram em uma cadeira de rodas e o empurraram até um dos quartos, com cuidado o deitando na cama para que pudessem o examinar.

O coração de Jeongguk quase saiu pela boca assim que Jimin passou pela porta, parecendo concentrado em seu trabalho. O Jeon nunca havia visto o mais velho tão preocupado, e algo em seu peito esquentou ao saber que era por sua causa.

Por causa de Simba.

Engoliu a seco, resolvendo deixar os assuntos pessoais de lado por agora.

— Tá’ tudo bem? — Perguntou com a voz chorosa. — Por que dói tanto?

Ao ouvir sua voz, Jimin o encarou por alguns segundos com os olhos arregalados. Fazia tanto tempo que não via Jeongguk ou lhe escutava. Quando soube por Hoseok que o mais novo estava indo para o hospital entrou em desespero, queria ter certeza que estava tudo bem, e sendo o médico que acompanhou o Jeon quase toda sua gestação, é claro que também estaria ali naquele momento.

— Jimin? — Namjoon o chamou, tirando-o de seus pensamentos.

— Tá’! Tá’ tudo bem. — Respondeu rapidamente. — Mas vamos ter que fazer o parto agora.

— M-mas agora?! — Jeongguk arregalou os olhos. — Por que? Ainda faltam três semanas!

Jimin segurou a mão do mais novo, e o Jeon se sentiu relaxar, ainda que minimamente.

— Não se preocupe, é normal em caso de inseminação o parto acontecer antes. — Disse. — Você só vai ter o seu bebê um pouco mais cedo e nós vamos cuidar pra que tudo dê certo, sim? Isso não é ótimo?

— Uhum. — Jeongguk assentiu, inconscientemente puxando a mão de Jimin para perto de seu rosto.

 

-x-

 

Depois de tudo ser preparado, finalmente o Jeon se encontrava na sala de cirurgia. Se sentia tão assustado, na mesma proporção que se sentia ansioso. De repente soltou uma risada, chamando a atenção de Jimin e dos enfermeiros que ali estavam.

— Achei que estivesse chorando. — Uma das moças comentou com um sorriso.

— Eu estou. — Disse dengoso. — Mas eu estou feliz. E apavorado.

A respiração do garoto ainda era acelerada e inconstante, mas o que podia fazer?

E saber que Jimin faria seu parto o causava ainda mais ansiedade. Se sentia tão idiota agora por ter tratado o mais velho daquela forma, queria tanto ter tempo pra conversar com ele antes de Simba chegar.

Ah, Simba. Logo ele veria Simba!

Mas estava tão preocupado, havia visto Jimin murmurando coisas baixinhas com os outros enfermeiros antes, queria saber se algo estivesse errado, mas é claro que o Park não esconderia nada de si, né? Pelo menos era o que esperava...

Os enfermeiros, e até mesmo o Park, conversava consigo durante todo o processo, e aquilo parecia acalmar Jeongguk. Havia decidido que sua mãe ficaria ao seu lado durante o parto, mas não teve tempo de avisar a mulher, que provavelmente ficaria uma fera ao saber que havia perdido aquele momento.

Mas estava se sentindo tão confortável e bem cuidado ali.

De repente arregalou os olhos ao ouvir a melodia conhecida preencher o lugar. Aquilo estava na sua cabeça?

Desde o dia em que ao mundo chegamos

Caminhamos ao rumo do Sol

Há mais coisas pra ver

Mais que a imaginação

Muito mais pro tempo permitir

Não sabia se havia sonhado tanto com aquele momento que seu cérebro estava pregando peças em si. Estava falando sério quando disse pra todo mundo que queria mesmo que Simba viesse ao mundo como um verdadeiro leãozinho e, mais importante, com a trilha sonora de O Rei Leão.

E são tantos caminhos pra se seguir

E lugares pra se descobrir

E o Sol à girar sob o azul deste céu

Nos mantém neste rio à fluir

Mas então finalmente percebeu, quando ouviu uma voz diferente se juntar a melodia e percebeu que era a enfermeira ao seu lado que também cantava. Aquilo estava mesmo acontecendo. Porra, estava mesmo acontecendo como havia sonhado. Como havia dito para Jimin.

Jimin.

Havia sido ele a fazer aquilo tudo, tinha certeza. E só reafirmou isso quando, ainda com os olhos embaçados pelas lágrimas, o viu sorrindo para si. Bom, não viu o sorriso do mais velho, já que este usava uma máscara. Mas seus olhinhos estavam sorrindo e aquilo era o bastante para Jeongguk, que sorriu de volta.

É o ciclo sem fim que nos guiará

À dor e emoção, pela fé e o amor

Até encontrar o nosso caminho

Neste ciclo, neste ciclo sem fim

E foi quando aconteceu. Quando o som que mais havia esperado durante todo esse tempo finalmente se fez presente, e ainda que fosse a primeira vez o escutando, já sabia que era sua preferida de todo o mundo.

Simba havia chegado.

E nada nunca seria tão memorável quanto a imagem de Jimin o levantando, com tanto cuidado, e o apresentando como um verdadeiro Rei Leão.

Como Simba de Mufasa e Sarabi.

Mas aquele era o Simba de Jeongguk.

O Simba de Jeongguk e Jimin.

Quando o bebê foi deitado em seu peito Jeongguk sentia que não havia mais lágrimas para rolar, mas provou estar errado quando mais água desceu de seus olhos ao ter seu filho tão perto de si, pele com pele, pela primeira vez.

Era tão lindo, mais lindo do que qualquer coisa que o Jeon havia um dia sonhado. Mais lindo do que todas as fotos eu já havia tirado em sua vida.

Dez perfeitos dedinhos nas mãos. Dez perfeitos dedinhos nos pés. Um narizinho redondo e dois olhinhos pequenos, mas que pareciam tão grandes e cheios de curiosidade. Duas orelhinhas que ouviriam as palavras mais suaves e carregadas de amor que Jeongguk saberia pronunciar. E uma boquinha tão rosinha, com uma garganta poderosa, levando em conta o choro alto que o mesmo soltava, mas que parecia ter se acalmado ao sentir o calor de seu peito.

— Ele é tão pequeno. Tão perfeito. — Disse entre soluços.

— Ele é todo seu. — Jimin falou com um sorriso.

Quando pegaram o pequeno para limpá-lo e certificar que tudo estava em ordem, o mesmo voltou a chorar por ser tirado de seu conforto novamente.

— Ele está bem? Por que está chorando tanto? — Jeongguk perguntou preocupado, mas logo sentiu um beijo em sua testa, e subiu o olhar até encontrar o Park o encarando com um olhar apaixonante.

— Tá’ tudo bem, ele só está mostrando o rugido. — Brincou. — Um leãozinho poderoso, não acha?

O Jeon apenas assentiu, sentindo seu peito se encher de algo que nunca havia sentido antes. Era tanto amor que sentia que iria explodir a qualquer momento.

— Obrigado, Honey Pie.


Notas Finais


E O NOVO REI SIMBA VAI REINAAAAAAAAAAAAAR

E aí, o que acharam?????????? Me deixem saber nos comentários, quero vibrar com vocês HAHAHAA


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...