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História Letters for you - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


EAEEEE MEUS LINDOS

Como vcs estão?

Finalmente voltei com um cap novo e, por mais que ele esteja meio pequeno, ele tá bem agitado e será bem importante.

Boa leitura!

Capítulo 6 - 05. out of touch


Fanfic / Fanfiction Letters for you - Capítulo 6 - 05. out of touch

Querido Pai, 

 

  Só achei uma palavra que pode definir o que estávamos sentindo naquela hora: ansiedade.  

Hoje era o dia da tão esperada apresentação de balé que Serena ia participar. Ela sempre falou sobre como é apaixonada por dança, e que faz isso desde pequena, explorando todo o tipo de estilo possível. Admito que a revelação não foi muito surpreendente. Não sei explicar muito bem, mas ela se move como uma dançarina, todos seus movimentos são naturalmente leves e coordenados, como se a dança já fizesse parte de seu ser. 

Não faz muito tempo que a mesma nos convidou para vir assisti-la encenar Lago dos Cisnes junto da equipe de sua escola de dança. A apresentação era mais focada nos participantes mais jovens, mas sua professora, Palermo, fez questão de chamar a loira e uma tal de Aria para participarem do elenco principal. Eu esperava uma coisa pequena, como os recitais de escolas, mas o que nos esperava do lado de dentro do teatro me pegou de surpresa. O espaço estava lindamente produzido, como se cada detalhe tivesse sido milimetricamente calculado. Todos os assentos estavam preenchidos por, em grande maioria familiares dos participantes ou apreciadores da obra, mas era possível se notar pessoas segurando pranchetas – possivelmente algum tipo de avaliador – esperando ansiosamente o anuncio de que a peça iria começar. 

— Que papel que a Sere vai interpretar mesmo? — Gary indagou enquanto sentávamos em nossos respectivos assentos. 

— Odette. — Brock respondeu. 

— Mas a apresentação não era sobre um cisne? — O ruivo indagou novamente. 

— Mas é, ué. — Eu respondi. 

— Quer dizer que tem um cisne chamado Odette? — Gary pode ser esperto em grande parte do tempo, mas quando o mesmo consegue dar uma de lerdo, ninguém supera. 

— Até agora me pergunto o que ela viu em você. — Misty falou enquanto acenava a cabeça em sinal de negação. 

De acordo com que Serena contou, Odette era uma garota que fora aprisionada num corpo de um cisne por um feiticeiro. A mesma começou a viver num lago formado pelas lágrimas de sua mãe - super melodramático, eu sei – e voltava a sua forma humana só por algumas poucas horas da noite. O engraçado é que todo o roteiro é estranhamente situacional, já que pra ela se livrar da maldição, um jovem precisa declarar amor e fidelidade a ela, e caso seja traída a mesma se tornaria cisne para todo sempre. Não que eu seja nenhum especialista no assunto, mas tudo isso deixa as coisas meio previsíveis.  

Não demorou muito para que a música começasse a tocar, e todos prestassem atenção ao palco. Vários dançarinos começaram a entrar no palco, todos vestidos como se fizessem parte de uma corte real e não era para menos, já que aquela, teoricamente, era a galera do suposto príncipe. Uma informação meio inútil, mas que o senhor acharia engraçada. Todos os caras, com exceção do rei, usavam roupas extremamente coladas da cintura pra baixo. Não que eu esteja julgando nem nada, na verdade a confiança que a pessoa tem que ter no próprio corpo pra usar aquilo é admirável, mas consigo ver facilmente o senhor fazendo um comentário do tipo: “Como que eles fazem pra manter a bunda tão durinha?” 

Já tinha se passado meia hora quando as luzes do palco começaram a ficar azuladas, simulando a noite. As pessoas ainda dançavam, mas pouco a pouco iam se retirando, deixando o príncipe sozinho no palco. Um homem em vestes negras recheadas de penas igualmente negras apareceu no palco, chamando a atenção do príncipe. O mesmo estava mirando sua besta para o homem em preto, que se movia de um lado para o outro no palco, até que o mesmo some em meio às decorações de palco. O príncipe estava prestes a atirar na direção em que o homem tinha ido, mas sua atenção foi capturada por outra coisa, ou melhor, alguém. 

E então, ela finalmente apareceu. E, meu Arceus, até agora não achei uma palavra que pudesse defini-la naquele momento. 

Incrível? 

Maravilhosa? 

Encantadora? 

Deslumbrante? 

Não, tudo isso era muito pouco para defini-la. 

Seus cabelos loiros estavam presos em um coque, rodeado por um adereço feito de um material que parecia penas de cisne. A mesma usava um body branco com um decote que ia até aproximadamente sua barriga, mas sem expor nada, o que a deixou incrivelmente elegante, o mesmo também tinha detalhes em cristal que reluziam sobre a luz do palco. Seu tule e sapatilhas também eram brancos, formando um conjunto digno do cisne mais belo já visto. 

Parecia que Serena, de repente, tinha virado a delicadeza em pessoa. A mesma pisava com tanta leveza que eu até cheguei a considerar se o chão não era uma nuvem. Todos os seus passos seguiam harmoniosamente a trilha sonora de fundo, mas tinha alguma coisa que a diferenciava dos outros dançarinos. Não só seus movimentos pareciam únicos, mas também as emoções que ela transmitia por meio deles. Era algo muito pessoal para ser confundido com qualquer um dos outros dançarinos presentes. 

— Isso é uma blasfêmia! — Murmura um dos homens com pranchetas que se encontrava atrás de mim. — Os movimentos, a nuance, tudo sem sentido! Ela tá praticamente ignorando os outros e comprando briga com o coreógrafo original! 

Era Marius Petipa e Lev Ivanov, mas... a dança e a coreografia já não era mais propriedade deles. 

Essa dança, sem dúvidas, agora é dela. 

Era perceptível o quanto o dançarino escalado para ser o príncipe se esforçava para a acompanhar, ela o olhava como se estivesse o desafiando a manter o mesmo ritmo que ela, mas naquele momento ela parecia simplesmente inalcançável.  

— No início, a Palermo odiava isso. — Uma garota morena ao meu lado disse sem tirar os olhos da loira no palco. — Ela nunca gostou de seguir uma coreografia à risca, sempre botando seu toque especial. Demorou um tempo pra que nossa professora finalmente se tocasse disso e explorasse esse detalhe nela. — Olhei para a mesma, e fiquei me perguntando o porquê dela não estar ali junto deles, já que Palermo também era sua professora, mas minhas dúvidas foram respondidas quando avistei seu pé enfaixado por baixo da sapatilha casual que a mesma usava.  

Demorou mais uma hora para que chegasse no clímax final, onde o tal príncipe confundiria a irmã gêmea de Odette – o famigerado cisne negro – com sua amada, cometendo a tal “traição”. Quando o mesmo percebeu, fugiu para o lago deixando tudo para trás, mas já era tarde demais, Odette já havia se tornado um cisne permanentemente. Então os dois dão uma de “Romeu e Julieta” e cometem suicídio, se jogando no lago para que os dois possam passar a eternidade juntos. Com o ato do casal apaixonado, o tal feiticeiro Von Alguma coisa – nomezinho difícil de lembrar – acaba levando um choque mortal.  

No final, todos nós da plateia, menos o pessoal com prancheta, aplaudimos de pé. O espetáculo tinha sido realmente incrível, era perceptível que todos ali estavam se doando de coração e alma. Não só os dançarinos, mas também o pessoal da música, da figuração, iluminação, tudo. Todos formaram um combo perfeito. As cortinas se abriram novamente revelando todo o elenco agradecendo ao público. Todos sorriam abertamente, mas nenhum deles se comparavam a Serena. A mesma emanava uma aura de felicidade contagiante, seu sorriso era resplandecente. Sua pele brilhava pelo suor, mas isso não diminuía em nada sua beleza. Seus olhos brilhavam como nunca, transmitindo nada mais, nada menos do que amor. Amor pelo o que fazia. 

As cortinas se fecharam novamente, dessa vez permanentemente. Fomos até o lado de fora para esperar por Serena e, enquanto a mesma não aparecia, parabenizávamos os envolvidos que passavam as vezes. Passou se um tempo e começamos a estranhar, já que Serena não tinha aparecido ainda e não respondia nenhuma mensagem. Estávamos procurando a loira quando avistamos alguém que poderia nos ajudar: 

— Ei Trevor! — Misty exclamou para o garoto ruivo, meio baixinho, que checava sua câmera. Trevor é conhecido desde pequeno como um fotógrafo nato, ele sempre conquistava a proeza de acertar o ângulo e a hora certa pra foto perfeita, o que fazia com que fosse chamado para vários eventos para participar da equipe de publicidade, sendo o responsável pelas imagens de divulgação. 

— E aí pessoal! Posso ajudar vocês em algo? 

— Você viu a Sere por aí? — Gary perguntou. 

— Cara, não a vejo desde o agradecimento. Mas ela deve estar nos bastidores, se quiserem, posso levá-los lá.  

— Seria ótimo, muito obrigado mesmo! — Seguimos para a área permitida apenas aos envolvidos nas apresentações, e nossa, quanta gente num lugar só. Tinha bailarinas conversando num canto, pessoas guardando seus instrumentos, organizadores correndo de um lado pro outro, e nada da loira.  Decidimos nos separar pra tentar encontra-la mais rápido, estava andando por aí até que acabo trombando com um garoto corpulento de cabelo preto. 

— Grande Ash! — O garoto, que agora reconheci como Tierno, disse me abraçando de lado. 

— E-E aí! Parabéns pela apresentação, toda a produção estava impecável. — Eu falei meio envergonhado. Tierno era o tipo de pessoa que adorava um contato físico, mesmo que a pessoa não seja muito próxima dele, e eu ainda não acostumei com tanto contato. 

— Valeu, a coreografia me deixou preocupado, mas no final deu tudo certo.  

— Ei, você viu a Serena por aí? — Indaguei. 

— Da última vez que vi, ela estava indo em direção aos camarins. — Ele falou apontando pra um corredor em específico.   

— Obrigado mesmo, Tierno! — Falei enquanto saia rapidamente de seu abraço e me direcionava em direção ao corredor sem nem olhar pra trás. 

Todas as portas do corredor tinham fitas coladas nas plaquinhas de identificação, cada uma com o nome de alguém. Quando achei a que tinha o nome de Serena, bati algumas vezes e falei: 

— Ei, estrela da noite! Seus maiores fãs estão te esperando! — Eu disse brincando, mas não recebi nenhuma resposta, apenas o silêncio. Bati mais algumas vezes e nada. 

Os únicos sons que eram possíveis de se ouvir eram minhas batidas na porta e a vozes do pessoal do teatro. Aproximei meu ouvido da porta pra escutar melhor, e ainda assim tudo o que eu ouvia era o silencio, o que me preocupou muito, já que Serena definitivamente não é uma pessoa silenciosa. 

— Sere, eu tô entrando! — Falei abrindo a porta logo em seguida. E a cena que presenciei me deixou em estado de choque. Minha respiração começou a falhar, minha visão embaçou e minhas pernas começaram a tremer.  

Serena estava desmaiada no chão. Seu cabelo loiro, antes preso em um coque elaborado, estava solto com algumas mechas manchadas de sangue que vinha do lado esquerdo do rosto, que estava praticamente todo vermelho por causa do sangue que continuava a sair. Não sei de onde tirei forças pra me mover, mas quando me dei conta já estava correndo pelo corredor com ela em meus braços, clamando desesperadamente por ajuda.  

Tudo depois disso foi um borrão, só me lembro de uma ambulância ter chegado e de paramédicos a tirando de mim. Também lembro de ter esperneado quando isso aconteceu, mas na mesma hora pessoas me abraçaram, talvez numa tentativa de me acalmar. Eu conseguia ouvir vozes distantes me chamando, mas eu não conseguia pensar em mais nada além do que presenciei. 

Serena

Desmaiada

Sangue

— Ash, você tá bem? — Brock perguntou enquanto eu terminava de beber o copo d’água que o mesmo trouxera pra mim. Os três me levaram pra um canto da entrada do teatro, algo como uma sala de espera, e desde daquela hora tentavam me manter minimamente calmo. 

— S-Serena. — Eu murmurei trêmulo, olhando suplicante para Gary.  

— O pessoal da ambulância a levou para o hospital, não sei dizer quem a acompanhou. — Ele falou encarando o chão.  

— Como foi que tudo aconteceu? — Misty indagou colocando a mão em meu ombro, possivelmente querendo me passar confiança. E então eu contei o que aconteceu desde quando encontramos com Trevor até a pouco tempo atrás. 

— Foi tão...assustador. — Disse tentando manter calmo. — Nunca imaginei que a veria daquele jeito. Quando a segurei, ela estava tão...leve. Parecia fraca, frágil. Senti como se eu fizesse um movimento errado sequer ela se estilhaçaria no chão. — Minhas roupas e mãos ainda estavam um pouco manchadas por causa do sangue da mesma, o que me amedrontou ainda mais. 

— Calma, calma. — Misty disse me abraçando de lado enquanto acariciava os cabelos de minha nuca. — Ela já foi pro hospital, vai ficar bem. — Seu tom de voz contribuiu para que eu finalmente ficasse um pouco mais tranquilo, como se o efeito do chá de camomila tivesse sido posto em palavras. 

O clima ficou meio tenso o resto da noite. Como já estava tarde, decidimos chamar um motorista para não voltar a pé, mas ninguém disse uma palavra sequer o caminho todo. Acho que todos nós ainda estávamos em estado de choque pelo o que tinha acontecido pra falar alguma coisa realmente relevante. 

Quando cheguei, mamãe quase morreu de susto pelos resquícios de sangue que ainda se encontravam em mim. Tive que explicar novamente toda a situação, o que foi terrível, já que quanto mais eu falava, mais a imagem ficava viva em minha mente, como se eu ainda estivesse lá, estático. Por mais que eu tenha tomado banho, eu ainda sentia o sangue presente em mim. Pela primeira vez em muito tempo, eu estou com medo de ir dormir. Medo de cair no sono e as imagens voltarem com toda a força, me fazendo reviver aquilo. Estou assustado pai, muito assustado. E se aconteceu algo com ela? E se for muito sério? 

São nesses momentos em que mais sinto sua falta. Seu modo de me acalmar, mesmo que mais ninguém conseguisse, de não precisar falar nada para o senhor entender. Não sei como lidar com a situação, estou totalmente no escuro. 

Estou com medo. 

Queria o senhor aqui, comigo. 

 

Com amor, 

Ash.


Notas Finais


E aí, o que acharam?

Falei que esse capítulo traria algo mais emocionante, admito que tô mtt animado pra escrever o que acontece a partir desse momento.

O que vocês acham que aconteceu com nossa loirinha favorita? Por favor, comentem, adoraria saber as opiniões de vocês.

Espero que tenham gostado.

Até mais!


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