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História Letters From My Heart - DahMo (G!P) - Capítulo 7


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Notas do Autor


Oioi!!! Demorei um pouquinho hoje... Lsksksks
O capítulo não está muito alegre, mas leiam bem♥️

Capítulo 7 - Desistindo


Eu ainda processava toda a história que acabara de escutar de Nayeon enquanto nos preparávamos para uma operação.

Dizendo ela, que eu poderia estar correndo perigo devido as cartas que andava recebendo... Tudo levava a crer que eu estava sob ameaças de uma máfia ao algo do tipo. Sinceramente, que imaginação fértil, mas quem dera fosse apenas isso...

Talvez Dahyun fosse pior que qualquer tipo de máfia unida a mando de minha morte. Suas palavras doíam mais que facadas ou tiros, estar com ela era o mesmo que andar com fósforo em meio aos barris de pólvoras. No entanto, ainda se tratava de uma pessoa necessitada de cuidados e amor.

Amor, em algum momento em nosso relacionamento corrosivo existiu este sentimento nela? Não me admiro pensar do contrário... A forma como me tratou naquele dia, a maneira como foi embora e me abandonou... Por que me afastara daquele jeito tão vazio? Por muito tempo me fiz as mesmas perguntas, e desde então deixei que o meu coração perdesse o sentido, o tornando fechado a qualquer um que tentasse infiltra-lo. Aquele órgão pulsante e vital não era mais habitável para ninguém.

Horas depois nós saímos da operação bem sucedida. Minha barriga roncava muito, e alto também, qualquer coisa agora a faria sair da miséria, já que mal toquei no café da manhã. Talvez fazer um pedido por aplicativo.

Ou não, minha pequena vontade havia se esvaído com a entrada da Park em minha sala, trazendo em suas mãos outra bomba relógio. Foi como se o meu tivesse sido roubada do ar, a minha vontade era de rasga-la no mesmo instante. Se Jihyo não estivesse presente...

— Estas são para a senhora. Sempre chegam na recepção.

— E me pergunto quando elas irão parar...

— Como?

— Nada não. Muito obrigada, Senhorita Park.

— Hum... Com licença mais uma vez, senhora, caso não seja muito incômodo... Eu posso sair mais cedo? É que irá acontecer a apresentação de meu filho e...

— Claro, é o seu filho afinal de contas. Porém amanhã sem falta.

— Sim, Obrigada. — Ela se retirou.

Essa história estava indo longe demais... Não bastava ter fodido a minha vida o suficiente, para onde mais queria me levar? Meu suspiro saiu frustrado e fatídico, arrastei a carta para dentro da gaveta de minha mesa. Só de pensar em desvendá-la, me causava calafrios por todo o corpo, não permitiria que novamente se concretizasse.

Ela dominava no jogo das palavras, lábia era apurada e capaz de levar qualquer um a perdição. Infelizmente eu fui uma dessas, só percebi a enrascada que me meti, quando finalmente me dei conta de que estava no fundo poço escuro e insalubre. Nem uma corda me foi lançada, nem meus pedidos alcançados, estava destinada a viver assim pelo resto de minha vida.

Por ora eu apenas a manteria longe de mim, mantendo o envelope guardado para nunca mais. Um dia, quando ela cansasse de brincar comigo, me descartaria de novo. Que dessa vez seja mais rápido, já que lágrima nenhuma derramarei.

Preparava o meu psicológico abalado para mais tarde encarar uma conversa com a Son. Quanto tempo fazia desde que esta se bandeou junto a Mina para Incheon em busca de uma vida confortável? Não nos víamos desde a inauguração da veterinária, naquele dia eu me senti tão feliz, tinha enfim comprido a minha promessa.

Sendo sincera, somente Chaeyoung conhecia este meu passado funesto, uma história que vinha desde o acidente de meus pais até as cartas enviadas. Com ela, eu era um livro aberto, nada passava despercebido diante daquele olhar afiado e imparcial.

Estacionei o carro em frente a cafeteria antiga. Não mudou muita coisa. Através do vidro da vitrine, a avistei sentada, bebendo dando um gole da xícara. Os calafrios na barriga surgiram e uma vontade de dar meia volta e retornar ao escritório passou por minha cabeça. O lugar em si não me trazia boas lembranças, aquele sentimento de nostalgia não era benéfico. Fui infeliz por Chaeyoung me encontrar inerte na calçada, encarando-a, ela acenou alegremente. Game Over pra mim...

Respirei fundo, sentindo os cheiros doces exalados de dentro da cafeteria, antes de me sentar à mesa e morrer por insuficiência respiratória.

— Que saudade, sua maluca! — Socou meu braço.

— E aí? Duvido que tenha sentido um pingo de falta minha. Como está Mina? É inacreditável como esta relação de vocês está durando tanto.

— Pra você ver como o nosso amor é belo e duradouro. Sei que no fundo você sente um pouco de inveja.

— Eu sinto é vergonha... — Resmunguei, fazendo careta. Só de imaginar as duas juntas novamente, sinto vontade de vomitar. Sem exagero. Chaeyoung e Mina eram do tipo de casal que você se surpreendia com cada boiolagem que saiam da boca delas, fator causador de traumas.

— Tá... Não viemos aqui pra falar sobre isso. Como está você e este coraçãozinho aí? Ainda com aquela ideia?

— Até que tentei fazer diferente, mas não deu certo. De volta à estaca zero.

— Não deveria se permitir voltar, Momo — Deu outro gole — Esquece a Dahyun e vai viver a sua vida.

— Como se fosse fácil... Se esqueceu? Ela achou um jeito de infernizar a minha vida com cartas. Devo estar correndo numa areia movediça, não é possível! Quanto mais eu tento sair dela, mas presa eu fico. Estou lentamente me afundando....

— Ei, ei! Não vamos permitir, o que ela fez foi realmente chocante, mas não se deixe levar pelas palavras dessa mulher, Momo, sei o quanto foi difícil e o quanto você sofreu nas mãos de Dahyun. Mas me conte esta história direito, sobre essas cartas.

— Não tenho muito o que falar... Estava tudo indo na medida do possível comigo até receber uma carta no trabalho. Ao todo foram quatro, mas li apenas três... A quarta está guardada lá.

— O que elas diziam?

— Coisas como a falta que eu faço na sua vida ou retomando lembras que nunca deveriam ter existido... Me pergunto se aquela desgraçada está se divertindo com isso. Demorei três anos para juntar todos os cacos apenas para serem destruídos novamente por ela? Eu não aguento mais, Chaeyoung. Por que ela não desaparece da face do mundo?

— Calma, Momo...

— É difícil descansar todas as noites, eu simplesmente não consigo mais fazer a coisa mais simples do mundo, que é dormir, perdi o meu sossego e aos poucos estou perdendo o gosto de viver. O que mais ela pretende tirar da minha de vida fodida?! — Me punho bateu contra a mesa, fazendo a xícara de seu café molhar superfície lisa e redonda. Por isso eu não queria estar aqui tendo esta conversa, os olhares repreensivos caíram sobre mim não tão assustadores como os de Chaeyoung agora.

— Cara, mantém a calma... Estamos em público, se controla, porra!!

— Desculpa... — Me recompus na cadeira, escutando seu suspiro.

— Hirai, você pode simplesmente ignorar essas cartas e continuar convivendo como sempre. Aviso que não há garantia de que sua vida melhore, já que você apenas fingiu desconhecer o que estava acontecendo. – O que ela estava tentando dizer? — Isso definitivamente é muito ruim, Momo. Mas também há outra opção.

— Qual?

— Você pode encarar de frente esse obstáculo. Enfrentar o seu passado pode ajudá-la a se libertar, isso sim será benéfico. Mas no fim... Tudo vai depender de sua resposta.

— Você acha? Será mesmo...? Eu só quero que esta merda acabe logo, eu temo o que pode acontecer.

— Você é forte — Me reconfortou no ombro —, corajosa e capaz. Não se intimide, você é mais que isso. Não nade contra a correnteza se ela é mais forte que você, do que vai adiantar mesmo? Porém não deixe também que a correnteza te leve, esteja sobre controle e não sob.

— Quando que começou a ter os melhores conselhos? — Soltei um suspiro longo, deixando que a cadeira me segurasse. Chaeyoung meneou a cabeça negativamente tomando outro gole de café.

Sem dúvidas eu me encontrava entre dois caminhos, ambos os lados eram assustadores e perigosos. Qualquer um que eu escolha, as chances de sair machucada no final serão de cem por cento... Poderia existir uma menos pior? Seu rosto feliz não esclarecia nenhuma das minhas dúvidas...

Eu estou perdida, quero fingir que nada aconteceu e apagar esse lado da história, entretanto sei perfeitamente que isso não me ajudará em nada.

Que grande merda. Se eu pudesse voltar no tempo, desejaria não ter esbarrado em você naquela manhã.

[...]

As horas se passavam tão devagar, nem me dei conta de quanto tempo fiquei aqui admirando a luz oscilante da lua tão longe da areia da praia, onde estava sentada.

A garrafa de vinho era a minha única companhia naquela noite. Me sentia tão vazia por dentro, tão desorientada... O que eu estava fazendo aqui mesmo?

O brilho da lua refletia na água do mar, suas ondas molharam os meus pés e depois recuaram rapidamente. Diferentes dela, eu apenas fugia e não voltava mais. Esse era o tipo de pessoa que eu era, ou que me tornei...

Minha cabeça girava, minha visão era turva e meu corpo balançava, não era de se admirar, já que eu sempre soube que não era boa com bebidas. Por trás de minha bebedeira, havia a intensão. Eu queria não lembrar de nada, ter o meu descanso e parar de pensar naquele maldito sorriso.

A mar me pareceu tão mais atrativo agora, queria me aprofundar em sua imensidão e ser levada por ele. Será que poderia me dar o que eu queria?

À medida que meus pés o descobriam, mais a água subia ao meu corpo. Hirai, você mal conseguia se manter em pé em terra firme, como seria na água? Pois é, eu queria saber.

Reconhecia que havia chegado ao meu limite, quando eu não mais senti a areia no chão. A água se tornara tão fria... Arrepios correram pelo meu corpo.

Ah, é, eu não sei nadar... Como posso me esquecer de uma informação tão importante como essa?

Tentei alcançar a areia, sendo em vão. O ar foi ficando escarço, o meu corpo, submerso. Meu vazio foi preenchido pela sensação dolorosa e um tanto estranha... Então era assim que as coisas deveriam acabar. Ninguém me ajudaria, e eu também não desejava que fosse socorrida.

Por um momento me perguntei se era isso o que eu queria. Se desistir era a melhor forma....

Não me sentia preparada o suficiente para encarar aquela escuridão silenciosa que meus olhos me mostravam. De repente a dor e desespero ia diminuindo, podia escutar ainda as batidas de meu coração.

Tudo bem, logo não mais o escutaria...



[...]



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