História Letters To A Stranger - Capítulo 8


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Hitoshi Shinsou, Iida Tenya, Katsuki Bakugou, Kyoka Jiro, Mei Hatsume, Midoriya Izuku (Deku), Mina Ashido, Momo Yaoyorozu, Nemuri Kayama, Shouto Todoroki, Uraraka Ochako (Uravity)
Tags Bnha, Lgbt, Tododeku
Visualizações 102
Palavras 3.918
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Ficção, Lemon, LGBT, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, gente bonita!

Eu me sinto um pouco culpada, sabem por quê? Eu tinha tudo em mente, semana passada. E não postei porque não estava me sentindo bem, meu psicológico estava completamente fodido —ainda sinto que está um pouco. E por estar mal, eu não queria escrever algo ruim, entendem? Então esperei até que eu estivesse melhor para escrever o cap. Descobri também que eu levo cerca de quatro horas para escrever! Às vezes, okay? uhusahusauha. E outra coisa: muito obrigada pelas forças que todos vocês vem me passando! Eu tenho sentindo tanta coisa boa, por isso me culpo pela minha mente fodida. No final eu acabei sendo um Todoroki que se enche de perguntas e não consegue responder nenhuma kkk

Desejo-lhes uma ótima e tranquilinha leitura!

Capítulo 8 - O Homem das Joaninhas


"M,

Eu não tinha dúvidas, eu ainda era um adolescente. Eu chorava como um; berrava agarrando a fronha do travesseiro e prensando contra o meu rosto que estava macio de tão inchado. Eu dava socos na cama enquanto minhas pernas se balançavam como se dentro de mim tivesse brasas. Ora... Mas por que um adulto não podia fazer essas coisas e sim os adolescentes? Exato. Porque as pessoas acham que somente os adolescentes sofrem por amor."

Seu corpo estava no automático. A noite passada foi tão agitada quanto uma festa, queria que tivesse sido por uma festa. Infelizmente, quem festejava eram suas lágrimas rolando e rolando. Os olhos ainda estavam bastante inchados e um pouco vermelhos na linha da água. E era difícil esconder aqueles detalhes. As pessoas sempre perguntam o porquê de sua aparência estar "diferente", mas poucas delas realmente se importam. Às vezes só querem saber para ter o que falar com outra pessoa, basicamente uma fofoca.

Yaoyorozu pediu para que esperasse em seu escritório depois que ele consultasse um de seus pacientes, naquela manhã de quinta-feira. Ela não disse sobre o quê seria, mas tinha quase certeza que se tratava de Shouto. Mesmo o problemático ser de outra clínica, ainda assim ela sempre procurava saber como estava indo as coisas, exatamente como fazia com os seus outros pacientes.

Carregado de sono, e com a demora de Momo para voltar à sua sala, Midoriya —inocentemente— curvou-se em cima da mesa e deitou a cabeça em seus braços cruzados. Estava muito cansado e com a cabeça carregada de coisas. Pensou que não seria um problema cochilar um pouco até sua chefe chegar de onde estava. Não demorando muito, Yaoyorozu abriu a porta dando de cara com um ser debruçado em sua mesa, deu risada imaginando que Izuku acordaria com a sua voz, mas nenhum sinal foi dado por ele. Ela, preocupada, deu meia volta e sentou-se em sua poltrona para ver se Midoriya estava realmente bem. Ao julgar pelos olhos inchados e um pouco vermelhos, a hipótese de que teve uma má noite de sono passou por sua cabeça. Portanto, decidiu deixá-lo descansar um pouco enquanto arrumava alguns papéis que havia trazido consigo.

Após organizar as pastas de diagnósticos e contratos, a moça observou o pequeno a sua frente e afagou os cabelos verdes se perguntando porquê estava daquele jeito. Midoriya, um de seus melhores terapeutas, nenhum dia sequer esteve tão... "vulnerável" aos seus olhos. Sempre sorrindo e alegre, o sardento nunca esteve daquela maneira, não perto dela, pelo menos. "Que sono pesado", pensou ela. Aquilo não era por causa do trabalho, Iida estava pensativo naquela manhã também. E aqueles olhos inchados davam a entender que passou a noite toda chorando, por quê?

Midoriya remexeu-se na cadeira e a morena recolheu sua mão vendo-o despertar aos poucos. Izuku bocejou e coçou os olhos se afastando aos poucos da mesa. Assim que se deu conta de onde estava e pela cara sorridente de sua chefe, arregalou os olhos e corou por vergonha.

— Momo, perdão! E-eu estava tão cansado que pensei em... Ah, perdão! - tapou o rosto, o que fez Yaoyorozu gargalhar.

— Nada disso! Você me deixou preocupada! Olhe o seu estado! Quer me contar algo? - tirou os olhos verdes da moça e passou a encarar o centro daquela mesa de madeira. Yaoyorozu Momo foi quem acalmou Midoriya quando este terminou com Bakugou. A morena era colega de sala do loiro e também quem ajudou Katsuki com o relacionamento. Izuku estava confuso, não queria pensar e muito menos voltar no assunto de seu antigo namorado.

— Tive uma noite complicada. Você sabe, insônia. - deu um leve riso.

Se Momo percebesse que alguém estava indiferente, perguntaria o que ela tinha, e se a resposta fosse exatamente a que Midoriya deu, então não tocaria no assunto. Pensava assim, se Midoriya não quis lhe contar o real motivo —porque insônia não deixava os olhos naquele estado— então talvez quisesse esquecer definitivamente pelo o que passou.

— Já que você teve "insônia" - Izuku olhou-a. — Vamos direto ao assunto.

— Há quanto tempo eu dormi? - cortou-a antes de começarem a tratar de negócios.

— Acho que uma hora... Eu não sei, cheguei aqui e você estava completamente apagado! Iida veio também e pensei que você acordaria com a voz alta dele. - deram risada. A moça buscou duas xícaras atrás de si, a jarra da cafeteira e o açúcar. Serviu-os e Izuku sorriu em agradecimento. — Bem, vamos começar pelo caso de Todoroki.

—  Shouto. - disse ele, rapidamente em correção. Havia entrado de cabeça no fato de que Shouto não gostava de ser chamado pelo nome do pai e isso o fez se acostumar quase como seu paciente. Momo o encarou com o cenho franzido, aquilo era super incomum.

— O quê? - perguntou ela, como se tivesse entendido errado.

— O quê? - depois de ter dado um gole em seu café amargo, Midoriya levantou o rosto sem entender nada.

— Nada... Nada mesmo. - quis rir, mas segurou a cara séria. — Você disse que ele vem mudando constantemente... Isso é por conta dos remédios, a terapia... O que é?

— Um pouco de tudo. - descansou a xícara quente a sua frente. — Foi na segunda consulta, ele parecia estar rejeitando os medicamentos. Estava agressivo, tanto nas consultas quanto com as outras pessoas da clínica. Mas o que eu venho percebendo é que os remédios diminuem e não "curam" a bipolaridade e o resto. Nossa terapia faz com que a mente dele sinta-se calma, faz com que a ansiedade, que é uma pontada no peito, - olhou para Momo, a moça assentiu. — suma por um tempo indeterminado. Quando estou com ele, Shouto deixa de ser quem ele era e passa a ser um homem que quer descobrir sobre si mesmo. - Izuku sorriu para sua chefe. — Ele quer ajudar as pessoas. Sinto que ele quer fazer o que faço com ele, mas porque ele sabe que o que sente em nossas consultas —acredito eu— é algo bom e algo que o deixa bem. E então eu suponho que ele imagine que há muitas outras pessoas assim e que ele queira fazer algo a respeito. Porque ele sabe o inferno que é ser bipolar e ansioso.

Momo anotava em um caderno e depois de ouvir tudo, descansou a caneta na mesa e olhou para Izuku, observando-o beber o café. Aquilo era tão bom. Saber que Midoriya estava fazendo aquilo com alguém, era muito bom. Sempre foi, na verdade. Mas saber que Shouto era agressivo e por ter matado milhares de pessoas —mesmo que criminosas— era gratificante para ela. Sentia vontade de conhecer aquele homem e observar bem de perto uma de suas consultas com Midoriya. E Yaoyorozu sabia que não era apenas o modo como o baixinho trabalhava, mas sim a pessoa que ele era. E isso contribuía para muita coisa. Do que adianta você se formar para ser um terapeuta e não ser alguém calmo e com paciência para lidar com problemas? Por isso, ao seu ver, Midoriya era perfeito.

— O que foi? - perguntou ele diante do sorriso carinhoso que Momo direcionava para si.

— É só muito admirador tudo isso. - encostou as costas na poltrona. — Sabe o que tem mais de bonito nisso, Izuku? - Midoriya negou com a cabeça. — Você certamente teve uma noite péssima, um motivo que você não quer me contar, mas eu entendo. E você não quer deixar que esse motivo abale o encontro que terá com "Shouto" - deu ênfase ao nome fazendo Midoriya sorrir. — hoje. Você é fantástico! Mesmo eu não sabendo de absolutamente nada, quero que continue sendo o que você é. Você encanta qualquer um. - parou e sorriu. — Se eu não fosse casada, escolheria me apaixonar por você. - Midoriya gargalhou vermelho.

— Mas não escolhemos por quem nos apaixonar. - disse sorrindo, mas imediatamente desfez assim que lembrou de Kacchan e do beijo da noite passada.

— O que dá graça às coisas. - a morena piscou. Olhou em seu relógio de mesa logo notado que já era horário do almoço. — Anda, você precisa almoçar e salvar "alguém". - sorriram.

De um jeito engraçado, aquilo lembrou de All Might que sempre salvava as pessoa com um sorriso no rosto. E Momo pareceu descrever o modo como ele consultava Shouto... com um sorriso no rosto.

-

"S,

Eu me sinto estranho. Estou ansioso, mas tomei os remédios, ainda assim sinto que não é ansiedade pela doença. O que me deixa preocupado. Estou ansioso e estou com os olhos fechados, então eu tento procurar com os meus sentidos, qual é o motivo dessa ansiedade. De repente, eu vejo uma silhueta longe, ela se aproxima e eu vejo que é alguém conhecido. Abri os olhos porque senti medo. Eu vi Midoriya."

Sentado no chão e com as costas encostadas na lateral de sua cama, Todoroki olhava as paredes de seu quarto. Paredes que não ocupavam nenhuma janela, quadro ou cores. Qual era o papel das paredes brancas para o seu "desenvolvimento"? Por que as paredes brancas o deixavam aflito ao invés de calmo? Por que, afinal de contas, não podia transitar pelos corredores e saguão, como todos os outros "loucos" faziam? Oh sim, olhando a tornozeleira e a luz azul em seu centro, Shouto havia se lembrado da grande merda que fez. "As paredes da prisão não me fariam pensar nisso, garanto", referia-se em tudo o que tem pensado até agora. Sobre mudanças, sobre ser livre, sobre Midoriya e os desenhos.

Antes que pudesse pensar em outra coisa, já que aquele dia seria diferente apenas por ter consulta, um dos guardas de seu quarto abriu a porta. Shouto levantou-se, esperava que fosse Izuku e não um guarda. O homem de meia-idade caminhou em sua direção e o algemou. Onde ele iria?

— Vamos. A consulta de hoje será no espaço de jogos. - quis lhe encher de questões, mas quando chegou ali, lhe foi mandado ficar quieto e não conversar com ninguém que não fosse seu terapeuta. Secretamente, Denki era o único que não se importava em trocar umas palavras com Shouto.

Passaram por dois corredores e pelo saguão até chegar a porta de vidro que dava para o jardim —como ele chamava. Assim que se aproximavam, observou já longe uma figura sentada no mesmo lugar que ele costuma sentar aos sábados.  Um homem que mexia na grama debaixo de um céu azul. Estava começando a ficar frio, e o homem —que já reconheceu ser Midoriya Izuku— estava com uma blusa cinza, que as mangas estavam na medida do cotovelo, remangadas.

Izuku notou quem chegava e sorriu para Todoroki que ainda estava em pé com o guarda tirando as algemas. Sentou-se junto ao baixinho e sozinho tentou entender porquê a quinta-feira estava se tornando o sábado.

— Oi, Shouto. - sorriu olhando o mais alto com dificuldade perante o sol que lhe acertava o rosto. Se não fosse pelo astro rei, Shouto diria que ele estaria fazendo uma cara de quem faz força para levantar peso.

— Oi. - disse simples e totalmente perdido.

— Deve estar se perguntando porquê estamos aqui e não entre quatro tediosas paredes brancas, sim? Mas por que não debaixo de um céu tão lindo como esse, concorda? - Shouto piscou, internamente estava "um pouco" feliz. Então aquela era a "quinta-feira" e não o sábado.

Ah, como ele odiava quando Midoriya voltava com mais questões para ele responder! Sim, por que não entre paredes brancas? Por que a quinta-feira se parecia com o sábado e por que seu terapeuta não estava vestindo o jaleco branco?

— Não está usando o jaleco. - disse mais como uma novidade do que uma afirmação. Midoriya, que tinha os olhos prendidos nos dedos que brincavam com a grama, olhou o rosto sereno de Shouto.

— Sim. Quero ser um amigo hoje, e não um terapeuta. - voltou a postura reta e encarou Todoroki estudando o contrair de músculos faciais.

— Isso quer dizer que não vamos falar sobre mim? - dessa vez, saiu do semblante sereno para um cenho divertidamente franzido. Izuku riu, gostava tanto quando Todoroki fazia esse tipo de pergunta.

— Isso quer dizer que quero que você me considere como uma pessoa igual a você. O que na verdade eu sou, mas não muda quando eu estou com o jaleco, entende? A mesma coisa com um médico: ele não deixa de ser "humano" só porque está com uma roupa diferente da sua. - Todoroki olhou para as rosas ao seu lado, pensando sobre aquela afirmação. — O guarda que trouxe você aqui, tem os mesmos desejos que você.

— De matar? - arqueou uma sobrancelha. Foi tão de repente que Midoriya não conseguiu segurar a gargalhada.

— Talvez. - ria de olhos fechados. Shouto notou que algumas sardas eram escondidas quando seu nariz enrugava quando ria. De todos os desenhos que fez daquele rosto, nunca conseguiu desenhar as sardas de Midoriya como elas realmente são, o que sempre o irritava. Mas não eram as sardas que mudavam com uma ação de Izuku, os olhos estavam diferentes também.

Midoriya voltou a mexer na grama não notando que Shouto estava com o olhar sobre si. E não tinha noção nenhuma de que sempre que se encontravam, ele —Midoriya— também era estudado por Todoroki Shouto. O bicolor olhou para o céu e para as poucas nuvens que ali pairavam, tinha quase certeza de que o Outono estava no fim e que logo o Inverno traria um céu totalmente feio, mas que para ele era bonito.

— Você não sai muito do quarto, não é? - quando voltou os olhos para baixo, Izuku lhe olhava calmo. Negou com a cabeça e pousou os olhos brevemente sobre os calçados de Izuku, apenas um tempo até que pudesse voltar a olhar aquele rosto sardento. Assustou-se, pois Izuku ainda o olhava.

— O que houve com seus olhos? - para abafar a vergonha que sentiu sob aquele olhar, fez uma pergunta que estava o alfinetando há alguns minutos.

— Meus olhos? - pareceu pensar. — Não tive uma noite boa, deve ser por eu ter tomado muito café. - para Shouto, as palavras que saíram da boca de seu terapeuta eram fixadas de sinceridade. Sem tremular letras. Mas por que sentia que não era verdade? O café de fato tira o sono, mas seus olhos não incham porque não dormiu bem. — Há algo que não goste em si? Tipo uma cicatriz? - Izuku estava trocando de assunto? Shouto poderia estar ali, com os loucos, mas não era burro.

— Não gosto... Da minha parte esquerda. - com o indicador, traçou uma linha vertical invisível desde os fios vermelhos até a ponta do queixo, marcando a cicatriz da queimadura e o olho azul também. 

— Por quê? - o menor fez uma careta.

— Porque eu não sei a quem pertence. - Izuku inclinou a cabeça para o seu lado direito observando os locais apontados por Todoroki, e não conseguia entender porquê eram tão odiados, a não ser pela cicatriz.

— Eu não vejo problema algum, elas combinam com você. A genética é realmente muito estranha. Mas nós nascemos de uma mulher e pegamos as genéticas de ambos os pais, ou talvez só de um, até dos avós. E as pessoas vivem nos rotulando como "você é a cara da sua mãe", "tem o nariz de seu pai", "as sardas da sua avó"! - Shouto riu de um modo inocente fazendo Midoriya parar. Fechou os olhos para contemplar aquilo, pois sabia que raramente se repetiria. — Você não concorda? Elas precisam parar de falar essas coisas e notar que nós somos diferentes, totalmente diferentes sabe por quê? Porque com cada fragmento de genética, essa genética torna nós e que dá origem a outra pessoa, você consegue entender? Você não tem esses olhos porque sofreu de heterocromia, seus olhos tornam você alguém diferente das outras pessoas. Eles tornam... Você.

Ah, como?! Como ele fazia aquilo? Como pegava algo simples e tornava em algo surpreendente? Como ele pegava os minutos e tornava-os em anos? Porque parece que ali, sentado, Shouto passou uns belos cinco anos olhando para aqueles olhos verdes e levemente inchados. Sorrindo para ele de uma forma tão... Tão como ele quer sorrir um dia, Todoroki sabe que seu sorriso ou até a sua risada é uma "bosta". De repente, acabou pensando que não eram os remédios e nem as consultas fazendo efeito, era ele. E por que ele?

— Como as suas... Sardas. - ao dizer aquilo, sentiu-se como se falasse enquanto bêbado, ou lúcido. Só se deu conta quando Midoriya arregalou levemente os olhos e sorriu.

— Você acha? Eu nunca gostei delas! Quando eu era criança, em torno dos 6 anos, lembro que no banho eu me arranhei com a esponja e minhas bochechas e nariz começaram a arder. - riu. — Minha mãe perguntou o porquê de eu ter feito aquilo e eu disse que eu ficaria sujo se eu não tirasse aquelas "coisas". Naquele dia eu descobri o que eram as sardas e que elas não saem. - gargalhou.

"Mas são tão bonitas", pensou Shouto olhando para o rosto que sorria, ria um pouco e lhe olhava daquela maneira de novo. Seu interior era repleto de porquês, queria fazer como o Izuku de 6 anos: queria passar a esponja e retirá-los, pois estavam queimando e fazendo ele sentir-se ansioso por "nada". E em uma batida mais alta e forte de seu coração, olhou para o céu e mordeu o lábio: estava "vivo".

— Olhe! - Midoriya exclamou com uma voz pouco mais alta. Buscou pelo motivo de ter feito o pequeno exclamar e olhou para a mão direita de Izuku que estava estendida sobre a grama; uma minúscula joaninha escalava seu minguinho. Devagar, foi levantando a mão da grama e trazendo para mais perto de seu rosto. Com os olhos curiosos, Midoriya sorria olhando o pequeno inseto perambulando nas costas de sua mão.  — Você gosta de joaninhas, Shouto? - perguntou distraído.

— A-acho que sim. - na verdade era algo tão pequeno que não tinha sentido, para ele. Quanto mais a joaninha caminhava em Midoriya, mas ele sorria como uma criança. E vendo-o daquele jeito, pensou que fosse daquela forma quando ele era aos 6 anos.

— Me dê sua mão. - disse enquanto com a mão esquerda sinalizava para que Todoroki estendesse uma de suas mãos. Meio hesitante e tremendo um pouco, Shouto pousou a palma direita na esquerda de Midoriya sentindo o quão quente estava.

Izuku aproximou a mão direita com a joaninha para que ela saísse dele e fosse explorar outra pele que não fosse sua, mas falhou. O pequeno inseto não dava importância para a mão de Shouto que era descansada acima de alguns dedos do pequeno esverdeado. Insinuando com o indicador para que a joaninha subisse em Todoroki, ela apenas ignorou e traçou o braço de Midoriya, e cada vez mais subia.

— Acho que ela gosta mais de você. - Shouto sorriu com a audácia enorme daquele inseto pequeno. O verdinho sorriu para ele e voltou os olhos para ver até onde sua nova amiga iria, mas assustou-se quando não a enxergava mais e somente sentia cócegas em seu pescoço.

— Shouto! - mexia as mãos freneticamente por causa das cócegas, fazendo uma careta teve a sorte de ouvir seu paciente rir daquela forma de novo. Quis acompanhá-lo, mas estava sendo "explorado". — Está no meu rosto. - disse aflito e elétrico. A joaninha caminhava por suas sardas e por mais que Midoriya o pedisse para tirá-la dali, não tinha vontade. E o pequeno inseto de cor vermelha com bolinhas pretas, parecia não querer soltar Izuku também, como abelha no mel. — Shouto! Tira! - com uma careta que parecia estar sofrendo de tantas cócegas, o bicolor estendeu o polegar em sua direção, logo encostando na maçã do rosto alheio.

Maldita seja a joaninha! Só fez com que os porquês aumentassem e seu coração desse uma batida mais alta novamente. Estava ridiculamente nervoso tendo agora o polegar em cima das sardas que tanto desenhou. Midoriya olhava para ele com os olhos arregalados e ansioso para que o pequeno ser saísse de seu rosto. Felizmente, —ou não— Todoroki afastou o polegar com o inseto em seu dedo. Izuku respirou fundo como se sobrevivesse de algo terrivelmente perigoso. O que não era.

— Achei que iria pra casa com ela. - disse ofegantemente nervoso. Shouto sorria para a joaninha em sua mão agora, e o menor notou o quanto os dois combinavam. — Ela combina mais com você. - tirou o bicolor dos devaneios, o que o fez arquear uma sobrancelha. — Seu cabelo ruivo combina com a cor vermelha dela.

— Ela não queria te soltar, acredito que tenha gostado mais de você.

Observando aqueles dois "interagindo" agora, Midoriya pensava em como Shouto era e como ele era com as pessoas. Mesmo que tenha uma fama bastante suja, as pessoas que o conhecem apenas pela fama suja nunca vão olhar por outro lado e imaginar que Shouto pode ser alguém tão inocente quando uma joaninha. Temos o simples exemplo daquele inseto que não queria sair de maneira alguma de Midoriya. Izuku queria que ela fosse para Todoroki, mas a mesma não quis, como se ela soubesse da "fama suja". Aquilo o entristeceu, pois Izuku sabe que Shouto não é alguém ruim, por isso fez com que o inseto conhecesse o bicolor como estava fazendo consigo. De tanto empurrar o inseto para o homem heterocromático, obviamente a joaninha pensou "está bem! Vou lhe dar uma única chance!", e aquela única chance tornou-se banal. A joaninha —supôs Izuku ao notar que ela perambulava pelo antebraço de Todoroki— havia conhecido Shouto verdadeiramente, e que seu lado sujo era só mais algo que as pessoas rotulavam como muitos outros defeitos das pessoas. Diante daquela observação, Midoriya sorriu.

— Quem dera se todos fossem como ela. - Shouto pensou alto.

— Verdade. O mais curioso é que por ser um símbolo da sorte, ela vive apenas 180 dias enquanto alguns objetos que simbolizam a mesma coisa, duram milhares de anos. - o bicolor não queria acreditar naquilo, era tão belo que queria ser algum mago para transformá-la em eterna. Mas nada era eterno, até onde sabia.

— Midoriya. - o menor o encarou. —  Cafés não incham os olhos, mas acho que chorar sim. - Izuku entreabriu os lábios. Shouto lhe encarava sério. — Não pode mentir para um mentiroso. - sentia-se encurralado, quando Shouto se tornou tão observador? Se fechasse os olhos, podia jurar que era Hitoshi ali e não Todoroki. Sorriu sem graça.

— Tem razão. Não posso. Não quando eu sei muito sobre você e você nada sobre mim. É bastante injusto.- ambos levantaram-se tirando a pouca sujeira das calças. Midoriya olhou naqueles olhos que procuravam entender o que acontecia dentro de si, mas não queria que Shouto se sentisse daquela mesma maneira que ele. Era doloroso demais. — Desculpe-me por não ter vestido o jaleco hoje.

— Eu não me importei. - o esverdeado sorriu.

— E assim como a joaninha, eu não me importo de ficar perto de você mesmo sabendo de tudo. - outra batida alta. — Eu tenho que ir.

O sol que não era visto de seu quarto, havia aquecido seu corpo naqueles minutos ali sentado em frente àquele homem. Agora em pé, a temperatura solar estava impregnada em sua pele, mas estranhamente, estava arrepiado. Estava tonto e perdido olhando Midoriya caminhando para a porta e o guarda retornando para algemá-lo.

Agora tinha certeza que era louco. Havia cometido vários crimes, e se não fosse por ele, nunca teria conhecido sobre quantos dias vive uma joaninha e nem mesmo sobre Midoriya. Ou somente sobre Midoriya.


Notas Finais


E aí, galeros? Curtiram a Joana? ashushuas eu achei muito bonitinho, aliás, a cada consulta Midoriya se aproxima mais de Shouto, né. E eu não sei se eu to indo devagar demais... eu pelo menos acho isso, perdão. Espero que tenham gostado e não bebam muito café... deixa os olhos "inchados" UHHSHSA *olha a lixo falando*

Beijinhos,
Hurt//RealPlisetsky.


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