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História Letters to Sherlock Holmes; - Capítulo 1


Escrita por: QueenofNarnia_

Capítulo 1 - Clair de Lune;


Agatha Hudson era uma garota gentil, doce e levava alegria por onde ela passava, até mesmo no conturbado apartamento 221B. Apesar de ser desastrada e sempre estar causando problemas, ela adorava ajudar as pessoas.

Sua tia Hudson adotara a garota quando ela tinha apenas dez anos, a mãe veio a falecer em um acidente de carro e o pai morava em Nova York e nunca manteve contato com Agatha.

Como lembrança de sua amada mãe, Agatha herdará seu piano. Apesar do minúsculo apartamento, a Sra. Hudson moveu alguns de seus móveis para o porão e Agatha passava todas suas manhãs tocando, sua tia ficava no sofá ao lado com sua costumeira xícara de chá, até que um som de violino era ouvido no apartamento de cima, e aos poucos a melodia sincronizava perfeitamente.

Já era um costume para os dois, ela começava com o piano e ele acompanhava com o violino.

Aos seus vinte e três anos, Agatha não sabia o que queria fazer da vida, nunca teve uma ambição, só que amava tocar piano. Trabalhava em um café a alguns quarteirões de seu apartamento, começara a juntar dinheiro na esperança de um dia ir embora para Nova York. Agatha queria viver sua própria vida, conhecer pessoas, talvez até tentar um teste na Julliard.

Suspirou e largou sua caneta tinteiro, não se considerava uma ótima pianista, sua mãe começou a lhe ensinar com apenas cinco anos de idade e depois que se mudou para o apartamento da tia, continuou com aulas particulares. Às vezes compunha algumas músicas, mas depois acabava jogando todas fora por acha-las péssimas.

Agatha nem percebeu que estava chorando até ver as manchas borrando sua escrita no papel de carta. Sentia muita falta da mãe, porém amava sua tia Hudson, e todas os dias agradecia a senhora por tudo o que ela estava fazendo.

Olhando para o relógio, a garota limpou as lágrimas, juntou rapidamente seus papéis e jogou tudo dentro de uma pequena caixa. Correu para o quarto, colocou suas roupas comuns e com uma última olhada no espelho ela partiu.

         ~~~~~

Com uma caixa grande nos braços Sra. Hudson subia as escadas em direção ao apartamento do famoso detetive Sherlock Holmes. O homem encontrava-se em sua poltrona perdido em seus pensamentos, assim como ela imaginou que o encontraria.

—Você não consegue deixar mesmo esse apartamento limpo, não é? —perguntou a senhora. Sem esperar por uma resposta, ela caminhou até a mesa da cozinha e colocou a caixa no meio da bagunça de equipamentos de laboratório.

—Eu não sou sua empregada Sherlock, então coloque todas suas coisas velhas aqui, que depois eu buscarei. —Sra. Hudson caminhou até a porta e virou-se antes de sair —Diga o mesmo para o John.

Enquanto observava a senhoria ir embora o detetive pegou seu violino e foi para seu lugar habitual em frente a janela. Fazia semanas que não aparecia um caso interessante e o homem já estava entediado.

Depois de algumas horas tocando, Sherlock largou o violino e caminhou até a cozinha para preparar seu chá da tarde. Uma chuva forte caia do lado de fora, e o detetive deduziu que John estaria em casa daqui a vinte minutos se pegasse um táxi.

Procurando sua caneca habitual de chá, o homem se deparou com a caixa da Sra. Hudson. Havia um conjunto de chá quebrado, alguns papéis velhos de recibo e uma pequena caixa com manchas de tinta nas laterais, estava um pouco amassada indicando que a pessoa pegava com frequência e pela camada de poeira por baixo, Sherlock deduziu que a pessoa guardava debaixo da cama.

Isso só podia significar que a pessoa não queria que ninguém visse o conteúdo daquela caixa.

Esquecendo completamente o chá, Sherlock pegou a caixa e com passos firmes ele caminhou até sua poltrona.

Cartas.

Isso explicava as manchas de tinta.

Todas estavam dobradas perfeitamente, a caligrafia era delicada e impecável, os papéis tinham um leve aroma adocicado de perfume, o que indicava que as cartas foram escritas por uma mulher.

O que deixou o detetive intrigado era que as cartas eram direcionadas para ele.

Querido Sherlock,

Foi amor à primeira vista, me apaixonei completamente e de forma irreversível por você. No momento que te vi, soube que minha vida nunca seria mesma.

Sherlock leu novamente, como se não acreditasse nas palavras escritas. Nunca passou pela sua cabeça que a sobrinha de sua senhoria era apaixonada por ele, achava que era um comportamento normal quando lhe perguntava algo e ela olhava para o outro lado da sala, mas as pessoas tinham comportamento estranhos certo? Ele odiava lidar com as emoções das pessoas.


Querido Sherlock,

Você já amou alguém ao ponto de não conseguir respirar quando ela não está por perto?


Querido Sherlock,

Eu te amo.


Querido Sherlock,

Eu queria que você olhasse para mim, do jeito que olha para ela.

Ela é perfeita para você.

Ela é perfeita como mulher.

Mesmo sem ter um nome, Sherlock soube a quem Agatha se referia. Irene Adler. As duas eram o oposto uma da outra, apesar da atração, o detetive nunca se envolvera com a mulher e nem sabia onde ela estava.


Querido Sherlock,

Eu realmente queria que você estivesse aqui comigo.


Querido Sherlock,

Eu odeio amar você.


Outras cartas foram escritas às pressas o que tornava impossível de ler, algumas com manchas de lágrimas e alguns poemas íntimos.

Sherlock suspirou e com as cartas todas de volta na caixa, ele a largou no chão e caminhou até a janela. A chuva diminuíra e os últimos raios de sol entravam pela janela.

Um barulho na porta da frente indicou que alguém acabara de entrar, Sherlock sabia que não era John.

Agatha subiu as escadas deixando um rastro de água por onde passava, atravessou a porta segurando firmemente uma bandeja com dois copos de café.

—John está aqui? —a garota perguntou tremendo de frio. Sherlock virou-se e a encontrou com o cabelo encharcado e as meias ensopando o chão de madeira. Quando ele não disse nada ela acrescentou:

—Eu prometi a ele um Macchiatto e bom... Eu não sabia do que você gostava, então eu trouxe o mesmo —Agatha caminhou até a mesa de centro e depositou a bandeja, os copos com leves respingos de água.

—Clair De Lune —Sherlock disse e a garota piscou confusa.

—Era o que você estava tocando de manhã —ele acrescentou.

—Sim! —Agatha exclamou e balançou a cabeça sorrindo, seu rosto começando a ruborizar.

—Era a favorita da minha mãe —sorriu melancólica e Sherlock notou que ela tinha uma covinha do lado direito.

Por que ele começou a reparar nesses detalhes agora?

Então seu sorriso se foi, o rosto ficou sério e agora ela encarava o chão, onde a caixa estava, com suas cartas pessoais, suas declarações de amor, nunca lidas por outra pessoa além dela, e agora as cartas estavam ali no último lugar que deveria estar.

—Eu...Você...Como? —Agatha não conseguia pronunciar as palavras. O pânico a invadiu, ninguém sabia de sua paixão por Sherlock Holmes, e agora as cartas estavam ali no chão de seu apartamento, e era óbvio que ele lera, porque o homem tinha uma expressão séria no rosto, como se estivesse esperando que ela se explicasse.

E foi então que ela lembrou, não guardou a caixa quando saiu e a única explicação era que sua tia a trouxera para cá por engano.

—Você leu? —sua voz saiu um sussurro e se Sherlock não estivesse perto ele provavelmente não teria escutado.

Quando ele se aproximou?

O detetive assentiu e Agatha atravessou a sala em direção a caixa, ela tremia tanto que quando foi pegar a caixa acabou derrubando todas as cartas, o que a fez agarrar alguns dos papéis e abraçar contra o peito, o papel agora encharcando por causa da roupa molhada.

Não ia fazer sentido mentir sobre isso, ele leu e agora sabia sobre seus sentimentos.

Quando Agatha olhou para Sherlock, seus olhos estavam vermelhos e seu rosto banhado de lágrimas.

—Tudo o que você leu é verdade. Eu te amo, Sherlock —a garota caminhou até estar de frente para o homem que amava. Sherlock estendeu a mão e acariciou sua bochecha, fechando os olhos ela inclinou-se ao toque, sempre se perguntou como seria ser tocada por ele.

—Eu sinto muito —Sherlock sussurrou.

Agatha abriu os olhos e eles estavam escuros de raiva ou tristeza? O detetive não soube dizer, porque ela se afastou como se tivesse levado um tapa.

—Eu sei. Eu sempre soube —e com essas últimas palavras, Agatha deixou as cartas desabarem no chão e saiu correndo de seu apartamento.

Sra. Hudson a encontrou chorando em sua sala de estar. Depois de ajudá-la a tomar um banho quente e preparar uma xícara de chá com a ajuda de John, Agatha caíra em um sono profundo. Antes de sair, o médico deixou o medicamento com a senhora caso ela precisasse colocar outra vez no chá.

Se passaram semanas e todas as manhãs eram em total silêncio, sem o habitual som do piano acompanhado pelo violino. E Sherlock gostaria que as coisas tivessem sido diferentes.


Notas Finais


Desculpe pelos erros :)


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