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História Letters to the Stars - Noart e Beauany - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 7.


Noah fechou a caixa e a pegou nas duas mãos.

– Vamos? - olhou ao redor como se preocupasse algo.

– Para onde? - olhei ao redor também.Ele estava sem camisa e eu com aquele grande moletom, me parecia um pouco injusto no frio em que estávamos.

– Preciso que você venha comigo. - ele se aproximou.

– Para onde? - reforcei já que ele não havia respondido a primeira pergunta.

– Vamos para minha casa. - ouvir essas palavras me fizeram tremer e ao mesmo tempo ficar em dúvida. Eu nem ao menos o conhecia, por que iria para sua casa?

– Você está brincando comigo, não é? - eu disse sorrindo ironicamente. A audácia de Noah me deixava irritada.

– Sina, - ele ficou sério, parado em minha frente, com a caixa nas mãos. – Eu só tenho dois braços. Quero levar esses filhotes mas não posso deixar Jake aqui.

– E quem garante que você não vai me sequestrar ou algo do gênero? - cerrei os olhos.

– É sério? - ele sorriu. – Eu que deveria estar com medo de levar você até lá.

– Medo de mim?

– É! Foi você quem apareceu no karaokê do meu pai, sabia meu nome, aonde eu tinha estudado...

– Tá! - interrompi quando percebi que ele estava certo. Odiava estar errada e com Noah isso parecia acontecer com frequência. – Eu vou com você.

Noah foi na frente e fui seguindo atrás, segurando Jake. As ruas estavam vazias, íamos escorados nas casas e lojas em busca de lugares que nos protegesse da chuva, mesmo que por um momento. Fomos em silêncio e, diferente do que era com Any, não falar nada me parecia um pouco constrangedor.

Ele morava bem perto do parque, o que me surpreendeu pois pensei que deveria ser mais próximo ao karaokê, que ficava a uns 10 minutos daqui. Era uma casa grande e branca, não parecia tão elaborada mas nada muito simples.

– Entra, por favor. - ele disse abrindo a porta. – Você não pode ir para sua casa assim.

– Certo... - não pensei, como de costume, e apenas entrei. A primeira coisa que vi foi ao lado direito uma sala de estar com acesso a uma cozinha americana e ao lado esquerdo, um pouco mais a frente, um corredor que provavelmente levaria aos outros cômodos da casa.

– Traz o Jake aqui. - ele andou em direção ao corredor e eu fui atrás. Ele entrou em um cômodo, e eu entrei atrás. Era um grande quarto, com uma grande cama no centro, tinham três telescópios diferentes, um violão encostado em uma caixa de som, as paredes eram um tom de azul escuro que tornava mais interessante. Tinha uma escrivaninha com diversos livros em cima e fotos de galaxia impressas e coladas na parede enquanto em outra, tinham várias medalhas e certificados estudantis e, em outra, somente uma porta que provavelmente dava acesso ao banheiro. Ele abaixou a caixa no chão e sinalizou que esperasse segurando o Jake, saiu do quarto fechou a porta. Aproveitando que ele saiu, me aproximei dos certificados que estavam na parede a frente e comecei a ler. O primeiro me fez sorrir, era tão óbvio e estava intitulado: "Melhor projeto na feira de ciências 2009 - Sistema Solar."
Quando ia analisar o segundo, ele apareceu  no quarto e eu me virei automaticamente para olha-lo, estava com um secador vermelho e um preto nas mãos.

– Você pode me ajudar? - ele levantou os secadores como duas armas apontadas para mim, abri um sorriso.

– Vou pensar no seu caso. - fui andando reto em sua direção, que ainda estava parado na porta, ao lado da escrivaninha.

– Nossa mas você não deixa de ser chata nem por um minuto, não é? - ele abaixou as "armas", andou para perto da cama e sentou no chão, entre a cama e a escrivaninha. – Traz Jake aqui, vamos  seca-lo.

– Chato é você! - me sentei em sua frente, apenas com Jake no meio de nós dois, ligamos os secadores e por mais que tentássemos conversar, não ouvíamos nada. Secamos seus pelos até ficarem completamente secos e levantamos, enquanto Jake continuou deitado, provavelmente dormindo. Andei em direção a caixa que estava no chão, me abaixei e analisei os cachorros, eles não estavam tão molhados pois não tinham pelos, estavam dormindo tranquilamente embrulhados por nossas camisas. Eram lindos, tinham dois que eram totalmente pretos, um totalmente branco e o resto eram pretos e brancos. – O que vamos fazer com eles?

– Pensei em levá-los para adoção no abrigo aqui próximo amanhã de manhã. - ele disse me entregando uma toalha que eu não sei de onde havia surgido. – Tome banho no banheiro do meu quarto. Deixe suas roupas lá.

– Eu não tenho roupa para vestir. - me levantei, ele estava ainda sem camisa, apenas com outra toalha pendurada no ombro.

– Vou tomar banho lá fora e quando sair lhe trago uma roupa. - ele apontou para a porta do banheiro do seu quarto, fui até lá. Durante o banho, achei patético ao mesmo tempo em que achei fofo o sabonete ser em formato de estrela amarela. Sempre pensei que ir até a casa de alguém simula uma intimidade gigante ente duas pessoas, por isso me pareceu tão estranho vir até aqui. Mas estou me sentindo confortável com Noah, de certa forma que não achei que estaria e acabei me surpreendendo. Vejo nele algo que é raro, é repleto de inteligência e confiança. Saí do banho, coloquei apenas a calcinha e deixei a roupa molhada separada. Me embrulhei na toalha e estava prestes a sair do banheiro até que lembrei: a carta! Peguei a calça rapidamente e, quando achei o papel, estava totalmente molhado, alguns pedaços já estavam rasgados e algumas palavras impossíveis de ler. Algo me atingiu no estômago, uma chateação que eu não entendia porque estava sentindo se era somente um papel que eu nunca tinha dado importância. Saí do banheiro com todos os pedaços que completavam a carta nas mãos. Noah ainda não estava lá, me sentei na cama para espera-lo mas minha mente começou a me confundir, iria parecer muito folgada sentada ali? Me levantei rapidamente mas me dei conta de que nunca havia me preocupado com isso, então sentei novamente. Mas lembrei que ele não tinha me dado essa liberdade, levantei novamente, mas afinal, qual é o problema de apenas me sentar em uma cama?

– Noah, você já terminou de usar... - ouvi uma voz femenina dizer na porta enquanto estava a caminho de me sentar novamente, levantei em um pulo de susto, agora segurando a toalha com uma mão enquanto a outra segurava os fragmentos da carta. A moça era linda, com traços joviais, vestia um pijama e tinha os cabelos castanhos, pareceu assustada ao me ver. Ficamos uns segundos caladas nos olhando com os olhos arregalados. – Desculpa...

– Eh... - senti meu rosto corar e meu coração acelerar. Não sou de ficar intimidada, não sabia o que estava acontecendo comigo. Fui uma pessoa sempre extrovertida mas desde o momento em que estava com Noah no parque senti essa timidez que era até então desconhecida. Não queria admitir a mim mesma e acabava descontando de maneira grosseira nele, mas agora eu nunca tinha visto essa moça e não poderia reagir da mesma forma. – Desculpa.

– Você está... - ela engoliu o seco. – Aqui com o Noah?

– Sim. - disse impulsivamente e logo deduzi que talvez ela estivesse pensando outra coisa, afinal, você encontra uma mulher de toalha no quarto de um homem, pensaria o que? E eu nem ao menos sabia quem era ela, poderia ser namorada dele e eu estar atrapalhando. – Quer dizer, não. Na verdade vim com ele. Estava chovendo e estávamos no parque, viemos para cá.

– Certo... - ela estava escorada na parede da porta e me fitando, até que abriu um sorriso e me deixou extremamente confusa. – Desculpa o susto, nunca vi Noah trazer alguma garota aqui.

– Tudo bem... - sorri também, mas ainda intimidada e segurando a toalha.

– Você não acha ele esquisito? - ela disse sorrindo e sussurrando, não entendi mas sorri junto. – Sei lá, três telescópios?

– Linsey? Mas... - Noah disse entrando no quarto, já estava de banho tomado com um moletom branco e uma calça. Ele interrompeu irritado. – Mas o que você está fazendo aqui?

– Conversando com minha amiga. - ela piscou para mim. – Não sabia que tinha visita, maninho. Desculpa.

– Você não perturbou ela, não é? - ele estava parado na sua frente e parecia irritado.

– Não, Noah. - sorri e respondi por ela. Via que era uma garota divertida e gostei do jeito dela.

– Onde está meu secador? - ela olhou ao redor, ele pegou o secador preto e a entregou. Ela mandou um beijo no ar para mim e saiu do quarto.

– É a minha irmã, consegue ser bem chata quando quer. - ele fechou a porta e eu senti meu coração acelerar novamente, por que havia fechado a porta? Engoli o seco.

– Olha o que aconteceu. - ele veio em minha direção e eu estendi a mão com os pedaços da carta para que ele não se aproximasse tanto. Ainda estava somente de toalha e isso me deixava constrangida.

– Trouxe essas roupas. São minhas, mas acho que dá em você. - ele me entregou e eu lhe dei os fragmentos da carta, fui direto ao banheiro sem esperar que ele visse o que eram aqueles papéis. Me troquei e no espelho dali pude ver que estava com uma calça moletom branca que me caiu perfeitamente, mas a camisa que usava era aparentemente de uma banda, larga e grande demais, o que era favorável já que estava sem sutiã. Não podia reclamar de nada, ao menos estava seca. Meu cabelo ainda estava molhado e eu apenas o arrumei com os dedos. Saí do banheiro e vi Noah sentado na cama, ele me olhou rapidamente e segurou o riso.

– Camisa de banda? - revirei os olhos e fui em sua direção.

– Respeita meu Time Impala, certo? - ele soltou o riso que segurava.

– Nunca ouvi falar. - dei ombros e me sentei na cama um pouco distante, ele ficou paralisado me encarando e eu já estava começando a ficar assustada. – O que foi?

– Não acredito que você disse isso. - ele continuava sério me encarando. – Que tipo de pessoa nunca ouviu Time Impala?

– Não sou muito ligada em música, - sorri de alívio por não ser algo mais sério. – foi mal.

– Você vai escutar agora! - ele se levantou e pegou o celular, conectou na caixa de som que estava ao lado do violão e colocou a música The Less I Know The Better. O som ficou alto, ocupou todo o espaço e ele começou a dançar na minha frente e cantar a música de olhos fechados. A chuva continuava caindo mas seu barulho era imperceptível, já que a trilha sonora cobria. Comecei a rir ao vê-lo dançar totalmente desajeitado, Jake acordou e começou a pular em Noah que logo pegou o cachorro no colo para dançar. A música tinha realmente uma vibe boa demais e eu não conseguia desfazer o sorriso que já estava instaurado em meu rosto. Noah deixou Jake novamente no chão.

Oh, my love... - ele repetiu a letra da música e estendeu a mão me chamando para dançar com ele. Neguei com a cabeça mas ele buscou minha mão e me levantou a força puxando, o impulso da puxada me levou próximo ao seu corpo. Era possível sentir o cheiro da sua pele exalando um banho recém tomado. Ele se abaixou para perto do meu rosto, gelei e fiquei imóvel. Mas foi em direção a minha orelha e sussurrou: – Só fecha os olhos, sente a música e dança.

Ele se afastou e eu fechei os olhos, não sei o que aconteceu para frente mas meu corpo começou a se mover sozinho ao som da música. Era tão tranquilo estar ali e me sentir viva. Meu corpo se exitou como se pudesse sentir as vibrações sonoras passando por ele. Minha mente automaticamente associou todo o prazer daquele momento ao Noah, sabia que não me sentiria tão confortável assim se não fosse ele que estivesse ali. Criamos uma sintonia que chegava a me parecer incompreensível a forma que tinha sido tudo tão natural. Abri os olhos, vi ele ainda dançando e sorrindo de olhos fechados, precisava guardar uma lembrança daquele momento e fiquei o encarando com outro sorriso no rosto. Forcei minha mente a gravar aquela cena, daquele garoto tão simples e que eu mal conhecia. Às vezes nós esquecemos como pequenos momentos podem nos fazer sentir mais vivos. Fiquei ali dançando e o olhando até que ele abriu os olhos e quando percebeu que eu o encarava veio em minha direção cantando, segurou minha mão e começamos a dançar de mãos dadas. Sua mão transmitiu uma energia que fez meus olhos brilharem e todo aquele momento conseguiu ficar ainda melhor.
Até que a música chegou ao fim e nós dois começamos a gargalhar quase involuntariamente enquanto nos olhavamos. Soltamos as mãos e ele me segurou pela cintura, se jogou na cama e me fez cair por cima dele enquanto ainda riamos. A sensação que estava naquele quarto era incomum para mim, sentia uma liberdade tão confortável que parecia estar leve. Quando percebi que estava por cima dele, me joguei para o lado, ambos estavamos olhando para o teto com a respiração ofegante e agora o ambiente estava em um silêncio que era cortado apenas pelo som da chuva lá fora.

– Pode falar. - ele virou a cabeça em minha direção, ainda com o corpo deitado.

– Tudo bem. - virei a cabeça em sua direção também, agora nossos rostos estavam frente a frente. – Time Impala é bom demais. Eu nunca imaginei.

– Eu tenho bom gosto, não é? - ele deu uma piscadinha e levantou o tronco, colocou a parte superior do seu corpo bem rente ao meu e seu rosto ocupou o espaço que eu olhava no teto, ter uma visão assim me fez acelerar. Era como se eu visse ele de baixo e ele me visse de cima, seu sorriso de perto conseguia ser mais bonito ainda. Os cachos do cabelo estavam pendurados e eu senti uma estranha vontade de puxá-lo para mais perto.

– Sim, meus parabéns. – falei baixo um tanto constrangida com aquele momento. Não sabia o que acontecia ali, meu corpo estava tremendo então me esquivei e levantei da cama, ele se jogou novamente e deitou, sozinho agora. Olhei ao redor procurando algo para falar e cortar o silêncio, vi o celular de Noah em cima da caixa de som, lembrei que não havia trazido o meu e tinha uma boa idéia para pergunta. – Que horas são?

– Sei lá... - ele levantou e andou em direção ao celular. – 17:35.

– O que? - Lembrei que tinha dito ao meu pai que estaria em casa antes das 18 horas. – Droga! Eu preciso ir para casa!

– Você vai nessa chuva? - ele me encarou enquanto eu andava de um lado para o outro nervosa. – O que está acontecendo?

– Vou na chuva, tanto faz. - cacei meu tênis e os coloquei rapidamente. Lembrei que estava esquecendo mais alguma coisa. – Onde estão minhas roupas?

– Deixe aqui, irei te entregar depois... Ei! - ele puxou meu braço enquanto eu andava incansavelmente, me fazendo parar e lhe olhar. – O que está acontecendo?

– Eu preciso ir para casa, prometi ao meu pai que estaria lá antes das 18 horas e não quero desaponta-lo.

– Não vou deixar você ir na chuva, sinto muito. - estava prestes a explodir e soltar diversos palavrões quando ele continuou. – Eu tenho a solução.



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