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História Levante-me - Capítulo 6


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Notas do Autor


→capítulo contendo uso de drogas, autoagressão e linguagem imprópria.

Capítulo 6 - Cap. V: dezoito.



Passos rumo a progresso são tomados, mas em seguida regredimos novamente

arrastados pela força de alguma maré interior em grande altitude com a bandeira desfraldada

alcançamos às rarefeitas alturas daquele mundo tão sonhado.

—high hopes por Pink Floyd.

 

Assim que as luzes do carro se distanciaram Jimin olhou ao redor enquanto apertava o colar de pedra em seu pescoço e logo mirou o céu e cada luz dos postes que iluminava aquela vizinhança que pela primeira vez parecia silenciosa e se permitiu sorrir. Ainda estava chapado, era certo, contudo havia um sentimento de euforia que parecia ter se colado em seu peito por motivos que ele desconhecia; era como se de repente tudo estivesse certo e depois de tanto tempo (fora dos palcos) tudo estivesse em paz.

O vento assanhava seus cabelos e o mundo ao redor ainda parecia lento, mas o sentimento árduo do viver e era tão intenso que parecia querer sair de dentro de si. Ele fez uma pequena retrospectiva sobre todo o seu dia enquanto entrava em casa com as mãos nos bolso do sobretudo do Jungkook e durante o trajeto calmo até seu quarto ele se pegou sorrindo algumas vezes sozinho por longos segundos porque simplesmente não sabia que um dia junto a família e amigos podiam causar aquela sensação tão boa.

Lembrou do Jeon quando já estava deitado na cama e retirou o casaco do mesmo, o pondo em um cabide atrás da porta e acabou sorrindo outra vez olhando a vestimenta.

‘’você é bonito’’, acabou tendo a vaga lembrança que o disse isso quando estavam na praia.

É, ele era muito bonito mesmo, concluiu ainda sorrindo besta. O sorriso dele era a melhor parte, o lembrava um coelho e quanto mais pensava sobre essa semelhança mais seu sorriso se tornava gigante. Olhou mais uma vez o colar de pedra em seu pescoço e acabou respondendo em sua mente a todo aquele discurso que o mais velho o fez antes de entregar o presente (esse que sequer ele sequer soube o que responder na hora):

‘’Não Jungkook, eu não vou tirá-lo nunca mais e o guardarei, com todo carinho do mundo.’’

Sua gata esfregou seus pelos no pescoço de seu dono e acabou cortando todo seu pensamento sobre o Jeon, mas ele acabou soltando uma gargalhada já que sentiu cócegas.

—'Ta com ciúmes porque estou pensando no Jungkook, fumaça? Não sabia que gostava tanto assim de mim, mas... Acho que você vai ter que me dividir com ele um pouquinho. —Fez bico. —Só um pouquinho... Ele me prometeu um jantar de aniversário, disse que o próprio se encarregaria de fazer. Ele é fofo, não acha? É lindo. As atitudes dele, claro. Fez questão de me presentear, fez até discurso. Foi... Belo. Como ele, trajado naquele sobretudo.  Tem até o cheiro de amaciente nele...

Acariciou o pescoço da bichana e suspirou, deixando seus pensamentos distantes rolarem soltos.

Poucos minutos, depois ouviu alguém batendo na porta de seu quarto e no mesmo instante pediu para que entrasse, fosse quem fosse.

—Estou atrapalhando? —Era seu padrasto.

Fez que não.

—Bom, chegou isso para você e sua mãe pediu para que eu te entregasse.

Pegou o que lhe era oferecido e assim que analisou o endereço sentiu seu coração falhar algumas batidas e suas mãos automaticamente ficaram trêmulas. Puxou o ar com dificuldade e seus olhos, agora quase vinte cinco por cento mais dilatados que o normal, cintilaram em satisfação e por fim se permitiu rasgar o envelope com tudo lendo os seguintes dizeres:

 

 

 Seis de outubro, 1995.

Meu querido neto,

 

Já faz alguns meses desde a última vez que nos falamos por carta e eu gostaria de pedir perdão por tudo isso e lembrá-lo que apesar do tempo, eu nunca o esqueci: quando você era menor costumava dizer que eu havia o esquecido quando eu não mandava uma carta. Mas, afastando todo esse pensamento do passado, hoje é o seu 18º aniversário (tratei devidamente de pedir com antecedência para minha filha apenas entregar essa carta no dia de hoje), é um dia muito especial tanto para mim quanto para sua avó, não esquecendo também de sua primogênita. Na última vez que conversamos você me disse que estava mal com tudo o que estava acontecendo ao seu redor e eu o incentivei a voltar a fazer o que você mais adora: ler. Você seguiu o meu conselho?

Jimin, eu sei o quanto é difícil lembrar-se de tudo sem chorar. Eu sei o quanto minha filha significa para você e sei o quanto você sente falta de todo o carinho (como antes) e eu apenas espero que depois que seu padrasto apareceu na vida de vocês ela tenha aberto os olhos sobre todo o mal que te causou mesmo indiretamente porque você sabe que eu acredito no que as pessoas podem se tornar (no caso de sua mãe, voltar a ser) quando estão apaixonadas e você já acreditou nisso também com tanta certeza quanto aquele chá que você sempre tomava no final da tarde feito por ela mesma. Desde que você tem seus treze anos suas cartas começaram a transparecer um sentimento de angústia e inconformidade com tudo o que estava vindo à tona sobre o passado e parece que foi nesse momento também que tudo começou a se desestabilizar e eu disse muitas vezes que lutaríamos juntos, no entanto hoje eu percebo que minhas palavras apesar de sinceras nunca poderão limpar suas lágrimas e apagar tudo o que te foi tirado de modo tão cruel, mas eu continuarei dizendo que quero que você seja feliz e tudo daqui para frente seja maravilhoso na sua vida, você é muito forte por estar lutando contra tudo.

 Eu queria pedir para que você viesse nos visitar nas férias juntamente a sua mãe, entretanto, eu sei que o ar frio nunca lhe fez bem, apesar de você sempre ter o interesse de fazer anjos de neve como fazia quando era um garotinho, então no final do ano talvez eu passe aí principalmente porque minha filha tem me mandado cartas e uma delas dizia sobre a competição de dança e sobre você ser o solista e eu quero ver tudo isso pessoalmente, te abraçar e lembrar de todas as coisas boas que passamos quando você era garotinho, talvez criar novas memórias.

Sua mãe também contou sobre você ter ido comemorar o seu solo almoçando sozinho em um restaurante e isso me tocou profundamente, queria que de um modo positivo porque mesmo que eu saiba que você insiste em dizer que nasceu sozinho e quando morrer será o único no caixão além dos bichos que ‘’farão um favor de comer seus restos’’, eu quero pedir para que você aproveite tudo a sua volta ao máximo porque você sabe o quanto eu acho a vida bela e você pode achar também se procurar com um pouco mais de atenção.

Os amigos nem sempre nos fazem feliz, eu sei, mas são as únicas pessoas que podem nos ajudar a lidar a lidar com tudo isso e eu realmente acho que você precise valorizá-los um pouco mais. Não são pessoas ruins e quanto mais rápido você perceber que nem todo o mundo vai pensar nas coisas com a sua mente, mais rápido você aprenderá a valorizá-los.

Não desista deles e acima de tudo:

Não desista de si mesmo.

 

Sinto sua falta.

 

—Patt.

 

Assim que terminou a leitura, se abanou com as mãos e tratou de limpar a lágrimas de seu queixo e logo sorriu sem graça; seu padrasto ainda estava ali e viu todas suas reações ao ler a carta e com um sorriso no rosto. Isso o assustava.

—Feliz aniversário, Jimin —Disse apertando seu ombro. —Sei que não nos falamos muito e que ainda é seu segundo aniversário ao meu lado, mas ainda assim gostaria de dizer que pode contar comigo para tudo porque mesmo você sendo essa pessoa que gosta de desafiar sua mãe na maioria das vezes eu percebo que ainda assim você sente a falta dela e eu entendo seu lado, sem dúvida e enfim... Comprei um pequeno presente para você.

Saiu do quarto e voltou com um embrulho. Pelo formato ele teve certeza que era um livro e ao abrir sua certeza foi por água abaixo.

—Talvez você preferisse um livro, mas eu sinceramente não sei que gênero você gosta, você mal conversa conosco aqui dentro de casa sobre suas preferências então decidi que um HQ seria-

Parou ao sentir o abraço sincero de Jimin o envolver. De início ficou parado, sabia que ele não gostava muito desse tipo de coisa e logo depois sorriu e abraçou também enquanto observava o seu presente nas mãos do enteado.

—Isso era tudo o que eu precisava —Disse assim que o soltou. —Obrigado.

—O HQ?

—O abraço.

—x—

No momento que seu padrasto se retirou do cômodo ele checou as horas. Estava parcialmente tarde para alguém que dormia às dez horas, no entanto, queria terminar aquela noite com algo diferente. Encarou o teto por longos minutos com as pernas encostadas na parede para o ar enquanto deixava seus pensamentos correrem livremente e se pegou enrolando seus fios dourados entre os dedos, lembrando assim que precisava de um banho.

Entrou no banheiro sem acender nenhuma lâmpada com seu toca fitas em mãos e o pôs em cima da pia após verificar se estava devidamente enxuta. Estava com bom humor o suficiente para prolongar seu banho por mais vinte minutos fazendo massagem no próprio corpo dando um pouco mais de atenção aos ombros e até onde suas as chegavam em suas costas e assim deixando toda a pressão psicológica do ‘’ter que fazer e fazer bem feito’’ escorrer junto todo suor acumulado, ralo abaixo. Massageou a ponta dos dedos em seu couro cabeludo com xampu infantil e por último ensaboou todo o corpo com seu sabão com formato de florzinha.

Encostou por alguns segundos com os olhos fechados suas mãos no box de vidro enquanto o exerço de água rolava de sua derme e sentiu a vontade de se tocar tomar conta de si de maneira súbita e mordeu os lábios se negando ao contato, quer dizer, em dezessete anos nunca deixou a fase da puberdade dominar seu cérebro a ponto de virar um punheteiro que enfia o pau até dentro de qualquer buraco na parede então por que iria querer se tocar agora? Por que seu corpo parecia estar em combustão implorando para que o fizesse? Seu membro pulsava por atenção e toda vez que ele tentava afastar o pensamento daquilo acabava gemendo de repente, apenas com a lembrança da sensação de estar se tocando.

‘’É a maconha.’’ concluiu simplista e depois de muito repensar voltou a fechar os olhos e deixou o tesão guiar uma de suas mãos por toda extensão de sua mestra enquanto a outra pressionava firme seu mamilo. Nunca havia trabalhado sua palma tão rapidamente quando naquele momento, mas por algum motivo, por mais que relutasse não conseguia cessar sua mão astuta apesar de estar totalmente envergonhado com os gemidos melodiosos que ecoavam pelo banheiro mais alto que  wearing the inside out do Pink Floyd que já estava praticamente esquecida e fazendo apenas o papel perfeito para um pecado tão infantil e mesmo assim tão altamente delicioso; havia esquecido o quão satisfatório poderia ser gerar autoprazer por si só sem precisar de ninguém para fazer o trabalho por ele.

—Ah porra... —Disse em um lamurio entrecortado levando o indicador que brincava com seus mamilos até seus lábios carnudos. Deve ser uma delícia foder enquanto beija, pensou e riu safado, nunca disse que prestava mesmo.

Mordeu a pontinha de seu dedo e por fim o desceu rumo seu pescoço, o apertando não com tanta força e começou a implorar baixinho para o próprio orgasmo vir logo do modo mais avassalador possível pois estava com sono e não queria pensar de modo algum que acabaria caindo de sono no próprio banheiro do quarto enquanto batia uma.

—Por favor... —Implorou desesperado com a garganta seca e a voz falha e com a pressa acabou movimentando seu quadril contra a palma de sua mão fechada tentando simular investidas precisas o suficiente para se parecerem reais, mas algo não parecia estar certo apesar do calor do momento e seu corpo escorrendo suor, era o que pensava quando por fim sentiu a textura quente e espessa do próprio semén, exausto. —Foda-se, nunca mais vou fazer uma loucura assim. —Abriu os olhos devagar, sua visão estava turva e sua cabeça girando e suas pernas formigando, mas aquela foi o melhor jeito de se autocuidar,

Sem dúvida.

Assim que saiu do banheiro se jogou na cama e suspirou. Apesar de estar com sono ainda queria contar ao seu diário sobre tudo o que havia passado aquele dia, o que com certeza não havia sido pouco.

Pegou a caixa de madeira de baixo de sua cama e retirou dali o caderno e o dedilhou cuidadosamente. Havia tanto para contar, por onde começaria?

Ora bolas, pelo começo, claro. Sem pensar mais começou:

 

13 de outubro, domingo.

Querido diário,

 

Hoje é o meu 18º e eu não poderia ligar menos, não, mentira! Quer dizer, toda mentira tem o seu pingo de verdade e sinceramente, essa é a minha. Hoje aconteceu muita coisa, muita coisa, MUitA CoiSA e como eu não tenho nada de melhor para fazer apesar de estar morrendo de sono então por que não contar tudo ao meu amigo mais confidente, que é no caso, você?

Vou começar dizendo que são dez e vinte e cinco da noite agora e Jungkook acabou de ir embora, mas eu chegar nessa parte depois porque como eu falei: aconteceu muita coisa.

 A mamãe me acordou muito cedo hoje, era algo como seis da manhã e ela estava visivelmente cansada de todos os meus joguinhos de eu faltar consulta médica quando e ela vir rebater eu fingir que estou dormindo (quando ela chega do trabalho), ou simplesmente ir embora para o colégio às pressas para que não possamos ter um diálogo decente sobre tudo o que está acontecendo comigo e hoje em específico eu não consegui escapar, ela acabou me forçando a enxergar a verdade e apesar de eu relutar quando o assunto é a minha saúde, ver minha mãe chorando no banheiro e saber que a culpa é unicamente minha machuca bastante. Eu acabei cedendo e na terça depois da aula de balé eu irei a um novo psicólogo porque eu não aguento mais o antigo. Essa foi a minha condição e ela estava tão desesperada e decidida a me ajudar que aceitou de bom grado.

Nossa. Estou parecendo uma pessoa horrível dizendo isso. Desculpa, mamãe!

Depois disso, ela enxugou as lágrimas e fomos até a cozinha e eu fiquei sentado na ilha a observando cortar as frutas para que eu pudesse ter um café da manhã saudável; ela sabe que eu tenho dificuldade para comer certas coisas.

—Dá para você descer daí? A mesa está a menos de dois metros de distância. —Perguntou a mais velha enquanto o entregava os morangos para que o filho colocasse dentro do copo. Ele fez que não, sorrindo. —Vai Chim, é sério.

—A senhora é muito chata! —Protestou fazendo um bico infantil descendo da ilha central e se encaminhando até a mesa, onde puxou uma cadeira e a pôs mais perto da mãe. Queria observar cuidadosamente como ela cortava as frutas porque apesar de sempre tentar, suas comidas nunca ficavam tão gostosas quanto às dela, não importava o quanto tentasse fazer igual. —Estou com saudade de comer aquele misto-quente que a senhora fazia para eu levar para o colégio. E daquela vitamina de morango também.

—Vou comprar mais morangos hoje de tarde e na segunda eu faço a vitamina.

Ele sorriu satisfeito.

Passei um bom quanto tempo ali sem cansar olhando ela cortar as frutas para a salada, mas houve um dado momento que comecei a observar seu rosto sutil e seus olhos vermelhos pelo choro no banheiro e me senti culpado por isso. Ela havia chorado por mim e por isso meu coração passou a bater mais rápido: Eu tive uma vontade enorme de dizer que a amava, as palavras estavam na ponta da minha língua e por algum motivo parecia que estavam presas. Então eu me senti perdidamente angustiado, por que eu não conseguia dizer aquilo a minha própria mãe? Eu sentia que se fizesse, por algum motivo eu iria morrer e um enorme buraco abriria na terra e todo esse pensamento passou a me destruir então novamente meu peito apertou e senti que iria cair em um buraco de cem metros sem fim; fiquei angustiado porque não conseguia dizer que amava minha mãe e nossa, estava doendo tanto.

—E-eu te amo —O peso das palavras que saíram era algo como mãos apertando fortemente o seu pescoço, e a cada segundo que ela passava em silêncio cortando as frutas como se não tivesse ouvido fazia com que sua angústia crescesse de modo incessante, e parecia que a qualquer momento esse sentimento negativo o devoraria vivo.

Ela pegou o leite condensado e pôs em cima das frutas do copo e logo em seguida, pôs o iogurte e o entregou beijando sua bochecha e respondendo o que lhe foi dito poucos segundos antes:

—Estava com saudade de ouvir você me dizendo isso. —Acariciou os cabelos deles com todo cuidado do mundo e pôs um fio atrás de sua orelha. —Eu te amo, Jimin. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Quando eu finalmente consegui falar e ela respondeu, eu achei que tudo ficaria bem novamente, mas não.

Muito pelo contrário.

Ele assentiu com os olhos marejados e correu até o banheiro e se trancou lá, sentando-se no chão atrás da porta e abraçando suas pernas, iniciando quase que automaticamente um choro descontrolado enquanto blasfemava inúmeras vezes.

Era seu décimo oitavo aniversário e ele ainda não conseguia controlar seus sentimentos e isso o destruía de todos os modos possíveis.

Por que estava chorando por algo tão fútil? Por que estava chorando quando deveria, claramente, estar sorrindo?

Querido, você está bem? —Sua mãe bateu na porta e isso foi o suficiente para que ele escolhesse mais. Sentia-se pequeno. —Da para ouvir daqui seus soluços.

Então ele amaldiçoou seus soluços e o maldito fato de estar chorando.

Não sei quanto tempo passei dentro do banheiro em prantos, contudo, toda vez que minha mãe falava qualquer coisa desde ‘’filho, você quer ajuda?’’ ou ‘’eu fiz algo de errado?’’, eu tampava os ouvidos com mais forças, era como se, naquele momento a voz dela fosse fazer com que eu explodisse e novamente não conseguia controlar meus sentimentos e por isso soquei meu punho na parede, várias e várias e várias vezes até que fazem meus dedos dobrarem ficassem vermelhos e pela primeira vez eu senti como se todo o meu corpo fosse sair de mim e foi triste, foi triste, foi muito triste e eu não sei qual palavra mais poderia descrever esse acontecimento. Eu não sabia por que estava tão sensível, só sabia que aquilo roubou um pedaço crucial do meu peito que parecia que nunca mais poderia se regenerar. Só naquela parte da manhã, no banheiro, eu morri milhares e milhares de vezes e por algum motivo no final de tudo senti que algo precisava mudar; e que fosse o mais rápido possível.

Mais tarde, quando eu saí do banheiro, ela e meu padrasto conversavam na sala. Eu fingi que não os vi e corri até meu quarto porque eu não conseguia nem pensar em ir falar com ela nem para me desculpar ou dar uma explicação ou me desculpar pelo o que aconteceu, então apenas me tranquei no cômodo e me joguei na cama com a cabeça borbulhando.

(e infelizmente acabei esquecendo que ela tinha a chave.)

—Ei... Você está melhor? —Questionou assim que entrou no quarto. Jimin levou um susto ao ouvir aquela voz tão perto e tudo piorou momento que sentia as mãos da mais velha tocarem-lhe os cabelos e iniciar um cafuné de um jeito que ela sabia. Ele suspirou em frustração. Não poderia fugir. Não naquele momento.

Não para sempre.

—Mãe... Eu estou tão cansado de tudo, sabe? Ultimamente as menores coisas ou me machucam ou me estressam e é tudo muito intenso, eu não consigo controlar os meus sentimentos, não consigo e eu juro que tento. —Virou em sua direção e abraçou a cintura dela, não queria encará-la. O cafuné em seus cabelos parecia ser a única coisa que o salvava daquele misto de sentimentos nada saudáveis que estava sentindo e apenas esse pequeno ato com as mãos o fez voltar a dormi, antes mesmo de ela ter tempo de falar alguma coisa.

Eu devo ter balbuciado algo para ela antes de cair no sono, sinceramente não lembro (você sabe que se eu me lembrasse contaria), mas tudo o que eu sei foi que quando eu acordei tudo começou a melhorar, quer dizer, eu acordei não, me acordaram!

—Muitas felicidades, todo o mundo, bem alto! —Yoongi gritou enquanto batia o travesseiro na bunda do amigo e todos ao redor continuavam e um brado:

—Muitos anos de vida! É pique, é pique, mais alto!         

Eu ainda sonolento observei todo o escarcéu dentro do meu quarto boquiaberto: 1) quem os deixou entrar? 2) por que eles estavam gritando? 3) é sério que seria a primeira vez desde os meus quatorze anos que eles decidiram gritar ‘’é pique’’ e não ‘’é pica’’? Não estava acreditando.

—Mas que porra ta acontecendo nesse cara... —Parou de falar ao ver sua mãe aparecer bem atrás de Chloe. Todos continuaram:

—É hora! É hora! É hora! Rá! tim! bum! Jimin! Jimin! Jimin! —O bolo nas mãos de Hoseok se aproximou do campo de visão do aniversário e logo o mesmo pediu baixinho o que sempre pedia todos os anos: —Faça um pedido!

Você sabe que eu não acredito nessa história de ‘’se você fizer um pedido antes de apagar as velinhas, esse pedido se tornará realidade até o final do ano, mas só se você e mais ninguém souber’’, contudo, eu ainda sentia que algo precisava mudar e por isso fechei os olhos com força, fiz o pedido e apaguei as velinhas.

P.S.: Não posso contar o meu pedido senão... Você sabe.

‘’Eu quero lembrar a sensação de ser feliz como eu era antes de tudo acontecer.’’

Chloe trouxe a faca e ele cortou o primeiro pedaço de bolo de maracujá e como todos os anos, entregou o primeiro a sua mãe.

—Agora... É o segundo! —Hoseok disse, animado.

—Você vai ter que dar para a pessoa que mais te ajudou esse ano. —Chloe lembrou.

—Mentira, é para a pessoa que você mais gosta —Dessa vez Yoongi.

Na hora de escolher a pessoa que eu deveria dar o segundo pedaço de bolo eu até mencionei você!

—É para eu dar ao meu diário então?

Todos riram, mas ele sabia que até indiretamente havia verdade em sua fala.

—Cada um de vocês têm personalidades diferentes e eu gosto de todos, não posso simplesmente escolher apenas um, mas em compensação eu deixo vocês se servirem livremente.

Todos urraram e naquela emoção de sorrisos e algazarra ele novamente procurou olhos da mãe e quando achou sorriu bobo, era realmente bom vê-la sorrir.

Depois que cada um pegou seu pedaço do bolo ficamos conversando sobre o quão eu estava velho e o quanto parecia que era ontem que eu tinha chegado no novo colégio e ignorei o Hoseok (hoje eu sei que isso foi algo totalmente estúpido de se fazer já que não posso simplesmente tratar todos mal por problemas que ele nem sequer sabia da existência) e bom, aproveitei esse assunto para me desculpar. O Yoongi insistiu para que fôssemos até a casa dele já que era a mais perto para comemorarmos o meu aniversário de modo mais ‘’liberal’’ e eu, ansioso para saber o que significaria o ‘’liberal’’, acabei aceitando já que não sou bobo nem nada.

A garrafa no meio do quarto diminuiu a velocidade gradativamente enquanto os olhos de todos ao redor estavam fixos no objeto. Normalmente, Jimin gostava desse tipo de brincadeira, sempre algo extremamente explosivo (tanto de modo bom ou ruim) acontecia e todos acabavam em altas risadas. Parou em Hoseok e Yoongi e no mesmo momento, Hoseok riu de modo nada inocente.

—Vamos —Chloe disse, sem tirar o sorriso do rosto em momento algum. —Hoseok, faça a pergunta para ele.

Assim ele fez.

—Desafio. —Respondeu sem hesitar e o sorriso de Hoseok dobrou de tamanho. Vendo isso, repensou sua resposta e para a surpresa de todos o amigo um mês mais velho não protestou , mas logo deu o aviso:

—Você estaria fodido nessa de todo jeito.

Jimin bateu nas próprias coxas simulando um tambor, estava sentindo que o circo pegaria fogo.

—Jung Hoseok, repense o que você vai questionar, quer dizer, você sabe que eu te adoro, somos tipo, melhores amigos.

—Você que dá a ideia do jogo e já está se saindo? Eu ainda nem comecei!

—‘Ta, vão logo! —A garota apressou.

—É verdade que você gostou daquela dedada que eu te dei quando tínhamos quinze anos?

Os telespectadores urraram. O ruivo ficou pálido e estático.

—Eu não sabia que você jogava no outro time! —Jimin se fingiu de desentendido, mas só fingiu mesmo já que uma vez tinha visto o amigo beijando um garoto perto da escola e prometeu sigilo sobre o assunto.

—Olha, eu não lembro nada disso e se não lembro não aconteceu. Próxima! —Rodou novamente a garrafa e todos ao redor começaram a rir, mas Jimin parou assim que viu que a garrafa havia parado nele e no Yoongi, e nesse caso, não seria ele quem perguntaria ‘’verdade ou desafio’’.

—Jimin, Jimin... Nossa vez —Riu soprado e logo fez uma expressão pensativa. Queria soltar uma bomba que causasse mais estrago que as de Hiroshima e Nagasaki. —Hoje é seu aniversário, por isso pegarei leve com você, mas responda baby: verdade ou desafio?

Ele respondeu desafio sem hesitar e diferente do próprio Yoongi, não pensava em mudar.

O amigo riu soprado e levantou da roda em direção ao seu guarda-roupa e de lá retirou uma pequena caixa de metal que você usa para organizar moedas. De dentro retirou um cigarro de maconha e para a sorte de Yoongi, Jimin já tinha curiosidade de saber qual o efeito que aquilo tinha já que tanta gente usava como passatempo.

—‘Ta afim?

Pela primeira vez eu por fim experimentei maconha, essa foi meio que a minha consequência no jogo e devo admitir que não faria novamente. No começo, eu puxei pouco, apenas duas vezes e por isso achei que nada mudaria, contudo, menos de três minutos depois os olhares dos meus amigos pousaram sobre mim e eu comecei a rir por nada.

—Bateu? —Hoseok perguntou.

—Bateu o quê? —Tentou conter o riso, mas falhou.

—A brisa. Bateu?

—Não! Eu 'to bem.

E não foi preciso nem mais uma palavra para ele voltar a rir novamente.

É, havia batido.

—Por que eu 'to rindo? E por que 'ta tudo tão... —Olhou ao redor, mas acabou parando a visão na janela por tempo demais. —'Ta tudo tão... Lento.

—Você 'ta chapado, Jimin. É por isso.

O Yoongi que tinha fumado comigo riu também e ficamos rindo de bater palma até o momento que eu deitei no chão e comecei a olhar para o teto com as duas mãos em cima da barriga. Tudo ao redor parecia ter sido desacelerado com a exceção das vozes dos meus amigos conversando, essas pareciam estar rápidas demais, rápidas a ponto de eu não consegui entender. Fiquei brincando com as minhas próprias mãos em frente aos meus olhos enquanto ria que nem um louco simplesmente porque era legal vê-la passando por mim tão lentamente. Os ponteiros do relógio e o pássaro que cantava na janela do Yoongi pareciam ter ganhado total atenção dos meus ouvidos enquanto eu ria comigo mesmo e era legal ouvir meu próprio coração batendo acelerado,

Por um momento tudo parecia tão... Mágico?

—Aí Jimin, a Chloe e o Hoseok decidiram experimentar também, quer mais um pouco?

—Lógico.

Pouco tempo depois estávamos todos na mesma rodinha rindo e conversando sobre os assuntos mais variados e loucos que nem eu mesmo pensei que alguém poderia debater de tão estranhos ou altamente desnecessários, mas naquele momento não ligávamos. Só aproveitávamos o momento e eu acho que essa foi a melhor parte.

—Vocês conversam muitas besteiras, sabiam? —O mais velho se pronunciou sem perder o tom de graça. —Deveríamos conversar sobre algo mais... Interessante.

— Interessante como, hm? —Hoseok perguntou com a sobrancelha arqueada.

—Temos que conversar sobre algo mais Jimin, pô! —Chloe disse como se fosse óbvio. — assim oh: Tipo, como vocês acham que o mundo vai acabar? Porque sério porra, eu não sei se acredito muito nessa teoria de que o sol vai bombardear nossa atmosfera e dividir as moléculas e essas porra, tanto jeito mais interessante do mundo acabar sabe? Ser engolido pelo sol? Poderíamos ser sugados para dentro de sei lá, um vulcão! Isso tudo é tão... Ai, foda-se.

—Eu não duvido dessa teoria porque sei lá, um asteroide já caiu na terra e acabou com toda a vida dos dinossauros então por que algo parecido não poderia acontecer e o sol engolir a terra? Mas acho que sei lá, todas as estrelas vão tipo, colapsar e fazer ‘’CABOOM’’ e todo o mundo vai morrer sabe por quê? Porque o universo é cruel e não podemos confiar nem nele!

—Nossa Jimin — Hoseok riu. —Você não ‘ta bem ultimamente, não é? Achei que a história de não confiar e ignorar as pessoas e essas coisas era algo da sua personalidade impulsiva e tal, mas estou vendo agora que-

—Não sou impulsivo! —Esfregou os olhos e riu mais um pouco. —Tipo, eu só acho que as pessoas são cruéis e prefiro manter distância, sei lá, depois que você descobre certas coisas é melhor manter distância e pá, e olha esse céu porra! Nunca esteve tão mais... Azul? Eu não acredito que fumei maconha! Isso é tão ‘’eu sou rebelde sem causa, eu uso maconha, vou pegar uma metralhadora e tra tra tra!’’

—Na moral Jimin eu nunca mais vou te deixar usar essas coisas, não sabia que sua cabeça era tão complexa e ai... Nossa. Que horas são? —Olhou no relógio, passava das quatro da tarde. —Ah, eu esqueci de te contar Ji, era sua mãe no telefone há uns minutos ela disse que você tinha visita ou algo assim, não sei as palavras que ela usou, mas parece que alguém vai na sua casa.

—Ai porra, eu esqueci totalmente! —Pôs as mãos na testa, começando a entrar em desespero.

Passamos tanto tempo conversando que as horas passaram em um piscar de olhos e já havia passado das quatro da tarde e advinha? Eu havia marcado com o Jungkook! Eu comecei a chorar tipo, muito. Senti que minha mãe iria descobri que eu usei droga e pensaria que eu era uma pessoa ruim por causa disso e tudo começou a rodar na minha cabeça e do nada eu me vi chorando no ombro do Yoongi enquanto ele fazia cafuné no meu cabelo. Muito tempo depois eu voltei à realidade e percebi que eu precisava me acalmar, afinal, minha casa não era tão longe dava para ir andando e foi isso o que fizemos, mas eu andei praticamente caindo e o Guinho começou a falar um monte de coisa tipo ‘’você não pode deixar a brisa te controlar, tem que mostrar que você é mais forte que ela e voltar ao seu próprio corpo’’ e com isso eu meio que comecei a respirar mais devagar  e quando eu me via ‘’descontrolado’’ eu simplesmente balançava a cabeça e lembrava das palavras dele ‘’Não pode deixar ela te controlar, você é mais forte do que ela’’ e eu juro a você que não sei como eu me vi do nada chorando no ombro do Jungkook porque eu nem lembrava que havia o encontrado

Foi tudo tão... Rápido?

—Calma —Ele falava baixinho enquanto acariciava suas costas. —Respira fundo.

Jimin mordeu o ombro dele e depois de respirar fundo olhou ao redor. Estavam em um restaurante praticamente vazio e na mesa havia alguns pratos sujos. Eles haviam comido? O loiro não lembrava nada. Sua cabeça estava a mil.

—Como chegamos até aqui? —Perguntou olhando para todos os lados, perdido no espaço. —Ai porra Jungkook, eu não lembro!

—Calma —Acariciou o peito dele enquanto ele tentava respirar mais devagar para não perder o controle de suas ações novamente.

—Eu... E-eu fumei maconha! Minha mãe vai me matar! —Fez bico, assustado.

—Não Jimin, ninguém vai te matar. Olha, eu vou explicar com calma o que aconteceu, certo? Quando você chegou em casa, eu estava conversando com sua mãe na varanda enquanto te esperava e você me chamou até o seu quarto e disse que havia feito algo muito errado e pediu para eu te levar para algum longe da sua casa. Eu pedi permissão a sua mãe prontamente para te levar para algum lugar e como você disse também que estava com fome eu te trouxe nesse restaurante, entende? —Assentiu. —Você me contou algumas coisas que estavam te incomodando e eu apenas as ouvi e dei alguns conselhos.

—Eu te contei? O que eu te contei? Meu deus eu contei algo que não devia, não contei? Ai porra!

—Não Jimin. Só contou o que aconteceu mais cedo, com a sua mãe, sobre você ter se escondido no banheiro e sentir que tudo ao redor parecia um caos. Falou sobre seu transtorno alimentar e-

—É sério que eu falei sobre tudo isso e você acha que eu não falei nada de errado? Ai droga, eu não deveria te meter no meu problema, sou tão estúpido. —Fungou baixinho e olhou novamente ao redor. Sua garganta estava começando a travar e ele não queria chorar outra vez.

—É só o efeito da droga, não precisa se martirizar por tão pouco, agora vem —Estendeu a mão e o guiou até a parte de fora do restaurante; esse estava situado perto da praia, mas o vento trazido pela maresia em uma época de outono invés de o fazer bem, o causava frio e ele não estava com blusa de manga longa. Acabou parando no meio do caminho ao perceber que Jeon estava o levando em direção ao mar.

—Vem. O que foi?

—Para onde vamos?

—Vamos deixar nossos pés serem molhados pela água do mar. Vai ser legal.

—Estou com frio. —Passou as mãos nos braços, estava com tanto frio que todos os seus pelinhos estavam arrepiados.

—Ah é. Eu esqueci que pessoas muito magras sentem mais frio que o normal. —Retirou o sobretudo que usava e o pôs por cima dos ombros do mais novo. —Melhor agora? —Fez que não, abrindo um pequeno sorriso.

—Você ‘ta parecendo um homem dos anos vinte usando esse suspensório.

—Não era anos cinquenta?

—Não sei, seu estilo é muito antiquado, sempre me surpreende.

—Me visto melhor que muita gente que você conhece.

—Verdade, parece um cavalheiro do século. Eu gosto. —Estendeu as mãos para que ele a pegasse e logo o mesmo logo voltou guiá-lo até a beira-mar e ali ambos tiraram o sapato e deixaram as ondas fracas molharem seus pés. Era um ato tão sutil e mesmo assim o vento do ambiente parecia fazer com que os ruídos em sua cabeça se acalmassem um pouco.

—Por que estamos aqui? —Jimin questionou levando os olhos na direção de seu acompanhante e estranhou ao perceber que ele já o olhava.

—Bom... Você disse que queria ir à um lugar longe da sua casa para fugir do seu problema e coincidentemente a praia é o meu lugar favorito e também é um pouco distante de sua casa então voilà, aqui estamos.

—Você respondeu isso de modo superficial. —Voltou o olhar na direção do mar rindo da cara do outro o deixando com a cara de paisagem e totalmente curioso para saber o significado daquelas palavras. Não muito tempo depois ele explicou: —Havia dois caminhos para responder isso e você preferiu o mais próximo.

—E o que isso quer dizer? —Ele já estava curioso para ver onde daria aquele assunto que apenas acabava de começar. Jimin tinha esse poder sob ele.

—De um modo geral e direto quer dizer que é óbvio que eu queria um lugar longe e é claro também que praia é o seu lugar favorito, mas a real resposta que eu queria era o motivo real de estarmos aqui: O quê te prende aqui? O que tem a praia de diferente de um parque central, por exemplo? O quê, diante tantos outros lugares, ligou a praia a você?

A boca do mais velho formou um perfeito ‘o’ por dois motivos:

O primeiro por não saber como aquele pergunta o havia atingido de modo tão certeiro.

A segunda por não ter visto por esse lado.

Ele permaneceu estático digerindo a avalanche que caiu em sua cabeça sem a previsão de um clima tropical para adiantar o processo.

—Bom... O que me prende aqui são as gaivotas e o mar. Os pássaros por serem diante tantos os únicos verdadeiramente livres, voando de polo a polo sem pedir permissão e sem combustível, tão livres que normalmente são perseguidos por homens que tentam ter pelo menos um pouco de sua liberdade e o oceano... O vasto e profundo oceano que está sempre mudando como o clima guiado pela lua e o sol, o oceano com todos os seus mistérios que me atiçam a curiosidade e toda sua... Beldade. 

Ele sorriu. Havia gostado da resposta.

Jeon rebateu a pergunta ''E você, o que te prende atenção aqui?''

Mas ele não respondeu. Estava muito preso no som aguçado do vento batendo em seus ouvidos. Fechou os olhos, sentiu o vento por muitos minutos, e sorriu, ao abrir os olhos.

—Ah Jungkook... Devo admitir que desde a última vez que conversamos no meu quarto o modo que você respondeu que era feliz sem rodeios passou a agitar a minha mente e consequentemente me intrigar. Eu te conheço há pouco tempo, isso é certo, mas o seu modo de agir e pensar diante de determinadas situações são intrigantes ao meu ver. É intrigante ver o modo que você mantém a calma e fuma em contrapartida; fumar, algo que atinge nossa natureza e você mesmo diretamente. Se você gosta de viver, não deveria se livrar de tudo que possa condenar à morte? Porque é isso o que seu cigarro faz, eu sei e você também sabe. Você deveria ser estudado pela NASA, é o que eu acho. Você deveria ser internado em um hospício porque você é louco, insano, lunático, mas um louco consciente e no sentido revolucionário o que me intriga muito e me faz pensar: O que, afinal, te move? Quantos cigarros você teve que fumar e noites sem dormi para perceber que era feliz no final? O que te fez ver que você era feliz? Quantas noites você passou acordado, pensando, pensando e pensando? —E de repente sua fala estava completamente rápida e embolada. Ele fez uma pausa, esfregou os pequenos olhos quase que cem por cento fechados e respirou fundo, voltando a concluir as ideias, agora com um pouco mais de calma:

—Eu não entendo e tento. Mas isso não é possível e o máximo que eu posso fazer é imaginar, ter empatia se pôr no seu lugar, contudo, mesmo assim, não é a mesma coisa porque não conheço tua história. E eu quero conhecer tua história não importa quanto tempo eu tenha que esperar. E espero que um dia possa me espelhar em você e superar todo o caos para ser a melhor versão de mim mesmo e você, poxa, me inspira com atos e palavras tão fúteis... Isso é tão... Instigante e profundamente insano.

—Louco no sentido revolucionário? —Jimin sorriu ainda mais e limpou as lágrimas. Por que falar aquilo havia o tocado tanto?

—No sentido revolucionário.

Naquela tarde eu me pus a ouvir a história de Jungkook e descobri, além de sua idade, que ele é muito intenso. Mas isso não foi algo que ele me contou, eu mesmo percebi, eu vi e senti em cada momento que ele abria a boca para relembrar tudo o que passou, e no momento que acabou de narrar tudo eu percebi que gostava dele. Percebi que o rótulo que ele cobria nós dois de ''amigos'' nunca fez tanto sentido. Fiquei feliz de saber que sou amigo de alguém como ele porque pessoas profundas raras. 

Eu definitivamente percebi que precisava de mais ''Jeons'' na minha vida.

 


Notas Finais


se toquem, meninas.
eu sei que tem muita garota com medo de conhecer o próprio corpo, mas cara, não esperem por ninguém para fazer isso por vocês, sabe? saber como proporcionar autoprazer, gozar sozinha, conhecer seu corpo é algo sinceramente sem igual. tomem banho no escuro tbm. e não usem drogas.


deem amor ao pink floyd!
https://youtu.be/pR0glRvhZE0
https://youtu.be/jl0d0Q7MyzA
https://youtu.be/TtT_iTgTn4w
(minhas músicas favoritas desse álbum ♡)

foi desse vídeo ( https://youtu.be/EFpQXOQ4jqI ) que veio a ideia do JM perguntando ao JK ''o que de tudo a sua volta mais te prende a atenção?'', esse canal é simplesmente sensacional. a causa, as reflexões, a voz do gabriel... enfim, eu recomendo.

playlist da fanfic; https://www.youtube.com/playlist?list=PLrEonJD384gMGNhCuvhj_ke-m9xpZluKv
leia também minha obra de arte mais recente; https://www.spiritfanfiction.com/historia/yoongi-e-como-o-clima-18793005


obgd por ler até aqui, caro leitor fantasma.
e aproveita e pega um abraço p vc.
//tufel.


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