História Levi Austral - O Mago Pesquisador - Capítulo 15


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Espero que goste!

Capítulo 15 - A lágrima da deusa - Oitava Parte


 Levi estava no chão, ensanguentado e quase sem sentidos, mas a coroa distorcida brilhava em sua cabeça, esforçando-se para curar as feridas do mago, que teve seu corpo penetrado por todas as lâminas que surgiram da adaga. Seus olhos estavam pesados, seu corpo pedia repouso imediato, ficaria inconsciente, mas antes que fechasse os olhos, ouviu a voz de Braun e a de Canis, chamando por si e tocando seu corpo.


 "Ei, não feche os olhos! Vamos tirar você daqui, aguenta aí." Braun falou, ele e Canis o colocaram de pé, passando os braços do mago por cima de seus pescoços e correndo para longe dali, pois ao que tudo indicava, estavam sendo atacados pelo bruxo. Levi fez esforço para falar, e disse aos dois. "Esse bruxo usa magia negra…" falava pausadamente, ofegante. "Precisam tirar todos daqui, caso contrário, morrerão, Braun, Canis." Disse aos dois, e era possível ouvir vários sons de impacto ali. O bruxo estava parado no ar, com uma esfera feita de mana de cor rosa flutuando em sua destra, parecia concentrar-se, já o elfo negro estava matando as pessoas que ainda estavam na arquibancada, usava um chicote para desferir golpes fortes o suficiente para quebrar os bancos, dilacerando as pessoas, que gritavam e corriam, numa velocidade impressionante. 


 "Eles precisam ser detidos, ou matarão todos daqui, e nós seremos os próximos." Falou, sem pausas e sem ofegar, a coroa já havia curado os buracos em seus pulmões, o mago respirava normalmente, restando apenas alguns furos em seus órgãos, os golpes nos braços também já haviam sido curados. "Você já está bem?" Falou Braun, e Canis o olhou, pensando o mesmo. "Esqueçam de mim, a coroa vai me curar completamente, vocês precisam lidar com aqueles dois." Levi falou, soltando-se de Braun e Canis. "Canis, você consegue lutar de novo?" Levi perguntou ao guerreiro, e ele o respondeu prontamente e com um sorriso. "Claro que sim, ainda tenho mana para dar e vender, Levi. Pode ficar tranquilo." Disse ao mago, e Levi virou-se para Braun. "E você, Braun? Acha que consegue lidar com um deles?" Falou, e foi respondido igualmente rápido. "Sim. Vou fazer o melhor que puder." Disse, franzindo o cenho, com a expressão séria de sempre. 


 Levi poderia confiar nos dois, mas também se juntaria a eles, assim que seus ferimentos fossem curados e ele pudesse lutar novamente. "Canis, vou curar seus machucados da nossa luta, assim você poderá lutar despreocupado." O mago falou, apontou a destra para o guerreiro e sussurrou. "Healing Breeze", uma aura verde tomou o corpo de Canis, e seus ferimentos superficiais sararam quase instantaneamente. "Vão logo, o elfo negro já matou muitas pessoas, e os magos, que sustentam as barreiras da arena, fugiram. Tenham cuidado, me juntarei a vocês depois.", os dois foram lutar contra o elfo, quando ele tentou golpear um homem que corria, a espada de Canis bloqueou o chicote, desferindo um golpe rápido para afastá-lo de si. Braun surgiu atrás do inimigo, golpeando suas costas, mas o elfo desviou e afastou-se dos dois. 


 "Saiam da frente, tolos. Serão condenados junto desses infelizes." O elfo desferiu um golpe com a destra, movendo o chicote na direção de outro homem que corria para a saída da arena, mas o golpe foi bloqueado por uma barreira de vento que Levi invocara, tendo defendido o homem, a barreira converteu-se em uma ventania que lançou o homem para fora da arena. "Tsk, aquele mago…" o elfo olhou para a direção de Levi, mas o mago havia desaparecido, estava acima deles, indo de encontro ao bruxo. O elfo continuou pelejando contra Braun e Canis, numa luta feroz e acirrada, enquanto as pessoas ainda corriam para fugir dali. 


 O bruxo estava parado, com as mãos estendidas e com os olhos fechados, concentrava-se enquanto procurava algo no local, tentava sentir a mana que o item emanava, mas foi interrompido por uma rajada elétrica que aproximava-se por trás dele, o bruxo invocou um escudo de magia negra, que rapidamente anulou o ataque elétrico, e o atacante era Levi. "E aí, Hyat, não é? Me surpreende você estar vivo, eu tinha certeza que tinha te matado com minha magia de luz." Levi parou, riu um pouco, e continuou a falar-lhe. "Como conseguiu sobreviver, ou melhor, fugir?" O mago estava parado no ar, suas roupas estavam furadas nos pontos onde a lâmina havia penetrado, mas completamente curado, apenas manchado do sangue que havia derramado antes, e seu Grimório estava consigo, planando à sua frente, uma aura lilás emanava dele, e Levi esperava a resposta de Hyat. 


 "Eu não devo explicações a ti, mago. Mas meu mestre me socorreu naquele dia, se ele não o tivesse feito, eu estaria morto, de fato." Falou, com semblante neutro, desinteressado. Levi o respondeu. "Entendo, mas seu mestre, seja lá quem for, não te ajudará desta vez, vou me assegurar de que você pereça, bruxo." Levi falou, pronto para atacar o inimigo, mas antes que o fizesse, foi interrompido por um sorriso e voz de Hyat. "Isso não será necessário, eu já estou de saída, junto disto aqui." Um pequeno frasco com um líquido azulado surgiu em sua destra, era brilhante, em formato oval, e emitia uma luz suave, com partículas de luz ao seu redor. Levi já havia sentido essa mana antes, lembrou-se de quando adentrou à cidade, quando estava na rua e a carruagem aproximou-se de si, e ele pôde sentir essa energia mística, era algo incrível, único, esplêndido, Levi caiu em si quando o bruxo apertou o frasco na mão, pondo-o em um pequeno saco que tinha em sua cintura. 


 "O que é isso, o que fará co-" Levi arregalou seus olhos, um ataque vinha ao seu encontro por cima, três raios de energia negra, usou sua velocidade para desviar velozmente deles, mas o bruxo usou essa deixa para desaparecer numa fumaça lilás. "O que era aquilo? Ah, Canis e Braun!" O mago lembrou-se dos dois guerreiros que lutavam contra o elfo, e quando olhou para onde estavam, eles ainda lutavam, Braun havia liberado sua espada, e chamas dançavam à sua volta, avançando contra o inimigo, que esforçava-se para desviar rapidamente de todos os golpes dos dois. "Ainda estão lutando?" Levi falou, aproximando-se da batalha, vendo a surpresa do elfo negro ao vê-lo. O elfo bradou. "HYAT! JÁ NÃO É O SUFICIENTE?! VAMOS EMBORA!" Mas nenhuma resposta se ouviu ali, o bruxo realmente havia ido embora.


 Levi disse-lhe. "Sinto muito, mas você está sozinho, elfo. O bruxo te abandonou, levando um pequeno frasco junto de si, você sabe o que poderia ser?" O elfo estava sendo pressionado para um lado da arena, Braun e Canis apontavam suas lâminas para ele, dando a ideia de que não havia escapatória, e o mago voava acima deles, aproximando-se. O elfo falou-lhe. "Um frasco?! Aquele maldito! Está tentando achar graça aos olhos de Al-" o elfo deteve-se antes que terminasse a fala, olhou para baixo, cerrou os dentes e sussurrou. "Tsk, vocês não conseguirão extrair nada de mim." Uma aura negra o envolveu, e Levi reconheceu o que viria a seguir, o elfo iria liberar sua arma. Levi tentou impedí-lo, lançou dois vértices de ar cortantes na direção dele, mas o chicote partiu os ataques do mago, e o elfo disse. "Enveneno-os, Abyss Serpent." O chicote tornou-se gigantesco e mais robusto, várias escamas o envolviam em todo o seu comprimento, e em seu cabo havia a cabeça de uma serpente, feita de prata e do tamanho de um pequeno diamante. 


 O elfo não fez nenhum movimento, entretanto o chicote moveu-se para um impacto com os três inimigos, mas Levi teleportou-se junto de Braun e Canis para cima, envolvendo-os com magia de voo, para que continuassem planando. "É melhor o enfrentarmos de cima, é difícil ter uma ideia da direção do ataque do chicote se estivermos no solo, entendem?" Os dois concordaram, e logo outro ataque veio, o chicote vinha na direção deles de frente, num ataque completamente direto. Levi ergueu a destra para invocar um escudo, mas foi interrompido por um brado de Canis. "Afogue-o, Poseidon. Madness of The god of The seas." Um pentagrama surgiu a frente deles, a espada de Canis tornou-se novamente em um tridente, e 4 tentáculos de água saíram do pentagrama, agarrando o chicote de prendendo-o. Canis falou aos dois. "Rápido, peguem ele!" Enquanto sustentava os tentáculos, e Levi rapidamente assentiu, olhando para o elfo que estava irado, movendo a destra para um lado e outro para soltar o chicote. Braun apontou sua espada para o inimigo e bradou. "Incendiary Flame!" Uma rajada flamejante foi em direção ao elfo, e Levi disse. "Abyss Tornado" um hexagrama branco apareceu à frente do mago, começou a girar rapidamente e formou um tornado fortíssimo, as chamas misturaram-se ao vento, provocando um tornado de fogo que ia em direção ao elfo. 


 O inimigo gritou de desespero, mas lembrou-se do bruxo dando-lhe uma pequena pedra negra, disse que usasse em uma situação de emergência, e ele pegando-a de dentro de seu bolso, a lançou em direção ao tornado, já sentindo o calor escaldante em sua pele. A pedra aproximou-se do ataque, e num determinado momento, explodiu, transformando-se em um escudo completamente negro, que bloqueou o tornado, protegendo o elfo. Levi e Braun não conseguiam ver adiante de seu ataque, então continuaram voando para frente, e o escudo invocou uma onda de energia negra na direção dos dois, atravessando o tornado. Os dois pararam, e Levi conseguiu invocar um escudo de luz a tempo, mas foram lançados para longe, conforme a escuridão os empurrava.


 Canis olhou o que acontecia e pensou em ajudá-los, mas esquecendo-se do chicote do elfo por um momento, o inimigo desativou a liberação do chicote, que encolheu, libertando-se dos tentáculos que Canis havia invocado. Levi e Braun foram ao chão, jogados pela onda de escuridão, e nesse instante, Sullivan chegou à arena, com vários soldados e magos, tirando a atenção de todos, dando a deixa para o elfo alçar voo rapidamente, rompendo o teto da arena numa velocidade incrível. "Droga! Vamos, ele está fugindo!" Os três prepararam-se para perseguir o elfo, mas Sullivan bradou. "O que está acontecendo aqui?! Não se mexam!" Ao dizer isso, os feiticeiros que estavam consigo invocaram correntes mágicas, que agarraram-se aos corpos dos três, mas eles não tinham tempo a perder. "Não temos tempo para explicações!" Levi disse-lhe, e em seguida falou. "Dissipar!" As correntes desapareceram, e os três alçaram voo para cima rapidamente, passando pelo buraco que o elfo havia feito. 


 "Levi, você acha que conseguiremos alcançá-lo?" Braun falou, seguido de Canis. "Ele voou muito rápido, já deve estar muito longe, não?" Canis disse, enquanto os três seguiam a rota do elfo. "Não, eu o consigo sentir no limite da minha magia de percepção, mas temos que ir mais rápido, ou eu posso perdê-lo." E o mago esforçou-se para acelerar, mas algo ruim aconteceu, a presença do elfo desapareceu, e Levi não sentia mais nada, logo estranhou e falou aos demais. "Eu não consigo mais sentí-lo, não consigo sentir mais nada, minha magia de percepção foi interrompida." E enquanto falava, seu corpo ficava cada vez mais pesado, e os corpos de Canis e Braun, que estavam sob a influência da magia de voo de Levi, também pesavam. 


 Eles pararam, estavam apenas planando no momento, enquanto Levi fazia esforço para simplesmente mantê-los no ar, e Canis falou. "O que houve?" Seguido de Braun. "Vamos voltar?" Os três estavam muito alto, muito mais alto do que a ponta da torre do castelo, conseguiam ver toda a capital dali, era extensa e bonita, mas infelizmente, o problema agravou-se ainda mais, e a magia de voo estava colapsando, auras azuladas apareceram ao redor dos três, falhando, aparecendo e desaparecendo rapidamente, e o mago falou. "O que diabos está acontecendo, minha magia…" calou-se quando a aura desapareceu, e os três começaram a cair, desesperados. Braun gritou, de olhos fechados. "O que está acontecendo, por que estamos caindo?" A magia de Levi havia parado de fluir, e o mago simplesmente não conseguia reunir mana para qualquer coisa.


 Eles cairiam em um local um pouco afastado do centro da cidade, ao lado norte do castelo, não existiam muitas pessoas por lá, apenas algumas casas muito distantes umas das outras e muita pastagem. No ponto exato onde eles cairiam, 5 figuras apareceram de repente, envolvidos em uma fumaça roxa que rapidamente desapareceu, uma daquelas pessoas era Sullivan, o guerreiro-chefe do reino, e este disse aos outros. "É realmente aqui onde cairão?" E olhou para alto, sendo respondido por um dos encapuzados. "Sim, senhor. Esta é a localização exata deles, e ali estão." Os três vinham caindo velozmente, os 5 abriram um espaço do centro de onde estavam, e Sullivan os disse. "Pare-os." Dois encapuzados ergueram as mãos aos céus e disseram em uníssono. "subsisto" e quando os três aproximaram-se dali, pararam bruscamente a centímetros do solo, caindo um segundo depois. 


 Levi ergueu-se para encarar as pessoas que estavam ao seu redor, mas quando viu Sullivan, assustou-se, sua primeira atitude foi tentar teleportar a si e aos dois para longe dali, mas não conseguiu, não conseguia usar magia, e como resposta à sua tentativa, uma pequena runa apareceu em sua frente, parada no ar, e explodindo, lançou apenas Levi para trás, de encontro à uma árvore que havia ali perto. Canis olhou a cena e tentou liberar sua espada, mas aconteceu o mesmo que a aconteceu a Levi, uma runa apareceu à sua frente e explodiu, lançando-o para trás. 


 Braun ergueu a cabeça, mas como era um soldado disciplinado, abaixou a cabeça e endireitou a postura, sentado sob as pernas. Sullivan disse-lhes. "Francamente, o que tinham na cabeça? Este reino não admite rebeldes!" Falou em tom aborrecido, e Braun tentou falar-lhe. "Senhor Sullivan, nossas intenções-" mas teve sua fala cortada por Sullivan. "Silêncio, soldado!" E abaixou a cabeça novamente, cerrando os punhos, mas sua disciplina militar o impedia de desobedecer a seu superior. "Nós fomos alertados sobre um ataque à arena, as pessoas começaram a fugir de lá e explosões foram ouvidas, nos mobilizamos o mais rápido possível para chegar lá, e quando chegamos, encontramos vocês sozinhos, com toda a arena destruída. O que deveríamos pensar?" Falou, enquanto dois encapuzados colocavam algemas mágicas nos três. 


 Levi reconheceu o tipo de magia, e sussurrou. "São feiticeiros…" ouviu um riso de um dos encapuzados, tomando como confirmação, dois deles eram feiticeiros, mas os outros dois ainda eram um mistério, usavam máscaras negras com o símbolo do reino, um lobo na frente de uma meia-lua dourada, o mago não sabia o que eles eram. Sullivan voltou a falar. "Vocês podem se explicar na sala de descanso dos oficiais, vamos logo, a caminhada é um tanto longa." Os três levantaram-se com o auxílio bruto dos quatro subordinados de Sullivan, e Canis falou. "Ahn, caminhada? Não podem nos teleportar para lá ou algo assim?" Levi riu, e respondeu o aliado recente. "Não são magos, são feiticeiros. O método que eles usam para se locomover mais rapidamente é chamado de aparato, e infelizmente, eles só podem levar a si, a não ser que preparem um item para tal propósito, coisa que só funciona uma vez por item. Deve ter sido assim que o Guerreiro-Chefe e os outros dois chegaram junto de vocês, não é?" Falou, com um certo tom de deboche. Sendo respondido por um encapuzado rispidamente. "Deveria ter cuidado com o que fala, garoto. Se não-" antes que terminasse, foi interrompido pelo mago atrevido. "Se não o quê, vai me transformar em um sapo?" Sorriu, vendo uma esfera de fogo surgir na destra do encapuzado, e sussurrou. "Faça, eu faria se estivesse no seu lugar." O viu cerrar os dentes, e Sullivan bradou à frente deles. "Chega! Vamos logo, ou nunca chegaremos." E eles começaram a caminhar.


 A ordem era a seguinte: Sullivan na frente, Levi, Canis e Braun no meio, dois encapuzados à frente e atrás deles. Enquanto caminhavam, Levi pensava no que o bruxo havia roubado, mas foi tirado de seus devaneios por Canis, que falou-lhe. "Você está bem? Vi você ser lançado contra uma árvore." Disse, e Levi o respondeu. "Você fala como se não tivesse sido igualmente lançado-o por uma explosão, Canis. Mas estou bem, e você?" Disse em voz suave, e Canis continuou falando-lhe. "Eu estou bem, mas o garoto aqui atrás não parece tão bem. Não levantou a cabeça desde que começamos a caminhar, qual é o nome dele mesmo?" Falou em sussurros, e Levi o respondeu. "Braun. Ele deve estar bem, não foi vítima de explosão como nós, apenas deve estar chateado pelo fato de estar sendo tratado como rebelde. Militares, entende?" Levi falou-lhe, estavam conversando casualmente, apesar da situação em que se encontravam. 


 Levi aproveitou que estava falante para perguntar a Sullivan. "Ei, Sullivan. Por que não consigo usar magia?" Disse, e os dois mascarados da frente viraram-se para ele, mas voltaram sua atenção para Sullivan logo depois, e este disse. "Ah, você não sabe. Nosso reino já enfrentou inimigos perigosos com dons mágicos, então nossos magos, feiticeiros e bruxos desenvolveram uma barreira de anti-magia." Disse, e Levi continuou a perguntar. "O reino escolhe em quem a barreira tem influência? Pois os seus feiticeiros estão em pleno vigor." Sullivan o disse. "Sim, a coroa decide quem deve ser proibido de usar magia nas dependências de nosso reino, por isso nenhum de vocês consegue utilizar a mana para nenhum propósito." Ao terminar de falar, Braun disse. "A coroa nós considera inimigos, me considera inimigo? Não pode ser…" novamente abaixou a cabeça, estava desolado. Levi sentiu pena, o sonho do soldado era tornar-se Guerreiro-Chefe, e ser uma ameaça ao reino não parecia ser o caminho certo. Mas não havia o que fazer, quando chegassem ao local que Sullivan havia falado, eles explicariam a situação, e com sorte, Sullivan entenderia.


 Depois de algum tempo, já era noite, e eles chegaram ao quartel do 1° batalhão de combate do reino, o qual Sullivan era capitão. Ao entrarem, não era muito diferente da instalação militar onde ele e Braun estavam, e ao subirem alguns ramos de escada, chegaram ao 3° andar, a sala de descanso dos oficiais. Era um espaço luxuoso, com cadeiras de couro e um sofá do mesmo material, paredes vermelhas e várias decorações. Sullivan sentou-se na cadeira detrás de uma mesa de madeira rústica, convidou os três a tomarem assento, e assim o fizeram. "Muito bem." Suspirou, e continuou a falar a eles. "O que houve realmente?" O mago o respondeu. "A luta havia terminado, e eu fui atacado, quase morri, até. Após o ataque a mim, um bruxo e um elfo apareceram no ar, e começaram a atacar todos que estavam na arena." Falava, e Canis apenas assentiu, Braun ainda estava calado e Sullivan ouvia o mago com atenção. Alguns minutos depois, Levi terminou de falar. "Então ele fugiu, e nós fomos o perseguir. Mas infelizmente, eu não consegui mais sentir a presença dele com minha magia de percepção, acredito que foi devido à barreira anti-magia." Olhou para Sullivan, e ele balançou a cabeça, como sinal de reprovação.


 "Não deveriam ter fugido de nós, se tivessem explicado isso, nós teríamos ajudado. Vocês não são da guarda real para se meterem em assuntos de segurança nacional, garotos. Nós cuidaremos disso a partir de agora, podem ficar tranquilos." Sullivan falou-lhes, mas foi prontamente respondido por Levi. "Sinto muito, mas não posso fazer isso. O bruxo era um subordinado de um homem do qual eu tenho a missão de eliminar. Se eu o seguir, provavelmente conseguirei encontrar meu alvo, e ele também roubou algo que eu tenho interesse. Não posso ficar parado, Sullivan." Levi falou, e o anel do rei demônio surgiu em seu dedo anelar direito, mas suas mãos estavam escondidas debaixo da mesa.


 Sullivan o respondeu. "Não foi um pedido, vocês três não vão se envolver nesse caso. É uma ordem." Sullivan disse, em tom autoritário, e o anel demoníaco emanou um brilho singelo, libertando Levi da influência da barreira mágica. "Eu também não estou pedindo. Somnus Eademque." Após isso, Sullivan caiu de cabeça na mesa, e os quatro encapuzados colocaram-se em guarda contra os três que estavam à sua frente. Levi levantou-se e olhou para eles, enquanto Canis e Braun tentavam entender o que havia acontecido. "Deveria ter me queimado, feiticeiro. Durmam." Ergueu a destra, e os quatro logo caíram. Braun falou-lhe. "Levi! O que você fez com eles? São soldados, não deveria-" foi interrompido por Levi. "Eu não os matei, apenas os coloquei para dormir. Vamos logo, precisamos ir atrás deles, posso tentar encontrá-lo com magia de busca." Mas teve uma resposta negativa de Braun. "Eu não irei. Sou um soldado, vou enfrentar consequências por ter desobedecido o Guerreiro-Chefe, não quero ser exilado por ir contra a coroa." Disse, abaixando a cabeça. Levi não esperava algo muito diferente, então o respondeu. "Eu entendo, é uma pena, Braun." Ergueu a destra para ele, e antes que o soldado pudesse ter alguma reação, caiu, dormindo. 


 Levi olhou para Canis e disse-lhe. "E você? Pretende ficar aqui?" Foi respondido após alguns segundos. "Eu sou um mercenário, não tenho laços com esta cidade. E parece que será uma aventura e tanto, vou com você." Sorriu, falando confiante, e o mago igualmente sorriu, falando-lhe. "Muito bem, vamos à instalação militar onde eu estava hospedado. Preciso pegar minhas roupas, vamos rápido, esse sono não vai durar muito tempo." E Levi os teleportou para seu quarto na instalação militar, suas roupas voaram para fora do armário e desapareceram, adentrando um portal azulado. "Você também tem algo para pegar? Se tiver, vamos logo." Falou, e passos foram ouvidos vindo rapidamente para perto de onde estavam. "Faça silêncio e não se mova! Curtain" mexeu os dedos da destra rapidamente na direção de Canis, e este foi coberto por um feitiço de camuflagem, desviando os raios de luz de si. 


 Levi estava parado no centro do quarto, a porta foi aberta com um estrondo, fazendo-se ouvir a voz aborrecida de Waldrow logo após. "Levi!" Falou-lhe, e o mago respondeu calmamente. "Sim, tenente?" Waldrow aproximou-se dele e continuou a falar-lhe. "Onde está Braun? Aquele soldado impertinente está desaparecido desde a luta na arena, vocês estão envolvidos com aqueles acidentes?" Disse, em tom autoritário. Levi não era militar, logo não se importava com o humor do tenente, não era subordinado a ele. "Você é direto, não é, tenente Waldrow? Não, não estamos envolvidos. A propósito, muito obrigado pela estadia, mas eu estou de saída. Passar bem." E passou pelo tenente, usou magia de telepatia para falar a Canis, que ainda estava parado perto do armário. "Pule pela janela, vou te teleportar para baixo, seja o mais furtivo possível, se alguém o perceber, o feitiço de camuflagem será quebrado." O guerreiro entendeu o recado, e sem demorar, pulou pela janela, sendo teleportado para baixo, próximo à saída da instalação militar. 


 Quando Levi aproximou-se da porta, viu três silhuetas à espreita, escondidos por trás da porta, porta, esperando que saísse. Ouviu novamente a voz de Waldrow, falando-lhe calmamente e em tom grave, ouvindo o fio da espada passear pelo corpo da bainha, tinha sacado a espada. "Infelizmente, não posso permitir que você vá. Sentimos um abalo no prédio do 1° batalhão. Os soldados foram checar e encontraram os corpos dos subordinados do capitão e o do próprio. O que você tem a dizer sobre isso, Senhor Levi?" Falou-lhe, apontando a espada para as costas do mago, que disse a ele. "O que eu tenho a dizer? Simples, não sou subordinado." Virou-se para o tenente, e continuou a dizer-lhe. "Não quero machucá-lo, tenente. Eu não fiz mal algum ao reino, me expliquei a Sullivan, pode falar com ele, quando acordar." O tenente falou, com um tom de surpresa. "Acordar?" E Levi sorriu, respondendo. "Sim, pensou que estavam mortos? Espero que não os tenham enterrado. Eu não os matei, como disse, não tenho nada contra nenhum de vocês, tampouco fiz mal ao reino. Mas perdão, devo me retirar agora." Falou, mas foi respondido com o avanço de Waldrow sobre si.


 O tenente avançou com a espada, num golpe cima para baixo, Levi estava parado, e milímetros antes da espada atingir seu rosto, a arma deteve-se, e o tenente não conseguia mover-se. "Stricto, você não conseguirá mover-se por um tempo, tenente, não importa quanta força faça." O mago afastou-se do fio da espada, vendo o corpo do tenente tremer, tentando mexer-se, o homem falou. "Homens, o que estão esperando? Detenham-no!" Mas nada aconteceu, Levi sorriu, e rindo, falou a Waldrow. "Eles não estão ouvindo, estão dormindo, como o capitão e seus homens. Acho que isto é um adeus, Waldrow. Novamente, obrigado pela hospitalidade." Bateu continência, e desapareceu num borrão, aparecendo na saída onde Canis estava, e tocando em seu ombro rapidamente, teleportou-se junto dele para uma área mais afastada do centro da cidade. 


 "Tudo bem? Não deixou ninguém te perceber?" Disse a Canis, dissipando o feitiço de camuflagem que havia posto nele. "Sim, não fui percebido, mas você demorou, hein? Pensei que ele havia te matado." Respondeu Canis, sentando-se em um banco velho que tinha próximo deles. "Hum, é bom saber que você acha que eu não consigo lidar com um militar, mas enfim, estamos cegos." Disse-lhe, falando sobre não terem pistas do elfo negro e do bruxo. "Eu estou com plena visão, por que diz que estamos cegos?" O guerreiro o respondeu, o mago pensou se tinha sido uma boa ideia ter trazido-o junto de si, mas não o abandonaria, ele seria útil em algum momento, assim o mago tentava pensar. "Não temos pistas sobre a localização dos dois, nem sabemos ao certo o que eles roubaram. Você não tem nenhuma ideia, Canis?" Disse o mago, e o guerreiro azulado o respondeu. "Se tem alguém nesse reino que tem as informações, seria o rei. Mas não conseguiríamos nos aproximar dele, tampouco acredito que ele diria. A melhor escolha que temos agora, é tentar tirar informações daqueles que organizam o torneio, e muito provavelmente, estão cientes do que foi roubado, não?" Falou calmamente, e o mago surpreendeu-se por um instante, dizendo-lhe. "Realmente. Você já foi detetive?" Canis riu, e disse-lhe. "Quase isso." 


 Eles conversaram por mais alguns minutos, mas já era noite, estavam cansados, decidiram que o melhor era agirem apenas no outro dia, mas teriam que manter-se escondidos naquele local pelo resto da noite. Canis disse-lhe. "Vou ver se consigo encontrar algo para comer, estou faminto. Volto assim que conseguir algo." Começou a afastar-se do esconderijo, mas Levi o chamou, e aproximando-se dele, pediu que o desse dois de seus acessórios, e ele estranhou, mas o deu um brinco e uma pulseira. Levi encantou os dois, com magias diferentes, a pulseira poderia ativar magia de camuflagem, o mesmo feitiço que o mago havia usado no guerreiro antes, e o brinco ativava um teleporte para a localização do mago. "Diga, enable e o feitiço que deseja usar, camuflagem ou teletransporte, tenha cuidado." E o guerreiro saiu para caçar. 


 Levi teve a ideia de usar magia de percepção e aumentá-la o máximo possível, para conseguir ter uma ideia de onde estavam os organizadores do torneio, em especial, Bailey. O garoto, que Levi ajudou quando chegou à cidade, com certeza teria informações úteis. Enquanto começou, sentou-se em posição de canalização de mana, a posição de meditação, e concentrando-se em sua respiração, espalhava sua percepção por todo o território do reino, sentindo todos os cidadãos, animais, plantas e tudo quanto tinha vida ali, procurando a presença de Bailey. Após longos minutos, Canis chegou com um javali selvagem nos braços e pondo-o no chão, observou Levi até que o mago achou quem procurava. Abriu os olhos de supetão, sorriu e disse. "Eu o achei. O que é isso? Você caçou um javali?" Olhou para Canis, franzindo o cenho, sendo respondido com igual surpresa. "Sim… você nunca tinha visto um?" Falou, e recebeu um olhar aborrecido do mago. "Sim, já vi javalis, mas pensei que você pegaria uma galinha ou algo assim, mais prático. Mas tanto faz, como pretende cozinhar isso?" Levantou-se, pondo-se ao lado do guerreiro, e ele disse-lhe. "Não faço ideia, a caça eu domino, mas cozinhar…" falou, e o mago riu, dizendo-o. "Apenas tire a pele, eu cuido do restante. 


 E assim Canis fez, tirou toda a pele de do javali com uma pequena faca que guardava por dentro de seu casaco, e Levi abriu seu armazém, um portal onde guardava de tudo, tirando dele uma fôrma de ferro pouco maior que o corpo do javali. Pôs o javali na fôrma, e com sua mão esquerda, Levi fez surgir uma esfera de fogo, aproximando-a do javali, ergueu a destra e um círculo mágico desenhou-se à frente desta, dourado e brilhante, e ele disse. "Tum corporis accelerat" o corpo do javali começou a cozinhar rapidamente, e tendo ele cozinhado em cerca de 2 minutos, Levi abriu novamente o portal do armazém, tirando um pequeno saco com sal, e salpicando por cima do javali, disse a Canis. "Pode comer." Canis maravilhou-se com o feito de Levi, e quase gritando, falou-lhe. "O que foi isso?! Carne de javali demora muito pra cozinhar, como você fez isso?" E sentou-se, tomando uma das coxas e comendo. "Você parece uma criança. Podemos dizer que é um feitiço de manipulação do tempo." Disse calmamente, sentando-se, mas não estava com fome. "Manipulação do tempo? Isso não é impossível?" Canis falou, com a boca cheia de carne. "Sim, e não. Esse feitiço faz com que células envelheçam mais rápido, e com o auxílio da esfera de fogo, as células envelheceram em contato com o calor, ou seja, é como se tivessem passados horas em um forno, entende?" O mago falou, e Canis assentiu, e comeu até se fartar. 


 Os dois dormiram, estavam abrigados em uma casa em ruínas ao lado leste do castelo, não tinham pessoas ali perto, era uma área voltada para a agricultura, as fazendas eram distantes umas outras, e eles estavam entre duas. Dormiram pelo resto da noite, no chão, o que não se importaram. Começariam a mover-se no outro dia.


Notas Finais


Muito obrigado por ter lido até aqui. ❤️❤️


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